Depois de andar a dar umas voltas pelo Universo, a tripulação da USS Enterprise é atacada e presa num planeta desconhecido. Ainda não sabem, mas o culpado é o Idris Elba. Deviam ter visto os outros filmes, porque tal como o episódio anterior, isto é uma cópia mais ou menos surrupiada de um episódio da série de filmes anterior. Seja como for, Shatner, Nimoy,... perdão!..., Kirk, Spock e restante tripulação têm de fugir do planeta e salvar novamente a Federação dos Planetas Unidos. E assim se chega a Star Trek: Beyond... o décimo terceiro filme da saga Star Trek., desta vez pela mãos de Justin Lin. Se alguém achava que era um exagero o Star Wars já ir para o 9.º ou 10.º filme então ainda não percebeu que isto nunca mais vai parar enquanto se venderem pipocas nos cinemas. Haverá mais aventuras da USS Enterprise? Que pergunta. Claro que vai haver. Pode mudar o elenco, o design da nave, os nomes dos planetas, a qualidade dos efeitos especiais, os conceitos de espaço e tempo, e até pode mudar toda a existência do Universo, mas há uma coisa que nunca muda: o desejo infinito dos estúdios de cinema em facturar. E para além disso, ainda há uma serie de temas que não foram abordados neste reboot: a nova equipa ainda não veio para Terra dos dias de hoje através de uma máquina do tempo; não trouxeram à baila os cyborgs e as máquinas "pensantes"; e ainda não foi abordada a questão ecológica que até está tão na moda hoje em dia... Quer dizer... Falta ainda tanta coisa para filmar... Por isso mesmo tenho a certeza absoluta que haverá um Star Trek IV, um V e mesmo um Star Trek VI... antes de fazerem um novo reboot. ●○○○○ P.S. Originalmente ia-lhe dar só uma bolinha, porque já tinha entrado no loop do sucesso sem fazer nada de novo... Mas tenho de lhe melhorar a classificação. Porque alguém que escolhe a Sabotage dos Beastie Boys sobe sempre na minha consideração... ●●○○○

Em Star Trek: Into Darkness, James T. Kirk, um eterno rebelde contra as autoridades superiores, volta a fazer das suas e desrespeita as ordens da Frota Estelar. Mas como qualquer bom rebelde, fá-lo por motivos maiores: salvar o seu fiel companheiro de aventuras, Spock. Por causa deste acto perde o comando da USS Enterprise para o Almirante Pike (Bruce Greenwood), que compreendendo a verdadeira razão, consegue colocá-lo novamente a bordo da mítica nave. É então que aparece um terrorista interplanetário, o super-humano geneticamente aperfeiçoado, Khan. Star Trek regressa com o novo elenco para se cimentar como um dos grandes blockbusters do momento. No papel de vilão, está o Benedict Cumberbatch, que até num vulgar filme de acção e explosões se consegue destacar. J.J. Abrams continua na cadeira da realização e demonstra claramente que é um dos melhores gajos neste ramo dos filmes de entretenimento-pipoca. ●●○○○

J.J. Abrams pegou na sua varinha mágica e fez um reboot (totalmente necessário, diga-se) que re-apresenta os personagens da série de televisão original mas interpretados por um novo elenco. Agora seguimos James T. Kirk (Chris Pine) e um novo Spock (Zachary Quinto) e a tripulação da USS Enterprise enquanto combatem Nero (Eric Bana), um romulano do futuro que viajou no tempo com o objetivo de destruir a Federação dos Planetas Unidos. Bem, isto praticamente ainda nem começou e já estamos na onda das viagens no tempo?!? Isto não começa bem... Entrar numa realidade alternativa, foi a solução encontrada para libertar o guião (e o novo casting [Karl Urban, Zoe Saldana, Simon Pegg, John Cho e Anton Yelchin]) da continuidade do franchise anterior (até aparece o verdadeiro Spock para fazer a transição (Leonard Nimoy) e a homenagem, já agora), enquanto tenta preservar os principais elementos das histórias originais. Para reboot, até não está nada mal. Tem aquele toque divertido que relembra a série e os filmes originais e está feito para o século XXI, repleto de acção, efeitos especiais e lutas exemplarmente bem coreografadas. É entretenimento puro, mas é um bom entretenimento e goza do factor novidade para se estabelecer como um dos melhores Star Treks das últimas décadas. Um bom começo. ●●○○○


Lucy é uma bonita estudante universitária que tem uma série de empregos, mas ainda assim continua com dificuldades financeiras. Um dia, decide responder a um anúncio que pedia uma empregada interna e sem querer entra num perigoso e estranho mundo erótico. A sua primeira função é simples: servir em lingerie os requintadíssimos senhores do dinheiro em jantares de gabarito. A sua segunda função já não é assim tão linear: envolve tomar uma droga que a deixa inconsciente, ficando assim à total mercê dos senhores de fino trato. Fácil e rapidamente se percebe que os requintadíssimos senhores não são assim de tão fino trato...
Dito assim parece que uma pessoa vai ver uma extensão daquela parte da orgia com máscaras do Eyes Wide Shut. E em alguns momentos, de facto lembra mesmo isso. Mas a parecença fica-se por aí. Para ser verdadeiro, houve momentos no início em que pensei: "isto é muito bom"... mas depois o filme foi-se desenrolando e tudo se desmoronou totalmente: aquele amigo/namorado estranho que está apaixonado por ela; as cenas fora da casa que parecem ser de outro filme; mas especialmente as cenas com a Lucy... Muito mau. É curioso. Ainda há pouco tempo falava aqui do Lars Von Trier, que como toda gente sabe, é um gajo marado do capacete que tem um curso superior em magoar pessoas. Mas para fazer o que o Lars faz, é preciso ter uma certa mestria macabra e saber enquadrar o sofrimento, a falta de empatia ou a humilhação para terem uma lógica que crie um determinado sentimento no espectador ou que vá de encontro ao desfecho de uma história. Julia Leigh nitidamente não possui essa mestria...
O que vi em Sleeping Beauty não tem lógica nenhuma. É simplesmente uma agressão contínua sobre uma sujeita passiva, deprimida e desprovida de emoções e sentimentos. Isto tudo regado com um ar muito "artsy" para parecer mais inteligente do que é, e muito provavelmente tentar ganhar uns prémios em Cannes. Para mim, é este tipo de filmes enganadores, pseudo-intelectuais, que estragam os chamados filmes de autor. Isto faz-me lembrar aquelas instalações artísticas em museus em que o pessoal da limpeza destrói a "obra de arte" porque a confunde com lixo esquecido num canto... porque é mesmo lixo esquecido num canto. E só é arte porque um otário qualquer o considerou assim. A minha opinião neste tipo de coisas é muito vincada. As coisas são o que são e isto não é nada. Não há aqui nada que valha a pena ver. Quer dizer, por acaso até há. A cinematografia é lindíssima e não tenho nada a apontar. E obviamente tenho de destacar a jovem Emily Browning que de facto dá tudo o que tem e o que não tem para este filme. É uma performance... daquelas que não tem explicação. O que a rapariga se sujeita neste filme não é para todos. E Rachael Blake como Clara, também está bem. Mas o conceito-base do filme e a forma como o argumento desliza para um canto e se deixa lá ficar, arruína tudo.
Estava a ver o IMDB para saber mais sobre o filme e reparei que na sinopse: "A haunting portrait of Lucy, a young university student drawn into a mysterious hidden world of unspoken desires". Isto é nitidamente a versão muito branda e embelezada da coisa. Se tivesse que fazer um resumo curto do filme, o que eu diria era: "Uma miúda deprimida deixa-se drogar todas a noites a troco de dinheiro para ser violentada por velhotes marados e nojentos". Acho que assim estaria mais apropriado, porque na realidade é mesmo isso que acontece. Não nego que Sleeping Beauty tenha momentos visuais brilhantes, mas no geral acho que é simplesmente uma pura agressão gratuita. Para mim não dá. Não gostei nada. Podia ter sido muito melhor, e se é memorável, é apenas pelo desconforto e pelo choque. Fico muito dividido entre ●○○○○ e (sem nota)...

First Man é um biopic sobre a vida do lendário astronauta americano, Neil Armstrong. Abarca o período entre 1961 e 1969, ou seja, desde a preparação inicial até ao objectivo final que era pousar e ter um humano a caminhar na lua. Em plena Guerra Fria, os americanos deram tudo por tudo para superar os soviéticos, o que levou ao extremo o empenho da NASA, e especialmente os pilotos.
Nota-se que Damien Chazelle quis fazer um filme sobre a mítica alunagem que não fosse documental, mas que fosse o mais fiel possível aos acontecimentos. Nesse aspecto é irrepreensível. First Man é um filme bem feito com alguns toques de brilhantismo aqui e ali. Peca apenas pelo ritmo excessivamente arrastado e por alguma desconexão narrativa. Os actores estão todos muito bem (Ryan Gosling, Claire Foy, Jason Clarke, Kyle Chandler, Corey Stoll) e a música é muito boa, com todos aqueles instrumentos e ambiências estranhas. Como os últimos filmes têm sido excepcionais, esperava um pouco mais de Chazelle. Acho que foi a falta do tema musical... Mas ainda assim, First Man é um bom filmito que se vê muito bem. ●●●○○

Em meados de século XVIII, a vila de Gévaudan em França esteve envolvida num mistério macabro. Um monstro andava a matar aldeões indiscriminadamente e a semear o pânico na população da zona. Para resolver o mistério, o rei francês envia Grégoire de Fronsac e Mani, o seu fiel guerreiro Mohawk. O que encontram é surpreendente...
Um bom filmito, este Le Pacte des Loups. Boas cenas de acção, suspense e uns pozinhos de terror,  tudo envolvido numa aura de misticismo. Muito bem realizado por Christophe Gans, assente num guião muito bem escrito. Para o sucesso dum filme destes, assim mais para o comercial, é preciso ter sempre bons actores e nesse caso há a participação (boa) de Samuel Le Bihan, Mark Dacascos, Jérémie Renier, Vincent Cassel e Monica Bellucci, como sempre, a destilar sensualidade para o mundo...
Gostei e recomendo. ●●●○○

Há anos que ouço falar do "santo graal" dos storyboards. E este não é um documento qualquer. É o storyboard do "maior filme" de ficção científica alguma vez imaginado mas que nunca chegou a ser feito. Isto é Jodorowsky's Dune.
O documentário de Frank Pavich é uma peça importante do mundo do cinema, não porque seja muito bom, porque mostra como algo que nunca chegou a ser filmado, conseguiu influenciar tanta gente e inclusive dar frutos em muitos outros filmes que foram gigantescos sucessos de bilheteira e que ainda hoje fazem parte da cultura pop. Alien por exemplo, veio directamente da ideia maluca do Dune de Jodorowsky e do estranho grupo de pessoas que o rodeou...

Alejandro Jodorowsky é daqueles nomes que ouço falar há anos sem nunca ter visto um único filme. Os meus livros de cinema mencionam-no sempre, assim como os clássicos El Topo e Holy Mountain, que incrivelmente nunca consegui ver. Não é fácil ver um filme psicadélico-alternativo dos anos 70 de um realizador chileno... Mas lá chegarei um dia e os filmes aparecerão aqui com a devida crítica...
Como sempre gostei dos conceitos do Dune e, apesar das críticas negativas gerais, também sempre gostei do Dune do David Lynch, cedo percebi que havia outros planos para a trilogia do Frank Herbert. Um desses planos envolvia o Alejandro Jodorowsky, mas nunca percebi muito bem o que tinha acontecido para o projecto não se ter concretizado, nem sequer o que estava envolvido.

O que descobri neste documentário foi por isso... bombástico.
Só uma pequena amostra. Jean Giraud, mais conhecido no mundo da BD como Moebius e H.R. Giger iriam tratar da parte visual. A banda sonora estaria a cargo dos Pink Floyd. Como se isto fosse pouco, nos actores estariam Salvador Dali como o Imperador, David Carradine como Duke Leto e o Orson Welles seria o Barão... Mas a lista continua e os nomes vão-se avolumando. O mais incrível disto tudo é que Jodorowsky ia falar com estas pessoas e, praticamente sem dinheiro, convencia-as a embarcar no projecto, que a determinada altura era apenas uma ideia sem ter verdadeiramente uma estrutura organizada por detrás... Incrível.
A comprovar esta história bizarra, estão muitos dos intervenientes, assim como comentários mais recentes de Dan O'Bannon, Chris Foss, Gary Kurtz, H.R. Giger, o produtor Michel Seydoux e os realizadores Richard Stanley e Nicolas Winding Refn.
Para além de toda esta situação bizarra e surrealista, o que me ficou mais marcado foi uma grande sensação de injustiça. Como o storyboard obviamente circulou pelos estúdios de Hollywood à procura de financiamento, ninguém pode negar as influências do trabalho de Jodorowsky na criação de muitos dos blockbusters dos anos 80 e por diante, sem que ele fosse creditado pelas ideias. Desde o Star Wars, ao Indiana Jones passando pelo óbvio Alien, muitos outros filmes foram beber de uma forma ou outra à fonte de inspiração que é aquele alucinado storyboard. Alejandro Jodorowsky merecia justiça e outro tipo de destaque, até porque neste momento é um ilustre desconhecido. Da minha parte, já está no patamar que devia. E isto é resultado directo do documentário. Ver este Jodorowsky's Dune é, portanto, um acto de justiça. E é obviamente obrigatório para quem gosta de cinema. ●●●●○

Apesar de todas as polémicas recentes, continuo a ser um apreciador dos trabalhos de Lars Von Trier. As borboletas entram em histeria no meu estômago antes de ver um "Von Trier", mas mesmo assim não resisto a ver. É um daqueles prazeres obscuros que é mais forte que eu. Quando li que o Lars ia fazer um filme sobre um psicopata, entrar dentro da sua mente e mostrar o crescimento de um assassino em série, pensei para mim: "Bem é melhor ir reforçar o meu stock de protector gástrico. Isto vai ser dureza...". Fui então ver The House That Jack Built, mas estranhamente, não aconteceu nada disso. Até é um filme relativamente "mole" (vindo de quem vem)... apesar de continuar a ser um filme "difícil" de ver...
É mais uma belíssima composição visual com fantásticos diálogos. Excelente realização como sempre, com actores de outro nível como o grande Matt Dillon, o grande Bruno Ganz e a grande Uma Thurman, entre tantos outros. Tudo muito bom e não me desiludiu nada. Mas o que mais estranhei foi ser um filme do Lars Von Trier. Por outro lado (e posso estar a imaginar coisas) tudo me pareceu extremamente críptico e cheio de segundos significados.
Após as recentes polémicas, parece que Lars Von Trier está a dar sinais exteriores. Às acusações constantes de misógino, ele arranjou uma solução óbvia: um serial killer à "maneira clássica de Hollywood". Pode parecer contraditório, mas quem o vai criticar por isso, quando o cinema moderno está hiper-povoado de serial killers que perseguem criancinhas e mulheres indefesas? Quem o criticasse pela escolha, teria de "enterrar" milhares de slashers e filmes de culto dos mais prestigiados realizadores que ao longo dos anos levaram milhões de pessoas às salas de cinema. Esta escolha por um serial killer não me parece nada inocente. Depois há, aparentemente, uma mensagem "interna". Parece que está a criar um novo manifesto, mas desta vez anti-Dogma95. Parece-me que ou quer acabar, ou quer questionar o seu próprio manifesto. Ou também pode-se dar o caso de estar a ficar sem financiamento e a tentar piscar o olho ao pessoal do dinheiro e dizer que também consegue fazer uns filmes mais ou menos "normais" em que o público não saia a correr deprimido ou a vomitar da sala de cinema. A inclusão constante de Fame de David Bowie pode ser a maior pista disto mesmo (o manifesto supostamente não permitia a inclusão de músicas na pós-produção), mas os efeitos especiais no final e uma série de outros pormenores indiciam que Von Trier se chateou com o grupo que ele próprio ajudou a criar. Ou então, lá está, como dizem os americanos, "money talks, bullshit walks". Não sei. Sinceramente, acho que o problema não é dinheiro. Acho que o problema é o carácter redutor do próprio manifesto e Von Trier já anda a lutar com ele há muitos anos. Parece-me é que decidiu agora dar-lhe a machadada final. Mas isto já são questões laterais...
Não sei muito bem porquê, mas sempre gostei quando os realizadores incorporam stock-footage nos filmes. Isso acontece muito por aqui. Mas há uma parte no final em que o stock-footage é de outros filmes do Lars Von Trier como Europa, Breaking the Waves, Dogville e outros. Apesar de ser mais uma das reflexões internas do Jack sobre a arquitetura e a arte, para mim soou-me a outra coisa. Vendo bem, todo filme é tratado como uma nova e estranha versão da Divina Comédia. A presença de Verge (Virgílio) não é coincidência. Jack comete os crimes e comenta-os com Verge que contra-argumenta ao mesmo tempo que lentamente o encaminha para o Inferno.
Estranhamente fiquei com a ideia de que este Jack é de alguma forma o próprio Lars Von Trier. Ele fez o seu próprio caminho de crimes (os filmes) e agora dirige-se para um Inferno de não-criação onde já não é mais possível criar sem entrar pelo circuito comercial, simbolizado pela recorrente Fame do David Bowie... Não sei... Se calhar estou a ver coisas onde elas não existem e a tirar significados que... Bem, acho que estou a divagar novamente. E demais.
Em relação a The House That Jack Built, a única coisa que posso dizer é que gostei sem ficar deslumbrado. Até gosto deste tom negro, que para além de não ser tão avassalador como seria de esperar, até tem uma qualidade mais refinada, mais polida. Em uma ou outra situação, entra até num tom irónico, quase cómico, o que diga-se, foi uma coisa estranhíssima. Para além de dores de barriga e desconforto, nunca na minha vida pensei esboçar um mini-sorriso a ver um filme do Von Trier.
Só há duas formas de apreciar os trabalhos do Lars: ou se gosta ou se detesta. Não há meio termo. Estou há muitos anos no primeiro grupo. The House That Jack Built, nem é dos meus filmes preferidos, mas veio cimentar - mais uma vez - Lars Von Trier como um dos melhores realizadores das últimas décadas. Muitíssimo recomendado. ●●●●○

Bem, vou-me socorrer da Wikipedia para esta, porque já não aguento mais Star Trek. É uma exagero de filmes. Em Star Trek: Nemesis (décimo filme!!!) a "nova" missão da tripulação da nave estelar USS Enterprise é lidar com uma ameaça da Federação Unida dos Planetas vinda de um clone maléfico do Capitão Picard, chamado de Shinzon (ha!?!), que tomou o controle no Império Estelar Romulano depois de um golpe de estado. Nemesis é o final!!! Finalmente!!!! Este também deve ter sido o grito de despedida do elenco de The Next Generation, como pode ser visto no subtítulo do filme: "Começa a última jornada de uma geração". Stuart Baird realiza esta última entrega. Tom Hardy e Ron Perlman estão sempre bem, seja qual foi o filme, em pequenos ou grandes papéis, e aqui não é excepção. Um final jeitoso para uma saga quase interminável... Porque como é óbvio ninguém iria deixar a "galinha dos ovos de ouro" da bilheteira em sossego. Lá longe, nos confins do Universo, onde estão os estúdios de cinema proprietários dos grandes blockbusters, um reboot estava a caminho... ●○○○○

Em Star Trek: Insurrection (ou episódio IX), além do elenco principal da série, também há F. Murray Abraham, Donna Murphy e Anthony Zerbe a aparecerem em papéis de destaque. No enredo básico, a tripulação da USS Enterprise rebela-se contra a Frota Estelar depois de descobrir que existe uma conspiração com uma espécie chamada Son'a para roubar o planeta da pacífica espécie Ba'ku. Depois a Entreprise deslizou pelo espaço sideral em busca de novas ideias...

Há uma razão para eu não ter aqui no site (ainda) inseridas as grandes sagas do cinema como o James Bond, os Star Wars e todos os outros. Para além disto dar uma trabalheira do caraças, com o tempo, estas sagas trabalham apenas para os fãs, que sendo um pouco cegos - fanáticos, lá está -, não conseguem ver que isto se repete indefinidamente. Até os cartazes começam a sair parecidos uns com os outros. Percebo. Ao fim de 10 ou 12 filmes é difícil de arranjar novas ideias... Chegando a este ponto, se fosse eu a mandar na saga, parava-se com isto e desenvolvia-se novas ideias, novos conceitos e partia-se noutra direcção completamente diferente. Mas os fãs provavelmente deixavam-me uma cabeça decepada de cavalo espacial na cama... É melhor estar quieto e continuar a fazer sempre a mesma coisa... ●○○○○

Em Star Trek: First Contact as ideias começaram a faltar e então entram novamente em cena as viagens no tempo. Neste caso, Picard e a tripulação da USS Enterprise regressam ao século XXI para salvar o futuro depois dos Borg terem conquistado a Terra e alterado a linha do tempo. James Cromwell faz um papel de cientista bêbado e Alice Krige por acaso até faz muito bem de Borg Queen, provavelmente a melhor coisa deste filme. De resto, este novo episódio é mesmo só material para fãs. Esta nova série com os Borg teve o mérito de cunhar um novo e icónico chavão: "Resistance is futile". Parabéns por isto. É pena o resto do filme... ●○○○○

Star Trek Generations é a sétima longa metragem do universo Star Trek, ou episódio VII, como lhe quiserem chamar. Foi uma pequena lufada de ar fresco por ser o primeiro com o elenco da série Star Trek: The Next Generation. Nesta história, o novo capitão da nova USS Enterprise - o já também icónico Jean-Luc Picard (Patrick Stewart) - e a sua tripulação (Jonathan Frakes, Brent Spiner, LeVar Burton, Michael Dorn) tentam impedir que um cientista louco de nome Tolian Soran e muito parecido com o Malcolm McDowell destrua um planeta inteiro para criar uma passagem para um universo paralelo. Whoopi Goldberg decidiu aparecer por breves momentos, mas foi mesmo só isso... James T. Kirk morre (de vez!) e a passagem de testemunho é feita para o Picard. O resto da formação original da Entreprise irá continuar calmamente a gozar a reforma das aventuras estelares, cantado junto ao lago ou no conforto da lareira na cabana. Vale pela renovação do elenco e pouco mais. De resto, parece um episódio muito quitado da série. Aliás, a partir deste momento, dá a impressão que os filmes funcionam mais como apresentações de novas séries que estão para chegar ou como remates de séries que irão terminar. Nunca percebi esta aproximação à saga. ●●○○○

Após a explosão da sua lua Praxis, o Império Klingon encontra-se à beira do colapso. A única solução é a paz com a Federação dos Planetas Unidos. Kirk e a sua trupe irão mediar as negociações de paz, mas são enganados e envolvidos numa conspiração militarista que ameaça tornar-se numa nova guerra e eventualmente presos num planeta gelado. Star Trek VI: The Undiscovered Country não acrescenta muito ao historial da serie. Parece mais um episódio da série que propriamente um filme. Para além do pessoal do costume, que nitidamente já estava "velho demais para aquelas merdas" e farto daquele mesmo cenário de sempre da Entreprise, há também uma jovem Kim Cattrall, o Kurtwood Smith de sempre e um senhor do cinema que dá pelo nome de Christopher Plummer , mas que aqui decidiu disfarçar-se de klingon-pirata. Na cadeira do realizador, desta vez estava mesmo um realizador a sério (Nicholas Meyer) que curiosamente, abre e fecha o ciclo da trupe original do Star Trek. Foi uma viagem longa, desde os anos 60 até à década de 90. Por muito que não se goste dos filmes, há que reconhecer o impacto cultural da saga e a sua longevidade. Mas, sinceramente, acho que o "cansaço" já obrigava a uma paragem, ou pelo menos, a uma mudança. E foi exactamente isso que aconteceu a seguir. ●○○○○

Neste novo episódio da série cinematográfica de Star Trek V: The Final Frontier, o capitão James T. Kirk e a tripulação da USS Enterprise (já me perdi na versão da nave, porque ela está sempre a ser destruída ou terrivelmente danificada [não me lembro se era a A ou C?!?... não interessa]) confrontam o vulcano renegado Sybok, que por acaso é meio-irmão do Spock, e que está numa demanda para chegar no centro da Via Láctea e assim encontrar Deus. Uaau! Isto já estava a caminhar para cenas assim um pouco para o malucas, para dizer o mínimo. É que lá se vão os conceitos de ficção científica e começam a drogas a bater... Digo eu. Não estou a dizer que eles se metiam em cenas psicadélicas e psicoactivo-coisos, mas que parece, parece... Desta vez, na cadeira de comando (a de realizador, não a da nave que essa já pouco interessava na altura...) estava o protagonista William Shatner, a seguir o exemplo de Leonard Nimoy. Mas Shatner não quis ficar atrás de Nimoy e também desenvolveu a história. Sybok, o vulcano que procura Deus mas acaba por encontrar "apenas" um ser alienígena é representado por Laurence Luckinbill, um actor relativamente desconhecido, o que encaixa perfeitamente bem no papel, pois a personagem também deveria ter ficado no desconhecimento. Não conheço a opinião de Gene Roddenberry sobre esta nova entrega, mas aposto que não deve ter gostado muito da história. Ou se calhar até gostou. Eu não gostei de certeza absoluta. Muito fraco a todos os níveis. ●○○○○

Após voltar à vida, o "novo" Spock junta-se à tripulação da USS Enterprise na viagem de regresso para a Terra. Daí o Star Trek IV: The Voyage Home. Porém, a caminho de casa, encontram uma misteriosa nave alienígena que ameaça destruir o planeta. Quando descobrem que a indestrutível estrutura está a tentar comunicar com as baleias - entretanto extintas - a tripulação percebe que vai ter viajar no tempo, para o passado, e tentar trazê-las para o presente e assim poderem responder ao chamamento da misteriosa sonda. Este foi o último Star Trek que vi "em directo", ou seja, no tempo da estreia. Achei tão ridículo e tão mau que nunca mais vi nenhum Star Trek. Apesar da mensagem claramente ecologista (diga-se, muito à frente do seu tempo), o filme parece tão infantil que não o consegui levar a sério. Para além de ser Spock, Leonard Nimoy realiza e também escreve, dando azo a uma disputa de protagonismo da série com o incontestado líder William Shatner. A restante equipa continua nos seus postos do costume. Catherine Hicks é a cara nova da série e um protótipo perfeito da actriz loira dos anos 80, com tudo o que isso tem de bom e de mau. Um par de anos mais tarde teve a oportunidade de ser a "mãe" do Chucky e... mais nada que me lembre. E já não é nada mau... Há que ser sincero: para 1986, Star Trek IV, apesar de ainda girar em torno de conceitos de ficção científica engraçados - como sempre foi apanágio da série -, está um pouco desfasado no tempo, tanto em termos de construção narrativa, como até em termos técnicos. É a velha cena do "adormecer à sombra do sucesso" e do "...em equipa vencedora não se mexe". Normalmente isso dá cabo dos franchises e foi exactamente isso que aconteceu com a maioria do público.●○○○○


Esta terceira "entrega" de Star Trek: The Search for Spock, dá seguimento directo à historia anterior e a uma trilogia que terminará no Star Trek IV. Depois de descobrir que o espírito de Spock está preso dentro da mente de Leonard McCoy, a intrépida tripulação de Kirk tem de roubar a USS Enterprise para recuperar o corpo de Spock. Pelo caminho terão de enfrentar os irascíveis klingons que querem ficar com a tecnologia de terraformação Genesis, essencial para o regresso à vida de Spock. Como a personagem de Spock estava fora de cena, Leonard Nimoy aproveitou para se sentar na cadeira do realizador. Diga-se que não fez um trabalho espectacular, mas também não destoa dos trabalhos anteriores e até dos posteriores. Christopher Lloyd é o master klingon, mas eu não consigo separá-lo das personagens boas que sempre representou. Por muita make-up e próteses que lhe ponham em cima, para mim, Christopher Lloyd terá sempre um ar natural de "mad scientist". Também por lá andam Miguel Ferrer e Branscombe Richmond, secundários de luxo, omnipresentes desde a década de 80, numa amplitude cinematográfica que vai do duvidoso ao filme de culto. ●●○○○

Após o sucesso do primeiro Star Trek nas salas de cinema, a inevitável sequela: Star Trek II: The Wrath of Khan. Desta vez, James T. Kirk e a sua fiel tripulação da USS Enterprise, enfrentam Khan Noonien Singh, um humano geneticamente modificado que procura vingança, após escapar de um exílio forçado. Pelo meio há um poderoso dispositivo de terraformação chamado Gênesis, que tanto pode ser uma ferramenta de criação como de total destruição. No final chocante, Spock morre. Pronto. Já o disse. Estraguei tudo, não foi? Não há problema, ele depois volta. Isto é ficção científica "pura". Tudo é possível e tudo pode acontecer. Basta imaginar e os efeitos especiais vão logo a seguir... Apesar de ser obviamente posterior, Star Trek II parece ter sido feito anos antes do original. É muito mais fraquito e tem mais ar de série de TV do que filme. Mas isso dá-lhe uma familiaridade que estranhamente não desgostei. Para além da "equipa" do costume (William Shatner, Leonard Nimoy, DeForest Kelley, James Doohan, Walter Koenig, George Takei, Nichelle Nichols), detectei uma muito jovem Kirstie Alley e se alguém ainda não tinha reparado, o "másculo" (na altura, a definição visual de "másculo" era isto...) Khan é representado por Ricardo Montalban. Sim. Esse mesmo, o Roarke da Fantasy Island... ●●○○○


Quando uma franchise de filmes (e séries) tem fãs de todas as idades, espalhados por todo o mundo, uma pessoa sabe que está a lidar com algo sério. Os trekkies (ou trekkers, como gostam de ser chamados) até já tiveram direito a um documentário próprio com direito a sequela e tudo. Por isso, "this is real business". Mas se existem trekkies é porque ao longo de décadas (desde a série original nos anos 60 até aos dias de hoje) existiram toneladas de filmes, séries, spin-offs, livros, BD's e jogos. Estou a falar de 13 filmes e pelo menos 7 séries, sempre com sucesso suficiente para garantir continuidade. É realmente impressionante.
Quero desde já esclarecer que não sou fã, mas vi todos os filmes e diversos episódios das várias séries porque sou fã, isso sim, da ficção científica e reconheço-lhe esse valor e até o impacto na cultura popular. No entanto, para mim, apenas um dos filmes preenche todos os requisitos. Estou a falar do Star Trek: The Motion Picture, um verdadeiro clássico da ficção científica e até do cinema no geral. Spock, James T. Kirk, Dr. McCoy, Uhura, Scott e Sulu voltam aos seus postos na mítica USS Enterprise para tentar interceptar e parar uma gigantesca e extremamente poderosa nave alienígena que se dirige para a Terra, destruindo tudo à sua passagem.
Aos comandos do filme estava um verdadeiro senhor do cinema chamado Robert Wise, um verdadeiro camaleão que realizou pequenitas coisitas como West Side Story, The Haunting, The Sound of Music, só para citar alguns clássicos... Wise é um eclético mestre artesão do cinema e isso nota-se bastante bem. O tom sereno (e lento) do filme, revestido de uma quase "factualidade" científica, juntamente com os espectaculares (ainda hoje) efeitos especiais do grande mestre da "magia" Douglas Trumbull, criaram uma verdadeira obra-prima da ficção que, para mim, é uma das melhores histórias do género que vi até hoje. O argumento é excepcional e V'Ger é talvez uma das melhores criações da ficção científica até à data. Leonard Nimoy, William Shatner, DeForest Kelley, Nichelle Nichols, James Doohan, George Takei e Walter Koenig voltam para os papéis deixados vagos na série e não desiludem. Star Trek: The Motion Picture é um clássico que merece estar na história do cinema. ●●●●●


Quando li que iam fazer uma sequela/remake do Blade Runner, fiquei logo assustado. Pegar num clássico destes, ao fim de décadas a ganhar patine como filme de culto, e fazer uma continuação ou remake é algo que está inevitavelmente destinado ao fracasso. Mas quando percebi que era o Denis Villeneuve a pegar no projecto, admito que fiquei um pouco desconfiado pela positiva. Será?... Será possível fazer uma continuação em condições para um "monstro" destes? Depois de finalmente ver Blade Runner 2049, a resposta foi... não! Claro que não era possível. Há filmes que são tão grandes e importante que não têm sequela ou remake possível. O Blade Runner é claramente um desses monstros intemporais em que não é possível acrescentar nada. Foi portanto, uma desilusão esperada.
Ainda assim, parece o Blade Runner, soa como o Blade Runner mas não é o Blade Runner. Esta nova entrega tem um sabor artificial estranho. Ainda por cima perderam-se na história e nas suas múltiplas histórias secundarias. Uma confusão. Tanto quiseram homenagear o original que ficaram-se por ai...
Mas nem tudo é mau. Blade Runner 2049 tem alguns bons pormenores, tem Edward James Olmos, Jared Leto, Robin Wright, o aspirante Ryan Gosling e eterno e único Blade Runner, Harrison Ford. Muito pouco para apresentar no seguimento de um maiores filmes de culto de todos os tempos. É uma pena. Toda a gente devia ter estado quieta. Prestavam um serviço muito melhor ao filme original. Passa à história apenas como uma peça de substituição de marca branca, mas de boa qualidade... Vê-se bem. ●●○○○

Há coisas que não entendo neste mundo. Uma delas é: porquê fazer um remake de um clássico? Aliás, porquê correr o risco de refazer um clássico? Não sei responder. Tinham a sequela do livro (Banco) para adaptar... Porque é que não pegaram numa história nova? Porquê esta lógica de remexer em coisas que estão tão bem feitas e já cristalizadas na psique do mundo cinematográfico? A sério que não entendo.
Mas vamos lá a ver isto objectivamente. Este novo Papillon (de Michael Noer) está mal feito? Não. É uma mau filme. Nem por isso. O actor principal (Charlie Hunnam) aguente-se bem a fazer de Steve McQueen e Rami Malek fica muito bem a imitar os tiques de Dustin Hoffman.
Nada está mal feito aqui, mas continuo sem perceber a lógica do remake, ainda por cima de um clássico intemporal como este.
Tem pelo menos a vantagem de dar a conhecer a história a um público mais jovem. Continuo sem perceber a lógica, mas ao fim e ao cabo, vê-se bem. ●●○○○

O Papillon (de Franklin J. Schaffner) é um dos filmes da minha vida. Vi-o muito novo e marcou-me profundamente. De certa forma teve o dom de me "educar". Tive situações da minha vida em que já não aguentava mais e lembrava-me do Papillon e conseguia "fazer mais um esforço". Quando tinha vontade de desistir, lembrava-me do Papillon e continuava mais uma vez. Papillon é isto. Uma história épica de perseverança, de capacidades sobre-humanas, de aguentar o impossível, de atingir o inalcançável, de resiliência imparável, de superação absoluta para lá de todas as capacidade físicas e mentais. Tenho uma aversão natural à injustiça. Ver um homem sofrer castigos intermináveis por um crime que não cometeu, causa-me náuseas. Por isso, é que Papillon é para mim um épico inesquecível, que me lembra sempre que não há prisão forte o suficiente para segurar a determinação inabalável de um injustiçado.

Papillon é baseado na história verídica de Henri "Papillon" Charrière, que depois de injustamente condenado por um assalto a um banco, é enviado para uma prisão de alta segurança na colónia penal da Guiana Francesa. Lá, acabaria por sofrer os tratamentos mais desumanos que se podem imaginar. Anos fechado em solitária, muitos deles em escuridão total, fome e torturas constantes. Não admira que o seu único propósito fosse a fuga. Curiosamente, há pouco tempo descobri que tenho o livro mas nunca o li. É uma falha enorme. Espero ter tempo nas férias para o ler com atenção. Pelo que li, percebi que o filme se desvia consideravelmente da história original, assim como a história original do livro se afasta da verdadeira história de Charrière. Depois de ler o livro, já terei uma ideia do desfasamento "dramático", mas isso não vai mudar nada em relação ao que sinto pelo filme.

Se o filme é muito bom e intemporal, deve-o principalmente à realização impecável de Schaffner, mas especialmente ao argumento exemplarmente bem escrito da lenda de Hollywood que foi Dalton Trumbo. Já não se fazem pessoas assim. Já não se escreve com esta qualidade para fazer um filme. Agora tem de ser tudo muito mais imediato, mais atractivo e com mais acção. É uma pena. Mas o que acho que elevou este Papillon a filme de culto foi mesmo a dupla principal de actores, Steve McQueen e Dustin Hoffman. O restante casting é muito bom, mas esta dupla foi um evento único. Hoffman é desde então um dos meus actores favoritos, mas o Steve Mcqueen está num nível ainda superior. Há ali um carisma, um falar sem abrir a boca que é único. É daqueles actores que têm uma força visual tão grande que só aparecem de décadas a décadas na história do cinema. Um dos maiores de sempre e um dos meus preferidos de todos os tempos. Não me canso de o ver. Na minha memória ficou gravado aquele salto do penhasco para oceano e o grito seco no final, enquanto flutuava nos sacos de cocos em direcção à tão esperada liberdade: "Hey you bastards, i'm still here". Estou contigo, Papillon. ●●●●● + ●


Na generalidade as séries de TV entediam-me. São lentas no desenvolvimento e são longas demais. Pior ainda, quando são boas, os produtores não conseguem tirar o "doce aos fãs" e acabam por prolongar artificialmente a coisa para lá do aceitável. Por isso, para mim as séries são para evitar porque, ou não acabam ou não acabam quando e como deveriam.

Apesar de este ser um site/blog de filmes - e de eu praticamente nunca ver séries, pelas razões enumeradas anteriormente - de vez em quando há algo que se destaca pela positiva. Neste caso, Chernobyl, um original da HBO. Como este estaminé acaba também por funcionar como um baú do tempo, achei que era justo mencioná-la aqui. Sendo uma mini-série de 5 episódios (logo, o meu tipo de séries) vi-a como se fosse um filme longo que teve de ser cortado em partes. E tenho de dizer que é dez vezes melhor que a maior parte dos filmes que vi ultimamente. Mesmo muito bom. Uma série muito bem feita e com muita atenção ao pormenor. Oscila perfeitamente bem entre a realidade factual da ciência e a realidade virtual da política. Excelente "tensão no ar" do princípio ao fim. Deixou-me agarrado ao sofá, com as duas mãos, noites a fio. E isso não é fácil. Excelente grupo de actores (Jared Harris, Stellan Skarsgård, Adam Nagaitis, Emily Watson e Jessie Buckley, entre tantos outros [não me lembro de ver sequer uma má interpretação de um secundário...]) e muitíssimo bem dirigidos por Johan Renck, em cima de um guião exemplar de Craig Mazin, os masterminds de toda esta espectacular operação de recriar Chernobyl e o maior e mais grave acidente da Humanidade. Sinceramente, fico à espera que esta dupla se volte a encontrar e apareça aí num estúdio para fazer uma longa metragem, porque fiquei muito bem impressionado. Chernobyl é uma das melhores série de TV que já vi. Totalmente recomendado. ●●●●●

Um pianista de bar aspirante a músico de Jazz (Ryan Gosling) e uma jovem actriz (Emma Stone) à procura da sua oportunidade num cenário doce-amargo de Los Angeles. Acho que posso resumir assim La La Land. Esperei muito tempo para ver este filme. Tinha muitas reservas. Quando sinto muito hype em relação a um filme (ainda por cima, um musical), fico sempre de pé atrás, por eleva demasiado a expectiva e normalmente o resultado é uma enorme decepção. Mas não foi o caso. O hype foi totalmente justificado. Se soubesse que o realizador era o Damien Chazelle tinha-o visto mais cedo, porque até hoje nunca me falhou. É um excelente filme. Daqueles sem mácula. As músicas de Justin Hurwitz são soberbas e ficam imediatamente no ouvido. Passaram quase imediatamente a fazer parte da minha playlist regular, o que não é nada fácil de acontecer. La La Land cheira bem. E cheira a novo. Mas também tem aquele cheiro característico dos antigos filmes musicais, verdadeiros, com o Gene Kelly ou o Fred Astaire. É genuíno, faço-me entender? Gostei muito. La La Land começa bem, desenvolve-se em ritmo de crescendo e termina ainda melhor, com aquele final excepcional, tudo no correcto e idílico tom la-la-land. Quando um filme é assim tão bom, não há muito para dizer. O melhor é mesmo ver, ouvir, apreciar e ponto final. ●●●●●



PS: Para além do excelente filme que é, La La Land venceu inúmeros prémios incluindo uma série de Óscares. No entanto, vai ficar ligado a uma das maiores gaffes de sempre. Na apresentação do prémio para melhor filme, um problema com os envelopes  levou a que Warren Beatty e Faye Dunaway (os eternos Bonnie and Clyde) erradamente entregassem o prémio a La La Land. Os produtores foram como é normal para o palco fazer os seus discursos, quando se instala a confusão. Afinal, o vencedor era o filme Moonlight e não La La Land. Os produtores devolveram o Óscar e lá saíram calmamente pela lateral do palco para dar lugar aos produtores de Moonlight que lá receberam o prémio de melhor filme. Mas a troca dos envelopes e a apresentação errada do vencedor é que acabou por ficar para a história. De toda esta história rocambolesca, a única coisa que me passou pela cabeça foi que Beatty e Dunaway na realidade nunca largaram os papéis de Bonnie e Clyde. E uma vez gangster, para sempre gangster... Gosto de imaginar que foi assim e não uma simples troca de envelopes. Qual é a graça disso?...
Uma mãe em trabalho de parto que perde o marido a caminho do hospital. Um miúdo com problemas de comportamento. Uma mãe solteira e viúva. Um filho rebelde que vê monstros no escuro. Uma mãe que começa a acreditar que os monstros pode ser reais... Esta é senha macabra para entrar no mundo assustador do Babadook, a estreia absoluta de Jennifer Kent como realizadora. E que grande estreia, digo eu. The Babadook é bom filme de terror. Muito bem feito, com muito suspense à mistura e assustador o suficiente para conseguir levantar uns pelos na nuca...
Já fui um consumidor exagerado do género de terror, mas após décadas de slashers foleiros e festivais gore, comecei a enjoar e é muito raro ver um filme de terror. Mais raro ainda, é gostar. O que é o caso. Não tem os clichés do costume e é muito provavelmente um filme de terror que não agrada a adolescentes. Aqui não há jump-scares para assustar; aqui o medo vem das acções estranhas e extremadas dos intervenientes. Muito bem escrito. Muito bem realizado. Excelente ambiência. Boa fotografia. Bom design. Grande tensão. Bons actores. Essie Davis e Noah Wiseman têm uma química enorme e "partem a louça" toda. Recomendo, mesmo para quem não é muito fã do género. Mais um bom exemplo de que se pode fazer um bom filme com muito pouco dinheiro. Tudo muito bem feito. ●●●○○

A Guerra causa-me repulsa, mas ao mesmo tempo atrai-me. Intriga-me todo o desenvolvimento necessário até chegar a um conflito. No caso das Guerras Mundiais, fico pasmado com tudo o que tem de acontecer no passado, para que se chegue a um conflito à escala global. Por causa dos filmes, muito se fala e vê sobre a II Guerra Mundial. Os avanços nas câmaras de filmar, os cineastas que acompanharam in loco o conflito, e mais tarde, o cinema de acção banalizou de tal forma o conceito de guerra, que a II GM ganhou todo o protagonismo quando se fala de um conflito global. Mas para mim, a I Guerra Mundial é não só o ponto mais marcante da História da Guerra, como da História da própria Humanidade. É um momento novo e ao mesmo tempo decisivo na história. Uma mudança completa e imediata de paradigma, que mudou radicalmente o rumo da História, com implicações directas no mundo actual em que vivemos.
A Humanidade e a Guerra parece que sempre co-existiram. O conflito parece ter raízes profundas no próprio ADN humano. Um mundo sem conflitos e sem guerra é quase um conceito distópico. Sempre existiram conflitos e os homens têm-se matado uns aos outros por este ou aquele motivo, desde tempos imemoriais. Milhões de pessoas foram assassinadas da maneira mais cruel, milhões de soldados perderam a vida em milhares de guerras por toda a história do mundo. O que muda então com a I Guerra Mundial? A principal e mais marcante novidade foi a globalização do conflito em si. Mas acrescem pormenores novos como a industrialização da guerra, a transposição do plano de conflito para além da terra, para o mar e até para os céus, a massificação da morte, e mais importante, a normalização da indiferença perante a guerra.
A I Primeira Guerra Mundial mostrou uma nova faceta da maldade humana e não só. A situação desgastante, infernal e desumana das trincheiras e das terras de ninguém que levou a novos píncaros a loucura da guerra. A utilização dos gases venenosos. A indiferença das chefias militares e o desprezo levados a níveis industriais, quando confrontados com o sofrimento dos soldados, traduzido na célebre expressão de carne para canhão. O vazio de emoções, a falta total de empatia, a crueldade e a estupidez humanas levados a novos extremos. O Inferno na Terra.
A guerra que iria acabar com todas as guerras, era tão ilusória que levou o mundo a desintegrar-se, e mergulhou-o anos depois num conflito ainda maior, que não resolvendo nada em definitivo, muito pelo contrário, ainda aprofundou os conflitos anteriores, criou outros novos e mais complexos e, acredito eu, ainda nos levará a um conflito porventura ainda maior que todos os outros anteriores. Tudo estava tão iludido com a magia da nova indústria e do avanço científico que traria um final rápido a qualquer guerra, que ninguém pensou sequer nas consequências do que viria a seguir. Bem, após cem anos de conflitos bélicos por todo o mundo, milhões de mortos militares e civis, divisões profundas entre países e continentes e a recorrente ameaça de erradicação nuclear, o mundo parece estar numa espécie de banho-maria para um futuro mega-conflito planetário. Espero estar enganado, mas infelizmente não me parece que esteja. A ver vamos. Mas adiante.
They Shall Not Grow Old é um documentário sobre a I Guerra Guerra Mundial produzido e realizado por Peter Jackson. O que pode ser uma surpresa para alguns, é que Peter Jackson já tinha feito um outro documentário antes. Forgotten Silver não é bem um documentário, mas antes um documentário falso, encomendado pela TV Neozelandesa, sobre um realizador famoso daquele país que caiu no esquecimento. Tive a sorte de o ver numa edição do Fantasporto (quando o Peter Jackson ainda era o gajo das entranhas, sangue a rodos e muito, muito gore, e não o gajo respeitável do cinema que é hoje...) Apesar de não ter nada a ver com isto, Peter Jackson já tinha os skills necessários para fazer um restauro de uma obra deste género porque já tinha feito o caminho inverso: filmar e envelhecer. Aqui foi pegar nas filmagens originais e restaurá-las. E fez um trabalho técnico absolutamente fabuloso. Já vi muita coisa da I Guerra, mas nada como isto. Foi a primeira vez que tive um vislumbre real do que aconteceu. A cores e com o movimento correcto. Como naquela altura a passagem da bobine de fita era manual e o operador tinha de dar à manivela, a velocidade da imagem saía sempre estranha. Aqui, tudo isso foi corrigido e acrescentado material sonoro para dar mais autenticidade. Apesar de ser uma época tão distante, sei que já nos anos 10 se faziam experiências com cor nos filmes, mas este restauro é outra coisa totalmente diferente. Tecnicamente é absolutamente irrepreensível. Mas como documentário, sinceramente, já vi melhor. Parece-me que o Peter Jackson não se quis alongar nas raízes do próprio conflito e na história complexa (tanto dentro do cenário de guerra e dos seus intervenientes, como nas implicações na vida do cidadão comum fora do conflito directo), mas apenas mostrar como era a vida, sofrimento e morte de um simples soldado inglês nas trincheiras da frente de batalha. Eu entendo isso, mas acaba por ser demasiado redutor. Nesse campo, sinceramente esperava mais, mas tudo bem, entendo... É uma aproximação mais técnica do que propriamente histórica. Por isso mesmo, tenho um feeling que o Peter Jackson ainda vai voltar a este assunto da I Guerra Mundial.
Apesar desta limitação compreensível, They Shall Not Grow Old é um documentário totalmente obrigatório. Primeiro pela questão cinematográfica e técnica (sublime), que é em certa parte, também história do próprio cinema, dos filmes, como eles são feitos e como a parte técnica vai evoluindo ao longo dos tempos. E em segundo, porque é importante não esquecer a história. É um chavão, mas é totalmente verdade. Quem esquece a história, acaba por a repetir, assim como os erros dos passado. No caso de uma guerra com estas proporções e implicações no futuro, isto deveria passar nas escolas. Devia-se mostrar aos miúdos (mas não só, até porque andam por aí muitos adultos com mentalidades de criança...) que um conflito com esta escala de tamanho planetário, crueldade e sofrimento humano nunca pode ser esquecido, mas especialmente, nunca se poderá repetir. ●●●○○

Season of the Witch é um daqueles filmes que me confundiu. Nicolas Cage interpreta o papel de um cruzado que se arrepende do que fez ao serviço da igreja e abandona os Templários... Espera... Isto não é o Outcast?! Onde é que está o moço do Star Wars?!? Não estava a perceber nada... Afinal era outro filme... Mas apesar do começo ser praticamente igual, este filme deriva para o tema da bruxaria, da Idade média e da Peste Negra... E ainda bem. Apesar de não ser um bom filme, acaba por escapar. Tem ali uma desconexão persistente que depois vim a aperceber que era o resultado de extensos re-shoots. Pelo que li, a realização original esteve ao serviço de Dominic Sena, mas como o resultado final não satisfez o estúdio, Brett Ratner foi chamado para refilmar novas cenas e salvar o filme. Curiosamente, tanto um como outro são conhecidos do meio dos vídeo-clips. Quando este tipo de coisas acontecem, há sempre algo que fica no filme que soa a estranho. Não consigo explicar, mas parece que fica para trás uma espécie de incoerência subliminar. É uma coisa minha... Season of the Witch tem aqui e ali um ou outro bom pormenor, mas é monocórdico e previsível. Mas no geral não é insultuoso para o cérebro. Os actores são bons e até são eles que salvam a coisa (Ron Perlman, Claire Foy e um grande senhor chamado Christopher Lee, que apesar de ter props e aparecer apenas em 3 minutos de cenas, tem a personagem mais memorável do filme). Entra por um lado e sai pelo outro, mas vê-se sem chatear. ●○○○○

Depois de ver um filme, o meu cérebro começa automaticamente a elaborar uma crítica. No caso de Vice, o meu cérebro desligou-se. Uma vazio de opinião. Nada. Zip. Nicles. Mentalmente falando, o meu cérebro eclipsou-se. Enquanto pensava no que dizer sobre Vice fui ao IMDB pesquisar e perceber se o filme que tinha acabado de ver era mesmo verdadeiro ou uma alucinação esquisita, e por acaso encontrei esta crítica fantástica: "Porno quality acting, porno quality actresses, porno quality dialog. gigantic plot holes, zero internal logic, ridiculous overuse of automatic weapons, bad science and disrespect for the laws of physics, poor CGI, rotten set design, bad lighting, yada, yada. Oddly enough, the sound, editing and cinematography were professionally acceptable." E é mesmo isto. Resume perfeitamente o que achei sobre o filme. É incrivelmente mau. Uma cópia descarada do Westworld (mais uma história do robot que se torna consciente... [outra vez?!?]) que sempre que esbarra num buraco do argumento, resolve-o com uma cena de acção disparatada (basicamente alguém aparece e desata aos tiros para todo o lado), filmado em cenários de outros filmes e séries de TV, interpretado maioritariamente por actores com capacidades de representação ao nível de um filme porno mediano, e dois actores de renome (Thomas Jane e Bruce Willis [o que é que vocês estão a aqui a fazer, meus?!?]) tão embaraçados por estarem ali que tentam a todo o custo esconder-se das câmaras e interagir o mínimo possível no filme. Isto não é um filme. É... uma "coisa". É que nem consigo articular um insulto de tão mau que é. Não entendo como estas "coisas" conseguem passar por todo o processo de criação e produção e ainda assim chegar ao grande público. Quer dizer, até percebo... Arranja-se uma história da treta, põe-se uns tiroteios jeitosos pelo meio e junta-se-lhe um ou dois nomes conhecidos para dar a cara no trailer. Isto é mais um caso de fraude do que propriamente cinema, mas tudo bem... É deprimente. É raro, mas é um rotundo zero. ○○○○○

Midnight Express é um daqueles dramalhaços que dispensa apresentações. É um potente soco no estômago do princípio ao fim. Baseado na incrível história de Billy Hayes, um jovem americano que nos politicamente instáveis anos 70 é preso no aeroporto de Istambul na posse de drogas e posteriormente condenado a 40 anos de prisão. Se isso já seria mau o suficiente nos dias de hoje, o caso torna-se ainda mais dramático se se considerar uma prisão turca nos 70's. Ou pelo menos, a prisão do filme, porque nos anos seguintes e até aos dias de hoje, toda a gente envolvida no filme tem vindo constantemente a público desculpar-se pela horrenda imagem que fizeram passar dos turcos e do seu sistema penal e prisional. De facto, há que admitir, que parece que uma pessoa está ver mais uma prisão medieval do que uma prisão nos anos 70. Sinceramente, é-me igual. Nunca iria colar um rótulo tão negativo a uma nação inteira só porque vi um filme que exagera nos acontecimentos e no drama. É um filme, certo? Não é a realidade. Quando bem feito, produz as mesmas emoções que a realidade, mas ainda assim, não é a realidade. Mas essa "realidade" encenada de emoções é que distingue os maus dos bons filmes. E se há coisa que Midnight Express faz muito bem, é despertar emoções. Angústia, raiva, tristeza, revolta, sacrifício... Não são propriamente boas coisas que saem deste filme, mas... é a vida.
Ver a loucura a apoderar-se de um gajo e depois vê-lo a ressurgir dos seus próprios escombros é absolutamente espantoso. Um tour-de-force inesquecível de Brad Davis. O filme é tenso e imensamente dramático. Mas só pelo interpretação soberba de Davis levava um "5" garantido... Seguramente uma das melhores interpretações que já vi. Mas curiosamente, Davis nem sequer foi nomeado para um Óscar. E porquê? Ninguém sabe... Politiquices internas, uma personalidade extravagante e/ou jogos de bastidores, suspeito eu... Mas não posso confirmar nada, por isso mantenho-me na ignorância. Para além de Davis e da sua brilhante performance, também há pessoal de "peso", como Paolo Bonacelli, Paul L. Smith e John Hurt, mas o restante casting não lhe fica atrás. Nada falha neste filme. A música de Giorgio Moroder é sublime e o guião de Oliver Stone, idem aspas. Os dois receberam Óscares como prémio. Mas para mim, o melhor prémio é mesmo poder ver um excelente filme como o Midnight Express. E depois... Alan Parker. Ai Alan Parker, Alan Parker, que saudades eu tenho de realizadores como tu. Um verdadeiro mestre. Um artesão emocional de filmes. O cinema no seu melhor e um dos meus filmes preferidos. Midnight Express é um clássico intemporal e verdadeiramente um filme de culto. ●●●●●



P.S. Não consegui resistir e resolvi dar uma vista de olhos nos comentários de pessoal anónimo e não profissional como eu. Tanto a opinião do crítico de renome como o do vulgar "toino" como eu, tem o mesmo efeito: zero. Lá porque muita gente acha que este filme é uma obra prima ou uma cagada em três actos, para mim é totalmente indiferente. Na realidade, é mesmo isso que acontece. A crítica é extremamente polarizada. Tanto é considerado uma obra-prima, como é uma nociva propaganda racista. No entanto, esta polarização simplesmente não muda a minha opinião. Mas choca-me o facto de ver tanta gente a criticar o filme como sendo uma obra de propaganda anti-islão, ou anti-turca, ou anti-outra coisa qualquer. Deixa-me a pensar. Já estamos assim tão embrenhados no nauseabundo politicamente correcto que não se pode dramatizar, sem cair no exagero de ter sempre uma etiqueta de racista para ser colado em tudo e todos? É que isto assim está a tornar-se perigoso. Qualquer dia eu não posso ver um filme da Leni Riefenstahl - nem que seja só para ver os aspectos técnicos e cinematográficos - sem ser considerado um apologista do nazismo! Ou alguém vai-me acusar de estar fazer propaganda nazi, se eu comentar aqui o filme? Vamos também começar a destruir "carochas" porque foram idealizados por esse regime? Se calhar estou a exagerar nas extrapolações, se calhar não, até porque há uma importante questão em volta deste tema: e se a história de Billy Hayes fosse 100% verídica? Toda a gente ia marchar pelas ruas a pedir o castigo de uma nação que existiu há 30 ou 40 anos atrás? E já agora, vai-se continuar a martelar nos soviéticos da era da Guerra Fria? Nos regimes opressivos pré-civilização moderna? Vamos banir todos os antigos westerns pela forma como retratavam os índios, os verdadeiros americanos? Vamos destruir cópias do Jaws porque fez milhões de pessoas odiarem os tubarões? Aonde é que isto pára?... Mas para mim, começa a ser chocante o facto de tudo ter de ser apolítico, assexuado e sem contornos definidos porque senão ofende sempre alguém e não se pode fazer nem dizer nada.
Já me começa a chatear. Isto é só um filme que, do meu ponto de vista, tenta enfatizar e dramatizar ao máximo o inferno que é estar preso no estrangeiro, no meio de uma cultura e de uma língua diferente e rodeado de tudo o que é estranho. Não é sobre a Turquia, nem sobre a cultura turca, nem sobre as suas pessoas. Não é mais que isto. Acho que o pessoal anda a levar tudo demasiado a sério. E não digo mais nada, porque já me estou a chatear a mim próprio com este assunto...
Five Foot Two é um documentário em torno da figura excêntrica da Lady Gaga. Vê-se bem e permite entrar no mundo da actual diva da pop, mas que se nota que está tão cansada de o ser que tenta ser outra coisa diferente... como uma simples autora e cantora. Vale pela intimidade e por se ficar a conhecer a pessoa para lá do fogo-de-artifício, das vestimentas extravagantes e das lantejoulas explosivas. Pode ser uma surpresa para muitos, mas Lady Gaga é uma moça que gosto. Para lá dos vestidos de bife e das coreografias MTV, tem um lado estranhamente rock/punk (faz-me lembrar os antigos performers polémicos e os glam rockers) que não é totalmente descartável. Tem ali um crazy eye qualquer que me atrai... É estranho. Para um gajo do rock/industrial/punk e das guitarradas intermináveis como eu, isto é algo que não consigo explicar muito bem.  
O que sinto em relação aos filmes é muito parecido com o que sinto em relação à música. O hitzinho de verão, feito à medida para se ouvir bem em esplanadas ao final do dia, não entram nesta cabeça. A música romântica destinada a todos aqueles que tiveram um recente desgosto de amor, ou o grande musicol techno/DJ do momento... não...não... isso aqui não cola. Mesmo.
E apesar de ter uma aversão natural ao pop (porque normalmente é tratado como um produto de consumo e é usualmente algo falso, concebido em laboratório para satisfazer o cliente final, como quem afina o picante das batatas fritas com sabor a churrasco texano...), não desdenho imediatamente a música que vem daí. Grandes temas, muitos intemporais, são puro pop e eu "consumo-os" como toda a gente. Mas não porque têm um ritmo dançável, são divertidos ou porque toda a gente ouve e dá incessantemente na rádio. Ouço sim, porque são fixes, são boas boas músicas e porque ficam no tempo. Tento sempre seleccionar as que me parecem totalmente "verdadeiras". No caso da Lady Gaga, sempre me pareceu que por baixo daquela sonoridade liminarmente pop, havia música verdadeira. Em certa parte, este documentário vem confirmar a minha suspeita. Por exemplo, há por lá uma versão acústica do mega-hit "Bad Romance" que é totalmente o oposto da versão pop dançável. Se aquela tivesse sido a versão original, seguramente não tinha tido a projeção e divulgação que teve... Dá que pensar.
Five Foot Two incide num período em que Lady Gaga lança um novo álbum - diferente do habitual, com muita sonoridade country e uma atitude mais adulta - e simultaneamente prepara o show no intervalo no Super Bowl, que na América é o Santo Graal da performance em palco.
O documentário de Chris Moukarbel está bem engendrado mas não é nada de especial, porque não tem muito conteúdo. É um filme feito à medida. Para lá do lado pessoal, pareceu-me mais um grito de revolta do que outra coisa. É quase um documento do culminar de carreira como entertainer para teenagers e a tentativa de dar o salto para um público adulto. Sinceramente, acho que está a conseguir, até porque já ganhou prémios com músicas "normais" e porque deu o salto para o cinema com bons resultados na crítica. (ainda me falta ver o filme...) As composições são boas (mesmo as mais pop) e a moça até canta bem. Só falta mesmo assumir o nome Stefani Germanotta para se libertar de vez do antigo ícone pop, mas acho que o nome é tão valioso que isso nunca vai acontecer. Mas quem sabe? ●●○○○

Tal como me acontece muitas vezes, estava eu a fazer "zlooping" quando tropeço num filme de animação que tinha esteticamente algo que me lembrou "Monty Phyton", "Yellow Submarine" e coisas do género assim meio surrealistas e/ou psicadélicas. Não sabia o nome do filme nem do que se tratava, mas imediatamente pus a gravar para ver mais tarde. O filme em questão chamava-se The Congress e estranhamente, de início, nem sequer era em animação. Suscitou-me algumas dúvidas se tinha posto a gravar o filme correcto, até porque não estava a perceber a ligação do título com o que estava a ver: uma actriz nos seus 40 e tal anos (uma versão(?) diferente da verdadeira Robin Wright) está com problemas de carreira e a ser criticada pelo seu agente (Harvey Keitel) por não dar o próximo passo que é basicamente ceder eternamente os direitos de imagem para o estúdio poder digitalizá-la completamente e usar dali em diante apenas a sua versão digital. Para isso poder acontecer, ela nunca mais poderia aparecer em palco. É uma decisão difícil para a actriz, mas na realidade, apesar da premissa interessante do filme, eu só pensava onde é que entraria a parte da animação e continuava  sem perceber a lógica do título. Após uma hora (l-e-n-t-a) de filme, finalmente fez-se luz. E o que me parecia ser o início de um excelente filme, lentamente começou a complicar-se e a descambar negativamente. Afinal, a parte de animação é outra coisa completamente diferente e baseada no livro "The Futurological Congress" de Stanislaw Lem. Daí o título. Mas aqui é que começam os problemas.
Acho que Ari Folman foi ambicioso demais. Para além de pegar em temas complexos como o de avatares, identidade e realidades alternativas, ainda quis misturar a questão tecnológica - que está a esmagar a parte humana do cinema, mas não só - e, por tabela, mostrar a sua visão quase neo-fascista dos modernos estúdios de cinema, que ignoram pontos de vista éticos e morais e não olham a meios para conseguir os seus fabulosos lucros, na realidade, o único propósito daquela indústria. Acho que as duas ideias (em separado) são muito boas. Mas também achei que o mix das duas foi muito mal feito. Faz todo o sentido equiparar as duas situações porque na base o conceito é o mesmo: mostrar que as pessoas preferem ignorar a realidade-realidade (mesmo que ela continue a existir como extremamente negra, degradante e destrutiva) e viver numa outra realidade-virtual em que tudo é cor-de-rosa, divertido, positivo e libertário, nem que para isso tenham de abdicar de tudo o que as faz ser realmente humanas. Os dois conceitos são profundos, extremamente distópicos e dão que pensar, porque em certa parte, mesmo hoje em dia, há indícios que isso começa a acontecer, e mais grave ainda, pode mesmo acontecer tal como estas histórias distópicas.
Mas para além dos conceitos - que me dariam horas de divagação - há o filme. E para mim, o filme não funcionou. A mistura dos dois temas foi mal feita, talvez por serem tão complexas e abrangentes, e por tabela as ligações ficaram um pouco desconexas. Para além disso, o ritmo do filme é demasiado lento para o meu gosto, apesar de eu perceber que é propositado e que neste caso está implícito os efeitos da sedação, do "deixar-se ir", do "i don't give a fuck. I prefer the other side, anyway." Percebo, mas não gosto.
O melhor deste The Congress é mesmo a técnica de animação (já tinha saudade de ver coisas não polidas em 3D), mas principalmente os actores (Robin Wright, Harvey Keitel, Danny Huston [brilhante actor e constantemente relegado para papéis secundários, porque tem mais de 16 anos, portanto está praticamente "morto" para o cinema, tal como a lógica do filme...], Paul Giamatti e a voz de Jon Hamm. Comecei muito empolgado pela temática, mas confesso que acabei bastante desiludido com o resultado final. Apesar de tudo, é algo que recomendaria uma visão atenta. ●●●○○

Game of Thrones: The Last Watch é um documentário que incide essencialmente sobre a última temporada da série Game of Thrones, que diga-se, poderia facilmente ser uma das melhores de sempre, não fosse aquela última temporada apressada e anedótica. Infelizmente a disneyficação dos argumentos deu nisto... E, não sei porquê, mas aposto que o pessoal mais técnico (argumentistas, realizadores e afins) que trabalhou na série, não tarda nada vai aparecer por aí ligado a um qualquer mega-hit da Disney. É um feeling que tenho... Adiante.
Como documentário, The Last Watch é algo que se vê e facilmente se esquece. Se ainda estivéssemos no mundo dos DVDs, isto seria um daqueles extras no segundo CD que nunca ninguém punha a rodar. Acaba por ser medianamente bom, apenas porque dá uma visão atrás das câmaras que pessoalmente gosto sempre de ver. Tirando isso, nada de novo. É apenas um paliativo para aqueles fãs mesmo viciados em Game of Thrones e que após o final da série começaram imediatamente a entrar na fase da ressaca. Mas não vale a pena entrar em loucuras. Vivemos no séculos XXI e presos num aparente eterno loop de sucessos por isso acredito que uma nova série (ou como se chamam agora, um spin-off) deve estar por aí a bater, e garantidamente com imenso sucesso. Mas o que fica é isto: depois do final atabalhoado e sem nexo que engendraram para tentar apanhar as pontas soltas deixadas nas temporadas anteriores, este documentário seria uma oportunidade de ouro para fechar impecavelmente a série. Mas nem isso aconteceu. Foi verdadeiramente um final inglório - e vou-me repetir - para uma das melhores séries de sempre. É mesmo triste estragar assim uma coisa.
Depois de estar 2 horas a ver todo o elenco e toda a equipa de produção a queixar-se do quão difícil, complicado e duro era fazer a série, a lamentarem-se do frio, das viagens, da logística e mais não sei o quê, a sensação com que fiquei é que este documentário é quase um pedido de desculpas dissimulado por terem feito aquele final de temporada merdoso e que assassinou anos de esforço para criarem aquela que - digo-o novamente - facilmente poderia ter sido uma das melhores séries de sempre. Fiquei tão desgostoso que considero quase um crime o que fizeram. Uma pena. ●○○○○

 
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