Jordan Benedict (Rock Hudson) é um rancheiro do Texas que está de visita a Maryland para comprar um garanhão para as suas propriedades. Enquanto negoceia a compra do animal com o dono, acaba por se cruzar com a filha dele (Elizabeth Taylor) e apaixona-se perdidamente. O amor é recíproco entre Leslie e Jordan, o que leva a que os dois se casem imediatamente, mudando-se para a gigantesca propriedade de Jordan no Texas. Aí encontram o cowboy Jett Rink (James Dean), que terá um papel bastante incisivo na história da família.
Vi algures num cartaz promocional do filme que dizia que Giant é um filme tão grande como o próprio Texas. Não conheço o Texas, mas posso dizer que Giant é mesmo... gigante. É um épico maciço de 200 minutos de filme. Não seria para menos. Não só esta é a história de um triângulo estranho de amores e desavenças entre os três protagonistas, como também abarca praticamente três gerações da família Benedict. Desde os tempos iniciais do casamento, ao aparecimento dos primeiros filhos, passando pela divergência com Jett Rink, há muita história para contar. Se fosse hoje, para além do filme, esta história daria uma série para aí com umas três temporadas. E como para além da parte do rancho, esta história também tem que ver com o famoso petróleo do Texas, não me admiraria que tivesse sido a base de inspiração para a série Dallas e restantes soap operas americanas com magnatas do petróleo. Jett Rink no Giant? J.R. Ewing no Dallas? Não me parece que tivesse sido coincidência... Mas adiante.
Apesar das mais de três horas de filme, Giant não é massudo. A realização ampla e muito fluída de George Stevens, mas principalmente o argumento de Fred Guiol e Ivan Moffat fazem toda a diferença. Há sempre coisas novas a acontecer, há sempre reviravoltas e há sempre acção e emoções ao rubro. Está muito bem escrito. A presença no ecrã de verdadeiros monstros do cinema como Rock Hudson, Elizabeth Taylor e James Dean também ajudam. Não é todos os dias que se pode ver um filme em que os actores são verdadeiras lendas. Estes estatutos não se ganham só porque sim. Estes três, especialmente, têm de facto uma auréola. Há qualquer coisa neles que é magnético e inexplicável. E depois, em tanta história para contar, ainda há um rol infindável de excelentes actores como Mercedes McCambridge, Dennis Hopper (não sabia que ele alguma vez tinha sido novo...), Rod Taylor ou Carroll Baker. Tudo prestações clássicas de Hollywood.
Já queria ver este Giant há muitos anos. Tive agora a oportunidade numa reposição em TV. E queria vê-lo porque estava em falta na minha "trilogia James Dean". Os outros dois filmes dele são fantásticos e tinha muita curiosidade em ver Dean neste que foi o seu último papel. Não estando mal na personagem, James Dean foi quem mais me decepcionou. Estava à espera de outra coisa... Acho que foi mais um caso de altas expectativas não correspondidas... Não sei se foi a prestação, se foi a personagem, mas sei que algo não funcionou bem. Acho que aquela personagem com um lado marcadamente mau e ressentido não lhe assentou bem e por isso a performance também acabou por sair estranha. Toda a prestação tem uma aura muito estranha e diferente das anteriores. Jett Rink/James Dean acaba por destoar não só do restante elenco, como até do próprio filme...
O que sei é que para além de serem antagónicos no filme, James Dean e Rock Hudson também se deram bastante mal fora das filmagens. São conhecidas inúmeras situações em que Dean deu uma de bad boy durante a rodagem de Giant, ao ponto de boicotar as filmagens. Pelo que li Dean deu-se mal com toda a gente, inclusive com George Stevens, sendo que a única pessoa com quem se dava bem era precisamente com Elizabeth Taylor. Tudo isto é muito estranho porque basicamente é o guião do próprio filme. Terá sido mais um actor a levar longe demais o papel? Não sei. Mas que é estranho, é.
Precisamente devido ao James Dean, este filme está repleto de mística. No último dia de filmagens, Dean recebeu o célebre Porsche Spyder no cenário. Uma semana depois James Dean teria um acidente fatal. E assim nascia um mito. Um gigante do cinema. Algumas das suas cenas tiveram que ser cortadas e outras tiveram de ser dobradas sonoramente para poderem chegar à versão final de Giant. O filme não se ressentiu e ganhou o estatuto de mítico.
Este épico familiar continua ainda hoje a ter vivacidade, e de certa forma, tem um ar moderno e  contemporâneo porque aborda algumas das mesmas questões fracturantes. As diferença do Texas para com o "mundo exterior". A riqueza e a opulência em confronto com o respeito e a vulgaridade. A interferência da guerra no contexto familiar. A luta pela igualdade e contra o racismo. As personalidades vincadas mas humanamente flexíveis de cada uma das personagens ao longo do tempo. Giant é mesmo grande em tudo. Apesar da pouca visibilidade mediática quando comparado com outros épicos da mesma altura, Giant é um dos marcos do cinema de Hollywood. Um clássico obrigatório. ●●●

Danny Boyle é um gajo que já deixou "marcas" e que me põe sempre na expectativa. Raramente me desilude, mas nos últimos anos tem-me surpreendido, não diria pelos piores motivos, mas porque envereda por caminhos que eu não estava nada à espera. Não é que não goste dos filmes, mas também nunca diria à primeira vista que estava a ver um filme "Danny Boyle". Um exemplo óptimo para isso, é este Yesterday. Acho que não o poderei classificar de forma diferente. Yesterday é... uma comédia romântica. E comédia romântica, definitivamente, nunca seria uma temática que veria associada ao Danny Boyle.
Em Yesterday, um aspirante a músico de uma pequena povoação inglesa sofre um acidente de viação e vai parar ao hospital. Ao mesmo tempo deste infortúnio pessoal, algo de estranho acontece no planeta, sem se perceber muito bem o quê. Quando ele acorda no hospital, apercebe-se que está numa estranha realidade em que, entre outros pormenores, ele é a única pessoa que se lembra das músicas dos Beatles. Naquela realidade alternativa, não só a Coca-Cola não existe, como também os Beatles nunca se juntaram e compuseram as músicas que toda a gente conhece e gosta. Munido da lembrança das excelente músicas do "pessoal de Liverpool", o músico começa instantaneamente a ter êxitos após êxitos e a ser um fenómeno de popularidade mundial. Mas esta fama tem um preço...
Os papéis principais são de Himesh Patel e Lily James. Muito ternurentos, muito apaixonados, mas também totalmente esquecíveis. A única performance que me suscitou alguma excitação foi a de Kate McKinnon, como uma irascível agente musical. E também há alguns cameos como Ed Sheeran e James Corden, mas tal como os restante actores e o filme no seu todo, não aquecem nem arrefecem...
Admito que a premissa me deixou com água na boca. Era boa demais para ser estragada e ainda por cima nas mãos do Danny Boyle. Mas a realidade, é que Yesterday é um pobre exemplo de uma boa história estragada com lamechices românticas. Toda esta história serve apenas de suporte a uma ridiculazinha história de amor e desencontros, à velha maneira das clássicas comédias românticas em que tudo termina bem, cheio humor básico e de corações cor-de-rosa. Que desperdício. Yesterday tem algum mérito no que toca à realização, mas para além do desaproveitamento da narrativa ainda se junta o total desaproveitamento das músicas dos Beatles. O que poderia ter sido um excelente filme, acaba por ser reduzido a uma mísera comédia romântica para ver num domingo à tarde... Um desperdício total. E continuo sem perceber o que se passa com o Danny Boyle... ○○○

Para um público de cinema assumidamente passivo como é o de hoje em dia, Alice in Wonderland foi um sucesso. Parece-me que hoje, o que o público quer é não pensar muito e que simplesmente lhe atirem com coisas, cores e movimento para os olhos. Daí que Alice in Wonderland tenha sido um sucesso. E assim sendo, o box-office obriga a uma sequela. A grande vantagem é o próprio livro já ter uma sequela... E ela chegou na forma de Alice Through the Looking Glass, se bem que aqui a aproximação já não foi o livro de Lewis Caroll, mas antes uma mistura de vários elementos do primeiro e do segundo livro, de forma a fazer uma nova história com os personagens originais.
Apesar das muitas parecenças, Tim Burton já não mora aqui. A realização esteve a cargo de James Bobin, mas com Tim Burton no papel de produtor, visão distorcida, colorida e negra ao mesmo tempo e às vezes até mórbida continua lá.
Alguns actores repetem a estadia em Wonderland (Johnny Depp, Mia Wasikowska, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway e Sacha Baron CohenAndrew Scott) enquanto outros se estreiam. Mas lógica permanece a mesma do primeiro filme. São irrelevantes quando comparados com a imensidão de efeitos especiais que inundam o filme até à exaustão, não deixando grande espaço para a representação. Destaque para um gajo que sempre gostei, Alan Rickman que teve aqui a sua última participação. Rickman sempre me fascinou porque tinha aquele look de cavalheiro brit mas por outro lado parecia ter um lado muito negro.
Alice Through the Looking Glass sofre do mesmo mal do primeiro filme, com a agravante de parecer uma cópia, mais do que parecer uma sequela. Mal acaba de se ver, uma pessoa fica na dúvida se já não viu aquilo antes... É toda uma nova definição para o termo "esquecível"... Mais um tiro em CGI nos pés e mais uma enorme decepção. ○○○

Se em tempos fui um grande entusiasta dos efeitos especiais, hoje em dia, sou um dos grandes críticos. Continuo a gostar dos efeitos, mas acho que hoje eles dominam tudo. E tudo o que é demais é erro. Um dos bons exemplos disso é Alice in Wonderland de Tim Burton. Juntar o intemporal, lunático e fantástico conto de Lewis Carroll com a visão de Tim Burton deveria ter sido o casamento mais feliz do cinema, até porque o filme "marcou" os 145 anos do lançamento original do livro. Deveria ter sido uma homenagem impecável. Mas isso não aconteceu. É estranho, mas algo falhou redondamente aqui. Sou um grande fã do Burton mas ele espalhou-se ao totalmente ao comprido. Mas qual é a razão? Apesar dos actores estarem todos bem nos seus papéis (Johnny Depp, Mia Wasikowska, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway e Alan Rickman, entre muitos outros), tornam-se quase irrelevantes e planos como se fosse de cartão. Um cartão digital, claro está... O guião está muito bem construído e encaixa perfeitamente a narrativa desta "nova" Wonderland sobre o efeito de psicotrópicos. A melhor coisa do filme é mesmo a forma como foi escrito, tendo por base uma "verdadeira história" em torno das deambulações de Alice, ao invés de ser "apenas" uma miúda a ter uma série de encontros fortuitos com personagens tresloucadas.
A falha, por isso, só pode ser atribuída aos (excessos dos) efeitos especiais. Tim Burton deixou-se levar pelas infinitas possibilidades da técnica. Para um realizador com aquela visão deve ter sido muito difícil contrariar as possibilidades. Agora é possível transpor para um ecrã toda e qualquer ideia, por mais maluca, fantástica ou esquisita que seja. Simplesmente não há limites para o CGI. O reverso da medalha é que deixa o espectador sem margem para imaginar. O espectador torna-se um elemento passivo que está só ali a assistir aos devaneios mentais do realizador e da equipa de efeitos especiais. Não deixa espaço nenhum para a imaginação. Alice in Wonderland torna-se por isso numa obra passiva em que uma pessoa se perde neste Wonderland digital cheios de fogos de artifício. É um filme sem alma orgânica e que retira todo o fascínio e o sentimento de mistério, espanto e maravilha. Fica apenas a visão colorida e bizarra típica do Tim Burton vintage, que por natureza também já vem dos livros, e uma sensação de amargo na boca por não ter nada de memorável. Um tiro de pólvora seca... ○○○

Em 2005 um grupo de investigadores financeiros apercebe-se de uma série de falhas graves no sistema americano de crédito à habitação. Para além das dívidas dos americanos serem impagáveis, o grupo apercebe-se da corrupção e da estupidez que gere este mercado escondido e decide apostar tudo o que têm na queda do próprio mercado. Os grandes banqueiros não percebem a jogada e inclusive ajudam-nos a angariar fundos para apostar contra os seus próprios clientes, julgando que estavam a fazer negócio com investidores estúpidos... O resto é história. E como a realidade é sempre mais estranha que a ficção, esta é uma história verídica. Os nomes foram alterados, mas as personagens são verdadeiras. Toda a história é verdadeira. Não parece verdade que haja pessoas na penumbra a ganhar rios de dinheiro com a pobreza dos outros, mas a realidade é o que é...
Alguém por aqui sabe-me explicar o que são derivativos, dívida subprime, credit default swaps, obrigações de dívida colaterizada (CDOs), CDOs sintéticos ou outras destas "cenas" técnico-financeiras? Pois... não é fácil. Até mesmo para quem as criou e lucra com isso. O panorama, a desregularização sistemática e o ecossistema financeiro surreal criado à volta das dívidas "quase" eternas das pessoas comuns levaram a um descontrolo total, que levou ao colapso de economias inteiras. O mais inacreditável é que depois de tudo isto começar a arder, os gajos que criaram o fogo safaram-se sem culpa, atirando-a para cima das pessoas normais, e mais importante, no final, receberam ajudas gigantescas dos Estados (que ele detestam visceralmente) e ainda lucraram com isso. Nesse aspecto é notável a história contada no filme de como o Goldman Sachs atrasou o colapso financeiro o suficiente para vender activos tóxicos aos seus próprios clientes mais desatentos e apostar que eles iam perder dinheiro... tirando lucro disso mesmo. Um autêntico canibalismo financeiro em que nada, mas mesmo nada tem valor... a não ser fazer dinheiro. Inacreditável a lata destes gajos. E uma pessoa pergunta-se? Mas porque é que as pessoas não se revoltam como este tipo de situações? Acho que a resposta está nos parágrafos acima... ninguém faz a mínima ideia do que se passa atrás da cortina onde esta gente se move. Só mesmo quando há um fogo e o fumo chega perto é que as "pessoas normais" têm noção de que existe uma outra realidade para além da vidinha normal de pagar as dívidas no final do mês. E para aprofundar ainda mais as crises sociais, como parece que uma parte do pessoal que por cá anda é meio estúpida, passado pouco tempo, estão todos a atirar culpas uns para outros e os verdadeiros responsáveis, para além de se safarem sem verem as caras expostas nas primeiras páginas, vão para os seus iates beberem umas margaritas de borla... A verdade é que cada um tem o o que merece... Bem, parece que estou novamente a divagar...
Poderia aproveitar a oportunidade de falar deste The Big Short, para relembrar o perigo iminente das dívidas do subprime, dos derivativos, dos MBSs ou das CDOs, mas acho que não é preciso. Uma das coisas que The Big Short tem de bom é que para além de ser um bom filme, também é uma excelente aula de finanças avançadas. Explicam isto tudo muito bem explicado. Um gajo até começa a ter ideias malucas e a penasr se não seria melhor vestir um fatinho, meter uma "forca ao pescoço" e atirar-se de cabeça num destes esquemas financeiros marados... Adam McKay fez um trabalho soberbo, mas também tem de se dar os parabéns ao argumento que está espectacularmente bem escrito. Não é nada fácil criar uma narrativa assim com base em acontecimentos tão surreiais e tão repleto de terminologia que parece saído de um filme de ficção científica...
Está tão bem escrito que decidi guardar para mim uma citação do filme que acho que é absolutamente fantástica e que em certa parte acho que resume bem o mundo em que vivemos... "A verdade é como a poesia. E a maior parte das pessoas está-se a cagar para a poesia"... tradução livre, obviamente.
Para além de ser um grande filme, The Big Short junta outros pontos positivos como estar espectacularmente bem escrito, muito bem dirigido e ser interpretado por uma trupe de excelentes actores (Christian Bale, Steve Carell, Ryan Gosling e Brad Pitt) que verdadeiramente sabem o que estão a fazer. Mas a verdadeira importância do filme não está no filme propriamente dito: toda a importância está na mensagem. E a mensagem é muito simples: algures, por aí, por trás da cortina, há uma série de abutres financeiros que vão tramar toda a gente com a sua ganancia estúpida. E quando isto acontecer, toda a gente vai ficar pobre (outra vez) e estes gajos vão ficar (ainda) mais ricos. O sistema está mal construído e estas pessoas aproveitam-se disso, até porque são elas próprias que, à partida, constroem estas falhas no próprio sistema, para lucrarem com isso mesmo que toda a gente perca. Estas pessoas são perigosas porque só têm um propósito: fazer dinheiro. Tudo o resto é... nada. Zero. Nicles. Não interessa para nada... É por isso que The Big Short é tão importante. Quando acontecer outra vez, e vai acontecer outra vez (a vergonha juntamente com a ganância nunca termina - Greed is good! ...alguém ainda se lembra da frase?) é bom (re)ver o filme e perceber o que raios acabou de acontecer... novamente. ●●●

Após o imenso sucesso de Poltergeist na recepção crítica e na receita de bilheteira, a inevitável sequela... Poltergeist II: The Other Side. Ainda havia algumas pontas soltas para resolver do filme anterior e por isso chega uma segunda parte. Depois de terem deixado a primeira casa após os acontecimentos terroríficos com a filha mais nova, a família muda-se para outra casa mas vai-se envolver novamente com entidades espirituais e malignas. O mal quer novamente a miúda do primeiro filme e agora vai chegar na forma do Reverand Kane e da sua seita maluca...
Este Reverend Kane (Julian Beck), à porta de casa da família, a dizer de uma forma absolutamente aterradora  "let me in, let me in"... nunca mais me saiu da cabeça. É das personagens mais medonhas que me lembro. Isso e aquele "ser" sem pernas e braços que Craig T. Nelson vomita (!?!) também me traumatizou...
Os actores são praticamente os mesmos (JoBeth Williams, Craig T. Nelson, Heather O'Rourke, Oliver Robins, Zelda Rubinstein) mas mudou toda a parte técnica (Brian Gibson) e isso faz toda a diferença. Sendo uma sequela "pura", a lógica foi a mesma de sempre: tinham de fazer mais, melhor e maior que o primeiro filme. Não é melhor, mas realmente é muito mais e muito maior, só que é só em termos de efeitos especiais. Não estou a reclamar. Richard Edlund era um verdadeiro mestre das engenhocas e dos make-ups que segui durante muitos anos. Mas como acontece hoje em dia, os efeitos sobrepuseram-se a tudo o resto. Tem os típicos jump scares, mas já não tem a coerência do primeiro filme.
No plano real, a maldição continuou a assombrar o legado Poltergeist. O aspecto malévolo e cadavérico de Julian Beck não é fruto de maquilhagem. Na realidade, o actor sofria com um cancro terminal e morreu pouco tempo depois. Will Sampson que faz de xamã (porque era mesmo um xamã) também morreu de ataque cardíaco fulminante pouco depois. E a juntar a isto mais uma série de fenómenos estranhos e até um exorcismo pedido pela equipa de filmagem e actores junta-se ao rol de misticismo que rodeia esta série de filmes Poltergeist... Que é estranho, lá isso é...
Esta sequela é realmente uma sequela. Pretende apenas cavalgar o êxito do primeiro filme e mais nada. Na altura adorei o filme porque tinha montes de efeitos especiais e novos monstros (alguns do H.R.Giger...), mas basicamente é uma repetição do primeiro filme e é totalmente dispensável. A não ser para fãs inveterados do terror como eu era nesta altura e em que "marchava" tudo... Parei por aqui. Sempre gostei do terror, especialmente por causa dos efeitos, mas nunca fui muito fã das possessões e cenas espirituais. É uma coisa que me afecta... Já chegava de espíritos vingativos. Poltergeist ainda completaria a obrigatória trilogia com uma terceira parte num arranha-céus mas nunca vi. Dispensável mais ainda assim assustador o suficiente... ○○○

Anda meio mundo a sugerir coisas para se ver durante esta pandemia. E o pessoal está todo em casa a ver séries sobre pandemias e filmes sobre reclusão forçada em casa, por isso acho que o melhor é arranjar umas alternativas diferentes... Que sejam, digamos assim, mais emocionantes...
Craig T. Nelson e JoBeth Williams são casal normal, com uma vida rotineira que acabam de se mudar para uma casa nova. Os três filhos também não têm nada de especialmente relevante para contar. São miúdos normais. Como tantas vezes acontece com os amigos imaginários, um dia, a miúda mais pequena começa a falar com a estática da televisão... Os pais não ligam muito ao assunto, mas do dia para noite, os móveis começam a mexer-se sozinhos, ao mesmo tempo que estranhos e inexplicáveis fenómenos começam a acontecer... Os pais contratam uma série de especialistas paranormais (Beatrice StraightZelda Rubinstein) para resolver o assunto, mas tudo descamba para o terror quando a miúda (Heather O'Rourke) é raptada e levada pelos "seres da TV" para uma dimensão paralela...
Apesar de ser um filme de terror, na verdade ninguém morre. Acho que o pássaro da família morre, mas já não tenho a certeza. É um filme de terror com a marca Steven Spielberg portanto ninguém se magoa definitivamente. Mas também é um filme Tobe Hooper, o que quer dizer que muitas cenas são absolutamente assustadoras. Não é por nada que ainda hoje perdura a questão da autoria do filme. Spielberg ou Hooper? Conhecendo o trabalho dos dois, este parece mesmo um filme feito a quatro mãos. Apesar de ser nitidamente um filme Spielberg, não se pode menosprezar Poltergeist como sendo pouco terrorífico. Quando o vi em miúdo, assustou-me até ao tutano. Na altura as emissões de televisão tinham um fim e podia-se ver realmente a estática assim que a emissão acabava, algo que, estranhamente, quase ninguém tem noção do que é. Mas nessa altura, eu tinha medo da estática. Muito medo. Se apanhava a televisão nesse estado, corria para a desligar. Foi esse o efeito Poltergeist. É um dos grandes filmes de terror do cinema. A história é muito boa, cheia de pormenores que ficaram para posteridade. Os actores também estão muito bem. Mas há que destacar os efeitos especiais que na altura deixavam um gajo de boca aberta. Poltergeist foi um dos primeiros filmes que vi e muito provavelmente o primeiro filme de terror. Se me afastou da temática, por medo, durante muito tempo, estranhamente também teve o efeito contrário. Passado o efeito "real" da coisa, ou seja, quando finalmente cresci e percebi que do outro lado da câmara estava uma equipa de filmagem, isso deixou-me imensamente intrigado: como é que faziam aquilo? como é que punham as coisas a mexer-se sozinhas? E os raios? E a árvore? E o palhaço? Porra para o palhaço. As cenas com o palhaço aterrador devem ter traumatizado milhões de pessoas ao longo dos tempos... Acho que actualmente as pessoas têm problemas com palhaços e isso em parte deve-se ao Poltergeist...
Para além do currículo de sucesso que o filme carrega consigo, também existe uma carga muito negativa associada. Coincidência ou não, uma série de eventos trágicos têm percorrido a franchise ao longo dos tempos. Pouco depois da estreia, Dominique Dunne que fazia de filha mais velha, foi morta à porta de casa por um ex-namorado. A miúda mais nova (Heather O'Rourke) também morreu na rodagem do 3.º filme e ainda há a reportar a morte repentina de mais actores, assim como uma serie de acidentes e coisas inexplicáveis... É a chamada Maldição do Poltergeist. Há uma teoria que diz que tudo acontece porque no final deste primeiro Poltergeist foram usado esqueletos verdadeiros. Sim, esqueletos de pessoas verdadeiras para as filmagens. Em 1982 se era para atingir um grau de veracidade nos efeitos, recorria-se a tudo. E pior, a actriz (Jobeth Williams) nessa cena não sabia que os esqueletos eram verdadeiros; pensava que eram simples adereços... Weird shit...
Poltergeist foi um dos grandes sucessos de bilheteira naquele ano e um filme que marcou uma série de gente. Se em algumas situações acaba por estar um pouco datado, em muitas coisas continua a ser verdadeiramente aterrador. Até já me deu aqueles arrepios esquisitos na nuca... ●●●

Revi este Bram Stoker's Dracula de Francis Ford Coppola há pouco tempo, mas nem era preciso. Este é um daqueles filmes que "arquivei" mentalmente. Lembro-me de tudo. O que na minha escala qualitativa é o mais importante. Se "cola" é porque é bom. Se "cola" completamente, é por é mesmo bom... E este é um dos casos.
Já vi muitos Dráculas, variantes e muitas versões de Dráculas mais ou menos fiéis ao livro original e não tenho dúvida nenhuma que este é o melhor filme de todos. Aliás, não consigo perceber como é que poderia ser melhor. É perfeito. Grandes actores com grandes prestações, grande ritmo, grande jogo de luzes e grande som. Tudo pensado ao mais ínfimo pormenor. Só o facto de Francis Ford Coppola usar deliberadamente "efeitos especiais antigos" para não chocar com o carácter gótico da história é um pormenor de um verdadeiro mestre. Não é apenas lógico, é simplesmente genial.
Nota-se que há um fio condutor que une todas as histórias: Van Helsing, Lucy, Mina e as diversas fases e facetas de Dracul misturam-se todas numa excepcional narrativa, em que o sangue se transforma numa linha que tanto dá a vida como dá a morte. Para além de toda a questão inerentemente romântica dos vampiros com o amor a fluir através dos tempos (e a história do vampiro Dracul é mesmo a derradeira história de amor), na realidade este é um filme de acção, só que não tem perseguições e explosões. Toda a acção vem da narrativa e da forma como Copolla consegue impor ritmo às próprias palavras e cenas. Excepcional. Nada falha neste filme e só há um responsável por isto. Francis Ford Copolla. Um mestre moderno.
Gary Oldman e Winona Ryder fazem um par romântico estranhamente distantes que ficou na história porque há qualquer coisa entre eles para lá da simples química entre actores. Anthony Hopkins, um "senhor" em qualquer filme, no papel de um tresloucado Van Helsing, que mais parece uma versão gótica do Hannibal Lecter. Keanu Reeves, em versão muito insossa mas fundamentalmente perfeito para o papel. E um lote de secundários como Richard E. Grant, Cary Elwes, Billy Campbell, Sadie Frost (Lucy, Lucy... que perfeição sanguínea, Lucy...), Tom Waits (que lunático brilhante, master...) e procurando bem ainda se consegue encontrar por lá a Monica Bellucci, que como toda a gente sabe, é uma verdadeira estátua clássica viva...
Poderia incluir aqui uma qualquer aproximação metafísica dos vampiros, da história cinematográfica destes sugadores de sangue românticos ao longo dos tempos ou o porquê do fascínio dos vampiros nunca esmorecer... Mas não me apetece. Tenho muito mais filmes para "arquivar" e já está tudo na internet...
Dracula é um filme para ver e rever e aprender sobre cinema. Uma verdadeira aula e um textbook de como fazer um filme. O melhor filme de vampiros alguma vez feito e que muito dificilmente será ultrapassado. Um filme para figurar em qualquer enciclopédia de cinema. Um clássico moderno. Obrigatório. Um dos meus filmes preferidos. ●●●●● + ●

A apresentação de provas terminou e o juiz acaba de instruir os jurados. Eles terão de se reunir e decidir literalmente sobre a vida ou a morte de um jovem acusado da morte do pai. As provas parecem apontar inequivocamente para a culpa do jovem e a reunião dos 12 jurados parece apenas uma formalidade jurídica. No entanto, quando tudo apontava para uma conclusão rápida, a situação dá uma volta inesperada quando um dos jurados declara que o jovem é inocente porque tem dúvidas sobre o caso. A polémica estala entre os jurados... Uma sala pequena, abafada, quente e 12 homens a decidirem sobre a vida ou a morte de um jovem. Eis a premissa de 12 Angry Men.
Aos poucos, vai-se sabendo mais das particularidades dos caso, mas também se vai conhecendo melhor a personalidade dos jurados e porque é que eles pensam da forma que pensam. Tudo se resume, literalmente, ao esgrimir de argumentos entre estes 12 actores: Martin Balsam, John Fiedler, Lee J. Cobb, E.G. Marshall, Jack Klugman, Edward Binns, Jack Warden, Henry Fonda, Joseph Sweeney, Ed Begley, George Voskovec, Robert Webber. Todos têm tempo de antena, todos são importantes para o desenrolar da história e todos merecem o mesmo destaque.
Esta foi a estreia bombástica Sidney Lumet, numa produção do próprio Henry Fonda. Lumet conseguiu fazer um filme numa mísera sala e ainda assim construir todo um mundo de personagens. Não é coincidência que só saiba o nome de dois dos jurados (Davis e McCardle). Os restantes só são conhecidos pelas suas profissões. Os nomes não são importantes... O importante é o que eles significam, pois todos são um género de estereótipo da sociedade americana. Não é uma coisa muito perceptível, mas é mais um excelente pormenor a juntar ao resto. Acho que poucos filmes conseguem uma simplicidade tão brilhante quanto este. Um guião absolutamente sem falhas, grandes diálogos dramáticos e uma ambiência quase de suspense, que deixa um gajo agarrado à cadeira à espera de novos desenvolvimentos na história. E quando uma pessoa pensa que aquilo vai bloquear numa situação, somos logo confrontados com uma reviravolta...
Este é um dos grande filmes de sempre. Posso ir mais longe e afirmar que 12 Angry Men resume toda a essência do cinema: uma boa história, bons actores, um cenário e um realizador com capacidade para misturar isto tudo. E esta é talvez, a mais perfeita mistura com o mínimo possível de ingredientes. Um caso de estudo sobre como fazer um filme perfeito. Nada a apontar. Um dos grandes filmes da história do cinema. Absolutamente obrigatório. ●●●●●

Honey Whitlock é uma grande estrela de Hollywood. Mas é também um produto de estúdio, e portanto uma fachada de falsidade. É então que entra em cena um grupo de cinema de guerrilha independente, liderados pelo realizador louco Cecil B. Demented. O plano é raptar a grande actriz de Hollywood e obrigá-la a ser a estrela de um filme independente.
Apesar de ser um nome reconhecido, John Waters não é de todo um nome cómodo no meio do cinema. Abertamente anti-sistema e um fazedor de "obras-primas de mau gosto", Waters sempre primou por deitar abaixo o status quo dos estúdios de Hollywood. E a coisa é mais ou menos recíproca. Aliás, aqui ele deita abaixo todo o sistema de Hollywood, incluindo agentes e actores.
Cecil B. Demented é uma "coisa" estranha. Devo já dizer que não sou grande fã do John Waters. Aquela coisa da javardice e do mau-gosto não é para mim, mas reconheço-lhe algum valor. Mas apesar disso não gostei nada deste filme. Percebo a crítica aos grandes estúdios, aos grandes blockbusters, e à lógica da fachada extremamente polida mas falsa das grandes estrelas. E por contra-ponto também percebo a crítica à falta de espaço para os filmes de menor dimensão, dos independentes e dos mais experimentais, assim como à falta de espaço de distribuição e divulgação destes filmes, que assim, muitas vezes morrem logo à nascença sem terem hipótese de sequer ser detestados pelo público. É que nem saem das mesas de montagem para os cinemas. Às vezes dá mesmo vontade de raptar alguém e fazer uma espécie de cinema de guerrilha para chamar a atenção das discrepâncias entre os dois tipos de cinema.
O título do filme não é inocente. Cecil B. Demented é obviamente uma sátira ao lendário Cecil B. DeMille, um dos maiores realizadores/produtores de sempre, comummente reconhecido como um dos fundadores da indústria cinematográfica de Hollywood e um dos homens comercialmente mais bem sucedido da história do cinema. Cecil B. Demented é a perfeita antítese. Sem dinheiro, sem valor e sem reconhecimento.
Stephen Dorff dá corpo a Cecil e na sua equipa de renegados há nomes Alicia Witt, Eric Roberts, Michael Shannon and Maggie Gyllenhaal. Também há Melanie Griffith, mas faz o seu próprio papel...
Gostei do olhar, da crítica incisiva e de um ou outro pormenor, mas no geral não gostei assim tanto de Cecil B. Demented como pensei que ia gostar... ○○○

Depois da vergonha que foi Highlander II: The Quickening, os estúdios quiseram fazer as pazes com o crescente número de fãs da história imortal de Connor MacLeod, e para isso lançaram Highlander III: The Sorcerer, que basicamente ignora (e bem) o filme anterior. Foi um bocado como dar a mão à palmatória. O problema é que o filme continua a ser mau. Melhor que a porcaria do 2, mas mesmo assim é irrelevante. Uma típica sequela.
A história regressa ao filme original, na parte em que ele perde a primeira mulher. Depois disso ele vagueia pelo planeta até chegar ao Japão dos samurais e aí conhece um feiticeiro que também é imortal. Mas um inimigo novo aparece e mata o velho mestre. O mauzão fica aprisionado numa cave e séculos depois, na actualidade, consegue fugir para finalmente se vingar de MacLeod... O resto já se me varreu da mente. É mais ou menos isto. É ridículo... É tentar inventar uma nova história quando a história original já estava fechada.
Não sendo um insulto à inteligência dos espectadores como foi o segundo filme, esta nova sequela... é uma sequela. Já tem mais algum nexo em termos de narrativa, mas também era totalmente desnecessária.
Christopher Lambert regressa e está um bocadinho melhor na pele da personagem. Mario Van Peebles é o vilão de serviço e apesar de ser um actor caído no esquecimento, na altura era muito requisitado, vá-se lá perceber porquê. Ainda há Deborah Kara Unger, uma actriz que sempre gostei mas que por qualquer motivo nunca colou no mainstream. E por fim há Mako, um "senhor" com milhentos filmes no currículo mas que também nunca passou de secundário.
Highlander III: The Sorcerer não foi o final da saga. Ainda deu mais uns dois filmes (que nunca vi) e uma série de TV bastante popular com outro actor (Adrian Paul). No máximo poderiam ter expandido este "universo" na série, mas de um ponto de visto lógico, esta história deveria ter ficado pelo primeiro filme. ○○○



PS: É favor não estranhar a diferença do título original em relação ao poster promocional, porque para além do título Highlander III: The Sorcerer, o filme também é foi distribuído com o nome de Highlander III: The Magician, Highlander III: The Final Dimension e Highlander III: The Final Conflict. É só para se ter uma noção de como a confusão estava instalada nestas sequelas...
Highlander II: The Quickening... O que dizer desta "coisa"? Não é fácil... Depois de 6 anos de interregno, alguém se apercebeu que um filmito sem grande sucesso comercial, lentamente começava a ganhar fãs. E então, porque não fazer um sequela, e dar ao público o que ele quer? Pois então, tomem lá Highlander II: The Quickening. Esta sequela basicamente rasga toda a história do primeiro filme e atira-a para o lixo. Afinal o imortal já não é imortal. Afinal os imortais são extraterrestres e afinal aquela coisa do "haver só um no final" nunca existiu. E quanto à história? Ora deixa-me cá inventar uma coisa estúpida... Por exemplo. Vamos para o ano 2024 e vamos pegar numa coisa da moda, o desaparecimento da camada de ozono. Não sei se alguém ainda se lembra, mas na década de 90, um dos grandes temas da humanidade era o planeta ficar sem a camada de ozono... Comparativamente ao que se passa hoje em dia, é caso para dizer: bons velhos tempos, não?...
A seguir vamos pôr o Connor MacLeod como o engenheiro responsável pela criação de um escudo que protege a Terra. E o MacLeod vai lutar com quem? Já que ele era o último dos imortais, como se viu no último filme... Humm... deixa lá ver... Já sei. Afinal há mais imortais mas estão noutro planeta. Boa Ideia! Bem... Já nem sequer consigo gozar com isto. É tão ridículo e tão mal feito que nem tem graça. Podia chegar ao ponto de ser tão mau que acaba por ser bom, mas acho que até vai para além disso. É simplesmente ridículo. Lembro-me de o ter visto na altura e ter ficado com a sensação de ser roubado. Isto não tem nada a ver com o Highlander. É simplesmente um fraude de bilheteira.
Regressa uma parte do elenco original (Christopher Lambert e Sean Connery), mas de forma claramente chateada e a olhar para a conta bancária com mais atenção do que para o próprio filme. Estrearam-se Virginia Madsen, Michael Ironside e John C. McGinley, mas mais valia terem ficado em casa a ver o primeiro filme. Não há nada que se aproveite aqui. Não sei o que aconteceu com Russell Mulcahy, mas deve ter sido muito grave...
Highlander II: The Quickening é o exemplo mais marcante de tudo o que uma sequela não deve ser. É uma nulidade completa e um desrespeito à originalidade dos filmes. Um rotundo zero. ○○○○○

Connor MacLeod é um escocês imortal que terá inevitavelmente que confrontar o seu inimigo, também imortal, numa luta final pelo "Prémio". E a única forma de derrotar um imortal é cortar-lhe literalmente a cabeça com uma espada...  Acho que toda a gente com mais de 30 anos já viu o Highlander ou pelo menos já ouviu falar do filme. Highlander é um filme que gosto bastante. E não é só pela questão do saudosismo. Acho realmente que o filme é bom. Tem uma história excelente, original, bons actores e no geral é um bom filme de entretenimento, que passados tantos anos, para um filme de acção e efeitos especiais, ainda se aguenta bastante bem e está actual. Talvez o melhor filme de Russell Mulcahy. Claro que não tem os fantasiosos e gigantescos efeitos de CGI dos filmes do momento, mas mesmo assim, aguenta-se bem.
Já não o vejo há alguns anos, mas mesmo assim continua cá bem "gravado". Por um lado, o "arquivo mental" foi por causa da história. A imortalidade! O derradeiro Santo Graal da Humanidade. Imortais, um prémio final, decapitações e uma história cheia de flashbacks ao longo de centenas de anos, tudo muito bem misturado e com muito nexo. Russell Mulcahy fez quase um videoclip gigant , muito bem ritmado, com excelentes imagens e muito bem misturadas com uma banda sonora portentosa. Depois, foi por causa dos efeitos. Na altura, foram um fenómeno. Eram outros tempos. Já vi um documentário sobre os efeitos especiais do filme e faziam-se coisas que seriam impensáveis hoje em dia. Algumas das cenas de espadas em que saltam raios... são mesmo raios! Os técnicos ligavam as espadas a baterias e quando estas se tocavam faziam arcos eléctricos. É inacreditável. A gigantesca explosão de vidros no beco, é mesmo uma explosão de vidros... Não haviam computadores nem efeitos digitais mas se as coisas tinham de acontecer... tinham de acontecer.
Como sempre, para além da história, é preciso que os filmes tenham actores em condições. Logo à partida, Sean Connery. É preciso dizer mais? Um lenda viva. Pode parecer estranho ver o Sean Connery de kilt em vez de smoking, mas de alguma forma estranha, acaba por estar perfeito. Mas o papel principal é de facto de Christopher Lambert, que contariamente ao que pensava, não é um actor americano, mas sim essencialmente francês. Descobri que apesar de ter nascido na América, emigrou para a Suiça muito novo e falava francês... Na realidade, aquele sotaque estranho que tem no filme, deriva precisamente do facto de andar a aprender a falar inglês. Isto é uma vantagem para as versões dobradas, porque na versão francesa é o Christopher Lambert a dobrar-se a ele próprio...  Estranho, não é? Mas ainda há, entre outros, James Cosmo, Jon Polito, Alan North, Roxanne Hart e Beatie Edney, mais uns eternos secundários. Mas não podia deixar de desatacar Clancy Brown, "o" Kurgan. Na altura, esta personagem metia-me verdadeiramente medo. O gajo, para além de parecer gigantesco, era assustador. É um dos melhores maus da fita de sempre com grandes deixas.
E para finalizar, os Queen. Uma banda sonora inteira dos Queen eleva qualquer filme e não é um qualquer filme que tem uma banda sonora especificamente criada pelos Queen. E não foram quaisquer musicazinhas... foram hits internacionais como Princes Of The Universe, Hammer To Fall, A Kind Of Magic e Who Wants To Live Forever, uma das minhas cenas favoritas de todo o filme e uma das melhores músicas de sempre dos Queen.
Apesar de tudo, Highlander não foi nenhum sucesso imediato de bilheteira. Ao longo dos tempos foi ganhando fãs até chegar ao ponto de hoje em dia, ser praticamente um filme de culto. Não é um fenómeno isolado. Acontece muitas vezes. Como tal, era suposto que Highlander ficasse por aqui. Na realidade, não foi isso que aconteceu. Uns anos depois surgiu uma sequela, que apesar de ridícula teve mais sucesso na bilheteira que este filme. Vá-se lá perceber o gosto do público. Aainda teve mais outro filme e mais umas séries na TV. Gerou todo um novo universo de imortais e histórias de continuidade. Pensando bem, isto não faz sentido nenhum porque em teoria tudo acabou quando o Connor MacLeod matou o último imortal e recebeu o tão almejado "Prémio". O que se passou a seguir na mitologia Highlander só confirma toda a lógica deste filme: só final só poderá haver apenas um... Certíssimo. ●●●

Não sei muito bem porquê mas de repente lembro-me do Chuck Norris... Estranho, não? Acho que ter passado uma grande parte da adolescência a ver filmes de porrada com o grande Chuck Norris deve ter tido algumas repercussões cerebrais estranhas. É um dos grandes heróis de acção e com total mérito. Os filmes que fazia eram fraquinhos, mas na altura também era o que havia. Lone Wolf McQuade é mais um dos filmes típicos de Chuck Norris e que representa muito bem, tanto a filmografia dele, como o geral dos filmes da altura.
Norris é J.J. McQuade, um Ranger do Texas... Espera... Outra vez?!... Parece que ele foi Ranger do Texas em todos os filmes e séries... Ou será que ele era mesmo um Ranger?!... Adiante. O Ranger do Texas entra em conflito com um perigoso contrabandista de armas (David Carradine [Bill!? És tu?...]) por causa de uma mulher (Barbara Carrera) que ambos disputam. Como na altura estava muito na moda, ambos os protagonistas são exímios praticantes de artes marciais. Depois de o mauzão lhe ter morto o melhor amigo, o Ranger do Texas vai em busca de vingança... que invariavelmente termina numa luta a dois... mano a mano... à porrada. À "homem dos anos 80", como deveria ser...
Não sei muito bem porquê, mas sempre simpatizei com o Chuck Norris. Não o conheço de lado nenhum, mas parece mesmo um gajo simpático. Transmite seriedade e empatia. Nota-se que é uma pessoa boa e simples. Não é obviamente o melhor actor do mundo, mas tem um figura que é... não sei explicar. Acho que é uma sensação inconsciente de verdadeiro... e cool... Chuck Norris é cool.
Um gajo agora goza com estes filmes, mas este Lone Wolf McQuade (de Steve Carver) e outros do mesmo género, eram os grandes blockbusters de acção da altura. Custavam uma ninharia e faziam milhões no circuito de cinema e mais ainda no VHS. É por isso que há tantos e por vezes parece que se confundem nos actores e nas histórias. Estes filmes são tão maus que nem sei como os hei-de classificar. Mas são daqueles que são tão maus que de alguma forma estranha acabam por ser bons. Deve ser mais uma questão de puro saudosismo... Toma lá duas "bolinhas"... Uma pelo David Carradine e outra pelo mítico Chuck Norris●●

Durante a II Guerra Mundial, os alemães decidem mostrar que são superiores em todos os aspectos e por isso montam um evento de propaganda para mostrar supremacia também no desporto, neste caso no futebol. A ideia é fazer um jogo entre os melhores nazis e uma equipa composta por prisioneiros aliados. O jogo é marcado e está potencialmente viciado à partida, mas não é simplesmente um "jogo de futebol". Os prisioneiros aproveitam a oportunidade para fazer uma "Fuga para a Vitória".
Dirigido pelo mestre John Huston já quese no final da carreira, Victory é um filme estranho. Para falar um pouco sobre John Houston tinha de criar um novo blog: com 50 anos de carreira e com outros tantos filmes, sendo que muitos são lendas do mundo do cinema dava pano para mangas. Só vi para aí um décimo dos seus filmes... Portanto, fico-me por aqui, até porque paralelamente ainda tem toda uma carreira de actor e argumentista. É uma lenda de Hollywood. Mas estranho a razão que terá levado Houston (americano) a fazer um filme sobre futebol... Vendo o filme, percebe-se facilmente que ele não entende minimamente o desporto nem sabe muito bem como filmá-lo. Se se juntar futebolistas profissionais - que são péssimos actores -, está reunido o conteúdo perfeito para um filme ridículo. Então porque é que isso não acontece? Não sei dizer. Apesar de todos os problemas, Victory acaba por ser um filme bem jeitoso. Mesmo tendo o Sylvester Stallone a fazer de guarda-redes...
Não é o melhor filme de guerra e decidamente não é o melhor filme sobre futebol. Mas é uma oportunidade para ver lendas vivas do futebol (na altura) como Pelé, Bobby Moore e Osvaldo Ardiles em acção. E a acção é real, visto que foi o próprio "rei" Pelé que coreografou as cenas de futebol como se fossem cenas de acção. O resto do casting também são jogadores internacionais da altura. É engraçado... os jogadores tiveram de aprender a representar, mas os actores tiveram de aprender a jogar à bola... Mas à parte dos nomes grandes do desporto também há dois nomes grandes da representação: Michael Caine e Max Von Sydow. São os grandes actores do filme e dão toda a credibilidade ao filme. Para além de serem dois autênticos "senhores"...
Vi o Victory (Fuga para a Vitória, no título original português) quando era miúdo e nunca pensei muito no filme pelo filme. A única coisa que eu queria era fazer aquelas fintas e fazer aquele pontapé de bicicleta do Pelé. Acho que ainda tenho lesões nas costas dessa altura... Tirando os jogos de futebol propriamente ditos, não existiam filmes com o tema futebol. Os americanos nem sabiam o que isso era, portanto não havia (quase) filmes para ninguém. Mas com este filme, finalmente havia a dramatização do cinema a tingir o futebol e a excitação do futebol a chegar ao grande ecrã. E esta é a história perfeita. Os mais fracos a jogar contra os mais fortes, a jogar em desvantagem numérica, a perderem perto do fim... e um penalty contra mesmo no final... Bem... já me estou a entusiasmar com o jogo...
Victory não é um grande filme e muito menos é um filme sobre prisioneiros de guerra nazis. Obviamente que não. É uma relíquia perdida no tempo que fala basicamente de outra coisa: quando se juntam pessoas, por muito diferentes que sejam, mas com um objectivo inabalável comum, mesmo contra todas as adversidades é muito difícil pará-las. É sobre querer ganhar mesmo quando parece impossível. Victory é sobre o esforço, a humildade e a perseverança. Como outros filmes de fugas aos nazis, Victory é um filmito que me ficou para sempre gravado. ●●●○

PS: Nos bastidores do filme ficou célebre uma cena. Teoricamente, Sylvester Stallone era o grande nome de cartaz (Rocky já era uma instituição...) e por isso queria ter a grande cena do filme que era marcar o golo da vitória... no entanto tinha o papel de guarda-redes. Os jogadores profissionais, incluindo Pelé achavam a ideia absolutamente ridícula... Um guarda-redes a marcar golos, onde é que já se viu?... No entanto em tempos mais recentes, os guarda-redes começaram a sair das áreas e a marcar golos... E se alguém ainda se lembra, o Ricardo um dia tirou as luvas e defendeu um penalty. Mas para além de defender ainda foi marcar o penalty decisivo...  Afinal o Stallone é que percebia disto...


Dois bandidos de meia tigela decidem fazer um golpe extraordinário: assaltar o que é nada mais nada menos que o local onde os mafiosos jogam cartas com avultadas somas de dinheiro. A ideia é arrojada e em princípio até é uma boa ideia, porque assaltar alguém que não pode ir à polícia fazer queixa não é assim tão descabido. Obviamente, as coisas não vão correr como planeado, até porque este golpe "simples" acaba por abalar economicamente toda a estrutura da própria Máfia. Para resolver toda esta confusão, os mafiosos recorrem aos serviços de Jackie Cogan, um justiceiro implacável mas que parece estar do lado errado da barricada.
Brad Pitt, Scoot McNairy, Ben Mendelsohn, Ray Liotta, Richard Jenkins e James Gandolfini dão corpo a uma série de personagens muito bem construídas. Se no caso de Pitt esta foi (mais) uma mudança de ares, para o restante elenco é quase como voltar a casa para comer um prato de pasta da nona Giona acompanhado de um copo de Chianti... Mas todos sem excepção estão muito bem e estão especialmente bem dirigidos.
Killing Them Softly tem uma narrativa simples e muito pouco original mas está muito bem feito. A fotografia é exemplar. Andrew Dominik tem uma realização sem mácula. Não o conhecia até esta altura, mas foi um nome que listei para ficar debaixo de olho. Apesar da crítica constante ao modo de vida e ao sonho americano (a crise financeira de 2008/09 era uma realidade bem palpável), a história de base é um dejá vu constante, e por isso é o olhar, os enquadramentos e os movimentos de câmara de Dominik que salvam literalmente o filme da irrelevância. Isto só prova que por muito banal que uma história seja, ter um bom realizador e bons diálogos interpretados por bons actores salvam logo um filme.
Killing Them Softly fez-me lembrar aquele aspecto mais negro, violento e sujo dos antigos filmes policiais (e mafiosos) dos anos 70, e quanto mais não fosse, só por causa disso já é totalmente aceitável. Um bom filmito de ladrões e mafiosos. ●●●○

Num dia tão normal quanto tantos outros, a Terra (que é como quem diz a América...) é invadida por marcianos com grandes cérebros. Inteligentes, beligerantes e com um sentido humor absolutamente mortífero. Eis Mars Attacks!, versão Tim Burton.
Descobri que a ideia deste estranho Mars Attacks! partiu de um jogo de cartas criado por Len Brown e Woody Gelman e ilustrado por Norm Saunders. A estética está lá toda, só faltava mesmo uma história que unisse as personagens. Tim Burton, obviamente um apaixonado pelos filmes foleiros, tipo série C (ou D... conforme o mais baixo orçamento possível...), do género Ed Wood (pouco tempo antes tinha-lhe prestado uma homenagem com o filme do mesmo nome...) decidiu pegar nas personagens e tornar todo o filme numa visão sarcástica da América. Ele goza com os americanos no geral, com o Governo, com os Militares, com a influência da televisão e com a degradação da cultura. Ninguém fica a salvo do comentário incisivo e satírico de Burton. Provavelmente foi por causa disso que o filme não foi muito bem recebido. Ok. A aproximação tipo paródia desmiolada também pode ter ajudado às críticas, mas dar o salto da comédia para a pura sátira não costuma dar bons resultados... Parece-me que a maior parte das vezes, o público não entende bem a mensagem.
Tim Burton vinha de uma série de sucessos de bilheteira e crítica, uns atrás dos outros. Parecia imparável e parecia que podia fazer e dizer o que quisesse. Mars Attacks!, juntamente com o anterior Ed Wood, marcaram uma inflexão nas críticas positivas. Acho que a crítica também não vai muito à bola com a sátira. Mas apesar da baixa nas críticas, Burton continuou a ser um nome com que qualquer actor queria trabalhar. Mars Attacks! é um filme meio louco, mas mesmo assim conseguiu juntar um casting com nomes de peso que só se conseguem encontrar em grandes produções destinadas aos melhores Óscares. Os nomes são mesmo de peso: Jack Nicholson, Glenn Close, Annette Bening, Pierce Brosnan, Danny DeVito, Martin Short, Sarah Jessica Parker, Michael J. Fox, Rod Steiger, Lukas Haas, Natalie Portman e o mais importante de todos, o Tom Jones, que com a sua música funky consegue finalmente... bem o melhor é mesmo ver. Parecia que toda a gente queria entrar neste filme...
Mars Attacks! é tão fora da caixa e tão louco que vai deixar poucas pessoas indiferentes. Este é um daqueles filmes que se ama ou se odeia. Não tem meio termo. Não desgosto, mas prefiro a parte mais gótica e a loucura mais controlada do Tim Burton... ●●●○

Eddie Murphy interpreta um detective com uma capacidade fora do normal para encontrar crianças desaparecidas. Um dia é contactado para tentar encontrar uma criança muito especial. O destino do mundo depende da salvação da criança ou não. E só ele a pode encontrar, porque é "O Escolhido"...
Acho que tive uma sorte do caraças em começar a ver filmes nos anos 80. O público que via cinema era mais jovem do que nunca e como tal, queria ver coisas novas. Isto levou a que os estúdios apostassem cada vez mais em ideias completamente diferentes, e às vezes totalmente disparatadas. The Golden Child é um destes casos em que uma mistura exótica de temas, dá em algo completamente diferente.
Temos aqui um detective do género Beverly Hills Cop, misturado com misticismo budista, cenários de aventura no Tibete tipo Indiana Jones, demónios alados milenares vindos do Inferno, e uma criança com poder suficiente para salvar ou destruir o planeta. Resumindo, The Golden Child é um filme que se pode considerar como sendo de detectives, acção, aventura, comédia, fantasia, mistério e terror?!? Não se sabe muito bem. Mas eu gostei na altura (e ainda gosto...) e apesar de ser uma fantochada antigola é um dos filmes que nunca me saiu da memória. Acho que é mesmo pela junção estranha de elementos tão díspares.
Pelo que li, o filme supostamente era para ser mais sério e com outro casting totalmente diferente, mas a inclusão de Eddie Murphy, pelos vistos mudou radicalmente o guião para uma coisa mais... à Eddie Murphy. Daí que muita crítica classifique The Golden Child como o Beverly Hills Cop no Tibete. Tem lógica... até porque parece mesmo. O Eddie Murphy estava no auge e aquele riso era mundialmente reconhecido... Apesar de Murphy ser obviamente o grande nome no cartaz, o actor que mais me surpreendeu na altura foi o Charles Dance. Acho que foi a primeira vez que o vi num filme, mas no entanto ficou-me marcado. O homem tem um estilo único. É uma mistura estranha de um cavalheiro inglês com um psicopata muito avariado da cabeça. Consegue fazer uns olhares que transmitem algo de muito errado e maligno. É um gajo fantástico. Ao longo dos tempos, fui acompanhando alguns dos filmes em que entrou para ver se dava um grande salto, o que nunca aconteceu. Só mais recentemente, no Game of Thrones é que acho que chegou ao grande público. Mais vale arde que nunca, mas é um pena, porque sempre gostei muito do Charles Dance. Dois grandes polegares para cima para o Charles.
O resto do casting é um pouco a descair para o fracote com Charlotte Lewis e Victor Wong, Randall 'Tex' Cobb, James Hong que para além deste filme também entraram no Big Trouble in Little China, que curiosamente estreou na mesma altura.
The Golden Child (de Michael Ritchie) é um dos filmes que gosto de recordar e rever. É cómico e é ridículo na aproximação à história, que apesar de tudo acaba por ser original. Mas isso é que faz o filme ser divertido e um bom entretenimento. Um entretenimento estranho, místico, levezinho e inocente. Já me está a dar vontade de rever... O que se pode pedir mais? ●●●○

Number Five, é um robot experimental que faz parte da nova divisão de inteligência artificial dos militares. Numa demonstração pública é subitamente atingido por um raio e começa a transformar-se lentamente, desenvolvendo uma consciência e inteligência humana. Quando tenta ser reprogramado para volta ao normal, Number Five foge das instalações militares e encontra a ajuda de uma rapariga. Juntos vão tentar convencer o seu criador que Number Five está mesmo vivo, ao mesmo tempo que tentam fugir da perseguição dos militares...
Já passaram muitos anos desde que vi o Short Circuitshort pela primeira vez. É um marco na minha filmografia de criança. Inteligência artificial e robots são uma história muito à frente do seu tempo, principalmente porque este é um filme de entretenimento e para a família. Obviamente, visto pelo público actual deve parecer bastante infantil, mas na realidade é um filme bastante interessante e é um dos poucos verdadeiros "filmes de família", como tanto gostam de catalogar hoje em dia para levarem famílias inteiras ao cinema. Eu sei que é puro saudosismo, mas é o que é. É cómico, tem acção, tem robots (na altura era uma novidade que deixava um gajo de boca aberta...), é inocente... é muito bom. Faz parte do meu imaginário infantil.
Ally Sheedy e Steve Guttenberg são mesmo os actores principais aqui. Eram duas estrelas em ascensão nos anos 80 e têm todo o protagonismo. A química entre os dois funciona muito bem. Também há Fisher Stevens (Apu, dos Simpsons, és tu?!...), Austin Pendleton, G.W. Bailey e Brian McNamara que eram os secundários habituais daquela altura.
A grande força do filme vem da realização de John Badham, um gajo que descolou bem alto nos anos 80 com uma séerie de filmes de sucesso na bilheteira e na crítica, mas que depois voltou para o mundo onde começou, a TV. A outra grande força do filme vem do próprio robot, mais um fantástica criação de Syd Mead, o homem por detrás daquele look fantástico do Blade Runner entre outros clássicos do cinema. Para estes filmitos de família, iam-se buscar grandes nomes... Uma raridade hoje em dia...
Short Circuit teve direito a uma sequela que nunca tive oportunidade de ver. Muito provavelmente nunca irei ver. Agora já não faz sentido. Ia estragar a minha memória do primeiro filme e eu gosto de respeitar a originalidade dos filmes. Estou seguríssimo que mais cedo ou mais tarde irá ter um remake. (3)

PS: Qualquer parecença física do Number Five com o Wall-E da Disney/Pixar é a mais pura das coincidências...

Damian (Ben Kingsley) é um homem extremamente rico. Quando descobre que tem um cancro e que a morte o espera muito brevemente, decide recorrer a uma misteriosa empresa (liderada por Matthew Goode) que alega poder transferir a "velha consciência" para um novo corpo mais jovem (Ryan Reynolds). A intervenção é um sucesso e Damian redescobre os prazeres da vida... mas rapidamente percebe que não se pode alterar o curso natural das coisas sem ter de se pagar um preço elevado...
Self/less é um bom filmito de acção e ficção cientifica, e a determinadas alturas mais parece um thriller. Tem bom ritmo, uma muito boa realização de Tarsem Singh, que mais uma vez mergulha no tema das realidades alternativas e das mentiras que o cérebro nos consegue pregar. Sem ser espectacular ou memorável, Self/less é um filme que mantém o espectador intrigado durante algum tempo. Só quando começa a abrir o jogo todo é que se torna algo previsível, que é o que mais marca negativamente este argumento. Havia aqui matéria prima para ir muito mais longe, até porque a temática dá pano para mangas: vida, morte, imortalidade, opulência, polaridade...
Não sendo totalmente original (...já alguém viu o Seconds do John Frankenheimer?... é mais ou menos a mesma coisa) é um bom filmito de ficção científica que até tem algum miolo. Vê-se e não chateia. ○○○

PS: Uma pequena curiosidade: logo no início, o apartamento opulento e dourado de Damian não é CGI. Aquele apartamento existe mesmo e foi inspirado no Palácio de Versailles. O verdadeiro dono? Donald Trump... só podia ser, não é verdade?

Todd Anderson, um miúdo bastante tímido vai para o mesmo colégio que o irmão mais velho. Neil Perry, o colega de quarto tem uma personalidade diferente, mais aberto e popular. Ambos têm de corresponder às expectativas da família, especialmente Perry, que tem um pai omnipresente e opressivo quanto às suas opções na vida. Juntamente com um grupo de outros jovens rapazes encontram Keating, um novo professor de inglês que lhes fala do Clube dos Poetas Mortos (Dead Poets Society) que os encoraja a irem contra o status quo e "aproveitarem o dia". Cada um à sua maneira vai incorporar este novo pensamento e que os vai mudar radicalmente. Dead Poets Society não só mudou a mentalidade daquelas personagens, mas tenho a certeza, mudou a perspectiva de muitos rapazes que na altura da estreia, tinham mais ou menos a mesma idade. Incluo-me orgulhosamente nesse grupo.
O que me ficou logo na memória foi o inicio do filme com a fórmula matemática para calcular a grandeza de um poema pelo Dr. J. Evans Pritchard. Dizia a fórmula que: P (perfeição) x I (importância) = G (grandeza do poema). Não era (nem sou) um grande fã da poesia, mas percebi a mensagem de que tentar quantificar matematicamente o impacto das palavras é algo inerentemente errado. É como tentar esquematizar emoções. E aí o filme apanhou-me logo.
Depois, o professor Keating. Este é aquele professor que uma pessoa sonha ter quando é aluno. Não impõe coisas pré-estabelecidas, é um rebelde quando comparado com os restantes professores e suporta a liberdade de pensamento dos alunos. Não quer dizer que seja um baldas, simplesmente quer dizer que faz as coisas de forma diferente. Valoriza a capacidade de o aluno se transcender a ele próprio e descobrir coisas que nem sabia que era capaz de fazer.
"Carpe diem. Seize the day, boys. Make your lives extraordinary". Acho que esta mítica frase que, ainda hoje em dia, deve ecoar em muitas cabeças por esse mundo fora, resume o sentimento perfeito do filme: aproveitar a vida e tudo o que ela tem de melhor, sugar-lhe o tutano e aproveitar isto para fazer algo de extraordinário. Por alguma razão aquele "carpe diem" sussurrado pelo Robin Williams ainda perdura no tempo...
Num filme desta intensidade poderia dizer que os principais papéis são para Robin Williams, Robert Sean Leonard, Ethan Hawke, Josh Charles e Kurtwood Smith, mas também não poderia deixar de mencionar Gale Hansen, Dylan Kussman, Allelon Ruggiero, James Waterston, Norman Lloyd e todos os actores sem excepção, até ao mais pequeno papel secundário. Todos estão perfeitos. Obviamente que o Robin Williams é algo... que... nem tenho palavras. É um gajo excepcional. Vai da comédia de situação ao drama mais profundo em 3 segundos. É único. Um dos meus actores preferidos de todos os tempos. Um génio da comédia e do drama.
Sobre este filme de Peter Wier poderiam escrever-se livros inteiros. A dualidade constante na eterna luta entre a tradição e a modernidade; entre a rigidez da disciplina versus a liberdade de pensamento; a complexidade e conflito latente das relações geracionais entre jovens e velhos, entre pais e filhos... as consequências trágicas que podem acontecer quando se tenta seguir os próprios sonhos indo contra a vontade dos outros... Isto dava para enciclopédias. Mas o melhor é simplesmente ver e desfrutar do leque de emoções que Dead Poets Society apresenta.
Algumas coisas carecem de uma explicação lógica... e esta é uma delas: "O Captain! My Captain!"... aquela frase na altura da despedida do Keating... aqueles miúdos a subirem para as secretárias... Esta cena deixa-me em lágrimas só de pensar. Peter Weir criou uma cena que mexe profundamente com os meus sentimentos. Eu já vi este filme uma dúzia de vezes e todas as vezes sem excepção, desato a chorar copiosamente. Há qualquer coisa de... não sei explicar. A única coisa que posso fazer a agradecer ao Peter Weir e ao professor Keating por me terem também mudado para melhor. Por me terem tornado mais motivado e tentar aproveitar o melhor da vida. Se pudesse, também eu estava ali em cima da secretária a dizer com orgulho "O Captain! My Captain!". Não consigo escrever mais... as lágrimas rolam-me cara abaixo. Lá está... não consigo explicar... Carpe Diem para todos. Obviamente, um dos filmes da minha vida. ●●●●● + ●

Não sei se já disse isto, mas Darren Aronofsky é um dos meus realizadores favoritos. É estranho e filosófico o suficiente para eu não conseguir não gostar. Mas reconheço que às vezes as coisas não correm bem. Um desses casos é The Fountain que tem nos principais papéis Hugh Jackman, Rachel Weisz, Ellen Burstyn e Mark Margolis. Escrito e realizado pelo AronofskyThe Fountain é uma procura pela fonte da vida eterna, e por tabela, uma procura por respostas para a vida depois da morte. É uma história não linear que decorre em diferentes períodos da vida de uma personagem, no ano 1500, em 2005 e no ano 2500. A personagem (que em princípio é a mesma apesar da disparidade temporal) é simultaneamente Tomas, um conquistador em procura da árvore da vida para a sua rainha; Tommy, um neurocientista que tenta salvar a mulher de um cancro e Tom Creo, um monge-astronauta que tenta salvar a última memoria da mulher na forma de uma árvore viajando pelo universo numa esfera transparente. Como as histórias vão-se entrelaçando continuamente e decorrem de certa forma paralelas, Aronofsky usou todos os estratagemas visuais e não só, para separá-las e diferenciá-las: por exemplo, cada época usa cores e padrões diferentes. O passado é triangular e dourado, o presente é quadrado e branco e no futuro abundam as formas redondas e o tom prateado. As cores são importantes na mensagem. O dourado para as coisas fúteis e materiais, o branco para a verdade e finitude das coisas e o prateado para as estrelas e a viagem no espaço. Está bem pensado. Aronofsky é um gajo inteligente e incorpora muito bem estes truques de imagética para transmitir sensações. Usar efeitos especiais visuais (sem serem digitais) para manter o efeito de não-tempo do filme dá a impressão que se está ver um sonho e tudo se torna quase onírico e orgânico. A música, composta como habitualmente por Clint Mansell, também ajuda nesse campo. Mais uma jogada de mestre. Até na postura física da personagem de Tom se podem ver estes pormenores em acção. É por causa disto que gosto do Darren Aronofsky... é um gajo que pensa. Mas isso também se pode tornar num problema... quando se pensa em demasia.
Parece que a determinada altura, instalou-se aqui uma certa confusão. Acho que Aranofski foi demasiado ambicioso. As coisas tornam-se tão vagas que fico na dúvida se aquilo é a verdade ou é um sonho. Torna-se tudo demasiado ambíguo. Eu não me importo de aplicar as minhas interpretações pessoais a um filme, mas preciso de saber o que é ou não real para tirar conclusões. A determinada altura já não sabia muito bem o que estava a ver. Alguma coisa falhou neste campo e basta este pormenor que é basicamente o alicerce de todo o filme para perceber que há algo errado: a tal fonte da vida eterna. No título e no início do filme é uma fonte de água que dá a vida eterna, mas praticamente o resto do filme debruça-se sobre a Árvore da Vida, que nas histórias bíblicas é uma árvore no Jardim do Éden e em que os frutos é que dão vida eterna. Confuso?! Eu também fiquei...
Acho sinceramente que Darren Aronofsky começou a juntar demasiada informação (os limites da vida, o amor transcendental, a vida, eterna, ciência, metafísica e religião) e a tentar abarcar demasiadas coisas que acabou por lhe sair um filme inconsistente. Parece que foi um pouco feito à pressa para tentar juntar o máximo possível de elementos. Pelo menos é a ideia com que fico. Algo correu mal e foi nitidamente a meio do processo, porque a história de base parecia estar bem definida.
Não gostei, mas também não desgostei deste The Fountain. Não há dúvida que é algo novo e de certa forma é um filme com valores filosóficos profundos, mas há alguma inconsistência que não sei de onde vem. Mas também deu para perceber que é um daqueles filmes que não se vê à primeira. Tem tantos pormenores e tanta informação visual e simbólica que nitidamente precisa de ser visto, deixar fluir as ideias no cérebro e uns tempos depois, rever para assimilar e tirar novas ideias. Ainda estou na primeira fase. Já o vi há uns anos e ainda hoje me vem à memória, porque não está totalmente resolvido no meu cérebro. Mais cedo ou mais tarde terei de voltar à carga. Mas acho que merece uma visualização atenta. ●●●○

 
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