0131 The Night of the Hunter
Posted by artzzz333
Posted on 22:07
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Para ser resumido: The Night of the Hunter é um filme muito bom. Diria ainda mais, é um excelente filme. Pelo que li, na altura da estreia não foi um grande sucesso, num daqueles raros momentos de concordância entre o público e os críticos. Foi um daqueles filmes que foi ganhando "estatuto" com o tempo. Finalmente tive a oportunidade de vê-lo e percebo perfeitamente o porquê do "estatuto".
The Night of the Hunter é um filme muito à frente do seu tempo. Envolve um padre (...é mais um pregador ambulante) psicopata que engana mulheres viúvas para as roubar mas que a determinada altura se transforma num serial killer que não se importa de matar crianças pequenas. Para o ano (e as mentalidades) de 1955 parece-me um bocado puxado. E ainda por cima, o padre louco interpretado por Robert Mitchum, parece que ouve vozes divinas que lhe pedem para cometer os crimes! Mesmo hoje, se num filme aparecessem miúdos a serem ameaçados de morte com uma navalha de ponta e mola por um padre psicopata, era capaz de dar escândalo... só imagino a reacção das pessoas em 1955.
Mas não é só na história e no argumento que o filme está muito à frente do seu tempo. É também na sublime realização e no tom estético tipo expressionismo alemão, tudo delineado a regra e esquadro por Charles Laughton. Muitíssimo bom. É um autêntico manual do realizador. The Night of the Hunter tem imagens fabulosas mas, especialmente, tem uma iluminação das cenas que é absolutamente espantosa. Algumas cenas parecem autênticos quadros. E tudo feito só com a iluminação. Genial. Esteticamente, há muitas cenas que parecem não ser deste filme. Digo isto no bom sentido. Já vi alguns filmes dos anos 40 e 50 e definitivamente não são assim. Resumindo novamente, é tudo muito avançado para o seu tempo. O que torna ainda mais estranho o facto de este The Night of the Hunter ser o único filme de Charles Laughton. Realizou esta autêntica preciosidade e depois não fez mais nenhum filme. Estranho, não?
Robert Mitchum, Lillian Gish e Shelley Winters são actores de outro calibre. É o mínimo que se pode dizer. Os três são tão bons, que não precisam de dizer nada para representar. Robert Mitchum, especialmente, consegue de tal forma meter-se na pele do assassino, que as cenas com os miúdos são inacreditavelmente tensas. Já para não falar que esta é uma personagem quase do universo pop, porque vendo bem, quem é que não conhece aquela grande imagem dos nós dos dedos tatuados com as palavras love e hate? Já agora, a história em que o padre explica porque é que tem as tatuagens é excelente. Até neste pormenor é muito "à frente": tatuagens em 1955?...
A única coisa que poderia apontar de "negativo" (e nem sequer é) a The Night of the Hunter é o facto que ser... demasiado heterogéneo. Há momentos em que o filme parece entrecortado por cenas de filmes mais modernos. Fiquei com a sensação de que estava a ver um Lars Von Trier e de repente mudava de canal e estava a dar um David Lynch. E depois voltava para o filme de Charles Laughton... É o que dá ser muito bom: inspira-se outros a fazer parecido... E, para quem ainda não o viu, e não querendo estragar o filme, posso pelo menos dizer que é uma pena aquele final... Tirando isso, The Night of the Hunter é um filme obrigatório para todas as pessoas que gostam de um bom filme. É um clássico puro que fica para a história do cinema. ●●●●●

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