0394 Seconds

Estranho, surrealista, hipnótico, sei lá... que outras palavras tenho para este filme? é dificíil arranjar palavras para Seconds. É um filme estranho. Muito estranho. Não é ficção científica mas tem uns toques que fazem lembrar. Parece-me um episódio muito, muito quitado da Twilight Zone... mas para adultos. É muito à frente. Em 1966, John Frankenheimer filma de uma forma tão moderna, aparentemente tão avançada no tempo que parece que ainda não se conseguiu lá chegar. É uma lição de realização, de borla. É brilhante. É tão marcado, tão potente que nota-se automaticamente onde, por exemplo, o Gaspar Noé vai buscar aqueles planos malucos. Onde Lynch vai buscar todas aquelas personagens malucas. (bem... no caso do Lynch, pode não ser verdade...), onde Cronenberg vai buscar aquelas cenas hospitalares todas. É, de facto, um filme muito à frente do seu tempo.
Seconds é um daqueles filmes que me põe a pensar. Orgias "romanas", mudanças de identidade, cirurgias plásticas, morte planeada, tudo misturado num ar muito hipnótico com muitos close-ups extremos, planos de câmara muito oníricos e... estranheza.
Um banqueiro abastado está desligado da sua própria vida. Então decide requisitar os serviços duma Companhia que lhe promete mudar completamente a vida, mas não só: dão-lhe um aspecto e uma identidade completamente nova. O banqueiro velho e amorfo é sujeito a uma complexa operação plástica que o irá transformar num novo homem, renascido. Quem é que inventa estas histórias? Isto para mim, é fantástico.
Foi um dos filmes que mais me surpreendeu nos últimos tempos. É uma experiência cinematográfica.
Ver actores como John Randolph, Rock Hudson, Frances Reid e Salome Jens é ver outro nível. Há ali qualquer nos actores mais antigos que é único. Não sei explicar o que é. É diferente. Seconds é filme para muitas classificações. Muito provavelmente este é um filme que tem um culto de adoradores associados, porque tem exactamente essa aura estranha de cult movie. É mesmo estranho. Também é até hoje o melhor filme que vi daquele género muito particular que é o midlife crisis movie. E podia continuar por aqui fora... O melhor é mesmo ver e aprender com os mestres. Um clássico. ●●●●●

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