Como é que nós formamos a nossa personalidade? Porque é que gostamos mais disto que daquilo? Como é que nos tornámos no que somos? Isto são tudo questões bastantes complicadas de se abordar. No caso específico de David Lynch torna-se ainda mais difícil, senão mesmo impossível de responder. Felizmente existe um documentário chamado David Lynch: The Art Life que é uma janela para onde podemos espreitar e perceber porque é que David Lynch é como é. E é excelente. É uma oportunidade única de ver o mestre a trabalhar. Mais que isso, é um insight de como uma série de estranhos eventos lhe moldou a personalidade para génio e o fez seguir determinado caminho até ao cinema, tudo isto contado na primeira pessoa, pelo inigualável "man himself".
Através da lente de Jon Nguyen, David Lynch leva-nos numa viagem íntima através dos cantos mais obscuros da sua psique, o que dá perfeitamente para perceber de onde vêm todas aquelas ideias estranhas que mais tarde dariam obras-primas como Eraserhead, The Elephant Man, Blue Velvet, Twin Peaks, Wild at Heart, Lost Highway e Mulholland Drive. Fica-se a perceber que estranhamente, toda aquelas ideias malucas, todas aquelas história mirabolantes, todas aquelas personagens fantásticas e enigmáticas simplesmente "apareceram" de situações reais, saídas da escuridão (muitas vezes, literalmente), para se cruzarem com ele. O que me levou a pensar naquela frase super batida, mas muito verdadeira: a realidade é mais estranha que a ficção.
O mundo de David Lynch é um mundo muito próprio e não é para todos os olhos, ouvidos ou estômagos. Passa muito facilmente do fantástico para o obscuro. do génio para o absurdo e do belo para o obsceno. Neste documentário, a ênfase vai toda para a origem da inspiração e foca-se exclusivamente no que ele próprio chama de "the art life" e como isso o levou aonde o levou. Que é basicamente a procura de um uma forma de sobrevivência que tenha como base a arte. Qualquer aspirante a "artista" sabe que não é fácil viver da arte. Para a maior parte dos artistas é simplesmente impossível. Há que ter uma outra base de suporte "real" que permita viver todos os outros momentos na arte. Com tudo isto, fiquei a conhecer ainda melhor o realizador, mas acima de tudo o homem por detrás da câmara e a conseguir perceber todo aquele mundo enigmático que sempre me fascinou. Só depois de ver The Art Life é que percebi muitas coisas que não me faziam sentido nos seus filmes....Só tenho pena que não seguisse mais na história e entrasse na altura em que Lynch começou a fazer cinema. Com música do próprio (excelente como sempre...) e apenas para apreciadores genuínos. ●●●●○
Um dos problemas que tenho aqui com o site é que vejo mais filmes do que tenho tempo para escrever sobre eles, por isso não vou perder muito tempo com este Justice League. Muitas vezes elogio o Zack Snyder por ser um dos poucos gajos que consegue fazer filmes de acção de super-heróis que não insultam a inteligência do público e que até faz umas coisas em condições. Este não é o caso. Justice League junta-se ao já enorme rol de fast food cinematográfico e é mais uma borrada psicadélico-digital, igual a tantas outras. Apesar de todo o pessoal principal do costume (Ben Affleck, Gal Gadot, Jason Momoa, Henry Cavill), assim como os "suportes de luxo" (Jeremy Irons, Diane Lane, J.K. Simmons, Amy Adams), a personagem do "Flash" (Ezra Miller) é a única que tem alguma piada. Aliás, as piadas do Flash são a única coisa suportável do filme. O resto é mais do mesmo: aborrecido. É bom para se ver numa tarde de inverno dum domingo, quando uma pessoa estiver a recuperar duma gripe... ●○○○○
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The Circle é um bom filmito. É mediano. Parece quase um telefilme, ou como lhe chamam agora, filme Netflix... É uma pequena produção assente numa boa história, muito bem escrita, muito bem "cosida" e com bons actores (Emma Watson, Tom Hanks e John Boyega). Mas é também uma espécie de alerta anti-tech, para uma nova escola de "magia" que, apesar das boas intenções iniciais, facilmente se descontrola. Aqui a escolha de Emma Watson não é nada inocente...
A mega-corporação The Circle e a tecnologia que desenvolve mostra-se como a salvação da Humanidade (para os problemas criados pela própria Humanidade...) sobre a forma de "milagres" cientíticos-tecnológicos que, sem controlo, facilmente descambam em distopia, no politicamente incorrecto e no atravessar de barreiras da privacidade pessoal, já para não falar nas linhas éticas vermelhas que se esbatem totalmente. É um alerta (muito ténue) para o imenso poder detido por algumas pessoas que vivem fechados no seu mundo fantasioso e fechado e que simplesmente não sabem parar. Ou pior, que não querem parar... Faz lembrar um bocado aquela situação dos miúdos a brincar com o fogo. Eventualmente algo irá correr mal e alguém se irá magoar. Mas neste caso, quem se queima é toda a gente... Há uns anos, este seria um filme de ficção científica. Hoje é simplesmente a realidade do momento... É um bocado angustiante, mas principalmente triste... Vê-se bem. ●●○○○
A mega-corporação The Circle e a tecnologia que desenvolve mostra-se como a salvação da Humanidade (para os problemas criados pela própria Humanidade...) sobre a forma de "milagres" cientíticos-tecnológicos que, sem controlo, facilmente descambam em distopia, no politicamente incorrecto e no atravessar de barreiras da privacidade pessoal, já para não falar nas linhas éticas vermelhas que se esbatem totalmente. É um alerta (muito ténue) para o imenso poder detido por algumas pessoas que vivem fechados no seu mundo fantasioso e fechado e que simplesmente não sabem parar. Ou pior, que não querem parar... Faz lembrar um bocado aquela situação dos miúdos a brincar com o fogo. Eventualmente algo irá correr mal e alguém se irá magoar. Mas neste caso, quem se queima é toda a gente... Há uns anos, este seria um filme de ficção científica. Hoje é simplesmente a realidade do momento... É um bocado angustiante, mas principalmente triste... Vê-se bem. ●●○○○
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Universe é um documentário de 1960, realizado a meias por Roman Kroitor e Colin Low, que já queria ver há muito tempo. Li algures que tinha sido uma das principais fontes de inspiração para o 2001 de Kubrick, por isso a curiosidade era imensa.
Enquanto o via, só conseguia pensar que podia ser coincidência, mas de facto havia muitas semelhanças. Nos efeitos visuais, na locução (que parecia o HAL), mas especialmente na música clássica e que lhe dava um tom totalmente diferente do habitual. Consegui inclusive até notar algumas semelhanças nos planos picados e na imagens amplas que me faziam lembrar volta e meia outra obra-prima do Kubrick, o Dr. Strangelove. Depois de o ver fui confirmar algumas informações e deixei de ter dúvidas: Colin Low foi convidado pelo Stanley Kubrick para trabalhar no 2001: A Space Odyssey, assim como Sidney Goldsmith e Wally Gentleman para colaborarem nos efeitos especiais; mas se dúvidas houvessem, Kubrick escolheu o narrador, Douglas Rain, para dar voz ao icónico HAL 9000... Contra factos não há argumentos.
À parte destes "pormenores kubrickianos", Universe é, por si só, um excelente documentário. (se bem que tem tantos anos, que algumas informações científicas já estão desactualizadas... ou até mesmo erradas) Já vi outros documentários desta altura (anos 60) e visualmente este está a anos-luz. Aliás, está a anos-luz dos próprios filmes de ficção científica desta altura. É que parece mesmo um documentário moderno, mas filmado a preto e branco. Uma pequena pérola, muito à frente do seu tempo. É mais um filme artístico ou experimental do que propriamente um documentário. É uma viagem assombrosa pelo sistema solar e, mais além, pela vastidão do universo, que me deixou de queixos caídos pelo realismo das animações e pela qualidade das imagens. É uma mistura muito habilidosa de informação, arte e entretenimento.
Tal como aconteceu anos depois, com Kubrick, o que Universe mostra é que com a devida habilidade e criatividade, a câmara de filmar pode ser o melhor dos telescópios. Muito bom. Obrigatório. ●●●●○
Enquanto o via, só conseguia pensar que podia ser coincidência, mas de facto havia muitas semelhanças. Nos efeitos visuais, na locução (que parecia o HAL), mas especialmente na música clássica e que lhe dava um tom totalmente diferente do habitual. Consegui inclusive até notar algumas semelhanças nos planos picados e na imagens amplas que me faziam lembrar volta e meia outra obra-prima do Kubrick, o Dr. Strangelove. Depois de o ver fui confirmar algumas informações e deixei de ter dúvidas: Colin Low foi convidado pelo Stanley Kubrick para trabalhar no 2001: A Space Odyssey, assim como Sidney Goldsmith e Wally Gentleman para colaborarem nos efeitos especiais; mas se dúvidas houvessem, Kubrick escolheu o narrador, Douglas Rain, para dar voz ao icónico HAL 9000... Contra factos não há argumentos.
À parte destes "pormenores kubrickianos", Universe é, por si só, um excelente documentário. (se bem que tem tantos anos, que algumas informações científicas já estão desactualizadas... ou até mesmo erradas) Já vi outros documentários desta altura (anos 60) e visualmente este está a anos-luz. Aliás, está a anos-luz dos próprios filmes de ficção científica desta altura. É que parece mesmo um documentário moderno, mas filmado a preto e branco. Uma pequena pérola, muito à frente do seu tempo. É mais um filme artístico ou experimental do que propriamente um documentário. É uma viagem assombrosa pelo sistema solar e, mais além, pela vastidão do universo, que me deixou de queixos caídos pelo realismo das animações e pela qualidade das imagens. É uma mistura muito habilidosa de informação, arte e entretenimento.
Tal como aconteceu anos depois, com Kubrick, o que Universe mostra é que com a devida habilidade e criatividade, a câmara de filmar pode ser o melhor dos telescópios. Muito bom. Obrigatório. ●●●●○
Sempre que vejo filmes de acção com super-heróis, tenho sempre presente uma pergunta que me acompanha desde o início do filme até ao final: "porque é eu vejo estes filmes?" Normalmente acabo por ver as imensas letrinhas dos créditos finais e enquanto ouço aquelas músicas para desocupar salas de cinema, aquela pergunta vai ecoando no meu cérebro, enquanto abano negativamente com a cabeça. Acho que já falei aqui desta sensação desconfortável e da sua resposta que é: inconscientemente, procuro pela excepção que confirma a regra.
Wonder Woman é essa excepção. É um bom filmito de acção e efeitos especiais. Muito bem feito e muito bem filmado. Tem grandes e espectaculares cenas de acção sem ser exagerado, como é costume neste tipo de filmes. E ainda bem que alguém se lembrou de mostrar algo sobre a 1.ª Guerra Mundial, que estranhamente é um tópico muito pouco explorado. Vá-se lá perceber...
Gal Gadot, como seria de esperar, tem todos os focos virados para si. É normal, até porque o papel assenta-lhe como uma luva. É daqueles castings perfeitos. Não consigo imaginar outra actriz neste papel. Também tem alguns actores de "segunda linha", mas que são muito bons como Chris Pine, Danny Huston, Connie Nielsen ou Ewen Bremner, o que ajuda sempre.
Apesar da realização "à super-herói" de Patty Jenkins é notória a influência de Zack Snyder. Por vezes, quase parece um mix do 300 com o Man of Steel. Mas achei isso totalmente normal. Afinal de contas, a Wonder Woman faz parte da Justice League... E a DC Comics deve tudo ao Zack Snyder, há que dizê-lo. Destaque para um pormenor que nos últimos anos tem sido menosprezado mas que era uma imagem de marca dos grandes filmes de acção e aventura do passado: o tema musical. Regressou em força em Wonder Woman.
Não é o melhor filme do mundo (como curiosamente ouvi alguém dizer...), mas dentro deste tipo de filmes-pipoca de super-heróis e efeitos especiais, é um dos mais equilibrados e dos melhores que já vi. ●●●○○
Wonder Woman é essa excepção. É um bom filmito de acção e efeitos especiais. Muito bem feito e muito bem filmado. Tem grandes e espectaculares cenas de acção sem ser exagerado, como é costume neste tipo de filmes. E ainda bem que alguém se lembrou de mostrar algo sobre a 1.ª Guerra Mundial, que estranhamente é um tópico muito pouco explorado. Vá-se lá perceber...
Gal Gadot, como seria de esperar, tem todos os focos virados para si. É normal, até porque o papel assenta-lhe como uma luva. É daqueles castings perfeitos. Não consigo imaginar outra actriz neste papel. Também tem alguns actores de "segunda linha", mas que são muito bons como Chris Pine, Danny Huston, Connie Nielsen ou Ewen Bremner, o que ajuda sempre.
Apesar da realização "à super-herói" de Patty Jenkins é notória a influência de Zack Snyder. Por vezes, quase parece um mix do 300 com o Man of Steel. Mas achei isso totalmente normal. Afinal de contas, a Wonder Woman faz parte da Justice League... E a DC Comics deve tudo ao Zack Snyder, há que dizê-lo. Destaque para um pormenor que nos últimos anos tem sido menosprezado mas que era uma imagem de marca dos grandes filmes de acção e aventura do passado: o tema musical. Regressou em força em Wonder Woman.
Não é o melhor filme do mundo (como curiosamente ouvi alguém dizer...), mas dentro deste tipo de filmes-pipoca de super-heróis e efeitos especiais, é um dos mais equilibrados e dos melhores que já vi. ●●●○○
Ou vi falar muito bem de um filme chamado The Lobster. Mais uma vez, pouco sabia sobre o filme, a não ser que tinha algo que ver com pessoas solteiras e que tagline era "Uma história de amor pouco convencional de Yorgos Lanthimos". Isto intrigou-me, assim como o realizador que não conhecia. O título também me intrigou e como tinha actores como Colin Farrell, Rachel Weisz, Ben Whishaw e John C. Reilly (pessoal que não costuma fazer maus filmes) lancei-me à descoberta.
De facto, a tagline é verdadeira. Num estranho futuro distópico, as pessoas não podem ficar solteiras. Se isso acontecer, são enviadas para um Hotel especial, onde têm de encontrar um novo parceiro em 45 dias, sob pena de serem transformados em animais. Estranho, não?! Sim. Muito estranho. The Lobster é mesmo um filme estranho. É uma espécie de comédia dramática (?!) misturada com crítica social, num ambiente muito estéril e... estranho. The Lobster é um filme totalmente diferente da concorrência. Tem uma visão e um mundo muito próprios e por isso, Yorgos Lanthimos, é um nome a reter, porque pode sair daquela cabeça uma obra prima a qualquer momento. Ou não! Nunca se sabe. Mas tem lá tudo o que é preciso...
Apesar de tudo o que tem de bom, estranho e diferente, The Lobster gerou-me algumas contradições. Aquilo a que vulgarmente se chama "mixed feelings". Verdadeiros "mixed feelings". Comecei por gostar muito e acabei a não gostar assim tanto. Por vezes achei hilariante, mas noutras, achei entediante. Tem uma boa história e tem um bom tratamento da história, mas acho que a premissa era demasiado alta, o início do filme demasiado bom e acabou por não ter um final condizente. Acho que foi mais isso. Compreendo o final ambíguo, mas foi tão ténue, tão subtil que fiquei mesmo na dúvida se foi apenas um gesto, ou se ela olhou mesmo para o trânsito que passa ou se foi apenas um reflexo. Pode ter sido impressão minha., mas quando as acções são tão subtis que nem sei muito bem o que pensar... algo não está bem. Essencialmente, parece-me que foi isso que falhou. O início e o meio do filme é demasiado bom e diferente para ter um final assim tão... subtil. Ainda assim, pela história, pela envolvência e pelo mundo tão particular e diferente em que uma pessoa é mergulhado, The Lobster é um filme que vale sempre a pena ver. ●●●○○
De facto, a tagline é verdadeira. Num estranho futuro distópico, as pessoas não podem ficar solteiras. Se isso acontecer, são enviadas para um Hotel especial, onde têm de encontrar um novo parceiro em 45 dias, sob pena de serem transformados em animais. Estranho, não?! Sim. Muito estranho. The Lobster é mesmo um filme estranho. É uma espécie de comédia dramática (?!) misturada com crítica social, num ambiente muito estéril e... estranho. The Lobster é um filme totalmente diferente da concorrência. Tem uma visão e um mundo muito próprios e por isso, Yorgos Lanthimos, é um nome a reter, porque pode sair daquela cabeça uma obra prima a qualquer momento. Ou não! Nunca se sabe. Mas tem lá tudo o que é preciso...
Apesar de tudo o que tem de bom, estranho e diferente, The Lobster gerou-me algumas contradições. Aquilo a que vulgarmente se chama "mixed feelings". Verdadeiros "mixed feelings". Comecei por gostar muito e acabei a não gostar assim tanto. Por vezes achei hilariante, mas noutras, achei entediante. Tem uma boa história e tem um bom tratamento da história, mas acho que a premissa era demasiado alta, o início do filme demasiado bom e acabou por não ter um final condizente. Acho que foi mais isso. Compreendo o final ambíguo, mas foi tão ténue, tão subtil que fiquei mesmo na dúvida se foi apenas um gesto, ou se ela olhou mesmo para o trânsito que passa ou se foi apenas um reflexo. Pode ter sido impressão minha., mas quando as acções são tão subtis que nem sei muito bem o que pensar... algo não está bem. Essencialmente, parece-me que foi isso que falhou. O início e o meio do filme é demasiado bom e diferente para ter um final assim tão... subtil. Ainda assim, pela história, pela envolvência e pelo mundo tão particular e diferente em que uma pessoa é mergulhado, The Lobster é um filme que vale sempre a pena ver. ●●●○○
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4:44 Last Day on Earth foi o último filme do Abel Ferrara que vi e não gostei nada. O Abel Ferrara até é um gajo que curto. Tudo o que vi até hoje da sua autoria, foi no mínimo aceitável, sendo que tem muito bons filmes no currículo. E eu ainda funciono um bocado assim: quando vejo um filme de um realizador que gosto, reservo-o para ver, mesmo não sabendo rigorosamente nada sobre o que se trata. Deste filme, a única coisa que sabia é que se passava no último dia da Terra. Não sabia mais nada. A premissa era boa, o realizador também, por isso, estava bastante curioso para ver.
Tenho de admitir que foi uma enorme desilusão. 4:44 Last Day on Earth é por vezes entediante e tem muitos momentos que pareciam quase amadores. Tive de ir confirmar se este Abel Ferrara, era de facto, o Abel Ferrara que eu conhecia. Infelizmente, era o mesmo.
Apesar de tudo o que tem de mau, 4:44 Last Day on Earth é um filme curioso porque pode ter várias apreciações. Ou é uma produção normal, dita "comercial" e está bastante abaixo do que é normal para o "standard Ferrara", ou então é uma minúscula produção e acaba por ser um bom filme, feito praticamente sem dinheiro e apenas com 2 actores e muito recurso a stock footage.
Se for o caso da baixa produção (que é o que parece), o argumento acaba por ser inteligente porque arranja uma premissa enorme (o fim do mundo programado, chegando ao cúmulo de se saber as horas e minutos do fim) e fecha-se no enfoque que é o pequeno mundo de uma relação conjugal e como isso a afecta. Mas se for o caso de uma produção comercial, acaba por ser uma fraude e pouco inteligente, porque arranja uma premissa enorme, mas só mostra a reação de apenas um casal, ignorando tudo o resto.
Seja qual for a situação financeira, não gostei, porque estava à espera de mais. Fiquei desiludido. Mas nem tudo é mau. Nota-se que há gajos na cadeira do realizador que são muito bons a filmar em espaços pequenos, a arranjar planos diferentes e contrastes de luzes interessantes, e que fazem um filme quer tenham muito ou pouquíssimo dinheiro. Eles arranjam sempre uma solução artística ou técnica para conseguirem fazer um filme no mínimo aceitável, como apesar de tudo, é o caso. Destaque para os actores principais, que suportam e dão vida a um argumento algo entediante: Shanyn Leigh, mas especialmente para o Willem Dafoe que é um daqueles gajos que está cá dentro... Se não fossem estes dois, o filme seria quase insuportável de ver.
Não consegui encontrar dados sobre os valores de produção. Mas nem tudo se pode resumir a custos e dinheiro. A realidade é que Abel Ferrara conseguiu criar o fim do mundo, tal como é visto na TV por duas personagens e que quase nunca saem do seu apartamento. Como tudo na vida, isto podia ser bem ou mal feito. Neste caso, toca os dois pontos: tem algumas coisas boas, mas tem muito mais coisas más. Por isso mesmo, 4:44 Last Day on Earth, nunca seria um filme que recomendasse a alguém. O trailer é melhor que o filme! Vindo de quem vem, podia e deveria ser muito melhor. ●○○○○
Tenho de admitir que foi uma enorme desilusão. 4:44 Last Day on Earth é por vezes entediante e tem muitos momentos que pareciam quase amadores. Tive de ir confirmar se este Abel Ferrara, era de facto, o Abel Ferrara que eu conhecia. Infelizmente, era o mesmo.
Apesar de tudo o que tem de mau, 4:44 Last Day on Earth é um filme curioso porque pode ter várias apreciações. Ou é uma produção normal, dita "comercial" e está bastante abaixo do que é normal para o "standard Ferrara", ou então é uma minúscula produção e acaba por ser um bom filme, feito praticamente sem dinheiro e apenas com 2 actores e muito recurso a stock footage.
Se for o caso da baixa produção (que é o que parece), o argumento acaba por ser inteligente porque arranja uma premissa enorme (o fim do mundo programado, chegando ao cúmulo de se saber as horas e minutos do fim) e fecha-se no enfoque que é o pequeno mundo de uma relação conjugal e como isso a afecta. Mas se for o caso de uma produção comercial, acaba por ser uma fraude e pouco inteligente, porque arranja uma premissa enorme, mas só mostra a reação de apenas um casal, ignorando tudo o resto.
Seja qual for a situação financeira, não gostei, porque estava à espera de mais. Fiquei desiludido. Mas nem tudo é mau. Nota-se que há gajos na cadeira do realizador que são muito bons a filmar em espaços pequenos, a arranjar planos diferentes e contrastes de luzes interessantes, e que fazem um filme quer tenham muito ou pouquíssimo dinheiro. Eles arranjam sempre uma solução artística ou técnica para conseguirem fazer um filme no mínimo aceitável, como apesar de tudo, é o caso. Destaque para os actores principais, que suportam e dão vida a um argumento algo entediante: Shanyn Leigh, mas especialmente para o Willem Dafoe que é um daqueles gajos que está cá dentro... Se não fossem estes dois, o filme seria quase insuportável de ver.
Não consegui encontrar dados sobre os valores de produção. Mas nem tudo se pode resumir a custos e dinheiro. A realidade é que Abel Ferrara conseguiu criar o fim do mundo, tal como é visto na TV por duas personagens e que quase nunca saem do seu apartamento. Como tudo na vida, isto podia ser bem ou mal feito. Neste caso, toca os dois pontos: tem algumas coisas boas, mas tem muito mais coisas más. Por isso mesmo, 4:44 Last Day on Earth, nunca seria um filme que recomendasse a alguém. O trailer é melhor que o filme! Vindo de quem vem, podia e deveria ser muito melhor. ●○○○○
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Por vezes reparo em pormenores quotidianos estranhos. Uma coisa que reparei ultimamente é que quando alguém fala em ir jantar fora, toda a gente saca do telemóvel e vai logo consultar sites tipo Zomato (!?) e semelhantes e vai ver os reviews. Será bom? Será caro? Tem muita lista de espera? O que é que o resto do pessoal diz sobre o espaço? Qual é a pontuação?
Mas esta situação só se aplica aos restaurantes ditos "normais". Quando um gajo vai comer um hambúrguer ao McDonald's ou ao BurgerKing, ninguém vai consultar nada porque já sabe o que vai encontrar: é sempre a mesma coisa, com o mesmo aspecto, com o mesmo sabor, em todo o lado, a qualquer hora.
Thor: Ragnarok, de Taika Waititi, é um hamburger. É sempre a mesma coisa, com o mesmo aspecto, com o mesmo sabor, em todo o lado, a qualquer hora. Só que em vez de serem asinhas de frango panadas do KFC, são uns filmes da Marvel. É aqui que o caminho diverge. Para umas pessoas é exactamente aquilo que querem comer para sempre, porque é doce, salgado e saboroso e ainda por cima, acompanhado de uma Coca-Cola gelada, é a melhor refeição de sempre... Para outras pessoas, não é que seja desagradável de se saborear, mas o sabor é o mesmo de sempre, parece comida feita de plástico (ei! não fui eu que inventei o termo...), e conforme as pessoas, um bocadinho enjoativo no final... Pessoalmente, evito estas comidas "plásticas", porque simplesmente não estou habituado e depois porque fico sempre mal disposto: ando a arrotar a hambúrguer durante horas. Acho que o meu organismo não consegue digerir aquilo... Bem, mas chega de falar de comida de plástico... Ou então, não!
Apenas um recado para a Marvel. Antigamente, não passaria pela cabeça de ninguém, abrir uma casa de venda de hambúrgueres, quando havia McDonald's a 5 euros e até ofereciam uns brinqueditos de plástico para a criançada. Depois apareceram as casas de hambúrgueres "artesanais" (que é uma forma chique de dizer que são verdadeiros...), as pessoas aperceberam-se do sabor artificial do que andavam a comer e a McDonald's teve de implementar pequenos-almoços com a duração de um dia inteiro... e agora até andam a meter queijos diferentes, tipo o Brie para lhe poder chamar gourmet...
Chris Hemsworth e Tom Hiddleston são o hambúrguer e o molho insubstituíveis deste menu; a parte gourmet dá pelo nome de actores como Cate Blanchett, Idris Elba, Jeff Goldblum, Karl Urban, Mark Ruffalo, Anthony Hopkins e Benedict Cumberbatch... o resto tem o mesmo sabor de sempre: esquecível. Apesar das parecenças, uma das grandes diferenças entre estes filmes e a comida de plástico é que a junk food causa-me indisposição, enquanto que os filmes de plástico causam-me esquecimento... É o principal problema da massificação e industrialização do cinema: vi o filme há tão pouco tempo, mas mesmo assim, já se me varreu do cérebro. Não me lembro de quase nada... Só me vem à cabeça uma coisa: "cinema-de-plástico". ●○○○○
Mas esta situação só se aplica aos restaurantes ditos "normais". Quando um gajo vai comer um hambúrguer ao McDonald's ou ao BurgerKing, ninguém vai consultar nada porque já sabe o que vai encontrar: é sempre a mesma coisa, com o mesmo aspecto, com o mesmo sabor, em todo o lado, a qualquer hora.
Thor: Ragnarok, de Taika Waititi, é um hamburger. É sempre a mesma coisa, com o mesmo aspecto, com o mesmo sabor, em todo o lado, a qualquer hora. Só que em vez de serem asinhas de frango panadas do KFC, são uns filmes da Marvel. É aqui que o caminho diverge. Para umas pessoas é exactamente aquilo que querem comer para sempre, porque é doce, salgado e saboroso e ainda por cima, acompanhado de uma Coca-Cola gelada, é a melhor refeição de sempre... Para outras pessoas, não é que seja desagradável de se saborear, mas o sabor é o mesmo de sempre, parece comida feita de plástico (ei! não fui eu que inventei o termo...), e conforme as pessoas, um bocadinho enjoativo no final... Pessoalmente, evito estas comidas "plásticas", porque simplesmente não estou habituado e depois porque fico sempre mal disposto: ando a arrotar a hambúrguer durante horas. Acho que o meu organismo não consegue digerir aquilo... Bem, mas chega de falar de comida de plástico... Ou então, não!
Apenas um recado para a Marvel. Antigamente, não passaria pela cabeça de ninguém, abrir uma casa de venda de hambúrgueres, quando havia McDonald's a 5 euros e até ofereciam uns brinqueditos de plástico para a criançada. Depois apareceram as casas de hambúrgueres "artesanais" (que é uma forma chique de dizer que são verdadeiros...), as pessoas aperceberam-se do sabor artificial do que andavam a comer e a McDonald's teve de implementar pequenos-almoços com a duração de um dia inteiro... e agora até andam a meter queijos diferentes, tipo o Brie para lhe poder chamar gourmet...
Chris Hemsworth e Tom Hiddleston são o hambúrguer e o molho insubstituíveis deste menu; a parte gourmet dá pelo nome de actores como Cate Blanchett, Idris Elba, Jeff Goldblum, Karl Urban, Mark Ruffalo, Anthony Hopkins e Benedict Cumberbatch... o resto tem o mesmo sabor de sempre: esquecível. Apesar das parecenças, uma das grandes diferenças entre estes filmes e a comida de plástico é que a junk food causa-me indisposição, enquanto que os filmes de plástico causam-me esquecimento... É o principal problema da massificação e industrialização do cinema: vi o filme há tão pouco tempo, mas mesmo assim, já se me varreu do cérebro. Não me lembro de quase nada... Só me vem à cabeça uma coisa: "cinema-de-plástico". ●○○○○
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