Se fosses a entrar num elevador e toda a gente estivesse a olhar para a parede, o que farias quando a porta se fechasse? E se alguém te mandasse dar choques a outra pessoa sempre que ela errasse numa pergunta, o que farias? Para todas as pessoas que estão a pensar que fariam diferente do comportamento colectivo ou que não o fariam simplesmente porque lhe mandaram, aconselharia que lessem um pouco sobre as experiências do psicólogo Stanley Milgram, porque elas demonstram exactamente o contrário.
Sempre gostei de psicologia e de perceber o comportamento humano perante diversos cenários. Já tinha lido algumas coisas do, e sobre o Milgram (inclusive sobre as questões éticas relacionadas com as tais experiências) e por isso tenho de falar sobre este Experimenter. É uma pérola escondida! Um excelente filme de Michael Almereyda. Uma baixíssima produção, recheada de bons actores (Peter Sarsgaard, Winona Ryder, Anthony Edwards, John Leguizamo, Anton Yelchin), embrulhados num belíssimo argumento que gira em torno das reais experiências psicológicas e sociais de Milgram sobre autoridade e controlo. Muito bom. Leva quatro "bolinhas" de caras e só não leva cinco, apenas e só, devido àquela barba postiça ridícula que estragou tudo. Um pequeno filme (quase) perfeito, com toques de documentário e repleto de belíssimos pormenores. Um exemplo de como filmar em pequenos espaços e que por vezes tem momentos de pura representação teatral. Recomendadíssimo. ●●●●○
The Curious Case of Benjamin Button (ideia original do escritor F. Scott Fitzgerald) é mais uma peça de relojoaria meticulosamente montada por David Fincher. O que não torna o filme necessariamente muito bom. A história é-me estranha e o filme parece-me excessivamente longo, sendo que por vezes perde-se um pouco porque fica "pendurado no tempo". No essencial, é a história completa da vida de uma pessoa relativamente comum,
mas com o twist da questão de nascer velho e morrer novo. Na realidade,
não é assim tão twist, porque vistas as coisas, quando uma pessoa começa
a envelhecer, a degradar-se e perder autonomia, acaba por ficar muito
parecido com os primeiros anos de vida. É a realidade. É a vida. Mas o pior para mim, é
que aqui no filme, a questão da velhice/novice acaba por ser, de certa forma,
irrelevante. Se a personagem fosse "temporalmente normal" a história
seria exactamente a mesma. Cate Blanchett, Brad Pitt e Elias Koteas são os que se destacam mais obviamente no elenco (grande ênfase, como sempre na Cate Blanchett). Mas uma das coisas que nunca consegui ultrapassar neste filme foi o ar desconsolado e deslavado do Brad Pitt. Para quem assistiu ao nascimento deste "bad boy" do cinema e vê-lo aqui, assim, com carinha de parvo é de parar o coração... Uma pena. Apesar disto tudo, é um filme que se vê bem e que está muito bem construído, como sempre, pelo génio do Fincher. ●●●○○
Vi a primeira entrega deste produto e estranhamente até nem desgostei. Claro que chegando à sequela não podiam continuar a fazer coisas "normais" e tinham de começar a encher chouriços para chegar à trilogia... E assim cheguei a este Fantastic Beasts - The Crimes of Grindelwald. Uma patetice excessivamente digital destinado exclusivamente para fãs do Harry Potter e para quem gosta de brincar com varinhas mágicas... Uma confusão de personagens sem nexo, numa história cheia de palha e que nem sequer tem um fecho, portanto, resumidamente é uma simples perda de tempo. Um veículo para a óbvia terceira parte da trilogia que deve sair a tempo de comer o dinheiro dos pais que obrigatoriamente têm de levar as criancinhas ao cinema nesse tempo maravilhoso de solidariedade humana que é o Natal... Espera! Isso é daqui a muito tempo. A Páscoa também está perto demais, portanto o "3" (Fantastic Beasts - "inserir nome bombástico") deve sair lá para o final das férias grandes, em setembro/outubro. As pessoas estão deprimidas por voltarem ao trabalho e as crianças destruídas por voltarem para a escola, daí que toda gente precise de ver alguma coisa para "esquecer" a vida real... Bem... estou numa de divagação hater portanto é melhor ficar por aqui... Nomes como Johnny Depp, Eddie Redmayne e Ezra Miller apenas salvam esta desgraça do vazio total... ●○○○○
Se há coisa que não sou é fundamentalista. Nem todos os filmes antigos são bons, assim como nem todos os filmes modernos são maus. O exemplo disso mesmo é este Pet Sematary. É simplesmente mau. Maus actores (Dale Midkiff, Denise Crosby). Má realização (Mary Lambert). Quase tudo é mau. É um filme sem nexo. O que é estranho, porque sendo baseado num livro do Stephen King e inclusive tendo o argumento do mesmo senhor, seria normal que pelo menos a história se safasse. Não é o caso. É uma amálgama de muitas ideias do universo King que acabam por não ligar umas nas outras... Pela positiva, aqui só se safam mesmo o Fred Gwynne e o miúdo (bebé?!) Miko Hughes. Não leva com um redondo (e raro) zero porque a estrutura inicial da história tem alguma "carne" que merecia e deveria ter um desenvolvimento melhor. Este é um dos claros exemplos de um filme dos 80's que deveria levar com um remake em condições. ●○○○○
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A expectativa é lixada. Na grande maioria das vezes tento não saber o que vou ver para não gerar expectativas elevadas e depois ficar desiludido. É uma técnica já antiga que tem dado bons resultados. A mais recente experiência foi este 10 Cloverfield Lane. Pelo nome, pensava que era uma espécie de sequela do Cloverfield, mas esteva enganado. Não é uma sequela directa, mas tem uma certa ligação ou faz parte dum plano maior de J.J. Abrams em ligar as duas coisas no futuro. É estranho mas ven do filme percebe-se aligação. Seja como for, estava à espera de mais um filme de efeitos digitais da treta e/ou teenager in danger e acabou por me sair na rifa um bom filme. 10 Cloverfield Lane tem aquele look de filme de baixo orçamento, "à moda antiga". Dan Trachtenberg, nitidamente um realizador de TV, fica aqui como peixe na água, porque basicamente este é uma espécie de telefilme, mas muitíssimo bem esgalhado...
Não tendo efeitos especiais nem grande cenas de acção, toda a dinâmica fica entregue ao guião (muito bem escrito, cheio de suspense, dualidade e ambiguidades [ter lá um Damien Chazelle faz toda a diferença...]) e à prestação dos actores, que são aqui essencialmente os grandes pilares do filme. Em primeiríssimo plano está John Goodman, mas a jovem Mary Elizabeth Winstead e John Gallagher Jr. não lhe ficam muito atrás. Para os mais atentos há a surpresa "Bradley Cooper", mas apenas em versão áudio (ao telemóvel). 10 Cloverfield Lane foi uma belíssima surpresa. E também não vou dizer mais nada, para não gerar mais expectativas nem estragar a surpresa. Fica aqui a prova que não são precisos muitos meios, muito dinheiro e muitos actores de renome para fazer um bom filme. Sem dúvida, para ver. ●●●○○
Não tendo efeitos especiais nem grande cenas de acção, toda a dinâmica fica entregue ao guião (muito bem escrito, cheio de suspense, dualidade e ambiguidades [ter lá um Damien Chazelle faz toda a diferença...]) e à prestação dos actores, que são aqui essencialmente os grandes pilares do filme. Em primeiríssimo plano está John Goodman, mas a jovem Mary Elizabeth Winstead e John Gallagher Jr. não lhe ficam muito atrás. Para os mais atentos há a surpresa "Bradley Cooper", mas apenas em versão áudio (ao telemóvel). 10 Cloverfield Lane foi uma belíssima surpresa. E também não vou dizer mais nada, para não gerar mais expectativas nem estragar a surpresa. Fica aqui a prova que não são precisos muitos meios, muito dinheiro e muitos actores de renome para fazer um bom filme. Sem dúvida, para ver. ●●●○○
Ainda hoje não entendi muito bem como toda esta história contaminou o mundo. Acho que foi uma espécie de estranho acordar (violento) para a realidade. A ideia pré-concebida que uma pessoa tem da patinagem artística (sendo que "uma pessoa", sou eu...) é quase a mesma do bailado clássico: apenas meninas lindíssimas com um Q.I. do tamanho do Einstein participam nestas provas, e para além da beleza e inteligência quase sobre-humana, ainda suplantam os restantes seres humanos vulgares com uma incrível aptidão para um impossível equilíbrio, força e destreza física. Bem, Tonya Harding é exactamente o oposto disto tudo: é oriunda de um meio pobre, mergulhada com uma vidinha de merda com agressões e violência constante à mistura... Se bem que em abono da verdade, ela possuia um dom que era o da patinagem artística, até porque a determinado ponto do carreira foi provavelmente a melhor patinadora do mundo... É quase uma vida de rockstar decadente a imiscuir-se no elitista meio da patinagem artística de alto rendimento. Nunca iria funcionar bem, e claro está, não funcionou. Claramente posta de parte pelo resto da classe desportiva, com a vida feita num frangalho e com a agravante de estar rodeado por uma maioria de personagens absolutamente tóxicas, esta história só podia acabar mal.
Acho que foi um pouco por causa disto tudo que no princípio dos anos 90, a rivalidade Tonya Harding/Nancy Kerrigan acabou por chegar aos olhos e ouvidos de todo o mundo. Foi algo tão dispare, estranho e inesperado que acabou por chamar a atenção de toda a gente. Foi como se os irmãos Coen estivessem a "dirigir" a realidade... É talvez a característica mais marcante dos anos 90 e a razão porque muita gente não gosta particularmente desta década: é um acordar pessimista (ou realista?...) para a realidade negra em contraposto com o exagero colorido e despreocupado dos 80's. E logo a seguir ainda apareceu a cena do "simpático" OJ Simpson... Dá que pensar...
I, Tonya é rodado em jeito de documentário com os intervenientes a comentarem abertamente as situações mirabolantes que nos vão sendo apresentadas, além de que há muitas quebras da "4.ª parede", pormenor que gosto (quase) sempre. Vai oscilando entre um drama familiar de violência doméstica e o documentário de prestação desportiva, aqui e ali pontilhado por uma comédia muito inteligente devido às situações hilariantes em que Harding se vai metendo, mas principalmente devido aos comentários cáusticos e impróprios da mãe, que é absolutamente psicótica.
Enormes destaques para Allison Janney como a mãe irascível e, obviamente, Margot Robbie como uma perfeitamente imperfeita Tonya Harding. Sebastian Stan e Paul Walter Hauser são irritantes, mas no bom sentido. Acho que não há ninguém no casting que falhe. É simplesmente um conjunto de actores impecável e exemplarmente bem dirigidos por Craig Gillespie que assina também uma realização imaculada. Excelente. Nada a apontar.
Mesmo não conhecendo a fundo os contornos, lembro-me bem desta história esquisita. Até ver este I, Tonya, tinha a ideia já longínqua que ela tinha mesmo tentado sabotar a prestação da colega de profissão. Agora já não tenho tantas certezas. Este filme parece quase um limpeza dessas ideias que ficaram e gera bastante ambiguidade e dúvida. A ser tudo verdade (dentro da dramatização) Tonya Harding merecia ter um filme assim. Uma vida assim tão preenchida, rocambolesca e trágica merece sempre um bom filme. E I, Tonya é um filme muito bom. A sério. Muito bem feito. Para ver com atenção. ●●●●○
Acho que foi um pouco por causa disto tudo que no princípio dos anos 90, a rivalidade Tonya Harding/Nancy Kerrigan acabou por chegar aos olhos e ouvidos de todo o mundo. Foi algo tão dispare, estranho e inesperado que acabou por chamar a atenção de toda a gente. Foi como se os irmãos Coen estivessem a "dirigir" a realidade... É talvez a característica mais marcante dos anos 90 e a razão porque muita gente não gosta particularmente desta década: é um acordar pessimista (ou realista?...) para a realidade negra em contraposto com o exagero colorido e despreocupado dos 80's. E logo a seguir ainda apareceu a cena do "simpático" OJ Simpson... Dá que pensar...
I, Tonya é rodado em jeito de documentário com os intervenientes a comentarem abertamente as situações mirabolantes que nos vão sendo apresentadas, além de que há muitas quebras da "4.ª parede", pormenor que gosto (quase) sempre. Vai oscilando entre um drama familiar de violência doméstica e o documentário de prestação desportiva, aqui e ali pontilhado por uma comédia muito inteligente devido às situações hilariantes em que Harding se vai metendo, mas principalmente devido aos comentários cáusticos e impróprios da mãe, que é absolutamente psicótica.
Enormes destaques para Allison Janney como a mãe irascível e, obviamente, Margot Robbie como uma perfeitamente imperfeita Tonya Harding. Sebastian Stan e Paul Walter Hauser são irritantes, mas no bom sentido. Acho que não há ninguém no casting que falhe. É simplesmente um conjunto de actores impecável e exemplarmente bem dirigidos por Craig Gillespie que assina também uma realização imaculada. Excelente. Nada a apontar.
Mesmo não conhecendo a fundo os contornos, lembro-me bem desta história esquisita. Até ver este I, Tonya, tinha a ideia já longínqua que ela tinha mesmo tentado sabotar a prestação da colega de profissão. Agora já não tenho tantas certezas. Este filme parece quase um limpeza dessas ideias que ficaram e gera bastante ambiguidade e dúvida. A ser tudo verdade (dentro da dramatização) Tonya Harding merecia ter um filme assim. Uma vida assim tão preenchida, rocambolesca e trágica merece sempre um bom filme. E I, Tonya é um filme muito bom. A sério. Muito bem feito. Para ver com atenção. ●●●●○
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Quando chegou a Portugal, a novidade fez com que eu fosse um ávido consumidor de McDonald's como o resto da população mundial. Mas depois comecei a ter alguns problemas: em primeiro lugar os hambúrgueres começaram a deixar-me mal-disposto. Esta parte não é brincadeira. Arrotava e ficava com dores de barriga. Havia ali qualquer coisa que não me caía bem. Depois comecei a reparar nas fotografias espectacularmente bem apresentadas versus a realidade do hambúrguer que vinha na caixa e que nunca correspondia. A seguir percebi que há alguns problemas preocupantes que atingem a sociedade quando uma empresa tem um nível de faturação maior que o PIB de alguns países. Depois, li o IT do Steven King e apercebi-me o que havia de estranho no palhaço da McDonald's: o Ronald McDonald era o palhaço assustador com que o palhaço do IT tinha pesadelos!!! Isso é muito estranho, visto que palhaço está lá para as crianças. Nunca percebi como é que as criancinhas não fugiam dali aos gritos... E para terminar o McDonald's desalojou e acabou com o meu café favorito em toda a cidade. E então decidi por um ponto final nesta minha curta relação com o fast food.
Mal eu sabia que um dia estaria a ver um filme como The Founder. Uma história de persistência, tenacidade, mas também de traição, engano e mentira. Basicamente o American Dream, mas tal como é visto hoje em dia... É um ataque cerrado ao início da McDonald's e ao seu fundador Ray Croc. Diga-se de passagem que Ray Croc parece um nome saído de um filme de mafiosos... Adiante...
O que surpreendeu pela positiva em The Founder foi o estar muito bem realizado por John Lee Hancock e muito bem escrito por Robert Siegel. Nota-se que isto é pessoal que tinha uma missão em mente. E não é fácil "atacar" aquilo que a maioria das pessoas adora. Grande destaque também para o Michael Keaton que apesar de não se esforçar muito na criação da personagem, consegue igualmente que uma pessoa o admire e o deteste ao mesmo tempo. Nick Offerman, John Carroll Lynch, Laura Dern, entre muitos outros bons actores também por lá passam.
Deixei de entrar no McDonald's na longínqua década de 90 porque me tirou o meu café preferido que era também o meu ponto de encontro com os meus amigos. E sempre achei que havia algo na empresa que não batia certo. Agora confirmei o que era... Cheirava a... traição. Decididamente a ver. ●●●○○
Mal eu sabia que um dia estaria a ver um filme como The Founder. Uma história de persistência, tenacidade, mas também de traição, engano e mentira. Basicamente o American Dream, mas tal como é visto hoje em dia... É um ataque cerrado ao início da McDonald's e ao seu fundador Ray Croc. Diga-se de passagem que Ray Croc parece um nome saído de um filme de mafiosos... Adiante...
O que surpreendeu pela positiva em The Founder foi o estar muito bem realizado por John Lee Hancock e muito bem escrito por Robert Siegel. Nota-se que isto é pessoal que tinha uma missão em mente. E não é fácil "atacar" aquilo que a maioria das pessoas adora. Grande destaque também para o Michael Keaton que apesar de não se esforçar muito na criação da personagem, consegue igualmente que uma pessoa o admire e o deteste ao mesmo tempo. Nick Offerman, John Carroll Lynch, Laura Dern, entre muitos outros bons actores também por lá passam.
Deixei de entrar no McDonald's na longínqua década de 90 porque me tirou o meu café preferido que era também o meu ponto de encontro com os meus amigos. E sempre achei que havia algo na empresa que não batia certo. Agora confirmei o que era... Cheirava a... traição. Decididamente a ver. ●●●○○
Ant-Man and the Wasp (de Peyton Reed), entra directamente na categoria de "não vou perder muito tempo a escrever sobre isto". Faço a mesma coisa que fazem com estes filmes: aplico-lhe a fórmula. É uma sequela mas tem ligação com o primeiro filme. É da Marvel. Tem toneladas de efeitos especiais e acção. Tem ligação com os Avengers. Tem Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Peña e depois um trio fenomenal de
actores como Michelle Pfeiffer, Laurence Fishburne e Michael Douglas
para dar alguma credibilidade e meter nomes imponentes nos cartazes.
... e não tem mais nada. ●○○○○
... e não tem mais nada. ●○○○○
Eugène-François Vidocq foi uma daquelas personagens reais que se não existisse tinha mesmo de ser inventada. Começou a sua história como um criminoso a ser perseguido pela polícia nas ruas e acabou como o fundador e diretor da Sûreté Nationale, a polícia francesa especializada em investigação criminal. É, assim, comummente considerado como o pai da criminologia moderna. Ah! E foi ele a inspiração para muitos escritores, como Victor Hugo, Balzac e Arthur Conan Doyle. Mas do "verdadeiro" Eugène-François Vidocq pouco há neste Vidocq. Pegaram na personagem histórica e transformaram-na numa personagem de filme que é uma coisa totalmente diferente. Não é nenhum biopic ou algo do género. Muito pelo contrário. Por mim não há problema nenhum, até porque foi depois de ver este "Vidocq" que fiquei a conhecer o verdadeiro "Vidocq". Mas adiante.
Vidocq é um bom filmito francês, misto de fantasia, mistério e acção. Na cadeira do realizador está Pitof, o director de efeitos especiais que costumava trabalhar com a dupla Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro. As parecenças visuais são óbvias, mas a realização acaba por ser demasiado estranha para mim com todos aqueles close-ups. Escapa, mas não me agrada.
A história de Vidocq é totalmente transformada: tudo começa precisamente quando Vidocq desaparece depois de uma intensa luta com o Alquimista, um assassino que ele persegue à muito tempo e que parece ter poderes sobrenaturais. Entra então em cena o seu jovem biógrafo que para além de querer documentar o que aconteceu naqueles últimos momentos, também quer vingança...
Gérard Depardieu está bem como Vidocq. Guillaume Canet, Inés Sastre ajudam bem como secundários. Vidocq é uma boa (e diferente) alternativa aos filmes de acção estereotipados americanos. A ver. ●●●○○
Vidocq é um bom filmito francês, misto de fantasia, mistério e acção. Na cadeira do realizador está Pitof, o director de efeitos especiais que costumava trabalhar com a dupla Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro. As parecenças visuais são óbvias, mas a realização acaba por ser demasiado estranha para mim com todos aqueles close-ups. Escapa, mas não me agrada.
A história de Vidocq é totalmente transformada: tudo começa precisamente quando Vidocq desaparece depois de uma intensa luta com o Alquimista, um assassino que ele persegue à muito tempo e que parece ter poderes sobrenaturais. Entra então em cena o seu jovem biógrafo que para além de querer documentar o que aconteceu naqueles últimos momentos, também quer vingança...
Gérard Depardieu está bem como Vidocq. Guillaume Canet, Inés Sastre ajudam bem como secundários. Vidocq é uma boa (e diferente) alternativa aos filmes de acção estereotipados americanos. A ver. ●●●○○
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Queres saber o que vai acontecer no futuro? O que vai acontecer daqui a um minuto? Um dia? Um ano? Um século? São perguntas complicadas... De certa forma toda a gente consegue ver para o futuro. Não é assim tão difícil. O que é difícil é ver muito longe no futuro. O exemplo que eu costumo dar a mim próprio é o de atirar uma pedra a um lago. Se uma pessoa atirar a pedra para o lago sabe o que vai acontecer: a pedra sai da mão a grande velocidade e vai inevitavelmente cair na água e afundar-se no leito. Não é assim tão difícil perceber o que vai acontecer com a pedra. O que é verdadeiramente difícil (se não mesmo impossível) é perceber o que vai acontecer com a água. O efeito que vai fazer, o impacto que vai ter em todo o ecossistema e eventualmente a ligação com tudo o resto que existe numa aparentemente interminável rede de ligações até chegar novamente aos músculos e nervos do meu braço... Bem... acho que estou a divagar... novamente...
Se há pessoas que só conseguem ver a pedra a cair nos próximos momentos, há no entanto pessoas que conseguem imaginar toda a continuidade da acção. H. G. Wells era uma dessas pessoas. Ele conseguia pegar numa acção minúscula e extrapolar para outras acções, estendê-las no tempo e assim efectivamente conseguir ter um vislumbre do futuro. E assim se chega a Things to Come, um clássico da ficção científica, com ideias muita à frente do seu tempo. Logo à partida, uma guerra em 1940 (praticamente o início da II Guerra Mundial), mas depois que começa a desenrolar-se noutros anos (1966 e 2036) entra em campos por vezes quase "visionários" ou "proféticos" como a massificação dos meios aéreos (aviões e helicópteros), os ecrãs de TV finos (como LCD´s" e as viagens espaciais... Para quem estava no longínquo ano de 1936 a "olhar para a frente", acho que é uma previsão absolutamente fantástica.
Infelizmente é aqui que termina o lado positivo deste Things to Come. Pelo que sei, Wells acompanhou de perto a "construção" do filme e uma das coisas que costumo ler é de ele não queria um filme "tolo" como Metropolis. Não sei se foi por imposição ou por simples coincidência mas acabou por ver o seu desejo realizado. Infelizmente. Metropolis de Fritz Lang é o portento intemporal que é, e Things to Come de William Cameron Menzies ficou atolhado pelo pó do tempo. E em certa parte é justo. Olhando para a obra do ponto de vista do filme, acaba por ser um pouco fraco. A realização é muito "plana", muito "fixa". Os actores (Raymond Massey, Edward Chapman, Ralph Richardson) ficam um pouco "pendurados" nas personagens e na sua própria teatralidade. E o próprio desenrolar da história (que abarca décadas inteiras, a quase erradicação da Humanidade por uma doença pestilenta e um novo começo) é irregular e inconsistente. E ainda que tenha obviamente a desculpa da marca do "tempo" nas questões técnicas e efeitos especiais, já vi melhor em filmes da mesma época, apesar de o design de produção e as "maquetes" serem muito boas. Things to Come não está bem feito e acaba por não ser um filme memorável. A maior prova disso é o facto curioso de ser um daqueles filmes "clássicos" que acabaram por cair em domínio público. Constatação triste mas verdadeira.
Para lá das previsões e do futurismo, nota-se que história é muito à frente do seu tempo (no final é mesmo uma revolução do povo contra os progressos tecnológicos que ironicamente fizeram a Humanidade recomeçar quase do zero e levá-la ao Espaço) e é o que mais se destaca e lhe dá valor intemporal. Pena que tudo o resto tenha ficado de certa forma "curto". Ainda assim, é uma peça histórica e uma raridade de outros tempos que merece ser vista com atenção. ●●●○○
Se há pessoas que só conseguem ver a pedra a cair nos próximos momentos, há no entanto pessoas que conseguem imaginar toda a continuidade da acção. H. G. Wells era uma dessas pessoas. Ele conseguia pegar numa acção minúscula e extrapolar para outras acções, estendê-las no tempo e assim efectivamente conseguir ter um vislumbre do futuro. E assim se chega a Things to Come, um clássico da ficção científica, com ideias muita à frente do seu tempo. Logo à partida, uma guerra em 1940 (praticamente o início da II Guerra Mundial), mas depois que começa a desenrolar-se noutros anos (1966 e 2036) entra em campos por vezes quase "visionários" ou "proféticos" como a massificação dos meios aéreos (aviões e helicópteros), os ecrãs de TV finos (como LCD´s" e as viagens espaciais... Para quem estava no longínquo ano de 1936 a "olhar para a frente", acho que é uma previsão absolutamente fantástica.
Infelizmente é aqui que termina o lado positivo deste Things to Come. Pelo que sei, Wells acompanhou de perto a "construção" do filme e uma das coisas que costumo ler é de ele não queria um filme "tolo" como Metropolis. Não sei se foi por imposição ou por simples coincidência mas acabou por ver o seu desejo realizado. Infelizmente. Metropolis de Fritz Lang é o portento intemporal que é, e Things to Come de William Cameron Menzies ficou atolhado pelo pó do tempo. E em certa parte é justo. Olhando para a obra do ponto de vista do filme, acaba por ser um pouco fraco. A realização é muito "plana", muito "fixa". Os actores (Raymond Massey, Edward Chapman, Ralph Richardson) ficam um pouco "pendurados" nas personagens e na sua própria teatralidade. E o próprio desenrolar da história (que abarca décadas inteiras, a quase erradicação da Humanidade por uma doença pestilenta e um novo começo) é irregular e inconsistente. E ainda que tenha obviamente a desculpa da marca do "tempo" nas questões técnicas e efeitos especiais, já vi melhor em filmes da mesma época, apesar de o design de produção e as "maquetes" serem muito boas. Things to Come não está bem feito e acaba por não ser um filme memorável. A maior prova disso é o facto curioso de ser um daqueles filmes "clássicos" que acabaram por cair em domínio público. Constatação triste mas verdadeira.
Para lá das previsões e do futurismo, nota-se que história é muito à frente do seu tempo (no final é mesmo uma revolução do povo contra os progressos tecnológicos que ironicamente fizeram a Humanidade recomeçar quase do zero e levá-la ao Espaço) e é o que mais se destaca e lhe dá valor intemporal. Pena que tudo o resto tenha ficado de certa forma "curto". Ainda assim, é uma peça histórica e uma raridade de outros tempos que merece ser vista com atenção. ●●●○○
Há muito tempo que os mafiosos exercem um estranho fascínio nos escritores, realizadores e até no público de cinema. Não é difícil de perceber o porquê. Os mafioso têm um estilo próprio, são poderosos, ricos, impõe respeito, não acatam ordens de toda a gente, não são "empurrados contra a parede"... até que inevitável e inesperadamente levam um balázio nos cornos ou calçam uns "sapatos de cimento" e vão "falar com os peixinhos"... Deve ser por isso que são sempre acarinhados pelos cinéfilos: são os maus da fita mas têm uma estranha dualidade: são ao mesmo tempo duros e frágeis, o que os torna muito humanos. São uma espécie de super-heróis mas sem terem super-poderes. Pelo menos é o que eu penso. Por isso não resisto a um filme com mafiosos. Quando li (e vi) que Johnny Depp entraria nesta categoria, não resisti a dar uma vista de olhos. E tenho de dizer que é surpreendente. Black Mass é um bom filmito de mafiosos. Muito jeitoso. Mas a surpresa está mesmo no facto de o principal ser o Johnny Depp. Há muito tempo que decepciona, mas não é este o caso. Está impecável. Suporta todo o filme às suas costas. Também ajuda o excepcional leque de actores de suporte (Joel Edgerton, Benedict Cumberbatch, Dakota Johnson, Kevin Bacon, Peter Sarsgaard) e uma realização muito controlada e segura de Scott Cooper, mas o destaque tem de ser todo para o Johnny Depp. O guião foi muito bem escrito e pega numa história tão rocambolesca que nem parece verdade. Mas incrivelmente é baseado numa história real, com personagens reais, o que torna este Black Mass numa espécie de biopic do crime... A realidade é sempre mais estranha que a ficção.... Black Mass foi uma boa surpresa. Não é inesquecível mas vê-se muito bem. ●●●○○
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Dei-me ao trabalho de ver um filme de acção "normal". E quando digo "normal" é um filme de acção com o Bruce Willis. Pelo menos antigamente era assim. Bem... o filme é tão mau que até me esqueci do nome. Tive de pesquisar no IMDB pelo Bruce Willis para tentar chegar ao nome do filme, que afinal é Extraction (realizado por Steven C. Miller). Podia estar para aqui a perder tempo a explicar que o enredo é sobre um antigo agente da CIA e mais não sei o quê, mas nem me vou dar ao trabalho. Já foi penoso o suficiente ter de vê-lo... Bruce, Bruce... amigo de velha data e companheiro de filmes de acção "normais": o que andas a fazer nestes filmes? Deixa lá isto para outros e volta aos filmes normais... Estás assim tão desesperado por dinheiro? Pagam assim tão bem nestas baboseiras? Que pena... Que desperdício... ●○○○○
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The Raid 2 (acho que não é preciso dizer mais nada) é continuação da história do primeiro Raid. Aos comandos está a mesmo dupla vencedora, Gareth Evans na realização e Iko Uwais nos exercícios de porrada... Destaque obrigatório para Yayan Ruhian, o (exagerado) coreógrafo de lutas com créditos também na saga Star Wars. Não tem lá grande história para além da corriqueira cena da vingança, porrada velha e sangue a rodos em coreografias espectacularmente executadas. Apesar de ser uma verborreia desmedida de acção e pancadaria humanamente impossível de aguentar, fico sempre a pensar no mesmo: como é que filmam aquilo? como é que ninguém se magoa a sério? É um mistério... As cenas de luta são absolutamente impressionantes. Metem qualquer cena de acção de um filme mainstream americano no bolso... Não resisto a estas cenas de pancada asiática. São tão bem encenadas, são tão bem filmadas e coreografadas que não consigo resistir. Se bem que nesta nova "entrega" exageraram um bocadito demais na quantidade de sangue... Mas "prontos", é a vida. Até podem fazer o Raid 3, mas acho já chega. É mais do mesmo. Fico-me por aqui... ●●○○○
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Yayan Ruhian
O economista Steven Levitt e o jornalista Stephen Dubner apresentam um documentário baseado no best-seller com o mesmo nome, com seis secções tematicamente diferentes e cada um dirigido por um realizador diferente (Heidi Ewing, Alex Gibney, Seth Gordon, Rachel Grady, Eugene Jarecki, Morgan Spurlock). Para além da exploração e constatação de dados factuais, também há umas experiências com contornos sociais pelo caminho. É jeitoso. Vê-se bem e dá para aprender ou confirmar umas coisas que uma pessoa empiricamente já suspeitava. Mostra as coisas segundo o padrão dos dados e por isso mostra-as de outra forma, mais visual e muito mais perceptível. É interessante, mas também não é nada de especial. ●●○○○
Lee Gates (George Clooney) é um conceituado e experiente apresentador de um programa financeiro e Patty (Julia Roberts) é a sua fiel, mas crispada produtora do programa. Tudo corria como normal até que irrompe pelo estúdio um investidor furioso (Jack O'Connell), armado e com um colete de explosivos, toma-os como refém, em directo e perante todo o mundo. Quando tudo parecia já demasiado complicado, eis que surge uma teoria da conspiração envolvendo os mercados financeiros, a Bolsa de Valores, alta tecnologia e as suas constantes subidas e descidas...
Money Monster é totalmente aceitável. É um filme "normal", sem grandes pretensões (se bem que traz ao grande público um pouco dos bastidores "podres" do mercado bolsista) e muito bem escrito, muito consistente. Acaba por ter sempre um "abanão" inesperado, levando a história noutra direcção totalmente diferente da que parecia estar a levar. De positivo, há a destacar a muito boa realização de Jodie Foster, muito madura e experiente, e os belíssimos actores "secundários". Do lado verdadeiramente mau há apenas a apontar um actor principal sem carisma e que não "colando" com a personagem, acaba por prejudicar o filme no seu todo. Nitidamente um erro de casting... Ainda assim, vê-se bem. ●●●○○
Money Monster é totalmente aceitável. É um filme "normal", sem grandes pretensões (se bem que traz ao grande público um pouco dos bastidores "podres" do mercado bolsista) e muito bem escrito, muito consistente. Acaba por ter sempre um "abanão" inesperado, levando a história noutra direcção totalmente diferente da que parecia estar a levar. De positivo, há a destacar a muito boa realização de Jodie Foster, muito madura e experiente, e os belíssimos actores "secundários". Do lado verdadeiramente mau há apenas a apontar um actor principal sem carisma e que não "colando" com a personagem, acaba por prejudicar o filme no seu todo. Nitidamente um erro de casting... Ainda assim, vê-se bem. ●●●○○
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