A minha relação com Saw é um pouco estranha e esotérica. Digamos que um dia chego a casa e encontro uma caixa de dvd sem capa. Dentro da caixa suspeita, um disco com um filme de título Saw - Enigma Mortal, que tem uma imagem do que parece ser um pé ensanguentado. Isto pode parecer tudo tanga, mas é verídico. Ainda hoje não sei quem me deixou o filme em casa. É um mistério que provavelmente nunca irei resolver. Ainda por cima, porque não tinha qualquer informação, nem nenhuma expectativa, o filme foi um estrondo.
Saw é um marco dentro do género de terror. Começou a revelar-me um tipo de filmes que nunca tinha visto antes: pequenas produções, muito bem feitas, com muito pouco dinheiro (um milhão e pico de dólares e filmado em menos de um mês), com poucas (ou nenhumas) "estrelas de cinema", que essencialmente, se faziam valer duma história muito bem criada e muito bem escrita, que prendia uma pessoa à cadeira com surpresas constantes durante o filme todo, até ao twist final.
O responsável por este mega-sucesso é James Wan, que consegue a proeza de fazer praticamente um filme inteiro dentro numa casa de banho degradante. E fá-lo de uma forma excitante, pois há imensa acção, resultante dos flashbacks e dos constantes elementos que vão sendo acrescentados à trama.
É interessante perceber que, tal como Jigsaw, o serial killer da história, James Wan mostra uma grande dose de voyeurismo... assim como todos os que vêm o filme. Ficamos todos ao mesmo nível, sentadinhos e confortáveis, a ver pelo ecrã, o sangrento desenrolar dos acontecimentos, acompanhando a história macabra daqueles dois desconhecidos que acordam presos numa casa de banho sem saberem o motivo do seu encarceramento.
E não há dúvidas, Saw é sangrento. Vai direitinho para a categoria de gore. Há um cadáver com a cabeça desfeita mesmo no meio daquela casa de banho, há pés e membros cortados e sanguinolências de toda a espécie durante os flashbacks que contam o resto da história que se passa paralelamente àquela cena na casa de banho.
O casting é estranho mas funciona: um desconhecido (Leigh Whannell), um actor que normalmente faz comédia (Cary Elwes) e uma "antiga estrela" dos grandes filmes de acção dos 80's (Danny Glover). Além de outros secundários, ainda há Michael Emerson que é um gajo que gosto, que está sempre muito bem e acho que até merecia maiores voos.
Há muitas coisas fixes neste Saw... Há aquele boneco assustador no triciclo, que dá a cara pelo verdadeiro serial killer, e que já se tornou icónico, ficando para a posteridade. Há a novidade de ter um serial killer, que na realidade não mata ninguém, mas faz jogos mortais com as vítimas. Mas principalmente, há uma história muito boa, muito bem contada, muito bem realizada e fotografada. E apesar de em termos de argumento, haver pequenas falhas óbvias durante o filme, tudo fica desculpado por aquele final totalmente inesperado e bombástico, que, há que dizê-lo, é inesquecível.
Como seria de esperar, Saw foi um sucesso gigantesco, gerou uma quantidade enorme de fãs e fez aparecer uma série interminável de sequelas que tentei (e felizmente consegui) evitar a todo o custo para não baixar a minha (boa) percepção que tinha do filme original. ●●●○○
John Hancock bebe demasiado, tem um ar tão desmazelado que mais parece um sem abrigo e tem uma linguagem e uma atitude no nível mais rasteiro possível. Mas para além destas características nada abonatórias, Hancock também é um super-herói muito poderoso. É um dos gajos mais detestados de Los Angeles. Tudo muda quando salva a vida de um relações públicas idealista (Jason Bateman) que se oferece para lhe mudar a imagem (e principalmente, a atitude) para um "novo" super-herói que seja respeitado pela cidade. Hancock (Will Smith) conhece a mulher dele (Charlize Theron), que misterioramente não o quer perto dela, nem da sua família.
Hancock até tenta ajudar e salvar vidas, mas com poderes e força ilimitada, constantemente destrói partes da cidade de forma irresponsável, causando milhões de dólares de prejuízo.
Pensando bem, até faz sentido. Uma pessoa vê os filmes de super-heróis e de facto, quando eles entram em acção, estejam a lutar contra os super-vilões ou ameaças extraterrestres, conseguem sempre salvar a criancinha do prédio a arder, mas pelo meio explodem com carros, prédios ou arrasam cidades inteiras, provavelmente matando centenas de pessoas e causando prejuízos incalculáveis... Mas ei! Isso são blockbusters de verão! Não são obras filosóficas, de análise sociológica ou de impacto económico. É para ver acção e de preferência, imensas coisas a explodir. É só para ver, não é para pensar! Mas de facto, normalmente, causam mais danos do que outra coisa.
Por isso, gostei de ver este Hancock (realizado por Peter Berg). Não chateia. É mais uma daquelas chicletes de acção e efeitos especiais, mas tem algum miolo e até tem alguma piada. Pelo menos é uma forma diferente de ver super-heróis em acção. ●●○○○
Hancock até tenta ajudar e salvar vidas, mas com poderes e força ilimitada, constantemente destrói partes da cidade de forma irresponsável, causando milhões de dólares de prejuízo.
Pensando bem, até faz sentido. Uma pessoa vê os filmes de super-heróis e de facto, quando eles entram em acção, estejam a lutar contra os super-vilões ou ameaças extraterrestres, conseguem sempre salvar a criancinha do prédio a arder, mas pelo meio explodem com carros, prédios ou arrasam cidades inteiras, provavelmente matando centenas de pessoas e causando prejuízos incalculáveis... Mas ei! Isso são blockbusters de verão! Não são obras filosóficas, de análise sociológica ou de impacto económico. É para ver acção e de preferência, imensas coisas a explodir. É só para ver, não é para pensar! Mas de facto, normalmente, causam mais danos do que outra coisa.
Por isso, gostei de ver este Hancock (realizado por Peter Berg). Não chateia. É mais uma daquelas chicletes de acção e efeitos especiais, mas tem algum miolo e até tem alguma piada. Pelo menos é uma forma diferente de ver super-heróis em acção. ●●○○○
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Man cheng jin dai huang jin jia, traduzido como "A Maldição da Flor Dourada" é um filme chinês de Yimou Zhang, e que conta a história de uma família imperial chinesa durante o século X. Mas esta não é uma família normal... É totalmente disfuncional, envolvida em complicadas intrigas palacianas e que está repleta de assassinatos, traições e até incesto. Difícil de encaixar para um "gajo normal", mas uma coisa mais ou menos "normal" nas questões do poder da realeza...
Se por um lado, a história pode ser de difícil digestão para um ocidental, "A Maldição da Flor Dourada", por outro lado, é verdadeira comida para os olhos. É um festim visual. Não pelos efeitos especiais, mas pelo pormenor, pelas roupas e pelos cenários fantásticos. Nesse aspecto, é muito bom.
Se bem que tenha sempre grande dificuldade em distinguir os actores chineses (por causa dos nomes impossíveis de decorar e das parecenças físicas), eles têm uma intensidade dramática muito própria e diferente. São muito bons, especialmente neste tipo de registo (história dramática da realeza), em que o desempenho chega quase a ser caricatural, de tão intenso que é. Mas neste caso, até fica muito bem. Destaque para o já lendário Chow Yun Fat e para a lindíssima Gong Li, mas o restante elenco está ao mesmo nível. Não me lembro de ver um mau actor chinês.
A realização é límpida e nota-se que tudo é pensado ao pormenor. Yimou Zhang junta o melhor do cinema ocidental com o visual oriental. É uma mistura perfeita, sempre com uma fotografia absolutamente impressionante. Yimou Zhang cria verdadeiras obras de arte visuais em movimento e consegue transmitir aquela sensação de épico, como raramente se vê.
À parte das coreografias impossíveis de lutas corpo-a-corpo, até nem tem muita acção física, se bem que no final até "explode" com as grandes batalhas, que diga-se, são "mesmo" grandes. É uma escala totalmente diferente do que uma pessoa está habituado a ver nos filmes de Hollywood.
"A Maldição da Flor Dourada" prende um gajo à cadeira e está bem feito, bem realizado e bem interpretado como acontece sempre com os actores chineses, mas é quase como estar a olhar para uma peça de ouro em filigrana: quando se olha demasiado tempo, uma pessoa perde-se no pormenores e acaba por não conseguir ver a peça toda. Foi um bocado o que me aconteceu. Vale a pena ver, nem que seja para ter uma perspectiva diferente dos épicos americanos. ●●●○○
Se por um lado, a história pode ser de difícil digestão para um ocidental, "A Maldição da Flor Dourada", por outro lado, é verdadeira comida para os olhos. É um festim visual. Não pelos efeitos especiais, mas pelo pormenor, pelas roupas e pelos cenários fantásticos. Nesse aspecto, é muito bom.
Se bem que tenha sempre grande dificuldade em distinguir os actores chineses (por causa dos nomes impossíveis de decorar e das parecenças físicas), eles têm uma intensidade dramática muito própria e diferente. São muito bons, especialmente neste tipo de registo (história dramática da realeza), em que o desempenho chega quase a ser caricatural, de tão intenso que é. Mas neste caso, até fica muito bem. Destaque para o já lendário Chow Yun Fat e para a lindíssima Gong Li, mas o restante elenco está ao mesmo nível. Não me lembro de ver um mau actor chinês.
A realização é límpida e nota-se que tudo é pensado ao pormenor. Yimou Zhang junta o melhor do cinema ocidental com o visual oriental. É uma mistura perfeita, sempre com uma fotografia absolutamente impressionante. Yimou Zhang cria verdadeiras obras de arte visuais em movimento e consegue transmitir aquela sensação de épico, como raramente se vê.
À parte das coreografias impossíveis de lutas corpo-a-corpo, até nem tem muita acção física, se bem que no final até "explode" com as grandes batalhas, que diga-se, são "mesmo" grandes. É uma escala totalmente diferente do que uma pessoa está habituado a ver nos filmes de Hollywood.
"A Maldição da Flor Dourada" prende um gajo à cadeira e está bem feito, bem realizado e bem interpretado como acontece sempre com os actores chineses, mas é quase como estar a olhar para uma peça de ouro em filigrana: quando se olha demasiado tempo, uma pessoa perde-se no pormenores e acaba por não conseguir ver a peça toda. Foi um bocado o que me aconteceu. Vale a pena ver, nem que seja para ter uma perspectiva diferente dos épicos americanos. ●●●○○
Há muitos anos que ouvia falar deste Battlefield Earth como sendo um dos piores filmes alguma vez feito. Parecia-me um exagero pois já vi coisas do "arco da velha" e que chegam a roçar o amadorismo, mas Battlefield Earth é uma outra espécie completamente diferente. E depois de ler o que li sobre o filme, percebi que estava num campo do cinema (se é que pode chamar-se cinema) totalmente diferente. Isto não é um filme. Isto é propaganda da Cientologia. Para quem não conhece, a Cientologia é um culto new wave, com base em extraterrestres, do tipo "Heaven's Gate", mas que tem muito mais dinheiro e muito mais difusão porque nos últimos anos tem conseguido atrair para as suas fileiras algumas grandes estrelas de Hollywood (Tom Cruise e Travolta, são os rostos mais conhecidos, mas há muitos mais), o que lhe dá bastante visibilidade mediática.
Battlefield Earth é a adaptação de um livro de L. Ron Hubbard, fundador da Cientologia (e escritor de ficção científica), e que conta como no ano 3000, a Humanidade está resumida a uma espécie primitiva, porque foi escravizada pelos extraterrestres Psychlos. Um jovem humano, que não acredita no poder mágico dos gananciosos colonizadores, decide ir ao encontro da verdade e acaba por se envolver numa luta pela libertação final dos humanos.
Dito assim, nem parece muito mau, mas é o desenrolar da história cheia de buracos, cenas patéticas e sem nexo (ao fim de mil anos (!!!) encontram-se uns aviões a jacto e umas bombas nucleares e é assim que os humanos ganham aos Psychlos), assim como as personagens que parecem saídas de uma série juvenil, passando pelo design de produção (que copia sem piedade e constantemente outros filmes) e os efeitos especiais que parecem saídos dum filme da década de 80, que fazem deste, sem dúvida, o pior filme de sempre.
Basta só ver o exemplo dos vilões, os Psychlos. Para além de terem um nome horrivelmente feio, são estúpidos como portas (mas derrotaram a Humanidade em 9 minutos (!?) e escravizaram-na por mil anos) e parecem uma mistura de fãs dos Kiss, Klingons e Lobisomens com rastas. E têm dentes podres! Ah! E para respirarem na atmofera terrestre têm umas daquelas bandas plásticas no nariz, como as que os futebolistas dos anos 90 usavam para respirar melhor, mas como é futurista, tem um penduricalho que parece ranho preto. Mas também parecem headphones espetados no nariz. É simplesmente... não consigo perceber...
Para piorar ainda mais, os diálogos são maus. Nem são maus, são péssimos. Os extraterrestres (?!) falam como se estivessem a discutir futebol num tasco. E mandam "bocas" e tudo! É ridículo. É demasiado ridículo. E isso é que acho estranho. Há por aqui actores que nem são maus (se bem que também há alguns que parecem amadores), por isso ainda se torna mais incompreensível andarem nestas idiotices. Forest Whitaker e Barry Pepper ainda percebo que possam ter sido enganados, mas para o John Travolta não há desculpas. É sabido que ele é grande fã da Cientologia e que faz divulgação do culto, mas isto é algo mais. Fez muitos filmes que gosto e até era um gajo que admirava, mas depois desta, acabou-se. Não tem mais créditos. Parece que perdeu totalmente o juízo. Resumindo, é assim: há filmes que são tão maus que se tornam bons. São exemplos os filmes do Ed Wood ou Roger Corman, que têm uma óbvia paixão intrínseca pelo cinema, ou até coisas mais "amadoras" como por exemplo, o Evil Dead de Sam Raimi, que têm pormenores que se notam que com mais dinheiro, mais meios, mais produção até podiam ter algum potencial. Mas Battlefield Earth é na realidade tão mau que se torna ainda pior. E isto não é algo amador, filmado com desconhecidos ou fracamente produzido: isto é uma produção de um grande estúdio de Hollywood, de 80 milhões de dólares, com actores de renome, realizado por um gajo que trabalhou directamente com o George Lucas (até recebeu um óscar) no Star wars! Isto é algo incompreensível. Passou-se alguma coisa muito má pela cabeça desta gente. Até poderia sugerir que o vissem para ver o quão mau é, mas neste caso, o melhor a fazer é mesmo evitar. A todo o custo. É má ficção científica. É um mau filme. É um zero redondo e absoluto. ○○○○○
Battlefield Earth é a adaptação de um livro de L. Ron Hubbard, fundador da Cientologia (e escritor de ficção científica), e que conta como no ano 3000, a Humanidade está resumida a uma espécie primitiva, porque foi escravizada pelos extraterrestres Psychlos. Um jovem humano, que não acredita no poder mágico dos gananciosos colonizadores, decide ir ao encontro da verdade e acaba por se envolver numa luta pela libertação final dos humanos.
Dito assim, nem parece muito mau, mas é o desenrolar da história cheia de buracos, cenas patéticas e sem nexo (ao fim de mil anos (!!!) encontram-se uns aviões a jacto e umas bombas nucleares e é assim que os humanos ganham aos Psychlos), assim como as personagens que parecem saídas de uma série juvenil, passando pelo design de produção (que copia sem piedade e constantemente outros filmes) e os efeitos especiais que parecem saídos dum filme da década de 80, que fazem deste, sem dúvida, o pior filme de sempre.
Basta só ver o exemplo dos vilões, os Psychlos. Para além de terem um nome horrivelmente feio, são estúpidos como portas (mas derrotaram a Humanidade em 9 minutos (!?) e escravizaram-na por mil anos) e parecem uma mistura de fãs dos Kiss, Klingons e Lobisomens com rastas. E têm dentes podres! Ah! E para respirarem na atmofera terrestre têm umas daquelas bandas plásticas no nariz, como as que os futebolistas dos anos 90 usavam para respirar melhor, mas como é futurista, tem um penduricalho que parece ranho preto. Mas também parecem headphones espetados no nariz. É simplesmente... não consigo perceber...
Para piorar ainda mais, os diálogos são maus. Nem são maus, são péssimos. Os extraterrestres (?!) falam como se estivessem a discutir futebol num tasco. E mandam "bocas" e tudo! É ridículo. É demasiado ridículo. E isso é que acho estranho. Há por aqui actores que nem são maus (se bem que também há alguns que parecem amadores), por isso ainda se torna mais incompreensível andarem nestas idiotices. Forest Whitaker e Barry Pepper ainda percebo que possam ter sido enganados, mas para o John Travolta não há desculpas. É sabido que ele é grande fã da Cientologia e que faz divulgação do culto, mas isto é algo mais. Fez muitos filmes que gosto e até era um gajo que admirava, mas depois desta, acabou-se. Não tem mais créditos. Parece que perdeu totalmente o juízo. Resumindo, é assim: há filmes que são tão maus que se tornam bons. São exemplos os filmes do Ed Wood ou Roger Corman, que têm uma óbvia paixão intrínseca pelo cinema, ou até coisas mais "amadoras" como por exemplo, o Evil Dead de Sam Raimi, que têm pormenores que se notam que com mais dinheiro, mais meios, mais produção até podiam ter algum potencial. Mas Battlefield Earth é na realidade tão mau que se torna ainda pior. E isto não é algo amador, filmado com desconhecidos ou fracamente produzido: isto é uma produção de um grande estúdio de Hollywood, de 80 milhões de dólares, com actores de renome, realizado por um gajo que trabalhou directamente com o George Lucas (até recebeu um óscar) no Star wars! Isto é algo incompreensível. Passou-se alguma coisa muito má pela cabeça desta gente. Até poderia sugerir que o vissem para ver o quão mau é, mas neste caso, o melhor a fazer é mesmo evitar. A todo o custo. É má ficção científica. É um mau filme. É um zero redondo e absoluto. ○○○○○
Beverly Hills Cop III saiu em 1994 e entra directamente para a categoria de deprimente. Apesar de ter presenças de peso (cameos) como as de John Singleton, Joe Dante, Ray Harryhausen e George Lucas, Beverly Hills Cop III nunca consegue chegar sequer aos calcanhares do original. Nem sequer da sequela.
Desta vez a história gira em torno de um parque de diversões em Beverly Hills que os maus da fita usam como fachada para fazerem falsificação de dinheiro.
Vou ser directo. É mau. Tudo parece forçado e não tem piada nenhuma. Foi um desfecho inglório para uma boa série de filmes e que gerou boas personagens, uma música icónica e sempre teve associado aquela sensação de boas vibrações.
Ainda por cima, é de estranhar que seja tão mau, vindo de quem vem: John Landis. Por acaso, é mesmo estranho. Sendo um realizador com tantos créditos firmados em outros tantos sucessos anteriores, é esquisito que o filme tenha saído tão mau. Pode não ser um dos grandes nomes do cinema, mas John Landis é o senhor responsável pelos The Blues Brothers, pelo clássico An American Werewolf in London e o homem que fez o melhor videoclip de todos os tempos, o Thriller de Michael Jackson. Não é por acaso que aparece tanto realizador (e pessoal dos efeitos) conhecido pelo meio do filme. Presumo que a escolha de John Landis tenha algo que ver com o mega sucesso Jurassic Park que tinha saído no ano anterior. Há uma ligação óbvia e antiga entre John Landis e Steven Spielberg... Também é passado num parque de diversões... Ao contrário dos anteriores, Jerry Bruckheimer já não produziu este filme, por isso... Não sei. Estou a conjecturar. Mas o que é certo é que algo correu mal aqui. Beverly Hills Cop III é mau e nunca devia ter sido o fecho desta trilogia. Espera-se um remake a qualquer momento, com um cameo óbvio para a estrela principal: Eddie Murphy. ●○○○○
Desta vez a história gira em torno de um parque de diversões em Beverly Hills que os maus da fita usam como fachada para fazerem falsificação de dinheiro.
Vou ser directo. É mau. Tudo parece forçado e não tem piada nenhuma. Foi um desfecho inglório para uma boa série de filmes e que gerou boas personagens, uma música icónica e sempre teve associado aquela sensação de boas vibrações.
Ainda por cima, é de estranhar que seja tão mau, vindo de quem vem: John Landis. Por acaso, é mesmo estranho. Sendo um realizador com tantos créditos firmados em outros tantos sucessos anteriores, é esquisito que o filme tenha saído tão mau. Pode não ser um dos grandes nomes do cinema, mas John Landis é o senhor responsável pelos The Blues Brothers, pelo clássico An American Werewolf in London e o homem que fez o melhor videoclip de todos os tempos, o Thriller de Michael Jackson. Não é por acaso que aparece tanto realizador (e pessoal dos efeitos) conhecido pelo meio do filme. Presumo que a escolha de John Landis tenha algo que ver com o mega sucesso Jurassic Park que tinha saído no ano anterior. Há uma ligação óbvia e antiga entre John Landis e Steven Spielberg... Também é passado num parque de diversões... Ao contrário dos anteriores, Jerry Bruckheimer já não produziu este filme, por isso... Não sei. Estou a conjecturar. Mas o que é certo é que algo correu mal aqui. Beverly Hills Cop III é mau e nunca devia ter sido o fecho desta trilogia. Espera-se um remake a qualquer momento, com um cameo óbvio para a estrela principal: Eddie Murphy. ●○○○○
Beverly Hills Cop II estreou em 1987 e desta vez foi realizado pelo Tony Scott, um gajo que sempre gostei de ver trabalhar. Continuam as "aventuras despropositadas" de Eddie Murphy, Judge Reinhold, John Ashton e Ronny Cox, que desta vez têm de enfrentar um violento grupo de assaltantes em Beverly Hills, encabeçado pelo carismático Jürgen Prochnow e pela escultural Brigitte Nielsen. E ainda há pelo meio uma presença de Hugh Hefner...
Tony Scott ainda consegue aguentar a história e as personagens neste segundo capítulo, mas como acontece (quase) sempre nas sequelas de grandes êxitos, está um furo abaixo do original. Não acrescenta nada mas também não tira nada. É tudo mais ou menos como o original... só que não é o original. Mas ainda é aceitável e suportável de se ver. ●●○○○
Tony Scott ainda consegue aguentar a história e as personagens neste segundo capítulo, mas como acontece (quase) sempre nas sequelas de grandes êxitos, está um furo abaixo do original. Não acrescenta nada mas também não tira nada. É tudo mais ou menos como o original... só que não é o original. Mas ainda é aceitável e suportável de se ver. ●●○○○
Beverly Hills Cop é um filme de acção/comédia de Martin Brest, que saiu em 1984 para os cinemas e dispensa apresentações. Quem não conhece o Axel Foley, o detective espertalhão e mal amanhado de Detroit, que para tentar descobrir o assassino do seu colega de profissão, vai fazer a cabeça em água aos polícias engravatadinhos de Beverly Hills? Eddie Murphy, Judge Reinhold, John Ashton e Ronny Cox dão corpo a personagens tão fixes que ficaram até hoje. Mas ainda há Lisa Eilbacher, Steven Berkoff e Jonathan Banks em papéis secundários. Todas as personagens são muito bem conseguidas. Por exemplo, Bronson Pinchot, como Serge, o recepcionista gay de uma galeria de arte é uma personagem tão boa, tão completa, tão cómica, que deveria ter tido um filme só para ele. (mas teve uma série de tv mais tarde, vá lá...)
Beverly Hills Cop foi um sucesso estrondoso de bilheteira. É um filme despretensioso, com acção, cómico e fixe, como muitos dos filmes dos anos 80. Eram bons porque eram simples e genuínos. O pessoal que hoje em dia faz filmes de acção, deveria sentar-se um bocadinho e ver uns filmitos "menores" dos anos 80 para perceber que por vezes (quase sempre) menos é mais. Beverly Hills Cop é um exemplo disso.
Uma das coisas que mais falta sinto nos filmes actuais é uma particularidade dos filmes dos anos 80: a música original. Fosse qual fosse o filme, a produção tentava sempre arranjar um tema que fosse identificativo do próprio filme. Era obviamente uma forma de promoção, porque a música podia tornar-se um hit mesmo antes do próprio filme o conseguir. E reparando bem, quase todos os filmes de grande sucesso dos 80's têm a "sua" música associada, que por acaso ou não, são sempre fixes. Beverly Hills Cop não é excepção. A música original do filme ("Axel F" de Harold Faltermeyer) é tão icónica que ainda hoje é facilmente reconhecida. Toda a gente conhece a música do Beverly Hills Cop, não é verdade? Se calhar até é mais reconhecida que o próprio filme... Tal como a banda sonora, Beverly Hills Cop é um clássico pop que nunca vai ficar fora de moda. ●●●●○
Beverly Hills Cop foi um sucesso estrondoso de bilheteira. É um filme despretensioso, com acção, cómico e fixe, como muitos dos filmes dos anos 80. Eram bons porque eram simples e genuínos. O pessoal que hoje em dia faz filmes de acção, deveria sentar-se um bocadinho e ver uns filmitos "menores" dos anos 80 para perceber que por vezes (quase sempre) menos é mais. Beverly Hills Cop é um exemplo disso.
Uma das coisas que mais falta sinto nos filmes actuais é uma particularidade dos filmes dos anos 80: a música original. Fosse qual fosse o filme, a produção tentava sempre arranjar um tema que fosse identificativo do próprio filme. Era obviamente uma forma de promoção, porque a música podia tornar-se um hit mesmo antes do próprio filme o conseguir. E reparando bem, quase todos os filmes de grande sucesso dos 80's têm a "sua" música associada, que por acaso ou não, são sempre fixes. Beverly Hills Cop não é excepção. A música original do filme ("Axel F" de Harold Faltermeyer) é tão icónica que ainda hoje é facilmente reconhecida. Toda a gente conhece a música do Beverly Hills Cop, não é verdade? Se calhar até é mais reconhecida que o próprio filme... Tal como a banda sonora, Beverly Hills Cop é um clássico pop que nunca vai ficar fora de moda. ●●●●○
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Estava-me a preparar para escrever um extensíssimo texto sobre Watchmen, a intrincada história e as origens das personagens. Ia falar sobre o tom negro e sujo, sobre o odor nauseabundo que sobe da sarjeta, sobre as relações promíscuas, sobre a história alternativa dos acontecimentos, sobre as pessoas por detrás das máscaras e sobre a guerra mundial. Mas decidi que não o vou fazer. Quem gosta desta mítica comic já sabe tudo o que há para saber sobre os Minutmen e sobre os Watchmen. É uma BD do tamanho do mundo. Nunca vi nada melhor. Deste género de BD de super-herói, Watchmen é sem dúvida o topo. Não é o topo, é aquela parte de cima reluzente da cereja no topo do bolo. É tão simples quanto isso. Acho que foi por causa disso que demorou tanto tempo a alguém trazê-la para o cinema. Hoje em dia, já não há limitações técnicas (nem sequer financeiras), por isso a demora teve obviamente que estar relacionada com a reputação firmada da própria BD.
Watchmen é das melhores histórias que já li. Ainda que seja uma "normal" BD de super-heróis, tem uma voz muito crítica da sociedade, e apesar de ter um ser omnipotente nu, azul, brilhante, e anti-heróis mais mal dispostos que alguns vilões das outras BDs, todos mergulhados numa versão alternativa da realidade, tudo isto parece - de alguma forma muito estranha - totalmente verosímil. É muito bom. Aconselho a quem nunca a leu, que vá comprar. Eu tive a sorte de arranjar uma cópia há muitos anos, numa livraria verdadeira, daquelas que só vendiam mesmo livros. Mas isso é demasiado vintage. Adiante...
Na adaptação para cinema, há algumas alterações em relação ao original. Não é que a história precisasse, mas percebo a lógica da coisa e não sai da linha original. É uma adaptação fiel, com muita coisa a ser literalmente copiada a papel químico. Sinceramente, não vejo problema nenhum nisso. Já era espectacular só como desenho em papel, então com a imagem em movimento, ainda é mais fixe. Watchmen, acho que se pode dizer, é um filme de super-heróis para adultos. Tem um argumento mais "humano", assuntos da "actualidade", implicações pessoais, muitos palavrões, roupas e insinuações mais sexuais do que é normal neste tipo de filmes e... muitíssimo mais sexo.
Grandes personagens, interpretadas por excelentes actores, mas nenhum, curiosamente, é daquelas grandes estrelas de Hollywood, sendo que a excepção é Jeffrey Dean Morgan, que curiosamente é quase um secundário e que... bem é melhor não dizer mais nada para não estragar o filme. São mesmo só bons actores: Malin Akerman, Billy Crudup, Matthew Goode, Patrick Wilson, Carla Gugino. Para mim, o melhor de todos é o Jackie Earle Haley que tem a personagem central do Rorschach. "Eu não estou aqui preso com vocês; vocês é que estão aqui presos comigo", é uma das muitas frases emblemáticas de Rorschach que me ficou gravada...
Mas acho que culpa principal de Watchmen ser um bom filme de acção é do Zack Snyder. Sinceramente, gosto deste gajo. Não muda muito de tema, mas é muito bom no que faz. Principalmente porque consegue equilibrar a acção com o desenrolar da história, os efeitos especiais com o desenvolvimento das personagens, em vez de cair na facilidade do costume, que é bombardear uma pessoa com tantos efeitos e acção, ao ponto de um gajo chegar a ter um surto epiléptico. Parabéns pelo equilíbrio.
Todos os anos, a Marvel faz filmes como o caraças e suplanta (quase) sempre a DC Comics porque simplesmente tem muito mais material para explorar. E diga-se de passagem, que o próprio material também é melhor... Mas isso está sempre aberto à discussão. Mas Snyder conseguiu "meter" um dos seus filmes no topo desta classe. Acho que isto diz bem da sua qualidade. Só aquele genérico inicial, vale todo este elogio. É de mestre e é inesquecível. Provavelmente, o melhor filme de super-heróis de todos os tempos. Totalmente recomendado. Tanto o livro como o filme. Para ler e reler e ver e rever. ●●●●○
BONUS:
O impacto deste comic foi tão profundo que qualquer pessoa que use um computador pode literalmente vê-lo. Comic sans, a ínfame (e horrível) fonte do Windows foi inspirada neste comic... É verdade! E aparentemente, até o Alan Moore acha a fonte muito feia. Acho que esta é uma consideração transversal a todas as pessoas do mundo...
Watchmen é das melhores histórias que já li. Ainda que seja uma "normal" BD de super-heróis, tem uma voz muito crítica da sociedade, e apesar de ter um ser omnipotente nu, azul, brilhante, e anti-heróis mais mal dispostos que alguns vilões das outras BDs, todos mergulhados numa versão alternativa da realidade, tudo isto parece - de alguma forma muito estranha - totalmente verosímil. É muito bom. Aconselho a quem nunca a leu, que vá comprar. Eu tive a sorte de arranjar uma cópia há muitos anos, numa livraria verdadeira, daquelas que só vendiam mesmo livros. Mas isso é demasiado vintage. Adiante...
Na adaptação para cinema, há algumas alterações em relação ao original. Não é que a história precisasse, mas percebo a lógica da coisa e não sai da linha original. É uma adaptação fiel, com muita coisa a ser literalmente copiada a papel químico. Sinceramente, não vejo problema nenhum nisso. Já era espectacular só como desenho em papel, então com a imagem em movimento, ainda é mais fixe. Watchmen, acho que se pode dizer, é um filme de super-heróis para adultos. Tem um argumento mais "humano", assuntos da "actualidade", implicações pessoais, muitos palavrões, roupas e insinuações mais sexuais do que é normal neste tipo de filmes e... muitíssimo mais sexo.
Grandes personagens, interpretadas por excelentes actores, mas nenhum, curiosamente, é daquelas grandes estrelas de Hollywood, sendo que a excepção é Jeffrey Dean Morgan, que curiosamente é quase um secundário e que... bem é melhor não dizer mais nada para não estragar o filme. São mesmo só bons actores: Malin Akerman, Billy Crudup, Matthew Goode, Patrick Wilson, Carla Gugino. Para mim, o melhor de todos é o Jackie Earle Haley que tem a personagem central do Rorschach. "Eu não estou aqui preso com vocês; vocês é que estão aqui presos comigo", é uma das muitas frases emblemáticas de Rorschach que me ficou gravada...
Mas acho que culpa principal de Watchmen ser um bom filme de acção é do Zack Snyder. Sinceramente, gosto deste gajo. Não muda muito de tema, mas é muito bom no que faz. Principalmente porque consegue equilibrar a acção com o desenrolar da história, os efeitos especiais com o desenvolvimento das personagens, em vez de cair na facilidade do costume, que é bombardear uma pessoa com tantos efeitos e acção, ao ponto de um gajo chegar a ter um surto epiléptico. Parabéns pelo equilíbrio.
Todos os anos, a Marvel faz filmes como o caraças e suplanta (quase) sempre a DC Comics porque simplesmente tem muito mais material para explorar. E diga-se de passagem, que o próprio material também é melhor... Mas isso está sempre aberto à discussão. Mas Snyder conseguiu "meter" um dos seus filmes no topo desta classe. Acho que isto diz bem da sua qualidade. Só aquele genérico inicial, vale todo este elogio. É de mestre e é inesquecível. Provavelmente, o melhor filme de super-heróis de todos os tempos. Totalmente recomendado. Tanto o livro como o filme. Para ler e reler e ver e rever. ●●●●○
BONUS:
O impacto deste comic foi tão profundo que qualquer pessoa que use um computador pode literalmente vê-lo. Comic sans, a ínfame (e horrível) fonte do Windows foi inspirada neste comic... É verdade! E aparentemente, até o Alan Moore acha a fonte muito feia. Acho que esta é uma consideração transversal a todas as pessoas do mundo...
Cube é um filme de ficção científica/terror com origem no Canadá. Filmado num único cenário cúbico e iluminado com painéis de cores diferentes para dar a impressão que são vários cenários, é um dos exemplos máximos que mostra cabalmente que não são precisos grandes orçamentos para se fazer um filme catita. Basta uma boa história com toques de "Twilight Zone", um guião relativamente consistente e meia dúzia de actores medianos. Acho que isto resume bastante bem o Cube.
Cube não é um grande filme, mas tem o suficiente para ser aceitável e até tem alguns bons pormenores como por exemplo todas as personagens terem nomes de prisões. Faz sentido... Os actores são medianos (Maurice Dean Wint, Nicole de Boer, Nicky Guadagni, David Hewlett, Wayne Robson, Julian Richings e Andrew Miller [e sim, são mesmo só estes actores!]) mas têm uma prestação suficientemente boa para aguentar a história.
Mas sem dúvida, o grande mastermind por trás de Cube é Vincenzo Natali que consegue filmar um cubo e seis actores de mil e uma maneiras diferentes sem ser repetitivo, ao mesmo tempo que mantém o espectador em constante expectativa. Expectativa e stress.
Em 1997 foi um sucesso enorme. É tão simples que "partiu a cabeça" de toda a gente. Fez-me lembrar aquela velha história da "bolinha amarela", em que a resposta à pergunta do que tinha acontecido à "bolinha amarela", vinha logo a seguir à próxima... "bolinha amarela". Por mais irritado que uma pessoa se possa sentir enquanto vê o filme, não se consegue deixar de ver. O que é o cubo e para que serve? Será que eles conseguem sair do cubo? Quem construiu o cubo? O cubo está na Terra ou será obra de extraterrestres? O que há no próximo cubo? O que há para além do cubo? E a resposta é... tem de se ver o filme. ●●●○○
Cube não é um grande filme, mas tem o suficiente para ser aceitável e até tem alguns bons pormenores como por exemplo todas as personagens terem nomes de prisões. Faz sentido... Os actores são medianos (Maurice Dean Wint, Nicole de Boer, Nicky Guadagni, David Hewlett, Wayne Robson, Julian Richings e Andrew Miller [e sim, são mesmo só estes actores!]) mas têm uma prestação suficientemente boa para aguentar a história.
Mas sem dúvida, o grande mastermind por trás de Cube é Vincenzo Natali que consegue filmar um cubo e seis actores de mil e uma maneiras diferentes sem ser repetitivo, ao mesmo tempo que mantém o espectador em constante expectativa. Expectativa e stress.
Em 1997 foi um sucesso enorme. É tão simples que "partiu a cabeça" de toda a gente. Fez-me lembrar aquela velha história da "bolinha amarela", em que a resposta à pergunta do que tinha acontecido à "bolinha amarela", vinha logo a seguir à próxima... "bolinha amarela". Por mais irritado que uma pessoa se possa sentir enquanto vê o filme, não se consegue deixar de ver. O que é o cubo e para que serve? Será que eles conseguem sair do cubo? Quem construiu o cubo? O cubo está na Terra ou será obra de extraterrestres? O que há no próximo cubo? O que há para além do cubo? E a resposta é... tem de se ver o filme. ●●●○○
Numa floresta encantada, um jovem (Tom Cruise, numa fase inicial da carreira e ainda com os dentes originais) tenta conquistar o coração da sua amada (Mia Sara), ao mesmo tempo que tem de enfrentar um poderoso demónio chamado Darkness (um irreconhecível Tim Curry), para impedir que este mergulhe toda a Humanidade na escuridão eterna. Pelo meio há unicórnios, elfos, goblins (nunca percebi a diferença...) e todo o tipo de criaturas fantasmagóricas e fantásticas. Legend é um filme pouco conhecido de Ridley Scott, mas do qual gosto imenso. Não é muito conhecido pois é do início da carreira do realizador e na altura, foi um flop enorme. Ridley Scott tinha acabado de realizar dois dos mais icónicos filmes de ficção cientifica de todos os tempos (Alien e Blade Runner) e portanto esta passagem para a fantasia/aventura seria sempre um fracasso. Este novo filme, teria de ser absolutamente espectacular para no mínimo equivaler aos dois portentos anteriores. Não foi o caso e percebe-se bem porquê.
Alguns filmes não estão destinados ao sucesso. Verdade seja dita, Legend tem alguns problemas. Vá lá, muitos problemas. Primeiro, já lhe vi 3 versões diferentes, com durações, enquadramentos e até bandas sonoras diferentes. Segundo, tem um argumento e personagens demasiado básicas: é uma história linear dum confronto do bem contra o mal em que as personagens ou são "boas" ou são "más", não tendo nenhum tipo de nuance. Terceiro, estranhamente está, por assim dizer, num limbo geracional: nem é um filme para crianças, nem para adultos; é demasiado negro para crianças e demasiado infantil para adultos. Ou seja, acabou por ficar sem público. Por último, li que Legend esteve originalmente para ser um filme de terror, e em alternativa, até um filme de acção. Percebe-se que este foi um projecto que desde o início não esteve bem definido. Há uma certa sensação de incongruência durante o filme todo. Parece que ninguém sabia muito bem o que fazer, nem a direcção que o filme levaria. Estas são as razões negativas, mas também tem um lado positivo.
A fotografia é absolutamente genial e provavelmente Ridley Scott teve aqui a sua melhor prestação atrás de uma câmara. Nunca vi um filme que retratasse aquele tom de "conto de fadas" tão bem como este. É das melhores criações de um mundo fantástico que já vi em cinema. As imagens são absolutamente maravilhosas e mágicas. E sem recurso ao CGI! É tudo verdadeiro e feito com cenários e truques de câmara. É verdadeiramente fantástico, parece que tem uma atmosfera própria. Além disso, tem excelentes criaturas e personagens originais, se bem que, lá está, não tenham grande "conteúdo". Destaco, especialmente, a figura do demónio Darkness. É uma personagem que me ficou gravada no cérebro para sempre. Aquele trabalho de makeup é soberbo e icónico. É uma concepção brilhante, tanto no campo prático e físico, como no campo estético. É mesmo de génio.
Legend é já uma pérola antiga, um artefacto arqueológico. Está tão enterrado no tempo, que provavelmente um dia destes, o próprio Scott, redescobri-o com as novas tecnologias e faz-lhe um remake mais moderno. E neste caso, acho que até merecia mesmo um facelift. Tem todo o potencial para isso. Legend não é obviamente o melhor trabalho de Ridley Scott, mas pela fantasia, pela parte técnica e pela própria inocência que emana, é um filme que nunca resisto a (re)ver. ●●○○○
Alguns filmes não estão destinados ao sucesso. Verdade seja dita, Legend tem alguns problemas. Vá lá, muitos problemas. Primeiro, já lhe vi 3 versões diferentes, com durações, enquadramentos e até bandas sonoras diferentes. Segundo, tem um argumento e personagens demasiado básicas: é uma história linear dum confronto do bem contra o mal em que as personagens ou são "boas" ou são "más", não tendo nenhum tipo de nuance. Terceiro, estranhamente está, por assim dizer, num limbo geracional: nem é um filme para crianças, nem para adultos; é demasiado negro para crianças e demasiado infantil para adultos. Ou seja, acabou por ficar sem público. Por último, li que Legend esteve originalmente para ser um filme de terror, e em alternativa, até um filme de acção. Percebe-se que este foi um projecto que desde o início não esteve bem definido. Há uma certa sensação de incongruência durante o filme todo. Parece que ninguém sabia muito bem o que fazer, nem a direcção que o filme levaria. Estas são as razões negativas, mas também tem um lado positivo.
A fotografia é absolutamente genial e provavelmente Ridley Scott teve aqui a sua melhor prestação atrás de uma câmara. Nunca vi um filme que retratasse aquele tom de "conto de fadas" tão bem como este. É das melhores criações de um mundo fantástico que já vi em cinema. As imagens são absolutamente maravilhosas e mágicas. E sem recurso ao CGI! É tudo verdadeiro e feito com cenários e truques de câmara. É verdadeiramente fantástico, parece que tem uma atmosfera própria. Além disso, tem excelentes criaturas e personagens originais, se bem que, lá está, não tenham grande "conteúdo". Destaco, especialmente, a figura do demónio Darkness. É uma personagem que me ficou gravada no cérebro para sempre. Aquele trabalho de makeup é soberbo e icónico. É uma concepção brilhante, tanto no campo prático e físico, como no campo estético. É mesmo de génio.
Legend é já uma pérola antiga, um artefacto arqueológico. Está tão enterrado no tempo, que provavelmente um dia destes, o próprio Scott, redescobri-o com as novas tecnologias e faz-lhe um remake mais moderno. E neste caso, acho que até merecia mesmo um facelift. Tem todo o potencial para isso. Legend não é obviamente o melhor trabalho de Ridley Scott, mas pela fantasia, pela parte técnica e pela própria inocência que emana, é um filme que nunca resisto a (re)ver. ●●○○○
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Eunice Kathleen Waymon mais conhecida pelo nome artístico de Nina Simone foi uma pianista, cantora, performer, compositora e ainda teve tempo para ser o novo rosto do ativimo pelos direitos civis dos negros norte-americanos, ao lado de nomes míticos como Martin Luther King e Malcolm X.
Nina Simone não teve um começo (nem o resto) de vida fácil: era a sexta de oito filhos, no meio de uma família pobre. Mas para compensar a falta de sorte que uma pessoa tem quando nasce, tinha um dom: a música. Começou a tocar piano aos 3 anos e aos 12 estreava o seu primeiro concerto, um recital clássico.
Numa entrevista, li que este concerto a marcou profundamente e que acabou por envolvê-la, inconscientemente, anos mais tarde, nos movimentos pelos direitos civis. Nesse concerto, os pais dela foram forçados a sentar-se ao fundo da sala, para deixar espaço para os brancos e, por isso, Nina recusou-se a tocar até que os pais fossem novamente colocados à frente. Muitos anos depois e já com pleno reconhecimento público, a rebeldia e o tom mais violento do protesto anti-guerra (do Vietname), coloca-a em confronto aberto com o próprio país. Discordante sonora da política americana também em relação ao direito de negros, Nina abandona os Estados Unidos e voa para o paraíso das Barbados. E começa então a desenrolar-se uma história rocambolesca, que elevaria Nina Simone ao estatuto de lenda, tanto em termos de personalidade, como em termos musicais.
Nina regressa aos Estados Unidos e, para piorar toda esta relação já de si conturbada, descobre que tem um mandado de captura emitido em seu nome com o motivo de sonegação de impostos, o que faz com que regresse de vez às Barbados. Depois, mudou-se para a Libéria. Esta mudança de país não é coincidência. A Libéria foi fundada para levar os negros livres e os negros que tinham sido libertos da escravatura para África . Foi também a primeira "colônia" africana a ser independente e até o nome significa literalmente "liberdade". Ao mudar-se para a Libéria, Nina Simone estava na realidade a fazer uma declaração de interesses. A seguir foi viver para a Suécia, depois ainda se mudou para a Holanda e acabou os seus dias em França.
Gosto imenso da Nina Simone. Mesmo muito. Como pessoa e como intérprete. E é uma relação que tem vindo a melhorar com o tempo. "Conheci" Nina Simone há muitos anos. Primeiro, só umas músicas, assim meias perdidas, mas muito boas. Depois uma pessoa começa a procurar e a descobrir o resto do puzzle e é espectacular. Músicas fantásticas. Únicas. Inesquecíveis. São daquelas músicas que ficam logo no ouvido, mesmo que se ouçam só alguns segundos e com ruído de fundo. Tenho tantas músicas preferidas da Nina Simone que nem consigo enumerar. Por acaso, muitas vezes nem sei mesmo o nome de algumas músicas. Mas sei logo que são da Nina Simone. O reportório é tão grande, com tantas músicas originais, adaptações, versões, best of's e coletâneas, que ainda hoje vou descobrindo material novo. Para quem gosta tanto da Nina Simone como eu, encontrar um documentário à altura não é fácil. Já vi mais uns dois e... não são bons. Quando a personalidade a documentar é grande demais, torna-se difícil equilibrar e enquadrar o tamanho do ego no próprio documentário. Parece que ficam sempre áquem da pessoa. Neste caso, não. What Happened, Miss Simone?, realizado pela experiente Liz Garbus e produzido originalmente pela Netflix é um documentário muito bom. Mesmo muito bom. Tem uma série de entrevistas com a diva e também com familiares e amigos intímos para enquadrar os contextos. Paralelamente, é uma visão intimista da cantora, e ao mesmo tempo encaixa-a na perspectiva histórica do momento. A história não é bonita, mas dá para perceber porque é que uma personalidade tão genial estava simultaneamente tão mergulhada num inferno pessoal. Daí a genialidade do título... É um documentário muito bom, tenho de repetir. What Happened, Miss Simone? é para ver e rever. Assim tem-se a oportunidade de ouvir uma grandessíssima banda sonora. Obrigatório para quem não a conhece, mas principalmente para todos os que gostam de Nina Simone. ●●●●○
Gosto imenso da Nina Simone. Mesmo muito. Como pessoa e como intérprete. E é uma relação que tem vindo a melhorar com o tempo. "Conheci" Nina Simone há muitos anos. Primeiro, só umas músicas, assim meias perdidas, mas muito boas. Depois uma pessoa começa a procurar e a descobrir o resto do puzzle e é espectacular. Músicas fantásticas. Únicas. Inesquecíveis. São daquelas músicas que ficam logo no ouvido, mesmo que se ouçam só alguns segundos e com ruído de fundo. Tenho tantas músicas preferidas da Nina Simone que nem consigo enumerar. Por acaso, muitas vezes nem sei mesmo o nome de algumas músicas. Mas sei logo que são da Nina Simone. O reportório é tão grande, com tantas músicas originais, adaptações, versões, best of's e coletâneas, que ainda hoje vou descobrindo material novo. Para quem gosta tanto da Nina Simone como eu, encontrar um documentário à altura não é fácil. Já vi mais uns dois e... não são bons. Quando a personalidade a documentar é grande demais, torna-se difícil equilibrar e enquadrar o tamanho do ego no próprio documentário. Parece que ficam sempre áquem da pessoa. Neste caso, não. What Happened, Miss Simone?, realizado pela experiente Liz Garbus e produzido originalmente pela Netflix é um documentário muito bom. Mesmo muito bom. Tem uma série de entrevistas com a diva e também com familiares e amigos intímos para enquadrar os contextos. Paralelamente, é uma visão intimista da cantora, e ao mesmo tempo encaixa-a na perspectiva histórica do momento. A história não é bonita, mas dá para perceber porque é que uma personalidade tão genial estava simultaneamente tão mergulhada num inferno pessoal. Daí a genialidade do título... É um documentário muito bom, tenho de repetir. What Happened, Miss Simone? é para ver e rever. Assim tem-se a oportunidade de ouvir uma grandessíssima banda sonora. Obrigatório para quem não a conhece, mas principalmente para todos os que gostam de Nina Simone. ●●●●○
Li algures aí pela net (o que quer dizer que pode ou não ser verdade...) que as medalhas de ouro são na realidade compostas por 90% de prata. Eu, se fosse atleta olímpico, e ganhasse uma medalha de ouro, ia logo mandar averiguar para ver se esta informação é mesmo verdadeira. Mas isto a propósito de quê? Ah! Por causa do King Arthur, Legend of the Sword... É outro engano.
Uma pessoa pensa: "um filme do Guy Ritchie (que é um gajo que quase sempre faz coisas fixes), tem o Charlie Hunnam, Jude Law, Djimon Hounsou e o Eric Bana, e é sobre o Rei Artur, os Cavaleiros da Távola Redonda, o Merlin, o castelo Camelot e toda aquela mitologia catita, portanto só pode ser um bom filme". Não. É engano. Surpreendeu-me pela negativa. É mais um filme wtf?!. O que é isto? Fiquei uma grande parte do filme a perder-me em "misturas": "olha, isto parece o Senhor dos Anéis misturado com o Goodfellas..." ; "agora parece a Guerra dos Tronos encontra-se com o Snatch..."; e por aí fora. Até gosto da estranha estética "guna estilizado" do Guy Ritchie, mas há limites... Rei Artur, mafiosos e efeitos especiais digitais decididamente não se misturam bem.
King Arthur, Legend of the Sword é mais uma versão alternativa das coisas mas sem grande cabeça. Nem sequer tem pés, quanto mais cabeça... Vale pela cena técnica, pela porrada estilizada e pouco mais. Vindo de quem vem, é uma grande desilusão. ●○○○○
Uma pessoa pensa: "um filme do Guy Ritchie (que é um gajo que quase sempre faz coisas fixes), tem o Charlie Hunnam, Jude Law, Djimon Hounsou e o Eric Bana, e é sobre o Rei Artur, os Cavaleiros da Távola Redonda, o Merlin, o castelo Camelot e toda aquela mitologia catita, portanto só pode ser um bom filme". Não. É engano. Surpreendeu-me pela negativa. É mais um filme wtf?!. O que é isto? Fiquei uma grande parte do filme a perder-me em "misturas": "olha, isto parece o Senhor dos Anéis misturado com o Goodfellas..." ; "agora parece a Guerra dos Tronos encontra-se com o Snatch..."; e por aí fora. Até gosto da estranha estética "guna estilizado" do Guy Ritchie, mas há limites... Rei Artur, mafiosos e efeitos especiais digitais decididamente não se misturam bem.
King Arthur, Legend of the Sword é mais uma versão alternativa das coisas mas sem grande cabeça. Nem sequer tem pés, quanto mais cabeça... Vale pela cena técnica, pela porrada estilizada e pouco mais. Vindo de quem vem, é uma grande desilusão. ●○○○○
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