O comissário Pierre Niemans (Jean Reno) é chamado a uma prestigiada universidade na montanha, que funciona quase como uma comunidade fechada, para investigar o brutal homicídio de um funcionário. Por outro lado, Max Kerkerian (Vincent Cassel) investiga a vandalização de um cemitério, em particular, a sepultura de uma menina morta anos antes, filha de uma freira que vive em reclusao total. As duas histórias acabam por ser cruzar, tal como os dois detetives, obrigados a trabalhar em conjunto com uma misteriosa mulher alpinista (Nadia Farès). Ambos terão de lidar com uma comunidade pequena, elitista, muito fechada, de poucas palavras e com muitos segredos por contar. Acabam por se envolver numa bizarra história de enganos, mentiras, assassinatos, serial killers e até eugenia...
Mathieu Kassovitz não costuma fazer maus filmes, mas em Les Rivières Pourpres (trduzido como "Os Crimes dos Rios Púrpura") superou-se. É um tudo-em-um: um thriller, um filme de detetives, de acção, de suspense e por vezes até de terror. Tem uma melhores cenas iniciais que já vi e termina igualmente bem, de uma forma totalmente inesperada. Prendeu-me na cadeira do principio ao fim. Já o revi umas três vezes... ●●●●○
A história dos últimos dias de Adolf Hitler é contada por Traudl Junge (Alexandra Maria Lara) uma secretária contratada pouco antes da queda do III Reich e da capitulação alemã. Em 1945, a Alemanha Nazi está prestes a sucumbir à invasão do Exército Soviético. Hitler e uma série de fanáticos seguidores fecham-se num bunker em Berlim e, através de planos desesperados esperam ainda derrotar o inimigo e reganhar supremacia. Ao passo que alguns líderes de topo como Speer, Himmler ou Goring fogem de uma derrota anunciada, outros, como Goebbels (Ulrich Matthes), trazem as suas famílias para o bunker e juram fidelidade até à morte. Der Untergang é uma rara oportunidade para conhecer melhor os últimos dias de um ditador totalmente bipolar, que oscila entre a paranóia, a euforia, o optimismo, a depressão e o suicídio.
Já tinha ouvido falar deste filme pelos melhores motivos. Não desiludiu. Apesar de ser uma produção pequena, alguns bons pormenores sobressaem. Desde logo, está muito bem realizado (Oliver Hirschbiegel); depois a história está muito bem escrita, mas acima de tudo o que sobressai mais é a interpretação de Bruno Ganz como um Hitler desorientado e no período final de vida. Excelente. Quase que se consegue sentir a decadência da própria personagem. Sem dúvida nenhuma, uma das melhores interpretações dos últimos anos. Der Untergang (traduzido para português como "A queda de Adolf Hitler") é um bom filme, que merece ser visto. ●●●○○
Labels:
2004,
Alexandra Maria Lara,
Bruno Ganz,
Der Untergang,
drama,
guerra,
Hitler,
nazi,
nota3,
Oliver Hirschbiegel,
suicídio,
Ulrich Matthes
Lincoln Six Echo (Ewan McGregor) vive numa comunidade altamente tecnológica liderada pelo dúbio Dr. Bernard Merrick (Sean Bean). Como todos os outros, Lincoln vive isolado do perigoso mundo exterior. A única saída reside numa espécie de lotaria em que o prémio é ir viver para a paradisíaca "Ilha". Mas algo não bate certo. Certo de que lhe estão a esconder alguma coisa, consegue escapar com a ajuda de outra residente (Scarlett Johansson) (e de Steve Buscemi). Uma vez cá fora terá de enfrentar perigosos assassinos contratados (Djimon Hounsou), envolver-se em perseguições a alta velocidade, mas principalmente terá de lidar com a dura verdade da sua existência...
Não sou fã do Michael Bay; faz filmes que são como fogo de artíficio: aquilo estoura, faz barulho e no fim não fica nada... E aqueles lens flare, que são já uma imagem de marca, para mim são uma azeiteirice totalmente dispensável. Gostos são gostos, não se discutem, mas eu não gosto. Há excepções que confirmam a regra e este The Island é uma dessas excepções. É uma boa história de ficção científica, tem cenas de acção espectaculares e tem bons actores, o que se traduz num bom filme. Provavelmente o melhor filme de Michael Bay. Vê-se bem. ●●●○○
Em Twister, as casas desfazem-se em pedaços como se fossem feitas de papel, as vacas voam e rodopiam pelo ar e os tractores caiem do céu como chuva grossa. É melhor procurar abrigo. Não é seguro lá fora. Mas isso é para as pessoas normais. Bill and Jo Harding (Bill Paxton e Helen Hunt) são caçadores de tornados portanto isto é a vida deles. Aliás, perseguem os tornados enquanto discutem os termos de um divórcio anunciado. Pelos meio também têm de lidar com a concorrência desleal de outra equipa de caçadores de tempestades, liderada pelo intragável Dr. Jonas Miller (Cary Elwes).
Boa história de Michael Crichton, muito bem dirigido por Jan de Bont, muito bons actores (tem Philip Seymour Hoffman como secundário... Há sempre que mencionar o Philip...) e a cereja no topo do bolo são os excelentes efeitos especiais. Na altura, fiquei pasmado com os efeitos, nunca tinha visto nada assim. E hoje ainda se aguentam bem. Mas o filme vale mesmo pelo seu todo. Muito bom do princípio ao fim. ●●●●○
Um assalto a um banco que corre mal. Uma perseguição sem fim comandada por alguém muito poderoso, motivada por algo que os intervenientes não estavam à espera. Soa familiar? É porque é familiar. É a história de base para Momentum e para a maior parte dos filmes de acção. Apanhei este Momentum na TV e dei-lhe o benefício da dúvida, principalmente por causa do Morgan Freeman e do James Purefoy. (..apesar da personagem principal ser a Olga Kurylenko). Não é mau, mas também não é bom. É razoável mas a descair para o fracote previsível. Mas vê-se porque se nota que foi feito com alguma preocupação ao pormenor e com muito menos recursos do que é normal neste tipo de filmes. No seu todo, acabou por resultar num filmito de acção aceitável. Facto curioso: o realizador, Stephen Campanelli, é um verdadeiro mestre da steadicam, com mais de 100 filmes no currículo como operador de câmara. ●○○○○
Labels:
2015,
acção,
assalto,
James Purefoy,
Momentum,
Morgan Freeman,
nota1,
Olga Kurylenko,
steadicam,
Stephen Campanelli
O detective Frank Bullit tem uma missão simples para cumprir: proteger uma testemunha importante e levá-la em segurança até ao julgamento. Mas pouco depois de assumir a missão, a sua testemunha está morta, não deixando mais nada para Bullit fazer a não ser descobrir e perseguir os responsáveis.
A história é bem mais complexa que estas três linhas, mas já tanto foi escrito sobre Bullit que não vale a pena alongar-me mais.
Bullit é um thriller de acção que faz parte da própria história do cinema. E é assim por várias razões. Não é por ser um filme de acção explosivo; visto pela primeira vez nos dias de hoje é provavelmente considerado como um filme parado. Também não é por ser um thriller que nos deixa constantemente na expectativa do que vai acontecer a seguir, ou porque é muito realista e mostra com exactidão todos os procedimentos clínicos ou processuais da polícia; hoje em dia isso é levado à exaustão. É uma peça histórica pela novidade (na altura da estreia - 1968), pela qualidade séria da realização de Peter Yates, pela música tensa de Lalo Schifrin, pela montagem frenética da acção (levou um Óscar), mas também pela "fibra" diferente dos actores: Robert Vaughn, Jacqueline Bisset, Robert Duvall fazem parte de outro nível. Mas o destaque óbvio vai para um dos monstros sagrados do cinema: Steve McQueen, um dos meus actores preferidos de todos os tempos, que provavelmente, é mesmo o melhor de todos. Não porque fosse melhor actor que os outros, mas pela força de presença no ecrã. É difícil de explicar, mas também é difícil de deixar de olhar. Steve McQueen não precisa de diálogos, basta aparecer, olhar para câmara e deixar transparecer carisma. Há ali qualquer coisa de inexplicável. Há ali qualquer coisa de... Steve McQueen. Não é por nada que lhe chamavam Mr. Cool. Steve McQueen, parece ele próprio, uma personagem cool de um qualquer grande filme. Em parte, ele é ambíguo como a própria personagem: há os maus polícias e os bons polícias, mas depois há Bullit...
E depois há aquela épica perseguição de carro pelas ruas de São Francisco. É tão excelente e tão icónica que passou para a cultura geral. Toda a gente a conhece, mesmo que nunca tenha visto o filme. Já foi copiada tantas e tantas vezes, mas nunca igualada.
Bullit não é um filme só para ver; é um filme para guardar e depois ver outra vez. ●●●●●
Labels:
1968,
acção,
Bullit,
cool,
Jacqueline Bisset,
Lalo Schifrin,
nota5,
Óscar,
perseguições,
Peter Yates,
Robert Duvall,
Robert Vaughn,
Steve McQueen,
thriller
Angela Dodson (Rachel Weiss), uma detective céptica no que diz respeito ao mundo do oculto, investiga o misterioso suicídio da sua irmã gémea. Angela não acredita na história oficial e requisita os serviços de John Constantine (Keanu Reeves), um ocultista e exorcista que literalmente consegue passar do nosso mundo para o Inferno. A investigação leva a dupla improvável a um mundo paralelo, sombrio, repleto de simbologia escatológica, lutas de demónios e anjos e até um encontro com o próprio Lúcifer.
Constantine é baseado numa BD da DC Comics - com o dedinho de Alan Moore - e marca a estreia na realização de Francis Lawrence, depois de muitos anos a fazer videoclips. Nota-se o background, mas neste caso, no bom sentido. O aspecto visual está muito bem conseguido. Para um normal filme de acção/efeitos especiais, muitas coisas estão muito bem feitas em Constantine. A história está bem escrita e o filme tem um bom ritmo. O casting "secundário" é muito bom: Tilda Swinton, Peter Stormare, Shia LaBeouf, Djimon Hounsou, Pruitt Taylor Vince, entre outros, o que ajuda e muito para elevar o filme.
Normalmente, estes filmes entediam-me por serem totalmente previsíveis e de servirem apenas para justificar a presença de efeitos especiais, mas este Constantine é, felizmente, a excepção que confirma a regra. Vê-se muito bem. ●●●○○
Labels:
2005,
acção,
Alan Moore,
BD,
Constantine,
Francis Lawrence,
inferno,
Keanu Reeves,
Lúcifer,
nota3,
Peter Stormare,
Rachel Weiss,
Shia LaBeouf,
terror,
Tilda Swinton
Skyline é um filme desperdício. Tem uma boa história inicial, bons efeitos especiais (os irmãos Strause - Colin e Greg - são mais pessoal dos efeitos do que realizadores) e um design de produção bastante bom. Mas depois tem um casting que parece saído de um daqueles filmes do "sy-fy channel". São mesmo maus. Apenas escapa o David Zayas. Para piorar ainda mais a situação, a história vai descambando, enrolando e tornando-se cada vez mais repetitiva. Depois da premissa original demasiado forte, parece que ninguém da produção sabia muito bem para onde a história iria desenrolar... Um total desperdício de recursos. ●○○○○
Labels:
2010,
acção,
David Zayas,
efeitos especiais,
ficção científica,
nota1,
Skyline,
Strause
Estava a dar este filme na TV e por curiosidade vi na informação que era um filme do Walter Hill, apesar de estar assinado com o nome de Thomas Lee. Um melhores realizadores/produtores de sempre não pode estar relacionado com um filme mau, certo? Ter bons actores como James Spader, Angela Bassett, Robert Forster ou Lou Diamond Phillips também é um bom sinal, certo? Errado. Totalmente errado. Grande erro. Mesmo grande erro. Perdi 2 horas da minha vida a ver uma nulidade completa. Não percebi o que aconteceu com este Supernova. Pelas pessoas envolvidas, e até pela história original, tinha tudo para ser um filme, pelo menos... normal. Mas não é. É um filme totalmente a evitar. Aliás, se tivesse visto o trailer antes, nunca teria sido enganado: "If you can't stand the heat . . . get out of the universe!"... o que raio quer isto dizer?! Para ver apenas se uma pessoa estiver sozinha numa ilha deserta sem nada para fazer... ○○○○○
Há poucas coisas a dizer sobre este remake de Teenage Mutant Ninja Turtles: efeitos especiais com fartura e levados ao extremo, um vilão digital, muito lens flare do Michael Bay (apesar do realizador ser Jonathan Liebesman, o corpo da Megan Fox e... mais nada. É simplesmente usar a nostalgia para vender bilhetes e pipocas. Não tem nada que se aproveite. ○○○○○
Quando se tem tudo, o que é que se pode querer mais? Mais que tudo. Pode-se ver o filme nesta perspectiva, mas essencialmente Ex Machina conta a história de um jovem programador que ganha uma viagem de sonho quando vence um concurso na empresa tecnológica onde trabalha. Ele irá encontrar-se com o CEO/génio eremita da empresa e participar numa experiência revolucionária: avaliar as capacidades (supostamente) humanas de um robot humanóide com Inteligência Artificial.
Ex Machina, apesar de ser mais um filme sobre AI, é positivamente um bom filme. Nota-se que Alex Garland realizou o filme com todas as influências absorvidas do tempo em colaborou com Danny Boyle, mas principalmente muita influência de Kubrick. Aliás, em determinados momentos, fiquei nitidamente com a ideia que se o Kubrick tivesse feito um filme sobre AI (e parece que esteve quase a fazê-lo) seria, quase de certeza, muito parecido com este Ex Machina. Pelo menos no aspecto estético, acho que saíria semelhante. Mas isso são conjecturas minhas...
O estreante realizador Alex Garland é um nome a estar atento. Apesar do ritmo por vezes descer demasiado, deu muito boas indicações neste thriller de ficção científica. A paranóia e a dúvida latente sobre quem afinal é humano e quem não é, e pequenos pormenores como a frieza e não-emoção numa cena com facas é simplesmente muito bom. Os actores são poucos (Domhnall Gleeson, Oscar Isaac e Alicia Vikander) mas muito bons e com muita intensidade. Uma lufada de ar fresco no género. Sem dúvida, para ver. ●●●○○










