0333 Groundhog Day

Há filmes que gosto muito e há filmes que me chateiam. Groundhog Day é um filme que me chateia. Pessoalmente falando, sou daqueles gajos que à pergunta "Gostas de comédias românticas?", respondo imediata e instintivamente com um "não!" peremptório e jocoso. Nem pensar nisso. Quando penso em filmes, a última coisa que me vem à cabeça, são comédias românticas. Para mim, nem sequer é um género de filmes, quanto mais uma opção. É linear. Não vejo, simplesmente. Não é por "mariquinhas", nem por nada... é que me entedia. Não consigo suportar. Ou adormeço, ou começo a fazer em outras coisas para me entreter mentalmente. É tudo tão leve, mundano e previsível que não consigo suportar...
Por isso mesmo, Groundhog Day é um filme que me chateia. Para todos os efeitos, É uma comédia romântica e EU GOSTO! Não! Porra! Como é possível?
Um jornalista e apresentador de meteorologia - juntamente com a sua personalidade excêntrica mas execrável (é daqueles tipos irritantes que se acha o melhor do mundo) -, acaba numa pacata vila americana a cobrir uma notícia "tosca" sobre uma marmota (o animal tipo castor, não o peixe, atenção!) que consegue prever o tempo. Entediado (da mesma forma que eu, em relação às comédias românticas) com todo aquele assunto Phil (Bill Murray, o "man") trata ainda pior as pessoas que o rodeiam. Tudo muda quando fica "preso" nesse mesmo dia. Faça o que faça no seu dia-a-dia, Phil acorda sempre no mesmo quarto de hotel às 6 da manhã e repetidamente revive a agonia da repetição. Acaba por ser hilariante vê-lo acordar todos os dias, ao som da mesma música, na mesma cama, a cruzar-se com as mesmas pessoas. Sem forma de sair daquela "maldição do tempo", acaba por se apaixonar pela produtora Rita (Andie MacDowell) que o detesta. Inconformado com a situação, aproveita o tempo "perdido" para ir "limando" algumas arestas da sua personalidade, ao mesmo tempo que tenta vezes sem conta conquistar o coração de Rita... Simples, mas excelente história, muito bem escrita e muito bem contada pela câmara do "original ghostbuster" Harold Ramis. Muito bom.
Groundhog Day, para além de se notar que foi feito com/por pessoas inteligentes, é um daqueles filmes tão carregado de inocência que consegue aquecer o coração mais empedernido (como o meu - é de ver muitos filmes de acção e efeitos especiais...). Sendo que o revejo, lembro-me que, afinal, há esperança na sobrevivência da Humanidade... É uma espécie de Scrooge moderno. Simples, sempre actual, muito cómico (sendo que é praticamente impossível um filme fazer-me rir ..) e muito, muito bom de se ver. Uma pequena pérola. ●●●●○

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