Um casal simpático morre tragicamente num acidente de carro e com isso descobre que afinal há vida depois da morte... como fantasma preso no tempo e no espaço. Infelizmente, também descobrem que a vida depois da morte é mais ou menos como a vida antes da morte: há todo um mundo burocrático de filas de espera, gabinetes de atendimento e papelada para tratar. Também há encantamentos e uma maquete espectacular da cidade em miniatura. E depois há Beetlejuice.
Beetlejuice, Beetlejuice, Beetlejuice. Se se disser estas palavras, aparece um Michael Keaton meio vagabundo, meio morto, meio diabólico, cheio de insultos e piadas de conotação sexual na ponta da língua.
É surrealista. É estranho, mas fixe. Daquela maneira que só Tim Burton sabe fazer. (ou sabia?)
Beetlejuice é Tim Burton vintage. É quase como um cartão de visita para o mundo do cinema. E diz: Olhem as coisas estranhas que eu consigo fazer num filme. Já alguma vez viram algo assim?" E não, nunca se viu nada assim. Na altura, foi espectacular. Único.
O problema de Beetlejuice é que é um daqueles filmes que ficou preso no tempo. Foi muito bom, mas visto agora já não é assim tanto. Ao revê-lo pareceu-me um esboço, um exercício para muitos dos filmes seguintes do Tim Burton. Mas continuo a gostar muito deste filme. Continua a ser fixe.
Com efeitos especiais que na altura eram muito bons mas que agora parecem quase amadores e com actores muito bons: Michael Keaton, Alec Baldwin, Geena Davis, Winona Ryder, Jeffrey Jones e... Danny Elfman, claro. Como seria um filme do Tim Burton sem o Danny Elfman?.. ●●●○○


Alguém sabe o que acontece depois da morte? Todas as pessoas têm a sua própria teoria. Eu não sei. Acho que não há mais nada. Simplesmente a não-existência. Mas também me parece lógico que haja alguma coisa. O corpo definitivamente morr,e mas a consciência pode perdurar. Sem os inputs sensoriais se calhar a consciência sobrevive numa espécie de stand-by... Sabe-se lá?
Em Flatliners, Joel Schumacher imagina que depois da morte, uma pessoa luta com os seus medos e os seus demónios para poder atingir a calma e a paz. É válido. Mas Flatliners que tenta ser um filme de suspense/thriller poderia ser melhor. Compreende-se. É uma premissa demasiado poderosa, profunda e filosófica para se pegar. Destaque para a parada de estrelas ainda jovens e em ascensão: Kiefer Sutherland, Julia Roberts, Kevin Bacon, William Baldwin e Oliver Platt. Vê-se. ●●○○○


Rest in Peace Department é um departamento especial que combate demónios na vida depois da morte. Os novos recrutas são polícias que morrem em acção. Daí o R.I.P.D.
Poderia ser mais um autêntico desastre, mas de vez em quando, quando acertam no tom cómico e não exageram na pirotécnia, estes filmes de efeitos/acção/explosões até são engraçados de se ver. É o caso. Robert Schwentke exagerou na pirotécnia, mas pelo menos acertou no tom. Destaca-se a dupla de detectives Jeff Bridges (velho detective com velhos hábitos)/Ryan Reynolds (novo recruta com novos métodos) que é uma comédia andante. Eles e os seus avatares terrenos. Só vendo, mesmo. E ainda tem Kevin Bacon e James Hong, dois gajos que admiro simplesmente porque sim... A história desenrola-se e termina como em todos os outros filmes do género, mas vê-se. ●○○○○


The Last Samurai, filme de Edward Zwick, com Ken Watanabe e a super-estrela Tom Cruise... Hum... Já vi este filme há tanto tempo que quase não lembro dele. Lembro-me mesmo vagamente. Não deve ter sido muito bom, senão lembrava-me bem. É isso que distingue uns filmes de outros, não é? Aqueles filmes mesmo bons, uma pessoa nunca esquece, pois não? Mas lembro-me de ser relativamente jeitoso, com boas cenas de acção de guerra e com um argumento sólido e muito bem escrito. Lembro-me de ter ficado com uma boa ideia quando o vi. Parece que tenho de o rever. ●●○○○



Durante anos lutei contra o meu estigma do filme francês. Detestava filmes franceses. Só há poucos anos é que comecei a conseguir ver alguns filmes sem me chatear. Tenho de admitir que tive azar. Sempre que vi um filme francês, eram aqueles ciclos no Canal 2, tipo novo cinema francês, avangarde e mais não sei o quê. Tipo, aqueles filmes que acabam de repente sem se perceber nada do que tinha acontecido. Fiquei um pouco traumatizado. E acho que não fui só eu... A língua também não ajuda. Não sei porquê, mas parece-me que francês não é uma "língua de filme". Curiosamente, também não parece que seja uma língua de música. Mas claro que nesse caso há sempre Edith Piaf para desafiar a lógica.

Admito que não sou grande conhecedor do universo Piaf, mas conheço uma mão cheia de músicas e isso é o suficiente para reconhecer a genialidade da mulher. Tinha sem qualquer dúvida uma voz única e poderosa. Tinha também o condão de fazer a língua francesa parecer extraordinária.
Vou ser muito sincero: nunca poria Edith Piaf na minha lista de música preferida. Até ver este La vie en Rose, La Mome, na versão francesa original.
Devido a este filme, fiquei a perceber os excessos, a vida conturbada, as lutas e tudo o que compõe um ser humano único. Muito importante também, e pode parecer um pormenor, é a tradução. Obviamente conhecia algumas músicas, mas não falando francês era-me difícil associar a música à letra. Agora tudo faz muito mais sentido. Agora percebo o simbolismo, os momentos de angústia, a sensação de perda e tristeza, mas também os momentos singelos e simples, as alegrias, o reconhecimento e o sentimento de glória que algumas músicas transmitem.
La Vie en Rose é um biopic extraordinário que tem a sorte de ter Marion Cotillard - excepcional - num papel extremamente difícil de intrepretar. Edith Piaf de certeza que aprovaria esta actriz tão talentosa para retratar a sua vida. Todo o elenco é muito bom, mas tirando Cotillard, diria que apenas Emmanuelle Seigner se destaca um pouco mais.
Olivier Dahan tem momentos de puro brilhantismo na cadeira de realizador. Conseguiu desenhar um filme que é emocional e que emociona. Eu acho que a palavra mais correcta será: vívido. Em determinados momentos, emocionei-me genuinamente. Pensei que ia começar a chorar convulsivamente. Tive de me conter um bocado. La Vie en Rose é um filme brilhantemente fotografado: até um bordel bafiento ou as sarjetas perto do circo itinerante parecem conter um elemento de beleza. Mas mais do que belo, é um filme poderoso, que oscila entre a loucura, a genialidade, a dor e o êxtase do momento. Consegue-se sentir a angústia e a frustração de Piaf e ao mesmo tempo a sua extrema necessidade em estar em palco e simplesmente cantar.
É um filme perfeito, não linear - neste caso parece-me que faz todo o nexo - sempre em crescendo até ao final apoteótico. É um grande filme. Não há mais nada a dizer. É para ver calado e no final ir comprar uns discos de Edith Piaf. Excelente. ●●●●●

In the Heart of the Sea: The Tragedy of the Whaleship Essex é um livro de Nathaniel Philbrick que conta a história verídica do baleeiro Essex que se afundou em 1820 devido a um ataque de uma baleia. Estes acontecimentos históricos seriam mais tarde aproveitados por Herman Melville para escrever o clássico Moby Dick.
É deste porto que Ron Howard zarpa para uma nova adaptação deste clássico de sobrevivência. O único problema é que este In the Heart of the Sea saiu muito flat. Poderia ser um bom filme, mas é apenas uma nova adaptação de Moby Dick, agora com efeitos especiais decentes. E é só isso.
Chris Hemsworth e restante grupo (especialmente Cillian Murphy e Brendan Gleeson) estão naquele nível suficiente, mas parece-me que o problema não é dos actores. O problema deste filme é querer, à força, ser uma recriação histórica séria mas entrecruzada com momentos de acção espectacular. Não resultou. Nem consegue ser uma coisa nem outra. E isso estraga o filme todo, que até tem alguns momentos muitos bons. É pena, porque a história tinha muito para dar. É talvez a única coisa boa neste filme, a par com os efeitos especiais.
Pergunto-me: será possível pegar em temas como navegar para o desconhecido, caçar baleias com arpões, ataques de baleias albinas, vidas no limite e mortes, naufrágios e canibalismo e fazer um filme sem emoção nenhuma? In the Heart of the Sea é a resposta. ●●○○○



Red Planet não é uma daquelas obras brilhantes de ficção científica. Mas também não é muito mau. É um filme mediano sobre uma expedição a Marte que não corre conforme o planeado. O elenco é bom (Val Kilmer, Carrie-Anne Moss, Tom Sizemore e Terence Stamp), o que ajuda sempre, também o argumento é razoável apesar de previsível, e os efeitos especiais não desiludem (para a época). Não é nada de original, mas vê-se sem chatear. ●●○○○

Aqui há uns tempos, depois de jantar num restaurante indiano, chego a casa, sento-me, ligo a televisão e por coincidência, começa a rolar um filme indiano. Apesar de já ter visto alguns filmes, não sou grande fã de Bollywood. Romance, comédia e musical não é mesmo a minha "praia". Ainda por cima, tudo no mesmo filme... Mas como vejo qualquer coisa, achei que seria coerente (com o jantar) dar uma vista de olhos a este Aiyyaa.
Realizado por Sachin Kundalkar, Aiyyaa gira em volta de Meenakshi (Rani Mukerji), uma jovem sonhadora que aspira a ser a actriz principal do seu próprio filme de Bollywood. Do outro lado tem a família, que lhe tenta incessantemente impingir um noivo. Meenakshi, que não quer um casamento arranjado, está à procura do seu príncipe encantado, e encontra-o num estranho e isolado artista Tamil, Surya (Prithviraj Sukumaran).
Tenho de admitir que foi uma agradável surpresa. Tem ritmo, tem piada e as músicas e as coreografias são sempre muito boas. É um bom filme para iniciantes ao género indiano. Recorda o estilo antigo, parodia a actualidade e mostra como pode ser o novo cinema indiano de romance/dança/musical. Só mesmo os realizadores indianos para conseguirem fazer um filme destes parecer uma coisa fixe. Vê-se bem. ●●○○○

Ligados por um destino comum, uma adolescente otimista, brilhante, explodindo de curiosidade científica junta-se a um desiludido ex-inventor e embarcam numa missão cheia de perigos para descobrir os segredos de um lugar enigmático, algures no tempo e no espaço, que existe nas suas memórias coletivas como Tomorrowland.
Esta é a sinopse oficial de Tomorrowland. Se alguém conseguir perceber à primeira o que isto quer dizer, avisem-me. (parece uma introdução do Twin Peaks) Para mim, é apenas filme totalmente confuso e desconexo, cheio de flashbacks, flashforwards, flashpoints, rewinds e... é totalmente desconcertante. Quando começa a interessar, salta para outro assunto qualquer, noutro tempo qualquer, noutro espaço qualquer. É um filme um bocado irritante. Parece-me que alguém se baralhou todo na mesa de montagem...
Tinha alguma curiosidade em ver este filme porque foi anunciando como sendo inspirado no futurista e utópico projecto EPCOT de Walt Disney. Tirando a parte financeira não me parece que Walt ficasse muito satisfeito com o resultado final. Só se safa a parte técnica da coisa, que hoje em dia, raramente consegue ser má.
O que é estranho é que para além de contar com a presença de George Clooney e Hugh Laurie - dois gajos impecáveis -, aos comandos do filme esteve Brad Bird, um "senhor" na área dos desenhos animados (Ratatouille, The Incredibles, e o excelente The Iron Giant). Parece que Bird (ainda) não tem "queda" para a coisa real. ●○○○○

Uma pessoa que tem um site/blog em que o tema são os filmes, de certeza que consulta muitas coisas na net e lê imenso sobre cinema, certo? Errado. Tento por todos os meios não consultar nada. Pode parecer estranho, mas é verdade. Dito assim, parece que não posso fundamentar as minhas críticas/opiniões. O que se passa é o seguinte: sou uma esponja. Se leio muita coisa, acabo por escrever da mesma forma e com o mesmo conteúdo. Não sei se isto é generalizado ou se só acontece comigo, mas o que é certo é que acontece.
Apesar de não pesquisar, claro que volta e meia, lá leio uma coisas. Normalmente até em sítios que nada têm a a ver com cinema como a Wired, a Flavorwire ou a Listverse.
Por vezes estou a ver sites de notícias como The Guardian, Wall Street Journal, The Economist ou o Business Insider e se há uma referência ao cinema não resisto a dar uma leitura rápida.
A Wikipedia é útil em tudo e não ia ser excepção com o cinema.
O Youtube também tem alguma culpa no cartório porque "sugere" conteúdos e às vezes não consigo resistir a ver um bocadinho mais... e mais... e mais...



Tudo isto tem uma lógica estranha: saber tudo de antemão sobre um filme, de certa forma estraga-me o filme. Sempre ouvi dizer que informação a mais é tão má como informação a menos, e neste caso confirma-se. Pessoalmente, acho que eleva as expectactivas e depois obrigatoriamente defrauda perante a realidade do filme. Já se fazem filmes há mais de 100 anos e já existem muitos filmes excepcionais sobre os mais variados temas, portanto o normal é que seja cada vez mais difícil fazer algo original e acima de tudo, melhor que o que já foi feito.
Quanto a isso tenho uma teoria: só 1% dos filmes são de 6 estrelas. Por isso só irei comentar esses filmes tão especiais de 100 em 100. Daqui por uns tempos, quando a base de dados estiver mais preenchida, saberei se a minha teoria está certa. Mas isso é outra questão.
Muito raramente pesquiso sobre filmes ou crítica de filmes. Normalmente até pesquiso mais sobre temas relacionados com cinema do que sobre filmes propriamente ditos. O que acontece é que como não sou uma enciclopédia ambulante, por vezes tenho de saber o que estou a dizer ou perceber alguns conceitos que desconhecia. A última vez que isso aconteceu foi com Dogme 95, o grupo do Lars e as suas estranhas teorias sobre como o cinema deve ser. Como sou um fã incondicional do Von Trier tinha mesmo de perceber a lógica da coisa.
Como qualquer outro site, este é uma espécie de missão de campo em que o principal objectivo é explorar e documentar o mundo, neste caso do cinema. Claro que a perspectiva muda sempre que muda o "explorador", por isso é que há opiniões para todos os gostos e blogs sobre tudo e sobre nada. 
Mascar chicletes faz com que não se chore enquanto se cortam cebolas...
Ouvi dizer que é um facto científico. Interessante. E esta é a única coisa interessante neste post... Quanto ao filme, nem vale a pena alongar muito os comentários, de tão mau que é...
Não tem nada que se aproveite. É o típico blockbuster de Hollywood, com terramotos e tsunamis monstruosos, repleto de efeitos especiais, com uns lindíssimos actores desconhecidos e sem queda nenhuma para a coisa, para compensar o cachet elevado de actores conhecidos e bons, de forma a ter um cartaz atractivo para tentar levar as pessoas a ir ao cinema comprar refrigerantes e pipocas. Isto é um verdadeiro desastre. Começa e acaba exactamente da mesma maneira que todos os outros blockbusters-clichês.
Parece uma repetição do 2012 apenas com a diferença de... não! É igual ao 2012! É um conjunto de clichês enrolado em cenas hiper-exageradas de efeitos especiais digitais totalmente desnecessários. É (quase) preferível estar cortar cebolas sem mascar chiclete do que ver este San Andreas... ○○○○○


127 Hours conta a história verdadeira de Aron Ralston, um daqueles viciados em adrenalina com queda para o montanhismo solitário. É uma história de sobrevivência tanto louca e macabra que só podia ter tido origem na realidade. É daquelas coisas que uma pessoa nunca pensa que lhe pode acontecer. É surreal. E pôs-me a pensar: e se fosse comigo? Será que eu tinha aquela coragem? Será que qualquer pessoa quando confrontada com uma situação destas, reage da mesma forma? Será que o instinto humano mais básico - a sobrevivência - vem sempre ao de cima?
Mais do que a história dramática e corajosa de Ralston, 127 Hours é acima de tudo um tour de force de James Franco e de Danny Boyle.
James Franco está irrepreensível. Enche o ecrã, literalmente sozinho, a dar corpo à aventura e luta de Ralston contra os elementos naturais, após ficar preso durante 5 dias num desfiladeiro isolado. Por preso, quero dizer, preso com a mão esmagada por um pedregulho enorme, inamovível.
Como sou um bocado fascinado por histórias de sobrevivência, já tinha lido sobre a experiência de Ralston nos jornais e sempre achei que seria matéria para filme. Pelos vistos, Danny Boyle achou o mesmo. E fez um trabalho excepcional. Mais uma vez, Boyle, concebe um autêntico manual do realizador. Aguentar 2 horas de filme com um actor sempre na mesma posição, apenas entrecruzando rápidas passagens de memórias, é uma obra assinalável.
Pela simplicidade, mas especialmente pelo grande trabalho de realização, 127 Hours é um filme que mostra que Danny Boyle é um dos grandes realizadores do momento. Ele consegue pegar na mais simples das ideias e fazer um filme com pés e cabeça. Sem dúvida nenhuma que merece ser visto (e revisto). ●●●●○

Brüno é um apresentador manifestamente gay que tem um programa austríaco sobre tendências de moda, digamos assim. Após uma invasão de um desfile de moda da Agatha Ruiz de la Prada, em Milão, cai em desgraça. É normal. Quando se vai para uma passagem de moda com um vestido integralmente feito de velcro é mesmo pedir para que o pior aconteça.
Após este incidente, Bruno deixa de ser uma celebridade, e por tabela perde os convites para os grandes eventos. Para recuperar o protagonismo, Bruno corre o mundo para tentar recuperar o status perdido. Nesse percurso, cruza-se com muita gente: com o congressista Ron Paul, com "curadores de gays", um mestre de defesa pessoal especializado em ataques com dildos, entre tantas outras personagens reais. Ou assim parece...
O filme segue aquela lógica estranha dos apanhados/humilhação/gajo-com-toneladas-de-lata-que-nos-confronta-com-situações-incómodas. É tão surreal que fiquei sempre na dúvida se não seria tudo encenado. Principalmente depois de Borat, pensei que Sacha Baron Cohen nunca mais conseguiria refazer este tipo de proezas. Mas o que é certo é que o conseguiu graças a uma incrível ginástica de produção. É a melhor parte do filme.
Quanto ao filme propriamente dito é uma nulidade total. Salta do ridículo para o confrangedor, tendo como único fio condutor uma pseudo história copiada de Borat. Ri-me muito poucas vezes, mas tive sempre a desagradável sensação de borboletas no estômago, de tal forma eram stressantes as situações em que Brüno se mete...
A título de exemplo, e só para se perceber o teor deste Brüno, o maior destaque vai para um enorme pénis em grande plano, oscilando ao som de música techno. É isso mesmo, um grande pénis no grande ecrã. Sem cortes, sem efeitos, sem censura. Só por aqui já se vê o que filme tem para oferecer. Participações especiais, mas totalmente involuntárias de muitas pessoas desconhecidas e algumas muito conhecidas como Bono, Chris Martin, Elton John e Slash. Não percebo como se deixaram envolver neste filme. É demasiado embaraçoso. Ou então fui eu que não entedi nada. Também pode ser o caso. Afinal, sou só um gajo "normal". ●○○○○


Os filmes do Tarzan com Johnny Weissmuller são dos filmes mais antigos que consigo recordar. Talvez por causa disso mesmo, tenho uma ligação umbilical aos "tarzans". Vejo tudo o que esteja relacionado, até desenhos animados. Há algo de primordial nesta história da criança selvagem que me seduz sempre.
Mas este Greystoke: The Legend of Tarzan, Lord of the Apes... não. Não. Não. Não corresponde. Apesar de vir das mãos de Hugh Hudson (Chariots of Fire), e ter actores como Christopher Lambert, Ian Holm, Andie MacDowell (e um tal de David Suchet, ou como é mais conhecido, Poirot), Greystoke acaba por oscilar entre o mau e o muito mau. Eu sei que é difícil fazer um filme com macacos sem a ajuda dos efeitos especiais digitais, mas... Não é só por causa dos efeitos. É por causa do filme todo, que diga-se de passagem é enoooorme. É maçudo e acaba por ser monótono. Por vezes acaba até por ser embaraçoso. Não consigo gostar. ●○○○○

Forever Young é um filme "levezinho" sobre um homem que se submete a uma experiência de criogenia e acorda 50 anos depois numa realidade diferente. É tão levezinho que nem consigo perceber se é um filme de acção, uma comédia ou um drama... É um bocadinho de tudo sem exagerar. Está muito bem feito, especialmente para quem gosta de filmes com finais felizes. O que não é o meu caso.
Mel Gibson está (sempre) fixe em qualquer filme, assim como a Jamie Lee Curtis e o futuro "Lord of the Ring", Elijah Wood, em versão miúdo de 10 anos.
Do lado mais técnico temos a realização sempre competente de Steve Miner, um perfeito desconhecido para a maioria das pessoas. Só quem gostava muito de filmes de terror/gore dos finais dos anos 80/princípios de 90 é que se lembra dele. Como surpresa, há um gajo a escrever o argumento (e a produzir) chamado Jeffrey Abrams, que hoje em dia é uma super-estrela do cinema conhecida como... J.J. Abrams.
Forever Young é um filme bem disposto e inocente q.b., muito catita para sábados à tarde chuvosos...  ●●○○○

No meio do Oceano Índico, um velejador solitário é acordado a meio da noite por um grande estrondo. Quase de imediato, o barco à vela começa violentamente a meter água.
Com este início prometedor e sendo que o velejador solitário era o lendário Robert Redford pensei que iria ver um filme excelente. Enganei-me. Muito.
Não consegui ultrapassar o facto de o filme não ter falas. Para quem ainda não o viu, desculpem estragar o filme, mas o Robert Redford praticamente não abre a boca durante todo o filme! São 100 minutos de filme com um único actor e o actor não fala. É um bocadinho demais, não? Acima de tudo, é estranho. Fazendo uma analogia com o oceano, este filme lembra-me um close-up calmante de um mar tranquilo a bater suavemente na areia da praia. Ou melhor, é como estar a ver um pedaço de madeira a flutuar delicadamente num oceano sem ondas. Ou então, uma espécie de... Bem, estou a dispersar novamente...
O filme até tem algum ritmo e alguns pormenores muito bons, mas não encaixo a ausência de deixas. E ainda por cima também quase não tem música e tem um fraquíssimo uso do som por parte do realizador J.C. Chandor. All is Lost é flat. É uma pena. É um filme com muitas potencialidades que parece que nunca saiu da fase de screen tests. A única coisa positiva deste filme é precisamente o Robert Redford que mais uma vez mostrou que é um senhor do cinema. Mas é muito pouco. Não consigo gostar disto... ●○○○○


O universo de super-heróis no cinema não consegue deixar de me surpreender. Há pouco tempo vi Ant-Man e a única coisa que me passava pela cabeça era: "quem?". Como já devo ter dito mil vezes, não sou um grande fã de Marvel, daí que só conheça os super-heróis principais, mas o Ant-Man?! Nunca na vida tinha ouvido falar deste super-herói. Ainda assim o filme podia ser bom... mas não é o caso. Apesar de estar muito bem realizado pelo Jon Favreau e estar repleto de espectaculares efeitos especiais, já sofro daquele cansaço agudo de filmes de mutantes/pessoal com poderes e/ou parafernália que dá força extra-humana.
Ant-Man (Paul Rudd) é um super-herói que diminui de tamanho graças a um fato especial, ganha super-força e tem como "ajudantes" uma colónia de formigas (ou vespas... ou serão todos os insectos?!). O super-vilão já nem me lembro quem era, mas como qualquer super-vilão da Marvel, queria vingança e destruir o mundo. O que me mais há para dizer?
É um daqueles filmes: quando se está a ver até que é fixe, mas 10 minutos depois de acabar já se me varreu completamente do cérebro. É fraquinho. A coisa mais relevante do filme é a presença do Michael Douglas. ●○○○○

 
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