0065 Transformers; 0066 Transformers: Revenge of the Fallen; 0067 Transformers: Dark of the Moon; 0068 Transformers: Age of Extinction; 0069 Battleship
Posted by artzzz333
Posted on 17:59
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Transformers é o género de filme que sei que não vou gostar mas tenho de ver. E quando digo que não vou gostar quer dizer que após alguns minutos de o ter visto já o esqueci. São filmes feitos para os olhos, não para a cabeça... Já sei que vai ser um festim de acção, perseguições e explosões constantes, efeitos especiais do outro mundo, câmaras hiper-lentas, ângulos de filmagem impossíveis e muito reflexo de luz. Uma autêntica verborreia visual. O visual típico de Michael Bay. Ah!, e moças em biquini envoltas em espuma fofa a lavar carros desportivos com a bandeira americana desfraldada ao vento em plano de fundo. Isso causa-me uma espécie de amor-ódio. Quer dizer, é como os acidentes na auto-estrada: uma pessoa já viu dezenas, mas tem sempre que abrandar para ver melhor... e já agora, buzinar aos outros gajos que param. O mesmo se passa no caso do crítico (profissional ou amador) que adora detestar estes filmes, mas que depois os vê em segredo para desopilar de ver tantos filmes europeus que muitas vezes são uma gigantesca seca...
Como sempre, o efeito novidade do primeiro filme impôe-se. Vendo o primeiro (que nunca é tão mau quanto parece), os outros parecem sempre iguais. E neste caso, são mesmo iguais. É como ver uma série. Vendo os trailers todos de seguida levanta-se uma questão pertinente: existe mesmo alguma diferença entre eles? Não serão todos o mesmo filme? Adiante.
Em miúdo, quando via os desenhos animados dos Transformers, o que mais queria era outro episódio para ver os carros, tanques e aviões a transformarem-se em robots. Nesta série de filmes, é o mesmo, só que em CGI. De carne e osso há imensa gente como Shia LaBeouf, Megan Fox, Jon Voight, John Turturro, Patrick Dempsey, Frances McDormand, John Malkovich, Mark Wahlberg, Stanley Tucci, Kelsey Grammer e até Buzz Aldrin, mas só lá estão para dar um bocado de descanso aos nervos ópticos e ao pessoal dos efeitos especiais.
Neste caso, a história não interessa para nada. Quem é que quer saber da história? O que uma pessoa quer é ver os robots em acção, os Autobots e os Decepticons à porrada e a partirem tudo da maneira mais espectacular possível. Até porque normalmente estas histórias são lineares e "chapa 4" para não prejudicarem a continuidade e qualidade dos efeitos especiais: existe uma coisa qualquer que pode destruir a Terra e por isso os "bons" e os "maus" disputam-na; inevitavelmente, acabam nas mãos dos indefesos, mas resilientes humanos, que com a juda dos "bons" acabam por salvar o dia e o mundo. No caso mais gritantemente pateta do primeiro filme, quando o "mau" do Megatron consegue pôr as mãos robóticas em cima do tal cubo que todos procuram... morre ao tocar-lhe. AH?!? Alguém perdeu um bocado a noção do rídiculo quando escreveu isto, não? Lá está, o foco está todo na qualidade das explosões e não na qualidade do guião.
O Michael Bay tem o seu lugar muito específico na indústria do cinema e eu respeito isso. Criou um estilo próprio, que é facilmente identificável e faz literalmente toneladas de dinheiro com os seus produtos de cinema. O que não quer dizer que os seus filmes valham alguma coisa. Por vezes parece-me que o Michael Bay percebe isto tudo e exagera tanto na produção dos filmes só para chatear os críticos. Mas isso sou eu a pensar alto...
Estes filmes têm de ser encarados como realmente são: um produto de consumo rápido, como um hamburger do McDonald's ou uma Coca-Cola, por exemplo. Sabem muito bem, satifazem no imediato, mas devem ser consumidos com moderação para não causar problemas de saúde. Eu só consigo imaginar o que aconteceria se uma pessoa visse os filmes todos de seguida: provavelmente tinha uma problema nos nervos ópticos ou acabaria num hospital com um caso sério de epilepsia... ●○○○○
+ bónus Hasbro: Battleship
A pergunta que fica depois de ver todos os Transformers é: será que é possível fazer algo pior? Infelizmente, sim! Quando o acabei de ver Battleship - outra adaptação (?) de brinquedos da Hasbro - que é igual aos Transformers, mas em versão batalha naval, a única coisa em que pensava era: como é possível? Alexander Skarsgård, Liam Neeson, Taylor Kitsch e Rihanna (ah?!) aparecem num filme que só existe devido ao sucesso dos Transformers. Mas se a saga dos robots que se transformam em carros são hamburguers, Battleship é a versão Happy Meal. Quarenta por cento do lucro da McDonald's advém da venda de Happy Meals, por isso percebe-se a lógica comercial da coisa. Porque o que interessa aqui é isto: fazendo as contas por alto, estão aqui investidos 1.000 milhões de dólares na produção de 5 filmes! Parece muito dinheiro? Se compararmos com os 3.000 milhões de dólares (que até deve ser mais) de lucro já não parece tanto, pois não? E no final, é isto que interessa, dinheirinho em caixa e mais nada.
Mas independentemente da questão comercial, isto não é um filme em condições: é um hamburger tipo sola de sapato e uma cola quente sem gás. É algo intragável. Um daqueles filmes raros que vale literalmente zero. Parece um filme que foi feito para promover a venda do jogo de tabuleiro que lhe deu origem. Só falta saber o que virá a seguir: fazer um filme baseado na complexidade do Tetris? Na história bombástica do Minesweeper? Uma comédia romântica com o Pac-Man? É que se der lucro, tudo é possível... ○○○○○
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