Depois dos filmes baseados em livros de sucesso, tinham de aparecer os filmes baseados em jogos de grande sucesso. Resident Evil é sem dúvida um desses jogos e tem uma gigantesca legião de fãs. Era inevitável o filme... Eu até sou um grande fã de jogos, mas nunca gostei muito do Resident Evil. Mas o que importa aqui são os filmes. Uma série de filmes quase infindável: Resident Evil, Resident Evil: Apocalypse, Resident Evil: Extinction, Resident Evil: Afterlife e Resident Evil: Retribution. Se visse tudo de seguida, de certeza que tinha um aneurisma...
Enquanto der lucro na bilheteira, continuarão a chegar às salas de cinema mais Resident Evil's. E como parece que são grandes sucessos na venda de bilhetes...
Tirando o primeiro filme, que ganha qualquer coisita porque vive do efeito novidade, os restantes filmes são sempre iguais: grandes cenas de porrada, efeitos digitais marados, zombies, mutantes, zombies mutantes, mutantes zombies e a Milla Jovovich. (por vezes, também aparece a Michelle Fast n'Furious Rodriguez e o Iain Game of Thrones Glen) Como o argumento se apoia na luta contra zombies, cenas esquisitas biotecnologicamente manipuladas e uma pérfida Inteligência Artificial, tudo criações secretas de uma (mais uma) malvada mega-corporação global que domina tudo e todos (onde é que já vi isto?), o manancial de sequelas é praticamente infinito. E se a Umbrella Corporation desenvolver uma máquina do tempo e fizer sucessivos reboots à série de filmes, então o número de sequelas é mesmo infinito. Aliás, já deve estar mais uma no "forno"... E desta vez, para ser diferente (até porque já passou de moda) não é em 3D: é em 4D. E a sequela seguinte vai ser com "aromas"... (como é que chamarão a essa "nova" tecnologia? AromaScope? ScentCinema? Smell-O-Rama?...)
Quem se safou bem com toda esta situação foi Paul W. Anderson, que pode estar sempre a fazer o mesmo filme e ganhar uma carrada de pasta... A vida nos grandes estúdios de cinema é mesmo assim. Anderson esteve de descanso em dois filmes da série e "passou a pasta" ao novato Alexander Witt e ao "velhote" Russell Mulcahy.
Para terminar, fica a pergunta no ar. Será mesmo possível distinguir uns filmes dos outros só pelo trailer? Eu não consigo... ●○○○○
Seven é um filme excelente. Não consigo ser mais sintético. É um dos melhores policiais que já vi envolvendo o tema sempre magnético dos serial killers. Desde o genérico inicial até aos créditos finais, nota-se que cada cena foi pensada e executada ao pormenor. Seven é o filme que todos os realizadores gostariam de ter feito: é simples mas ao mesmo tempo é complexo. Tem um aspecto decadente, mas também é esteticamente belo. É um drama. Um policial negro. Um filme de suspense que também está repleto de acção.
Tecnicamente é irrepreensível. Tem a música de Howard Shore que é sempre óptima e dá uma ambiência decadente e quase mística ao filme. Mas não é só a música. Tudo está primoroso em Seven: o som, a iluminação, a montagem... Tudo perfeitamente consistente. O facto de David Fincher ser um gajo dos telediscos poderia ter destruído o filme. A anterior experiência de realização tinha sido um fracasso relativo (Alien3), mas foi mais por culpa da estrutura do próprio filme do que do Fincher. (E já agora, o Alien3 só não é o melhor de todos os Alien, porque existe um Aliens do Jim Cameron...). David Fincher surpreendeu-me imenso e tornou-se imediatamente num dos meus realizadores de eleição, precisamente por ter pegado em toda a experiência visual dos telediscos e ter transformado um policial que poderia ser banal numa quase obra prima. Mas a palavra-chave aqui não é visual. É consistência. Tudo está perfeitamente unido. É um puzzle gigante em que no final todas as peças soltas encaixam na perfeição. Lembro-me perfeitamente do detective Somerset dizer algures no meio do filme que a história não ia acabar bem...
Em termos de argumento, Seven é como um relógio suíço. É uma obra de precisão meticulosamente manufacturada em que o autor está atento ao mais ínfimo pormenor. E ainda por cima está repleto de considerações acutilantes ao funcionamento da sociedade actual, que uma pessoa sabe que são verdadeiras, mas não tem coragem de as afirmar. Sendo que a base do argumento são os 7 pecados capitais, não dar uma "tacadas moralistas", seria perder uma oportunidade de ouro, não é verdade?
Nos papéis principais, estão dois excelente actores no "pico de forma" que são tão diferentes e antagónicos que só podiam funcionar bem juntos: Morgan Freeman e Brad Pitt. Gwyneth Paltrow num papel mais secundário do que habitual como a super fragilizada mulher de Pitt está perfeita, mas quem rouba o show é sem dúvida Kevin Spacey (John Doe é sem dúvida um dos melhores serial killers da história do cinema) que apesar de só aparecer durante poucos minutos consegue ter tanto impacto no filme quando os outros actores. Muito bom.
Seven é daqueles filmes que não preciso de rever, se bem que o faço sempre que dá na TV. Não consigo resistir. Vi-o no cinema na altura da estreia. . Não sabia ao que ia. Tinha gostado imenso do filme de estreia do Fincher e fiquei curioso para ver o que iria apresentar. Logo no aspecto inicial dos créditos percebi que ia ver algo especial. Quando comecei a ouvir e a musica era NIN eu soube que vinha aí algo de único. E não me enganei-me. Mais: suplantou todas as minhas expectativas. Levei uma autêntica "pancada" na cabeça. E foi espectacular. Saí da sala de cinema e só me apetecia voltar e rever o filme... Tem cenas tão brutais, únicas e inesperadas que ficam gravadas na memória. Não é preciso lembrar ninguém do salto que deram na cadeira quando o Victor (um esquelético, mas "verdadeiro" Michael Reid MacKay) repentinamente se começa mexer naquela cama suja, pois não? Ou daquela caixa no final...
Mas como todos os filmes que são excelentes, Seven tinha de ter o final perfeito. Para mim, tem um dos melhores finais que já vi. É difícil rematar bem uma história, principalmente quando ela se vai desenvolvendo em crescendo: é preciso um daqueles finais bombásticos. Seven cumpre totalmente. Tem o remate perfeito. Seven é um daqueles raros filmes que uma pessoa tem mesmo de ver. ●●●●●
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Pequena coleção de filmes medianamente jeitosos dentro da temática utópicos. Ou melhor, fazem parte daquela categoria muito boa que começa por: what if...?
E se por acidente alguém encontrasse dragões (dos "verdadeiros") e os despertasse, o que aconteceria ao mundo? A resposta está em Reign of Fire. O melhor vem do trio de actores (Christian Bale, Matthew McConaughey e Izabella Scorupco) e do uso q.b. de efeitos especiais. O pior é a total previsibilidade do argumento. É daquelas histórias sempre em frente. É um filme fixe com dragões (o que não é fácil de encontrar), mas não tem nada de novo. ●●○○○
E se por acaso, inexplicavelmente, todas as mulheres ficassem inférteis? O que aconteceria ao mundo? Uma resposta parece ser Children of Men de Alfonso Cuarón. Sem dúvida, o melhor desta tripla de filmes. Bem engendrado, bem interpretado (Michael Caine, Clive Owen e Julianne Moore) e com muito bom andamento. Se o filme não é melhor, é talvez porque é um filme em decrescendo: começa a abrir, promete imenso com uma premissa verdadeiramente original, mas facilmente se percebe que vai perdendo gás. Precisava de um bocado mais de temperos e passava logo para outro nível. ●●●○○
Por fim, e se se inventasse uma persona robótica que fizesse de substituto social de cada pessoa? O que aconteceria? Aparentemente, em Surrogates (com Bruce Willis e Rosamund Pike), o crime desaparece e tudo fica perfeito. Até que por fim o crime volta novamente... Este é o mais fraco destes filmes. É feito de propósito para ter o máximo de cenas de acção possíveis e usar as potencialidades dos efeitos digitais sem ligar grande importância à história. É um frankenstein: uma mistura retalhada de I, Robot com outros filmes futuristas. Filme para domingo à tarde... se não estiver a dar mais nada de jeito. ●○○○○
E se por acidente alguém encontrasse dragões (dos "verdadeiros") e os despertasse, o que aconteceria ao mundo? A resposta está em Reign of Fire. O melhor vem do trio de actores (Christian Bale, Matthew McConaughey e Izabella Scorupco) e do uso q.b. de efeitos especiais. O pior é a total previsibilidade do argumento. É daquelas histórias sempre em frente. É um filme fixe com dragões (o que não é fácil de encontrar), mas não tem nada de novo. ●●○○○
E se por acaso, inexplicavelmente, todas as mulheres ficassem inférteis? O que aconteceria ao mundo? Uma resposta parece ser Children of Men de Alfonso Cuarón. Sem dúvida, o melhor desta tripla de filmes. Bem engendrado, bem interpretado (Michael Caine, Clive Owen e Julianne Moore) e com muito bom andamento. Se o filme não é melhor, é talvez porque é um filme em decrescendo: começa a abrir, promete imenso com uma premissa verdadeiramente original, mas facilmente se percebe que vai perdendo gás. Precisava de um bocado mais de temperos e passava logo para outro nível. ●●●○○
Por fim, e se se inventasse uma persona robótica que fizesse de substituto social de cada pessoa? O que aconteceria? Aparentemente, em Surrogates (com Bruce Willis e Rosamund Pike), o crime desaparece e tudo fica perfeito. Até que por fim o crime volta novamente... Este é o mais fraco destes filmes. É feito de propósito para ter o máximo de cenas de acção possíveis e usar as potencialidades dos efeitos digitais sem ligar grande importância à história. É um frankenstein: uma mistura retalhada de I, Robot com outros filmes futuristas. Filme para domingo à tarde... se não estiver a dar mais nada de jeito. ●○○○○
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Rush Hour, Rush Hour 2 e Rush Hour 3 são filmes que podem ser resumidos em quatro palavras: Jackie Chan, Chris Tucker, pancadaria-em-estilo-artes-marciais-mais-ou-menos-engraçadas-e-pouco-violentas-para-os-filmes-poderem-ser-classificados-como-filmes-de-família e bloopers (verdadeiramente cómicos) nos créditos finais. É isto. ●○○○○
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Sabia que este filme era um remake de um filme sueco de grande sucesso, baseado numa trilogia de livros também de grande sucesso. (Tanto sucesso junto põe-me logo de pé atrás) Mas depois quando vi que era realizado pelo David Fincher e como não costuma falhar, fiquei logo mais sossegado. Infelizmente, The Girl with the Dragon Tattoo foi mais uma decepção. Não é que o filme seja mau, eu é que pelos vistos tenho expectactivas muito elevadas quando vejo o nome dos realizadores. Desde o início da carreira que Fincher me enche totalmente as medidas. Mas também é verdade que após alguns filmes e mais recentemente, a coisa tem vindo a descambar... Estranhei imediatamente quando vi aquele genérico "maluco" plastificado com música de Led Zeppelin/Trent Reznor. Eu até gosto bastante de Led Zeppelin e de NIN, mas... o que é aquilo? O que é aquele genérico tem que ver com o resto do filme? Não percebi...
A história bem construída, dividida entre o policial negro e o thriller é pouco usual para o "standard americano" recente e por isso é muito fixe. OJames Bond Daniel Craig está ok, assim como a Rooney Mara, o Christopher Plummer, o Stellan Skarsgård e o restante pessoal. Mas tudo isto se eclipsou na minha cabeça... É que continuo a questionar-me: onde é que está o antigo David Fincher? ●●○○○
A história bem construída, dividida entre o policial negro e o thriller é pouco usual para o "standard americano" recente e por isso é muito fixe. O
Uma das grandes vantagens de ser "crítico amador" é poder ser totalmente imparcial. Para explicar melhor este raciocínio existe... Cobra (o acrescento da tradução portuguesa "O braço forte da lei" ainda dá mais ao brilho ao título). Qualquer "crítico profissional" despreza o Cobra. É "obrigado" a fazê-lo. É um filme que tem todos os clichés possíveis e imaginários, que rouba mais ideias do que inspira e que tem prestações de actores que chegam a ser confrangedoras. Tirando isso, Cobra é um filme excelente.
Para já, faz parte do meu imaginário. Quando era miúdo adorava o Sylvester Stallone (e o Schwarzenegger também [aliás, qualquer gajo que desse porrada nos "maus" e tivesse alguma massa muscular relevante]). Mas especialmente adorava o Cobra e o seu estilo tipo "lobo solitário" justiceiro. Não sendo um feito de que me orgulhe muito, vi este filme até à exaustão. Não conseguia deixar de ver. Tinha algo magnético que não conseguia explicar. Ainda há pouco tempo apanhei-o aí num canal de cabo e não resisti... vi-o outra vez.
Cobra é um filme que está mal rotulado. Teoricamente é um filme de acção em que o protagonista é um detective durão que faz os "trabalhos sujos" que ninguém quer fazer. Mas está errado. Este é um filme de acção em que o protagonista é um super-herói chamado Cobra que por acaso tem como disfarce fazer de detective durão. Ele não se chama Cobra, esse é o "nome de código", tipo Batman. O verdadeiro nome é Marion Cobretti, tipo Bruce Wayne... A diferença é que Cobra não aparece quando vê um sinal luminoso nos céus, mas quando ouve o grito dos inocentes na rua... Vá lá, quem é que usa aqueles óculos à "police", t-shirt preta super-justa e um palito no canto da boca? Só mesmo uma personagem tipo super-herói! O Cobra até tem uma arma personalizada, já para não falar do carrão kitado com nitro e uma matrícula personalizada... "AWSOM50"! O homem vive sozinho no seu covil, perto de pulhas (gosto desta palavra: pulhas) sul-americanos o que é bastante conveniente para mostrar como ele está tão "dentro do sistema" como perto da marginalidade. Brilhante. O homem até corta piza aquecida no microondas com
uma tesoura...
Só havia uma pessoa que podia interpretar correctamente a personagem de Cobra: Sylvester Stallone. Nunca ninguém vai conseguir imitar aqueles trejeitos todos do Stallone. É simplesmente impossível porque Cobra é um gajo que fala pouco. É daqueles gajos que quando abre a boca só diz punch-lines: "You're a disease; and I'm the cure", "You know that's bad for your health? Me!", "This is where the law stops and I start - sucker!", "I don't deal with psychos. I put 'em away.". Tudo isto só tem algum sentido se for sussurrado pelo canto da boca à Stallone. E só Stallone consegue efectivamente fazer isso.
Cobra tem mais elementos do filme de super-herói do que do filme de detective. O mauzão é o mauzão logo à primeira imagem. O vilão é um gajo com tão mau aspecto, que uma pessoa só precisa de ver a cara para perceber. E é verdade. O actor que faz de mau (um excelente Brian Thompson), mais parece uma máscara maléfica que outra coisa. Mete respeito e mete muito medo. Se me cruzasse com ele na rua à noite, mudava de passeio sem pensar uma única vez. Mais gritante ainda é a personagem memorável de Brigitte Nielsen (quando uma pessoa a vê a tentar representar nunca mais se esquece): é a típica Lois Lane, sempre em apuros, sempre a ser salva pelo "super-homem". E o Cobra é de facto um "super-homem"! Luta pela justiça e é imune a socos, navalhadas, explosões e rajadas de balas. Aparentemente não pode ser morto com armas humanas. E é por causa disto tudo que gosto de Cobra: é tão mau que acaba por ser bom.
Mas há mais. Cobra ainda é um filme "inocente". Os transeuntes são "inocentes". Os actores secundários são "inocentes". É inocente até na violência que mostra. Tem uma das mortes mais violentas que já vi no cinema "normal" e mesmo assim a cena é tratada como se nada de anormal se tratasse.
Passando para outro plano completamente diferente. Já ouvi muita gente a dizer: "Ah! Os anos 80! Foi uma época do caraças e mais não sei o quê...". Se alguém quer conhecer melhor o que foram os anos 80 não vejam documentários do National Geografic: vejam o Cobra que é muito mais completo. Tem tudo: os cabelos, as roupas, os tiques, o look, as cores, os néons, a maneira de viver, a tecnologia estranha...
Cobra é um esquema completo do que foram os anos 80. Até no próprio cinema. George P. Cosmatos conseguiu resumir tudo num só filme. Está tudo aqui: a forma como eram filmadas as perseguições, as lutas, o tratamento da cor e do som, a forma de montagem, a construção das personagens, os estereótipos bons e maus, o andamento da narrativa, o culminar da história e até os próprios posters e trailers... Está tudo aqui. Não é de estranhar que Nicolas Winding Refn tenha vindo buscar tanta inspiração para o Drive... (aquele palito não engana ninguém)
Cobra, mais que um grande filme, é um caso de estudo. Como se costuma dizer na crítica profissional: "Imperdível!" "Dois polegares para cima!" ●●●●○
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Apesar de já ter visto muitos filmes de zombies nunca fui grande fã, por isso vou ser rápido: Maggie foi uma desilusão esperada. Hoje em dia, com a febre por zombies (apesar de ninguém lhes chamar zombies, mas sim walkers, zekes, etc..) que por aí anda, é difícil ser surpreendido. Quando vejo que vai sair (mais) um filme de mortos-vivos, sei logo que vou ficar desapontado. São sempre iguais: há zombies e pessoas a fugir dos zombies, mas no final, o pior de tudo são mesmo as pessoas... é sempre igual. Mas desta vez era zombies e Arnold Schwarzenegger na mesma frase. Pensei logo: ou seria uma surpresa boa ou seria uma surpresa "tipo Avillez" numa combinação improvável de omolete e beterraba. (não foi muito boa esta comparação, mas foi o que me apareceu na cabeça...)
Comecei por ficar bem impressionado por ver o tema mil vezes batido dos zombies ser tratado de uma forma diferente do típico "apocalipse incontrolável". Acho que se pode dizer que Maggie é um drama com zombies. Esta parte é uma relativa novidade. O problema é que o filme começa lento e acaba mesmo por ficar preso: na premissa original, no tom arrastado da narrativa e no tom deslavado da fotografia. (É curioso: em quase todos os filmes de zombies a cor desaparece até ficar tudo meio acinzentado... [já não suporto tanta lividez]) Pior que isso é encravar no final. Aliás, a grande desilusão é mesmo a previsibilidade do final. As partes boas do filme são os papeis "sérios" de Schwarzenegger e Joely Richardson (sempre impecável) e a forma como o filme foi abordado de início. Tirando isso, é mais do mesmo: zombies... e pessoas piores que zombies. ●○○○○
Comecei por ficar bem impressionado por ver o tema mil vezes batido dos zombies ser tratado de uma forma diferente do típico "apocalipse incontrolável". Acho que se pode dizer que Maggie é um drama com zombies. Esta parte é uma relativa novidade. O problema é que o filme começa lento e acaba mesmo por ficar preso: na premissa original, no tom arrastado da narrativa e no tom deslavado da fotografia. (É curioso: em quase todos os filmes de zombies a cor desaparece até ficar tudo meio acinzentado... [já não suporto tanta lividez]) Pior que isso é encravar no final. Aliás, a grande desilusão é mesmo a previsibilidade do final. As partes boas do filme são os papeis "sérios" de Schwarzenegger e Joely Richardson (sempre impecável) e a forma como o filme foi abordado de início. Tirando isso, é mais do mesmo: zombies... e pessoas piores que zombies. ●○○○○
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From Dusk Till Dawn é um filme bónus, tipo 2 em 1: é meio filme tipo Tarantino, com gangsters marados em fuga da polícia, mais meio filme de terror/vampiros tipo... Robert Rodriguez?!... Bem, o R. Rodriguez sempre foi sanguinário, mas não me lembro de vampiros... Não interessa.
Este é um filme esquizoide. Tem uma primeira parte muito boa, onde nitidamente o Quentin Tarantino teve muito trabalho, apesar de supostamente só ter escrito o argumento. Depois passa inesperadamente para um filme de vampiros tipo série B. É estranho.
Vi-o praticamente quando estreou e não sabia que era com vampiros. Foi esquisito, mas acima de tudo foi uma grande surpresa. Hoje em dia é praticamente impossível que isto aconteça porque anos antes de um filme estrear, já meio mundo sabe tudo o que vai acontecer. Tenho pena. A surpresa era um factor importante do cinema. O efeito surpresa nos filmes parece que morreu... Pode ser que um dia ainda volte, tipo vampiro...
Os efeitos são do melhor que havia em 1996, mas isso não interessa para nada num série B. O elenco é excelente. Dificilmente se consegue juntar tanto e tão bom pessoal num só filme: George Clooney, Quentin Tarantino, Harvey Keitel, Juliette Lewis, Salma Hayek, os "típicos mexicanos" Cheech Marin e Danny Trejo (apesar de serem americanos de gema...), os "velhadas" Fred Williamson e John Saxon (Tarantino e Rodriguez nunca perdem a oportunidade de homenagear o pessoal que os inspirou) e até um outro realizador/gajo dos efeitos especiais, o quase lendário Tom Savini. ●●○○○
Este é um filme esquizoide. Tem uma primeira parte muito boa, onde nitidamente o Quentin Tarantino teve muito trabalho, apesar de supostamente só ter escrito o argumento. Depois passa inesperadamente para um filme de vampiros tipo série B. É estranho.
Vi-o praticamente quando estreou e não sabia que era com vampiros. Foi esquisito, mas acima de tudo foi uma grande surpresa. Hoje em dia é praticamente impossível que isto aconteça porque anos antes de um filme estrear, já meio mundo sabe tudo o que vai acontecer. Tenho pena. A surpresa era um factor importante do cinema. O efeito surpresa nos filmes parece que morreu... Pode ser que um dia ainda volte, tipo vampiro...
Os efeitos são do melhor que havia em 1996, mas isso não interessa para nada num série B. O elenco é excelente. Dificilmente se consegue juntar tanto e tão bom pessoal num só filme: George Clooney, Quentin Tarantino, Harvey Keitel, Juliette Lewis, Salma Hayek, os "típicos mexicanos" Cheech Marin e Danny Trejo (apesar de serem americanos de gema...), os "velhadas" Fred Williamson e John Saxon (Tarantino e Rodriguez nunca perdem a oportunidade de homenagear o pessoal que os inspirou) e até um outro realizador/gajo dos efeitos especiais, o quase lendário Tom Savini. ●●○○○
De vez em quando aparecem filmes-pipoca que são inesperadamente agradáveis. É o caso de Kingsman: The Secret Service. É um bom filme de acção com grandes e originais cenas de pancadaria, bom ritmo, mas especialmente tem bons actores (Mark Hamill, Samuel L. Jackson, Michael Caine, Mark Strong e especialmente Colin Firth) que dão corpo a grandes personagens. No cenário actual dos "filmes de porrada" é de louvar.
Não sei se é o aspecto ostensivamente brit, se é por lembrar os filmes originais do James Bond mais a típica cena world domination ou se é por o realizador ter "inclinação" para filmes de super-herói (Matthew Vaughn realizou o X-Men: First Class). O que é certo é que Kingsman é divertido ao mesmo tempo que é violento. Não parece fazer concessões. Se calhar é por causa disso que Kingsman é fixe: parece uma mistura de super-heróis com o James Bond onde os espiões podem finalmente dizer asneiras e cortar os inimigos ao meio... ●●●○○
Não sei se é o aspecto ostensivamente brit, se é por lembrar os filmes originais do James Bond mais a típica cena world domination ou se é por o realizador ter "inclinação" para filmes de super-herói (Matthew Vaughn realizou o X-Men: First Class). O que é certo é que Kingsman é divertido ao mesmo tempo que é violento. Não parece fazer concessões. Se calhar é por causa disso que Kingsman é fixe: parece uma mistura de super-heróis com o James Bond onde os espiões podem finalmente dizer asneiras e cortar os inimigos ao meio... ●●●○○
The Informant! é o típico filme de Steven Soderbergh: muito bem escrito, espectacularmente construído em termos de narrativa, muito bem realizado, banda sonora impecável, sempre tudo muito bem polido, como de costume. É pena que tenha ficado demasiado polido: ficou "monocromático"...
The Informant! conta uma história de corrupção imersa em intrincadas relações empresariais e comerciais, e tem muita, muita conspiração, enganos, mentiras, traições e escutas aos magotes. É uma história louca, tão louca que só podia ser baseada em factos verídicos. No que toca a maluqueiras, nada bate a realidade. Só acho que devia ter sido mais divertida, mas acho que foi o trailer que me enganou... Ainda assim, o absurdo de toda a história acaba por se tornar divertido.
Como costumo dizer, Matt Damon is everywhere. E é verdade. Apesar dos muitos actores, ele praticamente faz o filme sozinho. Soderbergh é daqueles gajos que nitidamente não consegue fazer filmes maus, mas sinceramente já vi melhor. ●●○○○
The Informant! conta uma história de corrupção imersa em intrincadas relações empresariais e comerciais, e tem muita, muita conspiração, enganos, mentiras, traições e escutas aos magotes. É uma história louca, tão louca que só podia ser baseada em factos verídicos. No que toca a maluqueiras, nada bate a realidade. Só acho que devia ter sido mais divertida, mas acho que foi o trailer que me enganou... Ainda assim, o absurdo de toda a história acaba por se tornar divertido.
Como costumo dizer, Matt Damon is everywhere. E é verdade. Apesar dos muitos actores, ele praticamente faz o filme sozinho. Soderbergh é daqueles gajos que nitidamente não consegue fazer filmes maus, mas sinceramente já vi melhor. ●●○○○
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Há filmes para todos os gostos e de todos os géneros e sub-géneros. Balada da Praia dos Cães, um filme de cariz político da autoria de José Fonseca e Costa, pertence a um sub-sub-género muito específico que é o "esquecido, maltratado e difícil de apanhar". Demorei anos até o conseguir ver, mas finalmente consegui. Vamos por partes.
Baseado no livro de José Cardoso Pires com o mesmo nome, Balada da Praia dos Cães é acima de tudo uma amostra do Portugal dos anos 60: cinzento, bafiento e salazarento. Mas não só. É uma história policial baseada em factos verídicos, intrincada, negra, muitíssimo bem montada e com uma narrativa moderna, recorrendo com frequência a cenas de flashbacks e sonhos.
Tudo começa numa praia, com a descoberta do corpo em decomposição de um oficial do exército procurado pela polícia política. O responsável pela investigação é Elias Santana, um solitário homem à antiga. Terá que deslindar um caso complexo com a ajuda de Mena, uma misteriosa mulher que entretanto se entrega às autoridades e que tem uma historia incrível para explicar a macabra descoberta. Ao mesmo tempo, Elias combate o poder de sedução de Mena para não cair em tentação...
Quanto mais não fosse, só pelo tratamento dado à história valia a pena ver. Mas depois ainda tem Raul Solnado e Assumpta Serna. Solnado aparece num raro papel sério e está óptimo, ainda que por vezes ficasse com a sensação que ele nunca consegue mesmo ficar sério. Fica aqui provado que Solnado não era "apenas" um homem da comédia: era excelente na representação.
Mas se há um destaque na representação ele tem de ir obrigatoriamente para Assumpta Serna. Fixei automaticamente este nome. Nunca tinha visto esta actriz espanhola e posso dizê-lo que fiquei enfeitiçado, tal como a personagem Elias Santana. Parece que saiu verdadeiramente dum filme dos anos 60. Tem aquela beleza típica do sixties que não se consegue explicar. Mas não é só uma cara bonita; é uma brilhante actriz. Quando fui pesquisar e vi o currículo da mulher fiquei estupefacto. (e pensava eu que sabia muito de cinema...). É um dos pontos de tensão constante do filme: o confronto surdo entre o Solnado como representante antiquado de quem fecha os 50's e a Serna como a mulher moderna que dá inicio aos 60s.
Depois começam os problemas "técnicos".
O filme é muito bom e tem momentos geniais de cinema, só que tem um péssimo som. Parece que o som é projectado do auscultador de um telefone antigo... ao longe. E ainda por cima a música até está presente e é muito boa (do Alberto Iglesias), contrariamente aos outros filmes portugueses que tenho visto, em que o silêncio só é cortado pelo chão a ranger debaixo dos pés dos actores.
Ao irritante problema "som", juntam-se as dobragens que são horríveis. Sim, dobragens. Como o filme é uma produção Portugal-Espanha e o elenco tem actores de várias nacionalidades, optaram pela dobragem. Por muito que se esforçassem, António Feio, Paula Guedes e Mário Viegas nunca conseguiriam fazer esquecer o ridículo que são as dobragens.
Volto ao início, Balada da Praia dos Cães, é um filme "esquecido, maltratado e difícil de apanhar". Há muitos anos que queria ver este filme e finalmente consegui apanhá-lo na RTP Memória. Foi mesmo difícil. Pergunto eu: não há tempo de antena suficiente para ir repondo por aí uns filmes portugueses mais antigolas, mas muito bons, como este?
Balada da Praia dos Cães parece o filme que quase não existe. Mesmo na vastidão da net, não há disponível um trailer ou um poster. E o IMDB só tem a ficha mínima. É uma pena. Mal tenha oportunidade irei criar um poster em condições. É o mínimo que posso fazer. Este filme merece um tratamento digno.
E faço um apelo sentido aos senhores donos deste filme para que remasterizem este filme e especialmente que tratem daquele som marado. O filme está tão bem feito e é tão moderno que depois podem até reeditá-lo para cinema. Ninguém vai notar. ●●●○○
Outra série de filmes medianos (estes, bem acima da média), desta vez dentro duma temática muito especial: "filmes melhores que a média, vindos de grandes realizadores, mas que de alguma forma não conseguem passar aquela barreira do "muito bom" porque são demasiado perfeitos". É uma temática estranha e muito difícil de explicar. Mas existe. Alexander Payne, Wes Anderson e Baz Luhrmann são todos realizadores excelentes. São nomes a que estou sempre atento e dos quais espero sempre o melhor do melhor. O "pior" que conseguem fazer são estes filmes. Filmes tecnicamente perfeitos, com histórias tratadas de maneira original e com actores muito bem escolhidos e dirigidos. O que falha nestes filmes é pfunfzzz. Aquele kick. É difícil de explicar. É como se faltasse o elemento surpresa, aquela estalada cerebral que uma pessoa leva quando vê aquele filme. Uma pessoa sabe de antemão que vai ver um filme bom e é "apenas" isso: um filme bom. Estranhamente, o que não gosto nestes filmes é que parecem todos... demasiado perfeitos. (É estranho dizer, mas é verdade) Elevar muito a fasquia tem destas coisas. Nestes casos, não consigo deixar de fazer comparações. Election é melhor que About Schmidt? The Grand Budapest Hotel é melhor que The Life Aquatic with Steve Zissou? The Great Gatsby é melhor que Moulin Rouge?
Election
Matthew Broderick e Reese Witherspoon enfrentam-se numa eleição escolar e é o caos total. Uma comédia melhor que a média. Muitas observações cáusticas e bicadas ao sistema. Não sei se é por estar lá o Matthew Broderick ou por a história se passar numa escola, mas houve alturas em que parecia que estava a ver uma continuação do Ferris Bueller's Day Off... (E afirmo isto no bom sentido...) ●●●○○
The Grand Budapest Hotel
Uma história rocambolesca sobre o roubo de uma obra de arte num imaginário e luxuoso hotel, na imaginária República de Zubrowk. Um "lendário" porteiro chamado Gustave H (Ralph Fiennes) e o seu fiel amigo, o paquete Zero. A confusão habitual de Wes. O elenco é tão grande e tão recheado de nomes sonantes que precisaria de um dia só para os escrever... (podia fazer copy/paste mas isso perdia toda a piada). ●●●○○
The Great Gatsby
Mais uma adaptação da história do misterioso Jay Gatsby, o manipulador, calculista e eterno optimista que perde tudo no final, como qualquer bom optimista. Também conhecida como a "história que uma pessoa é obrigada a ler nas aulas inglês do secundário". Leonardo DiCaprio está muito fixe e parece que finalmente se conseguiu descolar do "menino bonito". ●●●○○
Election
Matthew Broderick e Reese Witherspoon enfrentam-se numa eleição escolar e é o caos total. Uma comédia melhor que a média. Muitas observações cáusticas e bicadas ao sistema. Não sei se é por estar lá o Matthew Broderick ou por a história se passar numa escola, mas houve alturas em que parecia que estava a ver uma continuação do Ferris Bueller's Day Off... (E afirmo isto no bom sentido...) ●●●○○
The Grand Budapest Hotel
Uma história rocambolesca sobre o roubo de uma obra de arte num imaginário e luxuoso hotel, na imaginária República de Zubrowk. Um "lendário" porteiro chamado Gustave H (Ralph Fiennes) e o seu fiel amigo, o paquete Zero. A confusão habitual de Wes. O elenco é tão grande e tão recheado de nomes sonantes que precisaria de um dia só para os escrever... (podia fazer copy/paste mas isso perdia toda a piada). ●●●○○
The Great Gatsby
Mais uma adaptação da história do misterioso Jay Gatsby, o manipulador, calculista e eterno optimista que perde tudo no final, como qualquer bom optimista. Também conhecida como a "história que uma pessoa é obrigada a ler nas aulas inglês do secundário". Leonardo DiCaprio está muito fixe e parece que finalmente se conseguiu descolar do "menino bonito". ●●●○○






