0369 Gran Torino
Posted by artzzz333
Posted on 18:54
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O veterano da Guerra da Coreia Walt Kowalski é uma personagem de outros tempos. Tal como o seu precioso Ford Gran Torino de 1972, Kowalski também é uma relíquia dos anos 70 obrigada a viver num mundo totalmente diferente e antagónico do que sempre conheceu. Daí que a personagem seja bastante antipática, por vezes mal educada e até roçando mesmo o belicismo puro e duro. Para piorar ainda mais a situação, Kowalski - que já nem conseguia tolerar a família mais próxima - perde a mulher para a velhice, e o mundo envolvente (a vizinhança) muda radicalmente, deixando-o literalmente sozinho, isolado e cada vez mais intolerante.Como se isto não fosse mau o suficiente, os novos vizinhos do lado são ironicamente de etnia asiática, o que eleva a sua insatisfação e irritabilidade para novos níveis. Pior ainda, é quando o miúdo do lado (Bee Vang), forçado por um gangue local, tenta roubar-lhe o Gran Torino. Isto leva-o para um caminho totalmente inesperado.
Sou grande fã do Clint Eastwood. Gosto daquelas personagens duras, republicanas e conservadoras. Mas só na ficção, que é onde ficam bem. Já vejo filmes há tantos anos com o Clint Eastwood que nem sequer consigo dissociá-lo do próprio cinema. É uma daquelas figuras tão carismáticas do meio cinematográfico e que passa por tantas gerações que ficou marcado para sempre, nos mais variados estilos e feitios. E apesar de parecer familiar também acaba por ser sempre diferente e surpreender pela positiva. Clint Eastwood é um senhor do cinema e está tudo dito. Nunca vi um mau filme onde entrasse ou que realizasse.
Gostei muito deste Gran Torino, que a princípio me parecia uma pequena ode ao racismo e intolerância, mas que lentamente vira para uma boa história de compreensão e redenção. É um filme muito pessoal. Parece quase uma mensagem para o grande público, dizendo que o mal encarado e durão Dirty Harry também tem coração e apesar de velho, ainda tem capacidade de mudar e de se adaptar e, mais importante ainda, de se regenerar... E paralelamente, como um verdadeiro símbolo da América, Kowalski também assenta que nem uma luva no novo enquadramento americano no mundo: isolado, abertamente menosprezado pela vizinhança e aparentemente antiquado. Daí que apesar de toda a simplicidade na história, Gran Torino é mais do que parece à primeira vista. Mas também posso ser eu a ver coisas onde elas não existem. Isso acontece frequentemente...
Gran Torino assenta essencialmente em Clint Eastwood mas é bem suportado por um elenco desconhecido mas muito coerente (Christopher Carley, Ahney Her) e é realizado de uma forma muito linear, com aquela mestria da simplicidade que Clint já habituou o pessoal. Não deslumbra, mas merece ser visto com atenção. ●●●○○
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