Senti tanto hype à volta deste mother! que tinha mesmo de o ver. Especialmente li bastante sobre o que significava o filme, o que me deixou algo apreensivo, pois o Darren Aronofsky não costuma ser muito dúbio nas suas abordagens à história. Se bem que ultimamente com o Black Swan e o Noah, a coisa até já foi um pouco diferente.
Para grande surpresa minha, o filme não tinha grande coisa para duvidar. É um grande filme com uma história bíblica na base, vista por um ateu que acredita em qualquer coisa. Das primeiras vezes em que ouvi falar do enredo, notei que estava mencionado o facto de ser um filme tipo "home invasion". Um casal estaria sossegado na sua casa quando a vê assaltada por estranhos personagens. Mas para além disso, havia sempre a referência a significados dúbios e não estava a perceber muito bem porque é que ninguém conseguia chegar a nenhuma conclusão nem especificar o que raio se passava no filme. É um filme de terror? Não. Seria uma fábula muito negra que descamba para o filme de terror? Também não. Uma alegoria? Um conto premonitório sobre o futuro com base nos constantes ataques ambientais que o mundo moderno sujeita a natureza? Nada disso. Mas também poderia ser isto tudo junto. Não entendia nada do que lia. Isto apenas aguçou mais a minha curiosidade. E então, lá fui, furiosamente curioso, ver o enigmático mother!. Depois de ver uns 15 ou 30 minutos de filme, o meu cérebro disparou em auto-funcionamento e comecei profundamente a duvidar do que tinha lido... As pessoas que viram o filme antes de mim, que criticavam e comentavam não queriam estragar a "surpresa"  do filme ou simplesmente não tinham nenhum conhecimento bíblico para entender o que estavam a ver? Ainda agora persiste a dúvida.
Para quem tem algum conhecimento das histórias bíblicas, mother! não tem nada que enganar ou que possa ser considerado dúbio. Ao fim de muito pouco tempo, percebe-se perfeitamente o que se está a ver, o que se vai ver a seguir e praticamente de antemão já se sabe como vai tudo acabar. Como a dúvida persiste (será que os críticos de cinema conhecem de facto as histórias bíblicas?) não vou entrar em grandes pormenores. Não vou dizer que se trata da primeira e da última história da Bíblia ligadas entre si e misturadas com a personagem da Mãe Natureza. Como também não vou dizer que não tem nada a ver com uma invasão de casa, mas que por outro lado, de um ponto de vista natural, pode perfeitamente ser interpretado assim mesmo. E nem vale a pena mencionar o conceito do eterno retorno do meu caro amigo Nietzsche. O melhor é mesmo ver e tirar as próprias conclusões, mas minha opinião, não há enigma nem conclusão nenhuma para tirar. Se bem que aquele pó amarelo misturado na água ainda agora me dá a volta ao cérebro, e aí, tenho de admitir, não consegui chegar a nenhuma conclusão que valha a pena partilhar...
Seja como for, gostei bastante da forma com a história é contada, reinterpretada e misturada com outros conceitos exteriores ao livro sagrado e à religião. Darren Aronofsky é um gajo que admiro, com muita qualidade na realização e que não tem medo de pegar em temas complexos e fracturantes. Tem uma visão muito própria das coisas com as quais eu (por vezes) me identifico. Ainda que nos últimos filmes tenha "patinado" bastante. Sempre que se mete em temas muito generalistas e pouco focados nas pessoas, normalmente mete água. Ia dar como exemplo, o caso do "Noah" mas aí tinha mesmo de meter água... Bem, mas deu para perceber... No caso de mother! esteve outra vez quase a patinar. O que ajudou a equilibrar este filme estranho foram nitidamente as presenças marcantes de Jennifer Lawrence (grande surpresa! mesmo grande surpresa!), Javier Bardem (sempre imponente) e as presenças fugazes de Ed Harris e Michelle Pfeiffer. Mas se as personagens (e os seus actores) aguentam muito bem o filme durante a maior parte do tempo, o melhor está mesmo reservado para a parte final, que num aparente take longo e contínuo leva-nos de arrasto para o final dos dias, para o caos da guerra, para as atrocidades humanas e para o inferno na Terra. E este final bombástico e quase orgásmico é todo da responsabilidade de Aronofsky. Essa última parte "separa-se" tanto do resto do filme que a determinada altura, fiquei com a sensação que foi para poder criar e realizar aqueles minutos finais que Aronofsky concebeu toda a história. Parece que ele teve mesmo que filmar aquilo, como se fizesse parte de uma terapia qualquer. Ou também posso estar a imaginar coisas e nem sequer seria a primeira vez. Às vezes são só sensações que tenho. Não interessa...
mother! não é um filme nada fácil de ver. É violento e exige conhecimentos essenciais pré-visualização. Aconselho uma mente aberta e um estômago forte. Seja para dar início a uma longa e séria discussão sobre religião ou seja para assistir a um espectáculo raro hoje dia que é a obra de arte cinematográfica com base na visão do realizador, mother! é um filme que tem mesmo de se ver. ●●●●○

Godzilla 2, aka Godzilla: King of the Monsters de Michael Dougherty é mais uma patacoada de efeitos especiais para a cabeça. Uma história para quem gosta de monstros gigantes em CGI. Não tem nexo absolutamente nenhum, está cheio de "chouriços" (muitos repetidos - só a cena em que o artista está mesmo para morrer e acaba salvo pelo Godzilla nos últimos momentos acontece pelo menos umas 3 vezes) e actores (Kyle Chandler, Vera Farmiga, Millie Bobby Brown (apenas para aproveitar o hype "Stranger Things"), Ken Watanabe e o "grande" Charles Dance) quase a pedirem para os "matarem" para não terem de sofrer mais na sequela...
Ia incluir aqui uma parte em que dizia qual era a história do filme, mas já se me varreu da memória. Só ficaram os monstros gigantescos que quase não cabem no ecrã, os raios laser e os seus sons graves e profundos.
Mas pronto... Já vi e já passou... Se bem que já li algures que o Godzilla vai ter um novo filme em que luta com o King Kong... e que tudo isto pode ser o inicio de um franchise exclusivo de grandes monstros... Medo. Muito medo. ●○

Uns teenagers tekkies estão a fazer coisas de teenagers tekkies quando são surpreendidos por uma invasão alienígena. Como os extra-terrestres estão relacionados com a manipulação da energia eléctrica (ou algo semelhante?!?), os miúdos transformam-se nos rambos-sobreviventes-heróis do filme, porque que são todos "tecnológicos" e sabem imenso do assunto, o que diga-se é uma sorte do caraças. Ainda dizem que aquelas aulas de electrotecnia não serviam para nada... Obviamente que vão morrendo conforme o grau de hierarquia, do mais secundário até quase ao personagem principal, mas tudo bem...
The Darkest Hour é um autêntico filme sy-fy mesmo antes de existir o termo "filme sy-fy". Por favor não confundir com o outro filme também chamado Darkest Hour, protagonizado pelo Gary Oldman; este tem um "The" antes do título... Portanto, THE Darkest Hour é um filme de ficção científica de baixo orçamento filmado na Rússia, mas que assenta no mesmo modelo de história e desenvolvimento dos restantes colegas das grandes produções americanas. Aqui o que muda é para pior, no realizador tarefeiro de estúdio (Chris Gorak), na qualidade do actores (Emile Hirsch, Olivia Thirlby, Max Minghella, Rachael Taylor) e especialmente na qualidade dos efeitos especiais. Estou a ser mauzinho... Os efeitos até nem são assim tão maus. O filme no geral é que é, mas vai tudo no mesmo "pacote"... Tal como os irmãos mais "ricos" e apesar de não ser completamente horrível, é filme que se vê e se esquece rapidamente. E foi exactamente o que aconteceu... Ha!! Já me esquecia de uma coisa importante! É em 3D. Muito importante este pormenor. ●○




PS: Para quem desconhece o termo (criei-o há muito pouco tempo), tekkie é uma pessoa cuja filosofia e modo de vida, assim como a religião, se resume à mais recente tecnologia, relegando tudo o resto para um plano secundário e inferior. Este é um conceito novo e ainda pouco desenvolvido (foi mesmo agora) mas voltarei a ele mais tarde ou quando for oportuno...
Depois de um evento traumático, a relação de um jovem casal americano está por um fio. Dani vive constantemente com o passado e com a tragédia na cabeça e não se sente propriamente enquadrada na realidade mundana, nem no grupo de amigos do namorado. Mas tudo muda quando decide fazer-se de convidada e acompanhá-los numa viagem para assistir a uma festividade pagã numa remota aldeia da Suécia, a terra-natal de um amigo. O que começa como umas agradáveis férias de verão numa terra idílica de céus azuis e em perfeita ordem estética, lentamente se vai transformar em algo muito estranho...
Normalmente não escrevo enquanto ouço música, mas por vezes lá acontece. Curiosamente, a minha playlist fez uma passagem muito interessante do "Inverno" de Vivaldi para a "Lacrimosa" do Requiem de Mozart. E é a banda sonora perfeita para escrever sobre este Midsommar. Não porque tenha algo que ver com o filme, mas porque me recorda que o Inverno para além de majestoso é também mortal. Para pessoas "mediterrânicas" como eu, o inverno é mesmo perigoso. Deprime-me e deita-me completamente abaixo. Não "vivo" no inverno, apenas lhe tento sobreviver até que os dias quentes cheguem novamente. Daí que uma das minhas muitas teorias me diga que os habitantes do norte gelado e levam com uma "vida invernal", são naturalmente deprimidas e moldadas numa certa "escuridão da alma" pela dureza do clima. Faço-me entender? Talvez não, mas também não interessa. O frio deve-me estar a afectar os pensamentos. Nos filmes "de inspiração nórdica" é pelo menos essa a sensação que passa, o que me leva novamente a Midsommar.
Esta é uma história estranha e que dá que pensar. Tradições enraizadas, rituais cristalizados pelo tempo, comunas e pequenas comunidades alternativas. Tudo isto tem um lado estranhamente assustador e violento que parece sempre latente. Enquanto assistia aos estranhos eventos e rituais daquela peculiar comunidade, pensava como era possível as pessoas de fora conseguirem encaixar mentalmente o que acabaram de ver. Enquanto alguns convidados "exteriores" se sentiam revoltados e queriam sair, outros, talvez por estudarem antropologia ficavam fascinados pelos acontecimentos que se desenrolavam.
Extrapolando para além do filme, de facto isto - as tradições e os rituais locais - é algo estranho. Um estrangeiro que chegue aqui a uma aldeia remota no interior para assistir a uma matança do porco, em que alguém literalmente espeta um facalhão enorme directamente no coração de um porco (que diga-se é um animal gigante, o que faz com que o evento seja ainda visualmente mais violento) e o sangra até à morte, de certeza ficará imensamente chocado. Pelo menos eu quero acreditar que sim, porque a única vez que assisti a uma coisa destas fiquei traumatizado para a vida. Apesar das discussões que possam surgir em torno da questão do bem-estar animal e afins (se bem que num matadouro industrial as condições estão ao mesmo nível, mas apenas escondidas dos olhos do público...), para mim, a principal questão é a da normalização social. No dia-a-dia um gajo assiste a coisas que não são nada normais, mas tolera-as e muitas vezes até as justifica porque estão cristalizadas como ritual ou tradição. E, com isto, coisas maradas da cabeça como a matança pública do porco ou as touradas em que se persegue um touro e se lhe espeta ferros no lombo acabam por ser "normais" e até material de entretenimento. Mas podia entrar noutros estranhos comportamentos, mas mais "subtis" como o celibato, por exemplo, para chegar à conclusão que por muito que uma coisa seja estranha, ela deixa de o ser se for aceite socialmente por um grupo relativamente grande.
Por outro lado, penso sempre como é que as pessoas entram assim em cultos esquisitos como este e acabam por abraçar aquilo e ficar como que hipnotizadas. Em parte, este Midsommar é um mapa para entender todo o longo caminho que é preciso percorrer para se chegar ao ponto de normalizar comportamentos que numa situação de "dia-a-dia" seriam completamente reprováveis. Este é o caminho da personagem de Pugh, o que em certa parte faz entender porque é que no final se a vê a sorrir, quando até ali, parecia viver numa profunda depressão. Por vezes, é nos sítios mais recônditos e estranhos que uma pessoa se sente acolhido e compreendido. Acho que é daí que vem aquele sorriso feliz e verdadeiramente sincero.
A história é tão recheada de pormenores e tão complexa que daria facilmente para uma dissertação bastante longa sobre a religião, os cultos, as tradições, mas também sobre a depressão do e no mundo moderno, a ostracização e a aceitação social. Para além de estar muito bem escrito, achei verdadeiramente brilhante a "criação" do culto. É tão recheado e pormenores, tão bem estruturado e tão complexo que parece que de facto, algures numa idílica aldeola sueca, existe mesmo aquele grupo de pessoas estranhas.
Assente neste belo trabalho de pesquisa antropológica e de desenvolvimento da história, está o trabalho não menos brilhante do surpreendente Ari Aster, que é obviamente um realizador para manter debaixo de olho. Midsommar está muito bem feito e recheado de excelentes pormenores de realização, suportado por uma banda sonora poderosa e quase visceral que deixa um gajo sempre de cabelos em pé e o coração com uma batida forte. E ainda falta mencionar as muito boas interpretações de Jack ReynorWill PoulterVilhelm Blomgren e William Jackson Harper, sendo que o destaque em termos de actores tem mesmo de ir para Florence Pugh que tem aqui um desempenho brilhante. Do melhor que já vi nos últimos tempos.
No geral, gostei bastante. Apenas não o considero perfeito porque a determinada altura estava a ser tão bom, tão denso e hipnótico que fiquei à espera de mais, de algo ainda mais surpreendente e chocante. Mas isso sou eu que sou um bocado picuinhas, e porque depois daquele início extremamente possante fiquei à espera dum final (ainda) mais apoteótico... o que obviamente não aconteceu comigo...  É a eterna questão da expectativa versus realidade.
Apesar deste pequeno reparo, Midsommar é totalmente recomendado. É um filme que consegue fazer um equilíbrio estranho entre o fictício e o real e entre o macabro e o belo ao mesmo tempo. É inesperado e deixou-me a pensar, o que é sempre algo positivo. Se alguém por aqui gostar de cultos solares estranhos e tradições ocultas, e não tiver grandes problemas a assistir a cenas de sexo ritual, homicídios e suicídios, então este Midsommar é um filme a não perder. E que comecem as festividades... ●●●●○

Nesta nova entrega da saga Men in Black mudou tudo. Mudou o realizador (F. Gary Gray) e da "equipa" original apenas ficou a Emma Thompson e por isso entraram o Chris Hemsworth, a Tessa Thompson e o Liam Neeson. Infelizmente, o que também mudou foi a qualidade geral do filme. É um dos casos em que se percebe perfeitamente a diferença que um realizador faz... A diferença dos Men in Black do Barry Sonnefeld para esta nova entrega é gigantesca. Agora é apenas mais um filme sem graça, sem história, sem nada... apenas fogo de artifício. Exactamente como o publico actual gosta. Uma peça estática que está ali para "entreter" passivamente o consumidor de nachos e pipocas. Ainda que fosse mais ou menos esperado, foi uma enorme decepção, porque sempre gostei desta saga cómica de extraterrestres. Agora transformou-se num mero "êxito de bilheteira". Mais uma folha de Excel para entreter os financeiros dos estúdios... É pena. ○○○○

Porquê? Porquê? PORQUÊ? Estou preso num eterno loop de box hits e parece que nunca mais vou sair desta moda estúpida de reboots e re-coisos... Tento desesperadamente arranjar algo positivo para dizer mas não consigo. Fico-me por aqui... Apenas uma referência para o David "Stranger Things" Harbour e para o Ian McShane que mereciam melhor que este Hellboy. Como é mais gore que as entregas anteriores lembraram-se de ir buscar a Milla Jovovich. A evitar. ○○○

Vox Lux começa muito bem com uma série de acontecimentos estranhos e comecei a ficar empolgado. Decidi seguir a antiga fórmula de ver cinema que é não saber rigorosamente nada do filme que vou ver. Sabia que era com a Natalie Portman e que o enredo era sobre uma performer do mundo pop musical. E até certo ponto foi mais ou menos isto. O problema é que começou a esmorecer...
E esmoreceu tanto e tornou-se tão confuso que mais para o fim fiquei na dúvida se estava a ver um filme que era uma crítica ao mundo de fachada da pop ou uma forma de mostrar respeito e admiração pelo árduo trabalho do performer pop por detrás da cortina da fama. Hoje não continuo com essa dúvida porque o filme é totalmente esquecível. Varreu-se-me da mente. Havia aqui material para fazer um grande filme, mas Brady Corbet ou não tem a maturidade suficiente para sacar uns coelhos da cartola ou simplesmente não conseguiu (ou não quis) entrar num registo demasiado crítico e incisivo. Parece-me que ele quis ir por aí, ou então não e simplesmente não consegue fazer melhor. Acontece a quem está a começar.
Até do casting (Natalie Portman, Jude Law, Stacy Martin, Jennifer Ehle, Raffey Cassidy) poderiam ter saído muito melhor performances, porque os actores são bons, mas infelizmente a forma como o guião funciona abafa qualquer hipótese de grandes representações. Muitas vezes fala-se dos bons e dos maus actores (normalmente até só se enfatizam os bons, porque os críticos oficiais tendem a não querer ferir susceptibilidades) e como uns se destacam mais que outros. Nesse aspecto, Vox Lux é um bom exercício de aprendizagem e observação. É gritante como se nota que Portman e Law estão nitidamente num patamar de representação muito superior ao dos restante actores... Até o Willem Dafoe que "apenas" dá a voz ao narrador emprega mais personalidade e capacidade de representação que muitos actores que aparecem em carne e osso na tela...
Vox lux é um filme com muita potencialidade mas que tem muitos problemas. O que é uma pena porque em determinadas alturas parece que vai descolar, mas depois decepciona exactamente porque se torna previsível e mantém sempre o mesmo registo. Fiquei sempre à espera de um grande momento de inspiração ou revelação, mas isso nunca aconteceu. Pelo aspecto do trailer (e pela presença da Natalie Portman) parece que se vai ver uma espécie de Black Swan do mundo pop, mas isso é um engano muito grande. Não tem nada a ver.
Apesar de ter um bom início e estar polvilhado aqui e ali de bons pormenores, Vox Lux é visível, mas devido à estrutura narrativa e emocional demasiado "mole" acaba por se tornar totalmente insípido e dispensável. ●●○○

Tal como previsto para a saga de produtos Fast & Furious, aqui está um spin-off, a que gosto de chamar "Calvin & Hobbs". Acho que é mais apropriado... E, por muito que tente, pouco mais há a dizer. Dwayne Johnson e Jason Statham andam à porrada e insultam-se constantemente (como se fosse a brincar, mas pelo que li até foi mais ou menos a sério...) até descobrirem que Idris Elba é um perigoso criminoso cibernético (!??) que põe o mundo em sobressalto... Vanessa Kirby está ali porque tem umas curvas jeitosas e também porque hoje em dia é quase obrigatório ter uma mulher que dê porrada em homens, e finalmente Helen Mirren aparece para dar um pouco de credibilidade à coisa, o que seguramente não acontece, porque é literalmente impossível. David Leitch faz de realizador, mas na verdade é um ex-duplo, daí que esteja totalmente à vontade para fazer uma coisa destas, sendo que "uma coisa destas" é o Fast & Furious Presents: Hobbs & Shaw, uma espécie de Fast & Furious com a sua inevitável ligação emocional à "famiglia", mas em versão Ilhas Samoa... E pronto, é isto... Espera-se a sequela ou um novo spin-off de animação baseado naquele cão que corre atrás do carro do Vin Diesel na parte 3 da franchise... ●○○○○

Em alguns restaurante finos costuma-se usar um sorbet de limão para limpar o palato entre pratos. Eu uso um método relativamente parecido com os filmes. Após muito tempo a "comer" bolos feitos industrialmente, cheios de açúcares artificias que são os blockbusters actuais, limpo o meu palato cerebral com uma produção mais pequena e muito mais adstringente. Neste caso, o meu sorbet teve sabores nórdicos e artísticos, resultantes duma imensa co-produção europeia (Suécia, Alemanha, França, Dinamarca).
The Square conta a história do curador-chefe de um museu de arte contemporânea (Claes Bang), que passa da monotonia típica dos meios fechados e elitistas para o caos "normal" e mundano, depois de se envolver numa série de peripécias com consequências imprevisíveis: é assaltado e tenta recuperar os seus bens de uma forma pouco ortodoxa; mete-se com uma jornalista estrangeira (Elisabeth Moss) e tem sexo casual; uma campanha de publicidade polémica do seu museu torna-se viral sem o seu consentimento. Pelo meio há também uma actuação inesquecível de um orangotango humano.
Começou muito bem, mas acabou mal e por isso não foi um bom filme para mim. Quando começou a interessar, apareceram os créditos e o filme termina. É um final para Ruben Östlund levar um prémio de Cannes, se é que me entendem. Admito que estou "preso" ao modelo narrativo tradicional em que uma história tem principio, meio e fim. Daí que não reaja muito bem a filmes que acabam repentinamente sem finalizar o filme... e me deixem a pensar. Obrigado, mas não preciso. Eu já penso demasiado em desmaiadas coisas. Fico sempre com aquela sensação de quando estou a ver uma série e aparece a mensagem "to be continued" e o episódio só termina na próxima semana. Neste caso... não há mais episódio. O filme termina e pronto... Um gajo que o termine mentalmente, porque nada do que foi desenvolvido até ali irá ter um terminus. Tenho pena. Estava a gostar do filme.
Se bem que tenha momentos em que parece que se vai tornar numa comédia (pelo absurdo que é por vezes a arte moderna), o tom normalmente é sério e sempre virado para a crítica satírica e social. Aliás, todo o filme é uma enorme e acutilante crítica ao meio artístico contemporâneo. No entanto, nunca é demasiado profundo. A única altura em que o "corte" foi mesmo fundo tem que ver com Oleg, o orangotango humano (um brilhante Terry Notary). Não vou "abrir o jogo" para não estragar o efeito, pois o melhor é mesmo ver e apreciar. Eu fiquei com borboletas no estômago. Apesar de ser um interlúdio na história central é definitivamente "a" cena central do filme e o seu elemento mais marcante.
O feeling final é o mesmo de ver uma exposição de arte contemporânea. Um gajo questiona-se porque é que "aquilo" está ali no museu, se aquilo será arte e porque não outra coisa qualquer, não tem respostas, esquece aquilo e... limpo o palato, volta para a sua vida normal para "comer" bolos feitos industrialmente, cheios de açúcares artificias. Depois do bom início, esperava mais deste The Square, até porque, como na minha vida profissional tenho algum contacto com museus e tudo aquilo me pareceu muito fidedigno, dejá vu e familiar, estava a gostar... mas infelizmente o filme acabou de repente...  ●●○○

Os fãs estavam a ressacar e pediam qualquer coisa minimamente ligada aos X-men, por isso os estúdios fizeram a vontade. Dark Phoenix é mais uma entrega Marvel do Universo X-Men... repleta de nada. Valem os momentos iniciais pela cena do acidente de carro que mostra os poderes da moça que há-de ser a Phoenix. E depois não há mais nada a não ser uma narrativa repetitiva e totalmente infantil recheada de escusadas cenas de acção com efeitos especiais. É inacreditável.
Este 1 (um) de classificação é mais uma vez pelos aspectos técnicos. Mas também é única coisa que o filme tem. O resto é de uma banalidade infantil tão grande que é indescritível. É penosamente previsível e sempre a mesma coisa, vez após vez. Basta ver que o realizador, Simon Kinberg é essencialmente um produtor (dos outros X-Men) e nem tem experiência na "cadeira". Bem, estes filmes também são praticamente todos feitos em pós-produção e nos estúdio de CGI, por isso, um homem na cadeira a realizar já nem sequer faz muito sentido... Já não se aguenta esta industrialização. Para além disso, numa perspectiva de seguimento da "franquia" não faz sentido nenhum. Pelo menos é coerente nesse aspecto: estes filmes cada vez mais fazem menos sentido. Existem pura e simplesmente para alimentar a mente ávida de efeitos especiais dos "fanáticos". Até os actores (James McAvoy, Michael Fassbender, Jessica ChastainJennifer Lawrence, Sophie Turner) já parecem cansados de fazer estes papéis e de encarnar estas personagens. Nota-se que estão ali apenas e só pelos cachets milionários, o que diga-se, é completamente compreensível. Eu, por exemplo, no papel do Fassbender só mesmo por um balúrdio é que dava a cara por esta coisa infantilóide. Espera-se o seguimento da história, a sequela, a prequela, mais bonés, chávenas de pequeno-almoço e lancheiras para os miúdos poderem levar ao festival do Panda... ○○

Os cartéis da droga dedicam-se a mais actividades para além do tráfico de droga. O tráfico de pessoas é também um negócio bastante lucrativo. É na guerra constante que é a fronteira dos Estados Unidos com o México que toda a história de Sicario: Day of the Soldado se desenrola.
A tensão e a acção mantiveram-se do filme original, mas a história perde-se um bocadinho, porque se dispersa muito na sub-narrativa da perseguição vingativa de Alejandro.
Sendo que é um filme de acção mas que prima mais pelo desenvolvimento da história e das personagens, neste caso, são os actores que fazem o filme, principalmente o Benicio Del Toro e o Josh Brolin. Palmas para estes dois profissionais, que são dos melhores actores americanos da actualidade. Também há o Matthew Modine, o Jeffrey Donovan e a Catherine Keener mas são tão secundários que quase não brilham. O problema aqui não é dos actores; é da própria história que se centra demasiado no protagonistas. E isso desequilibra totalmente o filme.
Nota-se que Denis Villeneuve já não faz parte dos créditos, mas Stefano Sollima - que também tem créditos como realizador de filmes de acção com gangs e cartéis - tentou ao máximo a receita de sucesso do primeiro filme e consegui-o ainda que num registo diferente e mais brando.
Sicario: Day of the Soldado não é tão bom como o primeiro, mas ainda assim é um bom filme de acção, com pés e cabeça e assente numa narrativa muito boa. ●●○○

Vi o Clash of the Titans (o original de 1981) numa matiné infantil, quando ainda era... infantil. Muito infantil. Tinha acabado de entrar na primária. Foi há tanto tempo que sinceramente já não me lembro de nada. Lembro-me que o herói era o Perseu e que tinha de salvar a princesa (Andrómeda) do malvado monstro (Kraken) e da Medusa com os seus cabelos de serpentes. Mas o que me lembro melhor é de ficar completamente pasmado com os efeitos especiais que na altura eram em stop motion animation. É preciso dizer que estes efeitos especiais "rídiculos" era do mais avançado existente na altura. E eram a verdadeira magia do cinema! Tanto assim era que pouco depois entrei num frenesim de moldagem com plasticinas para tentar fazer igual, mas infelizmente os "bonecos" não se mexiam... Lembro-me perfeitamente dos monstros: os escorpiões gigantes, o cão com as duas cabeças, o Kraken e a Medusa. E ainda havia mais, mas já não me lembro bem do que era. Na altura nem sequer sabia quem era os actores. Para mim eram todos desconhecidos. Mais tarde percebi que uns eram kitsch (Harry Hamlin), uns apareciam nos cartazes mas nunca falavam (Ursula Andress) e outros eram mesmo bons actores (Laurence Olivier, Claire Bloom e Maggie Smith). Tal como hoje acontece, o realizador não era propriamente uma peça muito importante do processo e normalmente cabia essa função a um "empregado" mais dotado tecnicamente como é o caso de Desmond Davis.
Clash os the Titans é uma relíquia. Uma peça já considerada arqueológica da história do cinema. Apesar de terem sido os alicerces dos modernos blockbusters actuais, estes filmes mais antigolas são algo totalmente distinto. A cinematografia é diferente, a música é diferente, o marketing e os cartazes eram diferentes, os actores comportavam-se e falavam de forma diferente e até a própria estrutura narrativa era diferente do actual. O cinema evoluiu tanto, humana, técnica e profissionalmente, que um filme destes (e não é assim tão antigo) é quase incompreensível aos olhos de um espectador dos dias actuais. Para mim, é apenas história e... puro saudosismo... Ha! E já que aqui estou, um grande cumprimento para o sr. Ray Harryhausen, um mestre incontestável dos efeitos especiais e um nome mítico do cinema. Gostava de ter estado consigo durante umas horas para me ensinar e ajudar a fazer aqueles monstros em plasticina mexerem-se como nos filmes... Clash of the Titans é um filme épico, cheio de acção e magia que ficou para a História do Cinema. ●●●○

Como o primeiro filme foi um relativo sucesso de bilheteira era inevitável uma sequela. Daí a existência de Wrath of the Titans. Não é uma continuação da história anterior mas mais uma série de histórias mitológicas envolvendo a personagem principal, Perseu. É o que tem de bom a mitologia clássica: tem histórias para dar e vender e todas são muito boas, sempre recheados de monstros e super-vilões, exactamente o ponto onde falham as cópias, as "mitologias modernas" de super-heróis da BD. Incrivelmente, estas histórias antigas não colam no público actual. Para mim é um mistério. Por exemplo, este Wrath of the Titans foi um falhanço de bilheteira. Porquê? Não tem acção explosiva? Tem. Não tem monstros espectaculares e gigantes em CGI? Tem. Não tem supervilões super-maus que querem destruir o mundo dos humanos? Tem. Não acaba tudo bem, com os bons felizes e os maus a serem castigados no final? Obviamente. Então porque é que o grande público não adere em massa como acontece nas tretas com a chancela Marvel/DC? Não sei dizer. Aos meus olhos, a diferença é mínima. Ver isto ou ver o Doctor Strange é exactamente a mesma coisa. Um entretenimento momentâneo e facilmente esquecível.
Do primeiro para este filme, mudou o realizador (Jonathan Liebesman) e o cast mudou apenas nas personagens mais secundárias (Sam Worthington, Liam Neeson, Ralph Fiennes, Rosamund Pike, Bill Nighy, Danny Huston). Os monstros e o CGI também aumentaram ligeiramente, mas de resto é tudo mais ou menos igual ao anterior. Gosto muito destas histórias da mitologia e que já me acompanham desde muito novo. Por isso nem me importava de ver um terceiro filme deste género, mesmo sabendo que a história é apenas um suporte para as cenas de acção e para os efeitos especiais. Mas como a mitologia clássica (ainda) não foi comprada pela Disney e por isso não tem fãs activos, não há mais nada para ninguém. É pena. ●●○○

Com o super-sucesso dos filmes de super-heróis importados da BD, era apenas uma questão de tempo até que alguém pegasse no tema da mitologia clássica. Afinal de contas, os heróis da antiguidade são o protótipo e a base "histórica" de todos os super-heróis modernos, quando não são mesmo os super-heróis como é o caso do Thor e restante família. Seja como for, a relação é quase umbilical. Mas sendo uma aproximação mitológica mais virada para o efeito explosivo e para a acção, destes filmes  não se espera grande coisa, a não ser 2 horas de de puro entretenimento, que é como quem diz, 2 horas de musculação maxilar com recurso a pipocas. Ou nachos. Ouvi dizer que há muita gente que gosta de comer nachos no cinema. O que para mim é um fenómeno ainda mais incompreensível que o sucesso dos super-heróis Marvel e afins. Mas adiante... Neste aspecto específico, Clash of the Titans cumpre perfeitamente o propósito. Tem bons momentos de acção bem encaixados na história (parabéns ao Louis Leterrier por não exagerar), os actores (Liam Neeson, Ralph Fiennes, Sam Worthington, Luke Evans, Gemma Arterton, Liam Cunningham e Mads Mikkelsen) parecem muito confortáveis nos seus papéis e por isso têm prestações acima da média para uma produção deste género.
Clash of the Titans é um bom filmito de acção que acompanha muito bem as pipocas e a coca-cola. Talvez devido ao carácter mitológico da história seja um pouco mais suportável para mim. Nada como deuses, semi-deuses e vulgares mortais na eterna procura de adoração e poder para entreter uma pessoa. Vê-se bem. ●●○○

 
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