O que acontece com os super-heróis quando ficam velhos? Será que envelhecem? O que acontece quando tiverem filhos? As mutações genéticas passam para a geração seguinte? Podem sequer ter filhos? No mundo fantástico dos super-heróis, sempre foram as questões mundanas e lógicas que me intrigaram. Mas sempre me intrigou mais saber se é possível fazer um filme de super-heróis para o público adulto? É bem possível. Logan é a prova disso. Está muito bem feito. Digo mais, surpreendentemente bom. James Mangold com esta apresentação, é um realizador a ter debaixo de olho.
É violento, visceral, realista, estranhamente humano e recheado de claras alusões religiosas.
A história de Logan passa-se em 2029, numa altura em que o Wolverine (Hugh Jackman) está algo debilitado porque desenvolve uma alergia ao adamantium que tem por todo o corpo. O Professor Xavier (um impressionante Patrick Stewart), devido à idade avançada, tem uma doença degenerativa que torna os seus poderes incontroláveis, o que leva a que esteja dependente de medicamentos e isolado do resto do mundo. A juntar a tudo isto, os outros mutantes - vistos como indesejáveis - estão quase todos mortos, desaparecidos ou são mal tratados. Aqui também não há vilões extravagantes e cheios de poderes e raios laser. Quer dizer, não há super-vilões, apenas há vilões, mas esses são os "normalíssimos" humanos, implacáveis e tão ou mais cruéis que qualquer super-vilão digital.
Fiquei com a impressão que Logan é uma experiência. Tipo um teste às audiências, para ver a reacção a um novo começo, com novos super-heróis. Não sei se a ideia da Marvel é fazer um reboot diferente (com menos foguetório digital e mais dramático) ao tema do super-heróis. É que isto dos remakes e reboots constantes, sempre iguais, também não podia durar para sempre, não é verdade?
Para não estragar o efeito surpresa de quem não o viu, resumindo, Logan é um filme de acção e super-heróis, mas estranhamente é um bom filme. Diria mesmo, muito bom. Para mim, o melhor filme de super-heróis de sempre. Dentro da temática, acho que será difícil fazer melhor.
Uma última palavra para Hugh Jackman. Há actores que quando fazem um papel popular e icónico, passado uns anos fartam-se da personagem que encarnam e simplesmente, por questões de gestão de carreira e por não quererem ficar conotados para sempre com a imagem da própria personagem, querem ver-se livre dela a todo o custo. É o chamado Bond Effect. Nem sei se o termo existe, mas basicamente é isso. Jackman fez uma coisa única: apesar do óbvio cansaço a fazer de Wolverine, abraçou a sua personagem até ao fim. É raro. E é de louvar. Obrigatório ver. ●●●●○
O que dizer deste The Mummy, versão de 2017? Só há uma palavra: fraquinho. A Universal quis aproveitar o filme para fazer uma intro para uma nova série de monstros, - o que até acho bem, porque estou um bocado cansado de ver sempre os mesmos super-heróis em acção -, mas acabou apenas por revelar uma incompetência total. Basta ver o que pessoal da Marvel faz com as suas personagens e com os seus filmes. Não é assim tão difícil...
The Mummy não tem rigorosamente nada que se aproveite. Tem muito pouco ritmo, apesar de ter algumas boas cenas de acção, tem actores (Tom Cruise, Russell Crowe) que representam apenas para o cachet... bem, não tem nada que se aproveite.
Fica-se à espera de um remake... neste caso, um re-reboot. ○○○○○
The Mummy não tem rigorosamente nada que se aproveite. Tem muito pouco ritmo, apesar de ter algumas boas cenas de acção, tem actores (Tom Cruise, Russell Crowe) que representam apenas para o cachet... bem, não tem nada que se aproveite.
Fica-se à espera de um remake... neste caso, um re-reboot. ○○○○○
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O que mais se destaca neste Universal Soldier é o aparecimento do então desconhecido Roland Emmerich na cadeira do realizador. Notava-se logo que com o orçamento certo, ia sair daqui um grande showman dos efeitos especiais e filmes catástrofe. Cumpriu perfeitamente.
Apesar de ser um filme banal de porrada com laivos de ficção científica, Universal Soldier até acaba por ser aceitável. E isso é mérito completo do Roland. Nos papéis principais, Jean-Claude Van Damme e Dolph Lundgren, ambos em grande forma, com uma carreira sólida e ainda sem rugas. Também aparecem a Ally Walker, o Ed O'Ross e o Jerry Orbach, mas estes actores secundários dos 90's ficaram por aí, algures, perdidos no tempo, e apesar de até serem bons actores, simplesmente desapareceram dos ecrãs.
Porrada velha, artes marciais, tiroteios super-exagerados, explosões massivas de gasolina e o mais prevísivel argumento possível, bem à maneira dos inícios dos anos 90, acho que é o resumo ideal para Universal Soldier. O sucesso deste filme deu-lhe mais algumas sequelas, mas nem sequer me dei ao trabalho (nem tempo) de ver. ●○○○○
Apesar de ser um filme banal de porrada com laivos de ficção científica, Universal Soldier até acaba por ser aceitável. E isso é mérito completo do Roland. Nos papéis principais, Jean-Claude Van Damme e Dolph Lundgren, ambos em grande forma, com uma carreira sólida e ainda sem rugas. Também aparecem a Ally Walker, o Ed O'Ross e o Jerry Orbach, mas estes actores secundários dos 90's ficaram por aí, algures, perdidos no tempo, e apesar de até serem bons actores, simplesmente desapareceram dos ecrãs.
Porrada velha, artes marciais, tiroteios super-exagerados, explosões massivas de gasolina e o mais prevísivel argumento possível, bem à maneira dos inícios dos anos 90, acho que é o resumo ideal para Universal Soldier. O sucesso deste filme deu-lhe mais algumas sequelas, mas nem sequer me dei ao trabalho (nem tempo) de ver. ●○○○○
A série de filmes Transformers é excelente... para quem tem um blog amador de crítica de filmes e não tem tempo quase nenhum para escrever grandes textos. É que não há muito a dizer. Transformers é acção, acção, acção e acção. Muito lens-flare e mais acção. Muita acção em câmara lenta. Miúdas sexys, carros e acção. É receita de bilheteira certinha. Nem é preciso fazer contas. Isto são filmes para dar muito dinheiro. E deram bastante. Tanto que isto prolongou-se do filme original até, digamos assim, à 5.ª entrega do coleccionável.
Com o sucessivo sucesso dos filmes e a necessidade de mais uma sequela para vender pipocas, apareceu um problema: é que o filme é sempre o mesmo... São as mesmas personagens e a história também é sempre a mesma: os bons lutam com os maus, mas há sempre um artefacto qualquer que pode destruir a Terra e vai sempre ter às mãos de um humano, que por sua vez ajuda sempre os bons a ganharem aos maus. Então o problema passou a ser: como diferenciar os filmes? A resposta veio através da criação de sub-títulos chamativos como Revenge of the Fallen ou Dark of the Moon. Ou Age of Extinction. Ou The Last Knight. Qual será o próximo? Transformers: Soul of Destiny? Transformers: Prime Universe? Transformers: Ultimate Destruction? Não sei. Mas cheira-me que será mais algo do género: Transformers: The New Beginning...
O que começou por ser uma história sobre um rapaz e o seu carro robótico, tornou-se numa obsessão de um realizador com a sua própria grandeza de acção. Michael Bay exagerou e ultrapassou todos os limites do que pode ser um bom filme de acção. Ficou tão embrenhado no seu sucesso (e na sua continuidade) que perdeu totalmente a noção da realidade. O culminar de tudo isto é mesmo este último filme (The Last Knight) que é tão massivo em termos de efeitos e acção que se tornou numa patetice digital que é a maluqueira total. Se visse o filme num IMAX, provavelmente tinha-me estourado o cérebro, tanta é a acção. É imparável. E pior que a demência digital, é a total e completa incongruência na montagem da história. A atenção na montagem está tão virada para acção que se esqueceram da história... Há lapsos óbvios nas histórias como passar-se do dia para a noite em segundos e as personagens desparecerem e aparecerem em cenas sem se perceber como é que aquilo aconteceu... Mas o que é que estou para aqui a dizer? A história interessa para alguma coisa? Ou as personagens? Isto é mesmo só para filmar explosões, robots em CGI, miúdas com ar de teenager maroto e vender bilhetes... Também não se pode ser muito exigente, não é verdade?
Em cinco "entregas" do coleccionável estiveram muitos e bons actores: Shia LaBeouf, John Turturro, Jon Voight, Frances McDormand, John Malkovich, Mark Wahlberg, Stanley Tucci e Anthony Hopkins. Como "miúda jeitosa oficial" esteve a lindíssima Megan Fox, que depois foi sendo substituída por outras sucessivas "miúdas jeitosas". Neste tipo de filmes, os actores têm obrigatoriamente de ir sendo substituídos porque arriscam-se a fritar o cérebro devido à pobreza dos guiões. Vejam por exemplo o que aconteceu com o Shia LaBeouf... Era um miúdo normal e depois dos Transformers acabou por enlouquecer... É perigoso para um bom actor fazer filmes deste género, e não é por causa das cenas perigosas de acção. É que pode muito bem ser o fim de uma carreira.
Os Transformers eram um dos meus desenhos animados favoritos quando era miúdo. Sonhava com carros robóticos inteligentes. Até imaginava que, talvez no futuro, os carros pudessem mesmo fazer aquilo tudo. Depois cresci e os desenhos animados acabaram. Admito que quando vi que o Spielberg ia produzir um "remake" dos Transformers até fiquei um bocadinho entusiasmado. Depois vi o primeiro filme e foi a desilusão total. Os restantes filmes voltaram, mas foi apenas para me atormentarem. Este último filme já disse tudo: The Last Knight. Apenas fixei a palavra "last". Para mim, já chega. É mesmo o último. ●○○○○ (○○○○○)
PS: A nota 1 é exclusivamente para o primeiro filme. Os restantes valem literalmente zero.
Duplo PS: Não me responsabilizo por danos cerebrais causados durante a visualização dos cincos trailers consecutivos. Aviso já que é perigoso para os olhos e aconselho o uso regular de gotas oftalmológicas.
Triplo PS: Só agora mesmo é que reparei que já tinha falado aqui dos primeiros 4 filmes. Não deixa de ser irónico... para um gajo que não queria perder muito tempo a falar destes filmes. E que até nem queria escrever "grandes textos". Mas agora já está feito, portanto, fica assim...
Com o sucessivo sucesso dos filmes e a necessidade de mais uma sequela para vender pipocas, apareceu um problema: é que o filme é sempre o mesmo... São as mesmas personagens e a história também é sempre a mesma: os bons lutam com os maus, mas há sempre um artefacto qualquer que pode destruir a Terra e vai sempre ter às mãos de um humano, que por sua vez ajuda sempre os bons a ganharem aos maus. Então o problema passou a ser: como diferenciar os filmes? A resposta veio através da criação de sub-títulos chamativos como Revenge of the Fallen ou Dark of the Moon. Ou Age of Extinction. Ou The Last Knight. Qual será o próximo? Transformers: Soul of Destiny? Transformers: Prime Universe? Transformers: Ultimate Destruction? Não sei. Mas cheira-me que será mais algo do género: Transformers: The New Beginning...
O que começou por ser uma história sobre um rapaz e o seu carro robótico, tornou-se numa obsessão de um realizador com a sua própria grandeza de acção. Michael Bay exagerou e ultrapassou todos os limites do que pode ser um bom filme de acção. Ficou tão embrenhado no seu sucesso (e na sua continuidade) que perdeu totalmente a noção da realidade. O culminar de tudo isto é mesmo este último filme (The Last Knight) que é tão massivo em termos de efeitos e acção que se tornou numa patetice digital que é a maluqueira total. Se visse o filme num IMAX, provavelmente tinha-me estourado o cérebro, tanta é a acção. É imparável. E pior que a demência digital, é a total e completa incongruência na montagem da história. A atenção na montagem está tão virada para acção que se esqueceram da história... Há lapsos óbvios nas histórias como passar-se do dia para a noite em segundos e as personagens desparecerem e aparecerem em cenas sem se perceber como é que aquilo aconteceu... Mas o que é que estou para aqui a dizer? A história interessa para alguma coisa? Ou as personagens? Isto é mesmo só para filmar explosões, robots em CGI, miúdas com ar de teenager maroto e vender bilhetes... Também não se pode ser muito exigente, não é verdade?
Em cinco "entregas" do coleccionável estiveram muitos e bons actores: Shia LaBeouf, John Turturro, Jon Voight, Frances McDormand, John Malkovich, Mark Wahlberg, Stanley Tucci e Anthony Hopkins. Como "miúda jeitosa oficial" esteve a lindíssima Megan Fox, que depois foi sendo substituída por outras sucessivas "miúdas jeitosas". Neste tipo de filmes, os actores têm obrigatoriamente de ir sendo substituídos porque arriscam-se a fritar o cérebro devido à pobreza dos guiões. Vejam por exemplo o que aconteceu com o Shia LaBeouf... Era um miúdo normal e depois dos Transformers acabou por enlouquecer... É perigoso para um bom actor fazer filmes deste género, e não é por causa das cenas perigosas de acção. É que pode muito bem ser o fim de uma carreira.
Os Transformers eram um dos meus desenhos animados favoritos quando era miúdo. Sonhava com carros robóticos inteligentes. Até imaginava que, talvez no futuro, os carros pudessem mesmo fazer aquilo tudo. Depois cresci e os desenhos animados acabaram. Admito que quando vi que o Spielberg ia produzir um "remake" dos Transformers até fiquei um bocadinho entusiasmado. Depois vi o primeiro filme e foi a desilusão total. Os restantes filmes voltaram, mas foi apenas para me atormentarem. Este último filme já disse tudo: The Last Knight. Apenas fixei a palavra "last". Para mim, já chega. É mesmo o último. ●○○○○ (○○○○○)
PS: A nota 1 é exclusivamente para o primeiro filme. Os restantes valem literalmente zero.
Duplo PS: Não me responsabilizo por danos cerebrais causados durante a visualização dos cincos trailers consecutivos. Aviso já que é perigoso para os olhos e aconselho o uso regular de gotas oftalmológicas.
Triplo PS: Só agora mesmo é que reparei que já tinha falado aqui dos primeiros 4 filmes. Não deixa de ser irónico... para um gajo que não queria perder muito tempo a falar destes filmes. E que até nem queria escrever "grandes textos". Mas agora já está feito, portanto, fica assim...
Pompeii é mais um filme típico de acção sem grande sentido, assinado por Paul W. Anderson, que aproveita alguns factos históricos sobre a destruição de Pompeia devido à erupção do Vesúvio para ter oportunidade de brincar com os efeitos especiais. Se bem que este é particularmente estranho: em metade do filme não se passa quase nada e na outra metade tudo se destrói. Se a (excepcional) série de TV Spartacus e o filme catástrofe 2012 tivessem um caso amoroso, o filho bastardo seria este Pompeii.
Vi-o à noite na TV e quase adormecia. Bem, na verdade, estive quase a desistir por volta da meia hora de filme, mas depois fiquei curioso com os efeitos "vulcânicos"... São fixes. Hiper-exagerados, mas fixes. Basicamente não há mais nada de interessante para ver. Com Kit Harington, Kiefer Sutherland, Carrie-Anne Moss (que está no casting, mas praticamente não aparece...), Emily Browning e Adewale Akinnuoye-Agbaje. Totalmente "esquecível"... ●○○○○
Vi-o à noite na TV e quase adormecia. Bem, na verdade, estive quase a desistir por volta da meia hora de filme, mas depois fiquei curioso com os efeitos "vulcânicos"... São fixes. Hiper-exagerados, mas fixes. Basicamente não há mais nada de interessante para ver. Com Kit Harington, Kiefer Sutherland, Carrie-Anne Moss (que está no casting, mas praticamente não aparece...), Emily Browning e Adewale Akinnuoye-Agbaje. Totalmente "esquecível"... ●○○○○
Já deixei de ver filmes de animação há alguns anos. Chateia-me a vertente puramente comercial deste tipo de filmes que acabam por ficar todos iguais, pois têm como base os guiões pré-formatados do sucesso anterior. Vendo um, já nem preciso de ver os restantes. É sempre a mesma coisa, tirando o novo vilão e a nova namorada do "artista". No entanto, volta e meia, lá vou vendo uns filmitos a contra-gosto, porque há sempre as excepções que confirmam a regra.
Kubo and the Two Strings, dos Estúdios Laika é uma dessas excepções. A primeira palavra que me vem à cabeça para descrever este Kubo é... lindo. É um filme esteticamente perfeito. As cores, as sombras, os origamis, os desenhos, os modelos, as animações, os sons... tudo perfeitamente interligado e harmonioso. Visualmente, não alteraria nada neste filme. Tecnicamente, é um prodígio, feito com recurso ao stop-motion animation, o que lhe retira o tom artificial e "plástico" habitual e lhe dá sempre aquele ar mais "verdadeiro". Grande mestria e total mérito para Travis Knight, que na estreia como realizador já marcou uma excelente posição. É um realizador para ter debaixo de olho.
A história é de uma imaginação prodigiosa e exemplarmente bem escrita. Apesar de ir a "decrescer"- só porque o inicio é bom demais -, é verdadeiramente divertido (e não só) assistir a tudo o que acontece às (excelentes) personagens nesta aventura mágica. Uma pérola nos dias actuais. Conta com as vozes de Charlize Theron, Art Parkinson, Ralph Fiennes e Matthew McConaughey, entre muitos outros.
O melhor elogio que posso fazer a Kubo and the Two Strings, é que durante 100 minutos repôs a minha esperança na humanidade. ●●●●○
Kubo and the Two Strings, dos Estúdios Laika é uma dessas excepções. A primeira palavra que me vem à cabeça para descrever este Kubo é... lindo. É um filme esteticamente perfeito. As cores, as sombras, os origamis, os desenhos, os modelos, as animações, os sons... tudo perfeitamente interligado e harmonioso. Visualmente, não alteraria nada neste filme. Tecnicamente, é um prodígio, feito com recurso ao stop-motion animation, o que lhe retira o tom artificial e "plástico" habitual e lhe dá sempre aquele ar mais "verdadeiro". Grande mestria e total mérito para Travis Knight, que na estreia como realizador já marcou uma excelente posição. É um realizador para ter debaixo de olho.
A história é de uma imaginação prodigiosa e exemplarmente bem escrita. Apesar de ir a "decrescer"- só porque o inicio é bom demais -, é verdadeiramente divertido (e não só) assistir a tudo o que acontece às (excelentes) personagens nesta aventura mágica. Uma pérola nos dias actuais. Conta com as vozes de Charlize Theron, Art Parkinson, Ralph Fiennes e Matthew McConaughey, entre muitos outros.
O melhor elogio que posso fazer a Kubo and the Two Strings, é que durante 100 minutos repôs a minha esperança na humanidade. ●●●●○
Robots gigantes, monstros extraterrestres gigantes, lutas gigantes com contentores a fazerem de luvas de boxe, petroleiros a servir de arma de arremesso, arranha-céus a serem despedaçados como se fossem feitos de papel... Pacific Rim é o filme de sonho para qualquer miúdo de 12 anos.
É um bom filmito de acção/ficção científica em tamanho XXL, com uma história original muito bem escrita, com algum "miolo" e ainda por cima, está muito bem feito.
Pacific Rim tem acção, tem drama, tem comédia, e não é imbecil como é norma nos filmes de entretenimento total. Está muito bem feito. Para o tipo de filme que é, está muito bom. O design da produção está excelente e até a música original é boa.
Bons actores ajudam sempre (Charlie Hunnam, Idris Elba, Rinko Kikuchi, Ron Perlman) e uma grande direcção de Guillermo del Toro (como já é normal) ajuda ainda mais. Uma agradável surpresa. É mais que óbvio que terá pelo menos mais uma sequela... ●●●○○
É um bom filmito de acção/ficção científica em tamanho XXL, com uma história original muito bem escrita, com algum "miolo" e ainda por cima, está muito bem feito.
Pacific Rim tem acção, tem drama, tem comédia, e não é imbecil como é norma nos filmes de entretenimento total. Está muito bem feito. Para o tipo de filme que é, está muito bom. O design da produção está excelente e até a música original é boa.
Bons actores ajudam sempre (Charlie Hunnam, Idris Elba, Rinko Kikuchi, Ron Perlman) e uma grande direcção de Guillermo del Toro (como já é normal) ajuda ainda mais. Uma agradável surpresa. É mais que óbvio que terá pelo menos mais uma sequela... ●●●○○
Black Hawk Down é bom filme de guerra e retrata um episódio marcante do exército americano, no início dos anos 90. Numa incursão na Somália para capturar um senhor da guerra local, uma série de Rangers acaba por ficar presa numa zona extremamente hostil e sofre pesadas baixas às mãos de milícias armadas. É baseado numa história verídica. Lembro-me bastante bem do incidente original, bastante gráfico e macabro (com pilotos a serem mortos, corpos mutilados e arrastados pelas ruas de Mogadíscio) e que foi amplamente divulgado nos noticiários de todo o mundo.
O filme acaba por passar bastante bem a tensão daqueles momentos e gosto especialmente da forma como Ridley Scott conta a história sem tomar partidos, nem fazer exercícios de moralidade. Normalmente, no cinema americano, há uma tendência para embelezar o soldado americano e transformar o inimigo num demónio. Não é o que acontece aqui. A história incide sobretudo no sofrimento dos soldados, na desorientação, na violência do conflito e no caos da guerra, mais do que tentar justificar acções "boas" ou diabolizar acções "más". Nesse aspecto, está muito bem escrito. É sempre de louvar.
Black Hawk Down tem muitos e bons actores (Josh Hartnett, Ewan McGregor, Tom Sizemore, Eric Bana, Ewen Bremner, entre outros) e muita intensidade e realismo por parte de Ridley Scott, que, provavelmente, tem aqui um dos seus melhores filmes, apesar de não ter tido nem muito boa receção, nem o respectivo sucesso de bilheteira. ●●●○○
O filme acaba por passar bastante bem a tensão daqueles momentos e gosto especialmente da forma como Ridley Scott conta a história sem tomar partidos, nem fazer exercícios de moralidade. Normalmente, no cinema americano, há uma tendência para embelezar o soldado americano e transformar o inimigo num demónio. Não é o que acontece aqui. A história incide sobretudo no sofrimento dos soldados, na desorientação, na violência do conflito e no caos da guerra, mais do que tentar justificar acções "boas" ou diabolizar acções "más". Nesse aspecto, está muito bem escrito. É sempre de louvar.
Black Hawk Down tem muitos e bons actores (Josh Hartnett, Ewan McGregor, Tom Sizemore, Eric Bana, Ewen Bremner, entre outros) e muita intensidade e realismo por parte de Ridley Scott, que, provavelmente, tem aqui um dos seus melhores filmes, apesar de não ter tido nem muito boa receção, nem o respectivo sucesso de bilheteira. ●●●○○
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Há filmes que me marcaram e dos quais nunca mais esqueci, nem que seja apenas porque uma cena foi tão surpreendente que ficou cá para sempre. An American Werewolf in London, filme mítico dos anos 80 (devido aos efeitos especiais; ganhou o primeiro Óscar para esta categoria!), é um desses casos. Revi-o há pouco tempo, porque não me lembrava bem do filme. Só me lembrava daquela transformação de homem em lobisomem. Foi espectacular e algo nunca antes visto.
Para além dessa cena brutal, An American Werewolf in London é um filme muito particular, diria mesmo, estranhíssimo para os padrões actuais. Nem sei se teria algum sucesso hoje em dia, ou sequer se passaria num cinema comercial. É de uma espécie diferente: é um filme de terror com algum gore à mistura, e uma comédia com algum power sexual. Basta ver que a derradeira cena do filme se passa num cinema porno recheado de mortos-vivos que parecem saídos do videoclip de Thriller. (Que por acaso até foi realizado pelo mesmo John Landis. Li que depois de ver o filme, Michael Jackson ficou tão impressionado que decidiu contratar Landis para o dirigir o também mítico clip.)
A história é do mais simples e directo que existe. Dois amigos (David Naughton e Griffin Dunne) viajam de mochila às costas pelas zonas rurais inglesas quando são atacados por um lobisomem. Um deles morre e transforma-se num zombie (que só pode ser visto por lobisomens [??!]) e o outro, após conhecer uma enfermeira sexy (para os padrões da altura...) (Jenny Agutter) e um longo processo de transformação, torna-se num lobisomem sedento de presas e sangue...
An American Werewolf in London é um filme vintage. É uma raridade. É mais um dos grandes representantes dos filmes do anos 80, com a vincada característica dos filmes (e não só) dessa altura, em que tudo parecia possível, tudo parecia permitido. Simplesmente não havia limites. O pessoal queria ver algo novo e diferente. E com An American Werewolf in London foi exactamente isso que tiveram. Apesar de toda a estranheza e sanguinolência é imperdível. ●●○○○
Para além dessa cena brutal, An American Werewolf in London é um filme muito particular, diria mesmo, estranhíssimo para os padrões actuais. Nem sei se teria algum sucesso hoje em dia, ou sequer se passaria num cinema comercial. É de uma espécie diferente: é um filme de terror com algum gore à mistura, e uma comédia com algum power sexual. Basta ver que a derradeira cena do filme se passa num cinema porno recheado de mortos-vivos que parecem saídos do videoclip de Thriller. (Que por acaso até foi realizado pelo mesmo John Landis. Li que depois de ver o filme, Michael Jackson ficou tão impressionado que decidiu contratar Landis para o dirigir o também mítico clip.)
A história é do mais simples e directo que existe. Dois amigos (David Naughton e Griffin Dunne) viajam de mochila às costas pelas zonas rurais inglesas quando são atacados por um lobisomem. Um deles morre e transforma-se num zombie (que só pode ser visto por lobisomens [??!]) e o outro, após conhecer uma enfermeira sexy (para os padrões da altura...) (Jenny Agutter) e um longo processo de transformação, torna-se num lobisomem sedento de presas e sangue...
An American Werewolf in London é um filme vintage. É uma raridade. É mais um dos grandes representantes dos filmes do anos 80, com a vincada característica dos filmes (e não só) dessa altura, em que tudo parecia possível, tudo parecia permitido. Simplesmente não havia limites. O pessoal queria ver algo novo e diferente. E com An American Werewolf in London foi exactamente isso que tiveram. Apesar de toda a estranheza e sanguinolência é imperdível. ●●○○○
Dark Angel é mais pérola dos anos 80. Vê-se logo pelo cartaz. É impagável! Apesar de ter estreado em 1990, continua com a mesma lógica de filme de acção e porrada, meio nonsense e cheio de maus actores. Os duplos tinham trabalho com fartura e o CD era uma inovação tecnológica avançadíssima e estava na berra.
Dolph Lundgren, um dos grandes bons/maus actores de acção faz o papel de um detetive durão (em parceria forçada [como também era normal] com Brian Benben) que tem de enfrentar um extraterrestre (!?) que vem à Terra com a intenção de obter uma droga tão rara que só se encontra nos seres humanos. O que começa por ser uma investigação sobre homicídios rapidamente se transforma numa caça ao extraterrestre, repleta de explosões, perseguições automóveis, muita porrada e "bocas" com piadas secas... É... É um filme de acção dos anos 80/90... Tudo era permitido, tudo podia acontecer... e acontecia mesmo. Por isso é que estes filmes eram sempre fixes, mesmo sendo maus.
Dark Angel é o título original que sempre conheci, que mais tarde foi "renomeado" para "I Come in peace" para não entrar em conflito com mais uns filmes que também têm o mesmo nome. Diga-se de passagem que "I Come in peace" é provavelmente o título mais horrível que já vi darem a um filme.
Apesar de todas as atrocidades cinematográficas normais nestes filmes dos 80's e 90's, a história de base até nem é má, como é costume. A falta de recursos financeiros normalmente obrigava a que se esmerassem um bocado mais na história. É pena que se esquecessem de tudo o resto... Podia-se facilmente limar umas arestas num remake e ficar com um bom filmito. Só o trailer diz tudo... ●○○○○
Dolph Lundgren, um dos grandes bons/maus actores de acção faz o papel de um detetive durão (em parceria forçada [como também era normal] com Brian Benben) que tem de enfrentar um extraterrestre (!?) que vem à Terra com a intenção de obter uma droga tão rara que só se encontra nos seres humanos. O que começa por ser uma investigação sobre homicídios rapidamente se transforma numa caça ao extraterrestre, repleta de explosões, perseguições automóveis, muita porrada e "bocas" com piadas secas... É... É um filme de acção dos anos 80/90... Tudo era permitido, tudo podia acontecer... e acontecia mesmo. Por isso é que estes filmes eram sempre fixes, mesmo sendo maus.
Dark Angel é o título original que sempre conheci, que mais tarde foi "renomeado" para "I Come in peace" para não entrar em conflito com mais uns filmes que também têm o mesmo nome. Diga-se de passagem que "I Come in peace" é provavelmente o título mais horrível que já vi darem a um filme.
Apesar de todas as atrocidades cinematográficas normais nestes filmes dos 80's e 90's, a história de base até nem é má, como é costume. A falta de recursos financeiros normalmente obrigava a que se esmerassem um bocado mais na história. É pena que se esquecessem de tudo o resto... Podia-se facilmente limar umas arestas num remake e ficar com um bom filmito. Só o trailer diz tudo... ●○○○○
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"Estás prestes a entrar num mundo onde o inesperado, o desconhecido e o inacreditável se encontram. Um mundo onde os reinos são construídos em terras movediças, e os céus estão cheios de fogo. Um mundo que contém o maior tesouro da criação ... e os maiores terrores. Um mundo onde o poder, a loucura e o fantástico enfrentam-se numa batalha final. Uma viagem espetacular através das maravilhas do espaço e dos mistérios do tempo, desde os limites do incrível até as fronteiras do impossível. Um mundo onde minhocas da areia com mil metros de comprimento guardam o maior tesouro da criação - a especiaria que prolonga a vida - que permite que a mente dobre o espaço e atrase o tempo. Onde uma profecia será cumprida. É o campo de batalha onde um jovem líder emergirá para comandar um exército de cinco milhões de guerreiros contra a força tirânica que ameaça escravizar o universo. O planeta chama-se Dune. O evento cinematográfico de 1984."
Acho que esta descrição do Dune - na realidade é uma adaptação livre das taglines do filme - assenta-lhe que nem uma luva. Se tivesse que resumir Dune a única palavra, a primeira coisa que vem à cabeça é... estranho. É estranho, de facto, mas bom... É tão único e estranho que ao longo do tempo percebi que este é um filme que as pessoas ou adoram ou detestam. Por várias razões, incluo-me no primeiro grupo, se bem que tenha algumas reservas.
É um filme de David Lynch, por muito que ele diga que não gosta da sua obra, que este foi o maior falhanço da sua carreira e inclusivé que se recuse a falar dele. Nota-se a quilómetros. É negro, distorcido e cheio daquelas "coisas" estranhas à maneira de Lynch. E isto, misturado com a própria estranheza da história dá um resultado final absolutamente marado. Daí que muita gente não o consiga suportar. Ainda "é" demasiado à frente no tempo, quanto mais no longínquo ano de 1984.
Há duas versões do filme e por acaso já consegui ver as duas. Uma versão mais curta, assinada por Lynch e outra, com mais minutos e uma introdução diferente que conta a história anterior ao próprio filme para contextualizar, assinada por Alan Smithee. Para quem não sabe, Alan Smithee (li que é um anagrama do título "The Alias Men") é um pseudónimo normalmente usado pelos realizadores que não querem o seu nome associado ao filme que realizaram. Isto pode parecer estranho, mas acontece. Neste caso, David Lynch não quis ter o nome associado à versão "maior" de Dune, porque não concordava com a edição final. Aliás, pelo que dá para perceber, ele nem sequer quer ter o nome em nenhuma das versões. Ele lá deve saber o porquê, mas conhecendo as ingerências normais dos estúdios no trabalho dos realizadores, dá para perceber que a "visão" Lynch deve ter sido um bocado "condicionada". Imagino só o que seria o Dune com Lynch à frente e total liberdade criativa. É provável que tivesse saído uma obra prima ou então algo completamente impossível de ver... e perceber. Se calhar foi melhor assim...
Seja qual a for a versão (e eu gosto mais da "versão do realizador"), Dune é mesmo um evento cinematográfico. Não que tenha grandes inovações tecnológicas ou revolucionários efeitos especiais, mas simplesmente por causa da história. É tão diferente de tudo o que já vi, que é por si só um marco. Eu sei que a história original vem dos livros de Frank Herbert, mas a forma como Lynch a visualiza é absolutamente única. É o David Lynch, lá está. Poderia dizer que é o Twin Peaks no espaço, ou o Game of Thrones sob a influência de psicotrópicos, mas é muito mais que isso.
A história tem lugar no inimaginável ano de 10191, numa realidade tão distante do que conhecemos, que roça a magia. Na versão "longa", a história é contextualizada através de ilustrações, para mostrar um pouco como se chegou até ali. Ao longo do tempo, o homem e a tecnologia evolui para um ponto tal, que máquinas pensantes começaram a reinar sobre o universo e mais importante ainda, sobre o próprio Homem, o que levou a uma revolta contra as máquinas e estabeleceu toda a estranha ordem de castas e as suas escolas que agora se degladiam pelo controlo e pelo poder do Universo e da Especiaria. A Especiaria é um elemento que só existe no planeta Arrakis e é crucial para as viagens do tempo e para prolongar a vida. O resto é tão estranho e fantástico que só mesmo vendo.
O casting é enorme e conta com Sean Young, Brad Dourif, José Ferrer, Linda Hunt, Jürgen Prochnow, Virginia Madsen, Jack Nance, Max von Sydow, Dean Stockwell, Patrick Stewart e até Sting, entre muitos outros, e em estreia, um jovem e desconhecido actor de nome Kyle MacLachlan, que apareceria muitas vezes nos trabalhos seguintes de Lynch.
Dune não é para todos os estômagos, nem para todos os cérebros. É mesmo um mundo para além da imaginação, num lugar além dos sonhos, onde a loucura, o fantástico, o inesperado, o desconhecido e o inacreditável se encontram. Uma viagem espetacular através das maravilhas do espaço e dos mistérios do tempo, desde os limites do incrível até as fronteiras do impossível. É realmente alternativo e um dos trabalhos que mais gosto de Lynch. Uma trip unica que convém ver. ●●●●○
Acho que esta descrição do Dune - na realidade é uma adaptação livre das taglines do filme - assenta-lhe que nem uma luva. Se tivesse que resumir Dune a única palavra, a primeira coisa que vem à cabeça é... estranho. É estranho, de facto, mas bom... É tão único e estranho que ao longo do tempo percebi que este é um filme que as pessoas ou adoram ou detestam. Por várias razões, incluo-me no primeiro grupo, se bem que tenha algumas reservas.
É um filme de David Lynch, por muito que ele diga que não gosta da sua obra, que este foi o maior falhanço da sua carreira e inclusivé que se recuse a falar dele. Nota-se a quilómetros. É negro, distorcido e cheio daquelas "coisas" estranhas à maneira de Lynch. E isto, misturado com a própria estranheza da história dá um resultado final absolutamente marado. Daí que muita gente não o consiga suportar. Ainda "é" demasiado à frente no tempo, quanto mais no longínquo ano de 1984.
Há duas versões do filme e por acaso já consegui ver as duas. Uma versão mais curta, assinada por Lynch e outra, com mais minutos e uma introdução diferente que conta a história anterior ao próprio filme para contextualizar, assinada por Alan Smithee. Para quem não sabe, Alan Smithee (li que é um anagrama do título "The Alias Men") é um pseudónimo normalmente usado pelos realizadores que não querem o seu nome associado ao filme que realizaram. Isto pode parecer estranho, mas acontece. Neste caso, David Lynch não quis ter o nome associado à versão "maior" de Dune, porque não concordava com a edição final. Aliás, pelo que dá para perceber, ele nem sequer quer ter o nome em nenhuma das versões. Ele lá deve saber o porquê, mas conhecendo as ingerências normais dos estúdios no trabalho dos realizadores, dá para perceber que a "visão" Lynch deve ter sido um bocado "condicionada". Imagino só o que seria o Dune com Lynch à frente e total liberdade criativa. É provável que tivesse saído uma obra prima ou então algo completamente impossível de ver... e perceber. Se calhar foi melhor assim...
Seja qual a for a versão (e eu gosto mais da "versão do realizador"), Dune é mesmo um evento cinematográfico. Não que tenha grandes inovações tecnológicas ou revolucionários efeitos especiais, mas simplesmente por causa da história. É tão diferente de tudo o que já vi, que é por si só um marco. Eu sei que a história original vem dos livros de Frank Herbert, mas a forma como Lynch a visualiza é absolutamente única. É o David Lynch, lá está. Poderia dizer que é o Twin Peaks no espaço, ou o Game of Thrones sob a influência de psicotrópicos, mas é muito mais que isso.
A história tem lugar no inimaginável ano de 10191, numa realidade tão distante do que conhecemos, que roça a magia. Na versão "longa", a história é contextualizada através de ilustrações, para mostrar um pouco como se chegou até ali. Ao longo do tempo, o homem e a tecnologia evolui para um ponto tal, que máquinas pensantes começaram a reinar sobre o universo e mais importante ainda, sobre o próprio Homem, o que levou a uma revolta contra as máquinas e estabeleceu toda a estranha ordem de castas e as suas escolas que agora se degladiam pelo controlo e pelo poder do Universo e da Especiaria. A Especiaria é um elemento que só existe no planeta Arrakis e é crucial para as viagens do tempo e para prolongar a vida. O resto é tão estranho e fantástico que só mesmo vendo.
O casting é enorme e conta com Sean Young, Brad Dourif, José Ferrer, Linda Hunt, Jürgen Prochnow, Virginia Madsen, Jack Nance, Max von Sydow, Dean Stockwell, Patrick Stewart e até Sting, entre muitos outros, e em estreia, um jovem e desconhecido actor de nome Kyle MacLachlan, que apareceria muitas vezes nos trabalhos seguintes de Lynch.
Dune não é para todos os estômagos, nem para todos os cérebros. É mesmo um mundo para além da imaginação, num lugar além dos sonhos, onde a loucura, o fantástico, o inesperado, o desconhecido e o inacreditável se encontram. Uma viagem espetacular através das maravilhas do espaço e dos mistérios do tempo, desde os limites do incrível até as fronteiras do impossível. É realmente alternativo e um dos trabalhos que mais gosto de Lynch. Uma trip unica que convém ver. ●●●●○
A minha relação com Saw é um pouco estranha e esotérica. Digamos que um dia chego a casa e encontro uma caixa de dvd sem capa. Dentro da caixa suspeita, um disco com um filme de título Saw - Enigma Mortal, que tem uma imagem do que parece ser um pé ensanguentado. Isto pode parecer tudo tanga, mas é verídico. Ainda hoje não sei quem me deixou o filme em casa. É um mistério que provavelmente nunca irei resolver. Ainda por cima, porque não tinha qualquer informação, nem nenhuma expectativa, o filme foi um estrondo.
Saw é um marco dentro do género de terror. Começou a revelar-me um tipo de filmes que nunca tinha visto antes: pequenas produções, muito bem feitas, com muito pouco dinheiro (um milhão e pico de dólares e filmado em menos de um mês), com poucas (ou nenhumas) "estrelas de cinema", que essencialmente, se faziam valer duma história muito bem criada e muito bem escrita, que prendia uma pessoa à cadeira com surpresas constantes durante o filme todo, até ao twist final.
O responsável por este mega-sucesso é James Wan, que consegue a proeza de fazer praticamente um filme inteiro dentro numa casa de banho degradante. E fá-lo de uma forma excitante, pois há imensa acção, resultante dos flashbacks e dos constantes elementos que vão sendo acrescentados à trama.
É interessante perceber que, tal como Jigsaw, o serial killer da história, James Wan mostra uma grande dose de voyeurismo... assim como todos os que vêm o filme. Ficamos todos ao mesmo nível, sentadinhos e confortáveis, a ver pelo ecrã, o sangrento desenrolar dos acontecimentos, acompanhando a história macabra daqueles dois desconhecidos que acordam presos numa casa de banho sem saberem o motivo do seu encarceramento.
E não há dúvidas, Saw é sangrento. Vai direitinho para a categoria de gore. Há um cadáver com a cabeça desfeita mesmo no meio daquela casa de banho, há pés e membros cortados e sanguinolências de toda a espécie durante os flashbacks que contam o resto da história que se passa paralelamente àquela cena na casa de banho.
O casting é estranho mas funciona: um desconhecido (Leigh Whannell), um actor que normalmente faz comédia (Cary Elwes) e uma "antiga estrela" dos grandes filmes de acção dos 80's (Danny Glover). Além de outros secundários, ainda há Michael Emerson que é um gajo que gosto, que está sempre muito bem e acho que até merecia maiores voos.
Há muitas coisas fixes neste Saw... Há aquele boneco assustador no triciclo, que dá a cara pelo verdadeiro serial killer, e que já se tornou icónico, ficando para a posteridade. Há a novidade de ter um serial killer, que na realidade não mata ninguém, mas faz jogos mortais com as vítimas. Mas principalmente, há uma história muito boa, muito bem contada, muito bem realizada e fotografada. E apesar de em termos de argumento, haver pequenas falhas óbvias durante o filme, tudo fica desculpado por aquele final totalmente inesperado e bombástico, que, há que dizê-lo, é inesquecível.
Como seria de esperar, Saw foi um sucesso gigantesco, gerou uma quantidade enorme de fãs e fez aparecer uma série interminável de sequelas que tentei (e felizmente consegui) evitar a todo o custo para não baixar a minha (boa) percepção que tinha do filme original. ●●●○○
Saw é um marco dentro do género de terror. Começou a revelar-me um tipo de filmes que nunca tinha visto antes: pequenas produções, muito bem feitas, com muito pouco dinheiro (um milhão e pico de dólares e filmado em menos de um mês), com poucas (ou nenhumas) "estrelas de cinema", que essencialmente, se faziam valer duma história muito bem criada e muito bem escrita, que prendia uma pessoa à cadeira com surpresas constantes durante o filme todo, até ao twist final.
O responsável por este mega-sucesso é James Wan, que consegue a proeza de fazer praticamente um filme inteiro dentro numa casa de banho degradante. E fá-lo de uma forma excitante, pois há imensa acção, resultante dos flashbacks e dos constantes elementos que vão sendo acrescentados à trama.
É interessante perceber que, tal como Jigsaw, o serial killer da história, James Wan mostra uma grande dose de voyeurismo... assim como todos os que vêm o filme. Ficamos todos ao mesmo nível, sentadinhos e confortáveis, a ver pelo ecrã, o sangrento desenrolar dos acontecimentos, acompanhando a história macabra daqueles dois desconhecidos que acordam presos numa casa de banho sem saberem o motivo do seu encarceramento.
E não há dúvidas, Saw é sangrento. Vai direitinho para a categoria de gore. Há um cadáver com a cabeça desfeita mesmo no meio daquela casa de banho, há pés e membros cortados e sanguinolências de toda a espécie durante os flashbacks que contam o resto da história que se passa paralelamente àquela cena na casa de banho.
O casting é estranho mas funciona: um desconhecido (Leigh Whannell), um actor que normalmente faz comédia (Cary Elwes) e uma "antiga estrela" dos grandes filmes de acção dos 80's (Danny Glover). Além de outros secundários, ainda há Michael Emerson que é um gajo que gosto, que está sempre muito bem e acho que até merecia maiores voos.
Há muitas coisas fixes neste Saw... Há aquele boneco assustador no triciclo, que dá a cara pelo verdadeiro serial killer, e que já se tornou icónico, ficando para a posteridade. Há a novidade de ter um serial killer, que na realidade não mata ninguém, mas faz jogos mortais com as vítimas. Mas principalmente, há uma história muito boa, muito bem contada, muito bem realizada e fotografada. E apesar de em termos de argumento, haver pequenas falhas óbvias durante o filme, tudo fica desculpado por aquele final totalmente inesperado e bombástico, que, há que dizê-lo, é inesquecível.
Como seria de esperar, Saw foi um sucesso gigantesco, gerou uma quantidade enorme de fãs e fez aparecer uma série interminável de sequelas que tentei (e felizmente consegui) evitar a todo o custo para não baixar a minha (boa) percepção que tinha do filme original. ●●●○○
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John Hancock bebe demasiado, tem um ar tão desmazelado que mais parece um sem abrigo e tem uma linguagem e uma atitude no nível mais rasteiro possível. Mas para além destas características nada abonatórias, Hancock também é um super-herói muito poderoso. É um dos gajos mais detestados de Los Angeles. Tudo muda quando salva a vida de um relações públicas idealista (Jason Bateman) que se oferece para lhe mudar a imagem (e principalmente, a atitude) para um "novo" super-herói que seja respeitado pela cidade. Hancock (Will Smith) conhece a mulher dele (Charlize Theron), que misterioramente não o quer perto dela, nem da sua família.
Hancock até tenta ajudar e salvar vidas, mas com poderes e força ilimitada, constantemente destrói partes da cidade de forma irresponsável, causando milhões de dólares de prejuízo.
Pensando bem, até faz sentido. Uma pessoa vê os filmes de super-heróis e de facto, quando eles entram em acção, estejam a lutar contra os super-vilões ou ameaças extraterrestres, conseguem sempre salvar a criancinha do prédio a arder, mas pelo meio explodem com carros, prédios ou arrasam cidades inteiras, provavelmente matando centenas de pessoas e causando prejuízos incalculáveis... Mas ei! Isso são blockbusters de verão! Não são obras filosóficas, de análise sociológica ou de impacto económico. É para ver acção e de preferência, imensas coisas a explodir. É só para ver, não é para pensar! Mas de facto, normalmente, causam mais danos do que outra coisa.
Por isso, gostei de ver este Hancock (realizado por Peter Berg). Não chateia. É mais uma daquelas chicletes de acção e efeitos especiais, mas tem algum miolo e até tem alguma piada. Pelo menos é uma forma diferente de ver super-heróis em acção. ●●○○○
Hancock até tenta ajudar e salvar vidas, mas com poderes e força ilimitada, constantemente destrói partes da cidade de forma irresponsável, causando milhões de dólares de prejuízo.
Pensando bem, até faz sentido. Uma pessoa vê os filmes de super-heróis e de facto, quando eles entram em acção, estejam a lutar contra os super-vilões ou ameaças extraterrestres, conseguem sempre salvar a criancinha do prédio a arder, mas pelo meio explodem com carros, prédios ou arrasam cidades inteiras, provavelmente matando centenas de pessoas e causando prejuízos incalculáveis... Mas ei! Isso são blockbusters de verão! Não são obras filosóficas, de análise sociológica ou de impacto económico. É para ver acção e de preferência, imensas coisas a explodir. É só para ver, não é para pensar! Mas de facto, normalmente, causam mais danos do que outra coisa.
Por isso, gostei de ver este Hancock (realizado por Peter Berg). Não chateia. É mais uma daquelas chicletes de acção e efeitos especiais, mas tem algum miolo e até tem alguma piada. Pelo menos é uma forma diferente de ver super-heróis em acção. ●●○○○
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Man cheng jin dai huang jin jia, traduzido como "A Maldição da Flor Dourada" é um filme chinês de Yimou Zhang, e que conta a história de uma família imperial chinesa durante o século X. Mas esta não é uma família normal... É totalmente disfuncional, envolvida em complicadas intrigas palacianas e que está repleta de assassinatos, traições e até incesto. Difícil de encaixar para um "gajo normal", mas uma coisa mais ou menos "normal" nas questões do poder da realeza...
Se por um lado, a história pode ser de difícil digestão para um ocidental, "A Maldição da Flor Dourada", por outro lado, é verdadeira comida para os olhos. É um festim visual. Não pelos efeitos especiais, mas pelo pormenor, pelas roupas e pelos cenários fantásticos. Nesse aspecto, é muito bom.
Se bem que tenha sempre grande dificuldade em distinguir os actores chineses (por causa dos nomes impossíveis de decorar e das parecenças físicas), eles têm uma intensidade dramática muito própria e diferente. São muito bons, especialmente neste tipo de registo (história dramática da realeza), em que o desempenho chega quase a ser caricatural, de tão intenso que é. Mas neste caso, até fica muito bem. Destaque para o já lendário Chow Yun Fat e para a lindíssima Gong Li, mas o restante elenco está ao mesmo nível. Não me lembro de ver um mau actor chinês.
A realização é límpida e nota-se que tudo é pensado ao pormenor. Yimou Zhang junta o melhor do cinema ocidental com o visual oriental. É uma mistura perfeita, sempre com uma fotografia absolutamente impressionante. Yimou Zhang cria verdadeiras obras de arte visuais em movimento e consegue transmitir aquela sensação de épico, como raramente se vê.
À parte das coreografias impossíveis de lutas corpo-a-corpo, até nem tem muita acção física, se bem que no final até "explode" com as grandes batalhas, que diga-se, são "mesmo" grandes. É uma escala totalmente diferente do que uma pessoa está habituado a ver nos filmes de Hollywood.
"A Maldição da Flor Dourada" prende um gajo à cadeira e está bem feito, bem realizado e bem interpretado como acontece sempre com os actores chineses, mas é quase como estar a olhar para uma peça de ouro em filigrana: quando se olha demasiado tempo, uma pessoa perde-se no pormenores e acaba por não conseguir ver a peça toda. Foi um bocado o que me aconteceu. Vale a pena ver, nem que seja para ter uma perspectiva diferente dos épicos americanos. ●●●○○
Se por um lado, a história pode ser de difícil digestão para um ocidental, "A Maldição da Flor Dourada", por outro lado, é verdadeira comida para os olhos. É um festim visual. Não pelos efeitos especiais, mas pelo pormenor, pelas roupas e pelos cenários fantásticos. Nesse aspecto, é muito bom.
Se bem que tenha sempre grande dificuldade em distinguir os actores chineses (por causa dos nomes impossíveis de decorar e das parecenças físicas), eles têm uma intensidade dramática muito própria e diferente. São muito bons, especialmente neste tipo de registo (história dramática da realeza), em que o desempenho chega quase a ser caricatural, de tão intenso que é. Mas neste caso, até fica muito bem. Destaque para o já lendário Chow Yun Fat e para a lindíssima Gong Li, mas o restante elenco está ao mesmo nível. Não me lembro de ver um mau actor chinês.
A realização é límpida e nota-se que tudo é pensado ao pormenor. Yimou Zhang junta o melhor do cinema ocidental com o visual oriental. É uma mistura perfeita, sempre com uma fotografia absolutamente impressionante. Yimou Zhang cria verdadeiras obras de arte visuais em movimento e consegue transmitir aquela sensação de épico, como raramente se vê.
À parte das coreografias impossíveis de lutas corpo-a-corpo, até nem tem muita acção física, se bem que no final até "explode" com as grandes batalhas, que diga-se, são "mesmo" grandes. É uma escala totalmente diferente do que uma pessoa está habituado a ver nos filmes de Hollywood.
"A Maldição da Flor Dourada" prende um gajo à cadeira e está bem feito, bem realizado e bem interpretado como acontece sempre com os actores chineses, mas é quase como estar a olhar para uma peça de ouro em filigrana: quando se olha demasiado tempo, uma pessoa perde-se no pormenores e acaba por não conseguir ver a peça toda. Foi um bocado o que me aconteceu. Vale a pena ver, nem que seja para ter uma perspectiva diferente dos épicos americanos. ●●●○○
Há muitos anos que ouvia falar deste Battlefield Earth como sendo um dos piores filmes alguma vez feito. Parecia-me um exagero pois já vi coisas do "arco da velha" e que chegam a roçar o amadorismo, mas Battlefield Earth é uma outra espécie completamente diferente. E depois de ler o que li sobre o filme, percebi que estava num campo do cinema (se é que pode chamar-se cinema) totalmente diferente. Isto não é um filme. Isto é propaganda da Cientologia. Para quem não conhece, a Cientologia é um culto new wave, com base em extraterrestres, do tipo "Heaven's Gate", mas que tem muito mais dinheiro e muito mais difusão porque nos últimos anos tem conseguido atrair para as suas fileiras algumas grandes estrelas de Hollywood (Tom Cruise e Travolta, são os rostos mais conhecidos, mas há muitos mais), o que lhe dá bastante visibilidade mediática.
Battlefield Earth é a adaptação de um livro de L. Ron Hubbard, fundador da Cientologia (e escritor de ficção científica), e que conta como no ano 3000, a Humanidade está resumida a uma espécie primitiva, porque foi escravizada pelos extraterrestres Psychlos. Um jovem humano, que não acredita no poder mágico dos gananciosos colonizadores, decide ir ao encontro da verdade e acaba por se envolver numa luta pela libertação final dos humanos.
Dito assim, nem parece muito mau, mas é o desenrolar da história cheia de buracos, cenas patéticas e sem nexo (ao fim de mil anos (!!!) encontram-se uns aviões a jacto e umas bombas nucleares e é assim que os humanos ganham aos Psychlos), assim como as personagens que parecem saídas de uma série juvenil, passando pelo design de produção (que copia sem piedade e constantemente outros filmes) e os efeitos especiais que parecem saídos dum filme da década de 80, que fazem deste, sem dúvida, o pior filme de sempre.
Basta só ver o exemplo dos vilões, os Psychlos. Para além de terem um nome horrivelmente feio, são estúpidos como portas (mas derrotaram a Humanidade em 9 minutos (!?) e escravizaram-na por mil anos) e parecem uma mistura de fãs dos Kiss, Klingons e Lobisomens com rastas. E têm dentes podres! Ah! E para respirarem na atmofera terrestre têm umas daquelas bandas plásticas no nariz, como as que os futebolistas dos anos 90 usavam para respirar melhor, mas como é futurista, tem um penduricalho que parece ranho preto. Mas também parecem headphones espetados no nariz. É simplesmente... não consigo perceber...
Para piorar ainda mais, os diálogos são maus. Nem são maus, são péssimos. Os extraterrestres (?!) falam como se estivessem a discutir futebol num tasco. E mandam "bocas" e tudo! É ridículo. É demasiado ridículo. E isso é que acho estranho. Há por aqui actores que nem são maus (se bem que também há alguns que parecem amadores), por isso ainda se torna mais incompreensível andarem nestas idiotices. Forest Whitaker e Barry Pepper ainda percebo que possam ter sido enganados, mas para o John Travolta não há desculpas. É sabido que ele é grande fã da Cientologia e que faz divulgação do culto, mas isto é algo mais. Fez muitos filmes que gosto e até era um gajo que admirava, mas depois desta, acabou-se. Não tem mais créditos. Parece que perdeu totalmente o juízo. Resumindo, é assim: há filmes que são tão maus que se tornam bons. São exemplos os filmes do Ed Wood ou Roger Corman, que têm uma óbvia paixão intrínseca pelo cinema, ou até coisas mais "amadoras" como por exemplo, o Evil Dead de Sam Raimi, que têm pormenores que se notam que com mais dinheiro, mais meios, mais produção até podiam ter algum potencial. Mas Battlefield Earth é na realidade tão mau que se torna ainda pior. E isto não é algo amador, filmado com desconhecidos ou fracamente produzido: isto é uma produção de um grande estúdio de Hollywood, de 80 milhões de dólares, com actores de renome, realizado por um gajo que trabalhou directamente com o George Lucas (até recebeu um óscar) no Star wars! Isto é algo incompreensível. Passou-se alguma coisa muito má pela cabeça desta gente. Até poderia sugerir que o vissem para ver o quão mau é, mas neste caso, o melhor a fazer é mesmo evitar. A todo o custo. É má ficção científica. É um mau filme. É um zero redondo e absoluto. ○○○○○
Battlefield Earth é a adaptação de um livro de L. Ron Hubbard, fundador da Cientologia (e escritor de ficção científica), e que conta como no ano 3000, a Humanidade está resumida a uma espécie primitiva, porque foi escravizada pelos extraterrestres Psychlos. Um jovem humano, que não acredita no poder mágico dos gananciosos colonizadores, decide ir ao encontro da verdade e acaba por se envolver numa luta pela libertação final dos humanos.
Dito assim, nem parece muito mau, mas é o desenrolar da história cheia de buracos, cenas patéticas e sem nexo (ao fim de mil anos (!!!) encontram-se uns aviões a jacto e umas bombas nucleares e é assim que os humanos ganham aos Psychlos), assim como as personagens que parecem saídas de uma série juvenil, passando pelo design de produção (que copia sem piedade e constantemente outros filmes) e os efeitos especiais que parecem saídos dum filme da década de 80, que fazem deste, sem dúvida, o pior filme de sempre.
Basta só ver o exemplo dos vilões, os Psychlos. Para além de terem um nome horrivelmente feio, são estúpidos como portas (mas derrotaram a Humanidade em 9 minutos (!?) e escravizaram-na por mil anos) e parecem uma mistura de fãs dos Kiss, Klingons e Lobisomens com rastas. E têm dentes podres! Ah! E para respirarem na atmofera terrestre têm umas daquelas bandas plásticas no nariz, como as que os futebolistas dos anos 90 usavam para respirar melhor, mas como é futurista, tem um penduricalho que parece ranho preto. Mas também parecem headphones espetados no nariz. É simplesmente... não consigo perceber...
Para piorar ainda mais, os diálogos são maus. Nem são maus, são péssimos. Os extraterrestres (?!) falam como se estivessem a discutir futebol num tasco. E mandam "bocas" e tudo! É ridículo. É demasiado ridículo. E isso é que acho estranho. Há por aqui actores que nem são maus (se bem que também há alguns que parecem amadores), por isso ainda se torna mais incompreensível andarem nestas idiotices. Forest Whitaker e Barry Pepper ainda percebo que possam ter sido enganados, mas para o John Travolta não há desculpas. É sabido que ele é grande fã da Cientologia e que faz divulgação do culto, mas isto é algo mais. Fez muitos filmes que gosto e até era um gajo que admirava, mas depois desta, acabou-se. Não tem mais créditos. Parece que perdeu totalmente o juízo. Resumindo, é assim: há filmes que são tão maus que se tornam bons. São exemplos os filmes do Ed Wood ou Roger Corman, que têm uma óbvia paixão intrínseca pelo cinema, ou até coisas mais "amadoras" como por exemplo, o Evil Dead de Sam Raimi, que têm pormenores que se notam que com mais dinheiro, mais meios, mais produção até podiam ter algum potencial. Mas Battlefield Earth é na realidade tão mau que se torna ainda pior. E isto não é algo amador, filmado com desconhecidos ou fracamente produzido: isto é uma produção de um grande estúdio de Hollywood, de 80 milhões de dólares, com actores de renome, realizado por um gajo que trabalhou directamente com o George Lucas (até recebeu um óscar) no Star wars! Isto é algo incompreensível. Passou-se alguma coisa muito má pela cabeça desta gente. Até poderia sugerir que o vissem para ver o quão mau é, mas neste caso, o melhor a fazer é mesmo evitar. A todo o custo. É má ficção científica. É um mau filme. É um zero redondo e absoluto. ○○○○○
Beverly Hills Cop III saiu em 1994 e entra directamente para a categoria de deprimente. Apesar de ter presenças de peso (cameos) como as de John Singleton, Joe Dante, Ray Harryhausen e George Lucas, Beverly Hills Cop III nunca consegue chegar sequer aos calcanhares do original. Nem sequer da sequela.
Desta vez a história gira em torno de um parque de diversões em Beverly Hills que os maus da fita usam como fachada para fazerem falsificação de dinheiro.
Vou ser directo. É mau. Tudo parece forçado e não tem piada nenhuma. Foi um desfecho inglório para uma boa série de filmes e que gerou boas personagens, uma música icónica e sempre teve associado aquela sensação de boas vibrações.
Ainda por cima, é de estranhar que seja tão mau, vindo de quem vem: John Landis. Por acaso, é mesmo estranho. Sendo um realizador com tantos créditos firmados em outros tantos sucessos anteriores, é esquisito que o filme tenha saído tão mau. Pode não ser um dos grandes nomes do cinema, mas John Landis é o senhor responsável pelos The Blues Brothers, pelo clássico An American Werewolf in London e o homem que fez o melhor videoclip de todos os tempos, o Thriller de Michael Jackson. Não é por acaso que aparece tanto realizador (e pessoal dos efeitos) conhecido pelo meio do filme. Presumo que a escolha de John Landis tenha algo que ver com o mega sucesso Jurassic Park que tinha saído no ano anterior. Há uma ligação óbvia e antiga entre John Landis e Steven Spielberg... Também é passado num parque de diversões... Ao contrário dos anteriores, Jerry Bruckheimer já não produziu este filme, por isso... Não sei. Estou a conjecturar. Mas o que é certo é que algo correu mal aqui. Beverly Hills Cop III é mau e nunca devia ter sido o fecho desta trilogia. Espera-se um remake a qualquer momento, com um cameo óbvio para a estrela principal: Eddie Murphy. ●○○○○
Desta vez a história gira em torno de um parque de diversões em Beverly Hills que os maus da fita usam como fachada para fazerem falsificação de dinheiro.
Vou ser directo. É mau. Tudo parece forçado e não tem piada nenhuma. Foi um desfecho inglório para uma boa série de filmes e que gerou boas personagens, uma música icónica e sempre teve associado aquela sensação de boas vibrações.
Ainda por cima, é de estranhar que seja tão mau, vindo de quem vem: John Landis. Por acaso, é mesmo estranho. Sendo um realizador com tantos créditos firmados em outros tantos sucessos anteriores, é esquisito que o filme tenha saído tão mau. Pode não ser um dos grandes nomes do cinema, mas John Landis é o senhor responsável pelos The Blues Brothers, pelo clássico An American Werewolf in London e o homem que fez o melhor videoclip de todos os tempos, o Thriller de Michael Jackson. Não é por acaso que aparece tanto realizador (e pessoal dos efeitos) conhecido pelo meio do filme. Presumo que a escolha de John Landis tenha algo que ver com o mega sucesso Jurassic Park que tinha saído no ano anterior. Há uma ligação óbvia e antiga entre John Landis e Steven Spielberg... Também é passado num parque de diversões... Ao contrário dos anteriores, Jerry Bruckheimer já não produziu este filme, por isso... Não sei. Estou a conjecturar. Mas o que é certo é que algo correu mal aqui. Beverly Hills Cop III é mau e nunca devia ter sido o fecho desta trilogia. Espera-se um remake a qualquer momento, com um cameo óbvio para a estrela principal: Eddie Murphy. ●○○○○
Beverly Hills Cop II estreou em 1987 e desta vez foi realizado pelo Tony Scott, um gajo que sempre gostei de ver trabalhar. Continuam as "aventuras despropositadas" de Eddie Murphy, Judge Reinhold, John Ashton e Ronny Cox, que desta vez têm de enfrentar um violento grupo de assaltantes em Beverly Hills, encabeçado pelo carismático Jürgen Prochnow e pela escultural Brigitte Nielsen. E ainda há pelo meio uma presença de Hugh Hefner...
Tony Scott ainda consegue aguentar a história e as personagens neste segundo capítulo, mas como acontece (quase) sempre nas sequelas de grandes êxitos, está um furo abaixo do original. Não acrescenta nada mas também não tira nada. É tudo mais ou menos como o original... só que não é o original. Mas ainda é aceitável e suportável de se ver. ●●○○○
Tony Scott ainda consegue aguentar a história e as personagens neste segundo capítulo, mas como acontece (quase) sempre nas sequelas de grandes êxitos, está um furo abaixo do original. Não acrescenta nada mas também não tira nada. É tudo mais ou menos como o original... só que não é o original. Mas ainda é aceitável e suportável de se ver. ●●○○○
Beverly Hills Cop é um filme de acção/comédia de Martin Brest, que saiu em 1984 para os cinemas e dispensa apresentações. Quem não conhece o Axel Foley, o detective espertalhão e mal amanhado de Detroit, que para tentar descobrir o assassino do seu colega de profissão, vai fazer a cabeça em água aos polícias engravatadinhos de Beverly Hills? Eddie Murphy, Judge Reinhold, John Ashton e Ronny Cox dão corpo a personagens tão fixes que ficaram até hoje. Mas ainda há Lisa Eilbacher, Steven Berkoff e Jonathan Banks em papéis secundários. Todas as personagens são muito bem conseguidas. Por exemplo, Bronson Pinchot, como Serge, o recepcionista gay de uma galeria de arte é uma personagem tão boa, tão completa, tão cómica, que deveria ter tido um filme só para ele. (mas teve uma série de tv mais tarde, vá lá...)
Beverly Hills Cop foi um sucesso estrondoso de bilheteira. É um filme despretensioso, com acção, cómico e fixe, como muitos dos filmes dos anos 80. Eram bons porque eram simples e genuínos. O pessoal que hoje em dia faz filmes de acção, deveria sentar-se um bocadinho e ver uns filmitos "menores" dos anos 80 para perceber que por vezes (quase sempre) menos é mais. Beverly Hills Cop é um exemplo disso.
Uma das coisas que mais falta sinto nos filmes actuais é uma particularidade dos filmes dos anos 80: a música original. Fosse qual fosse o filme, a produção tentava sempre arranjar um tema que fosse identificativo do próprio filme. Era obviamente uma forma de promoção, porque a música podia tornar-se um hit mesmo antes do próprio filme o conseguir. E reparando bem, quase todos os filmes de grande sucesso dos 80's têm a "sua" música associada, que por acaso ou não, são sempre fixes. Beverly Hills Cop não é excepção. A música original do filme ("Axel F" de Harold Faltermeyer) é tão icónica que ainda hoje é facilmente reconhecida. Toda a gente conhece a música do Beverly Hills Cop, não é verdade? Se calhar até é mais reconhecida que o próprio filme... Tal como a banda sonora, Beverly Hills Cop é um clássico pop que nunca vai ficar fora de moda. ●●●●○
Beverly Hills Cop foi um sucesso estrondoso de bilheteira. É um filme despretensioso, com acção, cómico e fixe, como muitos dos filmes dos anos 80. Eram bons porque eram simples e genuínos. O pessoal que hoje em dia faz filmes de acção, deveria sentar-se um bocadinho e ver uns filmitos "menores" dos anos 80 para perceber que por vezes (quase sempre) menos é mais. Beverly Hills Cop é um exemplo disso.
Uma das coisas que mais falta sinto nos filmes actuais é uma particularidade dos filmes dos anos 80: a música original. Fosse qual fosse o filme, a produção tentava sempre arranjar um tema que fosse identificativo do próprio filme. Era obviamente uma forma de promoção, porque a música podia tornar-se um hit mesmo antes do próprio filme o conseguir. E reparando bem, quase todos os filmes de grande sucesso dos 80's têm a "sua" música associada, que por acaso ou não, são sempre fixes. Beverly Hills Cop não é excepção. A música original do filme ("Axel F" de Harold Faltermeyer) é tão icónica que ainda hoje é facilmente reconhecida. Toda a gente conhece a música do Beverly Hills Cop, não é verdade? Se calhar até é mais reconhecida que o próprio filme... Tal como a banda sonora, Beverly Hills Cop é um clássico pop que nunca vai ficar fora de moda. ●●●●○
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Estava-me a preparar para escrever um extensíssimo texto sobre Watchmen, a intrincada história e as origens das personagens. Ia falar sobre o tom negro e sujo, sobre o odor nauseabundo que sobe da sarjeta, sobre as relações promíscuas, sobre a história alternativa dos acontecimentos, sobre as pessoas por detrás das máscaras e sobre a guerra mundial. Mas decidi que não o vou fazer. Quem gosta desta mítica comic já sabe tudo o que há para saber sobre os Minutmen e sobre os Watchmen. É uma BD do tamanho do mundo. Nunca vi nada melhor. Deste género de BD de super-herói, Watchmen é sem dúvida o topo. Não é o topo, é aquela parte de cima reluzente da cereja no topo do bolo. É tão simples quanto isso. Acho que foi por causa disso que demorou tanto tempo a alguém trazê-la para o cinema. Hoje em dia, já não há limitações técnicas (nem sequer financeiras), por isso a demora teve obviamente que estar relacionada com a reputação firmada da própria BD.
Watchmen é das melhores histórias que já li. Ainda que seja uma "normal" BD de super-heróis, tem uma voz muito crítica da sociedade, e apesar de ter um ser omnipotente nu, azul, brilhante, e anti-heróis mais mal dispostos que alguns vilões das outras BDs, todos mergulhados numa versão alternativa da realidade, tudo isto parece - de alguma forma muito estranha - totalmente verosímil. É muito bom. Aconselho a quem nunca a leu, que vá comprar. Eu tive a sorte de arranjar uma cópia há muitos anos, numa livraria verdadeira, daquelas que só vendiam mesmo livros. Mas isso é demasiado vintage. Adiante...
Na adaptação para cinema, há algumas alterações em relação ao original. Não é que a história precisasse, mas percebo a lógica da coisa e não sai da linha original. É uma adaptação fiel, com muita coisa a ser literalmente copiada a papel químico. Sinceramente, não vejo problema nenhum nisso. Já era espectacular só como desenho em papel, então com a imagem em movimento, ainda é mais fixe. Watchmen, acho que se pode dizer, é um filme de super-heróis para adultos. Tem um argumento mais "humano", assuntos da "actualidade", implicações pessoais, muitos palavrões, roupas e insinuações mais sexuais do que é normal neste tipo de filmes e... muitíssimo mais sexo.
Grandes personagens, interpretadas por excelentes actores, mas nenhum, curiosamente, é daquelas grandes estrelas de Hollywood, sendo que a excepção é Jeffrey Dean Morgan, que curiosamente é quase um secundário e que... bem é melhor não dizer mais nada para não estragar o filme. São mesmo só bons actores: Malin Akerman, Billy Crudup, Matthew Goode, Patrick Wilson, Carla Gugino. Para mim, o melhor de todos é o Jackie Earle Haley que tem a personagem central do Rorschach. "Eu não estou aqui preso com vocês; vocês é que estão aqui presos comigo", é uma das muitas frases emblemáticas de Rorschach que me ficou gravada...
Mas acho que culpa principal de Watchmen ser um bom filme de acção é do Zack Snyder. Sinceramente, gosto deste gajo. Não muda muito de tema, mas é muito bom no que faz. Principalmente porque consegue equilibrar a acção com o desenrolar da história, os efeitos especiais com o desenvolvimento das personagens, em vez de cair na facilidade do costume, que é bombardear uma pessoa com tantos efeitos e acção, ao ponto de um gajo chegar a ter um surto epiléptico. Parabéns pelo equilíbrio.
Todos os anos, a Marvel faz filmes como o caraças e suplanta (quase) sempre a DC Comics porque simplesmente tem muito mais material para explorar. E diga-se de passagem, que o próprio material também é melhor... Mas isso está sempre aberto à discussão. Mas Snyder conseguiu "meter" um dos seus filmes no topo desta classe. Acho que isto diz bem da sua qualidade. Só aquele genérico inicial, vale todo este elogio. É de mestre e é inesquecível. Provavelmente, o melhor filme de super-heróis de todos os tempos. Totalmente recomendado. Tanto o livro como o filme. Para ler e reler e ver e rever. ●●●●○
BONUS:
O impacto deste comic foi tão profundo que qualquer pessoa que use um computador pode literalmente vê-lo. Comic sans, a ínfame (e horrível) fonte do Windows foi inspirada neste comic... É verdade! E aparentemente, até o Alan Moore acha a fonte muito feia. Acho que esta é uma consideração transversal a todas as pessoas do mundo...
Watchmen é das melhores histórias que já li. Ainda que seja uma "normal" BD de super-heróis, tem uma voz muito crítica da sociedade, e apesar de ter um ser omnipotente nu, azul, brilhante, e anti-heróis mais mal dispostos que alguns vilões das outras BDs, todos mergulhados numa versão alternativa da realidade, tudo isto parece - de alguma forma muito estranha - totalmente verosímil. É muito bom. Aconselho a quem nunca a leu, que vá comprar. Eu tive a sorte de arranjar uma cópia há muitos anos, numa livraria verdadeira, daquelas que só vendiam mesmo livros. Mas isso é demasiado vintage. Adiante...
Na adaptação para cinema, há algumas alterações em relação ao original. Não é que a história precisasse, mas percebo a lógica da coisa e não sai da linha original. É uma adaptação fiel, com muita coisa a ser literalmente copiada a papel químico. Sinceramente, não vejo problema nenhum nisso. Já era espectacular só como desenho em papel, então com a imagem em movimento, ainda é mais fixe. Watchmen, acho que se pode dizer, é um filme de super-heróis para adultos. Tem um argumento mais "humano", assuntos da "actualidade", implicações pessoais, muitos palavrões, roupas e insinuações mais sexuais do que é normal neste tipo de filmes e... muitíssimo mais sexo.
Grandes personagens, interpretadas por excelentes actores, mas nenhum, curiosamente, é daquelas grandes estrelas de Hollywood, sendo que a excepção é Jeffrey Dean Morgan, que curiosamente é quase um secundário e que... bem é melhor não dizer mais nada para não estragar o filme. São mesmo só bons actores: Malin Akerman, Billy Crudup, Matthew Goode, Patrick Wilson, Carla Gugino. Para mim, o melhor de todos é o Jackie Earle Haley que tem a personagem central do Rorschach. "Eu não estou aqui preso com vocês; vocês é que estão aqui presos comigo", é uma das muitas frases emblemáticas de Rorschach que me ficou gravada...
Mas acho que culpa principal de Watchmen ser um bom filme de acção é do Zack Snyder. Sinceramente, gosto deste gajo. Não muda muito de tema, mas é muito bom no que faz. Principalmente porque consegue equilibrar a acção com o desenrolar da história, os efeitos especiais com o desenvolvimento das personagens, em vez de cair na facilidade do costume, que é bombardear uma pessoa com tantos efeitos e acção, ao ponto de um gajo chegar a ter um surto epiléptico. Parabéns pelo equilíbrio.
Todos os anos, a Marvel faz filmes como o caraças e suplanta (quase) sempre a DC Comics porque simplesmente tem muito mais material para explorar. E diga-se de passagem, que o próprio material também é melhor... Mas isso está sempre aberto à discussão. Mas Snyder conseguiu "meter" um dos seus filmes no topo desta classe. Acho que isto diz bem da sua qualidade. Só aquele genérico inicial, vale todo este elogio. É de mestre e é inesquecível. Provavelmente, o melhor filme de super-heróis de todos os tempos. Totalmente recomendado. Tanto o livro como o filme. Para ler e reler e ver e rever. ●●●●○
BONUS:
O impacto deste comic foi tão profundo que qualquer pessoa que use um computador pode literalmente vê-lo. Comic sans, a ínfame (e horrível) fonte do Windows foi inspirada neste comic... É verdade! E aparentemente, até o Alan Moore acha a fonte muito feia. Acho que esta é uma consideração transversal a todas as pessoas do mundo...
Cube é um filme de ficção científica/terror com origem no Canadá. Filmado num único cenário cúbico e iluminado com painéis de cores diferentes para dar a impressão que são vários cenários, é um dos exemplos máximos que mostra cabalmente que não são precisos grandes orçamentos para se fazer um filme catita. Basta uma boa história com toques de "Twilight Zone", um guião relativamente consistente e meia dúzia de actores medianos. Acho que isto resume bastante bem o Cube.
Cube não é um grande filme, mas tem o suficiente para ser aceitável e até tem alguns bons pormenores como por exemplo todas as personagens terem nomes de prisões. Faz sentido... Os actores são medianos (Maurice Dean Wint, Nicole de Boer, Nicky Guadagni, David Hewlett, Wayne Robson, Julian Richings e Andrew Miller [e sim, são mesmo só estes actores!]) mas têm uma prestação suficientemente boa para aguentar a história.
Mas sem dúvida, o grande mastermind por trás de Cube é Vincenzo Natali que consegue filmar um cubo e seis actores de mil e uma maneiras diferentes sem ser repetitivo, ao mesmo tempo que mantém o espectador em constante expectativa. Expectativa e stress.
Em 1997 foi um sucesso enorme. É tão simples que "partiu a cabeça" de toda a gente. Fez-me lembrar aquela velha história da "bolinha amarela", em que a resposta à pergunta do que tinha acontecido à "bolinha amarela", vinha logo a seguir à próxima... "bolinha amarela". Por mais irritado que uma pessoa se possa sentir enquanto vê o filme, não se consegue deixar de ver. O que é o cubo e para que serve? Será que eles conseguem sair do cubo? Quem construiu o cubo? O cubo está na Terra ou será obra de extraterrestres? O que há no próximo cubo? O que há para além do cubo? E a resposta é... tem de se ver o filme. ●●●○○
Cube não é um grande filme, mas tem o suficiente para ser aceitável e até tem alguns bons pormenores como por exemplo todas as personagens terem nomes de prisões. Faz sentido... Os actores são medianos (Maurice Dean Wint, Nicole de Boer, Nicky Guadagni, David Hewlett, Wayne Robson, Julian Richings e Andrew Miller [e sim, são mesmo só estes actores!]) mas têm uma prestação suficientemente boa para aguentar a história.
Mas sem dúvida, o grande mastermind por trás de Cube é Vincenzo Natali que consegue filmar um cubo e seis actores de mil e uma maneiras diferentes sem ser repetitivo, ao mesmo tempo que mantém o espectador em constante expectativa. Expectativa e stress.
Em 1997 foi um sucesso enorme. É tão simples que "partiu a cabeça" de toda a gente. Fez-me lembrar aquela velha história da "bolinha amarela", em que a resposta à pergunta do que tinha acontecido à "bolinha amarela", vinha logo a seguir à próxima... "bolinha amarela". Por mais irritado que uma pessoa se possa sentir enquanto vê o filme, não se consegue deixar de ver. O que é o cubo e para que serve? Será que eles conseguem sair do cubo? Quem construiu o cubo? O cubo está na Terra ou será obra de extraterrestres? O que há no próximo cubo? O que há para além do cubo? E a resposta é... tem de se ver o filme. ●●●○○
Numa floresta encantada, um jovem (Tom Cruise, numa fase inicial da carreira e ainda com os dentes originais) tenta conquistar o coração da sua amada (Mia Sara), ao mesmo tempo que tem de enfrentar um poderoso demónio chamado Darkness (um irreconhecível Tim Curry), para impedir que este mergulhe toda a Humanidade na escuridão eterna. Pelo meio há unicórnios, elfos, goblins (nunca percebi a diferença...) e todo o tipo de criaturas fantasmagóricas e fantásticas. Legend é um filme pouco conhecido de Ridley Scott, mas do qual gosto imenso. Não é muito conhecido pois é do início da carreira do realizador e na altura, foi um flop enorme. Ridley Scott tinha acabado de realizar dois dos mais icónicos filmes de ficção cientifica de todos os tempos (Alien e Blade Runner) e portanto esta passagem para a fantasia/aventura seria sempre um fracasso. Este novo filme, teria de ser absolutamente espectacular para no mínimo equivaler aos dois portentos anteriores. Não foi o caso e percebe-se bem porquê.
Alguns filmes não estão destinados ao sucesso. Verdade seja dita, Legend tem alguns problemas. Vá lá, muitos problemas. Primeiro, já lhe vi 3 versões diferentes, com durações, enquadramentos e até bandas sonoras diferentes. Segundo, tem um argumento e personagens demasiado básicas: é uma história linear dum confronto do bem contra o mal em que as personagens ou são "boas" ou são "más", não tendo nenhum tipo de nuance. Terceiro, estranhamente está, por assim dizer, num limbo geracional: nem é um filme para crianças, nem para adultos; é demasiado negro para crianças e demasiado infantil para adultos. Ou seja, acabou por ficar sem público. Por último, li que Legend esteve originalmente para ser um filme de terror, e em alternativa, até um filme de acção. Percebe-se que este foi um projecto que desde o início não esteve bem definido. Há uma certa sensação de incongruência durante o filme todo. Parece que ninguém sabia muito bem o que fazer, nem a direcção que o filme levaria. Estas são as razões negativas, mas também tem um lado positivo.
A fotografia é absolutamente genial e provavelmente Ridley Scott teve aqui a sua melhor prestação atrás de uma câmara. Nunca vi um filme que retratasse aquele tom de "conto de fadas" tão bem como este. É das melhores criações de um mundo fantástico que já vi em cinema. As imagens são absolutamente maravilhosas e mágicas. E sem recurso ao CGI! É tudo verdadeiro e feito com cenários e truques de câmara. É verdadeiramente fantástico, parece que tem uma atmosfera própria. Além disso, tem excelentes criaturas e personagens originais, se bem que, lá está, não tenham grande "conteúdo". Destaco, especialmente, a figura do demónio Darkness. É uma personagem que me ficou gravada no cérebro para sempre. Aquele trabalho de makeup é soberbo e icónico. É uma concepção brilhante, tanto no campo prático e físico, como no campo estético. É mesmo de génio.
Legend é já uma pérola antiga, um artefacto arqueológico. Está tão enterrado no tempo, que provavelmente um dia destes, o próprio Scott, redescobri-o com as novas tecnologias e faz-lhe um remake mais moderno. E neste caso, acho que até merecia mesmo um facelift. Tem todo o potencial para isso. Legend não é obviamente o melhor trabalho de Ridley Scott, mas pela fantasia, pela parte técnica e pela própria inocência que emana, é um filme que nunca resisto a (re)ver. ●●○○○
Alguns filmes não estão destinados ao sucesso. Verdade seja dita, Legend tem alguns problemas. Vá lá, muitos problemas. Primeiro, já lhe vi 3 versões diferentes, com durações, enquadramentos e até bandas sonoras diferentes. Segundo, tem um argumento e personagens demasiado básicas: é uma história linear dum confronto do bem contra o mal em que as personagens ou são "boas" ou são "más", não tendo nenhum tipo de nuance. Terceiro, estranhamente está, por assim dizer, num limbo geracional: nem é um filme para crianças, nem para adultos; é demasiado negro para crianças e demasiado infantil para adultos. Ou seja, acabou por ficar sem público. Por último, li que Legend esteve originalmente para ser um filme de terror, e em alternativa, até um filme de acção. Percebe-se que este foi um projecto que desde o início não esteve bem definido. Há uma certa sensação de incongruência durante o filme todo. Parece que ninguém sabia muito bem o que fazer, nem a direcção que o filme levaria. Estas são as razões negativas, mas também tem um lado positivo.
A fotografia é absolutamente genial e provavelmente Ridley Scott teve aqui a sua melhor prestação atrás de uma câmara. Nunca vi um filme que retratasse aquele tom de "conto de fadas" tão bem como este. É das melhores criações de um mundo fantástico que já vi em cinema. As imagens são absolutamente maravilhosas e mágicas. E sem recurso ao CGI! É tudo verdadeiro e feito com cenários e truques de câmara. É verdadeiramente fantástico, parece que tem uma atmosfera própria. Além disso, tem excelentes criaturas e personagens originais, se bem que, lá está, não tenham grande "conteúdo". Destaco, especialmente, a figura do demónio Darkness. É uma personagem que me ficou gravada no cérebro para sempre. Aquele trabalho de makeup é soberbo e icónico. É uma concepção brilhante, tanto no campo prático e físico, como no campo estético. É mesmo de génio.
Legend é já uma pérola antiga, um artefacto arqueológico. Está tão enterrado no tempo, que provavelmente um dia destes, o próprio Scott, redescobri-o com as novas tecnologias e faz-lhe um remake mais moderno. E neste caso, acho que até merecia mesmo um facelift. Tem todo o potencial para isso. Legend não é obviamente o melhor trabalho de Ridley Scott, mas pela fantasia, pela parte técnica e pela própria inocência que emana, é um filme que nunca resisto a (re)ver. ●●○○○
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Eunice Kathleen Waymon mais conhecida pelo nome artístico de Nina Simone foi uma pianista, cantora, performer, compositora e ainda teve tempo para ser o novo rosto do ativimo pelos direitos civis dos negros norte-americanos, ao lado de nomes míticos como Martin Luther King e Malcolm X.
Nina Simone não teve um começo (nem o resto) de vida fácil: era a sexta de oito filhos, no meio de uma família pobre. Mas para compensar a falta de sorte que uma pessoa tem quando nasce, tinha um dom: a música. Começou a tocar piano aos 3 anos e aos 12 estreava o seu primeiro concerto, um recital clássico.
Numa entrevista, li que este concerto a marcou profundamente e que acabou por envolvê-la, inconscientemente, anos mais tarde, nos movimentos pelos direitos civis. Nesse concerto, os pais dela foram forçados a sentar-se ao fundo da sala, para deixar espaço para os brancos e, por isso, Nina recusou-se a tocar até que os pais fossem novamente colocados à frente. Muitos anos depois e já com pleno reconhecimento público, a rebeldia e o tom mais violento do protesto anti-guerra (do Vietname), coloca-a em confronto aberto com o próprio país. Discordante sonora da política americana também em relação ao direito de negros, Nina abandona os Estados Unidos e voa para o paraíso das Barbados. E começa então a desenrolar-se uma história rocambolesca, que elevaria Nina Simone ao estatuto de lenda, tanto em termos de personalidade, como em termos musicais.
Nina regressa aos Estados Unidos e, para piorar toda esta relação já de si conturbada, descobre que tem um mandado de captura emitido em seu nome com o motivo de sonegação de impostos, o que faz com que regresse de vez às Barbados. Depois, mudou-se para a Libéria. Esta mudança de país não é coincidência. A Libéria foi fundada para levar os negros livres e os negros que tinham sido libertos da escravatura para África . Foi também a primeira "colônia" africana a ser independente e até o nome significa literalmente "liberdade". Ao mudar-se para a Libéria, Nina Simone estava na realidade a fazer uma declaração de interesses. A seguir foi viver para a Suécia, depois ainda se mudou para a Holanda e acabou os seus dias em França.
Gosto imenso da Nina Simone. Mesmo muito. Como pessoa e como intérprete. E é uma relação que tem vindo a melhorar com o tempo. "Conheci" Nina Simone há muitos anos. Primeiro, só umas músicas, assim meias perdidas, mas muito boas. Depois uma pessoa começa a procurar e a descobrir o resto do puzzle e é espectacular. Músicas fantásticas. Únicas. Inesquecíveis. São daquelas músicas que ficam logo no ouvido, mesmo que se ouçam só alguns segundos e com ruído de fundo. Tenho tantas músicas preferidas da Nina Simone que nem consigo enumerar. Por acaso, muitas vezes nem sei mesmo o nome de algumas músicas. Mas sei logo que são da Nina Simone. O reportório é tão grande, com tantas músicas originais, adaptações, versões, best of's e coletâneas, que ainda hoje vou descobrindo material novo. Para quem gosta tanto da Nina Simone como eu, encontrar um documentário à altura não é fácil. Já vi mais uns dois e... não são bons. Quando a personalidade a documentar é grande demais, torna-se difícil equilibrar e enquadrar o tamanho do ego no próprio documentário. Parece que ficam sempre áquem da pessoa. Neste caso, não. What Happened, Miss Simone?, realizado pela experiente Liz Garbus e produzido originalmente pela Netflix é um documentário muito bom. Mesmo muito bom. Tem uma série de entrevistas com a diva e também com familiares e amigos intímos para enquadrar os contextos. Paralelamente, é uma visão intimista da cantora, e ao mesmo tempo encaixa-a na perspectiva histórica do momento. A história não é bonita, mas dá para perceber porque é que uma personalidade tão genial estava simultaneamente tão mergulhada num inferno pessoal. Daí a genialidade do título... É um documentário muito bom, tenho de repetir. What Happened, Miss Simone? é para ver e rever. Assim tem-se a oportunidade de ouvir uma grandessíssima banda sonora. Obrigatório para quem não a conhece, mas principalmente para todos os que gostam de Nina Simone. ●●●●○
Gosto imenso da Nina Simone. Mesmo muito. Como pessoa e como intérprete. E é uma relação que tem vindo a melhorar com o tempo. "Conheci" Nina Simone há muitos anos. Primeiro, só umas músicas, assim meias perdidas, mas muito boas. Depois uma pessoa começa a procurar e a descobrir o resto do puzzle e é espectacular. Músicas fantásticas. Únicas. Inesquecíveis. São daquelas músicas que ficam logo no ouvido, mesmo que se ouçam só alguns segundos e com ruído de fundo. Tenho tantas músicas preferidas da Nina Simone que nem consigo enumerar. Por acaso, muitas vezes nem sei mesmo o nome de algumas músicas. Mas sei logo que são da Nina Simone. O reportório é tão grande, com tantas músicas originais, adaptações, versões, best of's e coletâneas, que ainda hoje vou descobrindo material novo. Para quem gosta tanto da Nina Simone como eu, encontrar um documentário à altura não é fácil. Já vi mais uns dois e... não são bons. Quando a personalidade a documentar é grande demais, torna-se difícil equilibrar e enquadrar o tamanho do ego no próprio documentário. Parece que ficam sempre áquem da pessoa. Neste caso, não. What Happened, Miss Simone?, realizado pela experiente Liz Garbus e produzido originalmente pela Netflix é um documentário muito bom. Mesmo muito bom. Tem uma série de entrevistas com a diva e também com familiares e amigos intímos para enquadrar os contextos. Paralelamente, é uma visão intimista da cantora, e ao mesmo tempo encaixa-a na perspectiva histórica do momento. A história não é bonita, mas dá para perceber porque é que uma personalidade tão genial estava simultaneamente tão mergulhada num inferno pessoal. Daí a genialidade do título... É um documentário muito bom, tenho de repetir. What Happened, Miss Simone? é para ver e rever. Assim tem-se a oportunidade de ouvir uma grandessíssima banda sonora. Obrigatório para quem não a conhece, mas principalmente para todos os que gostam de Nina Simone. ●●●●○
Li algures aí pela net (o que quer dizer que pode ou não ser verdade...) que as medalhas de ouro são na realidade compostas por 90% de prata. Eu, se fosse atleta olímpico, e ganhasse uma medalha de ouro, ia logo mandar averiguar para ver se esta informação é mesmo verdadeira. Mas isto a propósito de quê? Ah! Por causa do King Arthur, Legend of the Sword... É outro engano.
Uma pessoa pensa: "um filme do Guy Ritchie (que é um gajo que quase sempre faz coisas fixes), tem o Charlie Hunnam, Jude Law, Djimon Hounsou e o Eric Bana, e é sobre o Rei Artur, os Cavaleiros da Távola Redonda, o Merlin, o castelo Camelot e toda aquela mitologia catita, portanto só pode ser um bom filme". Não. É engano. Surpreendeu-me pela negativa. É mais um filme wtf?!. O que é isto? Fiquei uma grande parte do filme a perder-me em "misturas": "olha, isto parece o Senhor dos Anéis misturado com o Goodfellas..." ; "agora parece a Guerra dos Tronos encontra-se com o Snatch..."; e por aí fora. Até gosto da estranha estética "guna estilizado" do Guy Ritchie, mas há limites... Rei Artur, mafiosos e efeitos especiais digitais decididamente não se misturam bem.
King Arthur, Legend of the Sword é mais uma versão alternativa das coisas mas sem grande cabeça. Nem sequer tem pés, quanto mais cabeça... Vale pela cena técnica, pela porrada estilizada e pouco mais. Vindo de quem vem, é uma grande desilusão. ●○○○○
Uma pessoa pensa: "um filme do Guy Ritchie (que é um gajo que quase sempre faz coisas fixes), tem o Charlie Hunnam, Jude Law, Djimon Hounsou e o Eric Bana, e é sobre o Rei Artur, os Cavaleiros da Távola Redonda, o Merlin, o castelo Camelot e toda aquela mitologia catita, portanto só pode ser um bom filme". Não. É engano. Surpreendeu-me pela negativa. É mais um filme wtf?!. O que é isto? Fiquei uma grande parte do filme a perder-me em "misturas": "olha, isto parece o Senhor dos Anéis misturado com o Goodfellas..." ; "agora parece a Guerra dos Tronos encontra-se com o Snatch..."; e por aí fora. Até gosto da estranha estética "guna estilizado" do Guy Ritchie, mas há limites... Rei Artur, mafiosos e efeitos especiais digitais decididamente não se misturam bem.
King Arthur, Legend of the Sword é mais uma versão alternativa das coisas mas sem grande cabeça. Nem sequer tem pés, quanto mais cabeça... Vale pela cena técnica, pela porrada estilizada e pouco mais. Vindo de quem vem, é uma grande desilusão. ●○○○○
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Life Itself é um documentário que mostra a vida do célebre crítico de cinema Roger Ebert, desde os primeiros passos no jornalismo, passando pelo prémio Pulitzer que ganhou em 1975 quando escrevia críticas no Chicago Sun-Times (nunca um crítico de cinema tinha ganho este prémio), até aos últimos dias de vida em 2013, quando já tinha perdido o maxilar para um cancro e nem sequer conseguia comer ou falar.
Tenho uma relação antiga e estranha com o Roger Ebert. Conhecia-o sem nunca o ter visto, quando via nas capas dos VHS's e dos DVDs aquela expressão do “two thumbs up”. Foi ele que a popularizou. Mas genericamente falando, acho que na realidade ninguém liga a essas coisas. É como ver anúncios de detergentes para a louça que prometem repelir a gordura sem esforço: toda a gente sabe que aquilo só ali está para vender o produto. Não é "verdadeiro", digamos assim. Eu nunca liguei a essas mensagens com 5 estrelas por baixo, do género "Soberbo - LA Times" ou "Imperdível - Variety". O que é isso quer dizer? Que alguém do LA Times acha aquele filme "soberbo"? O gajo do LA Times provavelmente nem gosta dos meus filmes que eu, portanto... Sempre achei que a crítica é uma voz pessoal. Pouco importa se esta ou aquela pessoa escreve que isto ou aquilo é bom ou mau... Acho que nem sequer faz sentido dar crédito pela opinião. Mas por outro lado, acho que a forma como a pessoa escreve a crítica, isso sim, tem material para ser avaliado. Bem, entusiasmei-me um bocado e estou a divagar. Novamente.
Voltando ao Life Itself e ao Roger Ebert. Por um lado é um dos principais impulsionadores deste blog; por outro, nunca li uma única crítica dele. É estranho, mas passo a explicar.
Há uns anos li um artigo sobre um conhecido crítico de cinema chamado Roger Ebert (que na altura eu desconhecia) em que se dizia que o homem era uma máquina de ver e criticar filmes. Tinha visto mais de 10.000 filmes, aos quais tinha feito crítica a mais de 6.000. E isso levou-me a pensar em quantos filmes já teria eu visto. Pensei para com os meus botões: "será que eu, um vulgar amador, já vi mais filmes que o 'senhor dos filmes'?" Contas feitas por alto, tenho a certeza que já vi mais do que 3.000 filmes. Mas quantos terei visto ao certo? Sinceramente não sei. Daí surgiu a ideia para este "Todos os filme que vi - Um gajo 'normal' comenta todos os filmes que viu". Não queria competir com o Ebert, mas apenas ter a certeza de quantos filmes já vi.
Quanto a nunca ter lido uma crítica escrita pelo Ebert. Já o disse algures por aqui: sou bastante "esponjoso". Absorvo tudo o que me rodeia. Daí que não tenha querido ler nada do que ele escreveu para não ficar "influenciado". O homem ganhou um Pulitzer pelas suas críticas. Não é preciso muito para perceber que era mesmo muito bom.
Life Itself, de Steve James conta com as presenças de pessoal de peso do cinema como Martin Scorsese, Steven Zaillian, Gene Siskel ou Werner Herzog, e é um documentário muito, muito bom. Estruturalmente perfeito. Muito completo. Potente. Dramático. Humano. Por vezes, até cómico, mas acima de tudo, inspirador. Acho que é esse o grande trunfo deste documentário. Depois de ver este Life Itself, pessoalmente, Roger Ebert tornou-se numa nova referência do universo do cinema. E acho que ele teria gostado desta pequena, mas merecida homenagem. ●●●●○
Algumas citações do Roger Ebert que encontrei algures aí pela net e com as quais me identifico completamente:
- "It’s hard to explain the fun to be found in seeing the right kind of bad movie."
- "In the past 25 years I have probably seen 10,000 movies and reviewed 6,000 of them. I have forgotten most of them, I hope, but I remember those worth remembering, and they are all on the same shelf in my mind."
- "Entertainment is about the way things should be. Art is about the way they are."
Tenho uma relação antiga e estranha com o Roger Ebert. Conhecia-o sem nunca o ter visto, quando via nas capas dos VHS's e dos DVDs aquela expressão do “two thumbs up”. Foi ele que a popularizou. Mas genericamente falando, acho que na realidade ninguém liga a essas coisas. É como ver anúncios de detergentes para a louça que prometem repelir a gordura sem esforço: toda a gente sabe que aquilo só ali está para vender o produto. Não é "verdadeiro", digamos assim. Eu nunca liguei a essas mensagens com 5 estrelas por baixo, do género "Soberbo - LA Times" ou "Imperdível - Variety". O que é isso quer dizer? Que alguém do LA Times acha aquele filme "soberbo"? O gajo do LA Times provavelmente nem gosta dos meus filmes que eu, portanto... Sempre achei que a crítica é uma voz pessoal. Pouco importa se esta ou aquela pessoa escreve que isto ou aquilo é bom ou mau... Acho que nem sequer faz sentido dar crédito pela opinião. Mas por outro lado, acho que a forma como a pessoa escreve a crítica, isso sim, tem material para ser avaliado. Bem, entusiasmei-me um bocado e estou a divagar. Novamente.
Voltando ao Life Itself e ao Roger Ebert. Por um lado é um dos principais impulsionadores deste blog; por outro, nunca li uma única crítica dele. É estranho, mas passo a explicar.
Há uns anos li um artigo sobre um conhecido crítico de cinema chamado Roger Ebert (que na altura eu desconhecia) em que se dizia que o homem era uma máquina de ver e criticar filmes. Tinha visto mais de 10.000 filmes, aos quais tinha feito crítica a mais de 6.000. E isso levou-me a pensar em quantos filmes já teria eu visto. Pensei para com os meus botões: "será que eu, um vulgar amador, já vi mais filmes que o 'senhor dos filmes'?" Contas feitas por alto, tenho a certeza que já vi mais do que 3.000 filmes. Mas quantos terei visto ao certo? Sinceramente não sei. Daí surgiu a ideia para este "Todos os filme que vi - Um gajo 'normal' comenta todos os filmes que viu". Não queria competir com o Ebert, mas apenas ter a certeza de quantos filmes já vi.
Quanto a nunca ter lido uma crítica escrita pelo Ebert. Já o disse algures por aqui: sou bastante "esponjoso". Absorvo tudo o que me rodeia. Daí que não tenha querido ler nada do que ele escreveu para não ficar "influenciado". O homem ganhou um Pulitzer pelas suas críticas. Não é preciso muito para perceber que era mesmo muito bom.
Life Itself, de Steve James conta com as presenças de pessoal de peso do cinema como Martin Scorsese, Steven Zaillian, Gene Siskel ou Werner Herzog, e é um documentário muito, muito bom. Estruturalmente perfeito. Muito completo. Potente. Dramático. Humano. Por vezes, até cómico, mas acima de tudo, inspirador. Acho que é esse o grande trunfo deste documentário. Depois de ver este Life Itself, pessoalmente, Roger Ebert tornou-se numa nova referência do universo do cinema. E acho que ele teria gostado desta pequena, mas merecida homenagem. ●●●●○
Algumas citações do Roger Ebert que encontrei algures aí pela net e com as quais me identifico completamente:
- "It’s hard to explain the fun to be found in seeing the right kind of bad movie."
- "In the past 25 years I have probably seen 10,000 movies and reviewed 6,000 of them. I have forgotten most of them, I hope, but I remember those worth remembering, and they are all on the same shelf in my mind."
- "Entertainment is about the way things should be. Art is about the way they are."
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Os filmes de animação do género Pixar/Disney e afins são para mim como o género gore: já chega. Já vi o suficiente. É quase sempre igual e ainda por cima saem sete filmes de animação por dia para acompanhar a actual voracidade de conteúdos das crianças. Por isso, hoje em dia, dificilmente vejo um filme destes géneros. Mas volta e meia, por um motivo qualquer, lá vejo um filmito destes.
Desta vez, a fava que me calhou foi o Despicable Me, de Pierre Coffin e Chris Renaud, com as vozes de Steve Carell, Jason Segel, Russell Brand e Julie Andrews. Conhecia o filme de nome, mas nunca o tinha visto e nem fazia intenção de o ver. Então porque é que o fiz? Porque há pouco tempo descobri que aquelas simpáticas criaturinhas amarelas com um dialecto indecifrável chamadas de Minions, afinal não tinham o seu próprio filme, mas tinham aparecido originalmente aqui! Isto apenas revela o meu total conhecimento do mundo dos desenhos animados actuais. Acho que os Minions são adoráveis e super cómicos... se tivesse 7 anos.
Se calhar sou eu que sou demasiado como a personagem principal e sou naturalmente mal disposto, mas para mim, ver um filme destes é penoso. Penoso. Não acho piada nenhuma a isto. O máximo que consegui foi sorrir numa ou outra cena. Mas percebo que para a miudagem deve ser uma "barrigada" de riso. Contrariamente a outros filmes do género que têm muitas piadas "escondidas" para adultos, este Despicable Me parece mesmo exclusivamente vocacionado para a criançada. Apesar de estar bem feito e bem escrito, dificilmente verei os outros dois... ●○○○○
[PS: o miúdo de 7 anos que ainda "vive" dentro de mim dá-lhe ●●●○○, mas acrescenta que "gosta muito mais de mortos-vivos, "dinossáurios" e os carros que falam"...]
[PS: o miúdo de 7 anos que ainda "vive" dentro de mim dá-lhe ●●●○○, mas acrescenta que "gosta muito mais de mortos-vivos, "dinossáurios" e os carros que falam"...]
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The Fast and the Furious é uma franchise que dispensa apresentações. Por isso mesmo, não vou perder muito tempo a escrever sobre cada filme. Até porque é quase sempre o mesmo filme. Carros potentes, grandes cenas de porrada, perseguições ridiculamente impossíveis e gajas boas como o caraças em roupas justas. É quase como ver em movimento aqueles posters foleiros das garagens antigas com míudas da Playboy dos anos 80. Bem, se calhar estou a exagerar um bocadinho... Mas é o que me vem à cabeça quando me lembro do F&F.
Um filme original mediano, 5 realizadores (Rob Cohen, John Singleton, Justin Lin, James Wan e F. Gary Gray), dezenas de actores (Vin Diesel, Paul Walker, Michelle Rodriguez, Jordana Brewster, Eva Mendes, Tyrese Gibson, Ludacris, Lucas Black, Sung Kang, Gal Gadot, Dwayne Johnson, Elsa Pataky, Luke Evans, Jason Statham, Kurt Russell, Nathalie Emmanuel, Charlize Theron, Scott Eastwood, entre muitos outros [com óbvio destaque para o Joaquim de Almeida]) e 7 sequelas depois continua a facturar milhões em cima de milhões. É um verdadeiro case-study. Como é que isto ainda funciona? Quando é que as audiências se vão fartar? São as grandes questões no seio da franchise.
Mas eu acho que tenho as respostas. Como é que isto ainda funciona? Isto funciona porque os filmes foram evoluindo com o passar do tempo. Passou de um filme sobre um polícia infiltrado no mundo das corridas ilegais, depois para uma espécie de família de sopranos do tunning, e agora está no ponto James Bond com super-vilões e tudo. Até agora aguentou-se bem porque se transformou na melhor telenovela de todos os tempos: algumas personagens supostamente morrem mas depois aparecem vivas noutro filme; o irmão do gajo mau (que morreu no filme anterior) aparece (no filme seguinte) para se vingar; a família cai em desgraça mas no final recupera e acaba a beber uns shots num sunset catita; já quase toda a gente casou e/ou teve filhos. Só falta mesmo aparecer um gémeo cego do Vin Diesel, ou uma miudinha órfã e pobre que depois se torna rica... E além disso, as perseguições e as explosões nas telenovelas são absolutamente miseráveis e no Fast and Furious são sempre super-espectaculares.
Quando é que as audiências se vão fartar da franchise?
Resposta difícil. Acho que no próximo "episódio" as pessoas vão perceber que já chega. No episódio a seguir, alguns dos actores vão sair porque já é tempo de fazer alguma coisa de jeito na vida. No seguinte, os estúdios vão fazer um remake com novos actores e o público não vai perdoar porque é tudo demasiado "novo". Provavelmente vai haver um 12.º, com o regresso de alguma estrela dos filmes originais que não arranja trabalho, mas vai estar tão fora de forma que acaba por matar a franchise de vez. Tipo, o Indiana Jones a lutar contra extraterrestres aos 78 anos... Não há pachorra, não é verdade?
Agora em relação ao filmes propriamente ditos. The Fast and the Furious (2001) foi o primeiro da saga. E nem é propriamente mau. É um filmito de acção razoável, com carros quitados, polícias infiltrados e personagens até bem "montadas". Daí que tenha dado azo a todas estas sequelas. Depois entrou em modo de cruzeiro com 2 Fast 2 Furious (2003) e The Fast and the Furious: Tokyo Drift (2006) que são basicamente as sequelas "normais" da indústria: dá dinheiro?, então faz-se outro parecido mas com maiores explosões... Mas depois a franchise tomou um rumo diferente. Vin Diesel percebeu que tinha em mãos um bom negócio que estava a mirrar e decidiu voltar à saga. E voltou muito bem, com a lógica da "famiglia", que é uma coisa que as audiências gostam sempre. Assim, teve história para poder fazer uma franchise dentro da própria franchise: Fast & Furious (2009), Fast Five (2011), Fast & Furious 6 (2013) e Furious 7 (2015). A "série" fica marcada pela trágica morte de Paul Walker durante as filmagens de Furious 7, o que dá ainda mais ênfase à parte da "famiglia". Sinceramente, acho que deveriam ter ficado por aqui. O desaparecimento de uma personagem tão importante como o de Paul Walker (que até esta altura até tinha feito mais filmes F&F que o próprio Vin Diesel), deveria ter posto um ponto final na série. Mas não. Tinha de se arranjar forma de voltar à bilheteira e portanto lá se arranjou uma história e uma super-vilã high-tech qualquer para justificar o regresso com The Fate of the Furious (2017). E isto não fica por aqui. Pelas minhas contas, ainda falta o F&F9 (The Return of) [as personagens regressam para mais uma aventura relacionada com alguém da família ou para tratar da vingança de algum familiar do gajo mau que mataram num dos episódios anteriores], o F&F10 (The New Breed) [um remake com novos actores, em que os antigos personagens preferidos aparecem só por breves momentos a dizerem: "No meu tempo, tínhamos carros de corrida a gasolina e tratávamos de motores, vielas e óleo queimado... Agora é tudo electrónico..."], o F&F11 (Fullscreen) [passado no espaço, num universo paralelo ou num mundo pós-apocalíptico que na verdade só existe num programa de realidade virtual] e o último F&F12 (The Last Job) [onde fazem mesmo um último trabalho para se reformarem de vez, até porque nessa altura os carros serão todos obrigatoriamente autónomos].
Mas há mais vida para além da franchise propriamente dita. Ainda há spin-offs para as diversas personagens e séries de TV para explorar, assim como canecas, mochilas, lancheiras e tapetes de rato para vender...
Uma coisa que aprendi enquanto escrevia esta crítica é que os filmes não são todos seguidos, cronologicamente falando. O The Fast and the Furious: Tokyo Drift que foi o terceiro filme a ser lançado, em termos de história, supostamente é o sexto, a seguir ao Fast & Furious 6 que por essa lógica deveria ser o 5.º... Confuso?! Muito... Mas não faz mal. Ninguém reparou nisso. E também, o que é que isso interessa? Não tem carros quitados, perseguições, explosões, porrada, gajas com roupas muito apertadas, música cool e "famiglia"? Então já chega... ●○○○○
Um filme original mediano, 5 realizadores (Rob Cohen, John Singleton, Justin Lin, James Wan e F. Gary Gray), dezenas de actores (Vin Diesel, Paul Walker, Michelle Rodriguez, Jordana Brewster, Eva Mendes, Tyrese Gibson, Ludacris, Lucas Black, Sung Kang, Gal Gadot, Dwayne Johnson, Elsa Pataky, Luke Evans, Jason Statham, Kurt Russell, Nathalie Emmanuel, Charlize Theron, Scott Eastwood, entre muitos outros [com óbvio destaque para o Joaquim de Almeida]) e 7 sequelas depois continua a facturar milhões em cima de milhões. É um verdadeiro case-study. Como é que isto ainda funciona? Quando é que as audiências se vão fartar? São as grandes questões no seio da franchise.
Mas eu acho que tenho as respostas. Como é que isto ainda funciona? Isto funciona porque os filmes foram evoluindo com o passar do tempo. Passou de um filme sobre um polícia infiltrado no mundo das corridas ilegais, depois para uma espécie de família de sopranos do tunning, e agora está no ponto James Bond com super-vilões e tudo. Até agora aguentou-se bem porque se transformou na melhor telenovela de todos os tempos: algumas personagens supostamente morrem mas depois aparecem vivas noutro filme; o irmão do gajo mau (que morreu no filme anterior) aparece (no filme seguinte) para se vingar; a família cai em desgraça mas no final recupera e acaba a beber uns shots num sunset catita; já quase toda a gente casou e/ou teve filhos. Só falta mesmo aparecer um gémeo cego do Vin Diesel, ou uma miudinha órfã e pobre que depois se torna rica... E além disso, as perseguições e as explosões nas telenovelas são absolutamente miseráveis e no Fast and Furious são sempre super-espectaculares.
Quando é que as audiências se vão fartar da franchise?
Resposta difícil. Acho que no próximo "episódio" as pessoas vão perceber que já chega. No episódio a seguir, alguns dos actores vão sair porque já é tempo de fazer alguma coisa de jeito na vida. No seguinte, os estúdios vão fazer um remake com novos actores e o público não vai perdoar porque é tudo demasiado "novo". Provavelmente vai haver um 12.º, com o regresso de alguma estrela dos filmes originais que não arranja trabalho, mas vai estar tão fora de forma que acaba por matar a franchise de vez. Tipo, o Indiana Jones a lutar contra extraterrestres aos 78 anos... Não há pachorra, não é verdade?
Agora em relação ao filmes propriamente ditos. The Fast and the Furious (2001) foi o primeiro da saga. E nem é propriamente mau. É um filmito de acção razoável, com carros quitados, polícias infiltrados e personagens até bem "montadas". Daí que tenha dado azo a todas estas sequelas. Depois entrou em modo de cruzeiro com 2 Fast 2 Furious (2003) e The Fast and the Furious: Tokyo Drift (2006) que são basicamente as sequelas "normais" da indústria: dá dinheiro?, então faz-se outro parecido mas com maiores explosões... Mas depois a franchise tomou um rumo diferente. Vin Diesel percebeu que tinha em mãos um bom negócio que estava a mirrar e decidiu voltar à saga. E voltou muito bem, com a lógica da "famiglia", que é uma coisa que as audiências gostam sempre. Assim, teve história para poder fazer uma franchise dentro da própria franchise: Fast & Furious (2009), Fast Five (2011), Fast & Furious 6 (2013) e Furious 7 (2015). A "série" fica marcada pela trágica morte de Paul Walker durante as filmagens de Furious 7, o que dá ainda mais ênfase à parte da "famiglia". Sinceramente, acho que deveriam ter ficado por aqui. O desaparecimento de uma personagem tão importante como o de Paul Walker (que até esta altura até tinha feito mais filmes F&F que o próprio Vin Diesel), deveria ter posto um ponto final na série. Mas não. Tinha de se arranjar forma de voltar à bilheteira e portanto lá se arranjou uma história e uma super-vilã high-tech qualquer para justificar o regresso com The Fate of the Furious (2017). E isto não fica por aqui. Pelas minhas contas, ainda falta o F&F9 (The Return of) [as personagens regressam para mais uma aventura relacionada com alguém da família ou para tratar da vingança de algum familiar do gajo mau que mataram num dos episódios anteriores], o F&F10 (The New Breed) [um remake com novos actores, em que os antigos personagens preferidos aparecem só por breves momentos a dizerem: "No meu tempo, tínhamos carros de corrida a gasolina e tratávamos de motores, vielas e óleo queimado... Agora é tudo electrónico..."], o F&F11 (Fullscreen) [passado no espaço, num universo paralelo ou num mundo pós-apocalíptico que na verdade só existe num programa de realidade virtual] e o último F&F12 (The Last Job) [onde fazem mesmo um último trabalho para se reformarem de vez, até porque nessa altura os carros serão todos obrigatoriamente autónomos].
Mas há mais vida para além da franchise propriamente dita. Ainda há spin-offs para as diversas personagens e séries de TV para explorar, assim como canecas, mochilas, lancheiras e tapetes de rato para vender...
Uma coisa que aprendi enquanto escrevia esta crítica é que os filmes não são todos seguidos, cronologicamente falando. O The Fast and the Furious: Tokyo Drift que foi o terceiro filme a ser lançado, em termos de história, supostamente é o sexto, a seguir ao Fast & Furious 6 que por essa lógica deveria ser o 5.º... Confuso?! Muito... Mas não faz mal. Ninguém reparou nisso. E também, o que é que isso interessa? Não tem carros quitados, perseguições, explosões, porrada, gajas com roupas muito apertadas, música cool e "famiglia"? Então já chega... ●○○○○
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Aqui há uns tempos vi um documentário sobre uma empresa que faz uma coisa que parece saída de um filme de ficção científica. Nessa empresa, pegam nos restos mortais de uma pessoa que foi cremada, retiram o carbono das cinzas, metem numa máquina durante três meses e misturam-no com uma partícula minúscula de diamante, chamada de "semente". Após três meses de calor e pressões extremas, o resultado final é, na realidade, um diamante feito a partir das cinzas cremadas de uma pessoa. Depois de ver o documentário, a única coisa que pensava era: "há pessoas que têm uma imaginação prodigiosa". Imaginação quase ilimitada.
No outro lado absolutamente oposto, portanto, no ponto zero da imaginação, temos o pessoal que levou o Assassin's Creed do mundo dos jogos para o cinema. Foram buscar uma história do próprio jogo, misturaram com umas cenas de porrada, juntaram-lhe um casting de grandes actores (Michael Fassbender, Marion Cotillard, Jeremy Irons, Brendan Gleeson e Charlotte Rampling) para figurar nos cartazes e está a andar... Está feito. Siga para a bilheteira.
Realizado sem um único pingo de imaginação por Justin Kurzel (que já tinha feito um amarguíssimo Macbeth, também com o ubíquo Fassbender e a Cotillard. Próximo vídeo-jogo, por favor! ○○○○○
Desculpem. Enganei-me. Este é o trailer do jogo (Assassin's Creed: Revelations) onde foram buscar parte da história... O trailer seguinte é que está correcto...
No outro lado absolutamente oposto, portanto, no ponto zero da imaginação, temos o pessoal que levou o Assassin's Creed do mundo dos jogos para o cinema. Foram buscar uma história do próprio jogo, misturaram com umas cenas de porrada, juntaram-lhe um casting de grandes actores (Michael Fassbender, Marion Cotillard, Jeremy Irons, Brendan Gleeson e Charlotte Rampling) para figurar nos cartazes e está a andar... Está feito. Siga para a bilheteira.
Realizado sem um único pingo de imaginação por Justin Kurzel (que já tinha feito um amarguíssimo Macbeth, também com o ubíquo Fassbender e a Cotillard. Próximo vídeo-jogo, por favor! ○○○○○
Desculpem. Enganei-me. Este é o trailer do jogo (Assassin's Creed: Revelations) onde foram buscar parte da história... O trailer seguinte é que está correcto...
A icónica história de terror/ficção científica de Frankenstein chega mais uma vez ao cinema. E como já há décadas que não vejo um filme que preste sobre Frankenstein, fiquei logo de pé atrás.
Quando percebi que a história teria um twist, e desta vez seria contada da perspectiva do "ajudante" Igor, fiquei com medo. Muito medo. É que o Igor nem sequer é uma criação que tivesse saído do clássico de Mary Shelley, portanto... medo.
Pensei logo que seria outra chachada de acção e efeitos especiais, mas surpreendentemente até é jeitoso. James McAvoy é um bom actor e o casting secundário é fixe (Jessica Brown Findlay e Andrew Scott). Só não percebi foi presença do Harry Potter (Daniel Radcliffe) em versão cabelos compridos... Ficou marcado para sempre. É o preço do sucesso. É a vida...
Victor Frankenstein surpreendeu-me positivamente porque é um filme de acção sem perseguições, socos e (muitas) explosões e apresenta a história de uma outra forma. E estranhamente até faz algum sentido. Não sei se o Max Landis aprendeu o ofício com o pai (John Landis), mas que está muito bem escrito, lá isso está. O único ponto fraco na história é a pouca visibilidade do "monstro", que tem obviamente uma importância enorme no impacto de toda a história. Mas percebo a lógica de se centrar mais no "criador" do que na "criação".
Todo a história é adulterada e é quase uma súmula de várias imprecisões e invenções das várias adaptações feitas para cinema ao longo dos anos. O que em certa parte até é engraçado porque mostra que há um ecossistema à volta da personagem de Frankenstein, por assim dizer, e a base de inspiração deixou de ser apenas o livro. O Igor, por exemplo, é uma criação do clássico filme de James Whale de 1931, apesar de nesse filme, o Igor se chamar Fritz. Também a personagem "fictícia" do irmão de Victor Frankenstein, Henry, vem do clássico de Whale. Mas há mais referências durante todo o filme, e para um fã da história como eu, acaba por ser engraçado estar a identificá-las. Já para um purista do género, estas alterações na história devem ser absolutamente lancinantes... Gostos...
Não sendo propriamente memorável, Victor Frankenstein é um bom filmito steampunk de Paul McGuigan. Não é desmiolado, é genuíno e, para variar, foi uma agradável surpresa. ●●○○○
Quando percebi que a história teria um twist, e desta vez seria contada da perspectiva do "ajudante" Igor, fiquei com medo. Muito medo. É que o Igor nem sequer é uma criação que tivesse saído do clássico de Mary Shelley, portanto... medo.
Pensei logo que seria outra chachada de acção e efeitos especiais, mas surpreendentemente até é jeitoso. James McAvoy é um bom actor e o casting secundário é fixe (Jessica Brown Findlay e Andrew Scott). Só não percebi foi presença do Harry Potter (Daniel Radcliffe) em versão cabelos compridos... Ficou marcado para sempre. É o preço do sucesso. É a vida...
Victor Frankenstein surpreendeu-me positivamente porque é um filme de acção sem perseguições, socos e (muitas) explosões e apresenta a história de uma outra forma. E estranhamente até faz algum sentido. Não sei se o Max Landis aprendeu o ofício com o pai (John Landis), mas que está muito bem escrito, lá isso está. O único ponto fraco na história é a pouca visibilidade do "monstro", que tem obviamente uma importância enorme no impacto de toda a história. Mas percebo a lógica de se centrar mais no "criador" do que na "criação".
Todo a história é adulterada e é quase uma súmula de várias imprecisões e invenções das várias adaptações feitas para cinema ao longo dos anos. O que em certa parte até é engraçado porque mostra que há um ecossistema à volta da personagem de Frankenstein, por assim dizer, e a base de inspiração deixou de ser apenas o livro. O Igor, por exemplo, é uma criação do clássico filme de James Whale de 1931, apesar de nesse filme, o Igor se chamar Fritz. Também a personagem "fictícia" do irmão de Victor Frankenstein, Henry, vem do clássico de Whale. Mas há mais referências durante todo o filme, e para um fã da história como eu, acaba por ser engraçado estar a identificá-las. Já para um purista do género, estas alterações na história devem ser absolutamente lancinantes... Gostos...
Não sendo propriamente memorável, Victor Frankenstein é um bom filmito steampunk de Paul McGuigan. Não é desmiolado, é genuíno e, para variar, foi uma agradável surpresa. ●●○○○


























