Até ao aparecimento da Internet e dos meios digitais, a TV era o único meio verdadeiramente global. E como tal, visto duma futura perspetiva distópica, era o meio perfeito e óbvio para um domínio totalitário. É interessante perceber que a determinada altura, as sociedades distópicas do cinema passaram do controlo pela força para o controlo das massas pelo entretenimento. Se as pessoas estiverem "desinformadas" e entretidas é mais fácil de serem controladas. E quem ia exercer esse controlo? Gigantescas e omnipresentes corporações empresariais que têm tanto lucro que esmagam literalmente as massas para a pobreza extrema. Os anos 80 conceberam e cristalizaram este pensamento. E é aqui que entra The Running Man. É exactamente isto. Um controlo pela desinformação e pelo entretenimento, aqui representado por uma reality show violento em que os concorrentes têm de literalmente lutar pela vida para chegar ao fim. Onde é que já se viu isto?! Claro que este é um filme duma fase embrionária das distopias e ainda por cima misturadas com o conceito de acção da altura. Basta ver o genério feito com a capacidade computacional de um Spectrum... Nunca poderia dar um bom filme, mas tem uma excelente ideia de fundo. Às vezes acho que o pessoal de agora vai buscar ideias aos filmes antigos. Nunca tinha ouvido falar em reality shows antes de ver o Running Man... Para além da história, tem pormenores revolucionários como por exemplo a mudança digital das caras para enganar os telespectadores.
Sendo um filme de acção puro dos 80's, os actores ocupam um lugar bastante secundário. Tem a estrela da companhia, sendo que Arnold Schwarzenegger era o grande herói de acção do momento e vendia qualquer filme só aparecendo no cartaz. O resto do pessoal (Richard Dawson, Maria Conchita Alonso, Yaphet Kotto, Jim Brown, Jesse Ventura) esforçam-se por ter tempo de antena, mas é muito pouco. Paul Michael Glaser adapta uma história de Richard Bachman, que para quem não sabe é um pseudónimo de Stephen King (sim, o mestre negro) quando ele decidia escrever outras coisas menos macabras...
Apesar de ser fraquito, vale pela excelente ideia de base (que por acaso se passa em 2019 [em 1987 era uma data tão longínqua que se podia-se conjecturar qualquer coisa...]). E pelo Schwarzenegger, claro está. ●●○○○


Só por curiosidade... Schwarzenegger e Jesse Ventura foram para o campo da política e chegaram os dois a governador... Domínio pelo entretenimento... Será apenas uma coincidência?... Humm...
Quando digo que vejo tudo, isso quer dizer que vejo mesmo tudo. Admito que enjoei um pouco os filmes de animação Disney porque têm um modelo pré-definido e não saem daquilo. Para um olho atento e treinado, vendo um, os outros são sempre iguais. É a receita infalível seguida pelos estúdios Marvel, apesar de quererem fazer passar a mensagem de que são diferentes, não sei muito bem porquê. Deve ser uma questão de bilheteira e quantidade de fanáticos... perdão: fãs. A similaridade é tão grande que a Disney até comprou a Marvel!. E percebe-se perfeitamente porquê: é o mesmo produto mas para estratos etários diferentes. Não vale a pena estar com merdas, é tudo igual, é a velha receita Disney, que quer se queira quer não, não falha. Desde aquele guião original do Toy Story que todos os filmes seguem o mesmo principio. Eu nem tenho grande problema com isso, mas ao fim de ver dúzias de cópias, acaba por enjoar e foi o que aconteceu. Mas não sei muito bem porquê, decidi voltar a ver mais uma Disneyrada.
Baseado no mundo dos videojogos de arcade (máquinas de jogos para os mais velhotes), Wreck-it Ralph está recheado de boas piadas (como sempre), muitíssimo bem escrito e com aquelas alfinetadas cirúrgicas de acção e comédia, que vêm sempre na altura certa... Lá está, é uma fórmula que nunca falha.
Falar de vozes de actores é sempre uma coisa estranha mas aqui destacam-se o brilhante John C. Reilly, Sarah Silverman e Jane Lynch. Tenho de admitir que gostei, até porque estes filmitos são tão inócuos que acabo sempre por gostar deles. Eu compreendo. É uma coisa cerebral. O filme acaba e uma pessoa fica com uma boa sensação. E isso também é importante e útil, desde que não seja totalmente "falso". É o caso. Vê-se bem e por isso provavelmente irei ver a obrigatória sequela. ●●○○○

Continuação do primeiro John Wick... que como previra, tinha tudo para ser um sucesso de bilheteira. Chad Stahelski faz regressar o durão Keanu Reeves, e junta-lhe mais inimigos e aliados (Riccardo Scamarcio, Ian McShane, Laurence Fishburne e John Leguizamo). Continuação e aumento das cenas de porrada, mas sempre com algum miolo e muito, muito estilo. Apesar de ser mais do mesmo (que a primeira entrega), tem pelo menos o condão positivo de conseguir criar um novo mundo hierárquico de assassinos pagos e estilosos. E tudo com lógica, o que é uma raridade hoje em dia. Boas cenas de porrada, muito bem engendradas e ainda melhor filmadas. John Wick: Chapter 2 não é totalmente estúpido e por isso vê-se relativamente bem, apesar de a determinada altura a necessidade de acção constante tornar a coisa demasiado repetitiva. Tal como acontece na maioria dos filmes de acção actuais, falta-lhe uma grande dose de calma... Ia dizer que se previa um Chapter 3, mas a velocidade de produção hoje em dia é tão rápida que fiquei a saber agora mesmo que já está nos cinemas!!!... E já vem a caminho um Chapter 4!!!... What a rush... Espero que não danifiquem demasiado a "franquia"... ●●○○○

Zack Mayo quer ser alguém na vida e por isso envereda pela carreira militar. Com um passado meio nebuloso e uma história familiar destroçada, esta é a sua última, e se calhar, única hipótese que tem para subir socialmente e desligar-se das suas raízes problemáticas. No entanto, a sua atitude desbocada, rebelde e explosiva não ajuda e entra em confronto com o sargento Foley, o que o leva a praticamente desistir. Pelo meio envolve-se com Paula, uma alma gémea "da base" que vive perto da base de treinos e que por sua vez tem em Zack a sua única hipótese de se desligar da família problemática e de uma vida inútil a trabalhar na fábrica de papel da zona. Juntos vivem uma conturbada e carnal história de amor.
An Officer and a Gentleman foi uma das grandes histórias românticas dos anos 80 e um enorme sucesso. Richard Gere era nesta altura um sex symbol e talvez o mais requisitado actor daquele período, e o que tinha os maiores sucessos. Pode ser coincidência, mas todos os filmes em que entrava eram um sucesso (quase) garantido. Aqui contracena com Debra Winger, com quem tem uma grande cena de sexo. Na década de 80 era normal nos "dramas românticos" haver cenas de sexo, bastante possantes, o que elevava a classificação do filme para restrito, mas isso era, estranhamente, um ponto positivo. No cinema, sexo é sempre problemático e restritivo, agora rebentar cabeças, cortar braços e eviscerar inimigos já é uma "coisa pacífica". Vá-se lá perceber... Também há David Keith (o amigo rico, mas ingénuo), Lisa Blount (a amiga aproveitadora sem escrúpulos) e Louis Gossett Jr. (o duro instrutor Foley), todos muito bons.
Taylor Hackford pegou na fórmula mágica da altura (uma história romântica dramática e conturbada para adultos, com actores jovens (que na altura era para aí na casa dos 30 anos!), uma música "de genérico" que conquistaria os tops mundiais (Up where you belong, do eterno Joe Cocker] e o final que o público queria...) e compôs um enorme sucesso de bilheteira que se mantém inalterado até aos dias de hoje. Muito bom. Identifico-me muito com a personagem do Zack Mayo, apesar das diferenças óbvias. E mesmo reconhecendo que esta não é nenhuma obra prima do cinema, é sem dúvida, um dos filmes da minha vida. ●●●●○

Estava eu a fazer zapping quando reparo que está a dar o Gulliver's Travels. Há coisas a que não consigo resistir e uma delas é esta história do Jonathan Swift. Faz parte do meu imaginário mais antigo e por isso tive de ver, até porque não conhecia esta adaptação. Como conhecia o realizador Rob Letterman dos "desenhos animados" deduzi que não podia ser muito mau e por isso valia a pena perder duas horitas... E foi um choque. É incrível o que fizeram com esta história. É inenarrável. Não percebo. Primeiro pensei que era uma cena na tanga. Depois pensei que era um filme para criancinhas. Depois fiquei sem saber o que pensar. É... pura estupidez. Gastam dinheiro a fazer coisas tão más que nem tenho explicação. Não me lembro de ver algo tão mau. Não tem piada nenhuma, é totalmente vazio de tudo e nem sequer respeita (nem credita) a história original que é simplesmente brilhante. Tem o Jack Black a fazer papel de idiota e mais uns actores quase na mesma onda (Emily Blunt, Jason Segel). Gulliver's Travels é uma total e completa nulidade. É candidato ao pior filme de sempre. A única coisa que tem de positivo é relembrar-me que existem mesmo filmes onde nada se aproveita e que por isso levam com nota zero! ○○○○○ (se ao menos tivesse visto o trailer antes, não me tinham "apanhado"... bastards...)

Darren Aronofsky é um dos meus gajos favoritos. Tem uma forma de pensar e de filmar que me agrada bastante. Nunca tinha visto um "Aronofsky" que não gostasse. No entanto, apareceu este Noah, que é a excepção que confirma a regra. Acho que lhe passou qualquer coisita má pela cabeça. É um pouco estranho demais. Eu sei que pegar em histórias e personagens bíblicas como o Noé que foi pai no seu 500.º aniversário e que para além de ser neto de Metusalém (que chegou aos 970 anos) teve de construir uma arca para salvar literalmente a vida da face da Terra que iria ser destruída por um dilúvio de proporções (lá está...) bíblicas, não é facil. Ainda assim, Darren quis acrescentar-lhes novos, fantásticos e ainda mais inverosímeis elementos. Isto é a receita perfeita para um desastre previsível.
Mas fica então a pergunta: porquê?
Porquê pegar nestas histórias, quase mitológicas, e dar-lhes twists e interpretações próprias quando se sabe logo à partida que não vai dar certo ou obter resistência? Não percebo. Acho que é uma questão interior pessoal, do género: "quero fazer um filme bíblico como aqueles que via quando era miúdo", mas "vou fazê-lo segundo a minha perspectiva", ou "mais moderno". Tem tudo para dar mal. Quanto mais não seja, pela questão do próprio público. Não há público para isto. O pessoal hoje em dia ou é agnóstico ou é ateu. Aliás, dizer que se é religioso é quase passar um auto-atestado de estupidez... O público de cinema não liga a estes temas. Não tem super-heróis... Isto não lhe diz nada. E ainda por cima, esta linguagem de "cinema épico e bíblico" já está demasiado cristalizado num público antigo (que ainda imagina a Elizabeth Taylor como Cleóptara ou Charlton Heston como Ben-Hur) que já nem sequer frequenta cinemas porque só há filmes para adolescentes... com super-heróis... Um projecto como este parece ser apenas uma questão pessoal (e está totalmente no seu direito) e está logo destinado ao insucesso. No máximo pode causar polémica com alguns religiosos mais aguerridos, mas até isso hoje em dia é uma coisa muito superficial e passageira. Já nem as criancinhas ligam ao Noé, nem querem saber de arcas com animais. Se esta história ainda perdura é porque é preciso vender livros "educativos". As editoras já estão fartas de fazer "cenas" com números e cores e precisam da história do Noé para introduzir os animais e vender livros. É só isso. Já nem sequer é uma história bíblica com fundamentos moralistas... É uma história para ficar a conhecer os animais de uma forma divertida.
Bem... Mais uma vez, dispersei total e completamente...
Voltando ao filme. Russell Crowe, Jennifer Connelly, Anthony Hopkins e Emma Watson esforçam-se o máximo que podem e retratam a história de Noé e da construção da Arca para salvar a Humanidade do Grande Dilúvio que vai limpar o mundo da iniquidade. Pela primeira vez, Darren Aronofsky desiludiu-me. Apesar de ter pontos positivos na parte técnica e visual, Noah é um filme desconexo, descontextualizado e.. mau. É tão mau que já desapareceu totalmente da minha cabeça. Mas pronto, toda a gente tem os seus dias maus. Paciência. Espero pelo próximo filme. ●○○○○

Alguém ainda se lembra da pandemia de gripe A (ou H1N1 para os mais técnicos...) aí por volta de 2009 ou 2010? Aquela que fez toda a gente enlouquecer e começar a esfregar as mãos com gel desinfectante de cinco em cinco minutos? É provável que não. Foi um frenesim informativo durante algum tempo, mas quase em simultâneo começou a bater forte uma crise financeira, e de um dia para outro toda a gente se marimbou para a gripe suína. Morrer é uma coisa grave, mas perder o dinheiro é muito, muito mais grave...
Influenciado pela realidade, o cinema não deixa estes acontecimentos sem registo. Nessa onda surgiu Contagion, um filme sobre uma hipotética pandemia, mas feito com todos os condimentos da realidade. Ou seja, não é um filme de acção explosivo em que um super-herói tem de lutar contra um super-vilão que quer destruir a Terra com recurso a um vírus altamente contagioso. É apenas um filme onde pessoas falam, pessoas lutam contra adversidades avassaladoras e pessoas morrem sem grande actos de heroísmo. Não é isto que as pessoas querem ver, senhor Steven Soderbergh. Obviamente não teve grande recetividade. Diga-se que não é um filme brilhante, é "apenas" mais um "Soderbergh". Quer isto dizer que está bem feito, bem realizado, bem montado, muito bem escrito e muito bem interpretado.
Steven Soderbergh é um gajo muito particular e não me canso de dizer isto: é provavelmente o gajo que mais facilmente faz filmes. É uma máquina tão bem oleada para a arte, que dá a impressão de um dia acordar com uma ideia e enquanto vai para o trabalho, pega num telefone, liga a meia dúzia de amigos, escreve qualquer "coisita" rápida, manda-lhes um SMS com o guião e depois liga a câmara e faz um filme num instante. É nitidamente um sobredotado da "coisa". E como é óbvio, tudo que é actor quer ser dirigido por ele. Neste caso, um chorrilho de grandes actores: Gwyneth Paltrow, Matt Damon, Laurence Fishburne, Kate Winslet, Jude Law, Marion Cotillard e muitos mais...
Muitas histórias cruzadas, muitas personagens, muito realismo, nenhum heroísmo, nenhuma acção. Apenas e só a realidade a desenrolar-se... Um filme destinado ao insucesso nas bilheteiras. Mas um filmito jeitoso, que apesar de ser "esquecível", vale sempre a pena ver. ●●○○○

Não aguento comédias românticas... entediam-me e adormeço. Ou então disperso mentalmente e começo a ler qualquer coisa. Não suporto. No entanto, vejo tudo que tenha uma ponta de interesse e por isso, já no longínquo ano de 1990, quando era uma pessoa totalmente diferente da que sou hoje, vi este Pretty Woman, em que um rico magnata contrata uma prostituta e depois se apaixona por ela. É a fórmula Disney para adultos e nunca falha. Basta transformar a personagem de Julia Roberts (que é "nitidamente" uma prostituta porque usa saias muito curtinhas e botas altas!!!... [em 1990 as coisas eram tratadas assim um pouco para o lado irrealista, mas tudo bem, até gosto desta inocência distante]) numa empregada de limpeza pobre e passar tudo a desenhos animados, juntar-lhe uma musiquinha da treta no genérico (ou numa cena musical - obrigatório) e está feito o novo mega-sucesso da Disney. Aqui, a "potência" dos dois actores principais (Richard Gere e Julia Roberts) segura o filme e torna-o suportável, apesar de toda a previsibilidade deste mundo. Nesta altura, acho que o Richard Gere era o sex-symbol em vigência. Não me lembro bem. Também não interessa... É tudo muito confuso. Já vi o Richard Gere fazer tantas vezes este galã de homem maduro extremamente sensual que vai buscar a "menosprezada amada à fábrica" que já confundo tudo. Mas lá está, não interessa... Garry Marshall fez um mega-sucesso comercial desta moderna La Traviata (que por acaso até aparece no filme) e cristalizou a presença de Roberts (na altura apenas com 22 anos) nos ecrãs de cinema. Dois destaques finais: um para o cartaz oficial que por qualquer razão inexplicável acabou por se tornar icónico com o tempo (lá está: aposto na mini-saia e nas botas altas); e o outro destaque vai para a excelente música de Roy Orbison que dá nome ao filme e torna qualquer trailer numa coisa agradável de se ver. ●●○○○

Joe Dante e Chris Columbus (e também "dedinho mágico" de Steven Spielberg) juntaram-se seis anos mais tarde (a maluqueira das sequelas obrigatórias após o sucesso do filme original ainda não estava totalmente na berra) para dar continuidade à história dos Mogwais e dos Gremlins. Desta vez, o caos vai-se apoderar dum arranha-céus super-tecnológico em Nova York que é propriedade do magnata Daniel Clamp (não será Donald Trump?!?) e onde se fazem experiências genéticas e outras coisas pavorosas...
Nesta sequela, a juntar aos já repetentes Zach Galligan e Phoebe Cates, juntam-se John Glover e o lendário Christopher Lee.
Esta segunda entrega, apesar de maior e mais artilhada de efeitos não teve o mesmo sucesso do primeiro filme. O público dos anos 80 era ligeiramente diferente do actual. Não queria estar sempre a ver as mesmas coisas. Queria coisas novas e diferentes de cada vez que ia ao cinema. Se fosse hoje em dia, os Gremlins já tinham um franchise bem estabelecida e já estaria em produção o Gremlins - Episódio XIX!!! Em parte, ainda bem que tudo ficou por aqui. É que só lhe acrescenta valor...
Apesar de ser mais do mesmo, Gremlins 2: The New Batch (que muitos críticos consideram ser um dos melhores exemplos de boa continuidade e de como uma sequela deve ser feita) continua a ter argumentos próprios, continua a ser divertido e por isso vê-se bastante bem. ●●●○○

Não sei se foram as drogas psicadélicas dos anos 70 a terem efeitos inesperados ou o boom económico dos anos 80, mas realmente aconteceu um crescimento exponencial no cinema de entretenimento. Ao mesmo tempo, apareceram as ideias mais estranhas e criativas que me lembro, assim como misturas imprevisíveis e surpreendentes de géneros tão díspares como o a comédia, a fantasia e o terror. Um dos exemplos é este Gremlins e dispensa apresentações muito longas.
Um rapaz recebe de prenda um estranho animal vindo das profundezas misteriosas de Chinatown. Esse estranho, fofo e adorável "bicho" é um Mogwai e tem algumas particularidades muito próprias: não pode ser exposto a luzes muito fortes, não pode ser molhado e nunca, mas nunca, pode ser alimentado depois da meia-noite. Se a luz intensa o pode matar, a água faz com que se reproduza. Já alimentá-lo após a meia-noite faz com se transforme num pequeno e perigoso diabrete conhecido com Gremlin.
Não sei se foi a ideia ou os efeitos "revolucionários" para a altura, mas o que é certo é que foi um mega sucesso dos anos 80 e que se tornou num verdadeiro fenómeno pop que ainda hoje perdura. E para um filme ser um sucesso de bilheteira quando foi lançado ao mesmo tempo que os Ghostbusters (no mesmo dia!) e o Indiana Jones and the Temple of Doom é porque teve méritos mais do que suficientes.
Zach Galligan, Phoebe Cates, Corey Feldman e o mítico Dick Miller lutam incessantemente para livrar a sua pacata vila desta invasão incontrolável de Dick Miller .
Chris Columbus na escrita e Joe Dante na realização criaram um filme que criou raízes com o tempo e que para além da história criativa, mesmo tecnicamente ainda é um filme com argumentos suficientes para se "aguentar" nos dias de hoje. Também não será coincidência que Steven Spielberg, o mago visionário e criador dos blockbusters "actuais", estivesse nos bastidores como produtor...
Foi um dos primeiros filmes que vi no cinema e por isso tem uma carga gigante de nostalgia associado. Só posso dizer: Gremlins forever. ●●●●○

Sentado no seu escritório, um escritor recorda os seus tempos de miúdo e as aventuras com os seus amigos mais próximos. Em particular, conta a história marcante de como ele e três amigos decidiram fugir de casa e fazer uma longa viagem para encontrar o corpo de um outro miúdo da vila que tendo desaparecido há algum tempo, se presumia que tivesse morrido. Pelo caminho, vão aprendendo coisas sobre si próprios e sobre a importância da amizade. Mas como têm a concorrência directa de um gang de "gunas", acabam também por aprenderem a defender-se e, mais importante ainda, a levantarem-se sem medo para defender o que está certo.
Baseado em "The Body" do mítico Stephen King e muito bem realizado por Rob Reiner, Stand By Me é um excelente filme de adolescentes. É ternurento, melancólico, alegre e macabro, tudo ao mesmo tempo e tudo muito bem equilibrado entre drama e aventura. Se Richard Dreyfuss, um gajo que sempre curti, é um "Stephen King" muito verosímil, os miúdos rebentam com a escala. Wil Wheaton, River Phoenix, Corey Feldman, Jerry O'Connell nos papéis dos bons miúdos, estão excelentes e só posso apontar coisas positivas às performances. Neste grupo, destaca-se de forma óbvia o River Phoenix porque tem uma maturidade e um à-vontade em frente das câmaras muito diferente dos outros. Poderia ter sido um excelente actor, mas como por vezes acontece com os sobredotados, simplesmente "queimam" rápido demais. Kiefer Sutherland é um "bad boy" muito convincente porque é um actor muito bom, como se viria a comprovar nos anos seguintes em montes de filmes.
Para quem não acompanhou o surgimento do cinema teenager nos anos 80 pode ser difícil de perceber porque é que coisas como o Stranger Things e sucedâneos têm tanto sucesso agora e conseguem cativar tanto público. É que este fenómeno não é novo. Tem as suas raízes em filmes como este ou os Goonies por exemplo. Acho que posso dizer que Stand By Me é uma espécie de antepassado destes sucessos actuais e futuros. Stand By Me é um filme que gosto bastante e que recomendo sempre. ●●●●○

O tempo é uma coisa estranha... A questão da relatividade do tempo é algo verdadeiramente mind-boggling. Em parte, o tempo (e a sua relatividade) que cria paradoxos aparentemente impossíveis mas reais, é um dos elementos-base de Interstellar. Mas também a destruição natural do planeta, os dramas familiares, fenómenos espaciais relativamente desconhecidos da ciência e possibilidades académicas sobre o próprio tecido do tempo-espaço que permita que tudo exista como conhecemos. Mas nesta profusão de temas, eu elejo o tempo como principal ingrediente apenas por uma razão.
Neste momento, considero o Christopher Nolan como o melhor realizador vivo. Ponto. Para mim, é inegável. É o gajo mais talentoso, mais equilibrado, mais técnico, mais criativo e mais eclético do momento. Faz um pequeno drama histórico ou um grande blockbuster de acção com a mesma mestria. E portanto não perco nenhum filme do Nolan. Dali pode muito bem vir "aquele" filme que eu estava mesmo à espera para ver. Não me lembro de ver um filme com a assinatura Nolan que fosse mau. Neste anos todos, não me lembro de um filme que fosse sequer mediano; aliás é tudo de muito bom para cima. Daí a minha escolha pelo tempo.
Quando vi que ia sair um filme ficção científica realizado pelo Christopher Nolan, e face à escassez de material "normal" neste género, fiquei logo entusiasmadíssimo. Finalmente ia conseguir ver "ficção-científica-científica" e não um espectáculo de luzinhas, cores e lasers.
Logo após a primeira visualização, vim a correr aqui para o computador escrever e pus logo no final um "5", o que para mim quer dizer que é um filme que tem tudo o que gosto de ver, sem tirar nem por. Perfeito. Sem falhas.
A história com toda aquela base cientifica hardcore (se conceitos hipotéticos como wormholes, teoria das cordas, multiversos, viagens "reais" no tempo, e singularidades não são ciência hardcore, então não sei o que será), os actores excepcionais (Matthew McConaughey [tem momentos de puro génio], Anne Hathaway, Jessica Chastain, John Lithgow, Michael Caine, entre outros), a fotografia exemplar, a música de Hans Zimmer, aqueles robots fantasticamente imaginados e diferentes de tudo o que já tinha visto; tudo estava muito bem feito e não deixava margens para crítica.
Não há dúvida que Interstellar é muito bom, mas aconteceu-me algo estranho na segunda vez que o vi. Comecei a notar um certo desequilíbrio. Apesar de toda a sua aparente perfeição técnica e científica, o filme tem um tom desequilibrado... Não é bem o tom... É mais o "peso" nos componentes da história. Por exemplo, dá muito ênfase à salvação da humanidade no espaço, mas descarta totalmente a razão da sua destruição na Terra, que permanece quase implícita. Passa rapidamente de uma eminente catástrofe global para um longo drama intimista e depois fica-se por aí, sem fechar o círculo.
Este é um dos principais problemas de um gajo ser muito bom. É que a parte que critica - nomeadamente a minha pessoa -, vê e revê os filmes, vai ali ao mais ínfimo pormenor, escalpelizá-lo ao microscópio para tentar encontrar uma falhazinha minúscula qualquer. Acaba por ser injusto, porque se fosse outro gajo qualquer sem grandes méritos a realizar o Interstellar eu nem pensava duas vezes e iria apelidá-lo de grande revelação.
Entretanto já vi o Interstellar uma terceira vez e acabei por eliminar a crítica original (que só dizia bem de tudo) e acabei por escrever esta. Neste momento, mantenho a minha opinião. Mas por muito incoerente que possa parecer, é um filme que me fascina e que me atrai. Se estiver a dar na TV e eu calhar de o apanhar a meio, não lhe consigo resistir. É, com certeza, o melhor filme de ficção cientifica da década (que está a acabar, mas também não vejo alguém com mais capacidades que o Nolan para fazer melhor) e fica de certeza no top dos melhores de sempre do género. Tem coisas absolutamente geniais e é muito provável que o (re)veja mais vezes. É até provável que a minha apreciação mude com o tempo. Lá está... O tempo é uma coisa estranha... ●●●●○

Um gato ronrona a uma rotação de 26 ciclos por segundo, que curiosamente, é a mesma de um motor a diesel em ponto morto. Interessante, não é? Há montes de coisas verdadeiramente interessantes e surpreendentes neste mundo. E acabam por ser essas coisas que me distraem de outras coisas muito menos interessantes e surpreendentes como Mortal Engines (de Christian Rivers), uma história que é uma cópia descarada de outras histórias já batidas, mas que tem o elemento de surpresa e diferença no facto de ser sobre cidades motorizadas (?!) que comem outras cidades motorizadas num futuro pós-apocalíptico... WTF?!? Isto até pode ser uma produção Peter Jackson e ter um gajo porreiro como o Hugo Weaving, mas não tem nada a ver. É muito mau. É mais uma patetice dos tempos modernos. Previsível, cheio de cenas digitais absolutamente desnecessárias (aquilo a que na gíria se chama de "encher chouriços") e que bem espremido teria no máximo 20 minutitos de história. Muito fraco. Um fiasco "normal" que de certeza teve uma boa bilheteira e terá a sequela obrigatória. Mas se deu prejuízo também pode ficar por aqui. E não vinha nada de mal ao mundo se isso acontecesse... ●○○○○

Jeff é um homem que já correu o mundo como fotógrafo profissional, mas que depois de partir a perna enquanto trabalhava, fica confinado a um cadeira de rodas no seu apartamento em Greenwich Village. Entediado com a situação, decide virar a sua máquina fotográfica para a vida dos vizinhos nas traseiras do pacato bairro. No entanto, fruto da sua cabeça (ou não), presencia alguns acontecimentos que o fazem suspeitar que um dos vizinhos pode ter assassinado a mulher...
Qualquer aspirante a cineasta (e qualquer pessoa que goste verdadeiramente de cinema) deveria ver pelo menostrês vezes o Rear Window. É uma obra-prima consensual entre público e crítica. Mas, mais que isso, é um manual de como fazer um excelente filme com poucos recursos. Analisando bem, é uma gigantesca produção de teatro com base numa história repleta de suspense e intriga, tudo suportado por actores míticos e de calibre superior como James Stewart, Grace Kelly, Thelma Ritter ou Raymond Burr, mas especialmente pela direcção em cena do mestre Alfred Hitchcock. É um thriller à maneira antiga, repleto de suspense e paranoia, cheio de tiques de voyeurismo e tensão romântica, bem à moda de Hitchcock, que tem bem marcado o seu estilo de filmar nos mais pequenos pormenores.
Rear Window é mais um daqueles filmes que tem material para escrever uma enciclopédia inteira e é até provável que já o tenham feito. É uma obra-prima que tem de figurar em qualquer lista dos melhores filmes de sempre. É impressionante o que se consegue fazer com a simplicidade se se for genial o suficiente. E Alfred Hitchcock tinha genialidade para dar e vender... Sobre o mítico Alfred Hitchcock e tudo o que ele representa para o cinema nem sequer me vou alongar, porque ficaria aqui a escrever durante uma semana. Filmagens espetaculares, ângulos de câmara dramáticos, o som ambiente, o uso fantástico da luz e sombra, mas especialmente, o controlo total da percepção que o próprio espectador tem. Apesar de já estar bem longe da magia original do cinema é um digno sucessor e se calhar, o último mágico verdadeiramente moderno dos filmes. Hitchcock é uma figura incontornável do universo cinematográfico e este Rear Window, mesmo tantos anos depois da estreia ainda continua a ser uma prova viva disso mesmo. ●●●●●

O enredo de base de A Quiet Place é simples e já muito batido. O mundo foi invadido por extraterrestres que caçam com base no som e uma família isolada tem que lidar com alguns deles para poder sobreviver num cenário pós-apocalíptico. Vi este filme a contra gosto e com expectativas muito baixas, porque pensei que ia ver outra chacha de terror/acção/efeitos com adolescentes aos saltos entremeados por jump scares totalmente previsíveis. Foi-me indicado por um miúdo de 15 anos que gostou muito do filme e isso levou-me logo a pensar em parafernálias digitais infindáveis e acção estonteante e imparável. De certa forma, com aquela sugestão do miúdo, recuperei um pouco a fé na humanidade porque o filme é realmente bom e totalmente diferente do que estava à espera. Lá está... a questão das expectativas é muito importante nos filmes e na sua avaliação final... A acção vem precisamente da contenção da própria acção, o que diga-se, é muito raro hoje em dia. Suspense e montes de situações em que uma pessoa literalmente fica agarrado, em tensão, à cadeira é o que se pode esperar deste A Quiet Place.
Emily Blunt, John Krasinski, Millicent Simmonds, Noah Jupe e Cade Woodward compõe esta família sob pressão alienígena. A questão do som é de facto muito importante, tanto na questão familiar (a filha é muda e só comunica por linguagem gestual), mas também como um elemento extra de tensão...
Apesar de ser uma produção relativamente pequena, vale mais que muitos filmes de grande orçamento. É mais um bom filmito feito com recursos muito limitados, centrando a acção numa história muito bem construída e muito bem montada. Uma vénia para John Krasinski que para além de actor, assina também a realização. As cenas de tensão são muito boas, por vezes dramáticas e consegue afastar-se dos inevitáveis jump scares do costumeiro filme de terror. É uma lufada de ar fresco no género e no cinema de entretenimento em geral. Totalmente recomendado. ●●●○○

 
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