0171 Jaws


 
Há filmes de tal forma especiais que acabam por se tornar icónicos. Jaws é um deles. Nem vale a pena alongar-me muito. Já foi tudo dito. Quem nunca viu o Jaws? Quem não conhece o poster? Quem é que não conhece "aquela" música do John Williams? Exacto.
Jaws é um filme muito especial por várias razões. É um dos primeiros filmes (quase uma estreia) de Steven Spielberg, um dos meus realizadores favoritos de sempre. (Meu, e de muita gente). Depois, Jaws, praticamente inventou o conceito de blockbuster de Verão, mudando a própria história do cinema. (ironicamente, há pouco tempo, li um artigo com uma entrevista ao Spielberg em que ele dizia que os blockbusters acabarão por ditar o fim do cinema actual)
Por fim, Jaws é especial porque é um daqueles filmes de nota 6. O tempo não os afecta. Quem viu o filme em 1975 saiu tão afectado do cinema como uma pessoa que o veja hoje. Mesmo passado tanto tempo, tudo é actual. Os efeitos especiais continuam impressionantemente realistas, mas especialmente porque o medo é intemporal, principalmente o medo do desconhecido...
Pessoalmente, Jaws foi um trauma. Vi-o muito novo e estive muito tempo sem passar da borda da água no mar com medo que um tubarão aparecesse e me comesse um pé. Mas é isso que uma pessoa espera de um grande filme de terror, não é? Qual é o interesse de ver filmes de terror e sair a rir de uma sala de cinema? Spielberg fez uma jogada de mestre ao esconder o "monstro". O grande tubarão branco não aparece na maior parte do tempo. É o método mais infalível para meter medo. É não ver o perigo, mas saber que ele existe. Mesmo hoje, se estou a nadar mais longe da praia e algo me toca debaixo de água, a primeira coisa que me vem à cabeça é... Tubarão!
Jaws não tem uma história do "outro mundo". É totalmente linear mas sem falhas. É mesmo "só" um tubarão a atacar veraneantes. (Se o Peter Benchley lê isto dá-me uma sova). A forma como é contada é que está espectacular. Tem qualquer coisa de Moby Dick. É simples, mas tem algo de clássico ao mesmo tempo. Como se costuma dizer, a simplicidade é a derradeira sofisticação. Pensando bem, Jaws resume-se mesmo assim: simples mas sofisticado. Deve ser por isso que não passa de moda.
Também ajuda ter actores muito bons. Roy Scheider, Robert Shaw e Richard Dreyfuss estão exemplares e são todos tão antagónicos que isso reflecte-se nas próprias personagens.
A conversa entre os três, numa noite calma, dentro barco que por acaso de chama Orca (as orcas atacam os tubarões), apesar de simples é excelente. É tão calma que uma pessoa instintivamente sente que algo de grave vai acontecer. Jaws está repleto destes pormenores de classe. Como por exemplo a morte de Quint que é das mais violentas que já vi no ecrã. O homem está literalmente a ser comido por um tubarão. E está espectacularmente bem feito. Como tudo resto. Para mim, Jaws é um dos melhores filmes de sempre. É o protótipo do filme perfeito. ●●●●● + ●

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