Há filmes que por natureza não vejo. Ou porque os trailers mostram um filme pateta igual a milhares de outros e não me apetece perder tempo a vê-lo, ou porque são comédias românticas de domingo à tarde. Filmes com banda sonora de rap (ou hip hop e categorias semelhantes) e de danças urbanas com adolescentes também passo. Não é um tipo de música que goste, portanto não me diz nada.
Pensei que era um filme sobre rap e/ou sobre a história do Eminem. Não sei onde fui buscar esta ideia. Por esta razão, achei que o filme não era para mim e andei anos sem ver 8 Mile. E foi um erro enorme. Porque definitivamente, 8 Mile é um filme muito bom.
Mal acabei de ver o filme, fui pesquisar um pouco e descobri que o Eminem ganhou o Óscar para a Melhor Música Original. Pelos vistos foi a primeira vez que um rapper ganhou este prémio. A música chama-se "Lose Yourself" e dá o tom ao filme. Só para tirar uma dúvida dei-me ao trabalho de procurar a letra...
"Lose Yourself"
Look, if you had, one shot, or one opportunity
To seize everything you ever wanted. In one moment
Would you capture it, or just let it slip?
Yo
His palms are sweaty, knees weak, arms are heavy
There's vomit on his sweater already, mom's spaghetti
He's nervous, but on the surface he looks calm and ready to drop bombs,
But he keeps on forgetting what he wrote down,
The whole crowd goes so loud
He opens his mouth, but the words won't come out
He's choking how, everybody's joking now
The clock's run out, time's up, over, bloah!
Snap back to reality, Oh there goes gravity
Oh, there goes Rabbit, he choked
He's so mad, but he won't give up that
Easy, no
He won't have it, he knows his whole back's to these ropes
It don't matter, he's dope
He knows that but he's broke
He's so stagnant, he knows
When he goes back to his mobile home, that's when it's
Back to the lab again, yo
This whole rhapsody
He better go capture this moment and hope it don't pass him
[Hook:]
You better lose yourself in the music, the moment
You own it, you better never let it go (go)
You only get one shot, do not miss your chance to blow
This opportunity comes once in a lifetime yo
You better lose yourself in the music, the moment
You own it, you better never let it go (go)
You only get one shot, do not miss your chance to blow
This opportunity comes once in a lifetime yo
(You better)
The soul's escaping, through this hole that is gaping
This world is mine for the taking
Make me king, as we move toward a new world order
A normal life is boring, but superstardom's close to post mortem
It only grows harder, homie grows hotter
He blows. It's all over. These hoes is all on him
Coast to coast shows, he's known as the globetrotter
Lonely roads, God only knows
He's grown farther from home, he's no father
He goes home and barely knows his own daughter
But hold your nose 'cause here goes the cold water
His hoes don't want him no more, he's cold product
They moved on to the next schmoe who flows
He nose dove and sold nada
So the soap opera is told and unfolds
I suppose it's old partner but the beat goes on
Da da dum da dum da da da da
[Hook]
No more games, I'm a change what you call rage
Tear this motherfucking roof off like two dogs caged
I was playing in the beginning, the mood all changed
I've been chewed up and spit out and booed off stage
But I kept rhyming and stepped right into the next cypher
Best believe somebody's paying the pied piper
All the pain inside amplified by the fact
That I can't get by with my 9 to 5
And I can't provide the right type of life for my family
Cause man, these goddamn food stamps don't buy diapers
And it's no movie, there's no Mekhi Phifer, this is my life
And these times are so hard, and it's getting even harder
Trying to feed and water my seed, plus
Teeter totter caught up between being a father and a prima donna
Baby mama drama's screaming on her
Too much for me to wanna
Stay in one spot, another day of monotony
Has gotten me to the point, I'm like a snail
I've got to formulate a plot or I end up in jail or shot
Success is my only motherfucking option, failure's not
Mom, I love you, but this trailer's got to go
I cannot grow old in Salem's lot
So here I go it's my shot.
Feet, fail me not, this may be the only opportunity that I got
[Hook]
You can do anything you set your mind to, man
...Sinceramente, não entendo. Não é a letra, é a extensão dela! Como é possível alguém conseguir decorar isto tudo? Ainda por cima, junto com muitas outras músicas do filme. Juro que não entendo.
E então apercebi-me que o meu não entendimento era uma constante neste filme. Passo a explicar. Há coisas que naturalmente me causam repulsa. Uma delas é a decadência. Quando se assiste diariamente à decadência, ela deixa de ter glamour... Também por essa razão eu não deveria ter gostado de 8 Mile, mas gostei. Em 8 Mile, a decadência não é só uma condição em que as personagens vivem; a decadência é quase uma personagem. Está tão bem tratada, estilizada, filmada e tão presente que interaje com os actores. Isto é sinal de um realizador que tem muito tacto social. Quer isto dizer que Curtis Hanson é um daqueles realizadores que tem os pés no chão, que observa as a interagirem na vida real e transpõe-na para o cinema com todas as suas qualidades e defeitos inerentes.
Depois tem Eminem. Eu sou um gajo do rock e do punk, por isso o hip hop, o R&B e restantes sucedâneos não fazem efeito. Pelo contrário, é um tipo de música que me faz mudar a estação de rádio. Mais uma razão para eu não ter gostado de 8 Mile, mas acabei por gostar. E pensando bem, a banda sonora não podia ser outra. Este é o tipo de música que melhor encaixa na história. E embora me custe admitir, o Eminem surpreendeu-me bastante como actor. Podem ter sido dicas de representação da Kim Basinger, pode ter sido pelo facto de ele ser originário duma zona "maravilhosa" como Detroit, por ter tido uma vida pessoal relativamente semelhante à do papel que intrepreta, mas também há a hipótese do gajo poder ser mesmo bom. O que é certo é que está perfeito no papel. Brittany Murphy, no papel de companheira à distância, movida pelo interesse pessoal também está muito bem, como sempre.
8 Mile é um retrato muito bem feito da decadência das grandes periferias, da cultura white trash nas suas caravanas arruinadas e imundas, das lutas pela sobrevivência urbana, em que o mundo dos gangs muitas vezes parecem ser a única salvação para quem sabe que não tem salvação possível, mas sobretudo mostra como por vezes, a salvação vem dos sítios mais inesperados. Mas acima disto tudo, 8 Mile é um filme dramático, tenso, excepcionalmente bem ritmado e no geral, muito bom. Posso dizer que 8 Mile é um daqueles bons filmes "à moda antiga", muitíssimo bem dirigido por Curtis Hanson, que merece ser visto, mesmo que à partida o tema não seja (aparentemente) muito agradável. ●●●●○
Wara no tate é um filme japonês, traduzido como Shield of Straw, algo como Escudo de Palha. É um título estranho, mas que bate certo com a história do filme.
Kyomaru, um perverso psicopata mata uma menina de 7 anos e acaba preso. Acontece que essa miúda era neta do homem mais rico do Japão, que imediatamente compra espaços publicitários em todos os jornais do país para ofererer biliões pela cabeça morta de Kyomaru. A proposta é ilegal mas simples: quem matar Kyomaru recebe a recompensa. Está assim aberta a época de caça.
Entre ele e os caçadores de recompensas que pode muito bem ser qualquer pessoa, estão cinco polícias que têm a dura e quase impossível missão de levar Kyomaru até uma esquadra do outro lado da cidade.
Tudo o que é bom no filme, está condensando nesta ideia. O resto desiludiu-me.
Se o filme é melhor do que parece é porque tem um tom engraçado e estranho, mais próximo da áurea esquisita e histérica do anime que outra coisa. Mas provalmente é mesmo só porque o casting é oriental. Nesse aspecto, tenho imensa dificuldade em comentar o que quer que seja. Vejo muito poucos filmes orientais e raramente consigo decorar os nomes dos actores. Já para não falar que também não consigo associar os nomes às caras. Os únicos que reconheci neste filme foram a Nanako Matsushima que já apareceu no filme de culto Ringu, também conhecido como The Ring na versão americana e Tatsuya Fujiwara do clássico Battle Royale. Quanto ao resto do "pessoal" acho que já vi alguns deles noutros filmes, mas sinceramente não os consigo identificar. Na parte da representação propriamente dita, nunca há nada a apontar a actores orientais. Parecem sempre empenhados a 101%...
Shield of Straw tem um boa história por base, mas acaba maltratada. E nem sequer é algo totalmente novo. Lembro-me do velhinho The Gauntlet de 1977, de e com Clint Eastwood. (E, sim, Eastwood já realiza filmes há muitos, muitos anos)
Wara no tate é um filme sobre frieza, vingança, honra e sobre o cumprimento do dever acima de tudo. Algo tipicamente japonês. Mas é mais um chavão para ter nos cartazes do que uma parte da história...
Vi o filme porque tinha como realizador Takashi Miike. E de Miike, lembro-me vagamente de ver Full Metal Yakuza, mas lembro-me muito bem de Audition e de Ichi the Killer, numa daquelas maratonas de filmes orientais do Fantasporto. Para quem não conhece, estes são filmes que fazem revirar as entranhas, engolir em seco e desviar o olhar... Nesse aspecto, este filme surpreendeu bastante: é demasiadamente brando com o espectador. ●●○○○
Kyomaru, um perverso psicopata mata uma menina de 7 anos e acaba preso. Acontece que essa miúda era neta do homem mais rico do Japão, que imediatamente compra espaços publicitários em todos os jornais do país para ofererer biliões pela cabeça morta de Kyomaru. A proposta é ilegal mas simples: quem matar Kyomaru recebe a recompensa. Está assim aberta a época de caça.
Entre ele e os caçadores de recompensas que pode muito bem ser qualquer pessoa, estão cinco polícias que têm a dura e quase impossível missão de levar Kyomaru até uma esquadra do outro lado da cidade.
Tudo o que é bom no filme, está condensando nesta ideia. O resto desiludiu-me.
Se o filme é melhor do que parece é porque tem um tom engraçado e estranho, mais próximo da áurea esquisita e histérica do anime que outra coisa. Mas provalmente é mesmo só porque o casting é oriental. Nesse aspecto, tenho imensa dificuldade em comentar o que quer que seja. Vejo muito poucos filmes orientais e raramente consigo decorar os nomes dos actores. Já para não falar que também não consigo associar os nomes às caras. Os únicos que reconheci neste filme foram a Nanako Matsushima que já apareceu no filme de culto Ringu, também conhecido como The Ring na versão americana e Tatsuya Fujiwara do clássico Battle Royale. Quanto ao resto do "pessoal" acho que já vi alguns deles noutros filmes, mas sinceramente não os consigo identificar. Na parte da representação propriamente dita, nunca há nada a apontar a actores orientais. Parecem sempre empenhados a 101%...
Shield of Straw tem um boa história por base, mas acaba maltratada. E nem sequer é algo totalmente novo. Lembro-me do velhinho The Gauntlet de 1977, de e com Clint Eastwood. (E, sim, Eastwood já realiza filmes há muitos, muitos anos)
Wara no tate é um filme sobre frieza, vingança, honra e sobre o cumprimento do dever acima de tudo. Algo tipicamente japonês. Mas é mais um chavão para ter nos cartazes do que uma parte da história...
Vi o filme porque tinha como realizador Takashi Miike. E de Miike, lembro-me vagamente de ver Full Metal Yakuza, mas lembro-me muito bem de Audition e de Ichi the Killer, numa daquelas maratonas de filmes orientais do Fantasporto. Para quem não conhece, estes são filmes que fazem revirar as entranhas, engolir em seco e desviar o olhar... Nesse aspecto, este filme surpreendeu bastante: é demasiadamente brando com o espectador. ●●○○○
Se o som possante duma bateria tocada a toda a força é um bocado demais para os vossos ouvidos então não vejam Wiplash... vão acabar com uma dor de cabeça do tamanho do universo.
Porque este filme é mesmo só isto: um professor, um aluno e a sua bateria. O aluno é interpretado por um desconhecido, mas brilhante actor chamado Miles Teller; o professor obstinado é um genial J.K. Simmons, do qual só me lembro de ver como eterno actor secundário. Grande erro. Onde é que andavam estes dois actores escondidos? A resposta parece estar na cabeça de Damien Chazelle, o gajo que conseguiu ver o que mais ninguém conseguiu... Chazelle parece ser daqueles realizadores com tanta visão, que consegue passar tanta intensidade para o ecrã, que se eu fosse produtor, dava-lhe o livro de cheques para a mão e dizia-lhe simplesmente: "faz o que quiseres, mas quero outro filme com a mesma intensidade dramática do Wiplash...".
Mas como acontece com todas as obras geniais, obviamente que Wiplash é muito mais que um professor, um aluno e a sua bateria. É chegar aos limites e ultrapassá-los. É sobre ser mais do que aquilo que se é. É aguentar quando já não se aguenta mais. É esforço, força, suor, lágrimas e sangue.
A primeira coisa que me chamou à atenção foi o título. É mesmo muito apropriado, porque é um reflexo do próprio filme. É como o som de um chicote: rápido, dilacerante, frenético, doloroso, explosivo.
Wiplash tem um tom amargo, muito, muito amargo. Não estava à espera. Em muitos daqueles momento duros do filme em que o estômago se encolhe e dá voltas, lembrei-me de Lars Von Trier. Se me dissessem que ele tinha andado por lá atrás das câmaras não estranharia muito. Mas a sensação "má", aqui, não causa repulsa, dá a sensação de se ter uma fibra dura, inflexível, que liga todo o filme.
Só há uma palavra para este filme: genial! É uma pérola dos tempos modernos e um clássico instântaneo. É muito bom. Emendo o que disse: é excelente! ●●●●●
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Tenho de admitir. Speed Racer é melhor do que pensava e muito melhor do que parece no trailer. Não chega aos calcanhares de outros Wachowski, mas até é aceitável.
A história é das típicas... Há uns bons que "têm" de ganhar uma corrida (por um motivo heróico e questões de honra) mas os maus não vão deixar que isso aconteça. É como é típico, os bons acabam por ganhar no fim... O elenco é estranho, mas tem pessoal bom. O papel principal foi deixado ao desconhecido (pelo menos para mim) Emile Hirsch, mas não se nota que está pouco à vontade no papel porque tem "ao lado", uma Christina Ricci a mostrar que uma coisa é a vida pessoal do actor e outra coisa é o trabalho do actor, John Goodman, um gajo que gosto sempre de ver, desde os tempos de Raising Arizona, mas espeialmente uma "senhora" chamada Susan Sarandon, que não me lembro de alguma vez ter uma má prestação. E também por lá aparece o Matthew Fox, porque na altura havia muitos fãs do Lost...
Ao princípio estranhei bastante este Speed Racer. Principalmente porque já vinha muito mal sugestionado por um daqueles trailers que só dão dores de cabeça. E estive quase a desistir quando apareceu o macaco. Não conseguia superar aquela personagem. Em vez de ver o filme, só pensava: porquê? Porquê o macaco? Qual o significado do macaco? Quem é que tem como animal de estimação, um macaco? O macaco não me saía da cabeça. Depois, pela maneira como o filme se desenrolava percebi que aquilo só podia ser anime. Mal terminou o filme fui pesquisar e vi que era de facto inspirado num anime/manga. Foi um alívio... Pensei que o macaco era... Bem, acho que já chega de falar no macaco...
Speed Racer é aceitável, mas é uma quimera. É uma combinação exótica de colossais efeitos digitais dos estúdios de Hollywood, misturado com momentos e cenas de cores carregadas, típicas de Tim Burton vintage, embrulhadas naquela estranhice muito fixe dos animes/mangas. E até ainda tem algumas poeiras de Matrix... Tudo a reluzir sob o efeito de néons psicadélicos.
Para mim, se o filme perde é essencialmente por ser tão absurdo e tão absolutamente hiper-exagerado. Pode ser um reflexo da tentativa de fazer um anime com actores reais, mas também pode ser exagero dos efeitos especiais ou da mente hiperbólica dos irmãos Wachowski. Menos é mais, é daqueles chavões que encaixam perfeitamente bem com Speed Racer. Estranhamente, sinto que com o passar do tempo, acho que é um filme que vai melhorar do lado da crítica. ●●○○○
A história é das típicas... Há uns bons que "têm" de ganhar uma corrida (por um motivo heróico e questões de honra) mas os maus não vão deixar que isso aconteça. É como é típico, os bons acabam por ganhar no fim... O elenco é estranho, mas tem pessoal bom. O papel principal foi deixado ao desconhecido (pelo menos para mim) Emile Hirsch, mas não se nota que está pouco à vontade no papel porque tem "ao lado", uma Christina Ricci a mostrar que uma coisa é a vida pessoal do actor e outra coisa é o trabalho do actor, John Goodman, um gajo que gosto sempre de ver, desde os tempos de Raising Arizona, mas espeialmente uma "senhora" chamada Susan Sarandon, que não me lembro de alguma vez ter uma má prestação. E também por lá aparece o Matthew Fox, porque na altura havia muitos fãs do Lost...
Ao princípio estranhei bastante este Speed Racer. Principalmente porque já vinha muito mal sugestionado por um daqueles trailers que só dão dores de cabeça. E estive quase a desistir quando apareceu o macaco. Não conseguia superar aquela personagem. Em vez de ver o filme, só pensava: porquê? Porquê o macaco? Qual o significado do macaco? Quem é que tem como animal de estimação, um macaco? O macaco não me saía da cabeça. Depois, pela maneira como o filme se desenrolava percebi que aquilo só podia ser anime. Mal terminou o filme fui pesquisar e vi que era de facto inspirado num anime/manga. Foi um alívio... Pensei que o macaco era... Bem, acho que já chega de falar no macaco...
Speed Racer é aceitável, mas é uma quimera. É uma combinação exótica de colossais efeitos digitais dos estúdios de Hollywood, misturado com momentos e cenas de cores carregadas, típicas de Tim Burton vintage, embrulhadas naquela estranhice muito fixe dos animes/mangas. E até ainda tem algumas poeiras de Matrix... Tudo a reluzir sob o efeito de néons psicadélicos.
Para mim, se o filme perde é essencialmente por ser tão absurdo e tão absolutamente hiper-exagerado. Pode ser um reflexo da tentativa de fazer um anime com actores reais, mas também pode ser exagero dos efeitos especiais ou da mente hiperbólica dos irmãos Wachowski. Menos é mais, é daqueles chavões que encaixam perfeitamente bem com Speed Racer. Estranhamente, sinto que com o passar do tempo, acho que é um filme que vai melhorar do lado da crítica. ●●○○○
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Num futuro próximo, os robots são uma constante da vida quotidiana. Quando o Dr. Alfred Lanning (James Cromwell), o mais conceituado cientista envolvido no desenvolvimento destas máquinas aparece morto, entra em acção o detective "robofófico" Spooner (Will Smith) para desvendar o crime. O aparente suicídio levanta muitas dúvidas e a investigação vai ao encontro de um robot muito especial chamado Sonny. Tudo indica que o robot é o culpado da morte do Dr. Lanning. Tudo isto é só a ponta do iceberg. O pior ainda está para vir, porque há uma conspiração por trás do crime...
A explosiva combinação Hollywood e blockbuster normalmente arrasa qualquer filme. E foi por um triz que não arruinou I, Robot de Alex Proyas. Provavelmente foi mesmo por ter o Alex Proyas à frente das câmaras que o filme ainda consegue chegar a padrões aceitáveis.
A base do filme é muito boa. As opiniões dividem-se entre uma colecção de histórias de Isaac Asimov e as aventuras de um robot chamado Adam Link escritas por Earl e Otto Binder. Nunca tive a oportunidade de ler nem um nem outro, portanto não sei quem será o "culpado" desta excelente história de ficção científica. O que sei é que a história é muito boa e o filme é medianamente bom, se considerarmos que hoje em dia o mix ficção científica/acção normalmente só gera anormalidades digitais. Tem muito bons momentos de cinema à Proyas, tem excelentes ideias, e é talvez um dos melhores a tratar a elevação das máquinas e a inteligência artificial, isto numa altura em que a IA ainda não estava muito na moda.
I, Robot tem excelentes efeitos especiais (como acontece com qualquer blockbuster que se preze), mas se calhar o melhor é mesmo o design de toda a produção, culminando numa das melhores representações de robots que já vi. Se chegarmos ao ponto de haver robots a passear pelas ruas (ou a patrulhá-las), tenho quase a certeza que serão muito parecidos com estes. Mas isso já é outra história...
Pelo lado negativo, há o casting. Não sei porquê, mas o Will Smith não encaixa bem neste filme. Até tem as suas piadas da praxe, mas há qualquer coisa que falha. E o resto do elenco também não ajuda. Fiquei com a sensação que por vezes os actores desapareciam do filme...
Tirando o excessivamente longo final que exagera nas cenas de acção (que não acrescentam nada à história) e que parecem que lá estão só para acrescentar tempo de filme e... acção, este é um dos poucos blockbusters que tem algum miolo. ●●●○○
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A saga Police Academy é caso para um estudo aprofundado sobre a evolução da sociedade. Pelo menos, da sociedade que se senta numa sala de cinema ou em casa para ver um filme. É caso para dizer: "só mesmo nos anos 80!" A lista de sequelas é épica e só pode ser comparada com os sucessos em contínuo das franchises dos filmes de terror: Police Academy, Police Academy 2: Their First Assignment, Police Academy 3: Back in Training, Police Academy 4: Citizens on Patrol, Police Academy 5: Assignment: Miami Beach, Police Academy 6: City Under Siege e Police Academy: Mission to Moscow. (Fogo! Só enumerar os filmes já é uma trabalheira...)
Quando era miúdo adorava estes filmes. Ria que me fartava com os tombos e as palhaçadas. Adorava as partidas desmioladas que os maus pregavam aos bons e ainda adorava mais quando no final os bons passavam uma rasteira aos maus. Police Academy era pura inocência... Pelos vistos, e de devido ao enorme sucesso dos filmes, não estava sozinho. Deliciava-me com a autêntica parada de personagens estereotipadas: o Steve-Mahoney-Guttenberg, o Jones, aquele gajo que imitava todos os sons (Michael Winslow), a boazona Callahan das big boobs (Leslie Easterbrook), o Bubba-big-black-dude-Smith, o gajo-louco-tipo-animal-dos-marretas, o inesquecível Zed (Bobcat Goldthwait) e o inseparável companheiro Sweetchuck (Tim Kazurinsky), o Tackleberry (David Graf) uma espécie de Harry Callahan destrambelhado, o distraído Comandante Lassard (George Gaynes) e o mau da fita, o Tenente Harris (G.W. Bailey), bem como o seu lambe-botas de estimação Proctor (Lance Kinsey).
Mas não foram só "desconhecidos" a passarem pelo elenco: também por lá passou a Kim Cattrall, a Sharon Stone, o Ron Perlman e até o Christopher Lee! Este é aquele caso em que se pode dizer que todos temos os nossos maus momentos na vida...
Lembro-me que nessa altura era grande sucesso o tema dos polícias, especialmente a mítica série de TV, Hill Street Blues, donde até parece terem sido copiadas algumas das personagens. Lembro-me também que estavam na moda as comédias tipo Porky's e Bachelor Party (Solteiros e Tarados, em português) e parece-me que alguma da inspiração também veio daí.
Devo ter visto estes filmes umas boas dúzias de vezes. Gosto deles porque me lembra uma altura em que tudo era inocente. Quer dizer, nada era inocente, eu é que via as coisas de outra forma. É como ver alguém a passar numa bicicleta BMX com um amortecedor no meio: não é a bicicleta que é de boa qualidade, o que ela lembra é que é bom. Police Academy é mais um caso agudo de saudosismo que outra coisa.
O Canal 1 andou a repôr alguns dos filmes e não resisti a ver umas cenas aqui e ali. E todos os filmes que já pareciam maus, hoje ainda pareceram (muito) piores. Não consegui aguentar ver mais que uns minutos, mas deu para perceber que mais que uma série de filmes, Police Academy funcionou durante tanto tempo, porque basicamente era uma "série de TV" que era projectada nos cinemas. Só que era uma série com episódios de hora e meia e que só davam de ano a ano. Aliás, os filmes parecem filmados como uma série. Por vezes parecem quase telefilmes. Não é de estranhar que a maior parte dos realizadores destes filmes pertencem ao mundo das séries de TV...
Mas se se pensar bem, este é um fenómeno estranho. Mesmo sendo um objecto de quase nulidade cinematográfica sempre foram um sucesso. O filme original deu origem a 6 sequelas e acho que até chegou a haver uma série de TV!. E haverá alguém que nunca ouviu falar da Academia de Polícia? Tenho muitas dúvidas...
Por muito maus que sejam, estes filmes marcaram uma era (ou o fim dela?) e, pessoalmente, marcaram a minha juventude. Apenas e só por isso levam a "estrelinha", porque como filmes, são uma nulidade.
Só espero é que não se lembrem de fazer um remake desta coisa. Ou mais correctamente, um reboot, porque já se conta com as (possíveis) sequelas e tudo... ●○○○○
Quando era miúdo adorava estes filmes. Ria que me fartava com os tombos e as palhaçadas. Adorava as partidas desmioladas que os maus pregavam aos bons e ainda adorava mais quando no final os bons passavam uma rasteira aos maus. Police Academy era pura inocência... Pelos vistos, e de devido ao enorme sucesso dos filmes, não estava sozinho. Deliciava-me com a autêntica parada de personagens estereotipadas: o Steve-Mahoney-Guttenberg, o Jones, aquele gajo que imitava todos os sons (Michael Winslow), a boazona Callahan das big boobs (Leslie Easterbrook), o Bubba-big-black-dude-Smith, o gajo-louco-tipo-animal-dos-marretas, o inesquecível Zed (Bobcat Goldthwait) e o inseparável companheiro Sweetchuck (Tim Kazurinsky), o Tackleberry (David Graf) uma espécie de Harry Callahan destrambelhado, o distraído Comandante Lassard (George Gaynes) e o mau da fita, o Tenente Harris (G.W. Bailey), bem como o seu lambe-botas de estimação Proctor (Lance Kinsey).
Mas não foram só "desconhecidos" a passarem pelo elenco: também por lá passou a Kim Cattrall, a Sharon Stone, o Ron Perlman e até o Christopher Lee! Este é aquele caso em que se pode dizer que todos temos os nossos maus momentos na vida...
Lembro-me que nessa altura era grande sucesso o tema dos polícias, especialmente a mítica série de TV, Hill Street Blues, donde até parece terem sido copiadas algumas das personagens. Lembro-me também que estavam na moda as comédias tipo Porky's e Bachelor Party (Solteiros e Tarados, em português) e parece-me que alguma da inspiração também veio daí.
Devo ter visto estes filmes umas boas dúzias de vezes. Gosto deles porque me lembra uma altura em que tudo era inocente. Quer dizer, nada era inocente, eu é que via as coisas de outra forma. É como ver alguém a passar numa bicicleta BMX com um amortecedor no meio: não é a bicicleta que é de boa qualidade, o que ela lembra é que é bom. Police Academy é mais um caso agudo de saudosismo que outra coisa.
O Canal 1 andou a repôr alguns dos filmes e não resisti a ver umas cenas aqui e ali. E todos os filmes que já pareciam maus, hoje ainda pareceram (muito) piores. Não consegui aguentar ver mais que uns minutos, mas deu para perceber que mais que uma série de filmes, Police Academy funcionou durante tanto tempo, porque basicamente era uma "série de TV" que era projectada nos cinemas. Só que era uma série com episódios de hora e meia e que só davam de ano a ano. Aliás, os filmes parecem filmados como uma série. Por vezes parecem quase telefilmes. Não é de estranhar que a maior parte dos realizadores destes filmes pertencem ao mundo das séries de TV...
Mas se se pensar bem, este é um fenómeno estranho. Mesmo sendo um objecto de quase nulidade cinematográfica sempre foram um sucesso. O filme original deu origem a 6 sequelas e acho que até chegou a haver uma série de TV!. E haverá alguém que nunca ouviu falar da Academia de Polícia? Tenho muitas dúvidas...
Por muito maus que sejam, estes filmes marcaram uma era (ou o fim dela?) e, pessoalmente, marcaram a minha juventude. Apenas e só por isso levam a "estrelinha", porque como filmes, são uma nulidade.
Só espero é que não se lembrem de fazer um remake desta coisa. Ou mais correctamente, um reboot, porque já se conta com as (possíveis) sequelas e tudo... ●○○○○
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