Exit Through the Gift Shop é um documentário sobre um gajo (Thierry Guetta, que mais tarde se auto-transforma num artista urbano de nome Mister Brainwash) que faz documentários (aliás, documenta tudo - mas mesmo tudo - em vídeo) e que (por acaso?!) se cruza com o ínfame e anónimo Banksy. Numa reviravolta totalmente inesperada, Banksy, apercebendo-se da fraca qualidade do documentário onde estava inserido, acaba por tomar as rédeas da produção e tornar-se no realizador final do documentário.
Será tudo isto verdade, ou um enorme embuste para aproveitar o factor anónimo do artista conhecido como Bansky? Não sei. Aquela figura na obscuridade e voz distorcida será mesmo "o" Banksy? Também não sei. Será esta mais uma elaborada manobra de marketing do agora reconhecido artista Mister Brainwash? Não faço a mínima ideia. Mas face ao que vi, até é bem provável. Quando se está no anonimato, tudo é possível. Será tudo isto demasiado confuso? Bastante.
Mas apesar de ser algo incongruente, acaba por ser um bom documentário sobre o aparecimento da chamada street art e a sua subida meteórica no campo da arte "convencional", sobre algumas obras icónicas que apareceram misteriosamente pelas ruas do mundo e também sobre os seus autores anónimos. Aliás, o (suposto) anonimato dos artistas daria pano para (muitas) mangas, mas isso fica para outra altura.
Exit Through the Gift Shop é um documentário algo anárquico, que começa de uma forma e termina de outra, radicalmente diferente, mas isso até encaixa perfeitamente no tema. Não está particularmente bem feito, mas estranhamente, isso também encaixa no tema. É uma versão "grafitada" de um documentário, underground q.b. como seria de esperar. Diria mesmo que seria obrigatório fazê-lo desta forma. Nesse aspecto, não podia ser mais coerente com o tema em questão. No geral, Exit Through the Gift Shop, acaba por ser um bom documentário, e no campo da street art, simplesmente o melhor que já vi. ●●●○○

Após ver Valerian and the City of a Thousand Planets, deu para perceber perfeitamente que este filme é a "menina dos olhos" do Luc Besson. Um sonho de criança, que tornou realidade. Pelo que li, tornou-se também um pesadelo para os produtores que estão quase na falência, devido aos fracos resultados de bilheteira. Não costumo ligar nada à "sondagem das pipocas", mas neste caso, curiosamente, as coisas conjugaram-se.
Apesar de ter uma história engraçada e original, de ser visualmente muito bem pensado, sinceramente, não consegui ver mais nada que uma interminável e chata verborreia digital. Um imenso vazio folclórico de nada. Vi o filme há pouco tempo e praticamente já não me lembro do que vi. Mas lembro-me de ficar com umas dorzitas de cabeça, tal foi o estrondo visual e pirotécnico.
O elenco podia ajudar a melhorar um bocado as coisas mas nem isso aconteceu. Um par demasiado "juvenilizado" e sem grande química (Dane DeHaan e Cara Delevingne), não conseguem equilibrar um robusto casting secundário (Clive Owen, Ethan Hawke e Rutger Hauer), que diga-se, foi tão "secundarizado" que praticamente desapareceu do filme...
Está na cara que Luc Besson fez um filme para deleite próprio. Está no seu direito. Espero que ele tenha gostado do resultado final. Eu é que não gostei nada. E parece que o resto do pessoal também não, o que é bastante estranho, porque segue exactamente os mesmos padrões dos grandes blockbusters vendedores de pipocas. Acho que este é um exemplo de "eurofobia" cinematográfica. Aposto que se tivesse a assinatura do Michael Bay (ou sucedâneos), Valerian and the City of a Thousand Planets tinha dizimado culturas inteiras de milho para pipocas e batido uns quantos recordes de bilheteira. Mas como se falou muito na questão de ser a mais cara produção "europeia" de sempre... Acho que o flop teve mais questões culturais associadas do que questões cinematográficas. Ou então o pessoal fartou-se de ver filmes "vazios" de tudo, mas repletos de efeitos digitais e acção non-stop.... Naa! Tenho a certeza que foi mesmo a questão "europeia". É mais um filme óptimo para passar nos natais e passagens de ano na TV... ●○○○○

The Dark Tower... vê-se. Não é cansativo, mas é a mesma formula antiga "Stephen King" em que uma criança com "shining" é perseguida pelas suas visões, mas agora com a novidade de universos paralelos, demónios e pistoleiros em risco de extinção.
É perfeitamente suportável, mas é algo já muito visto e explorado, até mesmo pelo próprio "king". Dois excelentes actores (Matthew McConaughey e Idris Elba) e um miúdo (Tom Taylor) sem muito carisma, aguentam perfeitamente bem este filme de acção com uns pózinhos místicos. Em alguns momentos, quase parecia que estava a ver um "filme de natal"... Isso nunca é bom.. Totalmente "esquecível". ●○○○○

O tema do Super-Homem é infindável e já foi abordado milhentas vezes, sobre os mais variados aspectos e até noutros filmes, como naquele excepcional monólogo no final do Kill Bill 2. É simplesmente o melhor super-herói de sempre, o que lhe traz um problema inerente: não tem um super-vilão equivalente. É tão simples quanto isso. E isso repercute-se nos próprios filmes, tornando-os de certa forma desinteressantes, porque um gajo sabe que o Super-Homem, no final, vai sempre ganhar a contenda. Não há aquela dúvida "normal" se o herói se vai safar ou não.
Por isso mesmo, dou os parabéns ao Zack Snyder, por conseguir "rebootar" a história pela enésima vez e ainda assim, conseguir dar-lhe alguns pontos de interesse. Também ajuda bastante ter um elenco muito bom. Em destaque óbvio, o Henry Cavill. Tem um look e passa um tipo de personalidade no ecrã, que encaixa perfeitamente como Homem de Aço. É difícil bater a prestação icónica do Christopher Reeve como Super-Homem. O filme "original" foi tão marcante que, de certa forma, uma pessoa imediatamente associa a cara do Christopher Reeve à do Super-Homem. (Já alguém imaginou outra cara para o Indiana Jones que não fosse a do Harrison Ford?!) Isto faz com que o actor que venha "a seguir" seja sempre uma cara "estranha" no papel. Mas neste caso, Henry Cavill foi uma excelente escolha. Fez-me todo o sentido. Tem o equilíbrio perfeito entre o "frágil" e humano Clark Kent e o "deus" imortal Kal-El. O resto do elenco (Amy Adams, Russell Crowe, Michael Shannon (excelente, mais uma vez), Diane Lane, Kevin Costner e Laurence Fishburne) são todos excelentes, o que ajuda sempre.
A história está muito bem engendrada, muito bem escrita e vira para modernidade, digamos assim, ao assumir o que já era evidente: o Super-Homem é efectivamente um extra-terrestre, e mais grave que isso, os seus super-poderes tornam-no numa possível ameaça para a Humanidade, o que irá sempre dividir as opiniões. Nesse aspecto, foi muito bem escrito e mais importante ainda, foi muito bem pensado.
Apesar de tudo o que tem de bom, Man of Steel, não deixa de ser mais um filme do Super-Homem, mais uma remake/reboot, numa história que já começa a ser de tal forma incontornável, que se torna banal. Por muito que eu goste do Super-Homem (e talvez seja mesmo o meu super-herói favorito [sempre num renhido ex-aequo com o Batman, claro está...]) não vou suportar remakes/reboots para sempre. Neste caso, só mesmo o tratamento exemplar de Zack Snyder é que o torna aceitável e até bom de ser ver. Surpreendeu-me pela positiva. ●●●○○

 
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