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Em 1951 estreava The Day the Earth Stood Still para espanto dos frequentadores de cinema. Em 2008 chegou aos cinemas um remake com o mesmo título. A história de base para esta nova adaptação vem realmente do filme e não do conto original, o que demonstra que por si só o filme já é uma fonte de inspiração directa e o quanto foi marcante. Apesar de passar mais de 50 anos desde a estreia do original, as alterações na história não são assim tão substanciais, o que demonstra também que há qualquer coisa de universal e intemporal na mensagem do filme.
Tal como no original, uma misteriosa nave, agora uma misteriosa orbe verde, aterra na América no Central Park. Junto com outros especialistas, Helen Benson (Jennifer Connelly) é uma cientista que é chamada de emergência para resolver esta crise repentina e responder a questões prementes. De dentro da nave sai um extraterrestre com forma humana - que mais tarde se saberá que se chama Klaatu (Keanu Reeves) - e junto com ele, vem também um ameaçador robot gigante. À chegada, a mensagem de Klaatu é de paz e ele diz que vem salvar o planeta Terra. O choque entre civilizações não corre bem e Klaatu é preso e levado para interrogatório. Mas Klaatu tem alguns truques na manga e consegue fugir com a ajuda de Helen e revela que vem salvar a Terra... dos humanos que sem consciência ecológica têm vindo a destruir o planeta.
As comparações com o filme original são óbvias e o cerne da questão continua a ser o mesmo: o conflito. Mas se no primeiro filme, o conflito era a Guerra Fria e a ameaça era a proliferação das armas nucleares, nesta nova versão, o conflito é ecológico e a ameaça é a obliteração do mundo natural. No resto do filme tudo se mantém mais ou menos igual. Obviamente que tendo as ferramentas digitais ao serviço, Scott Derrickson usou e abusou deste artifício. Até em situações em que não faziam falta nenhuma, mas a necessidade de dar velocidade à acção é quase imperativa hoje em dia. Paradoxalmente é o seu maior problema. Mas por outro lado, ajuda bastante como é o caso do robot GORT que invés de ser uma simples "lata metálica" acaba por aparecer totalmente retransformado e muito mais ameaçador que o original. E muito maior também. E para mim, a grande figura do The Day the Earth Stood Still será sempre aquele robot. Aqui, os upgrades são mais que evidentes. GORT agora é significado de Genetically Organized Robotic Technology, uma espécie de forma biológica composta por milhões de nano-robots devoradores de matéria e auto-replicantes. Uma ideia absolutamente aterradora se pensarmos bem. GORT é tão poderoso, que ao contrário do que aconteceu no primeiro filme em que a electricidade é desactivada temporariamente (daí o dia em que a Terra parou), aqui ela é desactivada mundialmente e de forma definitiva, numa clara alusão à necessidade de refrear o ímpeto de destruição da natureza.
Keanu Reeves encaixa perfeitamente no papel de Klaatu. Reeves nunca foi um actor do meu agrado porque me parece pouco expressivo em termos faciais. Não sei explicar muito bem este fenómeno, mas neste caso (como noutros papéis) acho que fica impecável. Jennifer Connelly é a nova humana "compreensiva" e como actriz, Connelly terá sempre a minha aprovação. O restante pessoal é mesmo muito secundário como é normal nestas produções mais mainstream (Kathy Bates, Jaden Smith e John Cleese) por isso o único destaque terá de ser para o Jon Hamm, não pela performance, mas porque é uma versão moderna do original "Hugh Marlowe", replicando exemplarmente a personagem, ao ponto de copiar inteiramente o look físico original. As personagens são todas muito boas, mas acho que a personagem estereotipada do "humano intolerante e desconfiada" da mudança e da novidade é sempre de realçar...
The Day the Earth Stood Still não sofreu muito com o efeito remake moderno. Continua a ter bons momentos e bons pormenores e acabou por se reinventar com uma nova mensagem anti-conflito, desta vez, enveredando pela questão ecológica e com efeitos mais permanentes. Não afronta o original e vê-se bem. ●●

Nesta altura de pandemia em que o cinema literalmente parou é uma boa altura para ir ao baú e desenterrar os clássicos. E nada melhor para isso que revisitar uma dos grandes clássicos da ficção científica, The Day the Earth Stood Still, que só pelo título seria um dos melhores filmes para descrever a situação actual.
A história passa-se na altura da Guerra Feira, quando um objecto voador misterioso é detectado a viajar a velocidades impossíveis pela atmosfera da Terra. Para surpresa de todos, o OVNI aterra gentilmente num parque em Washington. O pânico instala-se. Rodeado por forças militares fortemente armadas e hostis, do OVNI acaba por sair o que aparenta ser um homem "normal", acompanhado por um robot. O extraterrestre de forma humana chama-se Klaatu e o seu fiel e robusto robot dá pelo nome de GORT. Apesar da mensagem do extraterrestre ser de que vem em paz, o primeiro contacto entre as duas civilizações é muito pouco encorajador e não corre nada bem, já que um dos militares, em pânico, dispara contra ele. Isto faz com que percebam o enorme poder destrutivo do misterioso robot que o acompanha. Afinal, o que quer Klaatu? Será ele o mensageiro da esperança para um mundo em constante conflito? Ou será apenas o derradeiro ponto final da Humanidade?
The Day the Earth Stood Still é mesmo um dos grandes clássicos de sempre. A mensagem é tão actual agora como o era na época do embate surdo entre as duas super-potências nucleares. É inegável que este filme é um reflexo do seu tempo (a proliferação de armas nucleares), mas a história funciona bem em qualquer altura. Pensando bem, duma forma ou de outra, a humanidade parece que está sempre em conflito. Seja como for, a história é excelente. É baseado no conto de Harry Bates, Farewell to the Master, que diga-se recebeu apenas 500 dólares pelos direitos de autor. Outros tempos, sem dúvida. Não obstante este pormenor, a adaptação para cinema difere do conto: no original, o robot chama-se GNUT e no final revela que ele é que é o mestre do humanóide (que não passa de um clone com pouco tempo de vida) e não o contrário; daí o título original.
Michael Rennie como Klaatu, Patricia Neal como a compreensiva companheira humana e Hugh Marlowe no papel do homem intolerante, tratam dos principais papéis. Mas apesar de estarem todos bem, sinceramente, aqui o principal papel vai mesmo para as implicações de toda a história. Apesar das falhas cientificas (Klaatu diz que vem das profundezas do universo, mas a distancia fornecida é do interior do sistema Solar) que demonstram uma enorme inocência e desconhecimento científico tanto da produção como do próprio publico, The Day the Earth Stood Still tem uma simbologia muito própria que não é visível logo à primeira vista. Por exemplo, o nome terrestre que Klaatu adopta para se misturar com os humanos é "Carpenter" (Carpinteiro) numa clara alusão ao cristianismo que não pára por aqui. O facto de aparecer misteriosamente com uma mensagem de paz, aviso e conciliação; a personagem feminina chama-se "Mary"; e até o facto de Klaatu a determinada altura morrer e ressuscitar também não pode ser coincidência. É uma coisa engraçada que estes filmes antigolas têm: parece que há sempre um segundo sentido para além do que se está a ver.
Na cadeira do realizador está um senhor do cinema que dispensa apresentações, Robert Wise, que fez filmes de todos os estilos e para todos os gostos... e prémios. Para não ser maçador, apenas alguns exemplos para se perceber o calibre do homem: The Sound of Music, The Andromeda Strain, Star Trek: The Motion Picture, The Haunting e West Side Story. Acho que não é possível ser mais ecléctico. No lado sonoro, outra lenda, Bernard Herrmann, o mestre das orquestrações "estranhas". Aqui, o uso do teremim (um instrumento totalmente electrónico) ajudou a cimentar aquela que é "a" música da ficção científica...
The Day the Earth Stood Still continua a ser interessante hoje em dia, mesmo que tenha perdido uma parte da envolvência histórica daquele período marcante da história. Merece pelo menos, um lugar de destaque junto de outros grandes clássicos da ficção científica. ●●●

Number Five, é um robot experimental que faz parte da nova divisão de inteligência artificial dos militares. Numa demonstração pública é subitamente atingido por um raio e começa a transformar-se lentamente, desenvolvendo uma consciência e inteligência humana. Quando tenta ser reprogramado para volta ao normal, Number Five foge das instalações militares e encontra a ajuda de uma rapariga. Juntos vão tentar convencer o seu criador que Number Five está mesmo vivo, ao mesmo tempo que tentam fugir da perseguição dos militares...
Já passaram muitos anos desde que vi o Short Circuitshort pela primeira vez. É um marco na minha filmografia de criança. Inteligência artificial e robots são uma história muito à frente do seu tempo, principalmente porque este é um filme de entretenimento e para a família. Obviamente, visto pelo público actual deve parecer bastante infantil, mas na realidade é um filme bastante interessante e é um dos poucos verdadeiros "filmes de família", como tanto gostam de catalogar hoje em dia para levarem famílias inteiras ao cinema. Eu sei que é puro saudosismo, mas é o que é. É cómico, tem acção, tem robots (na altura era uma novidade que deixava um gajo de boca aberta...), é inocente... é muito bom. Faz parte do meu imaginário infantil.
Ally Sheedy e Steve Guttenberg são mesmo os actores principais aqui. Eram duas estrelas em ascensão nos anos 80 e têm todo o protagonismo. A química entre os dois funciona muito bem. Também há Fisher Stevens (Apu, dos Simpsons, és tu?!...), Austin Pendleton, G.W. Bailey e Brian McNamara que eram os secundários habituais daquela altura.
A grande força do filme vem da realização de John Badham, um gajo que descolou bem alto nos anos 80 com uma séerie de filmes de sucesso na bilheteira e na crítica, mas que depois voltou para o mundo onde começou, a TV. A outra grande força do filme vem do próprio robot, mais um fantástica criação de Syd Mead, o homem por detrás daquele look fantástico do Blade Runner entre outros clássicos do cinema. Para estes filmitos de família, iam-se buscar grandes nomes... Uma raridade hoje em dia...
Short Circuit teve direito a uma sequela que nunca tive oportunidade de ver. Muito provavelmente nunca irei ver. Agora já não faz sentido. Ia estragar a minha memória do primeiro filme e eu gosto de respeitar a originalidade dos filmes. Estou seguríssimo que mais cedo ou mais tarde irá ter um remake. (3)

PS: Qualquer parecença física do Number Five com o Wall-E da Disney/Pixar é a mais pura das coincidências...

Quando li que James Cameron estaria ligado directamente aos comandos da produção de um novo Terminator fiquei entusiasmado. É que desde o fantástico T2 que não houve nada de jeito para ver e algumas das "entregas da franchise" chegaram mesmo a roçar o ridículo. Tinha lido que este Terminator: Dark Fate seria supostamente uma continuação directa do T2. No entanto, isso não é verdade. Na realidade, é uma espécie reboot encapotado, para eventualmente começar uma nova saga da série.  Agora já não há Skynet, nem John Connor. São outros nomes mas é tudo igualzinho. A única parte em que essa cena da continuação da história faz sentido é apenas uma minúscula ligação e a presença de Arnold Schwarzenegger e de Linda Hamilton. A propósito destas duas presenças e parafraseando outro filme de culto, acho que vale a pena dizer: they are too old for this shit!...
Mas fosse esse o único problema do filme. Se calhar até acaba por ser a melhor parte, se bem que Schwarzenegger continua a ridicularizar a sua personagem, um hábito que já vem do T3. É uma das coisas que ainda não entendi. E se Linda Hamilton aparece muito bem (toda turbinada), o resto do casting é uma desilusão. Mackenzie Davis, Natalia Reyes Gabriel Luna até podem ser muito bons actores, mas não é aqui. E porquê a escolha "mexicana"? É que em termos de história nem sequer faz muito sentido. Em termos técnicos é tão competente como qualquer outro blockbuster do momento, ou não fosse realizado por Tim Miller, um dos muitos tarefeiros de estúdio do momento. Nem melhor, nem pior: igual. É essa a sensação geral que fiquei: igual a tudo resto. É mais um filme amorfo, sem alma, carregado de acção e efeitos especiais desnecessários e explosões visuais e sonoras que têm como único propósito despertar as pessoas do escuro do cinema. Nada mais que isso. Uma pena. Esquecível como tem sido hábito neste tipo de filmes. estando o James Cameron envolvido na história foi ainda mais decepcionante. O mais estranho é que isto não parece nada dele. Foi provavelmente a pior coisinha que vi com o nome dele envolvido. Quer-me parecer que andar há anos a filmar dúzias de Avatares começam a ter efeitos nefastos. Digo eu. Mas pode ter sido só marketing. Fica a dúvida. ○○○

Depois de ver um filme, o meu cérebro começa automaticamente a elaborar uma crítica. No caso de Vice, o meu cérebro desligou-se. Uma vazio de opinião. Nada. Zip. Nicles. Mentalmente falando, o meu cérebro eclipsou-se. Enquanto pensava no que dizer sobre Vice fui ao IMDB pesquisar e perceber se o filme que tinha acabado de ver era mesmo verdadeiro ou uma alucinação esquisita, e por acaso encontrei esta crítica fantástica: "Porno quality acting, porno quality actresses, porno quality dialog. gigantic plot holes, zero internal logic, ridiculous overuse of automatic weapons, bad science and disrespect for the laws of physics, poor CGI, rotten set design, bad lighting, yada, yada. Oddly enough, the sound, editing and cinematography were professionally acceptable." E é mesmo isto. Resume perfeitamente o que achei sobre o filme. É incrivelmente mau. Uma cópia descarada do Westworld (mais uma história do robot que se torna consciente... [outra vez?!?]) que sempre que esbarra num buraco do argumento, resolve-o com uma cena de acção disparatada (basicamente alguém aparece e desata aos tiros para todo o lado), filmado em cenários de outros filmes e séries de TV, interpretado maioritariamente por actores com capacidades de representação ao nível de um filme porno mediano, e dois actores de renome (Thomas Jane e Bruce Willis [o que é que vocês estão a aqui a fazer, meus?!?]) tão embaraçados por estarem ali que tentam a todo o custo esconder-se das câmaras e interagir o mínimo possível no filme. Isto não é um filme. É... uma "coisa". É que nem consigo articular um insulto de tão mau que é. Não entendo como estas "coisas" conseguem passar por todo o processo de criação e produção e ainda assim chegar ao grande público. Quer dizer, até percebo... Arranja-se uma história da treta, põe-se uns tiroteios jeitosos pelo meio e junta-se-lhe um ou dois nomes conhecidos para dar a cara no trailer. Isto é mais um caso de fraude do que propriamente cinema, mas tudo bem... É deprimente. É raro, mas é um rotundo zero. ○○○○○

THX é um normal cidadão que vive, sem questionar nada, no seu subterrâneo asséptico, algures no distópico século XXV (será?!?). Mas devido à influência de LUH 3417, a sua subversiva companheira de quarto, deixa de tomar os comprimidos obrigatórios para controlo mental e começa lentamente a mudar a sua forma de pensar. E da crisálida homogénea de THX 1138, emerge um novo e perigoso "TEX": um cidadão com a capacidade de pensar, questionar e reagir contra o status quo...
Eis o primeiro mundo cinematográfico de George Lucas. Controlo mental com drogas para suprimir emoções; prisões infindável sem paredes nem limites; trabalho como ideologia, consumo como religião, em que as pessoas trabalham para construir máquinas e robots que controlam o trabalho das outras pessoas. É um mundo branco, minimal e desprovido de tudo, mas no essencial é o mais negro que se pode imaginar.
É daqueles filmes que apesar de estar tecnologicamente muito "marcado" no tempo, paradoxalmente, por ser tão a-estético e distópico, se torna ao mesmo tempo extremamente actual. Strange but true. Junta-se a este lado positivo da balança o excelente som de toda a produção. Aliás, sonora e visualmente THX é absolutamente fantástico. Os pouquíssimos actores também assentam que nem uma luva neste ambiente impessoal de desumanizado (Robert Duvall, Maggie McOmie, Donald Pleasence e Don Pedro Colley). Por último, aquele final ambíguo, sem se perceber se ele volta atrás ou se simplesmente não há nada cá fora, é um daqueles "remates" perfeitos e que termina espectacularmente bem o filme.
Por outro lado, o negativo, há de facto a questão da desactualização tecnológica (que é uma marca demasiado profunda e marcante) e a montagem, que parece algo errática, mais virada para as questões e ligações estéticas do que para dar suporte ao guião, o que dá um ar por vezes desconexo a toda a história. Acho que é até o ponto mais negativo de todo o filme.
THX 1138 parece verdadeiramente um filme de fim de curso de cinema, mas sob o efeito de esteróides. Muuuuitos esteróides. Acho muito interessante, o misto de juventude com maturidade, o que revelou nitidamente todo o potencial de um gajo anónimo, mas que viria a ser "o" George Lucas. E tudo o que se seguiu é simplesmente história do cinema... Não sendo uma obra-prima, THX 1138 é um dos meus filmes preferidos de todos os tempos, porque sempre que o revejo me lembra que é possível fazer tanto com tão pouco... Uma referência e um verdadeiro filme de culto. ●●●●○


Há dois tipos de filmes sobre os quais é fácil de escrever: os muito maus e os muito bons. Westworld é do segundo tipo por isso não me vou alongar muito. Já deve ter havido teses de mestrado sobre o assunto e qualquer livro de cinema já escrutinou o filme (ou pelo menos a história) ao milímetro do frame. É um clássico da ficção científica que toda a gente deveria ver. Foi totalmente revolucionário e um marco até hoje.
Mas o que mais me surpreende em Westworld é o salto mental. Michael Crichton é um gajo com uma cabeça muito à frente do seu tempo. Como é que nos anos 70, quando 99,99% das pessoas nem sequer sabia o que era um computador (que tinham uma capacidade de processamento de uma actual calculadora) consegue imaginar coisas como parques de diversão com autómatos iguais a humanos? É um salto mental absolutamente gigante. É a mente de alguém que está décadas à frente dos restantes. É preciso ter muita visão. E muita imaginação.
Mas se por um lado, a história é fantástica, o filme no seu todo deixa algo a desejar. Crichton sempre escreveu grandes histórias, mas quando se mudou para a cadeira do realizador, os resultados nunca foram os melhores... E para uma ideia tão avançada como esta, os efeitos (que deveriam ser imaculados) até são aceitáveis, mas estão sempre a descair para o lado mau. Mesmo nessa altura já havia coisinhas mais bem feitas... Depois a escolha do actor principal também não ajudou (sem grande carisma ) e o restante casting fica-se quase pela mesma medida (Richard Benjamin, James Brolin). Fica o destaque para um grande senhor, Yul Brynner, um ícone do cinema que diz mais calado que muitos actores juntos a falar pelos cotovelos.
Como não sou fundamentalista, acho que este é um daqueles poucos casos que estava mesmo a pedir um remake. Seria totalmente justificado. Face à actual falta de ideias e ao risco zero que os estúdios querem ter nos seus investimentos, presumo que não deva estar muito longe... ●●●●○



Mas agora que penso melhor no assunto... O que é que será que o Crichton tem contra parques temáticos ou cenas de férias? O Westworld é um parque temático; o Jurassic Park também é; o Jaws passa-se numa colónia de férias... Hum.. Pode ser coincidência, mas acho que algo traumático lhe aconteceu enquanto passava férias... Ou talvez não...
Às vezes é difícil perceber a influência de um realizador na criação e desenvolvimento de um filme. Por isso mesmo, presentearam-me com Pacific Rim: Uprising para eu reflectir sobre o assunto. Depois do sucesso (merecido) de Pacific Rim, realizado por Guillermo del Toro claro que tinha de haver uma sequela. E aqui está Pacific Rim: Uprising de Steven S. DeKnight. E que grande diferença entre os dois filmes. Estava à espera que esta fosse uma sequela diferente das habituais, mas enganei-me... é a mesmíssima coisa. Segue à risca a lógica da sequela desmiolada: monstros maiores, armas maiores, mais acção, mais explosões e praticamente zero de história e já agora, de tudo o resto. O objectivo é voltar a vender um produto e fazer mais dinheiro. Tirando a questão financeira para o estúdio, não tem rigorosamente mais nada de novo, nem sequer de bom. O duo principal arrasta-se envergonhado pela história (John Boyega, Scott Eastwood), e até personagens fixes como as de Burn Gorman e Charlie Day agora parecem ridículas. A juntar a isto ainda há um elenco mix japonês/chinês (Tian Jing, Jin Zhang, Rinko Kikuchi) que também não acrescentam nada, porque só lá está para cativar o público asiático. E é isto. É somente uma questão de puxar a folhinha de Excel e consultar os números de bilheteira. Se este filme cobriu as despesas, teremos nova sequela, um Pacific Rim 3; se por acaso foi um flop... faz-se um reboot... ou uma prequela. ●○○○○


(ultimamente sinto que estou sempre a ver as mesmas coisas, uma e outra vez, sem parar... será que sou só eu que tenho esta sensação?)
A série de filmes Transformers é excelente... para quem tem um blog amador de crítica de filmes e não tem tempo quase nenhum para escrever grandes textos. É que não há muito a dizer. Transformers é acção, acção, acção e acção. Muito lens-flare e mais acção. Muita acção em câmara lenta. Miúdas sexys, carros e acção. É receita de bilheteira certinha. Nem é preciso fazer contas. Isto são filmes para dar muito dinheiro. E deram bastante. Tanto que isto prolongou-se do filme original até, digamos assim, à 5.ª entrega do coleccionável.
Com o sucessivo sucesso dos filmes e a necessidade de mais uma sequela para vender pipocas, apareceu um problema: é que o filme é sempre o mesmo... São as mesmas personagens e a história também é sempre a mesma: os bons lutam com os maus, mas há sempre um artefacto qualquer que pode destruir a Terra e vai sempre ter às mãos de um humano, que por sua vez ajuda sempre os bons a ganharem aos maus. Então o problema passou a ser: como diferenciar os filmes? A resposta veio através da criação de sub-títulos chamativos como Revenge of the Fallen ou Dark of the Moon. Ou Age of Extinction. Ou The Last Knight. Qual será o próximo? Transformers: Soul of Destiny? Transformers: Prime Universe? Transformers: Ultimate Destruction? Não sei. Mas cheira-me que será mais algo do género: Transformers: The New Beginning...
O que começou por ser uma história sobre um rapaz e o seu carro robótico, tornou-se numa obsessão de um realizador com a sua própria grandeza de acção. Michael Bay exagerou e ultrapassou todos os limites do que pode ser um bom filme de acção. Ficou tão embrenhado no seu sucesso (e na sua continuidade) que perdeu totalmente a noção da realidade. O culminar de tudo isto é mesmo este último filme (The Last Knight) que é tão massivo em termos de efeitos e acção que se tornou numa patetice digital que é a maluqueira total. Se visse o filme num IMAX, provavelmente tinha-me estourado o cérebro, tanta é a acção. É imparável. E pior que a demência digital, é a total e completa incongruência na montagem da história. A atenção na montagem está tão virada para acção que se esqueceram da história... Há lapsos óbvios nas histórias como passar-se do dia para a noite em segundos e as personagens desparecerem e aparecerem em cenas sem se perceber como é que aquilo aconteceu... Mas o que é que estou para aqui a dizer? A história interessa para alguma coisa? Ou as personagens? Isto é mesmo só para filmar explosões, robots em CGI, miúdas com ar de teenager maroto e vender bilhetes... Também não se pode ser muito exigente, não é verdade?
Em cinco "entregas" do coleccionável estiveram muitos e bons actores: Shia LaBeouf, John Turturro, Jon Voight, Frances McDormand, John Malkovich, Mark Wahlberg, Stanley Tucci e Anthony Hopkins. Como "miúda jeitosa oficial" esteve a lindíssima Megan Fox, que depois foi sendo substituída por outras sucessivas "miúdas jeitosas". Neste tipo de filmes, os actores têm obrigatoriamente de ir sendo substituídos porque arriscam-se a fritar o cérebro devido à pobreza dos guiões. Vejam por exemplo o que aconteceu com o Shia LaBeouf... Era um miúdo normal e depois dos Transformers acabou por enlouquecer... É perigoso para um bom actor fazer filmes deste género, e não é por causa das cenas perigosas de acção. É que pode muito bem ser o fim de uma carreira.
Os Transformers eram um dos meus desenhos animados favoritos quando era miúdo. Sonhava com carros robóticos inteligentes. Até imaginava que, talvez no futuro, os carros pudessem mesmo fazer aquilo tudo. Depois cresci e os desenhos animados acabaram. Admito que quando vi que o Spielberg ia produzir um "remake" dos Transformers até fiquei um bocadinho entusiasmado. Depois vi o primeiro filme e foi a desilusão total. Os restantes filmes voltaram, mas foi apenas para me atormentarem. Este último filme já disse tudo: The Last Knight. Apenas fixei a palavra "last". Para mim, já chega. É mesmo o último. ●○○○○ (○○○○○)

PS: A nota 1 é exclusivamente para o primeiro filme. Os restantes valem literalmente zero.
Duplo PS: Não me responsabilizo por danos cerebrais causados durante a visualização dos cincos trailers consecutivos. Aviso já que é perigoso para os olhos e aconselho o uso regular de gotas oftalmológicas.
Triplo PS: Só agora mesmo é que reparei que já tinha falado aqui dos primeiros 4 filmes. Não deixa de ser irónico... para um gajo que não queria perder muito tempo a falar destes filmes. E que até nem queria escrever "grandes textos". Mas agora já está feito, portanto, fica assim...

Robots gigantes, monstros extraterrestres gigantes, lutas gigantes com contentores a fazerem de luvas de boxe, petroleiros a servir de arma de arremesso, arranha-céus a serem despedaçados como se fossem feitos de papel... Pacific Rim é o filme de sonho para qualquer miúdo de 12 anos.
É um bom filmito de acção/ficção científica em tamanho XXL, com uma história original muito bem escrita, com algum "miolo" e ainda por cima, está muito bem feito.
Pacific Rim tem acção, tem drama, tem comédia, e não é imbecil como é norma nos filmes de entretenimento total. Está muito bem feito. Para o tipo de filme que é, está muito bom. O design da produção está excelente e até a música original é boa.
Bons actores ajudam sempre (Charlie Hunnam, Idris Elba, Rinko Kikuchi, Ron Perlman) e uma grande direcção de Guillermo del Toro (como já é normal) ajuda ainda mais. Uma agradável surpresa. É mais que óbvio que terá pelo menos mais uma sequela... ●●●○○



Red Planet não é uma daquelas obras brilhantes de ficção científica. Mas também não é muito mau. É um filme mediano sobre uma expedição a Marte que não corre conforme o planeado. O elenco é bom (Val Kilmer, Carrie-Anne Moss, Tom Sizemore e Terence Stamp), o que ajuda sempre, também o argumento é razoável apesar de previsível, e os efeitos especiais não desiludem (para a época). Não é nada de original, mas vê-se sem chatear. ●●○○○

Depois da desilusão total que foi Elysium, esperava imenso de Neill Blomkamp e deste Chappie. Quando acabei de o ver, tive com uma sensação esquisita: fiquei com mix reviews... Gostei e ao mesmo tempo não gostei. Gostei da aproximação dada à história, mas por vezes pareceu-me algo infantil, quase cómica. Gostei de rever o Dev "Slumdog Millionaire" Patel e a Sigourney Weaver, mas não consegui superar aquele cabelo demasiado estranho do Hugh Jackman.
A nível técnico, Chappie é 5 estrelas. Houve momentos em que me esqueci totalmente que o robot é uma criação digital. Enquanto via o filme, não conseguia deixar de pensar que em termos tecnológicos, no campo dos efeitos visuais, está quase a passar-se aquela fasquia em que o efeito digital passa perfeitamente por realidade. É todo um mundo novo que se abre para o cinema. Se for bem aproveitado, claro está...
Chappie tem algumas cenas excelentes, em que se ganha verdadeiramente empatia pela personagem do robot. Já para não falar das cenas em que parece que o robot se comporta mesmo como uma pessoa. É mesmo, mesmo estranho. E em certa parte, um pouco assustador.
A parte boa do filme é quase exclusivamente a parte técnica. A história e o "fecho" até foram bem tratados, tudo é perfeitamente lógico e plausível, mas apesar de ter uma aproximação diferente do habitual... é novamente um filme sobre Inteligência Artificial... Mais um.
A parte má é que é mais um filme à Blomkamp. Adorei o District 9, mas também não é preciso exagerar. É necessário dizer isto: Blomkamp é um bom realizador, mas está sempre a fazer o mesmo filme! A história muda, mas tudo o resto (visualmente) é tão igual, que parece que uma pessoa está sempre a ver o District 9. Chappie é "interpretado" por Sharlto Copley, o excelente Wikus Van De Merwe de District 9. Isto já não é só um fetiche: é pura reciclagem. Sinceramente, já me começa a chatear. Já li que Blomkamp vai realizar um novo Alien. Tenho um bocado de medo que a história se desenrole (novamente) numa espelunca qualquer na África do Sul e que seja muito parecido com... Bem, já deu para perceber...
Se quisesse ser simpático diria que Chappie "não é inesquecível, mas acaba por ser um bom filme de acção/ficção científica". Mas sinceramente, o que apetece dizer é: "Neill Blomkamp, acorda para vida, porque Chappie parece novamente o District 9, mas com robots no lugar de aliens..." ●●○○○


Num futuro próximo, os robots são uma constante da vida quotidiana. Quando o Dr. Alfred Lanning (James Cromwell), o mais conceituado cientista envolvido no desenvolvimento destas máquinas aparece morto, entra em acção o detective "robofófico" Spooner (Will Smith) para desvendar o crime. O aparente suicídio levanta muitas dúvidas e a investigação vai ao encontro de um robot muito especial chamado Sonny. Tudo indica que o robot é o culpado da morte do Dr. Lanning. Tudo isto é só a ponta do iceberg. O pior ainda está para vir, porque há uma conspiração por trás do crime...
A explosiva combinação Hollywood e blockbuster normalmente arrasa qualquer filme. E foi por um triz que não arruinou I, Robot de Alex Proyas. Provavelmente foi mesmo por ter o Alex Proyas à frente das câmaras que o filme ainda consegue chegar a padrões aceitáveis.
A base do filme é muito boa. As opiniões dividem-se entre uma colecção de histórias de Isaac Asimov e as aventuras de um robot chamado Adam Link escritas por Earl e Otto Binder. Nunca tive a oportunidade de ler nem um nem outro, portanto não sei quem será o "culpado" desta excelente história de ficção científica. O que sei é que a história é muito boa e o filme é medianamente bom, se considerarmos que hoje em dia o mix ficção científica/acção normalmente só gera anormalidades digitais. Tem muito bons momentos de cinema à Proyas, tem excelentes ideias, e é talvez um dos melhores a tratar a elevação das máquinas e a inteligência artificial, isto numa altura em que a IA ainda não estava muito na moda.
I, Robot tem excelentes efeitos especiais (como acontece com qualquer blockbuster que se preze), mas se calhar o melhor é mesmo o design de toda a produção, culminando numa das melhores representações de robots que já vi. Se chegarmos ao ponto de haver robots a passear pelas ruas (ou a patrulhá-las), tenho quase a certeza que serão muito parecidos com estes. Mas isso já é outra história...
Pelo lado negativo, há o casting. Não sei porquê, mas o Will Smith não encaixa bem neste filme. Até tem as suas piadas da praxe, mas há qualquer coisa que falha. E o resto do elenco também não ajuda. Fiquei com a sensação que por vezes os actores desapareciam do filme...
Tirando o excessivamente longo final que exagera nas cenas de acção (que não acrescentam nada à história) e que parecem que lá estão só para acrescentar tempo de filme e... acção, este é um dos poucos blockbusters que tem algum miolo. ●●●○○

Transformers é o género de filme que sei que não vou gostar mas tenho de ver. E quando digo que não vou gostar quer dizer que após alguns minutos de o ter visto já o esqueci. São filmes feitos para os olhos, não para a cabeça... Já sei que vai ser um festim de acção, perseguições e explosões constantes, efeitos especiais do outro mundo, câmaras hiper-lentas, ângulos de filmagem impossíveis e muito reflexo de luz. Uma autêntica verborreia visual. O visual típico de Michael Bay. Ah!, e moças em biquini envoltas em espuma fofa a lavar carros desportivos com a bandeira americana desfraldada ao vento em plano de fundo.
Isso causa-me uma espécie de amor-ódio. Quer dizer, é como os acidentes na auto-estrada: uma pessoa já viu dezenas, mas tem sempre que abrandar para ver melhor... e já agora, buzinar aos outros gajos que param. O mesmo se passa no caso do crítico (profissional ou amador) que adora detestar estes filmes, mas que depois os vê em segredo para desopilar de ver tantos filmes europeus que muitas vezes são uma gigantesca seca...
Como sempre, o efeito novidade do primeiro filme impôe-se. Vendo o primeiro (que nunca é tão mau quanto parece), os outros parecem sempre iguais. E neste caso, são mesmo iguais. É como ver uma série. Vendo os trailers todos de seguida levanta-se uma questão pertinente: existe mesmo alguma diferença entre eles? Não serão todos o mesmo filme? Adiante.
Em miúdo, quando via os desenhos animados dos Transformers, o que mais queria era outro episódio para ver os carros, tanques e aviões a transformarem-se em robots. Nesta série de filmes, é o mesmo, só que em CGI. De carne e osso há imensa gente como Shia LaBeouf, Megan Fox, Jon Voight, John Turturro, Patrick Dempsey, Frances McDormand, John Malkovich, Mark Wahlberg, Stanley Tucci, Kelsey Grammer e até Buzz Aldrin, mas só lá estão para dar um bocado de descanso aos nervos ópticos e ao pessoal dos efeitos especiais.
Neste caso, a história não interessa para nada. Quem é que quer saber da história? O que uma pessoa quer é ver os robots em acção, os Autobots e os Decepticons à porrada e a partirem tudo da maneira mais espectacular possível. Até porque normalmente estas histórias são lineares e "chapa 4" para não prejudicarem a continuidade e qualidade dos efeitos especiais: existe uma coisa qualquer que pode destruir a Terra e por isso os "bons" e os "maus" disputam-na; inevitavelmente, acabam nas mãos dos indefesos, mas resilientes humanos, que com a juda dos "bons" acabam por salvar o dia e o mundo. No caso mais gritantemente pateta do primeiro filme, quando o "mau" do Megatron consegue pôr as mãos robóticas em cima do tal cubo que todos procuram... morre ao tocar-lhe. AH?!? Alguém perdeu um bocado a noção do rídiculo quando escreveu isto, não? Lá está, o foco está todo na qualidade das explosões e não na qualidade do guião.
O Michael Bay tem o seu lugar muito específico na indústria do cinema e eu respeito isso. Criou um estilo próprio, que é facilmente identificável e faz literalmente toneladas de dinheiro com os seus produtos de cinema. O que não quer dizer que os seus filmes valham alguma coisa. Por vezes parece-me que o Michael Bay percebe isto tudo e exagera tanto na produção dos filmes só para chatear os críticos. Mas isso sou eu a pensar alto...
Estes filmes têm de ser encarados como realmente são: um produto de consumo rápido, como um hamburger do McDonald's ou uma Coca-Cola, por exemplo. Sabem muito bem, satifazem no imediato, mas devem ser consumidos com moderação para não causar problemas de saúde. Eu só consigo imaginar o que aconteceria se uma pessoa visse os filmes todos de seguida: provavelmente tinha uma problema nos nervos ópticos ou acabaria num hospital com um caso sério de epilepsia... ●○○○○





+ bónus Hasbro: Battleship
A pergunta que fica depois de ver todos os Transformers é: será que é possível fazer algo pior? Infelizmente, sim! Quando o acabei de ver Battleship - outra adaptação (?) de brinquedos da Hasbro - que é igual aos Transformers, mas em versão batalha naval, a única coisa em que pensava era: como é possível? Alexander Skarsgård, Liam Neeson, Taylor Kitsch e Rihanna (ah?!) aparecem num filme que só existe devido ao sucesso dos Transformers. Mas se a saga dos robots que se transformam em carros são hamburguers, Battleship é a versão Happy Meal. Quarenta por cento do lucro da McDonald's advém da venda de Happy Meals, por isso percebe-se a lógica comercial da coisa. Porque o que interessa aqui é isto: fazendo as contas por alto, estão aqui investidos 1.000 milhões de dólares na produção de 5 filmes! Parece muito dinheiro? Se compararmos com os 3.000 milhões de dólares (que até deve ser mais) de lucro já não parece tanto, pois não? E no final, é isto que interessa, dinheirinho em caixa e mais nada.
Mas independentemente da questão comercial, isto não é um filme em condições: é um hamburger tipo sola de sapato e uma cola quente sem gás. É algo intragável. Um daqueles filmes raros que vale literalmente zero. Parece um filme que foi feito para promover a venda do jogo de tabuleiro que lhe deu origem. Só falta saber o que virá a seguir: fazer um filme baseado na complexidade do Tetris? Na história bombástica do Minesweeper? Uma comédia romântica com o Pac-Man? É que se der lucro, tudo é possível... ○○○○○

Chicletes: filmes que normalmente são exemplares técnicos perfeitos, em que a produção é mais cara que o PIB de alguns países, mas que não têm substância nenhuma. É assim que os entendo. Quando vejo um filme e no dia seguinte ele desaparece da minha mente, isso é uma chiclete. Alguém se lembra do sabor da última chiclete que mastigou? Pois... O mesmo se passa com estes filmes. É bastante duro estar a deitar abaixo estas produções porque elas são verdadeiras potências visuais e técnicas que às vezes levam anos a compor. Alguns exemplos de chicletes para ver no fim de semana, se por acaso uma pessoa ficar retida em casa devido a uma tempestade tropical...

John Carter
Chiclete de primeira qualidade. Vai buscar uma história das antigas, embrulha tudo numa produção visual do mais avançado que existe e... não dá em nada. É daqueles filmes que se podem ver todos os anos. É sempre uma novidade. Não há nada que seja memorável. O que há: actores muito bonitos, grandes efeitos especiais, muito fundo verde, cenas de grande acção e algumas explosões. Pura verborreia visual feita à volta dos guiões típicos, mas muito bem construídos dos filmes Disney. O realizador, Andrew Stanton é conhecido por filmes como Finding Nemo e Wall-E, por isso não é de estranhar que todo o filme pareça um enorme desenho animado... só que com pessoas de carne e osso. A parte positiva é a construção do guião e a parte técnica. ●●○○○


Real Steel
É um filme de acção, de ficção científica e ao mesmo tempo, uma comédia light. Ou como se dizia antigamente, uma chiclete tutti-frutti. É a história usual do underdog, em que o gajo mais fraco, mas bom de coração, acaba por ganhar no final ao terrível e poderoso mauzão. Já toda a gente viu este género de filmes n de vezes. Mas ninguém resiste a ver mais uma vez. Tem robots muito bem feitos e tão fixes que nenhum miúdo lhes irá resistir. Tem também Hugh Jackman a tentar não fazer de Wolverine. Tem aquela história mil vezes vista da relação falhada entre pai e filho e... acho que mais nada. O positivo? É um filme para a família com boas mensagens. ●○○○○


The Host
Este filme pertence a uma classe totalmente à parte. É uma chiclete reciclada, sem sabor e que ficou esquecida a derreter no tablier do carro durante 3 dias. É um filme de adolescentes... que mais há para dizer? São 2 horas de tédio, ideias batidas, buracos no argumento e adolescentes lindíssimos. Vi-o ano passado e não há uma única cena que me lembre. A única coisa que recordo é qualquer coisa relacionada com os olhos parecerem lentes de contacto. Lembro-me que tem uns aliens invasores, humanos em fuga e pelo meio um triângulo amoroso (o que é que havia de ser?). É mais um filme que aproveita o sucesso dum livro que só é importante porque foi comprado por milhões de adolescentes. É a série Twilight mas com aliens. A autora do livro é a mesma, por isso o que é que esperava? O realizador é Andrew Niccol que tinha escrito e realizado o excelente Gattaca. Há comparação possível? Não me parece. Um dos piores filmes que já vi. O que tem de positivo? A visualização é opcional. ○○○○○

Há filmes que causam tanto impacto na estreia que têm obrigatoriamente que ter seguimento. É o caso de Robocop (1987). Deu origem a duas sequelas, uma série de tv, um jogo de computador, toneladas de merchandising e, recentemente foi alvo da nova moda de hollywood, o reboot.
A história de Robocop passa-se num futuro próximo (de 1987), numa Detroit distópica, onde o crime domina a cidade. Como se não bastasse, a cidade está prestes a ser totalmente privatizada e a cair nas mãos da OCP, uma mega-corporação omnipresente, omnipotente, corrupta e gananciosa que não olha a meios para atingir os seus fins. (Não deixa de ser curioso que o enredo do filme se tenha aproximado tanto da Detroit dos dias de hoje.)
A OCP tem apenas um propósito para a velha cidade: destruí-la e começar tudo de novo. Perante a impotência da polícia para travar a criminalidade, a OCP decide recorrer a robots para pacificar a zona, antes de iniciar a sua reconstrução total. A derradeira resposta ao crime urbano é o ED-209, um robot monstruoso e armado até aos dentes. Quando numa violentíssima cena, o ED-209 dá erro e mata alguns executivos da OCP, a corporação vira-se para um projecto alternativo, mistura de homem e máquina, chamado Robocop. Para isso, usam o que restou do polícia Alex Murphy (Peter Weller), violentamente morto por um grupo de perigosos criminosos com ligações à cúpula da OCP.
O filme tornou-se automaticamente num clássico da ficção científica, recheado de hiper-violência e crítica em forma de sátira às modernas sociedades de consumo. Apesar de não ser o primeiro filme de Paul Verhoeven em solo americano (o primeiro foi o excelente e esquecido Flesh & Blood) não deixa de ser uma "estreia" de arromba e um marco para o cinema e para o próprio Verhoeven. A partir daqui, seguiu quase sempre o mesmo registo violento e satírico (como em Starship Troopers e Total Recall), o que aparentemente levou a que nunca se afirmasse como grande realizador que é. Talvez o grande problema de Verhoeven é ser demasiado excessivo para Hollywood.
E, não há dúvidas, Robocop é excessivo. Para já, na própria mensagem e temática do filme: deturpação dos media, corrupção e violência generalizada, autoristarismo, ganância desmedida, desumanização, capitalismo selvagem e perversão da própria natureza humana. Depois, visualmente, para um filme de base "comercial" da altura, contém algumas das cenas mais violentas que já vi. Isto é o que poderia afectar o filme negativamente. Não foi o caso, porque o positivo suplanta em muito o potencial negativo.
Em primeiro, Robocop tem um conjunto brilhante de actores, a começar por Peter Weller, passando por Ronny Cox, Kurtwood Smith e Miguel Ferrer que dão uma seriedade impecável ao filme. Em segundo, tem uma história muito boa e totalmente original (convém sublinhar bem este factor, original) que criou um ícone/super-herói do cinema, assim como um supervilão muito diferente do habitual, a maléfica OCP. Em terceiro, os aspectos técnicos: a banda sonora é excelente assim como toda a componente de som; os efeitos especiais eram do melhor que havia na altura e, por se tratarem de robots, ainda se aguentam bem, mesmo passado tanto tempo.
Por último, Robocop tem um irreverente Paul Verhoeven atrás das câmaras, que, sem fazer nenhum tipo de concessões ao grande público, consegue manter um tom sério ao mesmo tempo que não despreza a acção pura e dura. Pelos exemplos das sequelas, percebe-se o quanto é difícil não entrar no campo do ridículo, principalmente quando se tem um polícia-robot como protagonista principal.
Quando o vi pela primeira vez, gostei imenso. Hoje, continuo a gostar. Para mim, é um clássico moderno da ficção científica, totalmente original, e que merece estar em qualquer lista dos melhores de sempre. ●●●●○



No seguimento do grande sucesso do primeiro filme, surgiu inevitavelmente uma sequela, Robocop2 (1990) . Esta, nem é assim tão má, como costumam ser as sequelas "tradicionais". Fica apenas uns furos abaixo do original. O enredo não foge muito à lógica do primeiro, com a excepção do confronto entre o Robocop original e um novo robot (o Robocop2), agora comandado por um traficante/criador de drogas sintéticas.
Este Robocop 2 não acrescenta nada de novo, mas também não cai no ridículo como aconteceu no terceiro filme. Perdeu obviamente, o efeito surpresa, o que já é bastante. Mas no fim, acaba por ser um filme medianamente bom. É dirigido por um realizador muito competente e habituado às grandes produções de acção, Irvin Kershner (Star Wars: Episódio V e 007, Never Say Never Again), continua a ser suportado por (alguns) bons actores, tem um argumento light, mas aceitável, e tem um ritmo acelerado e coerente durante todo o filme, que é o que se pretende num filme de acção.
Como se costuma dizer na gíria: "não é de especial, mas vê-se bem..." ●●●○○



É uma coisa que me intriga: como é que responsáveis por um estúdio de cinema vêm a montagem final de um filme destes e dizem: está bom, siga para as salas de cinema. Só vejo uma razão para isto acontecer. É alguém dizer: "vamos vender uns bilhetes, que as pessoas querem é ver o Robocop". E a lógica de querer vender bilhetes à força dá nisto: Robocop3 (1993). Uma anedota de filme. Um fim inglório para uma personagem icónica. Não há nada que se aproveite neste filme. O argumento é ridículo e mais parece que misturaram a história do Robocop com uma história duma moderna ascensão nazi. Chega ao absurdo de se substituir o actor principal por um parecido com o Peter Weller do filme original. É possível ir mais ao fundo? É, pois! Os efeitos especiais regrediram e são estupidamente ultrapassados. Repito: este é o exemplo de filmes feitos propositadamente para cavalgar o êxito dos anteriores, vender mais alguns bilhetes e mais nada. Na nova história, Robocop tem agora como adversário um "suposto" andróide japonês (a OCP foi comprada por uma empresa rival japonesa) que é uma espécie de robot-ninja (!?), que só se sabe que é um robot, porque quando morre emite algumas faíscas. Ridículo. Pior ainda, é que durante a maior parte do filme, o Robocop está partido ao bocados, avariado, desligado, a ser consertado ou está estatelado no chão, indefeso. E depois, no fim, ainda voa graças a um jet-pack... Não há palavras para descrever tanta mediocridade. Um filme que é uma nulidade, mas acima de tudo é uma cuspidela sem vergonha numa das melhores criações originais do cinema. Na ânsia do lucro fácil, os estúdios de Hollywood por vezes comportam-se como pequenas versões cinematográfica da OCP: não olham a meios para fazer uns dólares extra, nem que para isso tenham de matar e atirar para sarjeta as suas próprias criações. Inacreditável. ○○○○○



Como toda a gente já percebeu, em Hollywood, as ideias morreram há bastante tempo. Agora só existem adaptações de bandas desenhadas e/ou novelas gráficas, sequelas, prequelas, remakes e reboots de êxitos antigos. Inevitavelmente, o reboot tinha de chegar a Robocop (2014).
Tenho de admitir que não foi tão decepcionante como previa. Mas também não trouxe nada de novo, o que acaba por ser algo... decepcionante, já que a expectativa de ter José Padilha atrás das câmaras era bastante grande. É o chamado "mixed feeling".
A nova história é algo diferente. A OCP continua a ser a megacorporação ultra-gananciosa do original mas agora é mais global e militarizada. Presume-se que esteja numa fase mais avançada, tendo já em terreno estrangeiro robots a pacificar zonas urbanas em conflito. Já o agente Murphy torna-se em Robocop mais ou menos da mesma forma que o original. A dualidade homem-máquina acaba por ser um pouco mais aprofundada, mas ainda assim de uma forma muito light. Para além do update (mais ou menos bem conseguido) ao aspecto do próprio cyborg, a grande diferença deste filme para o primeiro é a abordagem dos media, menos satírica e muito mais contundente e crítica. Para isso muito ajuda Samuel L. Jackson a interpretar a figura de um grande comunicador de massas, que chega quase a ser assustador e que parece uma voz da propaganda do regime. E muito do filme gira em torno desse tema "quente": devem ou não, os robots ser introduzidos na vida quotidina como agentes da autoridade? Como se costuma dizer: é um tema complicado...
Como filme, tecnicamente é irrepeensível. Vindo dum realizador como José Padilha não seria de esperar outra coisa. Tudo faz sentido e tudo está bem feito. Tem um casting que não necessita de grandes comentários: Gary Oldman, Samuel L. Jackson e Michael Keaton. Só este trio, corrigia qualquer defeito maior que o filme pudesse ter.
Se este reboot perde em relação ao original, é precisamente por causa disso: não é original. É apenas um reboot de uma grande êxito antigo. Apesar do novo Robocop ser um filme relativamente bom, sinceramente, espero que os estúdios fiquem por aqui. O melhor é dedicarem-se a criar personagens novas, originais e icónicas como aconteceu com o primeiro Robocop. ●●●○○

Num futuro próximo, o Reino Unido entra numa espécie de Guerra Fria com a China. Para tentar resolver o conflito, é desenvolvido um projecto de inteligência artifical radical: criar uma máquina que simule perfeitamente um ser humano. Nasce a Máquina. No cerne da investigação está um génio de AI que pretende usar o poder da máquina para curar a doença da filha. Pelo meio, percebe-se que a máquina saiu tão perfeita que pensa que é humana e isso vai fazer soar as campainhas de alarme do governo que obviamente vai tentar destruí-la. Resta a grande questão: afinal, o que é ser humano?
Toda esta história soa familiar? Pois soa. É mais um entre dezenas de filmes em que máquinas "pensam" que são humanos e os humanos com medo, querem destruí-las. Para mim, a grande questão é: quantos mais filmes com a mesma história é possível fazer?
Este filme só tem duas coisas positivas: um bom realizador, Caradog W. James, que consegue dar um bom ritmo a um filme de minúsculo orçamento com uma realização muito linear; e um bom actor, Toby Stephens, o único do elenco que "suporta" verdadeiramente o filme. É muito pouco. Pouco mais há a dizer sobre The Machine: a história já toda a gente a conhece e acaba tudo mais ou menos bem... como as restantes histórias do género. O trailer parece bom, mas é um engano. O filme é muito fraco. ●○○○○

 
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