0188 La vie en Rose
Posted by artzzz333
Posted on 17:21
with No comments
Durante anos lutei contra o meu estigma do filme francês. Detestava filmes franceses. Só há poucos anos é que comecei a conseguir ver alguns filmes sem me chatear. Tenho de admitir que tive azar. Sempre que vi um filme francês, eram aqueles ciclos no Canal 2, tipo novo cinema francês, avangarde e mais não sei o quê. Tipo, aqueles filmes que acabam de repente sem se perceber nada do que tinha acontecido. Fiquei um pouco traumatizado. E acho que não fui só eu... A língua também não ajuda. Não sei porquê, mas parece-me que francês não é uma "língua de filme". Curiosamente, também não parece que seja uma língua de música. Mas claro que nesse caso há sempre Edith Piaf para desafiar a lógica.
Admito que não sou grande conhecedor do universo Piaf, mas conheço uma mão cheia de músicas e isso é o suficiente para reconhecer a genialidade da mulher. Tinha sem qualquer dúvida uma voz única e poderosa. Tinha também o condão de fazer a língua francesa parecer extraordinária.
Vou ser muito sincero: nunca poria Edith Piaf na minha lista de música preferida. Até ver este La vie en Rose, La Mome, na versão francesa original.
Devido a este filme, fiquei a perceber os excessos, a vida conturbada, as lutas e tudo o que compõe um ser humano único. Muito importante também, e pode parecer um pormenor, é a tradução. Obviamente conhecia algumas músicas, mas não falando francês era-me difícil associar a música à letra. Agora tudo faz muito mais sentido. Agora percebo o simbolismo, os momentos de angústia, a sensação de perda e tristeza, mas também os momentos singelos e simples, as alegrias, o reconhecimento e o sentimento de glória que algumas músicas transmitem.
La Vie en Rose é um biopic extraordinário que tem a sorte de ter Marion Cotillard - excepcional - num papel extremamente difícil de intrepretar. Edith Piaf de certeza que aprovaria esta actriz tão talentosa para retratar a sua vida. Todo o elenco é muito bom, mas tirando Cotillard, diria que apenas Emmanuelle Seigner se destaca um pouco mais.
Olivier Dahan tem momentos de puro brilhantismo na cadeira de realizador. Conseguiu desenhar um filme que é emocional e que emociona. Eu acho que a palavra mais correcta será: vívido. Em determinados momentos, emocionei-me genuinamente. Pensei que ia começar a chorar convulsivamente. Tive de me conter um bocado. La Vie en Rose é um filme brilhantemente fotografado: até um bordel bafiento ou as sarjetas perto do circo itinerante parecem conter um elemento de beleza. Mas mais do que belo, é um filme poderoso, que oscila entre a loucura, a genialidade, a dor e o êxtase do momento. Consegue-se sentir a angústia e a frustração de Piaf e ao mesmo tempo a sua extrema necessidade em estar em palco e simplesmente cantar.
É um filme perfeito, não linear - neste caso parece-me que faz todo o nexo - sempre em crescendo até ao final apoteótico. É um grande filme. Não há mais nada a dizer. É para ver calado e no final ir comprar uns discos de Edith Piaf. Excelente. ●●●●●
Labels:
2007,
biografia,
drama,
Edith Piaf,
Emmanuelle Seigner,
França,
La Mome,
La vie en Rose,
Marion Cotillard,
música,
nota5,
Olivier Dahan

0 respostas:
Enviar um comentário