Vamos já ao cerne da questão: Hotel Artemis não é um grande filme, no entanto tem os seus pontos positivos. Logo para começar tem uma boa história de base, se bem que depois enverede pelo previsível e pelo caminha mais fácil. Tudo se passa num futuro próximo em que a cidade de Los Angeles está a ferro e fogo, cheia de violência e motins a estalar por todo o lado. A razão principal para estes acontecimentos catastróficos foi a privatização da água e o constante aumento do preço que a torna incomportável para os cidadãos. Espero que não seja um acontecimento premonitório... Mas também é uma questão de se esperar e logo se verá... Adiante. No meio de toda esta confusão, uns ladrões decidem aproveitar a oportunidade, já que a polícia está ocupada com os motins, e assaltam um banco. Pelo meio roubam também (sem o saberem) o rei do crime da cidade e metem-se em problemas tanto com a polícia, como também com os mais duros criminosos. As coisas correm mal com a polícia, e como um dos assaltantes fica gravemente ferido, eles vão ter de recorrer ao Hotel Artemis, uma espécie de hospital fora do sistema, criado por criminosos, para tratar criminosos em fuga. A responsável pelo "hotel" é a Jodie Foster que tem a ajuda preciosa do encorpado segurança Dave Bautista.
Se a história começa a ficar cada vez mais "perra" e a entrar em campos mais "negativos" com a desnecessariamente trágica história pessoal da enfermeira, por outro lado temos um ponto muito positivo que é um casting muito jeitoso. Sterling K. Brown, Sofia Boutella, Jeff Goldblum, Zachary Quinto e Charlie Day, para além da eterna Jodie Foster e do surpreendentemente bom actor Dave Bautista. Juntos, dentro do hotel/hospital sitiado, criam uma química engraçada que torna o filme de certa forma estiloso e muito ritmado e fluído.
Hotel Artemis (de Drew Pearce) tinha potencial para algo mais mas ficou preso nas rédeas do facilitismo do costume. Não quis fugir do arquétipo do filme de acção e isso quase sempre prejudica a qualidade geral de um filme. Assim, Hotel Artemis, tornou-se apenas em mais um filme, como quase nada de especialmente único, mas que no entanto está bem construído em termos de história e relativamente desenvolvido ao nível da estrutura das personagens. Vê-se bem. ●●

Um história de assaltantes a bancos igual a tantas outras. As coisas correm bem até que correm mal. Den of Thieves parece uma mistura de Sicario, Heat, Training Day com umas pitadas de The Usual Suspects... Nem é bem uma mistura... é mais um best of das melhores cenas destes bons filmes. A partir de determinada altura percebe-se que vai haver um twist mais ou menos previsível mas não se sabe qual nem quando. Enquanto via o filme só pensava: no momento em que se percebe que vai haver um twist, o próprio conceito de twist já está arruinado, não é verdade? Pensei que seria pelo meio do filme mas afinal ele acaba por aparecer mesmo no final. O que acabei de fazer agora mesmo é o perfeito exemplo de um spoiler... Mas também não vale muito a pena pedir desculpas porque o filme nem sequer justifica. Esse é mesmo um dos grande problemas do filme. Para além das referências óbvias a todos os outros filmes referidos antes, é mesmo previsível. Diria mesmo, demasiado previsível. Ainda pensei cá para mim: isto está tão previsível que vai dar aqui uma volta inesperada pelo meio... Mas não... Ainda por cima acrescenta algumas falhas graves de argumento para ligar partes da história, como por exemplo numa cena em que os dois antagonistas se cruzam num quarto de hotel para partilhar uma prostituta... Fiquei literalmente de sobrancelha levantada a pensar: WTF? Como é que...? Porque é que eles não...? Bem. Não interessa.
Dá a impressão que houve um esforço maior por parte de Christian Gudegast em instruir os actores em como pegar e disparar correctamente numa metralhadora do que propriamente o tempo investido na criação de uma boa história e sem falhas. Todo o filme se desenvolve em volta dos dois antagonistas (Gerard Butler e Pablo Schreiber) e reduz o restante casting (O'Shea Jackson Jr., Curtis '50 Cent' Jackson, Maurice Compte, Brian Van Holt) a meros bonecos com grandes armas e músculos que simplesmente acompanham a história até ao confronto final. É gritante a falta de investimento na personagem de O'Shea Jackson Jr., que para todos os efeitos acaba por ser central em toda a história. Não há mesmo muito a dizer sobre este Den of Thieves que até tinha muitos elementos para se poder tornar num bom thriller. A grande coisa positiva foi ter descoberto Pablo Schreiber, um gajo que parece ter um carisma especial e é muito bom actor. Den of Thieves é um bom filme para ver tiros de variadíssimas armas e pouco mais... Vê-se e esquece-se de imediato. ○○○

Uns anos mais tarde após as três primeiras demandas, Indiana Jones regressa para mais uma aventura. Tudo se passa na década de 50, e desta vez, os inimigos são os frios e calculistas soviéticos e o artefacto perdido são umas caveiras de cristal... que são extraterrestres. Não só a personagem regressa mais velha e mais cansada, como também o próprio filme parece estranhamente já datado e desfasado dos anteriores. Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull é um filme que não entendo. Acho mesmo que nunca deveria ter acontecido e nunca deveria ter chegado às salas de cinema. É um desfecho (será?) inglório para uma saga memorável. Se o segundo filme (Temple of Doom) recebeu alguma crítica (até da minha parte) por fugir à "mitologia" dos outros dois, então o que dizer deste Kingdom of the Crystal Skull? Este filme não parece ter nascido no seio da mesma equipa criadora dos outros três. Parece que um ovni se despenhou na saga. E ovni até foi - sem querer - um bom paralelismo porque toda a história gira em torno de umas misteriosas caveiras de cristal que não são mais do que os crânios de uma civilização extraterrestre que ficou presa no tempo dos Maias... WTF? Mas o que é que se passou aqui? Ainda por cima, tendo por base toda a cultura Maia e afins? Não havia mais nenhuma história que se pudesse desenvolver aqui para além desta coisa ridícula dos extraterrestres? Cenas mitológicas? Artefactos estranhos e poderosos? A busca pela Atlântida? Parece-me que foi uma oportunidade perdida para mais uma boa aventura. Assim, o que ficou foi uma história desconexa, estranha e de tal forma ultra-fantasiosa que perde alguma da lógica verosímil dos outros filmes. Logo de início deu para perceber que algo não ia correr bem... Basta pensar que o filme começa com o Indiana Jones a fugir e a sobreviver (!) a uma eminente explosão nuclear recorrendo unicamente a um frigorífico indestrutível da década de 50... WTF? E aquela cena ridícula tipo Tarzan com os macacos e o filho do Indiana Jones (xxxx) a perseguirem carros numa floresta pendurados em lianas? WTF? Se a intenção era fugir da homenagem aos antigos filmes de aventura e passar para os antigos filmes de série B, acho que falharam redondamente. Há os filmes de série B com boas histórias e há aqueles que são simplesmente ridículos. A produção acertou em cheio na segunda categoria.
Harrison Ford volta como Indiana Jones num registo já evidentemente saudosista, ao mesmo tempo que parece cansado para o papel. Numa tentativa de voltar ao passado, regressa Karen Allen e ainda há a inclusão do esperado filho do Indiana Jones. Se a coisa corresse mesmo bem, estaria aqui a solução para uma nova geração de aventuras arqueológicas. Não foi o caso. Não sei o que aconteceu com Shia LaBeouf, mas de há uns anos para cá parece que queimou uns fusíveis. O moço tinha (e ainda parece ter) queda para a coisa, mas há algo de muito negro e pesado nas suas recentes aparições. Até mesmo num papel inócuo como este. Não sei porquê, mas até gosto do Shia, se calhar é mesmo pelo crazy eye... O restante pessoal até é de qualidade (Cate Blanchett, Ray Winstone, Jim Broadbent) mas estão todos reduzidos a personagens que parecem caricaturas. Destaque para um dos meus actores preferidos de sempre, John Hurt, que é um senhor em qualquer situação ou filme...
Instintivamente detecto padrões e reparei que sempre que o Indiana Jones não se cruza com os nazis, estranhamente o filme em questão decresce de qualidade. Da primeira vez (Temple of Doom) não funcionou lá muito bem e agora com esta cena das caveiras de cristal funcionou ainda muito pior. Será que vai haver uma terceira vez para comprovar a teoria? Se é para fazer uma idiotice destas, acho que o melhor é estarem quietos... ○○○

Indiana Jones (Harrison Ford) volta a defrontar os Nazis, mas para além do habitual artefacto mítico que é o centro da aventura, desta vez a questão é bem mais pessoal. O desaparecimento do seu pai, Henry Jones, Sr (Sean Connery) que procurava o Santo Graal para um rico industrial (Julian Glover), desencadeia uma série de acontecimentos, acção e aventuras sem paralelo. Há perseguições para todos os gostos, desde aviões, carros, motas, barcos, a pé e até de comboio. Ah! E também há cavalos e tanques de guerra! É só escolher. Dá-me a impressão que depois do desagrado generalizado com o anterior Temple of Doom, Steven Spielberg e George Lucas tentaram compensar o público com o máximo de diversão possível. E verdade seja dita, conseguiram-no totalmente, pois esta é a maior e a mais completa aventura do Indiana Jones. Só não suplanta o original, porque lá está... é o original.
Logo à partida nota-se uma carga muito mais positiva em torno de todo o filme. A fotografia é mais ampla e mais luminosa também. E depois a história centra-se mais entre o Jones, Pai e filho que é obviamente uma história de reconciliação, tema omnipresente no cinema de Spielberg. Antes mesmo de entrar na narrativa e nesta história de busca pela vida eterna que o Santo Graal pode proporcionar, há até um pequeno bónus para mostrar como um jovem intrépido se irá transformar no Indiana Jones (um saudoso River Phoenix) que todos conhecemos. Com isso ficamos a saber mais alguns segredos de como Jones se tornou Indiana Jones e assim fortalece e dá mais "chão" a umas das melhores personagens ficcionais de todo o cinema. The Last Crusade é uma saca cheia de prendas para os fãs. Têm-se acesso à história, aos questões pessoais, à família e vai até ao pormenor de dar a conhecer o porquê do "apelido" Indiana. Se Raiders of The Lost Ark, criou a figura e o mito Indiana Jones, The Last Crusade cristalizou-o na mente do público e fez-lhe um pequeno pedestal. Acho que se pode dizer que foram claramente estes dois filmes que realmente criaram o "universo" Indiana Jones e que os outros dois filmes são apenas interlúdios e pequenas aventuras secundárias...
Steven Spielberg quase que dá a mão à palmatória e presenteia toda a gente com o máximo de trabalho e truques possível. Dificilmente um filme de acção e aventura pode ser melhor que este. Não parece, mas este ainda um produto dos anos 80. Hoje em dia, num qualquer cinema, dificilmente alguém conseguiria identificar o ano de produção deste filme porque na realidade (como aconteceu tantas outras vezes com o cinema de SpielbergThe Last Crusade é um filme "moderno"... parece que estreou a semana passada.
Para além da presença de Alison Doody no papel de belísima mas dúbia agente secundária, ainda temos o regresso de algum do casting original (Denholm Elliott, John Rhys-Davies) que para além de lhe dar uma credibilidade ainda traz uma carga light e quase cómica. Foi uma excelente escolha e muito bem pensado. Não há praticamente nada a apontar como negativo neste filme. A par do primeiro filme, The Last Crusade é o meu preferido nesta saga Indiana Jones. Um remate perfeito para uma trilogia (quase) perfeita. ●●●●●

Depois de uma série de contratempos na China para recuperar um artefacto antigo, Indiana Jones (Harrison Ford) acaba por aterrar à força na Índia juntamente com dois novos companheiros: Willie (Kate Capshaw), uma  cantora de bar, tão bonita quanto estridente e Short Round, um miúdo de rua muito desenrascado (Ke Huy Quan). Já Índia, os três são requisitados para recuperar uma pedra mística que foi levada por uma misteriosa seita que representa uma autêntica força do mal. Pelo caminho, encontra um palácio "negro" e nas catacumbas vão tropeçar num culto secreto e sanguinário liderado pela maléfico Mola Ram (um inesquecível Amrish Puri) que usa a escravatura como força de trabalho e tem um gosto especial por sacrifícios humanos...
Indiana Jones and The Temple of Doom é para todos os efeitos a sequela do Raiders of the Lost Ark, mas na realidade, tecnicamente, é uma prequela ao filme original, porque esta história negra passa-se três anos antes dos acontecimentos das aventuras da Arca Perdida. Depois do imenso sucesso do primeiro filme, o público gritava por uma nova aventura do "James Bond" dos arqueólogos. O carisma de Indiana Jones e as suas aventuras tinham de ter seguimento. Logo no início do filme, nota-se que começou a aparecer a "marca" Indiana Jones, bem presente no logo e no tipo de letra, que por acaso até foi o único filme onde realmente aparece. Apesar deste pequeno pormenor, por aqui se nota que Temple of Doom é mesmo uma incursão negra no "universo" Indiana Jones. Dá a impressão que depois de feito, mais ninguém quis ter nada com ele... Verdade seja dita, Temple of Doom é estranho e demasiado sombrio. Muito negro, muito violento, por vezes racista, por vezes até mesmo gore, apesar de aqui e ali estar disfarçado com alguns artifícios cómicos. É escuro, desagradável e subterrâneo. Ele é sopa de olhos, ele é miolos de macaco para a sobremesa e ele é sítios húmidos, escuros e cheios de bichos venenosos. Que o diga a Kate Capshaw, que para além de ter uma personagem quase reduzida à "loira burra que grita", ainda teve de suportar cenas com centenas de insectos gigantes (vivos!!!!) em cima. É obra. É um reflexo do "mau ar" de Temple of Doom.
Não admira que toda a gente tenha detestado o filme. Durante algum tempo, simplesmente odiei este filme e recusava-me a revê-lo. Pensei durante muito que este nem sequer era um filme do Steven Spielberg. Não se parece nada com uma história saída da mente de Spielberg e George Lucas. Na altura via imensos filmes e especialmente devorava os filmes do Spielberg, que têm naturalmente, uma aproximação inocente e light dos acontecimentos, às vezes até um pouco infantil. Pensando bem... Não é esse o grande encanto da filmografia Spielberg? Mas em sentido contrário, Temple of Doom é absolutamente negro... Retirar corações ainda pulsantes do peito de uma pessoa? Queimar pessoas vivas num poço de lava? Por breves momentos, até o próprio Indiana Jones sucumbiu a esta magia negra e tornou-se uma personagem detestável... Era demais...
Mas com o tempo, as coisas foram mudando. Mesmo com este manto negro em cima, Temple of Doom, tinha todos os elementos originais. Indiana Jones estava lá com todo o seu carisma original, a aventura apesar de negra era fantástica e as cenas de acção eram espectaculares e non-stop. E de certa forma, os apontamentos cómicos e a introdução das duas novas personagens amenizavam um pouco o negrume. A apreciação foi mudando com o passar do tempo. Lá revi uma vez... duas... três... e comecei então a apreciar os pormenores da narrativa e do filme e já não me pareceu assim tão mau quando da primeira vez. Acho que foi o choque inicial. Foi uma transição demasiado radical do primeiro filme para este. Um gajo estava à espera de arrogantes nazis e apareceu um culto subterrâneo. Com o tempo aprendi a gostar de Temple of Doom. Não está ao nível do original, mas é uma boa sequela e um bom complemento às aventuras do Indiana Jones. ●●●○

Indiana Jones é um professor universitário de arqueologia mas também é um duro aventureiro que gosta de arregaçar as mangas e se for preciso, partir para a violência. Como é especializado em antiguidades clássicas, o governo americano contrata-o para encontrar a Arca da Aliança e assim assegurar que os Nazis não lhe conseguem deitar a mão e aceder ao seu imenso poder destrutivo. Jones inicia assim uma das maiores aventuras do mundo do cinema e que durará várias décadas...
A personagem e o filme é tão conhecido, tão transversal e tão ubíquo que já faz parte do conhecimento geral. Não faz sentido estar aqui a falar do filme propriamente dito.
A minha ligação com Raiders of the Lost Ark é profunda. O contexto no qual eu vi o filme é radicalmente diferente dos dias de hoje. Vi-o pela primeira vez por volta de 1985, o que quer dizer que o vi numa autêntica realidade alternativa. Nessa altura, quando se queria ver um filme tinha de se ir ao cinema. Mas por outro lado, os VHS começavam a dar os primeiros passos e lentamente começavam a invadir a casa das pessoas. O impacto inicial dos VHS não foi assim tão marcante porque havia muito poucos filmes nesse formato. E é aqui que começa minha ligação quase umbilical ao Indiana Jones. Se já era rara a pessoa que tinha um VHS (ainda existiam inclusive muitas TVs a preto e branco!!!...), mais raro ainda era a pessoa que tinha uma cassete. Note-se que a cassete tinha de ser um original pois não havia forma de fazer cópias. Só em termos comparativos, os preços destas "coisas": uma TV: cerca de 100 contos! Um leitor VHS: cerca de 100 contos! Uma cassete original: cerca de 15 contos! Portanto, era material "profissional" que só existia nos video clubes. No entanto, um tio meu lá perdeu a cabeça e conseguiu comprar uma cassete caríssima do Raiders of the Lost Ark. O filme tinha sido um marco no cinema de acção e um gigantesco sucesso de bilheteira e por isso lembro-me de ouvir os mais velhos a falar de como era espectacular. Da cena da bola, das aranhas, dos nazis e da arca perdida. Muito antes de ver o filme, já o tinha imaginado na minha cabeça. Mas nada me preparou para o impacto de ver o filme com os meus próprios olhos. Siderei completamente, apesar de ter acontecido numa TV minúscula (quanto comparado com os tamanhos XXXL de hoje em dia). Nessa altura, sempre que ia até casa do teu tio (e eram muitas vezes...) obrigatoriamente (re)via o filme. Também não havia alternativa... Eu e o meu primo sabíamos todas as cenas de cor, todos os diálogos, tudo... Devo ter visto o Raiders of the Lost Ark umas 20 ou 30 vezes. E isto, só enquanto era miúdo, porque depois continuei a revê-lo constantemente ao longo do tempo. Se estiver a ser transmitido em algum canal de TV, simplesmente não lhe consigo resistir. Aquela música parte-me todo... Oh! Começa automaticamente a ecoar na cabeça... Não só pelo filme, mas também pela lembrança daqueles momentos antigos em que o miúdo (acho que isso aconteceu com muita gente...) queria era ter um casaco de couro, um chicote e ir por aí à aventura, em busca de um grande tesouro, derrotando os inimigos pelo caminho, nem que para isso tivesse que ficar preso num túmulo egípcio cheio de cobras e esqueletos ou que tivesse de passar por baixo de um camião em movimento.
Este é um daqueles filmes fáceis de "criticar" porque o tenho gravado integralmente na cabeça. Agora mesmo começam (novamente) a ecoar as notas da música de John Williams que é sem dúvida uma das melhores de sempre. A marcha do Raiders é um hit intemporal assim como a restante banda sonora original. Poderia estar aqui a falar de tudo o que Raiders of the Lost Ark tem de bom, mas seria entediante. É preferível enumerar o que tem de mal, porque é muito mais fácil. Nada. Não tenho um único defeito a apontar a este filme. É dos filmes mais consensuais que já encontrei, tanto entre a crítica como entre o público. Mas como em tudo na vida, há sempre quem discorde. Já li, por exemplo, que a personagem do Indiana Jones é irrelevante para o desenvolvimento da história. Se se pensar bem, na realidade, os nazis conseguem ficar mesmo com a arca, mas inadvertidamente matam-se todos no final... E o restante filme, pergunto eu? É para ignorar? Aqueles cenários? As cenas de acção memoráveis? A bola gigante de pedra? As tarântulas? As cobras? Os túmulos egípcios? O Nepal? Todas as personagens?... Há críticas que não consigo mesmo entender... Bem... para mim, não existe melhor filme de acção. É um filme moderno que parece ter estreado ontem, mas que já vai com uns consideráveis 40 anos em cima. Para mim é um daqueles filmes intemporais e perfeito do princípio ao fim. O entusiasmo é tanto sempre que falo no filme que já me esquecia de mencionar os actores. Karen Allen, Paul Freeman, John Rhys-Davies, Denholm Elliott compõe o "núcleo duro" mas não há ninguém que destaque pela negativa. E depois há Harrison Ford, "o" Indiana Jones. Li muita coisa sobre o filme e sobre como Tom Selleck era a primeira escolha e quase ficou com o papel... Não. Não. Não. Toda a lógica do universo diz que apenas Harrison Ford poderia ser o Indiana Jones. Não consigo sequer imaginar outro actor naquele papel.
Raiders of the Lost Ark tem tudo o que procuro num filme de acção: bons actores numa boa história, com um bom ritmo e uma boa banda sonora. Só falta mesmo agradecer ao homem que praticamente sozinho criou o moderno cinema de acção: Steven Spielberg. Raiders of the Lost Ark é um dos filmes da minha vida e sem dúvida o filme que mais vezes vi. É a minha referência para todos os filmes de acção e até ao dia de hoje ainda não superado. Um marco do cinema absolutamente obrigatório. ●●●●● + ●

Dog Day Afternoon é baseado numa história real que se passou nos anos 70, quando dois homens assaltam uma sucursal do banco Chase Manhattan, em Brooklyn e acabam por se meter numa situação de reféns, ficando cercados pela polícia durante horas. Para piorar ainda mais o assunto, o banco quase não tem dinheiro... Como a realidade é mais estranha que a ficção, durante o impasse veio-se a saber que o propósito por detrás do assalto seria arranjar dinheiro para que um dos assaltantes conseguisse pagar a operação de mudança de sexo do namorado (wtf?!?)... Se fosse escrito assim, num guião, seria considerado certamente uma história absurda, mas lá está... a realidade é mais estranha que a ficção. E esse é um dos pontos que fica bem marcado neste argumento. A história vacila entre o drama, o thriller e a comédia. Tudo é tão despropositado e inverosímil que descontado o estado de total saturação e exaustão das personagens, Dog Day Afternoon mais parece uma comédia absurda. Mas a mão de Sidney Lumet é implacável e memorável. Conseguir aguentar um filme de duas horas neste tipo de tensão, sem nunca parecer cansativo ou repetitivo é obra de génio. Há sempre uma surpresa e um novo desenvolvimento que impele a história e o filme para a frente. Há um constante avolumar e depois um suprimir de emoções. Há sempre coisas novas a acontecer e há sempre um acontecimento ou um diálogo memorável à espera. Sidney Lumet é um mestre neste tipo de cinema "parado" e muito baseado nos actores e nos diálogos. Com uma lente objectiva e crítica, para além da temática homossexual e da mudança de sexo (muito à frente do seu tempo, diga-se), Lumet ainda consegue mostrar as distorções provocadas pelos media no público que rapidamente transforma um vilão no herói e vice-versa conforme a situação descai para um lado ou outro...
Em Dog Day Afternoon tudo pode parecer obra do acaso - como o rapaz da pizza a festejar por aparecer na TV - mas nota-se nos pormenores, que apesar do aparente improviso nos diálogos, tudo foi muito bem pensado e delineado. Vê-se isso, por exemplo, na banda sonora... que não existe. Dog Day Afternoon raramente tem música e pode-se dizer que não tem uma banda sonora porque assim adensa a tensão realista, retira o dramatismo artificial "dos filmes" e ainda lhe acrescenta um tom mais documental. É nestes pormenores que eu vejo a qualidade de um filme...
Falando em qualidade há que mencionar os actores. E não há outra hipótese que não seja destacar o Al Pacino. Que tour-de-force... Uma performance para ficar na história. Aquele aspecto e olhar tresloucado mas ao mesmo tempo tão objectivo. Neste filme, Pacino respira e transpira representação... e cinema. Aqui, mesmo sem abrir a boca, Pacino consegue dizer mais coisas com os olhos e com a alma (como por exemplo, nos dramáticos e angustiantes 15 minutos finais) que muitos actores numa carreira inteira. Brilhante. Sem Al Pacino naquele "ponto de rebuçado", Dog Day Afternoon nunca seria Dog Day Afternoon... E já agora, aquele grito para a multidão "Attica! Attica!" foi improvisado... Só por aqui se vê o nível de envolvimento do homem...
Os restantes actores estão também em grande nível. E não há um que se destaque pela negativa. Podia mencionar também John Cazale, Penelope Allen, Sully Boyar, James Broderick, Charles Durning, Chris Sarandon ou Lance Henriksen que só aparece uns minutos mas é determinante no desfecho da história. Todos os actores estão muito bem, porque nitidamente são bons e acima de tudo foram muito bem dirigidos por Lumet.
Apesar de ser baseado numa história real, as coisas em Dog Day Afternoon foram ligeiramente adulteradas. O incidente original foi tão marcante que ficou a fazer parte do treino policial quando confrontados com uma situação de reféns e multidões incontroláveis. No cinema, este género de "assalto a bancos que corre mal e acaba com uma situação de reféns" não é propriamente novo. Mas com esta vitalidade, com este guião fantástico e com este calibre de actores não é fácil de encontrar. Foi preciso recuar a 1975 para encontrá-lo...
Após o desfecho dramático, no epílogo fica-se a saber que Sonny foi preso após o assalto falhado e que cumpre 20 anos de numa prisão federal. Fica-se também a saber que Leon (mais tarde, Elizabeth) sempre acabou por fazer a operação e mudar de sexo. No entanto, a operação não foi paga com o dinheiro do assalto... A operação só foi paga quando o verdadeiro Sonny vendeu os direitos de autor da história para que se fizesse este mesmo filme. É estranho, mas o filme que é uma adaptação mais ou menos livre da história, acaba por ser o verdadeiro epilogo da história original... Estranho, não é? Acho que já disse isto algumas vezes, mas a realidade é mesmo mais estranha que a ficção... ●●●

Os elementos clássicos foram associados aos conceitos de terra, água, ar e fogo, para tentar explicar a imensa complexidade da natureza. A dedução parece lógica quando associada aos estados físicos da matéria: a terra para o sólido, a água para o líquido, o ar para o gasoso e o fogo para o volátil visível. Mas para além destes elementos sempre houve uma quase necessidade de um "quinto elemento", uma "quinta-essência" que seria um elemento "perfeito", estando ao nível do plano não-terrestre. Em tempo idos era normalmente associado ao éter, mas na realidade poderia ser qualquer coisa intangível mas extremamente poderoso.
Luc Besson pegou nestes conceitos e desenvolveu uma história simples mas extremamente coesa. No século XXIII, todo o universo vê-se confrontado com o Mal em estado puro. Para se defender desta força esmagadora, a Humanidade depende do Quinto Elemento, que de 500 em 500 anos aparece na Terra como protector dos restantes quatro elementos. Mas depois também há um taxista irascível chamado Korben Dallas...
Sendo um filme de ficção cientifica de acção, The Fifth Element não entra em grandes questões filosóficas. Quando Leeloo (Milla Jovovich), o "ser perfeito", cai literalmente do céu para o banco de trás deste taxista de muito mau humor (Bruce Willis), o universo vai ficar totalmente de cabeça para baixo...
O futuro apresentado aqui por Luc Besson não tem propriamente uma história muito original... mas isso também não interessa muito, porque virtualmente todas as cenas de The Fifth Element são muito boas. Logo para começar o look do filme e todo o design de produção, com um aspecto meio colorido, meio kitsch, é diferente de toda a restante da temática da ficção cientifica, que invariavelmente descamba no escuro e frio lado tecnológico da coisa... Depois as fatiotas estranhas mas muitos fixes de Jean-Paul Gaultier completam perfeitamente os sets extravagantes. As personagens são todas memoráveis mas há duas que se destacam: Zorg (Gary Oldman) como uma mistura de ditador maléfico e dandy ultra-capitalista e Ruby Rhod (Chris Tucker), uma espécie de celebridade entertainer futurista tão hilariante como irritante. Os actores estão tão à vontade na pele das suas personagens que numa das cenas até é capaz de se notar o Bruce Willis a tentar não se desmanchar a rir com a performance over the top de Chris Tucker.
The Fifth Element está repleto de bons pormenores. Desde os actores (Ian Holm, Luke Perry, Brion James), à realização cristalina de Luc Besson, passando pelo inteiro design de produção colorido, pela montagem rápida que dá um ritmo excelente ao filme até aos excelentes efeitos especiais que não se sobrepõe um guião consistente e tão coeso que parece à prova de bala. Há coisas que eu vejo e percebo logo que um filme é diferente (para melhor) do que é habitual. Apesar de ser um filme "comercial de efeitos e acção", por exemplo, aquela coisa já banal e quase obrigatória de haver um confronto final entre o "bom" e o "mau" aqui não acontece. Aliás, os dois antagonistas apenas se cruzam (literalmente) um única vez e por breves segundos.
Nota-se perfeitamente que Luc Besson queria fazer algo diferente. E isso até se nota no facto de nunca ter caído na tentação (e no erro) de fazer um sequela. Este é um projecto único e pessoal e isso transpira originalidade e alma. É puramente criativo e é diferente de quase tudo o que já vi nesta temática. E por isso mesmo é um dos meus filmes favoritos. Acho que é uma opinião partilhada por muito mais gente... Altamente recomendado. ●●●

Um funcionário de escritório (Griffin Dunne) vive a sua vidinha monótona. Um dia encontra por acaso uma jovem atraente (Rosanna Arquette) e trocam números de telefone. Já em casa, ele entra em contacto e marca um encontro no apartamento dela, no outro lado da cidade. Mas durante a viagem de táxi para o encontro, o dinheiro voa-lhe pela janela fora e então começa uma verdadeira aventura e uma tentativa desesperada para tentar regressar a casa...
Pelo caminho encontra-se com várias personagens excêntricas (Linda Fiorentino, Verna Bloom, Teri Garr, John Heard e Will Patton) e também assiste a toda a acção da noite como ir a um clube de música punk ou a um bar gay, para além de testemunhar um suicido, um assassinato, diversos roubos e ser perseguido por uma multidão em fúria... e uma carrinha de gelados. É a loucura nocturna da cidade que nunca dorme... After Hours é uma comédia bastante negra cheio de confusões, coincidências inacreditáveis e desencontros constantes...
Gosto muito deste filme, mas quando se o (re)vê com alguma atenção, são óbvias algumas das falhas nas ligações narrativas. Há algumas distorções inverosímeis e pequenas omissões de forma a que a história seja contínua e cíclica. Isto é verdadeiramente notável na cena final da fuga com a "escultura". Dá impressão que por muito inverosímil que fosse, o filme teria de começar e acabar da mesma forma. Fico com a impressão que Martin Scorcese e Joseph Minion começaram uma história que ira passar por vários pontos, mas sem ter um destino final objectivo... e a determinada altura não sabiam mesmo como sair dela. Aquilo que se vai passando na cabeça do espectador, em que uma pessoa fica na dúvida sobre o que vai acontecer com o personagem, acaba por ser o que de facto aconteceu com a própria realização... ninguém sabia muito como terminar este filme.
Mas lá está. Isto é andar à procura de pormenores para "martelar", porque é um filme do Martin Scorcese. No geral, a realização é soberba. A fotografia nocturna e o trabalho de câmara são fantásticos e está cheio de pormenores técnicos que dariam para encher um livro sobre como realizar um filme. A montagem é muito boa e dá um ritmo alucinante à narrativa.
After Hours é um filme estranho se associado ao mestre Scorcese. Não deve ser dos filmes mais memoráveis ou reconhecidos da carreira, mas na realidade é uma prova da versatilidade e do gosto pelo cinema do mestre. É inteligente, negro, cómico, original, dramático e é totalmente surreal. Uma cápsula do tempo dos anos 80 que no entanto é um filme intemporal. Ao fim de todos estes anos não perdeu nenhuma da vitalidade original e por isso é totalmente recomendado. ●●●○

PS: Uma das perguntas que fica em suspenso desde o principio do filme é porque é que o Paul não vai a pé para casa. Alguém já se deu ao trabalho de ver quando tempo demoraria a percorrer a distância entre a casa dele e o apartamento dela: é mais ou menos a duração do filme...
Baseado numa história verídica. Acho que é assim que convém sempre apresentar a história de Pedro e Inês. É tão inacreditável que parece material de poesia e lendas. Este novo filme de Pedro e Inês baseia-se na história original do Rei D. Pedro e da aia galega Inês de Castro, mas agora com base no romance de Rosa Lobato Faria que muda substancialmente o drama de amor de forma a mostrar a mesma situação ao longos dos tempos. Para além do narrativa clássica passada no século XIV, também se pode ver o desenvolvimento nos dias de hoje, em que os amantes são arquitectos, assim como num futuro distópico em que a história se passa numa realidade pós-civilização.
Como actores temos Joana de Verona como Inês, Diogo Amaral como Pedro, Vera Kolodzig como Constança e Miguel Borges como o infame Pero Coelho, mas o destaque vai para os papéis secundários: Custódia Gallego, a rainha Beatriz e João Lagarto, o rei Afonso IV fazem dois pequenos papelaços e nota-se que estão a léguas dos jovens actores. Sem entrar em grandes pormenores, o que noto é que há uma falta de intensidade dramática gritante aos actores portugueses. Na realidade parecem presos num estranho limbo: estão entre o laxismo das prestações rápidas de telenovela, misturado com aquela performance hiper-teatral de outros tempos.
Em termos de realização tenho que admitir que é a descair para o fraquito. António Ferreira dá um ar de sua graça no início (minúsculo, mas excelente o pormenor com os piscares de olhos) e no final, mas pelo meio tudo é demasiado uniforme e monótono. Não há uma cultura visual no cinema português. Parece que ou há uma coisa (visual) ou outra (narrativa). Não percebo esta lógica. Durante duas horas de filme, o enquadramento do filme é sempre o mesmo... Apenas por uma vez há uma filmagem diferente, fotografada de baixo para cima.
A estrutura da narrativa foi a grande surpresa. Não é que esta divisão em três linhas temporais seja uma novidade, mas está muito bem construída e acaba por ter uma boa fluidez, o que não é propriamente fácil de conseguir. A principio houve ali umas falhazinhas nas transições de umas linhas temporais para as outras, mas depois a coisa foi-se compondo até terminar muito bem.
Apesar da imensa melhoria que tenho notado neste últimos anos nos filmes portugueses, ainda há coisas que falham. A luz e as sombras são um elemento quase ausente e a música é sempre muito fraquinha e quase não tem expressão. Nenhum destes elementos é aproveitado como intensificadores dramáticos. E depois há falhas óbvias, como por exemplo a sobreposição do voz-off na cena em que Inês morre e que é suposto ser a mais dramática do filme... um autentico anti-clímax emocional que eu não consigo compreender. E volto à fotografia e realização... Não há um close-up. Os planos são quase sempre os mesmos. As câmaras estão sempre posicionadas à mesma altura. Não há pormenores... É tudo demasiado uniforme e às vezes o enquadramento e a luz transportam-me para a estética de telenovela. Não sei se será falta de financiamento, tempo ou mesmo falta de jeito e inspiração. O que sei é que acontece e está à vista. Limando estes pormenores, facilmente um filme português poderia rivalizar com qualquer outra produção estrangeira...
Esta nova versão de Pedro e Inês, no geral, até é um filmito consistente, que se vê bastante bem, mas poderia ser muito melhor se tivesse mais alguns pormenores e mais polidos. Os filmes portugueses estão cada vez melhores, mas ainda têm um longo caminho a percorrer... Ainda assim, um filmito muito aceitável. Recomendado. ○○○

It Might Get Loud é um documentário sobre três gerações de guitarristas. O "novo" Jack White, o "velho" The Edge e a "lenda" Jimmy Page. Apesar de não ser uma referência na área dos documentários, é uma excelente oportunidade para entrar na cabeça destes três guitarristas. Na parte do documentário propriamente dito, não há muito a dizer. Está muito bem feito, muito bem montado e nota-se que tem uma gigantesca produção por trás. A recolha de informação e a construção do background destes três artistas é muito boa. Do ponto de vista técnico é irrepreensível. Para mim só peca é por defeito, mas não é um problema do documentário em si. É muito restritivo mas é totalmente compreensível. Nota-se que a lógica foi tentar abarcar um período grande o suficiente para poder mostrar o mais possível do fantástico instrumento que é a guitarra eléctrica. Compreendo perfeitamente. Para demonstrar o desenvolvimento artístico ao longo dos tempos e de, pelo menos, os intérpretes mais reconhecidos, o mínimo que se poderia fazer era uma série com para aí uns 20 episódios. O problema não está no documentário propriamente dito, o problema é que a guitarra eléctrica já tem demasiada história para poder condensar em apenas 90 minutos. Se Davis Guggenheim (que já tem no currículo o excelente An Inconvenient Truth) fizesse uma série de documentários, sempre com três "convidados", teria material de trabalho para muitos anos. Mas também seria necessário que os intervenientes quisessem participar e, também, obviamente, que estivessem vivos. É por isso que me soube a pouco.
Para quem gosta de rock and roll, para quem gosta de uma grande guitarrada, para quem gosta do som da guitarra eléctrica, das distorções e dos efeitos das pedaleiras, este é um dos documentários obrigatórios. Como gosto de White Stripes, U2 e especialmente de Led Zeppelin, foi um gosto enorme ver este It Might Get Loud. Gosto das guitarradas meio punk, meio blues do Jack White, da mesma forma como gosto do som extremamente polido e agudo do The Edge... mas nada bate o velho mestre Jimmy Page. E poder vê-lo ainda a dar umas guitarradas valentes é um privilégio. E a parte em que Page está a curtir o Rumble On de Link Wray... é um momento simplesmente brilhante.
Para mim, a grande vantagem dos documentários em relação ao cinema convencional é que se aprendem mesmo coisas. Factos, quero eu dizer. Os documentários abrem horizontes e aguçam a curiosidade. É outro tipo de cinema, mas para mim é cinema na mesma. Aprendi mais uma série de coisas sobre guitarras e guitarristas, e aumentei substancialmente o meu leque de história, músicos e músicas de rock and roll. Nem que fosse só por isso, já valeu a pena. Muito bom. ●●●

 
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