0122 The Gauntlet


The Gauntlet, traduzido (desta vez, bem) como Barreira de Fogo é um filme de e com Clint Eastwood. Ainda há pouco tempo falei deste filme a propósito de Wara no Tate. Não sei se alguém na RTP1 anda por aqui a ler, mas o que é certo é que repuseram o filme. E ainda bem. Tinha saudades destes filmes "à moda antiga". E este é uma raridade.
É um daqueles filmalhaços violentos, politicamente incorrectos, "macho e duro de roer", vindo do tempo em que se pintavam cartazes (este, em particular, é excelente) como forma de promoção. Um dinossauro, portanto. Mas é um bom dinossauro. Já o vi há muitos anos e ainda se mantém relativamente fresco na memória, o que é sempre um óptimo sinal.
Lembrava-me particularmente do facto de haver milhões de tiros disparados em meia dúzia de cenas. Aliás, não lembro dum filme onde sejam disparados tantos tiros. É um exagero. Por isso é que a tradução como Barreira de Fogo está bem conseguida. Sem me repetir muito, é um exagero de tiros. Deitaram a abaixo uma casa a tiro, por isso já se vê a quantidade inacreditável de balas disparadas. Já para não falar da cena final, onde o stock americano de balas de cinema deve ter ficado um bocadito em baixo. Não resisto a dizê-lo novamente: é um exagero.
Mas como tantas outras coisas neste filme, esse exagero acaba por ser fixe. Mas isto também pode ser a minha imparcialidade a falar. É que eu gosto muito dos antigos filmes do Clint Eastwood. E também do próprio Eastwood.
Acho que fez uma transição muito engraçada dos westerns para os filmes "normais", como os policiais. Quer dizer, não sei se se pode considerar bem uma transição, porque basicamente ele trocou os cavalos por carros e os jeans e o chapéu por fato e gravata. O resto manteve-se exactamente igual. The Gauntlet, por exemplo, deve estar catalogado como uma história policial, mas para mim continua a ser um western. A diferença aqui, é que este filme é passado no tempo actual, os homens vestem fato e gravata e os pistoleiros andam de carro e de moto em vez de cavalos...
Mas também não posso ser assim tão redutor. Para já tem a Sondra Locke a representar uma mulher (muito) emancipada e totalmente fora da "trela masculina imaginária" da altura. Convém não esquecer que é um filme do longínquo ano de 1977. Mas também porque o filme está recheado de pormenores muito avançados para o seu tempo e para o tipo de filme que é. Tem até pormenores de argumento onde o Tarantino nitidamente se veio inspirar como naquela cena em que Eastwood entra num café e a empregada desata a falar com ele sobre tudo e mais alguma coisa sem que ele nunca abra a boca. Muito bom. Não é uma obra-prima, e até o próprio Clint Eastwood já fez muito melhor, tanto como realizador como actor, mas é um filme que tendo oportunidade, nunca deixo de (re)ver. ●●●○○

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