Para além da música, que mais têm em comum Jim Morrison, Kurt Cobain, Janis Joplin, Jimi Hendrix e Amy Winehouse? Todos fazem parte do trágico Clube dos 27. Mais um grande talento, mais uma morte (prematura) aos 27 anos de idade. Que desperdício. É a primeira palavra que me vem à cabeça quando penso na Amy Winehouse. Desperdício. Porque é que os artistas são tão auto-destrutivos? É algo que me intriga profundamente.
Sinceramente não percebo. Presumo que a parte genuinamente artística do ser humano não seja compatível com a fama e a exposição mediática, mas por outro lado, há tantos artistas que vivem da fama que não sei se esta será a resposta certa. Se calhar nem há respostas...
Amy é um documentário (muito bom) sobre a vida conturbada, a música, a carreira e morte trágica de Amy Winehouse. É da autoria de Asif Kapadia, o mesmo responsável pelo também muito bom documentário sobre o Ayrton Senna. Com Amy, há um acesso privilegiado à vida pessoal da cantora o que em certa parte ajuda a perceber o fatídico desfecho. Pode ser uma leitura enviesada (como é quase sempre nas questões biográficas), mas parece que a demasiada exposição mediática teve de facto um peso profundo em Amy Winehouse. E também as (más) companhias, a "inclinação" para a bebida e as drogas, e as questões (de interesses) familiares. Mas por outro lado, também acabaram por ser a inspiração e a influência maior para o tipo de música, as excepcionais letras e a própria imagem que a celebrizou. Como se costuma dizer: isto está tudo ligado. Para o bem e para o mal.
Amy é um documentário que acaba por ser alegre e triste, por vezes até as duas coisas ao mesmo tempo. Está muito bem feito, muito bem escrito e ainda melhor montado. É mais um grande documentário de Asif Kapadia. O gajo é mesmo um mestre neste tipo de cinema...
Já gostava da música e da atitude, mas graças a este documentário fiquei a admirar ainda mais o talento de Amy Winehouse. ●●●●○
Quando renovei o blog, propositadamente, na área dos géneros de filmes, criei uma classificação chamada "outros". Isto aconteceu porque ao longo destes anos todos de cinema, passaram-me pelo globo ocular algumas peças que dificilmente encaixam num género. Pior ainda, alguns filmes são tão... "estranhamente diferentes", digamos assim, que nem sei se gosto deles ou não.
Já tinha ouvido falar deste "O Sabor da Melancia", de Ming-liang Tsai, mas nunca pensei que fosse tão estranho. É estranho logo no título: "O Sabor da Melancia" é a tradução do original Tian bian yi duo yun, que poderá querer dizer algo como "Um lado da nuvem" (perdoem-me a má tradução; o meu mandarim anda bastante enferrujado), mas o título em inglês é The Wayward Cloud, que será qualquer coisa como "A Nuvem Rebelde". Adiante...
Devido à ausência de chuva, há uma falta de água generalizada em Taiwan e por isso toda a gente se vira para a melancia e para o seu "quase" milagroso sumo. Nesta Taiwan seca, encontram-se os protagonistas... Bem, isto seria o início de uma sinopse possível de "O sabor da Melancia". Na realidade, não há uma história linear ou até mesmo percetível. Uma pessoa fica sempre na dúvida sobre o que se está a passar. É normal. O filme é filmado com recurso a longuíssimos planos estáticos e pouquíssimas falas. Aliás, as poucas vezes que se ouve alguém falar é nuns interlúdios musicais surrealistas que aparecem pelo meio do filme, aparentemente só porque sim. São fixes, divertidos e estranhos, mas não fazem sentido nenhum. O resto do filme é constantemente interrompido por cenas da rodagem de um filme porno com sexo quase explícito. Quer dizer, é mais aquele porno softcore, se bem que aparece uma pila desfocada. (Se aparecesse uma pila bem focada, aposto que teria ganho um prémio num importante festival de cinema europeu) Mas não é só isto. Também há sexo simulado com uma melancia, sexo com uma atriz porno inconsciente e uma presumível felação fatal, tudo regado com sumo de melancia.
Ainda por cima tem um casting tipicamente oriental (Kang-sheng Lee, Shiang-chyi Chen, Yi-Ching Lu, Kuei-Mei Yang). Quer isto dizer que os actores para além de terem nomes absolutamente incompreensíveis, estão dispostos a fazer tudo, mas mesmo tudo o que lhes é pedido, com a mais total exposição e sempre com aquele ar de perfeita normalidade perante a total anormalidade e em que a humilhação perante uma câmara parece ser a coisa mais normal desta vida.
Lá está, há filmes que são tão estranhos que se tornam difíceis de classificar. "O sabor da Melancia" é um musical, uma comédia, um drama, um filme porno ou será uma obra surrealista? Não sei responder. Tem de tudo um bocado e nada em concreto. Se gosto? Também não sei dizer. É inegável que tem excelentes imagens e uma fotografia fantástica. Algumas cenas são geniais, outras são verdadeiramente repulsivas ou simplesmente ofensivas. Sinceramente não sei o que dizer. Não sei classificar, nem sequer quantificar. (sem nota)
Já tinha ouvido falar deste "O Sabor da Melancia", de Ming-liang Tsai, mas nunca pensei que fosse tão estranho. É estranho logo no título: "O Sabor da Melancia" é a tradução do original Tian bian yi duo yun, que poderá querer dizer algo como "Um lado da nuvem" (perdoem-me a má tradução; o meu mandarim anda bastante enferrujado), mas o título em inglês é The Wayward Cloud, que será qualquer coisa como "A Nuvem Rebelde". Adiante...
Devido à ausência de chuva, há uma falta de água generalizada em Taiwan e por isso toda a gente se vira para a melancia e para o seu "quase" milagroso sumo. Nesta Taiwan seca, encontram-se os protagonistas... Bem, isto seria o início de uma sinopse possível de "O sabor da Melancia". Na realidade, não há uma história linear ou até mesmo percetível. Uma pessoa fica sempre na dúvida sobre o que se está a passar. É normal. O filme é filmado com recurso a longuíssimos planos estáticos e pouquíssimas falas. Aliás, as poucas vezes que se ouve alguém falar é nuns interlúdios musicais surrealistas que aparecem pelo meio do filme, aparentemente só porque sim. São fixes, divertidos e estranhos, mas não fazem sentido nenhum. O resto do filme é constantemente interrompido por cenas da rodagem de um filme porno com sexo quase explícito. Quer dizer, é mais aquele porno softcore, se bem que aparece uma pila desfocada. (Se aparecesse uma pila bem focada, aposto que teria ganho um prémio num importante festival de cinema europeu) Mas não é só isto. Também há sexo simulado com uma melancia, sexo com uma atriz porno inconsciente e uma presumível felação fatal, tudo regado com sumo de melancia.
Ainda por cima tem um casting tipicamente oriental (Kang-sheng Lee, Shiang-chyi Chen, Yi-Ching Lu, Kuei-Mei Yang). Quer isto dizer que os actores para além de terem nomes absolutamente incompreensíveis, estão dispostos a fazer tudo, mas mesmo tudo o que lhes é pedido, com a mais total exposição e sempre com aquele ar de perfeita normalidade perante a total anormalidade e em que a humilhação perante uma câmara parece ser a coisa mais normal desta vida.
Lá está, há filmes que são tão estranhos que se tornam difíceis de classificar. "O sabor da Melancia" é um musical, uma comédia, um drama, um filme porno ou será uma obra surrealista? Não sei responder. Tem de tudo um bocado e nada em concreto. Se gosto? Também não sei dizer. É inegável que tem excelentes imagens e uma fotografia fantástica. Algumas cenas são geniais, outras são verdadeiramente repulsivas ou simplesmente ofensivas. Sinceramente não sei o que dizer. Não sei classificar, nem sequer quantificar. (sem nota)
O cinema de Hollywood está sem ideias e entrou num loop de repetições "fáceis" e lucro garantido. Por outro lado, se os actores tiverem mais que 19 anos já são "velhos", visto que os filmes parecem todos dirigidos a um público que é maioritariamente adolescente. Pelo que tenho percebido, é uma crítica mais ou menos generalizada e consensual até entre o pessoal do meio. Mas se por um lado, os estúdios de Hollywood estão-se a cagar para este tipo de crítica (facturam literalmente biliões com os chamados filmes-pipoca que todo o crítico [amador ou profissional] adora odiar), por outro lado parece-me que também leva a crítica a sério e mais importante que isso, reconhece-a como verdadeira.
A realidade é que Hollywood está numa encruzilhada: ou fica só com as sequelas, prequelas, remakes, reboots e repetições de êxitos garantidos (já para não falar naquela altura do ano em que aparecem uma dúzia de dramas feitos à medida para os Óscares [é apenas outro "mercado"]) e vai ficar conotada como sendo apenas mais uma entidade anónima que apenas anseia pelo lucro fácil vendendo um produto inflacionado e artificial (e isso tem dado muito trabalho a todas as outras multinacionais só para "limpar" o nome) ou... permite que exista algum cinema de autor americano saído dos grandes estúdios, mas este vai obviamente criticar o status quo. Ou então promove filmes que são uma crítica para "dentro", profunda, objectiva e por vezes até insultuosa, só para poder dizer que percebe as críticas e até as aceita, como este Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance). Já há muito tempo que não me lembro de ver um filme com uma mensagem assim tão directa e acutilante para "dentro".
No papel principal está Michael Keaton, representando um actor que tenta regressar ao activo depois de grandes sucessos de acção e, posteriormente caído em desgraça por ser velho para os novos "sucessos de acção". Michael Keaton obviamente representa-se a si próprio e fá-lo espectacularmente bem. Na realidade, foi um daqueles regressos em grande.
Outro exemplo é Edward Norton, que anda um bocado afastado da representação por ter uma reputação de irascível, e que representa uma personagem que é abrasiva e com quem é difícil de trabalhar, apesar de ser um excelente actor. Mais uma vez, Edward Norton representa-se a si próprio e autoparodia-se (se é que a palavra existe...). Mas há muito mais referências para "dentro", não só aos chamados "filmes de consumo", como ao cinema em geral, aos próprios actores e ao pessoal mais técnico.
Mas à parte das mensagens, há muitas coisas excelentes por aqui. Alejandro Iñárritu está cada vez melhor na cadeira de realizador e na escrivaninha dos argumentos. Chegou rapidamente àquele ponto em que pouco há a dizer. Neste momento, tudo em que toca transforma-se em ouro. Birdman, em particular, é uma autêntica obra de arte cinematográfica. Acho que à porta de casa de Iñárritu deve haver neste momento uma enorme fila de actores à espera do seu próximo trabalho... Neste caso tiveram sorte Emma Stone, Zach Galifianakis, Amy Ryan, Andrea Riseborough e Naomi Watts, entre muitos outros.
Mas não é só excelente na direcção de actores. Pode passar despercebido, mas Birdman tem uma montagem contínua, sem costuras, fluída, brilhante...Um trabalho técnico do outro mundo.
Não me canso de o dizer, seja em que pormenor for, Birdman é um excelente filme. É uma sátira mordaz ao mundo de Hollywood, um megafone crítico que está a disparar constantemente em todas as direcções, brilhantemente realizado por Iñárritu. Um clássico instantâneo. É um filme obrigatório. Não sei se já tinha dito isto, mas Birdman é um excelente filme. ●●●●●
A realidade é que Hollywood está numa encruzilhada: ou fica só com as sequelas, prequelas, remakes, reboots e repetições de êxitos garantidos (já para não falar naquela altura do ano em que aparecem uma dúzia de dramas feitos à medida para os Óscares [é apenas outro "mercado"]) e vai ficar conotada como sendo apenas mais uma entidade anónima que apenas anseia pelo lucro fácil vendendo um produto inflacionado e artificial (e isso tem dado muito trabalho a todas as outras multinacionais só para "limpar" o nome) ou... permite que exista algum cinema de autor americano saído dos grandes estúdios, mas este vai obviamente criticar o status quo. Ou então promove filmes que são uma crítica para "dentro", profunda, objectiva e por vezes até insultuosa, só para poder dizer que percebe as críticas e até as aceita, como este Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance). Já há muito tempo que não me lembro de ver um filme com uma mensagem assim tão directa e acutilante para "dentro".
No papel principal está Michael Keaton, representando um actor que tenta regressar ao activo depois de grandes sucessos de acção e, posteriormente caído em desgraça por ser velho para os novos "sucessos de acção". Michael Keaton obviamente representa-se a si próprio e fá-lo espectacularmente bem. Na realidade, foi um daqueles regressos em grande.
Outro exemplo é Edward Norton, que anda um bocado afastado da representação por ter uma reputação de irascível, e que representa uma personagem que é abrasiva e com quem é difícil de trabalhar, apesar de ser um excelente actor. Mais uma vez, Edward Norton representa-se a si próprio e autoparodia-se (se é que a palavra existe...). Mas há muito mais referências para "dentro", não só aos chamados "filmes de consumo", como ao cinema em geral, aos próprios actores e ao pessoal mais técnico.
Mas à parte das mensagens, há muitas coisas excelentes por aqui. Alejandro Iñárritu está cada vez melhor na cadeira de realizador e na escrivaninha dos argumentos. Chegou rapidamente àquele ponto em que pouco há a dizer. Neste momento, tudo em que toca transforma-se em ouro. Birdman, em particular, é uma autêntica obra de arte cinematográfica. Acho que à porta de casa de Iñárritu deve haver neste momento uma enorme fila de actores à espera do seu próximo trabalho... Neste caso tiveram sorte Emma Stone, Zach Galifianakis, Amy Ryan, Andrea Riseborough e Naomi Watts, entre muitos outros.
Mas não é só excelente na direcção de actores. Pode passar despercebido, mas Birdman tem uma montagem contínua, sem costuras, fluída, brilhante...Um trabalho técnico do outro mundo.
Não me canso de o dizer, seja em que pormenor for, Birdman é um excelente filme. É uma sátira mordaz ao mundo de Hollywood, um megafone crítico que está a disparar constantemente em todas as direcções, brilhantemente realizado por Iñárritu. Um clássico instantâneo. É um filme obrigatório. Não sei se já tinha dito isto, mas Birdman é um excelente filme. ●●●●●
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Depois de ver este The Wolf of Wall Street fiquei na dúvida. Era um filme sobre Wall Street no mundo da droga e do sexo ou um filme sobre sexo e droga no mundo de Wall Street? Não percebi bem. Estava a brincar. Percebi perfeitamente. É sobre Jordan Belfort, um viciado em drogas e sexo que por acaso trabalha em Wall Street. E também percebi que em Wall Street tudo se movimenta a fluídos corporais e cocaína e que de vez em quando alguém trabalha a enganar/extorquir dinheiro a pacóvios ricos. The Wolf of Wall Street é mais ou menos sobre estas temáticas.
Martin Scorsese, que já tem um longo historial de filmes sobre mafiosos, drogas e outros negócios ilícitos, está portanto completamente à vontade para contar uma história passada em Wall Street, visto que as diferenças entre os dois meios e as pessoas envolvidas são quase imperceptíveis: pessoal muito bem vestido que gosta de jantar em sítios caros; pessoal que adora mostrar os melhores carros, casas e mulheres que o dinheiro consegue comprar; pessoal que apesar de rico tem uma linguagem que cheira pior que o pior cano de esgoto; pessoal com traços profundos de psicopatia e total falta de empatia; pessoal que adora e vive apenas com um único objectivo na vida: fazer dinheiro.
Se não fosse um "Scorcese", The Wolf of Wall Street até seria um filme muito bom. Mas como é um "Scorcese", pareceu-me apenas... bom. Não por que tenha algum defeito grave, mas apenas por ser exactamente um... "Scorcese". Martin Scorsese é tão bom a filmar, que se nota que é demasiado fácil para ele fazer um filme apenas "bom". Não há ali nenhum esforço. É como ver o Ronaldo a marcar um hat-trick às Ilhas Faroé. É fácil demais, não é verdade? O mesmo se passa com Scorcese. É fácil demais.
Para piorar ainda mais a situação, há coisas que não gostei mesmo. O filme é demasiado longo e tem cenas também excessivamente longas, especialmente aquelas em que as personagens estão sob efeito de psicotrópicos, o que diga-se, é constante. Também tem demasiada incidência no Leonardo DiCaprio, que nitidamente tem aqui um papel feito à medida para tentar sacar um Óscar ou outro prémio de prestígio.
Além destes pormenores, fiquei com a sensação que estava a ver uma versão mix de Goodfellas (do Scorcese) e Wall Street (do Stone). Alguns exemplos: DiCaprio chama aos empregados "schnooks", que é o mesmo que Henry no Goodfellas chama a si próprio; num dos seus discursos motivadores, DiCaprio diz que "não há nada de nobre na pobreza", que é citado directamente do Wall Street (era demasiado óbvio se dissesse "greed is good..."); a narração em off de DiCaprio e a do Ray Liotta no Goodfellas. parecem ter um tom estranhamente semelhante.
Se calhar sou eu que vejo filmes demais e depois começo a fazer ligações automáticas ou a ver padrões que não existem. Não sei. Isto acontece-me muitas vezes. Mas já tinha visto uma vez um documentário sobre o verdadeiro Jordan Belfort em que ele assumia que a inspiração para a sua atitude tinha tido origem precisamente em Gordon Gekko (Michael Douglas), do filme... Wall Street. Será tudo coincidência? Fica a dúvida...
Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Margot Robbie, Matthew McConaughey num nível estratosférico (só fiquei com pena que não tivesse mais "tempo de antena"), e alguns realizadores conhecidos como Rob Reiner e Jon Favreau em papéis secundários compoem um casting extraordinário que só se consegue reunir porque há um gajo genial a escrever argumentos chamado Terence Winter (Sopranos) e um outro gajo que dispensa apresentações de apelido Scorcese.
The Wolf of Wall Street acabou por me chatear um bocado devido às doses industriais de sexo, drogas e alucinações, mas não deixa de ser um bom filme. ●●●○○
Martin Scorsese, que já tem um longo historial de filmes sobre mafiosos, drogas e outros negócios ilícitos, está portanto completamente à vontade para contar uma história passada em Wall Street, visto que as diferenças entre os dois meios e as pessoas envolvidas são quase imperceptíveis: pessoal muito bem vestido que gosta de jantar em sítios caros; pessoal que adora mostrar os melhores carros, casas e mulheres que o dinheiro consegue comprar; pessoal que apesar de rico tem uma linguagem que cheira pior que o pior cano de esgoto; pessoal com traços profundos de psicopatia e total falta de empatia; pessoal que adora e vive apenas com um único objectivo na vida: fazer dinheiro.
Se não fosse um "Scorcese", The Wolf of Wall Street até seria um filme muito bom. Mas como é um "Scorcese", pareceu-me apenas... bom. Não por que tenha algum defeito grave, mas apenas por ser exactamente um... "Scorcese". Martin Scorsese é tão bom a filmar, que se nota que é demasiado fácil para ele fazer um filme apenas "bom". Não há ali nenhum esforço. É como ver o Ronaldo a marcar um hat-trick às Ilhas Faroé. É fácil demais, não é verdade? O mesmo se passa com Scorcese. É fácil demais.
Para piorar ainda mais a situação, há coisas que não gostei mesmo. O filme é demasiado longo e tem cenas também excessivamente longas, especialmente aquelas em que as personagens estão sob efeito de psicotrópicos, o que diga-se, é constante. Também tem demasiada incidência no Leonardo DiCaprio, que nitidamente tem aqui um papel feito à medida para tentar sacar um Óscar ou outro prémio de prestígio.
Além destes pormenores, fiquei com a sensação que estava a ver uma versão mix de Goodfellas (do Scorcese) e Wall Street (do Stone). Alguns exemplos: DiCaprio chama aos empregados "schnooks", que é o mesmo que Henry no Goodfellas chama a si próprio; num dos seus discursos motivadores, DiCaprio diz que "não há nada de nobre na pobreza", que é citado directamente do Wall Street (era demasiado óbvio se dissesse "greed is good..."); a narração em off de DiCaprio e a do Ray Liotta no Goodfellas. parecem ter um tom estranhamente semelhante.
Se calhar sou eu que vejo filmes demais e depois começo a fazer ligações automáticas ou a ver padrões que não existem. Não sei. Isto acontece-me muitas vezes. Mas já tinha visto uma vez um documentário sobre o verdadeiro Jordan Belfort em que ele assumia que a inspiração para a sua atitude tinha tido origem precisamente em Gordon Gekko (Michael Douglas), do filme... Wall Street. Será tudo coincidência? Fica a dúvida...
Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Margot Robbie, Matthew McConaughey num nível estratosférico (só fiquei com pena que não tivesse mais "tempo de antena"), e alguns realizadores conhecidos como Rob Reiner e Jon Favreau em papéis secundários compoem um casting extraordinário que só se consegue reunir porque há um gajo genial a escrever argumentos chamado Terence Winter (Sopranos) e um outro gajo que dispensa apresentações de apelido Scorcese.
The Wolf of Wall Street acabou por me chatear um bocado devido às doses industriais de sexo, drogas e alucinações, mas não deixa de ser um bom filme. ●●●○○
Um carteirista americano a residir em França mete-se involuntariamente numa cena de terrorismo, o que leva ao envolvimento de um implacável agente da CIA.
Apesar de não ser um filme memorável, Bastille Day, de James Watkins é um filmito de acção e porrada aceitável.
Como é uma produção europeia, tem aquelas cenas de acção e perseguições pouco polidas e menos exageradas que o habitual (logo, mais realistas) e por isso não chateia.
Tem um casting jeitoso com Richard Madden, Charlotte Le Bon, Kelly Reilly e José Garcia, bem liderado pelo cada vez mais carismático Idris Elba. Se nada de estranho acontecer, Idris Elba tem tudo para ser um dos actores mais requisitados dos próximos anos. É um excelente actor e tem um perfil que lhe permite encaixar tanto num filme dramático como no mais banal filme de acção.
Bastille Day vê-se, mas esquece-se facilmente. ●○○○○
Apesar de não ser um filme memorável, Bastille Day, de James Watkins é um filmito de acção e porrada aceitável.
Como é uma produção europeia, tem aquelas cenas de acção e perseguições pouco polidas e menos exageradas que o habitual (logo, mais realistas) e por isso não chateia.
Tem um casting jeitoso com Richard Madden, Charlotte Le Bon, Kelly Reilly e José Garcia, bem liderado pelo cada vez mais carismático Idris Elba. Se nada de estranho acontecer, Idris Elba tem tudo para ser um dos actores mais requisitados dos próximos anos. É um excelente actor e tem um perfil que lhe permite encaixar tanto num filme dramático como no mais banal filme de acção.
Bastille Day vê-se, mas esquece-se facilmente. ●○○○○
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Curtis, um gajo normal, na sua vida normal, começa a ter pesadelos recorrentes e alucinações com uma estranha e gigantesca tempestade que se aproxima. Como pensa que há algo de errado consigo, procura ajuda médica. Não contente com a ajuda despersonalizada que recebe, decide construir um abrigo para tempestades no seu próprio quintal. A sua estranha atitude começa então a ameaçar a sua sanidade e a unidade da família...
Take Shelter é um thriller, dramático, tenso, muito bem feito, e por isso também muito difícil de ver. É mesmo poderoso. É filme muito bom. Tudo nele é ambíguo. Desde as primeiras imagens, ao soberbo final, e até ao próprio tema. Será sobre esquizofrenia? Paranóia? Estranhos eventos que ninguém consegue ver? É difícil de chegar a alguma conclusão. A minha teoria é de que se trata da extrapolação de um assunto bastante actual e complicado: a depressão.
O filme é de 2011, por isso, rodado mesmo em cima do descalabro financeiro que varreu a América (e o mundo). E se já não é fácil de lidar com a ansiedade normal do alucinantemente rápido mundo moderno, com o stress de ter dinheiro contado ao fim do mês para pagar contas, aguentar com a frustração de não ver os seus sonhos realizados, ver a injustiça e a ganância a prevalecerem como normalidade, a violência crescente mas cada vez mais banalizada, a futilidade do momento e se ainda por cima, a isto tudo, juntarmos uma mistura de indefinição, mudança e instabilidade política, social e económica a nível mundial, então está construído um cocktail explosivo para uma depressão profunda. Diria até mesmo, uma depressão profunda colectiva.
O Miguel Esteves Cardoso escreveu um dia que "O Amor é fodido". É capaz de ser verdade. Mas a depressão é muito mais fodida. O amor é bom, recomenda-se e é reconhecido por toda a gente. A depressão é apenas considerada como a doença dos inúteis. Dos que não conseguem superar-se. Dos coitadinhos. Dos que se dizem azarados. Dos que têm baixa autoestima. Pior ainda: dos pessimistas.
Tal como o amor, a depressão também faz uma pessoa ver coisas que não existem. O tal copo meio vazio em vez do meio cheio. Uma tempestade que se aproxima ao longe mas que mais ninguém vê. É como uma lente escura para o mundo, em que só se consegue ver o lado negro das coisas. É ter na cabeça aquela sensação constante de catástrofe iminente. A depressão é algo que levanta mais perguntas do que dá respostas. Porque é que algumas pessoas são mais propensas que outras? É uma causa de um mundo cada vez mais assimétrico e em constante mudança ou uma consequência de maus e aleatórios acontecimentos quotidianos? Uma questão genética ou biológica? Um distúrbio mental? Não há uma resposta clara ou definitiva... e estou a divagar novamente, ainda por cima, à volta de um tema tão negro. E ninguém gosta de coisas negras, não é verdade?
Apesar de ser um valente e negro "murro no estômago", gostei muito de Take Shelter. Está muito bem escrito e também muito bem realizado por Jeff Nichols. É um gajo para ficar debaixo de olho porque nitidamente tem muito jeito e sabe o que faz. Tem poucos mas excelentes actores como Jessica Chastain e Shea Whigham, mas todo o destaque tem de ir para a extraordinária intensidade de Michael Shannon. É que nem precisa de dizer nada. Só a expressão facial diz tudo. Brilhante desempenho. Mais um gajo a ter em atenção no futuro. Take Shelter é para ver a roer unhas na beirinha do assento e depois rever. ●●●●○
Take Shelter é um thriller, dramático, tenso, muito bem feito, e por isso também muito difícil de ver. É mesmo poderoso. É filme muito bom. Tudo nele é ambíguo. Desde as primeiras imagens, ao soberbo final, e até ao próprio tema. Será sobre esquizofrenia? Paranóia? Estranhos eventos que ninguém consegue ver? É difícil de chegar a alguma conclusão. A minha teoria é de que se trata da extrapolação de um assunto bastante actual e complicado: a depressão.
O filme é de 2011, por isso, rodado mesmo em cima do descalabro financeiro que varreu a América (e o mundo). E se já não é fácil de lidar com a ansiedade normal do alucinantemente rápido mundo moderno, com o stress de ter dinheiro contado ao fim do mês para pagar contas, aguentar com a frustração de não ver os seus sonhos realizados, ver a injustiça e a ganância a prevalecerem como normalidade, a violência crescente mas cada vez mais banalizada, a futilidade do momento e se ainda por cima, a isto tudo, juntarmos uma mistura de indefinição, mudança e instabilidade política, social e económica a nível mundial, então está construído um cocktail explosivo para uma depressão profunda. Diria até mesmo, uma depressão profunda colectiva.
O Miguel Esteves Cardoso escreveu um dia que "O Amor é fodido". É capaz de ser verdade. Mas a depressão é muito mais fodida. O amor é bom, recomenda-se e é reconhecido por toda a gente. A depressão é apenas considerada como a doença dos inúteis. Dos que não conseguem superar-se. Dos coitadinhos. Dos que se dizem azarados. Dos que têm baixa autoestima. Pior ainda: dos pessimistas.
Tal como o amor, a depressão também faz uma pessoa ver coisas que não existem. O tal copo meio vazio em vez do meio cheio. Uma tempestade que se aproxima ao longe mas que mais ninguém vê. É como uma lente escura para o mundo, em que só se consegue ver o lado negro das coisas. É ter na cabeça aquela sensação constante de catástrofe iminente. A depressão é algo que levanta mais perguntas do que dá respostas. Porque é que algumas pessoas são mais propensas que outras? É uma causa de um mundo cada vez mais assimétrico e em constante mudança ou uma consequência de maus e aleatórios acontecimentos quotidianos? Uma questão genética ou biológica? Um distúrbio mental? Não há uma resposta clara ou definitiva... e estou a divagar novamente, ainda por cima, à volta de um tema tão negro. E ninguém gosta de coisas negras, não é verdade?
Apesar de ser um valente e negro "murro no estômago", gostei muito de Take Shelter. Está muito bem escrito e também muito bem realizado por Jeff Nichols. É um gajo para ficar debaixo de olho porque nitidamente tem muito jeito e sabe o que faz. Tem poucos mas excelentes actores como Jessica Chastain e Shea Whigham, mas todo o destaque tem de ir para a extraordinária intensidade de Michael Shannon. É que nem precisa de dizer nada. Só a expressão facial diz tudo. Brilhante desempenho. Mais um gajo a ter em atenção no futuro. Take Shelter é para ver a roer unhas na beirinha do assento e depois rever. ●●●●○
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Porter foi roubado, atraiçoado e atingido com dois tiros nas costas. Mas Porter é um gajo duro e não morre assim tão facilmente. Contra todas as expectativas, Porter está vivo e quer vingança. Mas também quer os seus 70 mil dólares de volta, e há-de tentar reavê-los nem que tenha de enfrentar polícias corruptos, a ex-mulher, uma dominatrix e o seu gang chinês ou uma poderosa organização mafiosa... Nada pára Porter.
Payback é um filme de criminosos, detectives e porrada à moda dos anos 70. Aquele genérico, com aquelas letras e aquela música não engana ninguém. Por mim, óptimo. Gosto imenso de filmes de detectives mal encarados e de porrada dessa altura. Podia ser o Clint Eastwood ou o Charles Bronson, mas é o Mel Gibson e isso é sempre bom. De suporte, um casting muito bom, recheado de bons actores: Gregg Henry, Maria Bello, David Paymer, Bill Duke, Deborah Kara Unger, William Devane, Lucy Liu, Kris Kristofferson e até James Coburn. Payback enche-me (medianamente) as medidas.
Originalmente era isto que ia escrever sobre Payback. Mas escrever sobre filmes tem destas coisas: uma pessoa tenta apanhar alguma informação sobre um filme que não parece ter muito sob a superfíce e às vezes é surpreendido. Este é um caso flagrante e um verdadeiro case study.
Vim eu a saber que Payback é um remake de Point Blank de 1967 (que nunca vi) com Lee Marvin no principal papel, daí que se pareça tanto com filmes "criminosos, detectives e porrada à moda dos anos 70". Mas na realidade, Payback, são dois filmes totalmente diferentes: Payback: Straight Up (versão do realizador) e Payback (versão de estúdio). Como tenho o hábito de rever filmes, por acaso vi as duas versões, o que me causou uma confusão imensa. Tinha a certeza que já tinha visto este filme, mas estranhamente, ele diferia em muitos pormenores. Por exemplo, tinha a certeza que o Kris Kristofferson entrava, mas neste filme, o chefe da máfia só fala ao telefone e é uma mulher. E à medida que ia avançando ia ficando pior: cenas inteiras desapareciam e para culminar, o próprio final é totalmente diferente. Pensei que estava a ficar maluco, ou pior, a perder as minhas faculdades de cine-memória. Afinal, havia outra... versão.
Pelo que percebi, o realizador - Brian Helgeland - foi despedido/substituído depois do filme estar "rodado e montado", o que levou a que 30% do filme tivesse de ser re-filmado para o "actualizar". Já li umas coisas sobre quem teria sido o realizador a fazer a montagem final, mas é uma incógnita. Falou-se de John Myhre e Paul Abascal - gajos que desconheço -, e até do próprio Mel Gibson. Não faço a mínima ideia, mas também isso não é importante.
O que é importante aqui é perceber quanto um filme muda só porque juntam mais umas imagens e se cortam outras. A montagem é quase meio filme. E não é só uma questão de ritmo. É uma questão da própria história. Até personagens podem simplesmente desaparecer do enredo na mesa de montagem.
Pessoalmente, acho que Payback é um filme óptimo. Primeiro, porque mostra que não sou averso a remakes como compreensivelmente seria de supor pelas 3 ou 4 pessoas que leem este blogue. Não vejo problema nenhum em fazer remakes, desde que se justifique. Sendo que a justificação é o filme original precisa de um refrescamento e já passaram 30 anos (mais ou menos) desde o lançamento da versão original. Depois, porque mostra a importância da parte oculta dos filmes: a parte técnica, aquelas letrinhas chatas e intermináveis no final, depois dos nomes das "estrelas" e do realizador, que o pessoal usa nos cinemas para não calcar/tropeçar em alguém até à luz das saídas, mas que faz toda a diferença na forma como um filme chega ao grande ecrã. Finalmente, porque mostra que não tenho nada contra a preferência "editorial" dos estúdios. Por vezes, parece que os estúdios querem tornar todos os filmes iguais e, normalmente, quando mexem na obra dos realizadores, basicamente sai merda. Curiosamente, este não é o caso. Apesar de gostar da versão mais crua de Brian Helgeland, gosto ainda mais do corte dado pelo estúdio. Acho que torna o filme mais comercial, mas mais equilibrado. Nem que fosse só por esta vez, teria que concordar que este corte de estúdio está melhor que o original. Mas como sempre é tudo uma questão de gosto e gostos não se discutem... Vê-se bem e vê-se bem. ●●○○○
Payback é um filme de criminosos, detectives e porrada à moda dos anos 70. Aquele genérico, com aquelas letras e aquela música não engana ninguém. Por mim, óptimo. Gosto imenso de filmes de detectives mal encarados e de porrada dessa altura. Podia ser o Clint Eastwood ou o Charles Bronson, mas é o Mel Gibson e isso é sempre bom. De suporte, um casting muito bom, recheado de bons actores: Gregg Henry, Maria Bello, David Paymer, Bill Duke, Deborah Kara Unger, William Devane, Lucy Liu, Kris Kristofferson e até James Coburn. Payback enche-me (medianamente) as medidas.
Originalmente era isto que ia escrever sobre Payback. Mas escrever sobre filmes tem destas coisas: uma pessoa tenta apanhar alguma informação sobre um filme que não parece ter muito sob a superfíce e às vezes é surpreendido. Este é um caso flagrante e um verdadeiro case study.
Vim eu a saber que Payback é um remake de Point Blank de 1967 (que nunca vi) com Lee Marvin no principal papel, daí que se pareça tanto com filmes "criminosos, detectives e porrada à moda dos anos 70". Mas na realidade, Payback, são dois filmes totalmente diferentes: Payback: Straight Up (versão do realizador) e Payback (versão de estúdio). Como tenho o hábito de rever filmes, por acaso vi as duas versões, o que me causou uma confusão imensa. Tinha a certeza que já tinha visto este filme, mas estranhamente, ele diferia em muitos pormenores. Por exemplo, tinha a certeza que o Kris Kristofferson entrava, mas neste filme, o chefe da máfia só fala ao telefone e é uma mulher. E à medida que ia avançando ia ficando pior: cenas inteiras desapareciam e para culminar, o próprio final é totalmente diferente. Pensei que estava a ficar maluco, ou pior, a perder as minhas faculdades de cine-memória. Afinal, havia outra... versão.
Pelo que percebi, o realizador - Brian Helgeland - foi despedido/substituído depois do filme estar "rodado e montado", o que levou a que 30% do filme tivesse de ser re-filmado para o "actualizar". Já li umas coisas sobre quem teria sido o realizador a fazer a montagem final, mas é uma incógnita. Falou-se de John Myhre e Paul Abascal - gajos que desconheço -, e até do próprio Mel Gibson. Não faço a mínima ideia, mas também isso não é importante.
O que é importante aqui é perceber quanto um filme muda só porque juntam mais umas imagens e se cortam outras. A montagem é quase meio filme. E não é só uma questão de ritmo. É uma questão da própria história. Até personagens podem simplesmente desaparecer do enredo na mesa de montagem.
Pessoalmente, acho que Payback é um filme óptimo. Primeiro, porque mostra que não sou averso a remakes como compreensivelmente seria de supor pelas 3 ou 4 pessoas que leem este blogue. Não vejo problema nenhum em fazer remakes, desde que se justifique. Sendo que a justificação é o filme original precisa de um refrescamento e já passaram 30 anos (mais ou menos) desde o lançamento da versão original. Depois, porque mostra a importância da parte oculta dos filmes: a parte técnica, aquelas letrinhas chatas e intermináveis no final, depois dos nomes das "estrelas" e do realizador, que o pessoal usa nos cinemas para não calcar/tropeçar em alguém até à luz das saídas, mas que faz toda a diferença na forma como um filme chega ao grande ecrã. Finalmente, porque mostra que não tenho nada contra a preferência "editorial" dos estúdios. Por vezes, parece que os estúdios querem tornar todos os filmes iguais e, normalmente, quando mexem na obra dos realizadores, basicamente sai merda. Curiosamente, este não é o caso. Apesar de gostar da versão mais crua de Brian Helgeland, gosto ainda mais do corte dado pelo estúdio. Acho que torna o filme mais comercial, mas mais equilibrado. Nem que fosse só por esta vez, teria que concordar que este corte de estúdio está melhor que o original. Mas como sempre é tudo uma questão de gosto e gostos não se discutem... Vê-se bem e vê-se bem. ●●○○○
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Deadfall é um thriller que conta a história de dois irmãos, Addison (Eric Bana) e Lisa (Olivia Wilde) que depois de terem um acidente de carro após um assalto a um casino, decidem que é melhor fugir, seguindo caminhos separados até passarem a fronteira. No final, depois de muitas atribulações, acabam por se juntar num estranho Jantar de Acção de Graças com a família de um pugilista (Charlie Hunnam), também ele fugido da polícia.
Apesar da minha sinopse ser muita confusa, Deadfall até está muito bem escrito. Tudo encaixa perfeitamente. Aliás, o filme é bom, mas falta-lhe qualquer "coisa" que não sei muito bem o que é, para ser muito bom. A história é boa, complexa e bem escrita, tem drama sem ser forçado, a realização é boa (Stefan Ruzowitzky), todos os actores são bons (Kris Kristofferson, Sissy Spacek, Kate Mara, Treat Williams) mas falta-lhe "algo"...
Deadfall fez-me lembrar aquelas alturas em que uma pessoa vai a um restaurante, come uma refeição muito bem confeccionada - como estava à espera -, mas que lhe falta sal... Ou não há sobremesa... Neste caso, não sei bem o que lhe falta, mas vê-se bem. ●●○○○
Apesar da minha sinopse ser muita confusa, Deadfall até está muito bem escrito. Tudo encaixa perfeitamente. Aliás, o filme é bom, mas falta-lhe qualquer "coisa" que não sei muito bem o que é, para ser muito bom. A história é boa, complexa e bem escrita, tem drama sem ser forçado, a realização é boa (Stefan Ruzowitzky), todos os actores são bons (Kris Kristofferson, Sissy Spacek, Kate Mara, Treat Williams) mas falta-lhe "algo"...
Deadfall fez-me lembrar aquelas alturas em que uma pessoa vai a um restaurante, come uma refeição muito bem confeccionada - como estava à espera -, mas que lhe falta sal... Ou não há sobremesa... Neste caso, não sei bem o que lhe falta, mas vê-se bem. ●●○○○
No outro dia, apanhei na TV o documentário do Cristiano Ronaldo, que se chama... Ronaldo. Bem, não é um documentário, é um vídeo promocional do Ronaldo, filmado entre Janeiro de 2014 e Fevereiro de 2015, feito pelos melhores e com os melhores. Anthony Wonke é um documentarista profissional multi-premiado, a locução é de David Morrissey, e sim, é o David "Governador" Morrissey, do Walking Dead...
Para um documentário sobre um dos melhores futebolistas de sempre, estranhamente, pouco tem de futebol. Apenas um jogo entre o Real Madrid e o eterno rival, Barcelona, algumas imagens do Manchester United e pequenos laivos da altura do Sporting... Seja por causa de direitos de autor das imagens ou por questões editoriais, é muito pouco futebol. Acho que é uma falha enorme. Mas também aqui o que interessa não é o futebol, é o Ronaldo. Tudo foi minuciosamente concebido mais para promover a personalidade Ronaldo, do que o seu estilo de jogo ou rara capacidade para marcar toneladas de golos. Até o tirar a camisola para celebrar um golo na final de 2014 da Liga dos Campeões foi estudado ao pormenor para aparecer neste documentário. Não tenho problema nenhum com isso, mas sendo um gajo normal que adora futebol, acho demasiado redutor e até acho que passa uma mensagem errada.
À parte do documentário, a "imagem" que passa cá para fora, também nunca ajudou o Ronaldo. Obviamente, não o conheço pessoalmente, mas a impressão que passa é a de um gajo que por ser o melhor, se acha o melhor, algo que normalmente se traduz em arrogância para o público. Depois de ver o documentário que é mais intimista que futebolístico, até mudei um pouco de opinião, mas... Figuras públicas tão mediáticas são sempre complicadas. Ter que lidar com a pressão das multidões e continuar a ser simpático; lidar com os maluquinhos todos que para aí andam que são capazes de guardar uma ranheta do seu fã para mais tarde recordar; ter de lidar com as percepções erradas que o público tem da sua pessoa; ser-se considerado arrogante porque se admite que se é melhor que a concorrência (o que até é verdade); ser popular em todo o mundo, mas ter de resguardar a privacidade; lidar com a inveja por causa dos carros desportivos e dos ordenados de milhões... É complicado. Muito complicado...
E claro que falar de Ronaldo é falar do melhor jogador de futebol do mundo. E só há mais um rival à altura que é o Messi. Um é esquerdo, o outro é direito, um é baixo e franzino, o outro é alto e atlético. São duas figuras totalmente distintas. Em termos de futebol, um finta jogadores de classe mundial como se estivesse a jogar com miúdos de rua, o outro marca mais golos sozinho que muitas equipas juntas. A escolha é muito difícil e sempre polémica. Mas também acho que a existência desta "rivalidade" é útil desportivamente e até faz com que os dois melhorem constantemente e estejam sempre ao mais alto nível.
Como português, deveria dizer que é o Ronaldo, mas a minha escolha vai para... o Messi. Desculpa Ronaldo. Não é nada pessoal, é apenas uma questão de gosto futebolístico. Pessoalmente, prefiro os génios naturais, como é o caso do Messi, mas também percebo perfeitamente que a escolha recaia no Ronaldo.
Personalidade e/ou génio à parte, como documentário, Ronaldo é fraquito porque tem muito pouca bola. Muito pouco futebol. Parece mais um documentário de uma celebridade saída de uma revista cor-de-rosa. Precisa-se urgentemente de um remake e de preferência que contenha a emoção de um golo de pontapé de bicicleta que dá a vitória no último minuto. Ronaldo, o documentário, não faz jus a um dos melhores jogador de futebol de sempre, que é o Ronaldo. ●○○○○
Para um documentário sobre um dos melhores futebolistas de sempre, estranhamente, pouco tem de futebol. Apenas um jogo entre o Real Madrid e o eterno rival, Barcelona, algumas imagens do Manchester United e pequenos laivos da altura do Sporting... Seja por causa de direitos de autor das imagens ou por questões editoriais, é muito pouco futebol. Acho que é uma falha enorme. Mas também aqui o que interessa não é o futebol, é o Ronaldo. Tudo foi minuciosamente concebido mais para promover a personalidade Ronaldo, do que o seu estilo de jogo ou rara capacidade para marcar toneladas de golos. Até o tirar a camisola para celebrar um golo na final de 2014 da Liga dos Campeões foi estudado ao pormenor para aparecer neste documentário. Não tenho problema nenhum com isso, mas sendo um gajo normal que adora futebol, acho demasiado redutor e até acho que passa uma mensagem errada.
À parte do documentário, a "imagem" que passa cá para fora, também nunca ajudou o Ronaldo. Obviamente, não o conheço pessoalmente, mas a impressão que passa é a de um gajo que por ser o melhor, se acha o melhor, algo que normalmente se traduz em arrogância para o público. Depois de ver o documentário que é mais intimista que futebolístico, até mudei um pouco de opinião, mas... Figuras públicas tão mediáticas são sempre complicadas. Ter que lidar com a pressão das multidões e continuar a ser simpático; lidar com os maluquinhos todos que para aí andam que são capazes de guardar uma ranheta do seu fã para mais tarde recordar; ter de lidar com as percepções erradas que o público tem da sua pessoa; ser-se considerado arrogante porque se admite que se é melhor que a concorrência (o que até é verdade); ser popular em todo o mundo, mas ter de resguardar a privacidade; lidar com a inveja por causa dos carros desportivos e dos ordenados de milhões... É complicado. Muito complicado...
E claro que falar de Ronaldo é falar do melhor jogador de futebol do mundo. E só há mais um rival à altura que é o Messi. Um é esquerdo, o outro é direito, um é baixo e franzino, o outro é alto e atlético. São duas figuras totalmente distintas. Em termos de futebol, um finta jogadores de classe mundial como se estivesse a jogar com miúdos de rua, o outro marca mais golos sozinho que muitas equipas juntas. A escolha é muito difícil e sempre polémica. Mas também acho que a existência desta "rivalidade" é útil desportivamente e até faz com que os dois melhorem constantemente e estejam sempre ao mais alto nível.
Como português, deveria dizer que é o Ronaldo, mas a minha escolha vai para... o Messi. Desculpa Ronaldo. Não é nada pessoal, é apenas uma questão de gosto futebolístico. Pessoalmente, prefiro os génios naturais, como é o caso do Messi, mas também percebo perfeitamente que a escolha recaia no Ronaldo.
Personalidade e/ou génio à parte, como documentário, Ronaldo é fraquito porque tem muito pouca bola. Muito pouco futebol. Parece mais um documentário de uma celebridade saída de uma revista cor-de-rosa. Precisa-se urgentemente de um remake e de preferência que contenha a emoção de um golo de pontapé de bicicleta que dá a vitória no último minuto. Ronaldo, o documentário, não faz jus a um dos melhores jogador de futebol de sempre, que é o Ronaldo. ●○○○○
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Descobri que há duas formas de se ser enganado no cinema. A primeira é ir ver um daqueles filmes cujo trailer diz "totalmente inovador" ou "nunca se viu nada assim" e, quando se vê o filme, percebe-se que afinal é igual a tantos outros. A segunda forma é ir ver um filme de que pouco ou nada se conhece e depois de quase duas horas, ser totalmente surpreendido pelo final, ficando de boca aberta a olhar para os créditos a pensar: "como é que eu não percebi?"... É o caso de The Sixth Sense. Nunca me senti tão enganado. Mas no bom sentido. Não estava nada à espera do final. É quase como um passo de magia. Uma pessoa está tão distraída com os pormenores que não percebe que é tudo um truque. Brilhante. Nunca mais me esqueci do filme.
Um miúdo que consegue comunicar com espíritos recebe a ajuda de um psicólogo... Não vale a pena falar muito de The Six Sense. É um daqueles mega-sucessos (totalmente justificado) que toda a gente conhece. Assim como a frase icónica "I see dead people" que se tornou numa expressão pop.
É um excelente filme, excepcionalmente bem escrito, mas especialmente, por ser um filme diferente. Não encaixa bem em nenhum estilo ou classificação temática. Nem é um filme de acção, nem drama, nem de terror. É uma mistura de tudo e uma classe própria.. É um filme tipo "The Six Sense", lá está...
Metade dos louros vão direitinhos para o ilusionista M. Night Shyamalan. Aguentou espectacularmente o filme (e a magia) até àquele final irrepetível. É pena que tenha vindo sempre a decrescer desde então...
A outra metade vai para o miúdo, Haley Joel Osment, que é a "alma" do filme. É impressionante o encaixe dramático de um actor com tão pouca idade. Parece um adulto a representar dentro do corpo de um miúdo. Impressionante. Vão ser precisos mais 50 anos para encontrar outro igual. O casting secundário também ajuda: Bruce Willis (sim, secundário, porque o personagem principal é o Cole Sear), Toni Collette e Donnie Wahlberg dão suporte a uma história que ficou para a história.
Tenho pena que devido ao twist, The Six Sense só se possa ver uma vez com a intensidade da primeira. Mas mesmo assim é filme para se rever. ●●●●●
Um miúdo que consegue comunicar com espíritos recebe a ajuda de um psicólogo... Não vale a pena falar muito de The Six Sense. É um daqueles mega-sucessos (totalmente justificado) que toda a gente conhece. Assim como a frase icónica "I see dead people" que se tornou numa expressão pop.
É um excelente filme, excepcionalmente bem escrito, mas especialmente, por ser um filme diferente. Não encaixa bem em nenhum estilo ou classificação temática. Nem é um filme de acção, nem drama, nem de terror. É uma mistura de tudo e uma classe própria.. É um filme tipo "The Six Sense", lá está...
Metade dos louros vão direitinhos para o ilusionista M. Night Shyamalan. Aguentou espectacularmente o filme (e a magia) até àquele final irrepetível. É pena que tenha vindo sempre a decrescer desde então...
A outra metade vai para o miúdo, Haley Joel Osment, que é a "alma" do filme. É impressionante o encaixe dramático de um actor com tão pouca idade. Parece um adulto a representar dentro do corpo de um miúdo. Impressionante. Vão ser precisos mais 50 anos para encontrar outro igual. O casting secundário também ajuda: Bruce Willis (sim, secundário, porque o personagem principal é o Cole Sear), Toni Collette e Donnie Wahlberg dão suporte a uma história que ficou para a história.
Tenho pena que devido ao twist, The Six Sense só se possa ver uma vez com a intensidade da primeira. Mas mesmo assim é filme para se rever. ●●●●●
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The Amazing Spider-Man 2 é a sequela de The Amazing Spider-Man. E basicamente é isso. É "sempre a mesma coisa". Volta todo o pessoal do primeiro filme (Andrew Garfield, Emma Stone, Sally Field) e também algumas novidades como Paul Giamatti que aparece como... Já nem sei quem ele é suposto ser. Acho que só aparece porque este filme já não conta com o Martin Sheen e eram precisos actores com algum nome no "lado dramático". Ou então não...
Há um jovem actor (Dane DeHaan parece promissor [mas também pode ter sido do corte de cabelo estranho...]) a fazer Harry Osborn, que quase, quase no final do filme lá se transforma no Green Goblin. E há também Jamie Foxx, como Electro, um super-herói azul eléctrico que só quer que gostem dele e que suga o poder da electricidade mas que acaba por morrer porque toma uma dose demasiado elevada de... electricidade. É triste. Mas não tão triste como The Amazing Spider-Man 2... Filme bom para se ver num domingo à tarde quando uma pessoa está com uma grande gripe e não pode sair da cama... ●○○○○
Há um jovem actor (Dane DeHaan parece promissor [mas também pode ter sido do corte de cabelo estranho...]) a fazer Harry Osborn, que quase, quase no final do filme lá se transforma no Green Goblin. E há também Jamie Foxx, como Electro, um super-herói azul eléctrico que só quer que gostem dele e que suga o poder da electricidade mas que acaba por morrer porque toma uma dose demasiado elevada de... electricidade. É triste. Mas não tão triste como The Amazing Spider-Man 2... Filme bom para se ver num domingo à tarde quando uma pessoa está com uma grande gripe e não pode sair da cama... ●○○○○
É possível estar cinco anos sem vender bilhetes? Impossível. A solução recorrente: o reboot. The Amazing Spider-Man é portanto um reboot da "série" Spider-Man que tinha terminado em 2007 com Spider-Man 3. Em termos de Hollywood, cinco anos sem um super-herói de bilheteira é uma eternidade, daí o regresso.
Como sempre, o regresso é ligeiramente diferente. Primeiro, não se chama Spider-Man, mas sim The Amazing Spider-Man. Depois, a história de como o vulgar adolescente (Andrew Garfield) se transforma num super-herói aracnídeo é ligeiramente diferente, o super-vilão (Rhys Ifans) é um que não foi utilizado nos outros filmes e a namorada (Emma Stone) segue o mesmo padrão. Também tem aquele truque "normal" dos reboots, que é mostrar um pouco mais de dramatismo (Sally Field), falar um pouco mais do background das personagens (Denis Leary) ou dar aquele tom mais "negro" (Martin Sheen) para dizer que é diferente, um pouco mais sério. De resto é sempre a mesma história. Também, o que é que se poderia mudar?...
Pelo que percebo, isto é tudo uma questão de lutas de estúdios. A Sony tem os direitos para o Spider-Man e pouco mais, enquanto outros gigantes como a Fox (com os X-Men) ou a Warner (com a DC Comics) têm universos inteiros de super-heróis para desenvolver e filmar. Não é justo, não é? Daí que o Spider-Man ande sempre sozinho sem a companhia de todos os outros super-heróis fixes... Coitado. Só tem a companhia das bilheteiras e das pipocas...
The Amazing Spider-Man está xungoso? Não. Está mal feito (Marc Webb) ou é mal representado? Não. Tem maus efeitos especiais? Também não, são sempre espectaculares. Então o que falha? A originalidade. É sempre a mesma coisa. Até eu já me canso de dizer "sempre a mesma coisa". ●○○○○
Como sempre, o regresso é ligeiramente diferente. Primeiro, não se chama Spider-Man, mas sim The Amazing Spider-Man. Depois, a história de como o vulgar adolescente (Andrew Garfield) se transforma num super-herói aracnídeo é ligeiramente diferente, o super-vilão (Rhys Ifans) é um que não foi utilizado nos outros filmes e a namorada (Emma Stone) segue o mesmo padrão. Também tem aquele truque "normal" dos reboots, que é mostrar um pouco mais de dramatismo (Sally Field), falar um pouco mais do background das personagens (Denis Leary) ou dar aquele tom mais "negro" (Martin Sheen) para dizer que é diferente, um pouco mais sério. De resto é sempre a mesma história. Também, o que é que se poderia mudar?...
Pelo que percebo, isto é tudo uma questão de lutas de estúdios. A Sony tem os direitos para o Spider-Man e pouco mais, enquanto outros gigantes como a Fox (com os X-Men) ou a Warner (com a DC Comics) têm universos inteiros de super-heróis para desenvolver e filmar. Não é justo, não é? Daí que o Spider-Man ande sempre sozinho sem a companhia de todos os outros super-heróis fixes... Coitado. Só tem a companhia das bilheteiras e das pipocas...
The Amazing Spider-Man está xungoso? Não. Está mal feito (Marc Webb) ou é mal representado? Não. Tem maus efeitos especiais? Também não, são sempre espectaculares. Então o que falha? A originalidade. É sempre a mesma coisa. Até eu já me canso de dizer "sempre a mesma coisa". ●○○○○
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The Mask não precisa de grandes apresentações. Foi um sucesso estrondoso e acho que toda a gente o conhece. É sobre um desajeitado trabalhador da banca que encontra uma máscara verde que lhe dá poderes extraordinários. Um desses poderes é transformar-se numa personagem dos Looney Tunes, mas em carne e osso...
Com tantos barulhinhos, jeitos e trejeitos, é uma personagem meio irritante, mas The Mask é uma boa personagem. Por acaso, sempre pensei que era um original, mas pelos vistos é baseado nas BDs da Dark Horse. Pensando bem, só podia.
É incrível, mas apenas em 20 anos, as "cenas" digitais já começam a marcar o filme. Para a altura, estavam muito bem feitas e eram um espectáculo visual totalmente novo. Agora, já parecem "efeitos de plástico" de uma produção Sy-Fy. Mas acho que são uma boa extensão para as caretas do Jim Carrey, gajo que curto bastante. Não podia ser outro gajo a fazer este filme. Não sei porquê, mas acho que ele tem bastante potencial dramático; nunca percebi porque não deu o salto para fora das "caretas"... Também há Peter Greene, Amy Yasbeck, Peter Riegert, Richard Jeni e a Cameron Diaz em estreia absoluta no cinema.
Sei que também saiu uma sequela (acho que era o Filho da Máscara ou qualquer coisa assim do género) mas recusei-me a ver. The Mask, apesar de ter palhaçada a mais para o meu gosto, é "original" e é um filme simpático. Vê-se. ●●○○○
Com tantos barulhinhos, jeitos e trejeitos, é uma personagem meio irritante, mas The Mask é uma boa personagem. Por acaso, sempre pensei que era um original, mas pelos vistos é baseado nas BDs da Dark Horse. Pensando bem, só podia.
É incrível, mas apenas em 20 anos, as "cenas" digitais já começam a marcar o filme. Para a altura, estavam muito bem feitas e eram um espectáculo visual totalmente novo. Agora, já parecem "efeitos de plástico" de uma produção Sy-Fy. Mas acho que são uma boa extensão para as caretas do Jim Carrey, gajo que curto bastante. Não podia ser outro gajo a fazer este filme. Não sei porquê, mas acho que ele tem bastante potencial dramático; nunca percebi porque não deu o salto para fora das "caretas"... Também há Peter Greene, Amy Yasbeck, Peter Riegert, Richard Jeni e a Cameron Diaz em estreia absoluta no cinema.
Sei que também saiu uma sequela (acho que era o Filho da Máscara ou qualquer coisa assim do género) mas recusei-me a ver. The Mask, apesar de ter palhaçada a mais para o meu gosto, é "original" e é um filme simpático. Vê-se. ●●○○○
Perfume: The Story of a Murderer conta a história de um perfumista. Isto é a descrição resumida. A descrição completa é muito mais estranha. Nos finais do século XVIII, nasce Jean-Baptiste Grenouille, literalmente no meio de cabeças de peixe podre, debaixo da bancada de trabalho da mãe. Abandonado à nascença, pois a mãe é morta por uma multidão em fúria, Grenouille é entregue num orfanato. Talvez por ter nascido no meio da pestilência e da sujidade, ele desenvolve um excepcional sentido de olfacto. Ao mesmo tempo que o ostraciza do contacto pessoal, este quase super-poder, leva-o ao mundo exclusivo dos perfumistas. Aí aprende a requintada arte dos perfumes e dos aromas com um antigo artificie famoso mas agora caído em desgraça e esquecimento.
Mas o propósito de Grenouille não é a criação do melhor perfume, algo que consegue fácil e instintivamente. Ele procura a derradeira fragrância, aquele aroma que quem o cheirar, entrará imediatamente num êxtase absoluto e se sentirá como se estivesse no Paraíso. Para isso terá de capturar um elusivo aroma apenas presente nas jovens mulheres... Mas como é dito frequentemente, o caminho para o Paraíso passa pelo Inferno...
A história de Perfume: The Story of a Murderer, sobre cheiros e aromas que pairam invisíveis para os comuns mortais excepto para um assassino "ingénuo" que tenta capturar a verdadeira alma das coisas, é estranha o suficiente para que muita gente ou a deteste ou a adore. Estou no segundo grupo. Nos últimos anos, é das histórias mais originais que me lembro de ver em filme. Adaptado do livro de Patrick Süskind, Perfume é um dos meus filmes favoritos e por várias razões. Pela realização extremamente cuidada de Tom Tykwer, pela música perfeitamente integrada e, obviamente pela história excepcional. E ainda tem actores muito bons como Alan Rickman, Rachel Hurd-Wood, Dustin Hoffman e a voz inconfundível de John Hurt como narrador. Destaque principal para um actor pouco conhecido, Ben Whishaw, que tem aqui, provavelmente, a performance de uma vida. Não estou a ver outro actor naquele papel. É daquelas situações em que o actor se mistura com a personagem.
Perfume: The Story of a Murderer, uma das maiores produções alemãs de sempre, apesar de se tratar de perfumes e aromas, lembra-me sempre uma lâmina de barbear: muito leve, mas extremamente cortante. Não é daqueles filmes únicos que levaria para uma ilha deserta, mas pela sua singularidade, Perfume: The Story of a Murderer ficou-me para sempre gravado na memória. ●●●●○
Mas o propósito de Grenouille não é a criação do melhor perfume, algo que consegue fácil e instintivamente. Ele procura a derradeira fragrância, aquele aroma que quem o cheirar, entrará imediatamente num êxtase absoluto e se sentirá como se estivesse no Paraíso. Para isso terá de capturar um elusivo aroma apenas presente nas jovens mulheres... Mas como é dito frequentemente, o caminho para o Paraíso passa pelo Inferno...
A história de Perfume: The Story of a Murderer, sobre cheiros e aromas que pairam invisíveis para os comuns mortais excepto para um assassino "ingénuo" que tenta capturar a verdadeira alma das coisas, é estranha o suficiente para que muita gente ou a deteste ou a adore. Estou no segundo grupo. Nos últimos anos, é das histórias mais originais que me lembro de ver em filme. Adaptado do livro de Patrick Süskind, Perfume é um dos meus filmes favoritos e por várias razões. Pela realização extremamente cuidada de Tom Tykwer, pela música perfeitamente integrada e, obviamente pela história excepcional. E ainda tem actores muito bons como Alan Rickman, Rachel Hurd-Wood, Dustin Hoffman e a voz inconfundível de John Hurt como narrador. Destaque principal para um actor pouco conhecido, Ben Whishaw, que tem aqui, provavelmente, a performance de uma vida. Não estou a ver outro actor naquele papel. É daquelas situações em que o actor se mistura com a personagem.
Perfume: The Story of a Murderer, uma das maiores produções alemãs de sempre, apesar de se tratar de perfumes e aromas, lembra-me sempre uma lâmina de barbear: muito leve, mas extremamente cortante. Não é daqueles filmes únicos que levaria para uma ilha deserta, mas pela sua singularidade, Perfume: The Story of a Murderer ficou-me para sempre gravado na memória. ●●●●○
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Hellraiser III esteve a cargo de Anthony Hickox, um realizador muito experiente no campo do gore/low-budget/slasher. A produção mudou de brit para american e isso nota-se numa abordagem mais para o comercial, apesar de continuar a ser um filme gore da pesada. Mas aqui a história já se tinha perdido completamente. Havia uma tendência para sexualizar cada vez mais as situações (era típico nos 90 e chegou a todos o tipo de filmes). Hellraiser, estranhamente sempre teve um lado muito sexual, digamos assim, mas foi piorando com o tempo. Se no II a história tinha-se desenvolvido, aqui já estava a definhar e vivia apenas das mortes extravagantes ou sanguinolentas. Também já estava um bocado farto do género do terror. E como percebi que isto iria ser sempre a mesma história (tipo franchise, com novas personagens e novas mortes mais horrorosas) fiquei por aqui. Não vi mais nenhum filme desta "série". Mas a "série" não parou por causa disso. Muito pelo contrário. Transformou-se numa verdadeira franchise (como lhe chamam orgulhosamente hoje em dia) e chegou aos 10 filmes. Incrível! Também chegou ao mundo dos (novos) livros, das BD's e dos videojogos. Li algures que ainda recentemente esteve para ser transformada em série de TV, mas parece que o projecto não foi avante.
Há que admitir que os filmes são maus. Quer dizer, o primeiro é fixe, precisamente por ter sido o primeiro. A história de Clive Barker, o cubo, os cenobitas, e a personagem Pinhead são muito boas e chegaram ao mainstream. Não me admiraria nada que muito em breve fizessem um reboot ao conceito e que fosse um enorme sucesso. Sim, porque também de lembro de ver "filmes de efeitos gore" de terceira categoria com zombies (que na altura eram maioritariamente uma palhaçada), e agora temos donas de casa que são fãs do Walking Dead, portanto é esperar para ver... ○○○○○
Há que admitir que os filmes são maus. Quer dizer, o primeiro é fixe, precisamente por ter sido o primeiro. A história de Clive Barker, o cubo, os cenobitas, e a personagem Pinhead são muito boas e chegaram ao mainstream. Não me admiraria nada que muito em breve fizessem um reboot ao conceito e que fosse um enorme sucesso. Sim, porque também de lembro de ver "filmes de efeitos gore" de terceira categoria com zombies (que na altura eram maioritariamente uma palhaçada), e agora temos donas de casa que são fãs do Walking Dead, portanto é esperar para ver... ○○○○○
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Lembro-me que Hellbound: Hellraiser II incide na história de Elliott Spencer (finalmente consegue-se ver a cara de Doug Bradley), um militar britânico da I Guerra Mundial, antes de se transformar no Cenobita Pinhead e que se passa num hospital psiquiátrico onde está internada a rapariga do primeiro filme. Há também um médico alucinado (Kenneth Cranham) que vai querer descobrir todos os segredos do cubo e que vai viajar literalmente até ao Inferno... Também há um labirinto gigante... Bem, não me lembro do filme. Vi-o há tantos anos que simplesmente se varreu da memória. O filme é ainda mais gore que o anterior e logo com muito mais efeitos (e mais complexos) e tinha mais presenças dos Cenobitas e de Pinhead, entretanto confirmado como a grande estrela do filme. Foi o suficiente para torná-lo na personagem pop que ainda hoje perdura. É uma sequela que tem de facto mais história complementar (também de Clive Barker) mas cada vez mais estranha e confusa. De resto é mais (tripas) do mesmo. ○○○○○
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Há coisas que nos marcam para sempre. Como por exemplo, ter um prego espetado na cabeça. Não foi assim tão literal, mas Hellraiser marcou-me profundamente. Tenho que admitir que durante algum tempo (se calhar até demasiado) fui um viciado em filmes de terror. Isso quer dizer que nos anos 80 e 90 vi praticamente tudo o que podia ver dentro do género. Procurava os filmes de terror mais marados que conseguisse encontrar, sendo que marado quer dizer gore extremo. Vi coisas inacreditáveis e até consegui ver filmes raros que ainda hoje continuam banidos ou mesmo proibidos em muitos países. Com o tempo, acabei por me cansar da temática, e hoje em dia, dificilmente vejo um filme de terror.
A razão desse vício nem tinha propriamente que ver com a temática; era tudo por causa dos efeitos especiais. Numa altura em que não existiam efeitos digitais, quando numa cena alguém tinha de perder a cabeça, tinha mesmo que se fazer um modelo igual ao actor e arrancar-lhe a cabeça. Não quer dizer que tudo tivesse de ser tão violento. Os filmes de ficção científica também sempre foram terreno fértil para efeitos e também os vi quase todos exactamente pela mesma razão. A diferença entre a ficção cientifica e o terror era a referência. Um monstro extraterrestre tem muito mais margem para dissimular os efeitos que a agressão num corpo humano. (esta conversa está a tornar-se estranha...) Resumindo: nem gostava propriamente dos filmes de terror, só queria era ver novos efeitos e tentar perceber como é que os técnicos os faziam. Por isso é que também tenho uma grande colecção de livros e revistas da especialidade. Adiante...
Um dos problemas dos filmes de terror nos anos 80 e 90 é o mesmo problema que os filmes hoje em dia têm: praticamente não tinham uma história (era quase sempre uma perseguição de um assassino/demónio/monstro ao actor principal) e/ou eram sequelas. E também partilhavam outra característica: eram dos filmes que tinham o melhor rácio de custo na produção/lucro na bilheteira. só para se ter uma ideia, Hellraiser tinha um ridículo orçamento de 1 milhão de dólares e facturou 20 milhões. Tentador, não é? Consequentemente, havia uma autêntica invasão de filmes de terror e ainda por cima potenciado pelo aparecimento do VHS nos 80's e, mais tarde, do DVD nos 90's. Volta e meia lá aparecia uma história original, tinha sucesso na bilheteira, e a partir daí era sempre a mesma coisa. Pior ainda no campo do gore, onde para além de não haver uma história decente, tudo se resumia a apenas tripas sobre tripas.
Raramente havia algo de novo, e nesse aspecto, Hellraiser foi completamente diferente. Por trás do sangue e das vísceras existia mesmo uma história, que por acaso até era muito boa. Cliver Barker com os seus mundos, personagens e ambientes extravagantes, sexualmente carregados, já era bem conhecido no meio. Ninguém esperava é que ele fosse realizar um filme e ainda por cima com base no seu próprio livro. Também é sobejamente conhecido o reconhecimento dos trabalhos de Barker, por parte do próprio rei do terror, Stephen King.
Hellraiser começa com um artefacto mágico antigo (um cubo?) que permite abrir um portal para uma dimensão paralela, de onde saem seres maléficos que levam o sofrimento ao extremo do prazer e da dor. O mais icónico dos quatros "monstros" que vêm dessa dimensão infernal é precisamente Pinhead, um ser com a cara retalhada e pregos espetados na cabeça. É tão fora do normal, tão distinto e com tão boas deixas, que acabou por chocar e ao mesmo tempo entrar na cultura pop. "No tears, please. It's a waste of good suffering"...
A história por trás do sangue é boa, mas os actores são maus. Escapam o Andrew Robinson e Clare Higgins. O resto (e nem há muito mais casting) é um bocadinho a descair para o amador, para não ser mais violento...
Um destaque para os efeitos especiais. Num filme de terror/gore, os efeitos são a cereja no topo do cadáver. E num mundo pré-efeitos digitais, fazer um filme destes era um desafio enorme. Neste caso, uma produção britânica de baixo custo, os efeitos são fixes por serem tão gore e... maus. Era a velha máxima da altura: não consegues fazer bons efeitos, então choca-os...
Hellraiser é a estilização máxima do gore. É um gore clássico. Tirando a história original, objectivamente, como filme é uma nulidade, mas leva 3 estrelas, pura e simplesmente por motivos pessoais. ●●●○○
A razão desse vício nem tinha propriamente que ver com a temática; era tudo por causa dos efeitos especiais. Numa altura em que não existiam efeitos digitais, quando numa cena alguém tinha de perder a cabeça, tinha mesmo que se fazer um modelo igual ao actor e arrancar-lhe a cabeça. Não quer dizer que tudo tivesse de ser tão violento. Os filmes de ficção científica também sempre foram terreno fértil para efeitos e também os vi quase todos exactamente pela mesma razão. A diferença entre a ficção cientifica e o terror era a referência. Um monstro extraterrestre tem muito mais margem para dissimular os efeitos que a agressão num corpo humano. (esta conversa está a tornar-se estranha...) Resumindo: nem gostava propriamente dos filmes de terror, só queria era ver novos efeitos e tentar perceber como é que os técnicos os faziam. Por isso é que também tenho uma grande colecção de livros e revistas da especialidade. Adiante...
Um dos problemas dos filmes de terror nos anos 80 e 90 é o mesmo problema que os filmes hoje em dia têm: praticamente não tinham uma história (era quase sempre uma perseguição de um assassino/demónio/monstro ao actor principal) e/ou eram sequelas. E também partilhavam outra característica: eram dos filmes que tinham o melhor rácio de custo na produção/lucro na bilheteira. só para se ter uma ideia, Hellraiser tinha um ridículo orçamento de 1 milhão de dólares e facturou 20 milhões. Tentador, não é? Consequentemente, havia uma autêntica invasão de filmes de terror e ainda por cima potenciado pelo aparecimento do VHS nos 80's e, mais tarde, do DVD nos 90's. Volta e meia lá aparecia uma história original, tinha sucesso na bilheteira, e a partir daí era sempre a mesma coisa. Pior ainda no campo do gore, onde para além de não haver uma história decente, tudo se resumia a apenas tripas sobre tripas.
Raramente havia algo de novo, e nesse aspecto, Hellraiser foi completamente diferente. Por trás do sangue e das vísceras existia mesmo uma história, que por acaso até era muito boa. Cliver Barker com os seus mundos, personagens e ambientes extravagantes, sexualmente carregados, já era bem conhecido no meio. Ninguém esperava é que ele fosse realizar um filme e ainda por cima com base no seu próprio livro. Também é sobejamente conhecido o reconhecimento dos trabalhos de Barker, por parte do próprio rei do terror, Stephen King.
Hellraiser começa com um artefacto mágico antigo (um cubo?) que permite abrir um portal para uma dimensão paralela, de onde saem seres maléficos que levam o sofrimento ao extremo do prazer e da dor. O mais icónico dos quatros "monstros" que vêm dessa dimensão infernal é precisamente Pinhead, um ser com a cara retalhada e pregos espetados na cabeça. É tão fora do normal, tão distinto e com tão boas deixas, que acabou por chocar e ao mesmo tempo entrar na cultura pop. "No tears, please. It's a waste of good suffering"...
A história por trás do sangue é boa, mas os actores são maus. Escapam o Andrew Robinson e Clare Higgins. O resto (e nem há muito mais casting) é um bocadinho a descair para o amador, para não ser mais violento...
Um destaque para os efeitos especiais. Num filme de terror/gore, os efeitos são a cereja no topo do cadáver. E num mundo pré-efeitos digitais, fazer um filme destes era um desafio enorme. Neste caso, uma produção britânica de baixo custo, os efeitos são fixes por serem tão gore e... maus. Era a velha máxima da altura: não consegues fazer bons efeitos, então choca-os...
Hellraiser é a estilização máxima do gore. É um gore clássico. Tirando a história original, objectivamente, como filme é uma nulidade, mas leva 3 estrelas, pura e simplesmente por motivos pessoais. ●●●○○
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Depois de uma série de estranhos eventos mundiais, um geofísico faz uma terrível descoberta: o núcleo da Terra deixou de rodar. Como consequência, o escudo eletromagnético que protege o planeta das ameaças exteriores está a deteriorar-se. Se nada for feito, a Terra será destruída.
Se isso acontecesse mesmo estaríamos condenados à extinção, mas como isto é um filme, há uma hipótese remota de sobrevivência: usar uma ultra avançada e secreta nave para chegar ao núcleo do planeta e detonar um engenho nuclear para reactivar o movimento no interior da Terra.
Dito assim, The Core, tinha tudo para ser um completo desastre. Tem uma premissa científica ao nível de uma aula de ciências da natureza do 7.º ano; parece outro daqueles filmes desmiolados, repletos de acção, explosões espectaculares e efeitos de destruição maciça digital; e ainda por cima é um remake de (Deep Core) uma produção de série B (ou C?) feito uns anos antes. Mas não é o caso. Curiosamente até é um filme bem jeitoso. É despretensioso, tem algum "miolo", foge de alguns dos clichés como o do "vou-me sacrificar nesta cena emotiva em prol da Humanidade" e tem realmente bons actores como Aaron Eckhart, Hilary Swank, Delroy Lindo, Tchéky Karyo e Stanley Tucci.
Apesar de ser exactamente igual a outros blockbusters de destruição planetária, The Core tem algo que o distingue dos restantes. Serão os actores? Será o equilíbrio entre interpretação dramática e os efeitos especiais? Será um certo cheirinho a Viagem ao centro da Terra de Júlio Verne? Sinceramente, não sei identificar o porquê, mas destaco-o dentro do género, e estranhamente é um dos meus "filmitos de ficção cientifica/acção/efeitos especiais" favorito. ●●○○○
Se isso acontecesse mesmo estaríamos condenados à extinção, mas como isto é um filme, há uma hipótese remota de sobrevivência: usar uma ultra avançada e secreta nave para chegar ao núcleo do planeta e detonar um engenho nuclear para reactivar o movimento no interior da Terra.
Dito assim, The Core, tinha tudo para ser um completo desastre. Tem uma premissa científica ao nível de uma aula de ciências da natureza do 7.º ano; parece outro daqueles filmes desmiolados, repletos de acção, explosões espectaculares e efeitos de destruição maciça digital; e ainda por cima é um remake de (Deep Core) uma produção de série B (ou C?) feito uns anos antes. Mas não é o caso. Curiosamente até é um filme bem jeitoso. É despretensioso, tem algum "miolo", foge de alguns dos clichés como o do "vou-me sacrificar nesta cena emotiva em prol da Humanidade" e tem realmente bons actores como Aaron Eckhart, Hilary Swank, Delroy Lindo, Tchéky Karyo e Stanley Tucci.
Apesar de ser exactamente igual a outros blockbusters de destruição planetária, The Core tem algo que o distingue dos restantes. Serão os actores? Será o equilíbrio entre interpretação dramática e os efeitos especiais? Será um certo cheirinho a Viagem ao centro da Terra de Júlio Verne? Sinceramente, não sei identificar o porquê, mas destaco-o dentro do género, e estranhamente é um dos meus "filmitos de ficção cientifica/acção/efeitos especiais" favorito. ●●○○○
Estamos numa era de tsunamis de remakes, sequelas e afins, por isso, inevitavelmente a onda chegaria à Antártida e ao clássico de terror de The Thing, de John Carpenter.
Este novo The Thing (2011 [como agora os filmes são quase todos remakes ou sequelas, têm de vir acompanhados com designações de número ou subtítulo para uma pessoa perceber de que filme é que se trata, senão teriam todos os mesmos nomes]), de Matthijs van Heijningen só tem uma coisa de bom, que é ser fácil de comentar: basicamente, não presta. Parece que é uma prequela do original, mas é exactamente a mesma coisa só que não tem nada do que era bom no primeiro filme. A mesma história, o mesmo desenrolar, zero novidades, mas agora com muito mais gore e sangue. Que perda de tempo... ○○○○○
Este novo The Thing (2011 [como agora os filmes são quase todos remakes ou sequelas, têm de vir acompanhados com designações de número ou subtítulo para uma pessoa perceber de que filme é que se trata, senão teriam todos os mesmos nomes]), de Matthijs van Heijningen só tem uma coisa de bom, que é ser fácil de comentar: basicamente, não presta. Parece que é uma prequela do original, mas é exactamente a mesma coisa só que não tem nada do que era bom no primeiro filme. A mesma história, o mesmo desenrolar, zero novidades, mas agora com muito mais gore e sangue. Que perda de tempo... ○○○○○
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Em 1781, Antonio Salieri é o compositor oficial do imperador austríaco Joseph II (Jeffrey Jones). Com a chegada à corte de um jovem prodígio chamado Wolfgang Amadeus Mozart, o reconhecido compositor italiano sente-se imediatamente confrontado com aquela peculiar personalidade, mas especialmente, afrontado com a sua genialidade natural. O seu lugar de destaque na corte pode estar em perigo. Enraivecido com toda a situação, Salieri fará tudo ao seu alcance para acabar com a crescente reputação de Mozart. Se calhar até mesmo matá-lo.
Amadeus está tão bem escrito (Óscar para Peter Shaffer) e tão bem realizado (Óscar para Milos Forman) que durante anos pensei mesmo que Mozart tinha morrido às mãos de Salieri (Óscar para F. Murray Abraham). Nunca ouvi falar desse compositor e nem sequer ouvi uma única musica dele, mas detestava-o só por causa do que ele fez ao Mozart.
Sou um fã incondicional de Mozart (só será talvez suplantado por Beethoven) por isso este é um filme mesmo à minha medida. E depois de ver tanta loucura e tanta tragédia, estranhamente, ainda fiquei mais ligado à música de Mozart.
Repleto dos excessos habitualmente presentes nos filmes de Milos Forman, Amadeus é uma peça única. É cómico e dramático, é louco e humano, é trágico e carinhoso, é sujo e charmoso, é épico e intimista, mas acima de tudo é uma fantástica homenagem ao génio de Mozart e do seu trabalho. É um daqueles filmes que está perfeito a todos os níveis. Não há nada de mal para dizer...
Incompreensivelmente, esta é uma produção "menor". Não faz parte de nenhum dos grandes estúdios de Hollywood. Pelo que li, parece que ninguém estava muito interessado em financiar um épico de quase 3 horas sobre música clássica. Deve ser por causa disso que não há "grandes" nomes no casting. Vincent Schiavelli, Roy Dotrice, Elizabeth Berridge ou Cynthia Nixon não são propriamente actores que arrastem público para os cinemas, não é verdade? Mas a realidade é que com "nome" ou sem "nome", são na mesma bons actores.
Uma referência imprescindível para Tom Hulce, num daqueles papelaços para ficar na história. Ninguém conseguiria fazer melhor, e não estou a ver outro actor que pudesse interpretar este papel. É tão simples quanto isso. Hulce "é" Mozart. Hulce "é" Amadeus. Totalmente obrigatório. ●●●●●
Amadeus está tão bem escrito (Óscar para Peter Shaffer) e tão bem realizado (Óscar para Milos Forman) que durante anos pensei mesmo que Mozart tinha morrido às mãos de Salieri (Óscar para F. Murray Abraham). Nunca ouvi falar desse compositor e nem sequer ouvi uma única musica dele, mas detestava-o só por causa do que ele fez ao Mozart.
Sou um fã incondicional de Mozart (só será talvez suplantado por Beethoven) por isso este é um filme mesmo à minha medida. E depois de ver tanta loucura e tanta tragédia, estranhamente, ainda fiquei mais ligado à música de Mozart.
Repleto dos excessos habitualmente presentes nos filmes de Milos Forman, Amadeus é uma peça única. É cómico e dramático, é louco e humano, é trágico e carinhoso, é sujo e charmoso, é épico e intimista, mas acima de tudo é uma fantástica homenagem ao génio de Mozart e do seu trabalho. É um daqueles filmes que está perfeito a todos os níveis. Não há nada de mal para dizer...
Incompreensivelmente, esta é uma produção "menor". Não faz parte de nenhum dos grandes estúdios de Hollywood. Pelo que li, parece que ninguém estava muito interessado em financiar um épico de quase 3 horas sobre música clássica. Deve ser por causa disso que não há "grandes" nomes no casting. Vincent Schiavelli, Roy Dotrice, Elizabeth Berridge ou Cynthia Nixon não são propriamente actores que arrastem público para os cinemas, não é verdade? Mas a realidade é que com "nome" ou sem "nome", são na mesma bons actores.
Uma referência imprescindível para Tom Hulce, num daqueles papelaços para ficar na história. Ninguém conseguiria fazer melhor, e não estou a ver outro actor que pudesse interpretar este papel. É tão simples quanto isso. Hulce "é" Mozart. Hulce "é" Amadeus. Totalmente obrigatório. ●●●●●
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Tenho uma tendência para guardar coisas. Não sei porque é que isso acontece, mas acontece. Até tenho tendência para guardar links... Para quê guardar cenas da net se nada sai de lá? Não faz sentido. Leio uma coisa na net, por qualquer motivo acho que é interessante... pimba! Guarda o link. Para quê? Para nada. Fica ali o coitado do link a "ganhar pó" para sempre ou até me aperceber que não tem interesse e acaba no caixote do lixo...
Aqui vão alguns desses links "muitos" interessantes sobre outras vertentes do mundo do cinema.
• www.moviemistakes.com - para aqueles puristas que procuram toda e qualquer falhazinha num filme... como eu.
• www.imagesjournal.com - site com fotos muito boas de cinema. Parece que anda meio parado, mas ainda tem um bom arquivo...
• Highest grossing movies box - artigo da Business Insider sobre os filmes que ultrapassaram a mítica barreira dos mil milhões de dólares de facturação. Loucura total nas caixas registadoras...
• O Tarantino Africano - artigo sobre Isaac Nabwana, conhecido como o Tarantino africano que faz filmes de acção em bairros de lata nos arredores da capital do Uganda... É mesmo verdade...
• Algoritmo prevê se filme vai ser um sucesso - artigo sobre um algoritmo que lê os argumentos e consegue prever se o filme vai ser um blockbuster ou não. Assustador...
• Film-makers & Frankenstein - e finalmente, um artigo muito interessante sobre o fascínio dos realizadores com a personagem de Frankenstein. It's (still) alive!...
Para quem teve a paciência suficiente de estar a carregar nos links todos, deixo um pequeno extra que tinha para aqui perdido. Eu sempre pensei que aquela cena era digital... Mas pensando bem, é a Ellen Ripley, portanto...
Aqui vão alguns desses links "muitos" interessantes sobre outras vertentes do mundo do cinema.
• www.moviemistakes.com - para aqueles puristas que procuram toda e qualquer falhazinha num filme... como eu.
• www.imagesjournal.com - site com fotos muito boas de cinema. Parece que anda meio parado, mas ainda tem um bom arquivo...
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• Algoritmo prevê se filme vai ser um sucesso - artigo sobre um algoritmo que lê os argumentos e consegue prever se o filme vai ser um blockbuster ou não. Assustador...
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Há filmes que marcam uma pessoa. Top Gun não é um desses exemplos. Apesar do gigantesco sucesso de bilheteira, não o vi na altura da estreia (nem do lançamento em VHS). Deve ter sido um dos poucos filmes da década de 80 que não vi. Lembro-me de toda a gente falar do filme, principalmente porque tinha dois dos sex symbols masculinos da altura: Tom Cruise e Val Kilmer. As miúdas não falavam de outra coisa. Se bem que nesse filme havia outro sex symbol da época que interessava mais aos rapazes: a belíssima Kelly McGillis. Por causa destes "fatores", fiquei com a ideia errada que era um "filme de romance". Deve ter sido por essa razão que não o vi. Os anos passaram-se e Top Gun caiu no meu esquecimento. Só o vi para aí há uns 5 anos e obviamente foi de rir. Foi como ver o Rambo agora. Não faz sentido, não é verdade? É incrível. Devo ser uma das três pessoas no mundo, que sendo contemporâneo do filme, não o viu na altura. Mas teve tanto impacto que mesmo assim conhecia-o perfeitamente. Aliás, adorava a música dos Berlin filmado naquele cemitério de aviões e cheio de clips do filme. Durante anos foi apenas isso que sabia sobre o Top Gun: que tinha grande música pop (do excelente Giorgio Moroder), grandes cenas arriscadas com aviões a jacto a velocidades estonteantes e gajos super-estilosos vestidos de blusão de couro e t-shirt branca a andarem de moto com os seus óculos tipo Police... Mais 80's era impossível.
Realizado por Tony Scott (irmão do Ridley Scott), Top Gun é uma história simples de competição feroz em ambiente militar (e romance...) que ficou para a história, apesar de ser mais uma (boa) chachada dos anos 80. Dou-lhe o reconhecimento devido. À dupla sexy Cruise/Kilmer ainda se juntam uma data de gajos que curto particularmente como Tom Skerritt, Michael Ironside, Tim Robbins e até tem a Meg Ryan, que parece ter sempre a mesma idade em todos os filmes. Estranho...
É produzido por Jerry Bruckheimer... não se nota logo? O estilo está lá todo, apenas faltam os famosos lens flare... Espera. Isso é do Michael Bay... Bruckheimer, Bay... É mais ou menos a mesma coisa... Confundo-os sempre... Adiante... No geral, Top Gun nem é tão mau quanto pensava, se bem que se parece mais com uma campanha de angariação de candidatos para a Marinha do que propriamente um filme de acção. As cenas com os caças até me surpreenderam bastante pela positiva. Só que lá está, tudo tem o seu tempo próprio e este filme devia ter sido visto na altura correcta, que era nesse longínquo ano de 1986.
Já ouvi dizer que vem aí um remake ou uma sequela (mais uma prova que nos estúdios de Hollywood acabaram-se mesmo as ideias), portanto há que estar preparado mentalmente para o impacto... ●●○○○
Realizado por Tony Scott (irmão do Ridley Scott), Top Gun é uma história simples de competição feroz em ambiente militar (e romance...) que ficou para a história, apesar de ser mais uma (boa) chachada dos anos 80. Dou-lhe o reconhecimento devido. À dupla sexy Cruise/Kilmer ainda se juntam uma data de gajos que curto particularmente como Tom Skerritt, Michael Ironside, Tim Robbins e até tem a Meg Ryan, que parece ter sempre a mesma idade em todos os filmes. Estranho...
É produzido por Jerry Bruckheimer... não se nota logo? O estilo está lá todo, apenas faltam os famosos lens flare... Espera. Isso é do Michael Bay... Bruckheimer, Bay... É mais ou menos a mesma coisa... Confundo-os sempre... Adiante... No geral, Top Gun nem é tão mau quanto pensava, se bem que se parece mais com uma campanha de angariação de candidatos para a Marinha do que propriamente um filme de acção. As cenas com os caças até me surpreenderam bastante pela positiva. Só que lá está, tudo tem o seu tempo próprio e este filme devia ter sido visto na altura correcta, que era nesse longínquo ano de 1986.
Já ouvi dizer que vem aí um remake ou uma sequela (mais uma prova que nos estúdios de Hollywood acabaram-se mesmo as ideias), portanto há que estar preparado mentalmente para o impacto... ●●○○○
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