0007 Mad Max
Posted by artzzz333
Posted on 20:49
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Dos que se podem considerar como filmes distópicos, Mad Max (1979) de George Miller é talvez um dos mais fraquinhos que vi. Por muito que queira puxá-lo para cima, Mad Max não é um grande filme. E então revê-lo tantos anos depois, ainda se torna mais... fraquinho. Mas mesmo com o seu argumento banal, tornou-se uma referência para uma imensidão de filmes que vieram a seguir e foi um sucesso mundial estrondoso. E ainda deu a conhecer um desconhecido australiano - Mel Gibson - que apareceu aqui para dar
vida a Max Rockatansky e para se tornar uma estrela mundial. Pessoalmente, este filme tem um sabor especial, pois foi o primeiro filme que aluguei para pôr a rolar nessa maquineta revolucionária dos anos 80 chamada de VHS, informação nada relevante acerca do filme, mas que gostaria de partilhar.Foi a primeira vez na minha vida que tive controlo sobre os filmes que via. Como tinha pouco ou nenhum dinheiro, só ia ao cinema acompanhado por um familiar, e como é óbvio, ele é que escolhia o filme. Na televisão, a situação era a mesma: quem escolhia o filme era o senhor dono da televisão e eu tinha de me sujeitar. Com a introdução do VHS, tudo mudou: eu é que escolhia o filme que queria ver. E no início dessa mudança, esteve este Mad Max. (É por isso que custa tanto não lhe conseguir dar 6 de classificação...). Quanto ao filme propriamente dito, tem falhas e é demasiado simples, mas ainda se consegue espremer algum "sumo". Para isso é preciso retirar as cenas de acção, que, diga-se de passagem são bastante boas para um filme feito praticamente "em família", com pouquíssimos recursos financeiros e sem efeitos especiais.
Uma pequena curiosidade: como já vi este filme várias vezes, encontrei duas versões. Sendo o filme australiano e interpretado por actores australianos, há uma versão americana que é dobrada para que o "inglês" seja mais perceptível do outro lado do Oceano.
A história do filme confunde-se com o do personagem principal, Max Rockatansky, que numa espiral de vingança e loucura causados pela morte da mulher e do filho às mãos de um grupo de anarquistas motoqueiros se vai transformando em Mad Max: polícia, advogado, juiz e carrasco, tudo num só fardamento de cabedal. O normal dos filmes de mascar e deitar fora. Numa sociedade sem lei nem ordem, em que a sobrevivência e a violência são os principais motores humanos, a diferença entre os que têm um distintivo e os outros, esbate-se seriamente até se dissipar por completo.
Num aspecto muito pouco visível, mostra uma sociedade australiana distópica, que num futuro próximo, mergulha na violência devido ao fim repentino do petróleo e ao aparecimento de violentos gangues de motoqueiros. Está implícito que a sociedade, tão dependente do recurso-petróleo, implode e desmorona-se perante a sua escassez. A sociedade mantém ainda alguns traços de ordem, a polícia existe, mas é tão brutal e violenta quanto os agentes do caos. A Justiça está ainda presente, mas é pateticamente disfuncional e inoperante. Em detrimento da acção-espectáculo, o resto está omisso, o que é uma pena. Poderia e deveria ter sido mais explorado o tema do fim do petróleo. Mas pensando bem, em 1979, quem é que estava preocupado com estas questões? Se o filme ainda tem alguma credibilidade é precisamente porque o tema de fundo ainda se mantém actual.
Mas este é um filme de acção pensado para levar as pessoas aos cinemas comer pipocas, não é um docu-drama que apela à reflexão interior do cinéfilo sobre os destinos do Mundo e do Homem. No entanto, extrapolando para a realidade actual, não é difícil de imaginar o efeito do desaparecimento repentino do petróleo nas nossas sociedades. Hoje, o fantasma do anunciado fim do petróleo é uma pedra no sapato das nações. Ainda não há muito tempo, uns cêntimos a mais no preço dos combustíveis espalhou o caos, paralisações e protestos um pouco por todo o lado. Não é por nada que o petróleo é um dos principais indicadores económicos e ironicamente, um dos principais factores de desequilíbrio, disputas e guerras no Mundo. Quer se queira, quer não, o "Ouro Negro" continua a impor o andamento da Humanidade. Sabendo que é um recurso finito, falta saber até quando existirá como matéria comercialmente viável e o que acontecerá depois de o deixar de ser.
Mas isto é o plano da realidade que nada tem a ver com o plano do celulóide, onde a luta de Mad Max passa por uma vingança sobre rodas e onde as considerações sobre o futuro da humanidade não fazem sentido. Fraquinho como é, o filme acaba como deveria acabar e como toda gente que gosta de pipocas no cinema goste que acabe: os maus perdem, os bons ganham. Mas o brilho da loucura nos olhos de Mad Max já não se apagará mais.
O filme foi um mega sucesso de bilheteira e esteve até há pouco tempo no Livro do Guiness como o filme mais lucrativo da história do cinema. Teve direito a duas sequelas que apesar de serem financeiramente mais robustas são ainda mais fracas, o que prova que grandes produções nem sempre garantem bons filmes. Conhecendo a indústria do cinema e face à cada vez maior dificuldade em produzir novos argumentos, de certeza que estará para breve mais uma sequela...
Por ter sido inovador no tema, pela descoberta do Mel Gibson, por terem usado inteligentemente e ao máximo o pouco dinheiro da produção e pelas fantásticas perseguições de carros, dou-lhe ●●●●○.

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