Chicletes: filmes que normalmente são exemplares técnicos perfeitos, em que a produção é mais cara que o PIB de alguns países, mas que não têm substância nenhuma. É assim que os entendo. Quando vejo um filme e no dia seguinte ele desaparece da minha mente, isso é uma chiclete. Alguém se lembra do sabor da última chiclete que mastigou? Pois... O mesmo se passa com estes filmes. É bastante duro estar a deitar abaixo estas produções porque elas são verdadeiras potências visuais e técnicas que às vezes levam anos a compor. Alguns exemplos de chicletes para ver no fim de semana, se por acaso uma pessoa ficar retida em casa devido a uma tempestade tropical...

John Carter
Chiclete de primeira qualidade. Vai buscar uma história das antigas, embrulha tudo numa produção visual do mais avançado que existe e... não dá em nada. É daqueles filmes que se podem ver todos os anos. É sempre uma novidade. Não há nada que seja memorável. O que há: actores muito bonitos, grandes efeitos especiais, muito fundo verde, cenas de grande acção e algumas explosões. Pura verborreia visual feita à volta dos guiões típicos, mas muito bem construídos dos filmes Disney. O realizador, Andrew Stanton é conhecido por filmes como Finding Nemo e Wall-E, por isso não é de estranhar que todo o filme pareça um enorme desenho animado... só que com pessoas de carne e osso. A parte positiva é a construção do guião e a parte técnica. ●●○○○


Real Steel
É um filme de acção, de ficção científica e ao mesmo tempo, uma comédia light. Ou como se dizia antigamente, uma chiclete tutti-frutti. É a história usual do underdog, em que o gajo mais fraco, mas bom de coração, acaba por ganhar no final ao terrível e poderoso mauzão. Já toda a gente viu este género de filmes n de vezes. Mas ninguém resiste a ver mais uma vez. Tem robots muito bem feitos e tão fixes que nenhum miúdo lhes irá resistir. Tem também Hugh Jackman a tentar não fazer de Wolverine. Tem aquela história mil vezes vista da relação falhada entre pai e filho e... acho que mais nada. O positivo? É um filme para a família com boas mensagens. ●○○○○


The Host
Este filme pertence a uma classe totalmente à parte. É uma chiclete reciclada, sem sabor e que ficou esquecida a derreter no tablier do carro durante 3 dias. É um filme de adolescentes... que mais há para dizer? São 2 horas de tédio, ideias batidas, buracos no argumento e adolescentes lindíssimos. Vi-o ano passado e não há uma única cena que me lembre. A única coisa que recordo é qualquer coisa relacionada com os olhos parecerem lentes de contacto. Lembro-me que tem uns aliens invasores, humanos em fuga e pelo meio um triângulo amoroso (o que é que havia de ser?). É mais um filme que aproveita o sucesso dum livro que só é importante porque foi comprado por milhões de adolescentes. É a série Twilight mas com aliens. A autora do livro é a mesma, por isso o que é que esperava? O realizador é Andrew Niccol que tinha escrito e realizado o excelente Gattaca. Há comparação possível? Não me parece. Um dos piores filmes que já vi. O que tem de positivo? A visualização é opcional. ○○○○○

Quando nas primeiras imagens vi mergulhadores no Iucatão, pensei que ia ver mais um filme de terror de adolescentes, cheio de actores com corpos de ginásio, com dentes estupidamente perfeitos e em que as moças aparecem com biquinis ridiculamente minúsculos. Felizmente enganei-me. O filme passa-se numa caverna dos Cárpatos. Thank God.
The Cave (2005) é um filme de terror fraquinho, sem linguagem obscena e sem mortes gore. Por vezes parece um filme SyFy mas com esteróides. Tem dois actores com algum potencial, Lena Headey, da Guerra dos Tronos, 300 e Cole Hauser, que já tinha visto em Pitch Black. De resto, The Cave é uma colagem de clichés dos filmes de terror, com uma história típica do género de sobrevivência: os protagonistas ficam presos num sítio e têm de procurar uma saída. Só alguns escapam.
O pior elogio que se pode fazer a um filme de terror é dizer que é um filme para (quase) toda a família, mas é isso que The Cave parece. Mas tem duas coisas positivas: não é um filme de terror de adolescentes (já são insuportáveis há muito tempo) e termina muito bem: faz lembrar alguns dos finais dos episódios da  Twilight Zone. Só por isso já merece algum destaque. Vê-se. ●○○○○


Se alguém preferir o mesmo tema claustrofóbico, a mesma história de cavernas que se fecham por acidente e as mesmas personagens estereotipadas, mas sem monstros, há também Sanctum (2011). James Cameron é produtor executivo porque pelos vistos gosta de ir ao fundo das coisas, especialmente se tiverem água. As imagens são quase as mesmas do outro filme e as peripécias também. Continua a ser muito bem filmado, mas agora é em 3D. (Será que já passou a febre dos filmes em 3D?) É tudo igual, mas sem o (suposto) terror dos monstros cavernosos. O perigo é a própria caverna e como ela afecta os protagonistas. Os actores parecem um pouquinho melhores (Richard Roxburgh, o excelente Duke do Moulin Rouge e Ioan Gruffudd, dos filmes Fantastic Four) mas quase não se nota. Mas também, este não é um filme para actores, é um filme sobre uma caverna. E a caverna está muito bem fotografada, aparece retratada em imagens muito bonitas, proporciona muita acção com água e imensa escuridão, apesar de por vezes parecer que é a caverna mais bem iluminada do mundo. Também se vê. ●○○○○


Se alguém estiver à procura de um filme de acção que não seja só uma mostra de efeitos especiais/explosões, e que tenha algum "miolo", Lucy (2014) é a resposta.
Luc Besson construiu um filme muito bem ritmado, com acção constante, incerteza no que vai acontecer a seguir, encaixado numa premissa muito interessante: se só usamos 10% da nossa capacidade cerebral, o que acontecerá se usarmos todo o nosso potencial? O que acontece é Lucy, um mulher vulgar apanhada no meio de um negócio de droga extravagante. Não se trata de uma droga qualquer, mas sim de CPh4 (uma enzima naturalmente encontrada no corpo humano durante a gravidez, que potencia as capacidades cerebrais), sintetizada em grandes quantidades para tráfico.
Um pequeno à parte do filme para referir a questão dos 10% de utilização do cérebro. Eu achava que esta questão já tinha sido desmistificada, mas percorrendo um pouco a internet parece que ainda tem raízes bem sólidas... Tomando a perspectiva da evolução, não faz grande nexo o ser humano ter evoluído, tornar-se a espécie dominante - precisamente devido às suas maiores capacidades cerebrais - mas depois só 10% do cérebro funcionar. Mais do que uma questão em aberto, é uma questão que gera muito mais questões que respostas. O que é que aconteceu? O cérebro percebeu que tinha capacidade a mais e decidiu que só seria necessário usar os tais 10%? E como é que se detectou que só usamos 10%? Para isso não seria necessário identificar os restantes 90% não utilizados? Como só estudo as neurociências ao fim-de-semana, tenho pouca base para responder a estas questões. Mas se nós somos a derradeira máquina, presumo que funcione da mesma forma: para uma parte funcionar - os 10% - se calhar, os outros 90% estão em stand-by. Se calhar, só mesmo 10% funcionam de cada vez, do género, para não queimar... Com tantos estudos sobre o funcionamente humano e o desenvolvimento imparável da tecnologia, presumo que daqui a uns anos já teremos a resposta. Mas isto são questões que nada têm a ver com  filme. Mas é sempre bom quando um filme nos põe a pensar sobre outra coisa que não o próprio filme...
Voltando ao filme. Lucy é recrutada como correio de droga involuntário, mas acaba por "consumir" a tal CPh4 por acidente. Isso faz com que todas as suas capacidades cerebrais adormecidas ganhem vida e ela ganhe quase super-poderes. E então ela decide contra-atacar.
Apesar de tudo isto se passar no campo hipotético, Luc Besson apresenta a história como (mais ou menos) verosímil e ainda melhor encaixada no desenrolar da acção. Notam-se muitos elementos de manga, o que para mim, é óptimo, pois sou fã incondicional e acho que mais ninguém tem tão boas ideias como os criadores deste género peculiar. Não é inocente o facto dos criminosos serem asiáticos, sendo que o destaque óbvio vai para o alucinado personagem de Min-sik Choi... Parece saído do Oldboy. Se calhar ele é mesmo assim. É assustador.
O filme é tão envolvente em termos de história e narrativa que "abafa" um pouco a actuação de Scarlett Johansson e Morgan Freeman (que aparenta já só aparecer para dar credibilidade ao enredo), mas Besson compensa com uma grande realização, especialmente no início, com a inclusão de stock footage. Apesar de se ir desenrolando em tom decrescente, e ter um final repentino demais, continua a ser um bom filme e que vale a pena ver, quanto mais não seja, porque é realmente inovador, o que traduzido quer dizer que foge totalmente à "chapa 4" do cinema de acção de Hollywood. ●●●○○


Inception é um filme muito bom por várias razões. Tem uma boa história - embora algo confusa - mas contada com muita mestria por Christopher Nolan. É uma história que assenta no principio básico da espionagem corporativa: roubar segredos muito bem guardados. Neste caso, muito bem guardados no subconsciente. Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) é o melhor de todos os agentes que conseguem extrair essas informações. Numa tentativa de resolver um problema relacionado com o último serviço, Cobb embarca numa missão diferente de tudo o que tinha feito até ali: em vez de retirar, agora vai ter de "semear" uma ideia. Num mundo onde nem o que está encondido dentro de sonhos está a salvo, obviamente tudo se descontrola num frenesim de sonhos cruzados com a própria realidade. Leonardo DiCaprio - que pessoalmente nunca achei um grande actor - está muito bem, assim como o restante elenco mais ou menos comum dos filmes do Nolan (Tom Hardy, Joseph Gordon-Levitt, Michael Caine). Destaque para Michael Caine, que dá sempre um toque de classe, nem que apareça só por breves minutos e Marion Cotillard como uma distorcida femme fatale .
Em Inception vê-se nitidamente a ligação a outros filmes de Nolan como Memento, The Prestige e a inevitável nova saga Batman. Em parte, parece que este filme é o culminar de toda a experiência cinematográfica de Nolan. E o resultado é muito, muito bom. A história é cheia de camadas que se entrecruzam num universo de sonhos. Como seria de esperar, neste tipo de histórias envolvendo cenários surreais, a realidade mistura-se com a ficção até chegar ao ponto de não se perceber o que é real e o que não é. Em termos de argumento, não é propriamente uma novidade. O que é novidade é conseguir manter esta história tão coerente e tão coesa, apesar de por vezes ter conseguido bloquear-me o cérebro com tanta complexidade e tantas realidades em simultâneo.
Depois, Inception tem um equilìbrio perfeito no uso dos efeitos especiais, que são o principal problema dos filmes actuais. Às vezes os realizadores e produtores têm muita dificuldade em impor um limite aos efeitos e eles acabam por dominar todo um filme, transformando o que poderia ser uma boa obra, apenas num show off. Neste caso, os efeitos estão no sìtio certo, na altura certa e sem exageros. Ajudam a dar uma profundidade e uma complexidade muito maior ao filme. E é para isso mesmo que eles existem. Uma referência técnica obrigatória a outro grande protagonista: o som. Há muito tempo que não via um filme em que o som tivesse um papel tão importante. Até quem não liga muito à parte técnica, não pode deixar de notar. O som é o grande trunfo deste filme. Nolan já tinha vindo a refinar o processo com Batman, mas neste caso, excedeu-se.
Tanto no aspecto técnico, como no aspecto da narrativa, Inception é muito bom. Não é o melhor filme do mundo, mas é muito bom. Por mim, recebe nota (quase) máxima. A única coisa que o prejudica é ser tão complexo. Houve alturas no filme em que uma pessoa se perde um bocado, porque é tanto sonho dentro de tanto sonho que acaba por ser confuso demais. Mas pelo menos, termina em condições: deixa a pessoa a pensar se o amuleto parou ou não. Prolongar o filme para lá da duração do filme é um pormenor genial. Acho que é um daqueles filmes que precisa de "ganhar tempo" para se tornar um clássico incontornável da ficção, como por exemplo Matrix ou Dark City, onde parece ir buscar alguma inspiração.
O resultado final é um filme que entra por todos os poros e põe um espectador a pensar porque é que não há mais filmes assim. No cenário de total pobreza criativa em que se encontra o cinema moderno, Inception não é uma lufada de ar fresco, é uma lufada de ar gelado! É uma obra esteticamente irrepreensível, muito boa a todos os níveis e repleto de imagens assombrosas que irão perdurar por muito tempo. Para ver e rever muitas vezes. ●●●●●


"Os cinzeiros mais feios e detestáveis são sempre os últimosque se partem"

Por vezes parece existir uma lógica subjacente no aparente caos dos acontecimentos. As coisas de que mais gostamos tendem a estragar-se primeiro do que as que não gostamos. Parece que há uma lógica pessimista por trás de tudo. Uns dirão que é a entropia, outros dirão que é coincidência, outros dirão que é simplesmente azar. Por exemplo: porque é que quando se faz uma chamada telefónica para um número errado, a ligação nunca está ocupada do outro lado? A resposta para esta e outras questões semelhantes foi brilhantemente respondida por uma punchline no filme Predator 2: "shit happens!" Foi o que aconteceu com este site...
O site mudou, mas não foi intencional. Foi pura azelhice informática. Vamos ao contexto.
Desde muito novo que vejo filmes. Devo ter começado a ver filmes para aí com 10 anos ou menos. As primeiras recordações que tenho são precisamente de filmes. Já vi tantos que não os consigo contabilizar. E isso, sempre me fez confusão. Já terei visto 500 filmes? 1000? 5000? Não faço a mínima ideia.
A primeira tentativa de responder a esta questão foi feita numa listagem simples em papel. Ainda não existiam computadores a sério. Só o ZX Spectrum, que era uma calculadora grande que corria jogos em cassetes. A solução era péssima. Acabava sempre por me repetir, porque para acrescentar um filme tinha de ler toda a listagem e tentar recordar se o tinha apontado ou não. Mais tarde, já com um computador decente à frente, tentei o recurso a uma base de dados, o que foi também um fracasso, porque é algo que pura e simplesmente não percebia como funcionava. O bichinho da contabilização esmoreceu mas não desapareceu. Depois, veio a internet, os sites e os blogs. Há uns anos, deu-me para me inteirar como funcionavam os blogs, e surpreendetemente, achei o processo simples. Como também gosto de escrever e mandar uns bitaites, entrei na onda que já foi uma moda muito mais popular. Após algumas tentativas falhadas e muitas pestanas queimadas a tentar inteirar-me da parte técnica, lá abri este estaminé.
Comecei empolgado, porque parecia que finalmente ia ter oportunidade de saber quantos filmes já tinha visto. Mas, mais que uma simples listagem, pensei que podia comentar todos os filmes que vi, e assim encontrar o melhor filme alguma vez feito.
Abri o blog, arranjei uma template gratuita que servia perfeitamente para escrever, estava cheio de ideias e muito empolgado. Mas depois apercebi-me que continuaria com o mesmo problema. Daqui por uns tempos, o que é que impedia que eu me repetisse e postasse um filme que já tinha postado? Pesquisei um pouco e percebi que havia umas coisas chamadas widgets (?) e que uma delas era uma caixa de pesquisa. A solução perfeita!
Como sou um azelha completo com estas coisas, comecei a fazer experiências com os tais widgets para ver como funcionava. Quando dei conta, reparo que toda a informação do site tinha desaparecido! Oh! O pânico! O pânico! Tanto trabalho para nada...
Não desisti de tentar reparar o problema e graças a nova template gratuita lá consegui manter o bicho funcional. Foi por um triz que tudo não desapareceu! Cúmulo da ironia, depois disto tudo, ainda não tenho a caixa de pesquisa a funcionar! Ainda tento perceber como incluir a "coisa" no site sem o destruir. Portanto, o mais provável é que daqui a uns tempos o site esteja novamente diferente... ou em baixo.... Será mais um restyling forçado...

Grande parte dos louros deste(s) filme(s) vão para o história de Stephen King. O grande segredo é a sua simplicidade. Carrie White é uma rapariga controlada pela mãe opressiva, tresloucada e hiper-religiosa que a tenta manter quase aprisionada em casa e afastada da realidade. Sujeita a castigos e constantemente gozada pelos colegas na escola, Carrie começa a desenvolver estranhos poderes, identificados como telecinesia: manipular objectos com o poder da mente.
Isto mexe com tudo o que é mais primordial: a tentativa de pertencer ao grupo, a repulsa social, a humilhação pública, o querer ter um poder superior que nos ajude a resolver os problemas. Este tratamento "simples" da história dá azo a interpretações dúbias. Será que Carrie é sobre uma miúda com poderes ou é uma metáfora sobre a emancipação adolescente? Será sobre como encaixar na sociedade ou castigá-la por ser tão diferente e má? Mexe-nos com o subconsciente e confronta-nos com situações pelas quais toda a gente já passou na adolescência. É um tema muito recorrente nas histórias de King, mas que aqui é especialmente muito bem tratado.
Carrie (1976) começa e termina muitíssimo bem. A sequência inicial dos chuverios em que Carrie tem pela primeira vez a menstruação é simplesmente de génio. A cena final, irritante de tão lenta e tensa, é novamente genial. Brian De Palma construiu aqui um autêntico manual do realizador, repleto de excelentes e icónicas cenas e um estudo sobre como fazer um magnifico trabalho de câmara. Se me dissessem que Alfred Hitchcock tinha sido o realizador eu não teria acho estranho. Melhor elogio é impossível.
Em termos de actores, destaque absoluto para Piper Laurie como a mãe hiper-protectora e totalmente maluca e para Sissy Spacek que será eternamente Carrie White. O filme nem sequer necessita de grandes efeitos especiais: a expressão facial de Spacek faz todo o serviço ao conseguir passar de totalmente angélico para totalmente demoníaco. A actuação é tão boa que foram as duas nomeadas para Óscares. Num filme de terror, género considerado menor, é de realçar. Conta ainda com o suporte e as boas prestações de John Travolta e Nancy Allen.
O grande problema de Carrie é que está extremamente datado. É um daqueles filmes que foi autenticamente atropelado pelo tempo. Visto agora, é quase impossível uma pessoa distraír-se das fatiotas terríveis e daqueles penteados absurdos dos anos 70. E não só: aqueles sonzinhos agudos à Psycho... hoje em dia, parecem uma paródia. Mas neste caso, acho que é preciso contextualizar. Eu imagino o choque de quem viu o filme na altura certa. Deve ter sido um verdadeiro terror. Um filme incontornável do género e do cinema em geral. Vale sempre a pena ver. ●●●●○


Em 2014, chegou o remake de Carrie, agora com Chloë Grace Moretz e Julianne Moore nos principais papéis. Julianne Moore é sempre uma excelente atriz onde quer que entre e aqui não é excepção. Mas é o único ponto positivo a destacar, pois esta nova versão não chega aos calcanhares do primeiro. Não porque o filme seja mau, mas porque a história é a mesma. Até o argumento é da mesma pessoa que o original! O que é que este filme pode acrescentar de novo ou melhorar a história original? Acho que a resposta é nada. Acima de tudo, é um filme destinado às pessoas que nunca tiveram oportunidade de ver o original. Só assim se explica o remake. Por isso, este "novo" Carrie, não é um bem filme: é um facelift a um produto antigo. Compreende-se. ●●○○○

Death Race (2008) é um filme de Paul W. Anderson, vagamente inspirado no antiguinho clássico Death Race 2000. Pelo que li, é supostamente uma espécie de prequela. Para mim, pareceu-me mais uma mistura de Mad Max e The Running Man, mas tudo bem. Tem Jason Statham a fazer o papel de durão injustiçado, quase um super-herói (é espancado constantemente, mas milagrosamente nunca sai ferido) e Joan Allen a fazer de má que tem o merece e morre no final. Há também carros quitados com armas e explosivos, perseguições alucinantes que acabam invariavelmente em capotanços, explosões e bolas de fogo espectaculares... Reparei que já sairam mais 2 sequelas, mas pelo que vi deste filme, acho que me vou ficar por aqui. ●○○○○



Depois de mostrar uma outra realidade americana em Bowling for Columbine, Fahrenheit 9/11 e Sicko, o mais recente filme de Michael Moore, Capitalism: A Love Story (2009) não é propriamente um filme distópico mas anda lá perto.
Algumas empresas americanas de renome fazem seguros de vida no nome dos empregados, e no caso de eles morrerem, a empresa recebe a respectiva indemnização. Sempre que um funcionário morre, gera uma receita para a empresa, melhorando a margem de lucro dos accionistas. Esses funcionários são referidos como sendo "dead peasants", qualquer coisa como "camponeses mortos". Camponeses mortos?! Bem, se isto não é uma espécie de distopia, então não sei o que isto é. Moore continua, mostrando aquilo que todo o Mundo já viu e ainda sente: a grande potência capitalista a desmoronar-se financeiramente e aponta as razões. Mostra que existe uma aliança secreta - muito à maneira americana - entre o Congresso e Wall Street com o intuito de reservar e preservar o domínio dos "1%" sobre os restantes "99%". Mais uma acha para a fogueira das teorias da conspiração envolvendo o domínio de uma Nova Ordem Mundial. Mas ainda faz mais. Mostra que o que aconteceu foi um takeover premeditado de Wall Street ao Congresso Americano e, sem papas na língua, aponta o dedo aos responsáveis. Insinua até que se tratou de uma espécie de golpe de estado. Só que as armas não são armas de fogo que disparam rajadas de balas. As armas são instrumentos financeiros que disparam juros elevados e esquemas fraudulentos que ninguém consegue explicar ou regular. Às vezes nem os próprios envolvidos conseguem explicar como funciona: só sabem que funciona... As vítimas são iguais e são as mesmas em todo o lado: os mais pobres, os tais "99%", que nada sabem sobre o esquema. E por isso mostra também essa realidade: despejos à força, bairros inteiros penhorados e situações desesperantes de famílias que perdem tudo para os senhores de colarinho branco, como quem diz: "isto é o que vos vai acontecer, quando já não tiverem mais dinheiro para pagar aqueles juros que não sabiam que existiam no meio das letrinhas pequeninas."
Mas não foram só as finanças que desabaram. O tão falado "sonho americano" também desabou e transformou-se num verdadeiro pesadelo. Afinal, o tal sonho nunca passou de um enorme e elaborado instrumento de marketing para iludir e sacar triliões de dólares aos mais distraídos e crentes. Denuncia ainda o reservadíssimo pântano de corrupção em que se movimentam as altas finanças e o salvamento dos "casinos insanos" em que as bolsas se transformaram, através do recurso a biliões de dólares dos contribuintes, na manobra mais pró-socialista que a América já viu. Maior ironia não poderia existir.
Esta é a realidade americana que Michael Moore gosta de exibir. E, em grande parte, eu acredito nele e nos documentários que faz. Quem está atento às notícias e vai vendo como este mundo funciona (com o dinheiro acima de tudo), percebeu logo que o filme ia obviamente ficar datado. Passou tão pouco tempo e já está ultrapassado. Naquela altura, Moore deveria pensar que estava a documentar o colapso eminente do capitalismo. No período logo a seguir à crise, lembro-me que muita gente falou nisso. Neste momento, a resposta está à vista: Wall Street e as bolsas em geral, batem recordes positivos quase todos os dias. Sendo assim, este documentário vai direitinho para o arquivo histórico, como um registo de acontecimentos muito breves. Um (contra)tempo que surgiu e desapareceu muito rapidamente.
Independentemente de se gostar ao não da aproximação sectária que Michael Moore faz, os seus filmes/documentários/teses são sempre muito bons, muito bem escritos, muito coerentes e nunca desiludem. Tudo graças a um estilo muito próprio de intervenção e à combinação muito bem feita de entrevistas, música, pesquisa histórica, voz-off, montagem rápida e imagens de arquivo. Tudo sempre muito bem doseado e ritmado. Os filmes de Michael Moore são como uma aula privada sobre como fazer passar uma mensagem através dum documentário.
Destaque para um discurso do presidente Roosevelt que aposto que muitos "Wall Streeters" não devem gostar nada de ouvir. Para terminar em grande, nada melhor que dizer: "tomem lá e embrulhem!" com uma versão jazz da Internacional Comunista. ●●●○○

Depois do imenso sucesso do historiador/aventureiro Indiana Jones, seguiram-se uma série de réplicas. Foi uma (nova) época de ouro para os filmes de aventuras. Um dos filmes que se destacou nessa altura foi Romancing the Stone (1984) com Michael Douglas e Kathleen Turner. Traduzido em Portugal como Em busca da Esmeralda Perdida, foi também um enorme sucesso. Atrás das câmaras estava Robert Zemeckis, um dos grandes menosprezados do mundo do cinema. Este é um realizador que é poucas vezes mencionado, mas que tem filmes no currículo como a excelente trilogia Back to the Future ou Forrest Gump, só para mencionar alguns. Pessoalmente, acho-o um realizador excepcional que consegue quase sempre concretizar a aparentemente impossível tarefa de agradar ao público e aos críticos. E sempre com êxitos massivos de bilheteira. Nunca é uma referência quando se fala de realizadores de renome. Mesmo tendo um Óscar de Melhor Realizador. Nos dias que correm, se calhar é mesmo por causa disso.
Romancing the Stone conta a história dum improvável par romântico: uma escritora de romances de sucesso (Joan Wilder) cruza-se com um aventureiro de negócios obscuros (Jack Colton) nos recantos remotos da selva colombiana para tentar resgatar a irmã das mãos de perigosos criminosos. Para isso tem de fazer uma troca, a irmã pelo mapa do tesouro. Pelo meio, os dois aventureiros, têm de lidar com todo o tipo de adversidades e uma força policial corrupta.
As personagens principais são tão diferentes e chocam tantas vezes que geram constantemente tensão. Mas fica-se por aí, porque o filme é ligeiro, principalmente porque está cheio de (boas) piadas de ocasião.
Romancing the Stone está muito escrito, bem realizado, tem bom ritmo, paisagens e sítios remotos, aventura, emoção, romance, cartéis de droga e a personagem hilariante de Danny DeVito, que é uma daquelas "peças" inesquecíveis. Não se pode pedir mais. Como é um "filme para a família" tem um final feliz em que tudo acaba bem. Prova que para ter um bom filme apenas são necessárias 3 coisas: um bom realizador, uma boa historia e bons actores. É o caso. Sem ser nada do outro mundo, é um bom filme. ●●●○○



Após o sucesso estrondoso do primeiro filme tinha de se agradar ao público com a respectiva sequela. E como é normal, saiu um flop completo, chamado Jewel of the Nile. Em alguns momentos, o filme parece um James Bond dos anos 70 mas com as personagens do filme original. Pode ser impressão minha, mas parece que os próprios actores estão a fazer o frete de fazer uma sequela à pressa.
Se no primeiro filme, a história tinha algum nexo, neste, ela praticamente não existe e está assente numa premissa original que não tem pés nem cabeça. Um ditador imaginário dum estado do médio oriente, também imaginário, requisita os serviços da escritora Joan Wilder (Kathleen Turner), mas passados alguns minutos de filme ela já é uma refém. Jack Colton (Michael Douglas) intervém e juntamente com Danny DeVito (encaixado à força na história), conseguem salvar a donzela, perdão, a escritora e um suposto homem-santo que é a tal Jóia do Nilo. Não estou a ser desmancha prazeres. Quase no início do filme, dizem-nos logo que o homem é a Jóia do Nilo e não há mais jóia nenhuma. Lá se vai a lógica da série e a excitação de ver qual é o novo tesouro... Depois, passam o filme todo o fugir de balas. No meio do deserto, depois de conseguirem fugir, a correr (?!), duma coluna militar (não é brincadeira: fogem mesmo a correr de camiões e tanques) encontram uma tribo africana que os ajuda a derrubar o ditador. Pode ser pior que isto? Pode. O filme culmina com as piores cenas de efeitos especiais que me lembro, numa espécie de concerto (?!) organizado pelo ditador para fazer crer os seu subitos que... arghhh! Mas porque é que estou a perder tempo com isto? É melhor resumir: o filme não presta. Nem sequer é uma chiclete. É um insulto ao primeiro filme. ●○○○○

Roland Emmerich volta à carga e vira-se para as alterações climáticas como argumento para rebentar com uma cidade qualquer. Como tem sido hábito neste realizador, o filme vale pelo aspecto técnico e pelo efeitos especiais espectaculares. É uma oportunidade única para ver Nova York, Los Angeles e outras cidades a serem fustigadas por furacões gigantes, cobertas por nevões catastróficos ou varridas por tsunamis de dimensões épicas.
Acho que Emmerich já começa a esgotar os argumentos para filmar destruições à escala planetária. Por isso, não percebo como é que ainda não se virou para as aquelas imensas produções bíblicas dos anos 50. Se ele for um leitor atento deste blog, fica dada a dica.
Como tem sido hábito também, o filme é totalmente vazio de enredo, mas pelo menos tem uma boa mensagem de fundo: se continuarmos a desrespeitar e a agredir o planeta como temos feito até agora, eventualmente ele irá virar-se contra nós.
The Day After Tomorrow (2004) parece um daqueles documentários do Discovery sobre alterações climáticas, mas sobre o efeito de doses maciças de esteróides. A ciência está totalmente errada, mas o que é que isso interessa? Aqui, tudo tem de ser rápido, explosivo e mais nada. Ninguém vai ver o filme para ter melhores noções de ecologia, ou como funciona o clima, pois não? Para isso, há livros e documentários muito bons...
Tirando os efeitos especiais, sobra a história duma família apanhada no meio duma tempestade global, mas infelizmente é uma história sem nexo nenhum. O pai (Dennis Quaid) é um cientista climatológico que alerta para os perigos dos desequilibrios ecológicos, mas em que ninguém acredita. O filho (Jake Gyllenhaal) é um "crâneo" mais inteligente que os próprios professores. A mãe é medica e aparentemente só tem um paciente, um miúdo que passa a toda a tempestade do século confortavelmente a ler. Como estão todos separados em cidades diferentes, o pai lança-se a caminho para salvar o filho que entretanto ficou retido numa biblioteca em Nova York. Quaid enfrenta heroicamente a brutal tempestade para salvar o filho e chegado lá... faz o quê? Pois. Não faz nada. Só vai ter com ele. Miraculosamente, mal se encontram, a tempestade dissipa-se. Calhou bem, senão ficavam todos retidos na biblioteca... à espera da mãe. Esta, por sua vez, aguenta-se sozinha no hospital, e a única coisa que quer é uma ambulância para o miúdo que lê sem parar... e, como este é um filme com final feliz, ela lá chega mesmo no final. Devia ser uma daquelas ambulâncias-limpa-neves... O resto, é uma colagem de clichês, que provavelmente são mais antigos que a última idade do gelo: a bandeira desfraldada ao vento, o amigo que se sacrifica pelos outros, o mea culpa no final para admitir que sim, agora o governo vai prestar atenção a estas coisas do clima, este tipo de coisas simpáticas e que ficam sempre bem.
The Day After Tomorow é um filme sem grandes pretensões: é uma chiclete de 2 horas com efeitos especiais caríssimos, feito para vender bilhetes e pipocas. Cumpre bem o seu propósito. ●○○○○

De Baz Luhrmann. Com um grande sublinhado muito carregado e bem fluorescente. Uma obra cinematográfica única. Ninguém filma de forma tão brilhante como Baz Luhrmann. E brilhante, é uma das palavras-chave deste filme e do reportório seguinte.
Este foi o meu primeiro contacto com Baz e a sensação com que fiquei quando o vi o filme pela primeira vez é que me tinham atado fogo-de-artifício ao cérebro e lhe tinham pegado fogo. Romeo and Juliet (1996), pensando bem, não é bem um filme. É mais um estímulo dos sentidos.
A história trágica de amores desencontrados, separados por famílias em conflito, já toda a gente a conhece e dispensa apresentação. Já a vi ser adaptada para cinema uma meia dúzia de vezes, mas nunca tinha visto (nem vi) nada assim. A única palavra que me vem à cabeça, é mesma essa: único.
É um daqueles filmes que marca uma década e uma geração. Mas por outro lado, o filme é também uma marca da década e da própria geração. É uma mistura improvável, só possível devido aos excessos e à depressão dos anos 90. Poucos filmes conseguem captar o espírito duma geração. Romeo and Juliet, de uma forma estranha e rocambolesca, conseguiu-o. Para além das milhões de adolescentes que se bababam com o protagonista principal, é também o filme em que os adolescentes dos 90's percebem que vão entrar na idade adulta. Só podia ser uma tragédia.
As caras bonitas da altura, à procura de afirmação, mas ainda relativamente desconhecidas, Leonardo DiCaprio e Claire Danes, tornaram-se automaticamente em super-estrelas. E não porque eram apenas caras bonitas, mas porque se revelaram realmente como excelentes actores. Alguém que tenha passado a adolescência nos 90's relaciona instintivamente Dicaprio e Danes com a tragédia de Romeu e Julieta. Acho que isso os torna também, automaticamente, em excelentes actores. É como se, a determinada altura, eles deixassem de representar e se tornassem mesmo nas personagens. Num filme de tom assumidamente burlesco, com uma dificílima linguagem Shakespeareana, ainda abona mais a favor dos dois miúdos. A acompanhar esta dupla perfeita, um elenco underdog, mas de peso como John Leguizamo, Pete Postlethwaite, Brian Dennehy e Paul Sorvino.
Mas a estrela que brilhou mais que todas, foi mesmo Baz Luhrmann. Inventou um género novo de filme: o filme carregado de glitter e fogo-de-artifício, com uma montagem rápida e banda sonora alternativa: o filme tipo-Luhrmann. A qualidade até pode ser discutível, mas o estilo não é de certeza.
Como é que alguém consegue transpor aquela história directamente de Shakespeare, com aquela linguagem imensamente rígida, para um tempo moderno, quase intemporal, e transformá-la num filme pop espectacular? É uma incógnita. Ainda por cima, lá está, com tanto brilho, tanta pluma, tanto fogo-de-artifício? Este filme tinha todos os ingredientes para ser tornar numa aberração. Com um estilo único, diferente de tudo o que já se tinha visto até ali, Baz Luhrmann conseguiu torná-lo numa obra prima dos tempos modernos. ●●●●○

 
Copyright © 2015 todos os filmes que vi
Distributed By Gooyaabi Templates