0379 Ready Player One

Ready Player One leva-nos para o ano de 2045 em que o mundo é merda, em que as casas são  bairros de lata e há gente a mais para tão pouco espaço. A única forma de "sair" deste mundo distópico é através da realidade virtual, nomeadamente para para um universo virtual chamado OASIS. É um bocado como se passa hoje em dia com o Facebook e as outras redes sociais do género... Mas adiante.
Este é um daqueles filmes que me facilita a vida. Não há dúvidas que é um filme do Steven Spielberg e está tudo dito. Com este exagero digital em mãos alheias seria um descalabro total. Assim, como está, é perfeitamente comestível. Vindo de quem vem, estranhamente banal, mas comestível. Ready Player One falha em muitos níveis. Para mim falha logo no conceito temporal. Há aqui muita (demasiada?) nostalgia, até para um irremediável nostálgico como eu. Imensas referências aos "dourados" anos 80, que a maior parte do público alvo parece-me que não vai entender. Tantas referências que o meu cérebro sobreaqueceu de tanto voltar para trás e para a frente no tempo, sem conseguir arranjar nenhuma linha lógica de pensamento que una as duas coisas... Falha no elenco (Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn) porque não parece "colar" no filme. E por fim, ...como é que hei-de dizer isto, sem parecer um grandessísimo moralista??... falha no compasso moral do argumento. E isto é estranho num filme do Steven Spielberg. Porque pensando bem, os jovens do filme não estão a lutar por uma melhor realidade; estão sim, a lutar para melhorar a realidade virtual, para que fique livre de publicidade. E sendo assim, está tudo feliz nas suas vidas... Mas a "realidade" da qual terão que novamente "fugir" continuará a ser exactamente a mesma: a do ano de 2045 em que o mundo é merda, em que as casas são bairros de lata e há gente a mais para tão pouco espaço. ●●○○○ apenas por respeito ao mestre...

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