O sol está a morrer e Terra está ameaçada. A única solução é construir gigantescos motores por todo o mundo e literalmente deslocar a Terra para outro sistema solar. Por sorte há um novinho em folha a apenas 2500 anos de distância. Nada que assuste o carácter empreendedor dos nossos jovens heróis... e já agora dos argumentistas. Isto é que se chama pensar em grande. Daí o nome The Wandering Earth, ou no seu título original: Liu lang di qiu... (acho eu... [o meu mandarim anda um pouco enferrujado...])
Um filme para provar que nem só os americanos conseguem gastar rios de dinheiro para fazer filmes de chacha. Um sucedâneo americano do filme-desastre de acção, só que feito na China. Tem mais qualquer coisa que o normal, porque tem traços de anime. Por vezes fez-me lembrar uma conversão de anime para imagem real. Mas também posso ser só eu a ser mentalmente desencaminhado pela sonoridade oriental... Tirando isso, o costume. Verborreia digital, muita acção e fogo de artifício, muito pouco "sumo", o inevitável sacrifício do herói e um final feliz, miraculosamente conseguido quando faltam 3 segundos para o fim.
O que se destaca mais é o muito bom design da produção. Por acaso até está muito acima da média. Mas de resto é um pouco fracote. Medianamente bem realizado por Frant Gwo e pobremente interpretado por actores com nomes muitos sugestivos, tais como Jing Wu, Chuxiao Qu, Guangjie Li e Man-Tat Ng... Vê-se e esquece-se rapidamente, tal como os restantes "produtos" americanos do mesmo género. Apenas se diferencia um pouco da chachada habitual por causa dos sabores exóticos... ●○○○○
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Universe é um documentário de 1960, realizado a meias por Roman Kroitor e Colin Low, que já queria ver há muito tempo. Li algures que tinha sido uma das principais fontes de inspiração para o 2001 de Kubrick, por isso a curiosidade era imensa.
Enquanto o via, só conseguia pensar que podia ser coincidência, mas de facto havia muitas semelhanças. Nos efeitos visuais, na locução (que parecia o HAL), mas especialmente na música clássica e que lhe dava um tom totalmente diferente do habitual. Consegui inclusive até notar algumas semelhanças nos planos picados e na imagens amplas que me faziam lembrar volta e meia outra obra-prima do Kubrick, o Dr. Strangelove. Depois de o ver fui confirmar algumas informações e deixei de ter dúvidas: Colin Low foi convidado pelo Stanley Kubrick para trabalhar no 2001: A Space Odyssey, assim como Sidney Goldsmith e Wally Gentleman para colaborarem nos efeitos especiais; mas se dúvidas houvessem, Kubrick escolheu o narrador, Douglas Rain, para dar voz ao icónico HAL 9000... Contra factos não há argumentos.
À parte destes "pormenores kubrickianos", Universe é, por si só, um excelente documentário. (se bem que tem tantos anos, que algumas informações científicas já estão desactualizadas... ou até mesmo erradas) Já vi outros documentários desta altura (anos 60) e visualmente este está a anos-luz. Aliás, está a anos-luz dos próprios filmes de ficção científica desta altura. É que parece mesmo um documentário moderno, mas filmado a preto e branco. Uma pequena pérola, muito à frente do seu tempo. É mais um filme artístico ou experimental do que propriamente um documentário. É uma viagem assombrosa pelo sistema solar e, mais além, pela vastidão do universo, que me deixou de queixos caídos pelo realismo das animações e pela qualidade das imagens. É uma mistura muito habilidosa de informação, arte e entretenimento.
Tal como aconteceu anos depois, com Kubrick, o que Universe mostra é que com a devida habilidade e criatividade, a câmara de filmar pode ser o melhor dos telescópios. Muito bom. Obrigatório. ●●●●○
Enquanto o via, só conseguia pensar que podia ser coincidência, mas de facto havia muitas semelhanças. Nos efeitos visuais, na locução (que parecia o HAL), mas especialmente na música clássica e que lhe dava um tom totalmente diferente do habitual. Consegui inclusive até notar algumas semelhanças nos planos picados e na imagens amplas que me faziam lembrar volta e meia outra obra-prima do Kubrick, o Dr. Strangelove. Depois de o ver fui confirmar algumas informações e deixei de ter dúvidas: Colin Low foi convidado pelo Stanley Kubrick para trabalhar no 2001: A Space Odyssey, assim como Sidney Goldsmith e Wally Gentleman para colaborarem nos efeitos especiais; mas se dúvidas houvessem, Kubrick escolheu o narrador, Douglas Rain, para dar voz ao icónico HAL 9000... Contra factos não há argumentos.
À parte destes "pormenores kubrickianos", Universe é, por si só, um excelente documentário. (se bem que tem tantos anos, que algumas informações científicas já estão desactualizadas... ou até mesmo erradas) Já vi outros documentários desta altura (anos 60) e visualmente este está a anos-luz. Aliás, está a anos-luz dos próprios filmes de ficção científica desta altura. É que parece mesmo um documentário moderno, mas filmado a preto e branco. Uma pequena pérola, muito à frente do seu tempo. É mais um filme artístico ou experimental do que propriamente um documentário. É uma viagem assombrosa pelo sistema solar e, mais além, pela vastidão do universo, que me deixou de queixos caídos pelo realismo das animações e pela qualidade das imagens. É uma mistura muito habilidosa de informação, arte e entretenimento.
Tal como aconteceu anos depois, com Kubrick, o que Universe mostra é que com a devida habilidade e criatividade, a câmara de filmar pode ser o melhor dos telescópios. Muito bom. Obrigatório. ●●●●○

