Os filmes, como tudo nesta vida, influenciam e são influenciados pelo nosso humor...
Estes são exemplos de filmes que, se estiver bem disposto, até gosto. Pelo contrário, se estiver num daqueles dias em que tudo corre mal...
Normalmente, os "filmes medianos" são relativamente bem feitos, bem escritos, têm actores que se desenrascam bem, mas - lá está - como tudo na vida, não têm o que é preciso para chegar ao topo. Passam por pouco a fasquia do médio ou estão praticamente lá. É um tipo de filme que não aborrece mas também não fica para o história. São medianos, lá está...
Nesta primeira incursão, três filmes dentro da temática "ficção científica e terror dos 80's" que representam bem o que são filmes medianos. Starman, do mítico John Carpenter e com Jeff Bridges conta a história de um extraterrestre que cai na Terra, assume a forma humana do marido morto da personagem de Karen Allen (sim, a "namorada" do Indiana Jones fez mais filmes...) e que tenta desesperadamente regressar ao seu mundo. Pelo caminho, cruza-se com o nosso lado bom e também com o mau, ficando assim a conhecer um pouco melhor a humanidade. ●●●○○
Mais virado para o terror/gore do que propriamente para a ficção científica é From Beyond, do lendário Stuart Gordon, e com o não menos lendário Jeffrey Combs. From Beyond surge numa altura em que o cinema de terror ganhou uma nova vida e começou a enveredar por caminhos estranhos, digamos assim. Tudo gira em volta de um cientista louco que em busca do derradeiro prazer, decide explorar outras realidades normalmente imperceptíveis e que descobre da pior maneira que há algo mais escondido do "lado de lá"... Mais uma colaboração do produtor Brian Yuzna e das histórias "maradas" de H.P. Lovecraft. Mas cuidado, este é um daqueles filmes macabros, cheio de vísceras e coisas pegajosas que causam mesmo pesadelos. ●●○○○
Por último, The Philadelphia Experiment, uma pérola esquecida dos 80's, realizado por Stewart Raffill. Um filme de ficção científica com bastante "miolo" com Michael Paré e Nancy Allen nos principais papéis. É baseado na suposta "história verídica" de uma experiência secreta do exército americano (só podia...) que tentou fazer com que um navio ficasse invisível aos radares inimigos. A experiência corre mal e o navio de guerra desaparece por completo. Na "realidade", o navio e os tripulantes são projectados para o "futuro" ano de 1984. Apesar de não ser grande adepto da ideia das viagens no tempo, esta é uma das histórias mais consistentes que já vi. Ainda tem um dedinho de John Carpenter, mas desta vez como produtor. Pura ficção científica. ●●●○○
Para ser resumido: The Night of the Hunter é um filme muito bom. Diria ainda mais, é um excelente filme. Pelo que li, na altura da estreia não foi um grande sucesso, num daqueles raros momentos de concordância entre o público e os críticos. Foi um daqueles filmes que foi ganhando "estatuto" com o tempo. Finalmente tive a oportunidade de vê-lo e percebo perfeitamente o porquê do "estatuto".
The Night of the Hunter é um filme muito à frente do seu tempo. Envolve um padre (...é mais um pregador ambulante) psicopata que engana mulheres viúvas para as roubar mas que a determinada altura se transforma num serial killer que não se importa de matar crianças pequenas. Para o ano (e as mentalidades) de 1955 parece-me um bocado puxado. E ainda por cima, o padre louco interpretado por Robert Mitchum, parece que ouve vozes divinas que lhe pedem para cometer os crimes! Mesmo hoje, se num filme aparecessem miúdos a serem ameaçados de morte com uma navalha de ponta e mola por um padre psicopata, era capaz de dar escândalo... só imagino a reacção das pessoas em 1955.
Mas não é só na história e no argumento que o filme está muito à frente do seu tempo. É também na sublime realização e no tom estético tipo expressionismo alemão, tudo delineado a regra e esquadro por Charles Laughton. Muitíssimo bom. É um autêntico manual do realizador. The Night of the Hunter tem imagens fabulosas mas, especialmente, tem uma iluminação das cenas que é absolutamente espantosa. Algumas cenas parecem autênticos quadros. E tudo feito só com a iluminação. Genial. Esteticamente, há muitas cenas que parecem não ser deste filme. Digo isto no bom sentido. Já vi alguns filmes dos anos 40 e 50 e definitivamente não são assim. Resumindo novamente, é tudo muito avançado para o seu tempo. O que torna ainda mais estranho o facto de este The Night of the Hunter ser o único filme de Charles Laughton. Realizou esta autêntica preciosidade e depois não fez mais nenhum filme. Estranho, não?
Robert Mitchum, Lillian Gish e Shelley Winters são actores de outro calibre. É o mínimo que se pode dizer. Os três são tão bons, que não precisam de dizer nada para representar. Robert Mitchum, especialmente, consegue de tal forma meter-se na pele do assassino, que as cenas com os miúdos são inacreditavelmente tensas. Já para não falar que esta é uma personagem quase do universo pop, porque vendo bem, quem é que não conhece aquela grande imagem dos nós dos dedos tatuados com as palavras love e hate? Já agora, a história em que o padre explica porque é que tem as tatuagens é excelente. Até neste pormenor é muito "à frente": tatuagens em 1955?...
A única coisa que poderia apontar de "negativo" (e nem sequer é) a The Night of the Hunter é o facto que ser... demasiado heterogéneo. Há momentos em que o filme parece entrecortado por cenas de filmes mais modernos. Fiquei com a sensação de que estava a ver um Lars Von Trier e de repente mudava de canal e estava a dar um David Lynch. E depois voltava para o filme de Charles Laughton... É o que dá ser muito bom: inspira-se outros a fazer parecido... E, para quem ainda não o viu, e não querendo estragar o filme, posso pelo menos dizer que é uma pena aquele final... Tirando isso, The Night of the Hunter é um filme obrigatório para todas as pessoas que gostam de um bom filme. É um clássico puro que fica para a história do cinema. ●●●●●
Nada escapa à fúria cinematográfica no que toca a adaptações de BD. Nem mesmo Judge Dredd. Não conheço quase nada da BD que deu origem aos filmes, mas conheço a Wikipedia, e por isso fiquei a saber que a personagem teve como "inspiração de base", a personagem de David Carradine no filme de culto, Death Race 2000, onde por acaso, entra o Stallone... É mesmo verdade, isto está tudo ligado...
Já os filmes estão pouco "ligados". Varreram-se-me completamente da memória. São filmes de acção, com um ou outro pormenorzito engraçado aqui e ali... e é isso. Servem para a "contabilidade".
Judge Dredd é o típico filme-pipoca de bons e maus, só que em versão futurista. O que torna ainda mais impressionante a lista de actores: Sylvester Stallone, Armand Assante, Diane Lane e Max von Sydow. Um grande elenco em qualquer filme. Menos em Judge Dredd. Tenho de admitir que já não me lembro absolutamente nada do filme. Muito provavelmente, porque não tem nada para recordar. Existem filmes que vi há décadas atrás e de alguma forma ficam gravados no disco duro cerebral, enquanto que outros... simplesmente são apagados. Presumo que seja para ganhar "espaço em disco" para algo que valha mesmo a a pena... Para além das fatiotas (que em 1995 pareciam muito futuristas), do Sylvester Stallone no auge do seu típico estilo... "Stallone" e duns robots conceptualmente muito fixes, pouco ou nada resta. ●○○○○
Dredd é um filme "mais". Mais uma chiclete futurista de acção, a que se soma o facto de ser mais um remake. Já para não falar que copia descaradamente um filme indonésio de artes marciais verdadeiramente "maluco" (The Raid), além de copiar mais alguns pormenores daqui e dali, como a droga Slo-Mo obviamente tirada do excepcional livro de ficção científica Tower of Glass de Robert Silverberg. Bem, se é para copiar ao menos que se copie dos melhores... O Dredd é interpretado por Karl Urban (um gajo que tenho "debaixo de olho" desde o The Price of Milk), mas nunca se lhe vê a cara. Não entendi. E para os biliões de fãs de Game of Thrones também tem a Lena Cersei Lannister Headey... (ou a Sarah Connor, se alguém ainda for fã do Terminator). ●○○○○
+ Bónus
Quando estava a olhar para os trailers dos Dredd's alguma coisa me soou familiar. Era o Demolition Man. Para além de também ser uma chiclete de acção futurista, também tem o Sylvester Stallone. Mas vendo bem, acho que já percebi onde foram buscar as tais fatiotas futuristas do Dredd original...
O que é estranho é que destes filmes, Demolition Man é o que parece melhorzinho. Não sei se é por ter uma grande carga de sátira social ou pelo design da produção. Provavelmente é por ser um dos filmes onde vi mais futurologia... Parece que o pessoal que escreveu o guião, de facto, se empenhou (e nitidamente se divertiu) a tentar adivinhar o futuro. Num tipo de filme em que o foco normalmente é a acção pura e dura e a espectacularidade dos efeitos especiais, é um pormenor a louvar. ●●○○○
Já os filmes estão pouco "ligados". Varreram-se-me completamente da memória. São filmes de acção, com um ou outro pormenorzito engraçado aqui e ali... e é isso. Servem para a "contabilidade".
Judge Dredd é o típico filme-pipoca de bons e maus, só que em versão futurista. O que torna ainda mais impressionante a lista de actores: Sylvester Stallone, Armand Assante, Diane Lane e Max von Sydow. Um grande elenco em qualquer filme. Menos em Judge Dredd. Tenho de admitir que já não me lembro absolutamente nada do filme. Muito provavelmente, porque não tem nada para recordar. Existem filmes que vi há décadas atrás e de alguma forma ficam gravados no disco duro cerebral, enquanto que outros... simplesmente são apagados. Presumo que seja para ganhar "espaço em disco" para algo que valha mesmo a a pena... Para além das fatiotas (que em 1995 pareciam muito futuristas), do Sylvester Stallone no auge do seu típico estilo... "Stallone" e duns robots conceptualmente muito fixes, pouco ou nada resta. ●○○○○
Dredd é um filme "mais". Mais uma chiclete futurista de acção, a que se soma o facto de ser mais um remake. Já para não falar que copia descaradamente um filme indonésio de artes marciais verdadeiramente "maluco" (The Raid), além de copiar mais alguns pormenores daqui e dali, como a droga Slo-Mo obviamente tirada do excepcional livro de ficção científica Tower of Glass de Robert Silverberg. Bem, se é para copiar ao menos que se copie dos melhores... O Dredd é interpretado por Karl Urban (um gajo que tenho "debaixo de olho" desde o The Price of Milk), mas nunca se lhe vê a cara. Não entendi. E para os biliões de fãs de Game of Thrones também tem a Lena Cersei Lannister Headey... (ou a Sarah Connor, se alguém ainda for fã do Terminator). ●○○○○
+ Bónus
Quando estava a olhar para os trailers dos Dredd's alguma coisa me soou familiar. Era o Demolition Man. Para além de também ser uma chiclete de acção futurista, também tem o Sylvester Stallone. Mas vendo bem, acho que já percebi onde foram buscar as tais fatiotas futuristas do Dredd original...
O que é estranho é que destes filmes, Demolition Man é o que parece melhorzinho. Não sei se é por ter uma grande carga de sátira social ou pelo design da produção. Provavelmente é por ser um dos filmes onde vi mais futurologia... Parece que o pessoal que escreveu o guião, de facto, se empenhou (e nitidamente se divertiu) a tentar adivinhar o futuro. Num tipo de filme em que o foco normalmente é a acção pura e dura e a espectacularidade dos efeitos especiais, é um pormenor a louvar. ●●○○○
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Tirando os "clássicos popularuchos" que toda a gente também já viu (e que agora até estão a ser refeitos), não tenho o hábito de ver muitos filmes portugueses. Isto aconteceu porque durante um tempo só apanhei filmes "artísticos", "conceptuais" ou de "intervenção" e detestei-os por serem, basicamente, uma grande seca. E além disso, tal como tantos outros, nasci e cresci com o " vulgar filme americano". Por isso mesmo, ainda hoje, me causa estranheza os filmes não terem legendas ou não serem falados em inglês. Como tudo na vida, isso foi mudando, e desde há alguns anos, tenho-me obrigado a ver mais filmes europeus e em especial, filmes portugueses. Tem sido uma exploração muito satisfatória.
Nessa onda de descobertas, mais uma bela surpresa: Os Maias.
E não, ainda não li "Os Maias". (A minha professoa do secundário que dá uma vista de olhos aqui no blog deve estar furiosa.) Na brincadeira, sempre disse que ia esperar pelo filme. E aqui está ele. E é um bom filme, com uma grande realização de João Botelho.
Esta adaptação de Os Maias está especialmente bem feita. Tem momentos de brilhantismo visual. Ser (também) artista gráfico e ilustrador, de certeza que só ajuda. Os cenários pintados podem ser objecto de um julgamento estético muito subjectivo, mas o que é que não é? Eu gostei do pormenor.
Como é normal nos filmes portugueses, mais uma vez, é uma pena que lhe falte (mais) banda sonora. Houve alturas em que senti que o filme ficou "vazio". A falta da música não só deixa o filme mais fraco, como acaba por deixar os actores desamparados e a parecerem piores do que na realidade são. Na falta de música, fico sempre com a sensação que estou a ver actores de teatro filmados que aparecem numa tela de cinema. À falta de melhor palavra, acho que fica esquisito. Nunca entendi porque é que existe tão pouca música nos filmes portugueses...
Tirando os nomes "pesados" que nunca falham como Rita Blanco e João Perry, os restantes - que me são totalmente desconhecidos -, até estão muito bem. Alguns destacam-se como Pedro Inês a fazer de Ega. A personagem e o actor são tão bons que deveriam ter tido mais "filme".
A história da decadente aristocracia portuguesa do século XIX é excelente, mas aí há que dar os "louros" ao Eça de Queirós. Um visionário, este Eça. Passado tanto tempo, esta história, de alguma forma estranha, ainda se "encaixa" na sociedade portuguesa. É muito fácil ver paralelismos entre o passado e presente. E só um gajo muito bom como o Eça de Queirós podia fazer essa proeza que é ir o mais essencial duma sociedade e extrair-lhe os pormenores que não mudam com o tempo. Perfeito. Além disso, é uma trama muito avançada para o seu tempo ou não tivesse uma paixão entre irmãos como fio condutor duma história familiar que percorre várias gerações da mesma família. É uma história de amor intemporal, dramática até ao tutano, como qualquer história de amor deve ser.
Os Maias, de João Botelho, tem todos os condimentos de um bom filme, e pelo (pouco) que (ainda) conheço do cinema português, é um dos melhores que já vi. Mas a exploração e descoberta do cinema português continua... ●●●○○
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Exodus: Gods ans Kings é um filme sobre o qual não quero falar muito, porque foi uma desilusão muito grande. Como sou um fã do Ridley Scott, tinha algumas expectactivas e o espantoso é que conseguiram sair todas furadas. Apesar de ser um grande espectáculo visual, não gostei nada do filme. E, precisamente, por isso mesmo: é apenas e só, mais um enorme espectáculo visual sem nada que o suporte. É caso para dizer: até tu, Ridley Scott? Temo que o Scott já não recupere mais. É que já desde Black Hawk Down que não vejo nada melhor que mediano... Mas vou continuar à espera.
Há duas coisas muito negativas neste filme. Primeiro, tem um conjunto de actores bastante respeitável (Christian Bale, John Turturro, Sigourney Weaver, Ben Kingsley), todos com provas dadas, mas pareceu-me que estavam no filme exactamente por terem "nomes de cartaz"...
Mas o pior de tudo é a história. Ou melhor, a forma como pegaram na história. Posso parecer algo "quadrado" a dizer isto, mas não gosto mesmo nada que peguem na melhor história do mundo e façam adaptações livres. Pior ainda, é refazer uma história destas, dar-lhe uma perspectiva contemporânea e deixar de fora as partes que não podem ser cientificamente explicadas. (Podia ser pior: podiam considerar essas partes "desconfortáveis" como milagres... científicos.) Para mim isso é ridículo. Chamem-me "velhadas", conservador, ou outra coisa, mas não percebo porque é que se pega numa história bíblica tão importante e depois se ignora completamente essa ligação. Isto para não falar do "elemento estranho" no argumento, que é o facto dos dois opositores chegarem a ser inimigos mortais, mas que por qualquer motivo estão sempre a encontrar-se para uma conversa amena, antes que um deles desapareça na escuridão da noite. Mas são muito inimigos... Pior que tudo isto é Moisés e o Faraó levarem com um tsunami (?!) na cabeça (tinha de ser um fenómeno cientificamente reconhecível) e sobreviverem. Sim, a célebre cena do Mar Vermelho, afinal foi um vulgar tsunami...
Como já começa a ser regra hoje em dia, só se safam os efeitos digitais, eles sim, verdadeiramente épicos, mas aí os méritos vão para os geeks que estão meses "agarrados às maquinas" a comporem o espectáculo.
Para mim, Exodus: Gods ans Kings não valeu nada. Fica a pergunta no ar: é este o homem do Blade Runner? Do Alien? ●○○○○
Há duas coisas muito negativas neste filme. Primeiro, tem um conjunto de actores bastante respeitável (Christian Bale, John Turturro, Sigourney Weaver, Ben Kingsley), todos com provas dadas, mas pareceu-me que estavam no filme exactamente por terem "nomes de cartaz"...
Mas o pior de tudo é a história. Ou melhor, a forma como pegaram na história. Posso parecer algo "quadrado" a dizer isto, mas não gosto mesmo nada que peguem na melhor história do mundo e façam adaptações livres. Pior ainda, é refazer uma história destas, dar-lhe uma perspectiva contemporânea e deixar de fora as partes que não podem ser cientificamente explicadas. (Podia ser pior: podiam considerar essas partes "desconfortáveis" como milagres... científicos.) Para mim isso é ridículo. Chamem-me "velhadas", conservador, ou outra coisa, mas não percebo porque é que se pega numa história bíblica tão importante e depois se ignora completamente essa ligação. Isto para não falar do "elemento estranho" no argumento, que é o facto dos dois opositores chegarem a ser inimigos mortais, mas que por qualquer motivo estão sempre a encontrar-se para uma conversa amena, antes que um deles desapareça na escuridão da noite. Mas são muito inimigos... Pior que tudo isto é Moisés e o Faraó levarem com um tsunami (?!) na cabeça (tinha de ser um fenómeno cientificamente reconhecível) e sobreviverem. Sim, a célebre cena do Mar Vermelho, afinal foi um vulgar tsunami...
Como já começa a ser regra hoje em dia, só se safam os efeitos digitais, eles sim, verdadeiramente épicos, mas aí os méritos vão para os geeks que estão meses "agarrados às maquinas" a comporem o espectáculo.
Para mim, Exodus: Gods ans Kings não valeu nada. Fica a pergunta no ar: é este o homem do Blade Runner? Do Alien? ●○○○○
Who Framed Roger Rabbit foi um filme que me enfeitiçou desde a primeira vez que o vi. Mas não foi pelo lado da novidade. Apanhei este filme numa altura em que "devorava" filmes e tentava ver tudo o que pudesse, por isso mesmo, já tinha visto a mistura de desenhos animados e actores de carne e osso. A grande novidade de Roger Rabbit foi ter sido bem feito. Vou reformular. A grande novidade de Roger Rabbit foi ter sido excepcionalmente bem feito. É um filme sem falhas.
Foi um dos últimos filmes que me pôs a pensar: "como é que eles fazem isto?". Pode não parecer, mas esta era uma pergunta importante quando se tinha pela frente um filme de fantasia. Em tempos, eu até já fui um freak dos efeito especiais. Era o mistério de não perceber como tudo aquilo era feito que fazia com que os efeitos especiais me fascinassem. Sempre fui muito curioso e não conseguia deixar de pensar como é que os gajos dos efeitos faziam todas aquelas coisas aparentemente impossíveis. Mas esta é uma conversa do passado. Hoje em dia, não ligo aos efeitos especiais. Aliás, até tem um efeito contrário, porque se um filme tem muitos efeitos acabo por perder o interesse. É que os efeitos especiais, os "verdadeiros", também fazem parte do passado. Ironicamente, foi a ferramenta mais potente ao dispôr dos efeitos - o digital - que matou a magia do cinema. Hoje em dia, quando algo impossível aparece numa tela de cinema, automaticamente, toda a gente sabe que é feito num computador, não é verdade?
Para mim, Who Framed Roger Rabbit é o último representante da verdadeira magia dos efeitos especiais no cinema. Não sei se é o último e muito provavelmente nem é mesmo, mas se um filme deve ser o símbolo da excepcionalidade técnica sem recurso ao digital, acho que Roger Rabbit merece esse título com toda a justiça. (Não tarda nada, chega às 6 "estrelas"...) A lista de Óscares "técnicos" - os únicos que sempre me interessaram e que (quase) nunca tive oportunidade de ver - é tão extensa que só tem equivalência na quantidade de elogios que se pode fazer ao filme.
Robert Zemeckis, sempre menosprezado, assina mais um portento tecnológico, uma pérola do pré-digital. Pensando bem, acho que Zemeckis para além de conseguir fazer um filme excelente tendo desenhos animados como grande parte do elenco, ainda conseguiu criar uma nova categoria: o thriller cómico. Este gajo é um génio...
Who Framed Roger Rabbit tem um dos inícios mais excelentes que vi, porque me fez lembrar uma altura em que antes da projecção dos filmes passavam desenhos animados, sendo que me lembro especialmente dos da Warner Bros. Não sei porque é que isso acontecia, mas que era muito engraçado, lá isso era. Ainda hoje, por vezes, fico com uma sensação estranha quando um filme começa sem ter dado aqueles 2 ou 3 minutos de "bonecos". Como vivemos num mundo de "modas iô-iô", pode ser que a "moda" dos desenhos animados antes dos filmes também regressem.
Contrariamente ao que pensava, Who Framed Roger Rabbit não é um argumento original. Melhor dizendo, totalmente original. Fiquei a saber que o filme se baseia (muito) vagamente num livro chamado Who Censored Roger Rabbit?, mas que este é muito diferente do filme. Mas independentemente da origem da história, o que é certo é que este Roger Rabbit é, com o passar do tempo, cada vez melhor.
Tem excelentes actores (Christopher Lloyd e Joanna Cassidy, só para mencionar alguns) e excelentes vozes. Bob Hoskins é perfeito. Tão perfeito que parece que sempre fez parte da Toon Town. Não me lembro de melhor escolha para detective privado, mal disposto, alcóolico, antipático e que odeia desenhos. A personagem de Hoskins tem uma boa desculpa para isso: um desenho animado matou o seu irmão atirando-lhe um piano de cima de um prédio. Vindo de um "boneco", só podia...
Os próprios desenhos animados são excepcionais. Em Who Framed Roger Rabbit "nasceram" duas personagens tão memoráveis que parece que existem desde os tempos dos desenhos a preto e branco: o próprio Roger (com voz de Charles Fleischer), e Jessica Rabbit, o desenho animado mais sexy do mundo. Ajuda muito ter aquela voz rouca e sensual da Kathleen Turner.
Who Framed Roger Rabbit tem uma história que gira em torno de crimes, enganos e chantagens mas é mais louco, divertido - chegando a ser hilariante -, musical e surreal que outra coisa. É um clássico instântaneo que ficou imediatamente marcado na história do cinema. ●●●●●
Não me vou demorar muito com isto. Não vale a pena. É mau demais para perder muito tempo a escrever. The Happening é um filme de M. Night Shyamalan que tem 10-15 minutos mais ou menos razoáveis no ínicio quando "entra" na premissa. Um estranho acontecimento assola Nova York: as pessoas param de repente a sua rotina diária e suicidam-se sem motivo aparente. Até aqui ainda se consegue ver. O resto é "palha" que não acrescenta nada à história, apenas tempo de filme...
Para não ser muito insultuoso, pode-se dizer que acaba por ser um exercício cinematográfico inexplicável e acima de tudo incoerente. Vindo dum gajo que tinha dado (muito) boas indicações com os dois primeiros fimes é ainda mais decepcionante.
The Happening não explica nada, não diz nada. E de repente tudo volta normalmente ao início e o filme acaba. É ridículo. É um daqueles filmes para NÃO se ver. Desde a história aos actores, nada escapa à fúria de nulidade. É uma perda enorme de tempo. Mais vale tirar uma soneca de 90 minutos.
É caso para dizer: "i see shitty films..." ○○○○○
Para não ser muito insultuoso, pode-se dizer que acaba por ser um exercício cinematográfico inexplicável e acima de tudo incoerente. Vindo dum gajo que tinha dado (muito) boas indicações com os dois primeiros fimes é ainda mais decepcionante.
The Happening não explica nada, não diz nada. E de repente tudo volta normalmente ao início e o filme acaba. É ridículo. É um daqueles filmes para NÃO se ver. Desde a história aos actores, nada escapa à fúria de nulidade. É uma perda enorme de tempo. Mais vale tirar uma soneca de 90 minutos.
É caso para dizer: "i see shitty films..." ○○○○○
Hairspray não é dos musicais que mais ansiava por ver, mas como estava a dar na TV aproveitei a oportunidade. Pelo aspecto inicial, pensei que não chegaria ao final. Mas curiosamente até o achei medianamente bom. Isto apesar de ser demasiado "cor de rosa" para o meu gosto.
Enquanto procurava alguma informação sobre o filme, descobri que é uma adaptação de um musical da Broadway com o mesmo nome, que por sua vez tinha sido adaptado do filme original de 1988 (também chamado Hairspray) que tinha sido realizado pelo "louco" John Waters. Quando li John Waters, pensei que seria um outro realizador, mas afinal era mesmo ele. Aparentemente - diz a ficha técnica - ele até aparece no filme, mas por qualquer motivo não o vi... Já tinha percebido que o Waters tinha "amolecido" com a idade, só não sabia é que tinha sido tanto...
Hairspray aproveita o tom rosa e inocente da história para tocar num assunto sempre problemático que é o da segregação racial nos Estados Unidos. "Alfinetadas" à parte, Hairspray tem uma ou outra música catita, especialmente a do final e muitos e bons actores, todos eles com dotes musicais que eu desconhecia, como James Marsden, Michelle Pfeiffer ou Christopher Walken. Também há "cantantes" profissionais como Queen Latifah ou Zac Efron, que é cada vez mais um actor que me surpreende apesar daquele aspecto Disney. Nesse campo dos actores, tenho que destacar a personagem "pesada" do John Travolta. Até nem sou grande fã do Travolta, mas aqui tenho de dar o braço a torcer: está simplesmente brilhante. ●●○○○
Enquanto procurava alguma informação sobre o filme, descobri que é uma adaptação de um musical da Broadway com o mesmo nome, que por sua vez tinha sido adaptado do filme original de 1988 (também chamado Hairspray) que tinha sido realizado pelo "louco" John Waters. Quando li John Waters, pensei que seria um outro realizador, mas afinal era mesmo ele. Aparentemente - diz a ficha técnica - ele até aparece no filme, mas por qualquer motivo não o vi... Já tinha percebido que o Waters tinha "amolecido" com a idade, só não sabia é que tinha sido tanto...
Hairspray aproveita o tom rosa e inocente da história para tocar num assunto sempre problemático que é o da segregação racial nos Estados Unidos. "Alfinetadas" à parte, Hairspray tem uma ou outra música catita, especialmente a do final e muitos e bons actores, todos eles com dotes musicais que eu desconhecia, como James Marsden, Michelle Pfeiffer ou Christopher Walken. Também há "cantantes" profissionais como Queen Latifah ou Zac Efron, que é cada vez mais um actor que me surpreende apesar daquele aspecto Disney. Nesse campo dos actores, tenho que destacar a personagem "pesada" do John Travolta. Até nem sou grande fã do Travolta, mas aqui tenho de dar o braço a torcer: está simplesmente brilhante. ●●○○○
The Gauntlet, traduzido (desta vez, bem) como Barreira de Fogo é um filme de e com Clint Eastwood. Ainda há pouco tempo falei deste filme a propósito de Wara no Tate. Não sei se alguém na RTP1 anda por aqui a ler, mas o que é certo é que repuseram o filme. E ainda bem. Tinha saudades destes filmes "à moda antiga". E este é uma raridade.
É um daqueles filmalhaços violentos, politicamente incorrectos, "macho e duro de roer", vindo do tempo em que se pintavam cartazes (este, em particular, é excelente) como forma de promoção. Um dinossauro, portanto. Mas é um bom dinossauro. Já o vi há muitos anos e ainda se mantém relativamente fresco na memória, o que é sempre um óptimo sinal.
Lembrava-me particularmente do facto de haver milhões de tiros disparados em meia dúzia de cenas. Aliás, não lembro dum filme onde sejam disparados tantos tiros. É um exagero. Por isso é que a tradução como Barreira de Fogo está bem conseguida. Sem me repetir muito, é um exagero de tiros. Deitaram a abaixo uma casa a tiro, por isso já se vê a quantidade inacreditável de balas disparadas. Já para não falar da cena final, onde o stock americano de balas de cinema deve ter ficado um bocadito em baixo. Não resisto a dizê-lo novamente: é um exagero.
Mas como tantas outras coisas neste filme, esse exagero acaba por ser fixe. Mas isto também pode ser a minha imparcialidade a falar. É que eu gosto muito dos antigos filmes do Clint Eastwood. E também do próprio Eastwood.
Acho que fez uma transição muito engraçada dos westerns para os filmes "normais", como os policiais. Quer dizer, não sei se se pode considerar bem uma transição, porque basicamente ele trocou os cavalos por carros e os jeans e o chapéu por fato e gravata. O resto manteve-se exactamente igual. The Gauntlet, por exemplo, deve estar catalogado como uma história policial, mas para mim continua a ser um western. A diferença aqui, é que este filme é passado no tempo actual, os homens vestem fato e gravata e os pistoleiros andam de carro e de moto em vez de cavalos...
Mas também não posso ser assim tão redutor. Para já tem a Sondra Locke a representar uma mulher (muito) emancipada e totalmente fora da "trela masculina imaginária" da altura. Convém não esquecer que é um filme do longínquo ano de 1977. Mas também porque o filme está recheado de pormenores muito avançados para o seu tempo e para o tipo de filme que é. Tem até pormenores de argumento onde o Tarantino nitidamente se veio inspirar como naquela cena em que Eastwood entra num café e a empregada desata a falar com ele sobre tudo e mais alguma coisa sem que ele nunca abra a boca. Muito bom. Não é uma obra-prima, e até o próprio Clint Eastwood já fez muito melhor, tanto como realizador como actor, mas é um filme que tendo oportunidade, nunca deixo de (re)ver. ●●●○○
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Na Idade das Trevas - aquele período da História muito parecido com a Idade Média -, o sétimo filho do sétimo filho protege os coitados dos aldeões, de dragões, bruxas, demónios e ainda mais alguns bichos e monstros. Agora que está a ficar mais velhote e se quer reformar, o sétimo filho do sétimo filho precisa dum aprendiz que... bah! Não interessa! Seventh Son é um daqueles filmes de acção/fantástico/efeitos especiais que só servem para passar o tempo. É igualzinho a todos os outros filmes que envolvem a Idade Média, aldeões, dragões, bruxas, demónios, bichos e monstros.
Se no elenco não estivessem nomes como Julianne Moore e Kit "Jon Snow" Harington, provavelmente nem chegaria às salas de cinema... Mas por outro lado, é exactamente por isso mesmo que estão no elenco, nao é verdade?
O melhor deste filme e o seu grande trunfo é mesmo o Jeff Bridges. Só a presença dele faz o filme valer a pena. Acho até que deveriam renomear o filme para "The Dude goes to the Middle Ages". Só ficava a ganhar. ●○○○○
Se no elenco não estivessem nomes como Julianne Moore e Kit "Jon Snow" Harington, provavelmente nem chegaria às salas de cinema... Mas por outro lado, é exactamente por isso mesmo que estão no elenco, nao é verdade?
O melhor deste filme e o seu grande trunfo é mesmo o Jeff Bridges. Só a presença dele faz o filme valer a pena. Acho até que deveriam renomear o filme para "The Dude goes to the Middle Ages". Só ficava a ganhar. ●○○○○
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Trevas
O que é que acabou de acontecer? Alguém me explica? A grande questão aqui é: sobre o que é que se trata Jupiter Ascending? A resposta mais simples seria que se trata de uma empregada de limpeza de Chicago que se torna Imperatriz do Universo e Dona do Planeta Terra, depois de estar envolvida numa disputa palaciana. A resposta mais complexa será que é uma grande incógnita.
Porque na realidade Jupiter Ascending não tem propriamente um guião. Não tem história. É um trailer gigante de duas horas, tão cheio de efeitos especiais e cenas de acção desencontradas da narrativa que mais parece uma apresentação de um jogo de computador.
Fico à espera que o filme saia completo numa próxima edição especial e que dessa venha com a história.
É um filme que não tem absolutamente nada de original. É uma mistura esquisita de Star Wars com elementos do Star Trek, os cenários e algumas naves do Dune e outros filmes que os irmãos Wachowskis têm andado a ver. Ainda não percebi se os últimos filmes são homenagens aos clássicos da ficção científica ou se são meramente cópias descaradas. Não acredito que eles nunca tenham visto os filmes mencionados. Mas é estranho que o façam. Tem um cena envolvendo burocracia que foi tão obviamente copiada do Brazil que até arrepia. Até a questão da colheita dos humanos são eles a copiarem-se a eles próprios em Matrix. Mas há mais. Em vez de ver o filme, acabei por me divertir a tentar encontrar referências a outros filmes. Quando isso acontece nunca é bom sinal. Jupiter Ascending é um desperdício galático de trabalho, recursos e dinheiro.
Channing Tatum, é o típico anti-herói de serviço, só que parece que está a fazer o favor de fazer o filme. Vá lá que o Sean Bean acaba o filme vivo! Deve ser a única grande surpresa do filme...
E para terminar em grande, a rapariga Jupiter (Mila Kunis) que acaba como dona da Terra, acaba a história feliz por voltar ao planeta com o seu antigo trabalho a limpar sanitas... a sério?! Demasiado pobre para ser verdade. Este filme só pode ser um enorme glitch na Matrix... ●○○○○
Porque na realidade Jupiter Ascending não tem propriamente um guião. Não tem história. É um trailer gigante de duas horas, tão cheio de efeitos especiais e cenas de acção desencontradas da narrativa que mais parece uma apresentação de um jogo de computador.
Fico à espera que o filme saia completo numa próxima edição especial e que dessa venha com a história.
É um filme que não tem absolutamente nada de original. É uma mistura esquisita de Star Wars com elementos do Star Trek, os cenários e algumas naves do Dune e outros filmes que os irmãos Wachowskis têm andado a ver. Ainda não percebi se os últimos filmes são homenagens aos clássicos da ficção científica ou se são meramente cópias descaradas. Não acredito que eles nunca tenham visto os filmes mencionados. Mas é estranho que o façam. Tem um cena envolvendo burocracia que foi tão obviamente copiada do Brazil que até arrepia. Até a questão da colheita dos humanos são eles a copiarem-se a eles próprios em Matrix. Mas há mais. Em vez de ver o filme, acabei por me divertir a tentar encontrar referências a outros filmes. Quando isso acontece nunca é bom sinal. Jupiter Ascending é um desperdício galático de trabalho, recursos e dinheiro.
Channing Tatum, é o típico anti-herói de serviço, só que parece que está a fazer o favor de fazer o filme. Vá lá que o Sean Bean acaba o filme vivo! Deve ser a única grande surpresa do filme...
E para terminar em grande, a rapariga Jupiter (Mila Kunis) que acaba como dona da Terra, acaba a história feliz por voltar ao planeta com o seu antigo trabalho a limpar sanitas... a sério?! Demasiado pobre para ser verdade. Este filme só pode ser um enorme glitch na Matrix... ●○○○○
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