Rodin foca-se na vida do famoso escultor num específico espaço de tempo e eventos. O momento é o da criação da famosa estátua de Balzac, na altura muito mal recebida, mas que agora é reconhecida como uma das obras mais importantes da escultura moderna. O evento é o romance tórrido e conturbado com Camille Claudel e a posterior separação entre ambos. Em pano de fundo surge também, uma obra escultórica que teve influência directa dos dois artistas, A Porta do Inferno, baseada na obra de Dante.
A premissa e o núcleo central do enredo são muito bons, os intervenientes têm muita coisa para dizer e mostrar, mas no geral, o filme acaba por ser uma decepção. Por muito que goste de Rodin - e é sem dúvida um dos meus artistas favoritos - é preciso compreender que a maior parte do público não conhece a personagem. Quem tiver pouco conhecimento da vida e da obra do mestre escultor nunca vai perceber o filme e vai literalmente estar a olhar para uma tela "vazia" a tentar perceber o que é que se passa. Neste caso, uma escultura em fase de criação... Bastava uma pequena introdução para dar um melhor contexto ao filme. Auguste Rodin, apesar de ser unanimemente considerado o percursor da escultura moderna, era na realidade um homem "comum". Tentou por três vezes ingressar na Faculdade de Belas Artes e por três vezes foi recusado, o que exemplifica bem o quanto o ensino artístico tem para oferecer e reconhecer em termos de conhecimento estético... Mas isso é outra história... Rodin era efectivamente um autodidacta. Não aprendeu com ninguém. "Ensinou-se", no seu próprio estilo. Acho que meia dúzia de linhas no início do filme a explicar quem é o protagonista, permitiriam entrar melhor no mundo de Rodin e Claudel. Sem esta introdução, uma pessoa fica algo perdida na história, como se entrasse a meio do filme sem perceber nada do que aconteceu antes...
Mas esse nem é o principal problema deste Rodin. O problema está em tudo o resto. A realização de Jacques Doillon é fraca, dura e seca como um pedaço de pedra antes de ser trabalhado por um escultor. Percebo a lógica (se é que ela existe), mas não gosto do tom demasiado cru e austero. É um filme que parece uma adoração a uma fotografia antiga e acinzentada de uma estátua. Há uma música deslavada no início e outra no fim, perto dos créditos. Pelo meio, sempre os mesmos planos fixos envoltos em silêncio. As obras dos dois artistas que deveriam na realidade ser a grande mais valia, pouco ou quase nada são intervenientes... Não gostei nada disto. Rodin é um dos meus artistas favoritos e por isso acho que este filme fez-lhe pouca ou nenhuma justiça... Vale a interpretação de Vincent Lindon e Izïa Higelin e pouco mais. Não há tensão, não há carga emocional... Tudo é uma estátua de pedra sólida neste filme. Estaria de acordo com esta aproximação, não fosse o tema central deste tal "momento" o romance de Rodin e Claudel... É um contrasenso... Tudo junto, parece um daqueles telefilmes ou documentários que recriam a vida de uma pessoa famosa... Uma decepção enorme. ●○○○○
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Se há filmes que me marcaram profundamente, este é certamente um deles. Umas semanas antes de ver o filme, estava eu a ler o livro "Wild at Heart - The Story of Sailor and Lula" do Barry Gifford. Depois do filme, cheguei à estranha conclusão de não perceber quem adaptou o quê: se o filme adaptou o livro, se o livro adaptou o filme. É que o livro varreu-se da mente. Já o filme ainda aqui está... É estranho, eu sei. Mas o David Lynch não é propriamente um gajo normal. Mexe com o cérebro de uma pessoa.
Em Wild at Heart, Lula e Sailor estão louca e perdidamente apaixonados. Parecem certos um para o outro mas há um entrave pelo meio: Marietta Fortune, a mãe psicótica de Lula que enlouquece um pouco mais sempre que imagina os dois juntos. Ela tem um breve momento de sossego quando Sailor, num acto tresloucado, à frente de toda a gente, esmaga a cabeça de um assassino contratado para o matar. (Que abertura de filme!...) Assim que sai da prisão, Sailor volta para os braços de Lula e acabam por fugir para a Califórnia... mas Marietta contrata um novo assassino para os perseguir. Indiferentes a tudo isto, os dois amantes seguem estrada fora... até que passam por acidente de automóvel e assistem à morte duma jovem. Aí percebem que algo vai correr muito mal com eles.
A viagem de Sailor e Lula é povoada pela criaturas e personagens mais maradas e estranhas que se possam imaginar. Saído da mente perturbada e negra de David Lynch é exactamente isso que se espera. Aquela belíssima negritude... Aquela "estranheza" estranhamente atraente... O seja, o mundo de David Lynch... Bobby Peru, por exemplo, é uma das personagens mais nojentas, odiosas e maradas que me lembro de ver num filme. É tão asqueroso e tão estranho que nunca mais me saiu da cabeça... Mas é por isso mesmo que se vê um filme do Lynch, não é verdade? Há por ali coisas que não se vê em mais lado nenhum.
Nicolas Cage é Sailor Ripley e Laura Dern é Lula, e juntos fazem um dos casais do cinema mais "fora" que me lembro. Acho que se pode dizer claramente que Cage tem aqui o seu melhor papel e melhor interpretação de toda a carreira... Como as personagens são todas muito boas, os actores têm muita margem de manobra para brilhar. Willem Dafoe como Bobby Peru é inesquecível. Mas há muito mais: J.E. Freeman, Isabella Rossellini, Harry Dean Stanton, Pruitt Taylor Vince, David Patrick Kelly, Jack Nance (o actor fetiche de Lynch) e as jovens Sheryl Lee e Sherilyn Fenn que se tornariam estrelas mundialmente conhecidas graças a... Twin Peaks. Nicolas Cage e Laura Dern são obviamente as figuras centrais da história, mas a Marietta Fortune interpretada pela excepcional Diane Ladd está no mesmo nível de loucura e intensidade dramática. Ainda por cima se pensarmos que Diane Ladd é na realidade a mãe de... Laura Dern. Tudo aqui são coisas estranhas...
Wild at Heart ainda é para mim o melhor filme de Lynch. O mais estranho, o mais violento e o mais fantástico e simbólico de todos. É aquele universo negro trágico e de alguma forma, cómico ao mesmo tempo. Tudo é simbólico, tudo é relativo e tudo pode significar outra coisa qualquer. Wild at Heart não é um filme fácil de ver. É graficamente violento e sexualmente explícito. Tem um banda sonora absolutamente espectacular, mas da pesada que não será de certeza do agrado da maior parte do público. É uma mistura psicotrópica entre a Alice no País das Maravilhas e o Feiticeiro de Oz. Wild at Heart é todas estas histórias estranhas para crianças como se elas fossem originalmente feitas para adultos.
Este foi o primeiro 'Lynch' que vi na minha vida e marcou-me para sempre e ainda por cima numa verdadeira sala de cinema, o que ainda magnificou mais o efeito. Aquelas músicas... As imagens... As chamas num fundo negro... O sangue... Desde esse momento - que se pode considerar como traumático -, nunca mais vi o filme. Mas na realidade, o "corte" mental foi tão profundo que ele nunca mais de cá saiu. Wild at Heart é mais que um filme. É uma experiência cinematográfica que dificilmente se esquece. Para mim, é uma referência. Um dos meus filmes preferidos de todos os tempos. ●●●●● + ●
Em Wild at Heart, Lula e Sailor estão louca e perdidamente apaixonados. Parecem certos um para o outro mas há um entrave pelo meio: Marietta Fortune, a mãe psicótica de Lula que enlouquece um pouco mais sempre que imagina os dois juntos. Ela tem um breve momento de sossego quando Sailor, num acto tresloucado, à frente de toda a gente, esmaga a cabeça de um assassino contratado para o matar. (Que abertura de filme!...) Assim que sai da prisão, Sailor volta para os braços de Lula e acabam por fugir para a Califórnia... mas Marietta contrata um novo assassino para os perseguir. Indiferentes a tudo isto, os dois amantes seguem estrada fora... até que passam por acidente de automóvel e assistem à morte duma jovem. Aí percebem que algo vai correr muito mal com eles.
A viagem de Sailor e Lula é povoada pela criaturas e personagens mais maradas e estranhas que se possam imaginar. Saído da mente perturbada e negra de David Lynch é exactamente isso que se espera. Aquela belíssima negritude... Aquela "estranheza" estranhamente atraente... O seja, o mundo de David Lynch... Bobby Peru, por exemplo, é uma das personagens mais nojentas, odiosas e maradas que me lembro de ver num filme. É tão asqueroso e tão estranho que nunca mais me saiu da cabeça... Mas é por isso mesmo que se vê um filme do Lynch, não é verdade? Há por ali coisas que não se vê em mais lado nenhum.
Nicolas Cage é Sailor Ripley e Laura Dern é Lula, e juntos fazem um dos casais do cinema mais "fora" que me lembro. Acho que se pode dizer claramente que Cage tem aqui o seu melhor papel e melhor interpretação de toda a carreira... Como as personagens são todas muito boas, os actores têm muita margem de manobra para brilhar. Willem Dafoe como Bobby Peru é inesquecível. Mas há muito mais: J.E. Freeman, Isabella Rossellini, Harry Dean Stanton, Pruitt Taylor Vince, David Patrick Kelly, Jack Nance (o actor fetiche de Lynch) e as jovens Sheryl Lee e Sherilyn Fenn que se tornariam estrelas mundialmente conhecidas graças a... Twin Peaks. Nicolas Cage e Laura Dern são obviamente as figuras centrais da história, mas a Marietta Fortune interpretada pela excepcional Diane Ladd está no mesmo nível de loucura e intensidade dramática. Ainda por cima se pensarmos que Diane Ladd é na realidade a mãe de... Laura Dern. Tudo aqui são coisas estranhas...
Wild at Heart ainda é para mim o melhor filme de Lynch. O mais estranho, o mais violento e o mais fantástico e simbólico de todos. É aquele universo negro trágico e de alguma forma, cómico ao mesmo tempo. Tudo é simbólico, tudo é relativo e tudo pode significar outra coisa qualquer. Wild at Heart não é um filme fácil de ver. É graficamente violento e sexualmente explícito. Tem um banda sonora absolutamente espectacular, mas da pesada que não será de certeza do agrado da maior parte do público. É uma mistura psicotrópica entre a Alice no País das Maravilhas e o Feiticeiro de Oz. Wild at Heart é todas estas histórias estranhas para crianças como se elas fossem originalmente feitas para adultos.
Este foi o primeiro 'Lynch' que vi na minha vida e marcou-me para sempre e ainda por cima numa verdadeira sala de cinema, o que ainda magnificou mais o efeito. Aquelas músicas... As imagens... As chamas num fundo negro... O sangue... Desde esse momento - que se pode considerar como traumático -, nunca mais vi o filme. Mas na realidade, o "corte" mental foi tão profundo que ele nunca mais de cá saiu. Wild at Heart é mais que um filme. É uma experiência cinematográfica que dificilmente se esquece. Para mim, é uma referência. Um dos meus filmes preferidos de todos os tempos. ●●●●● + ●
The Artist é uma homenagem a um tempo de Hollywood tão distante que a maior parte das pessoas já nem sonha que existiu. A história é sobre o actor George Valentin, uma ubíqua e famosa estrela de filmes mudos que, ao mesmo tempo que se enamora com uma jovem dançarina, começa também a ver a sua carreira entrar em declínio devido ao aparecimento dos filmes "falados".
Homenagem talvez não seja a palavra mais apropriada para classificar The Artist. Acho que reflexão seria a palavra mais indicada. É neste período que se dá uma cisão muito grande no cinema, entre o status quo do mudo e a novidade dos filmes sonoros. Se para os estúdios foi uma oportunidade de inovar e assim chamar novos clientes, para os actores foi uma revolução demasiado disruptiva. Toda a forma de actuar teve de mudar e aconteceu quase da noite para o dia. Estrelas mundialmente estabelecidas como Douglas Fairbanks e Mary Pickford de um momento para o outro ficaram quase no desemprego e e até lendas como Charlie Chaplin se ressentiram. Volátil como sempre, o público queria coisas novas e o novo era o sonoro. O cinema mudo estava condenado juntamente com todas as equipas de produção, estúdios, actores e técnicos que não fizessem (ou não conseguissem) a passagem para o som. Aquele jeito de actuação teatral, tipo pantomina, tinha chegado ao fim...
A personagem de George Valentin é nitidamente Douglas Fairbanks. Aliás, no auge da sua depressão, enquanto vê uns filmes antigos com aventuras do Zorro, na realidade o que se está ver é um filme de Douglas Fairbanks, mas com algumas cenas de close up protagonizadas por George Valentin.
Num filme mudo, a performance dos actores é radicalmente diferente. Tem de ser mais dramática, exagerada e, por vezes, até caricatural porque sem palavras (nem outro som qualquer) é obviamente muito mais difícil de chegar ao público e transmitir emoções. A actuação é uma mistura de emoções físicas que apenas a música de fundo pode acentuar. Não digo que seja mais difícil ou mais fácil, mas parece-me que é outra coisa completamente diferente. E por isso tenho que destacar Jean Dujardin, que sendo obviamente um actor moderno parece ter vindo directamente do tempo do cinema mudo. Está tão perfeito que se fosse possível recuar no tempo e inseri-lo na altura do filmes mudos, acho que o público nunca notaria a diferença. De certa forma é Jean Dujardin desta forma tão verosímil, tão anos 20, tão silencioso e emotivo que dá a sensação de se estar realmente a ver um filme da era do cinema mudo. Está tudo muito bem feito neste The Artist, mas Jean Dujardin é 50% do sucesso do filme. Uma performance que merece todos os prémios e mais alguns.
No sentido contrário, o resto do casting não salta tanto à vista. Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell e Penelope Ann Miller servem bem como actores de suporte mas não passam muito disso. No caso de Bérénice Bejo o caso é ainda mais gritante, porque é peça fundamental do argumento. Não é que Bejo esteja mal, mas simplesmente não se sente a química nem o romance entre os dois actores. Há muito mais química negativa entre Jean Dujardin e Penelope Ann Miller em breves minutos (que era a intenção do argumento, num casamento em decadência) do que química positiva entre os dois amantes durante o filme todo. A discrepância entre Bérénice Bejo e Jean Dujardin é tão grande que para mim é mesmo a grande falha do filme. E claro que não podia deixar passar em branco a minúscula participação de Malcolm McDowell.
O filme é muito fiel àquela altura do cinema e muito pormenorizado (até tecnicamente) ao ponto de ser filmado com menos frames para dar aquele look acelerado tão típico dos filmes da era muda e até na própria proporção do ecrã que usa. Não fazia muito sentido simular um filme mudo sem ser naquele enquadramento 4:3 meio "quadrado", pois não?
The Artist é uma pequena pérola que, passado o impacto e choque inicial de se perceber que o filme vai ser totalmente mudo, irá deliciar a maior parte do público. A música não começa muito bem (parece algo dessincronizada da acção), mas depois ajusta-se perfeitamente para suportar emocionalmente todas as cenas. A história de decadência, regresso e reatamento amoroso é universal, por isso nunca falha. E aquele final simpático a fazer a transição para os grandes filmes musicais dos anos 30 e 40 (grande cena de dança, já agora) é simplesmente perfeito. Nota-se que foi um filme muito bem pensado mesmo antes de chegar a ser filmado e daí um enormíssimo destaque para Michel Hazanavicius, quer seja pela realização, pela preparação ou pela escrita. Até no pormenor de a primeira palavra a ser proferida em todo o filme ser "cut" e a última a ser "action" para dar uma continuidade pós-filme. Muito bom. Muito bem pensado. The Artist vê-se muitíssimo bem e é totalmente recomendado. ●●●●○
Alguns factos curiosos que encontrei nas minhas pesquisas. Este foi apenas o segundo filme mudo a ganhar prémios nos Óscares. O primeiro tinha sido Wings em 1927. A última vez que um filme totalmente a preto e branco tinha ganho o maior galardão de Hollywood tinha sido em 1960 com The Apartment. Se as referências a antigas estrelas do cinema mudo são constantes, elas chegaram aos rcenários. A casa da personagem de Peppy Miller é na realidade a antiga casa de Mary Pickford que mais tarde viria a casar com Douglas Fairbanks, uma lenda do cinema mudo, cuja vida e carreira, sem dúvida nenhuma é a base para este The Artist. Entre outros pormenores, notei também naquela cena aberta da escadaria, que havia ali algo familiar; descobri que aquela enorme construção metálica de escadas é nada mais nada menos que o átrio do Prédio Bradbury... onde foram filmadas algumas das cenas mais icónicas de Blade Runner... há coisas que não consigo mesmo esquecer... Mas para mim, o facto mais curioso de todos, foi ter sido necessário uma equipa europeia, fazer um filme europeu (é tudo francês...) para mostrar uma faceta de Hollywood de uma forma que Hollywood nunca teve capacidade de fazer. Isso sim, é que é curioso...
Baseado numa história verídica. Acho que é assim que convém sempre apresentar a história de Pedro e Inês. É tão inacreditável que parece material de poesia e lendas. Este novo filme de Pedro e Inês baseia-se na história original do Rei D. Pedro e da aia galega Inês de Castro, mas agora com base no romance de Rosa Lobato Faria que muda substancialmente o drama de amor de forma a mostrar a mesma situação ao longos dos tempos. Para além do narrativa clássica passada no século XIV, também se pode ver o desenvolvimento nos dias de hoje, em que os amantes são arquitectos, assim como num futuro distópico em que a história se passa numa realidade pós-civilização.
Como actores temos Joana de Verona como Inês, Diogo Amaral como Pedro, Vera Kolodzig como Constança e Miguel Borges como o infame Pero Coelho, mas o destaque vai para os papéis secundários: Custódia Gallego, a rainha Beatriz e João Lagarto, o rei Afonso IV fazem dois pequenos papelaços e nota-se que estão a léguas dos jovens actores. Sem entrar em grandes pormenores, o que noto é que há uma falta de intensidade dramática gritante aos actores portugueses. Na realidade parecem presos num estranho limbo: estão entre o laxismo das prestações rápidas de telenovela, misturado com aquela performance hiper-teatral de outros tempos.
Em termos de realização tenho que admitir que é a descair para o fraquito. António Ferreira dá um ar de sua graça no início (minúsculo, mas excelente o pormenor com os piscares de olhos) e no final, mas pelo meio tudo é demasiado uniforme e monótono. Não há uma cultura visual no cinema português. Parece que ou há uma coisa (visual) ou outra (narrativa). Não percebo esta lógica. Durante duas horas de filme, o enquadramento do filme é sempre o mesmo... Apenas por uma vez há uma filmagem diferente, fotografada de baixo para cima.
A estrutura da narrativa foi a grande surpresa. Não é que esta divisão em três linhas temporais seja uma novidade, mas está muito bem construída e acaba por ter uma boa fluidez, o que não é propriamente fácil de conseguir. A principio houve ali umas falhazinhas nas transições de umas linhas temporais para as outras, mas depois a coisa foi-se compondo até terminar muito bem.
Apesar da imensa melhoria que tenho notado neste últimos anos nos filmes portugueses, ainda há coisas que falham. A luz e as sombras são um elemento quase ausente e a música é sempre muito fraquinha e quase não tem expressão. Nenhum destes elementos é aproveitado como intensificadores dramáticos. E depois há falhas óbvias, como por exemplo a sobreposição do voz-off na cena em que Inês morre e que é suposto ser a mais dramática do filme... um autentico anti-clímax emocional que eu não consigo compreender. E volto à fotografia e realização... Não há um close-up. Os planos são quase sempre os mesmos. As câmaras estão sempre posicionadas à mesma altura. Não há pormenores... É tudo demasiado uniforme e às vezes o enquadramento e a luz transportam-me para a estética de telenovela. Não sei se será falta de financiamento, tempo ou mesmo falta de jeito e inspiração. O que sei é que acontece e está à vista. Limando estes pormenores, facilmente um filme português poderia rivalizar com qualquer outra produção estrangeira...
Esta nova versão de Pedro e Inês, no geral, até é um filmito consistente, que se vê bastante bem, mas poderia ser muito melhor se tivesse mais alguns pormenores e mais polidos. Os filmes portugueses estão cada vez melhores, mas ainda têm um longo caminho a percorrer... Ainda assim, um filmito muito aceitável. Recomendado. ●●○○○
Como actores temos Joana de Verona como Inês, Diogo Amaral como Pedro, Vera Kolodzig como Constança e Miguel Borges como o infame Pero Coelho, mas o destaque vai para os papéis secundários: Custódia Gallego, a rainha Beatriz e João Lagarto, o rei Afonso IV fazem dois pequenos papelaços e nota-se que estão a léguas dos jovens actores. Sem entrar em grandes pormenores, o que noto é que há uma falta de intensidade dramática gritante aos actores portugueses. Na realidade parecem presos num estranho limbo: estão entre o laxismo das prestações rápidas de telenovela, misturado com aquela performance hiper-teatral de outros tempos.
Em termos de realização tenho que admitir que é a descair para o fraquito. António Ferreira dá um ar de sua graça no início (minúsculo, mas excelente o pormenor com os piscares de olhos) e no final, mas pelo meio tudo é demasiado uniforme e monótono. Não há uma cultura visual no cinema português. Parece que ou há uma coisa (visual) ou outra (narrativa). Não percebo esta lógica. Durante duas horas de filme, o enquadramento do filme é sempre o mesmo... Apenas por uma vez há uma filmagem diferente, fotografada de baixo para cima.
A estrutura da narrativa foi a grande surpresa. Não é que esta divisão em três linhas temporais seja uma novidade, mas está muito bem construída e acaba por ter uma boa fluidez, o que não é propriamente fácil de conseguir. A principio houve ali umas falhazinhas nas transições de umas linhas temporais para as outras, mas depois a coisa foi-se compondo até terminar muito bem.
Apesar da imensa melhoria que tenho notado neste últimos anos nos filmes portugueses, ainda há coisas que falham. A luz e as sombras são um elemento quase ausente e a música é sempre muito fraquinha e quase não tem expressão. Nenhum destes elementos é aproveitado como intensificadores dramáticos. E depois há falhas óbvias, como por exemplo a sobreposição do voz-off na cena em que Inês morre e que é suposto ser a mais dramática do filme... um autentico anti-clímax emocional que eu não consigo compreender. E volto à fotografia e realização... Não há um close-up. Os planos são quase sempre os mesmos. As câmaras estão sempre posicionadas à mesma altura. Não há pormenores... É tudo demasiado uniforme e às vezes o enquadramento e a luz transportam-me para a estética de telenovela. Não sei se será falta de financiamento, tempo ou mesmo falta de jeito e inspiração. O que sei é que acontece e está à vista. Limando estes pormenores, facilmente um filme português poderia rivalizar com qualquer outra produção estrangeira...
Esta nova versão de Pedro e Inês, no geral, até é um filmito consistente, que se vê bastante bem, mas poderia ser muito melhor se tivesse mais alguns pormenores e mais polidos. Os filmes portugueses estão cada vez melhores, mas ainda têm um longo caminho a percorrer... Ainda assim, um filmito muito aceitável. Recomendado. ●●○○○
Danny Boyle é um gajo que já deixou "marcas" e que me põe sempre na expectativa. Raramente me desilude, mas nos últimos anos tem-me surpreendido, não diria pelos piores motivos, mas porque envereda por caminhos que eu não estava nada à espera. Não é que não goste dos filmes, mas também nunca diria à primeira vista que estava a ver um filme "Danny Boyle". Um exemplo óptimo para isso, é este Yesterday. Acho que não o poderei classificar de forma diferente. Yesterday é... uma comédia romântica. E comédia romântica, definitivamente, nunca seria uma temática que veria associada ao Danny Boyle.
Em Yesterday, um aspirante a músico de uma pequena povoação inglesa sofre um acidente de viação e vai parar ao hospital. Ao mesmo tempo deste infortúnio pessoal, algo de estranho acontece no planeta, sem se perceber muito bem o quê. Quando ele acorda no hospital, apercebe-se que está numa estranha realidade em que, entre outros pormenores, ele é a única pessoa que se lembra das músicas dos Beatles. Naquela realidade alternativa, não só a Coca-Cola não existe, como também os Beatles nunca se juntaram e compuseram as músicas que toda a gente conhece e gosta. Munido da lembrança das excelente músicas do "pessoal de Liverpool", o músico começa instantaneamente a ter êxitos após êxitos e a ser um fenómeno de popularidade mundial. Mas esta fama tem um preço...
Os papéis principais são de Himesh Patel e Lily James. Muito ternurentos, muito apaixonados, mas também totalmente esquecíveis. A única performance que me suscitou alguma excitação foi a de Kate McKinnon, como uma irascível agente musical. E também há alguns cameos como Ed Sheeran e James Corden, mas tal como os restante actores e o filme no seu todo, não aquecem nem arrefecem...
Admito que a premissa me deixou com água na boca. Era boa demais para ser estragada e ainda por cima nas mãos do Danny Boyle. Mas a realidade, é que Yesterday é um pobre exemplo de uma boa história estragada com lamechices românticas. Toda esta história serve apenas de suporte a uma ridiculazinha história de amor e desencontros, à velha maneira das clássicas comédias românticas em que tudo termina bem, cheio humor básico e de corações cor-de-rosa. Que desperdício. Yesterday tem algum mérito no que toca à realização, mas para além do desaproveitamento da narrativa ainda se junta o total desaproveitamento das músicas dos Beatles. O que poderia ter sido um excelente filme, acaba por ser reduzido a uma mísera comédia romântica para ver num domingo à tarde... Um desperdício total. E continuo sem perceber o que se passa com o Danny Boyle... ●○○○○
Em Yesterday, um aspirante a músico de uma pequena povoação inglesa sofre um acidente de viação e vai parar ao hospital. Ao mesmo tempo deste infortúnio pessoal, algo de estranho acontece no planeta, sem se perceber muito bem o quê. Quando ele acorda no hospital, apercebe-se que está numa estranha realidade em que, entre outros pormenores, ele é a única pessoa que se lembra das músicas dos Beatles. Naquela realidade alternativa, não só a Coca-Cola não existe, como também os Beatles nunca se juntaram e compuseram as músicas que toda a gente conhece e gosta. Munido da lembrança das excelente músicas do "pessoal de Liverpool", o músico começa instantaneamente a ter êxitos após êxitos e a ser um fenómeno de popularidade mundial. Mas esta fama tem um preço...
Os papéis principais são de Himesh Patel e Lily James. Muito ternurentos, muito apaixonados, mas também totalmente esquecíveis. A única performance que me suscitou alguma excitação foi a de Kate McKinnon, como uma irascível agente musical. E também há alguns cameos como Ed Sheeran e James Corden, mas tal como os restante actores e o filme no seu todo, não aquecem nem arrefecem...
Admito que a premissa me deixou com água na boca. Era boa demais para ser estragada e ainda por cima nas mãos do Danny Boyle. Mas a realidade, é que Yesterday é um pobre exemplo de uma boa história estragada com lamechices românticas. Toda esta história serve apenas de suporte a uma ridiculazinha história de amor e desencontros, à velha maneira das clássicas comédias românticas em que tudo termina bem, cheio humor básico e de corações cor-de-rosa. Que desperdício. Yesterday tem algum mérito no que toca à realização, mas para além do desaproveitamento da narrativa ainda se junta o total desaproveitamento das músicas dos Beatles. O que poderia ter sido um excelente filme, acaba por ser reduzido a uma mísera comédia romântica para ver num domingo à tarde... Um desperdício total. E continuo sem perceber o que se passa com o Danny Boyle... ●○○○○
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Não sei se já disse isto, mas Darren Aronofsky é um dos meus realizadores favoritos. É estranho e filosófico o suficiente para eu não conseguir não gostar. Mas reconheço que às vezes as coisas não correm bem. Um desses casos é The Fountain que tem nos principais papéis Hugh Jackman, Rachel Weisz, Ellen Burstyn e Mark Margolis. Escrito e realizado pelo Aronofsky, The Fountain é uma procura pela fonte da vida eterna, e por tabela, uma procura por respostas para a vida depois da morte. É uma história não linear que decorre em diferentes períodos da vida de uma personagem, no ano 1500, em 2005 e no ano 2500. A personagem (que em princípio é a mesma apesar da disparidade temporal) é simultaneamente Tomas, um conquistador em procura da árvore da vida para a sua rainha; Tommy, um neurocientista que tenta salvar a mulher de um cancro e Tom Creo, um monge-astronauta que tenta salvar a última memoria da mulher na forma de uma árvore viajando pelo universo numa esfera transparente. Como as histórias vão-se entrelaçando continuamente e decorrem de certa forma paralelas, Aronofsky usou todos os estratagemas visuais e não só, para separá-las e diferenciá-las: por exemplo, cada época usa cores e padrões diferentes. O passado é triangular e dourado, o presente é quadrado e branco e no futuro abundam as formas redondas e o tom prateado. As cores são importantes na mensagem. O dourado para as coisas fúteis e materiais, o branco para a verdade e finitude das coisas e o prateado para as estrelas e a viagem no espaço. Está bem pensado. Aronofsky é um gajo inteligente e incorpora muito bem estes truques de imagética para transmitir sensações. Usar efeitos especiais visuais (sem serem digitais) para manter o efeito de não-tempo do filme dá a impressão que se está ver um sonho e tudo se torna quase onírico e orgânico. A música, composta como habitualmente por Clint Mansell, também ajuda nesse campo. Mais uma jogada de mestre. Até na postura física da personagem de Tom se podem ver estes pormenores em acção. É por causa disto que gosto do Darren Aronofsky... é um gajo que pensa. Mas isso também se pode tornar num problema... quando se pensa em demasia.
Parece que a determinada altura, instalou-se aqui uma certa confusão. Acho que Aranofski foi demasiado ambicioso. As coisas tornam-se tão vagas que fico na dúvida se aquilo é a verdade ou é um sonho. Torna-se tudo demasiado ambíguo. Eu não me importo de aplicar as minhas interpretações pessoais a um filme, mas preciso de saber o que é ou não real para tirar conclusões. A determinada altura já não sabia muito bem o que estava a ver. Alguma coisa falhou neste campo e basta este pormenor que é basicamente o alicerce de todo o filme para perceber que há algo errado: a tal fonte da vida eterna. No título e no início do filme é uma fonte de água que dá a vida eterna, mas praticamente o resto do filme debruça-se sobre a Árvore da Vida, que nas histórias bíblicas é uma árvore no Jardim do Éden e em que os frutos é que dão vida eterna. Confuso?! Eu também fiquei...
Acho sinceramente que Darren Aronofsky começou a juntar demasiada informação (os limites da vida, o amor transcendental, a vida, eterna, ciência, metafísica e religião) e a tentar abarcar demasiadas coisas que acabou por lhe sair um filme inconsistente. Parece que foi um pouco feito à pressa para tentar juntar o máximo possível de elementos. Pelo menos é a ideia com que fico. Algo correu mal e foi nitidamente a meio do processo, porque a história de base parecia estar bem definida.
Não gostei, mas também não desgostei deste The Fountain. Não há dúvida que é algo novo e de certa forma é um filme com valores filosóficos profundos, mas há alguma inconsistência que não sei de onde vem. Mas também deu para perceber que é um daqueles filmes que não se vê à primeira. Tem tantos pormenores e tanta informação visual e simbólica que nitidamente precisa de ser visto, deixar fluir as ideias no cérebro e uns tempos depois, rever para assimilar e tirar novas ideias. Ainda estou na primeira fase. Já o vi há uns anos e ainda hoje me vem à memória, porque não está totalmente resolvido no meu cérebro. Mais cedo ou mais tarde terei de voltar à carga. Mas acho que merece uma visualização atenta. ●●●○○
Parece que a determinada altura, instalou-se aqui uma certa confusão. Acho que Aranofski foi demasiado ambicioso. As coisas tornam-se tão vagas que fico na dúvida se aquilo é a verdade ou é um sonho. Torna-se tudo demasiado ambíguo. Eu não me importo de aplicar as minhas interpretações pessoais a um filme, mas preciso de saber o que é ou não real para tirar conclusões. A determinada altura já não sabia muito bem o que estava a ver. Alguma coisa falhou neste campo e basta este pormenor que é basicamente o alicerce de todo o filme para perceber que há algo errado: a tal fonte da vida eterna. No título e no início do filme é uma fonte de água que dá a vida eterna, mas praticamente o resto do filme debruça-se sobre a Árvore da Vida, que nas histórias bíblicas é uma árvore no Jardim do Éden e em que os frutos é que dão vida eterna. Confuso?! Eu também fiquei...
Acho sinceramente que Darren Aronofsky começou a juntar demasiada informação (os limites da vida, o amor transcendental, a vida, eterna, ciência, metafísica e religião) e a tentar abarcar demasiadas coisas que acabou por lhe sair um filme inconsistente. Parece que foi um pouco feito à pressa para tentar juntar o máximo possível de elementos. Pelo menos é a ideia com que fico. Algo correu mal e foi nitidamente a meio do processo, porque a história de base parecia estar bem definida.
Não gostei, mas também não desgostei deste The Fountain. Não há dúvida que é algo novo e de certa forma é um filme com valores filosóficos profundos, mas há alguma inconsistência que não sei de onde vem. Mas também deu para perceber que é um daqueles filmes que não se vê à primeira. Tem tantos pormenores e tanta informação visual e simbólica que nitidamente precisa de ser visto, deixar fluir as ideias no cérebro e uns tempos depois, rever para assimilar e tirar novas ideias. Ainda estou na primeira fase. Já o vi há uns anos e ainda hoje me vem à memória, porque não está totalmente resolvido no meu cérebro. Mais cedo ou mais tarde terei de voltar à carga. Mas acho que merece uma visualização atenta. ●●●○○
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Para comentar decentemente um filme como Edward Scissorhands, eu deveria ter aqui a tocar a música do Danny Elfman. Como não é o caso, a única coisa que posso dizer é que gosto mesmo muito este filme. Gosto de tudo sem excepção. Gosto do estilo, da história, da música, da inocência, do drama, da fantasia... de tudo. Não tenho uma única coisa a apontar a Edward Scissorhands. É uma moderna alegoria perfeita. É a magia do cinema e das histórias na sua forma mais simples, mas que no entanto toca nos pensamentos filosóficos mais profundos da mente humana. Tem metáforas potentes. Basta pensar que Edward, para além do look infantil com o cabelo do Robert Smith, é para todos os efeitos um ser imortal. Incompleto, mas imortal. Na realidade, para além dos cenários bonitos da suburbia americana, Edward Scissorhands é uma visão sobre a sociedade actual, a partir do ponto de vista de um ser imortal e solitário que quer misturar-se e ser uma personagem normal como todos nós. Poderia estar aqui um dia inteiro a aprofundar os grandes significados e pensamentos que me ocorrem sempre que me lembro deste filme, mas não me apetece. Para isso é que inventaram a internet. Há milhões de sites que misturam as ilações da história de Edward Scissorhands com os grandes temas filosóficos. Para mim, é mais um filme "inocente" que um filme filosófico, apesar de lhe reconhecer a mesma qualidade. Tem uma qualidade inerente, tão infantil, que me enche o coração e me deixa melancólico. É um filme que mostra as qualidades e defeitos da sociedade humana, visto por uma personagem muito especial (nitidamente é a visão do Tim Burton sobre o mundo), mas que tem uma esperança final que tudo acabe bem. É um foco de luz na escuridão. É a viagem de uma alma humana pelos ruas da sociedade. Bem, acho que estou a divagar novamente...
A grande fatia do sucesso de Edward Scissorhands tem de ser atribuída ao Tim Burton. Não só pela realização que busca inspiração nos grandes filmes clássicos iniciais do terror e suspense, mas também na estética e, lá está, na inocência original desses filmes. Se calhar o termo inocência nem é o melhor termo, o melhor seria ingenuidade... ou ainda melhor, pureza. Pureza não está ligado directamente a conceitos como bom ou mau, é mais um conceito tipo Frankenstein quando ele atira a miúda para o lago. Há danos, claro que há danos, mas não são fruto da maldade. Os filmes iniciais de Tim Burton, e este em particular, tem muita dessa qualidade. Burton já tinha consolidado uma carreira e uma filmografia "diferente" com Beetlejuice e Batman, mas com este filme estranho de um jovem imortal mas incompleto, com tesouras em vez de mãos, ele conseguiu criar um novo tipo de cinema e estilo: o filme "Tim Burton".
Não consigo ver mais ninguém no papel de Edward Scissorhands para além de Johnny Depp. É mais um daqueles casos em que um actor nasceu para um papel. Winona Ryder no pico das performances, Dianne Wiest na perfeição e tantos outros como O-Lan Jones, Alan Arkin, Anthony Michael Hall ou Kathy Baker, todos impecáveis. Obviamente, tenho que fazer um destaque muito especial para o Vincent Price que é uma das peças chave do filme, mesmo que só apareça por breves instantes. Logo à partida por ser uma lenda do cinema. E não só, porque aquela voz fantasticamente gutural do Thriller do Maichel Jackson é dele. É um actor com mais de 200 filmes no currículo e que faz parte do meu imaginário através dos filmes de terror antigos. É um dos verdadeiros mestres do terror e uma figura já mitológica da história do cinema. Acresce dizer que este foi o último filme em que participou, e para completar a mitologia, a última cena em que aparece num filme, é a da sua própria morte. Lendário.
Tim Burton criou aqui uma simbiose estranha que ainda funciona hoje em dia; misturou com sucesso a negra visão gótica, mas inocente dos antigos filmes de terror como uma inovadora estética, às vezes quase em tom pastel. Mas isso não se passou apenas do campo visual. Esta lógica manteve-se em todos os aspectos e o resultado foram histórias totalmente originais. Edward Scissorhands faz parte do meu imaginário e está arquivado no mesmo sítio dos grandes histórias clássicas tipo Alice no País das Maravilhas... (acho que não é coincidência que Burton tenha mais tarde adaptado a história para cinema...) Que originalidade. Que novidade. Que coisa tão diferente. Não tenho muito mais adjectivos. Edward Scissorhands entrou directa e imediatamente no lote de filmes clássicos e intemporais porque é um versão moderna das grandes fábulas da humanidade. Essencial. Perfeito. Perfeitamente intemporal. Um dos meus filmes preferidos de sempre. ●●●●● + ●
A grande fatia do sucesso de Edward Scissorhands tem de ser atribuída ao Tim Burton. Não só pela realização que busca inspiração nos grandes filmes clássicos iniciais do terror e suspense, mas também na estética e, lá está, na inocência original desses filmes. Se calhar o termo inocência nem é o melhor termo, o melhor seria ingenuidade... ou ainda melhor, pureza. Pureza não está ligado directamente a conceitos como bom ou mau, é mais um conceito tipo Frankenstein quando ele atira a miúda para o lago. Há danos, claro que há danos, mas não são fruto da maldade. Os filmes iniciais de Tim Burton, e este em particular, tem muita dessa qualidade. Burton já tinha consolidado uma carreira e uma filmografia "diferente" com Beetlejuice e Batman, mas com este filme estranho de um jovem imortal mas incompleto, com tesouras em vez de mãos, ele conseguiu criar um novo tipo de cinema e estilo: o filme "Tim Burton".
Não consigo ver mais ninguém no papel de Edward Scissorhands para além de Johnny Depp. É mais um daqueles casos em que um actor nasceu para um papel. Winona Ryder no pico das performances, Dianne Wiest na perfeição e tantos outros como O-Lan Jones, Alan Arkin, Anthony Michael Hall ou Kathy Baker, todos impecáveis. Obviamente, tenho que fazer um destaque muito especial para o Vincent Price que é uma das peças chave do filme, mesmo que só apareça por breves instantes. Logo à partida por ser uma lenda do cinema. E não só, porque aquela voz fantasticamente gutural do Thriller do Maichel Jackson é dele. É um actor com mais de 200 filmes no currículo e que faz parte do meu imaginário através dos filmes de terror antigos. É um dos verdadeiros mestres do terror e uma figura já mitológica da história do cinema. Acresce dizer que este foi o último filme em que participou, e para completar a mitologia, a última cena em que aparece num filme, é a da sua própria morte. Lendário.
Tim Burton criou aqui uma simbiose estranha que ainda funciona hoje em dia; misturou com sucesso a negra visão gótica, mas inocente dos antigos filmes de terror como uma inovadora estética, às vezes quase em tom pastel. Mas isso não se passou apenas do campo visual. Esta lógica manteve-se em todos os aspectos e o resultado foram histórias totalmente originais. Edward Scissorhands faz parte do meu imaginário e está arquivado no mesmo sítio dos grandes histórias clássicas tipo Alice no País das Maravilhas... (acho que não é coincidência que Burton tenha mais tarde adaptado a história para cinema...) Que originalidade. Que novidade. Que coisa tão diferente. Não tenho muito mais adjectivos. Edward Scissorhands entrou directa e imediatamente no lote de filmes clássicos e intemporais porque é um versão moderna das grandes fábulas da humanidade. Essencial. Perfeito. Perfeitamente intemporal. Um dos meus filmes preferidos de sempre. ●●●●● + ●
Um jovem casal faz o negócio da sua vida quando compra uma bela mansão por um preço ridiculamente baixo. Mas depois descobre que a casa afinal não está assim em tão bom estado. Ainda assim, decidem fazer umas obras de remodelação e transformá-la na casa dos seus sonhos. Obviamente, as coisas não vão correr bem.
Sendo vagamente uma comédia romântica de situação, The Money Pit é um daqueles exemplos em que uma comédia vai mais além. Para lá das gargalhadas fáceis e do slapstick é também sobre o relacionamento a dois, sobre o casamento e sobre como o amor triunfa perante a adversidade.
Richard Benjamin, sendo um gajo relativamente desconhecido do grande público é um gajo à maneira e isso nota-se como torna um filme "banal" numa obra equilibrada e muito bem ritmada. E também tem uma boa carreira como actor em filmes como Deconstructing Harry ou no mítico Westworld. Mas o foco está evidentemente virado para Tom Hanks, que na altura era o expoente máximo das comédias. Para um público mais recente, deve ser estranho ver o Tom Hanks a não fazer papéis dramáticos, mas na realidade, acho que a comédia até é o seu melhor registo. Há qualquer coisa de intrinsecamente cómico nele. Aliás, se me perguntassem qualquer era a cena cómica que imediatamente me vem à cabeça, eu teria de mencionar aquela cena da banheira e o ataque de riso do Tom Hanks. Shelley Long, mais longe do registo cómico, acaba por ser um bom equilíbrio nesta dupla e faz uma espécie de "polícia mau", que propositado ou não, faz com que o filme nunca descambe totalmente para a palhaçada excessiva. Alexander Godunov, um gajo que parecia destinado a grandes voos mas que nunca descolou, é o outro brilhante contraponto da comédia. Joe Mantegna e Philip Bosco são secundários de luxo.
Música de Beethoven, motoqueiros dos Hell's Angels, situações hilariantes e algumas boas gargalhadas... The Money Pit tem isto tudo e muito mais. Mesmo não sendo uma obra-prima do género, The Money Pit é uma das minhas comédias favoritas. ●●●○○
PS: Apesar de sempre o ter considerado como original, na realidade é um remake de Mr. Blandings Builds His Dream House, um filme de 1948 com Cary Grant e Myrna Loy. Gostava de ver as diferenças, mas sendo tão antigo, acho que dificilmente vou ter oportunidade de o ver.
Sendo vagamente uma comédia romântica de situação, The Money Pit é um daqueles exemplos em que uma comédia vai mais além. Para lá das gargalhadas fáceis e do slapstick é também sobre o relacionamento a dois, sobre o casamento e sobre como o amor triunfa perante a adversidade.
Richard Benjamin, sendo um gajo relativamente desconhecido do grande público é um gajo à maneira e isso nota-se como torna um filme "banal" numa obra equilibrada e muito bem ritmada. E também tem uma boa carreira como actor em filmes como Deconstructing Harry ou no mítico Westworld. Mas o foco está evidentemente virado para Tom Hanks, que na altura era o expoente máximo das comédias. Para um público mais recente, deve ser estranho ver o Tom Hanks a não fazer papéis dramáticos, mas na realidade, acho que a comédia até é o seu melhor registo. Há qualquer coisa de intrinsecamente cómico nele. Aliás, se me perguntassem qualquer era a cena cómica que imediatamente me vem à cabeça, eu teria de mencionar aquela cena da banheira e o ataque de riso do Tom Hanks. Shelley Long, mais longe do registo cómico, acaba por ser um bom equilíbrio nesta dupla e faz uma espécie de "polícia mau", que propositado ou não, faz com que o filme nunca descambe totalmente para a palhaçada excessiva. Alexander Godunov, um gajo que parecia destinado a grandes voos mas que nunca descolou, é o outro brilhante contraponto da comédia. Joe Mantegna e Philip Bosco são secundários de luxo.
Música de Beethoven, motoqueiros dos Hell's Angels, situações hilariantes e algumas boas gargalhadas... The Money Pit tem isto tudo e muito mais. Mesmo não sendo uma obra-prima do género, The Money Pit é uma das minhas comédias favoritas. ●●●○○
PS: Apesar de sempre o ter considerado como original, na realidade é um remake de Mr. Blandings Builds His Dream House, um filme de 1948 com Cary Grant e Myrna Loy. Gostava de ver as diferenças, mas sendo tão antigo, acho que dificilmente vou ter oportunidade de o ver.
Estou a fazer um exercício de memória e a tentar lembrar-me de filmes bons para confinamento obrigatório. Não sei explicar porquê, mas veio-me à cabeça este: The Second Best Exotic Marigold Hotel. É um daqueles filmes que tem uma sensação de conforto igual a um bom cobertor polar. É um filme óptimo para se desfrutar no sofá com uma chávena de chá de menta a fumegar...
Espera... Estou a ter um fortíssimo sentimento de déjà vu... Não. É uma sequela...
The Second Best Exotic Marigold Hotel é sobre o grupo de velhotes ingleses que ficaram para trás, fizeram a viagem espiritual e agora vivem no hotel do primeiro filme. John Madden volta a dirigir o anterior elenco de luxo: Judi Dench, Bill Nighy, Maggie Smith e David Strathairn. Os produtores tentaram contratar um nome de peso para esta sequela, mas após o sucesso estrondoso de Eat Pray Love, Julia Roberts decidiu fazer toda a viagem espiritual a pé e portanto ainda não estava disponível. Tiveram de se contentar com Richard Gere. O papel do vilão (re)caiu novamente em Dev Patel. Estava a brincar. Dev Patel é um gajo tão agradável e dança tão bem que nunca poderia fazer de vilão. Aliás, ele merece ter um segundo hotel...
The Second Best Exotic Marigold Hotel oferece todos os condimentos do primeiro e ainda tem o bónus Richard Gere. Devido ao sucesso do primeiro filme, suspeito que este filme foi feito pela Associação da Hotelaria e Turismo da Índia... ●○○○○
Espera... Estou a ter um fortíssimo sentimento de déjà vu... Não. É uma sequela...
The Second Best Exotic Marigold Hotel é sobre o grupo de velhotes ingleses que ficaram para trás, fizeram a viagem espiritual e agora vivem no hotel do primeiro filme. John Madden volta a dirigir o anterior elenco de luxo: Judi Dench, Bill Nighy, Maggie Smith e David Strathairn. Os produtores tentaram contratar um nome de peso para esta sequela, mas após o sucesso estrondoso de Eat Pray Love, Julia Roberts decidiu fazer toda a viagem espiritual a pé e portanto ainda não estava disponível. Tiveram de se contentar com Richard Gere. O papel do vilão (re)caiu novamente em Dev Patel. Estava a brincar. Dev Patel é um gajo tão agradável e dança tão bem que nunca poderia fazer de vilão. Aliás, ele merece ter um segundo hotel...
The Second Best Exotic Marigold Hotel oferece todos os condimentos do primeiro e ainda tem o bónus Richard Gere. Devido ao sucesso do primeiro filme, suspeito que este filme foi feito pela Associação da Hotelaria e Turismo da Índia... ●○○○○
Estou a fazer um exercício de memória e a tentar lembrar-me de filmes bons para confinamento obrigatório. Não sei explicar porquê, mas veio-me à cabeça este: The Best Exotic Marigold Hotel. É um daqueles filmes que tem uma sensação de conforto igual a um bom cobertor polar. É um filme óptimo para se desfrutar no sofá com uma chávena de chá de menta a fumegar...
The Best Exotic Marigold Hotel é sobre um grupo de velhotes ingleses que para se esquecerem ou superarem dos seus problemas mundanos, vão de férias para a Índia (ou vão-se reformar-se?!? Já não me lembro bem...) Logo após a chegada, a comitiva começa a questionar a qualidade do resort onde ficarão alojados, o que resulta em cenas britanicamente divertidas. No entanto, e como é um sintoma comum a todas as pessoas que visitam a Índia, lentamente, os protagonistas largam as vicissitudes da vida quotidiana e começam uma viagem de amor e auto-descoberta.
John Madden dirige um elenco de luxo que inclui nomes conceituados como Judi Dench, Tom Wilkinson, Bill Nighy e Maggie Smith, que estão tão à vontade que parece que estão de férias. O papel do vilão cai que nem uma luva a Dev Patel. Estava a brincar. Patel é o empregado/dono do hotel foleiro que, por qualquer motivo sobrenatural, faz com que as pessoas embarquem numa viagem espiritual.
Amor em idades avançadas, frases feitas tiradas de posters auto-motivacionais espalhados pela net, todos os clichés do mundo do cinema, um bocadinho de drama para não ser tão cor-de-rosa e a celebração da vida e das cores. É por isto que Love Actually é um filme super-fofo e comovente que no final, deixa uma sensação de bem-estar e conforto. Perdão... É por isto que The Best Exotic Marigold Hotel é um filme super-fofo e comovente que no final, deixa uma sensação de bem-estar e conforto. Suspeito que este filme foi feito pela British Airways para entreter o pessoal até chegar à Índia... ●○○○○
The Best Exotic Marigold Hotel é sobre um grupo de velhotes ingleses que para se esquecerem ou superarem dos seus problemas mundanos, vão de férias para a Índia (ou vão-se reformar-se?!? Já não me lembro bem...) Logo após a chegada, a comitiva começa a questionar a qualidade do resort onde ficarão alojados, o que resulta em cenas britanicamente divertidas. No entanto, e como é um sintoma comum a todas as pessoas que visitam a Índia, lentamente, os protagonistas largam as vicissitudes da vida quotidiana e começam uma viagem de amor e auto-descoberta.
John Madden dirige um elenco de luxo que inclui nomes conceituados como Judi Dench, Tom Wilkinson, Bill Nighy e Maggie Smith, que estão tão à vontade que parece que estão de férias. O papel do vilão cai que nem uma luva a Dev Patel. Estava a brincar. Patel é o empregado/dono do hotel foleiro que, por qualquer motivo sobrenatural, faz com que as pessoas embarquem numa viagem espiritual.
Amor em idades avançadas, frases feitas tiradas de posters auto-motivacionais espalhados pela net, todos os clichés do mundo do cinema, um bocadinho de drama para não ser tão cor-de-rosa e a celebração da vida e das cores. É por isto que Love Actually é um filme super-fofo e comovente que no final, deixa uma sensação de bem-estar e conforto. Perdão... É por isto que The Best Exotic Marigold Hotel é um filme super-fofo e comovente que no final, deixa uma sensação de bem-estar e conforto. Suspeito que este filme foi feito pela British Airways para entreter o pessoal até chegar à Índia... ●○○○○
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Como estamos numa altura de recolhimento forçado em que o ideal é estar em casa, convém ver uns filmitos. E, como é fim de semana, nada melhor que uma comédia romântica para adormecer... perdão para ver. Como em tudo na vida, há o bom e o mau. Este What Happens in Vegas até nem é muito mau. Dá para rir um bocadito e tem sempre um tom agradável mas com alguma substância... dentro do possível. What Happens in Vegas é (mais) uma comédia romântica de situação, mas que até alguns bons momentos cómicos.
Depois de uma noite pesada de copos em Las Vegas, um homem e uma mulher descobrem ao acordar que estão casados e ainda por cima ganharam um prémio enorme no jackpot. O problema é que não se suportam enquanto estão sóbrios. O problema torna-se ainda maior quando são obrigados a viver como um verdadeiro casal para poderem reclamar o prémio...
Cameron Diaz e Ashton Kutcher têm uma química estranhamente negativa que é perfeita para os papéis. Depois também há Rob Corddry, Treat Williams e Dennis Farina, um actor que conheço há anos dos filmes policiais, gangsters e mafiosos, mas que encaixa perfeitamente bem na comédia. What Happens in Vegas (de Tom Vaughan) vê-se bem e não chateia. ●○○○○
Depois de uma noite pesada de copos em Las Vegas, um homem e uma mulher descobrem ao acordar que estão casados e ainda por cima ganharam um prémio enorme no jackpot. O problema é que não se suportam enquanto estão sóbrios. O problema torna-se ainda maior quando são obrigados a viver como um verdadeiro casal para poderem reclamar o prémio...
Cameron Diaz e Ashton Kutcher têm uma química estranhamente negativa que é perfeita para os papéis. Depois também há Rob Corddry, Treat Williams e Dennis Farina, um actor que conheço há anos dos filmes policiais, gangsters e mafiosos, mas que encaixa perfeitamente bem na comédia. What Happens in Vegas (de Tom Vaughan) vê-se bem e não chateia. ●○○○○
Apesar de ter a noção que o filme era muito conceituado, nunca tinha visto o Breakfast at Tiffany's por inteiro. Apenas tinha visto umas partes aqui e outras ali. E as partes que vi não me suscitaram grande interesse. Tal como me acontece com outros filmes, e por nenhuma explicação lógica, nunca me puxou para vê-lo. Feelings... No entanto, numa reposição recente na TV decidi vê-lo e perceber se o meu feeling estava correcto. E tenho de dizer que estava totalmente errado. Breakfast at Tiffany's é muito bom. É, de facto, um dos grandes clássicos. Holly Golightly é uma personagem muito à frente do seu tempo. Já vi alguns filmes da mesma altura e a figura de Audrey Hepburn destaca-se mesmo pela diferença. As voluptuosas protagonistas daquela altura não têm nada a ver com a figura esguia e felina de Hepburn. George Peppard é um verdadeiro galã. Um figurão físico, clássico, mas também um figurão no que diz respeito ao actor. Juntos fazem uma combinação que é totalmente moderna. E perfeita. Os "secundários" como Martin Balsam e Patricia Neal são perfeitos. Para ser absolutamente perfeito, só faltava aqui a presença de Peter Sellers. Eu vejo-o perfeitamente a fazer o papel interpretado por Mickey Rooney, até porque é, infelizmente, o único ponto negativo de todo o filme. Não propriamente pela actuação de Rooney, mas porque que a personagem é demasiado estereotipada, goofy e em certa parte parece fugiu daqueles antigos cartoons da Warner Brothers para aqui. Só um actor absolutamente genial poderia salvar aquela personagem. Daí o "meu" Peter Sellers, o gajo mais naturalmente cómico que já pisou este planeta.
A narrativa de Breakfast at Tiffany's é elaborada e desenrola-se num ritmo do tipo avanço rápido,pausa; avanço rápido,pausa, dando a conhecer a cada novo acto, um dado novo que baralha totalmente a história anterior e acrescenta camadas de complexidade à figura de Lula Mae / Holly Golightly. A viagem emocional da personagem vai oscilando entre o drama e a comédia, mas nunca se fixa em nenhuma temática. A mestria de Blake Edwards é evidente. Não só pela forma como dirige os actores, mas também como imprime um ritmo imparável ao filme, tipo montanha-russa que vai do drama chuvoso ao romance meloso em 4 segundos.
E depois há toda uma história cheia de pormenores que brilham como diamantes na montra da Tiffany's como por exemplo um gato que se chama... Gato e um brasileiro abastado chamado José da Silva Pereira, entre muitos outros. Basear filmes em obras de autores de calibre como Truman Capote tem as suas vantagens. Ideias e bons pormenores nunca faltam.
Destaque óbvio também para a música original "Moon River", um ícone sonoro reconhecido mundialmente que ficou para a posteridade. Henry Mancini compôs a música especificamente para Audrey Hepburn. Henry Mancini, Blake Edwards (e pensei eu: Peter Sellers)??? Pink Panther? Será? Muito provavelmente começou aqui qualquer coisa...
Normalmente não é um item que as pessoas destaquem num filme, mas para mim, a fotografia é algo muito importante. Aquelas cores Eastman Kodak, o Tecnhicolor e essas tecnicidades todas que dão origem àquelas cores tão características dos filmes dos anos 60... Para mim, essas são as cores do cinema. Aqueles vermelhos profundos e os azuis vibrantes. O grão da película; aqueles crepúsculos e os amanheceres como o do início do filme... para mim, essas são as texturas e as verdadeiras cores do cinema. E já agora, que se está a falar da imagem, mais uma pequena coisinha... Aquele poster do Robert McGinnis merecia um prémio. É o design gráfico no seu melhor. Não há muito a dizer. Até as coisas que orbitam o filme são muito boas. Breakfast at Tiffany's é irrepreensível. Define muito bem o que é um verdadeiro clássico. Altamente recomendado. Obrigatório. ●●●●●
A narrativa de Breakfast at Tiffany's é elaborada e desenrola-se num ritmo do tipo avanço rápido,pausa; avanço rápido,pausa, dando a conhecer a cada novo acto, um dado novo que baralha totalmente a história anterior e acrescenta camadas de complexidade à figura de Lula Mae / Holly Golightly. A viagem emocional da personagem vai oscilando entre o drama e a comédia, mas nunca se fixa em nenhuma temática. A mestria de Blake Edwards é evidente. Não só pela forma como dirige os actores, mas também como imprime um ritmo imparável ao filme, tipo montanha-russa que vai do drama chuvoso ao romance meloso em 4 segundos.
E depois há toda uma história cheia de pormenores que brilham como diamantes na montra da Tiffany's como por exemplo um gato que se chama... Gato e um brasileiro abastado chamado José da Silva Pereira, entre muitos outros. Basear filmes em obras de autores de calibre como Truman Capote tem as suas vantagens. Ideias e bons pormenores nunca faltam.
Destaque óbvio também para a música original "Moon River", um ícone sonoro reconhecido mundialmente que ficou para a posteridade. Henry Mancini compôs a música especificamente para Audrey Hepburn. Henry Mancini, Blake Edwards (e pensei eu: Peter Sellers)??? Pink Panther? Será? Muito provavelmente começou aqui qualquer coisa...
Normalmente não é um item que as pessoas destaquem num filme, mas para mim, a fotografia é algo muito importante. Aquelas cores Eastman Kodak, o Tecnhicolor e essas tecnicidades todas que dão origem àquelas cores tão características dos filmes dos anos 60... Para mim, essas são as cores do cinema. Aqueles vermelhos profundos e os azuis vibrantes. O grão da película; aqueles crepúsculos e os amanheceres como o do início do filme... para mim, essas são as texturas e as verdadeiras cores do cinema. E já agora, que se está a falar da imagem, mais uma pequena coisinha... Aquele poster do Robert McGinnis merecia um prémio. É o design gráfico no seu melhor. Não há muito a dizer. Até as coisas que orbitam o filme são muito boas. Breakfast at Tiffany's é irrepreensível. Define muito bem o que é um verdadeiro clássico. Altamente recomendado. Obrigatório. ●●●●●
Zack Mayo quer ser alguém na vida e por isso envereda pela carreira militar. Com um passado meio nebuloso e uma história familiar destroçada, esta é a sua última, e se calhar, única hipótese que tem para subir socialmente e desligar-se das suas raízes problemáticas. No entanto, a sua atitude desbocada, rebelde e explosiva não ajuda e entra em confronto com o sargento Foley, o que o leva a praticamente desistir. Pelo meio envolve-se com Paula, uma alma gémea "da base" que vive perto da base de treinos e que por sua vez tem em Zack a sua única hipótese de se desligar da família problemática e de uma vida inútil a trabalhar na fábrica de papel da zona. Juntos vivem uma conturbada e carnal história de amor.
An Officer and a Gentleman foi uma das grandes histórias românticas dos anos 80 e um enorme sucesso. Richard Gere era nesta altura um sex symbol e talvez o mais requisitado actor daquele período, e o que tinha os maiores sucessos. Pode ser coincidência, mas todos os filmes em que entrava eram um sucesso (quase) garantido. Aqui contracena com Debra Winger, com quem tem uma grande cena de sexo. Na década de 80 era normal nos "dramas românticos" haver cenas de sexo, bastante possantes, o que elevava a classificação do filme para restrito, mas isso era, estranhamente, um ponto positivo. No cinema, sexo é sempre problemático e restritivo, agora rebentar cabeças, cortar braços e eviscerar inimigos já é uma "coisa pacífica". Vá-se lá perceber... Também há David Keith (o amigo rico, mas ingénuo), Lisa Blount (a amiga aproveitadora sem escrúpulos) e Louis Gossett Jr. (o duro instrutor Foley), todos muito bons.
Taylor Hackford pegou na fórmula mágica da altura (uma história romântica dramática e conturbada para adultos, com actores jovens (que na altura era para aí na casa dos 30 anos!), uma música "de genérico" que conquistaria os tops mundiais (Up where you belong, do eterno Joe Cocker] e o final que o público queria...) e compôs um enorme sucesso de bilheteira que se mantém inalterado até aos dias de hoje. Muito bom. Identifico-me muito com a personagem do Zack Mayo, apesar das diferenças óbvias. E mesmo reconhecendo que esta não é nenhuma obra prima do cinema, é sem dúvida, um dos filmes da minha vida. ●●●●○
An Officer and a Gentleman foi uma das grandes histórias românticas dos anos 80 e um enorme sucesso. Richard Gere era nesta altura um sex symbol e talvez o mais requisitado actor daquele período, e o que tinha os maiores sucessos. Pode ser coincidência, mas todos os filmes em que entrava eram um sucesso (quase) garantido. Aqui contracena com Debra Winger, com quem tem uma grande cena de sexo. Na década de 80 era normal nos "dramas românticos" haver cenas de sexo, bastante possantes, o que elevava a classificação do filme para restrito, mas isso era, estranhamente, um ponto positivo. No cinema, sexo é sempre problemático e restritivo, agora rebentar cabeças, cortar braços e eviscerar inimigos já é uma "coisa pacífica". Vá-se lá perceber... Também há David Keith (o amigo rico, mas ingénuo), Lisa Blount (a amiga aproveitadora sem escrúpulos) e Louis Gossett Jr. (o duro instrutor Foley), todos muito bons.
Taylor Hackford pegou na fórmula mágica da altura (uma história romântica dramática e conturbada para adultos, com actores jovens (que na altura era para aí na casa dos 30 anos!), uma música "de genérico" que conquistaria os tops mundiais (Up where you belong, do eterno Joe Cocker] e o final que o público queria...) e compôs um enorme sucesso de bilheteira que se mantém inalterado até aos dias de hoje. Muito bom. Identifico-me muito com a personagem do Zack Mayo, apesar das diferenças óbvias. E mesmo reconhecendo que esta não é nenhuma obra prima do cinema, é sem dúvida, um dos filmes da minha vida. ●●●●○
Não aguento comédias românticas... entediam-me e adormeço. Ou então disperso mentalmente e começo a
ler qualquer coisa. Não suporto. No entanto, vejo tudo que tenha uma
ponta de interesse e por isso, já no longínquo ano de 1990, quando era
uma pessoa totalmente diferente da que sou hoje, vi este Pretty Woman, em
que um rico magnata contrata uma prostituta e depois se apaixona por
ela. É a fórmula Disney para adultos e nunca falha. Basta transformar a
personagem de Julia Roberts (que é "nitidamente" uma prostituta porque usa saias muito curtinhas e botas altas!!!... [em 1990 as coisas eram tratadas assim um pouco para o lado irrealista, mas tudo bem, até gosto desta inocência distante]) numa empregada de limpeza pobre e passar tudo a
desenhos animados, juntar-lhe uma musiquinha da treta no genérico (ou
numa cena musical - obrigatório) e está feito o novo mega-sucesso da Disney.
Aqui, a "potência" dos dois actores principais (Richard Gere e Julia Roberts) segura o
filme e torna-o suportável, apesar de toda a previsibilidade deste mundo. Nesta altura, acho que o Richard Gere era o
sex-symbol em vigência. Não me lembro bem. Também não interessa... É tudo muito confuso. Já vi o Richard Gere fazer tantas vezes este galã de homem maduro extremamente sensual que vai buscar a "menosprezada amada à fábrica" que já confundo tudo. Mas lá está, não interessa... Garry Marshall fez um mega-sucesso comercial desta moderna La Traviata (que por acaso até aparece no filme) e cristalizou a presença de Roberts (na altura apenas com 22 anos) nos ecrãs de cinema. Dois destaques finais: um para o cartaz oficial que por qualquer razão inexplicável acabou por se tornar icónico com o tempo (lá está: aposto na mini-saia e nas botas altas); e o outro destaque vai para a excelente música de Roy Orbison que dá nome ao filme e torna qualquer trailer numa coisa agradável de se ver. ●●○○○
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The Proposal é uma comédia romântica e como tal tem uma história bastante simples (não é que isto queira dizer que todas as comédias românticas têm histórias simplistas [mas sim, é mesmo isso que estou a afirmar]): Sandra Bullock é uma irascível executiva canadiana que tem de casar com o seu submisso assistente (Ryan Reynolds) para poder renovar o visto de permanência no Estados Unidos. A partir daqui é só é explorar a comédia de situação entre duas pessoas que não se dão bem, mas que lentamente se vão apaixonar e casar. Oh! Que fofinhos!... Que adoráveis!...
O que é que posso dizer mais? É uma comédia romântica... É óptima para passar em hospitais ou para acompanhar pessoas que estão de cama com gripe durante o fim de semana. Não é que seja mau, mas... Eu tento... A sério que tento. Eu até vejo estas coisas amorosas, com casamentos e tudo, mas não consigo aguentar. É demasiado "mole" para mim. Não consigo. "Sabe" sempre a artifical. Isto até está bem feito (Anne Fletcher), tem algumas boas piadas e uma série de situações cómicas que tornam o filme suportável, os actores principais são bons, os restantes (Mary Steenburgen, Craig T. Nelson, Betty White) também, mas... não é mesmo para mim. Os sacrifícios que uma pessoa faz pela arte... ●●○○○
O que é que posso dizer mais? É uma comédia romântica... É óptima para passar em hospitais ou para acompanhar pessoas que estão de cama com gripe durante o fim de semana. Não é que seja mau, mas... Eu tento... A sério que tento. Eu até vejo estas coisas amorosas, com casamentos e tudo, mas não consigo aguentar. É demasiado "mole" para mim. Não consigo. "Sabe" sempre a artifical. Isto até está bem feito (Anne Fletcher), tem algumas boas piadas e uma série de situações cómicas que tornam o filme suportável, os actores principais são bons, os restantes (Mary Steenburgen, Craig T. Nelson, Betty White) também, mas... não é mesmo para mim. Os sacrifícios que uma pessoa faz pela arte... ●●○○○
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Breathless é um remake de um filme francês dos anos 60 (À bout de souffle - que ainda não vi -). Mas mais que um remake, Breathless é um filme dos anos 80 e está tudo dito. Tem um bocadinho de tudo: drama, romance, comédia, acção, roadtrip... Grandes músicas do Jerry Lee Lewis. Tem tudo. E claro, sendo um produto dos anos 80, sofre dos mesmos problemas que a própria década: excessivo, com coisas e cores a mais... Muitas vezes, tornava as coisas feias. Mas no meio de tantas coisas feias hvia sempre coisas verdadeiramente únicas e espectaculares. Em Breathless há momentos lynchianos misturados com cenas de telenovela. Há um Richard Gere (no seu pico de sex symbol global) nu, e a musa Valérie Kaprisky também... Há uma banda sonora que nitidamente influenciou Quentin Tarantino e o seu estílo "único" de filmar. Breathless é um daqueles filmes que imagino que o Tarantino viu e reviu enquanto trabalhava no videoclube...
Para ver com toda a atenção aos pormenores e muita mentalidade aberta para perdoar e esquecer as partes horríveis, como as filmagens de carro à "James Bond dos anos 60". Uma autêntica máquina do tempo. ●●●○○
Para ver com toda a atenção aos pormenores e muita mentalidade aberta para perdoar e esquecer as partes horríveis, como as filmagens de carro à "James Bond dos anos 60". Uma autêntica máquina do tempo. ●●●○○
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1983,
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Burnt foi mais uma agradável surpresa. Quase que diria que Burnt é uma comédia romântica. Mas não é. É mais uma espécie de romance dramático. conta a história de um chef de topo, que depois de entrar numa espiral descendente de drogas e comportamento imprevisível, retorna mais tarde, sóbrio e empenhado para tentar ganhar o "santo graal" da culinária que é a apetecível estrela Michelin. Neste caso, recuperá-la.
Mas brincadeiras à parte, surpreendeu-me pela positiva. Está muito bem feito (John Wells), muito bem escrito e tem alto ritmo, se bem que muitas vezes pareça quase um telefilme. Mas para mim isso não é problema; desde que seja bem feito, tudo bem. Muito bons actores secundários (Omar Sy, Sienna Miller, Daniel Brühl, Alicia Vikander e duas pequenas aparições cheias de classe de Emma Thompson e Uma Thurman) e dois bons principais (Matthew Rhys e Bradley Cooper). Curiosamente, Bradley Cooper nem é um gajo que curto. Não sei muito bem porquê, mas não vou muito à bola com ele. Nem é por nada especial... é simplesmente daquelas coisas... daquelas sensações de falta de empatia. Mas aqui, diga-se, está muitíssimo bem e é ele que segura totalmente o filme. Muita tensão, muitas emoções à flor da pele, muito ritmo. Sem dúvida, Burnt (excelente título...) é para ver. ●●●○○
Mas brincadeiras à parte, surpreendeu-me pela positiva. Está muito bem feito (John Wells), muito bem escrito e tem alto ritmo, se bem que muitas vezes pareça quase um telefilme. Mas para mim isso não é problema; desde que seja bem feito, tudo bem. Muito bons actores secundários (Omar Sy, Sienna Miller, Daniel Brühl, Alicia Vikander e duas pequenas aparições cheias de classe de Emma Thompson e Uma Thurman) e dois bons principais (Matthew Rhys e Bradley Cooper). Curiosamente, Bradley Cooper nem é um gajo que curto. Não sei muito bem porquê, mas não vou muito à bola com ele. Nem é por nada especial... é simplesmente daquelas coisas... daquelas sensações de falta de empatia. Mas aqui, diga-se, está muitíssimo bem e é ele que segura totalmente o filme. Muita tensão, muitas emoções à flor da pele, muito ritmo. Sem dúvida, Burnt (excelente título...) é para ver. ●●●○○
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Ou vi falar muito bem de um filme chamado The Lobster. Mais uma vez, pouco sabia sobre o filme, a não ser que tinha algo que ver com pessoas solteiras e que tagline era "Uma história de amor pouco convencional de Yorgos Lanthimos". Isto intrigou-me, assim como o realizador que não conhecia. O título também me intrigou e como tinha actores como Colin Farrell, Rachel Weisz, Ben Whishaw e John C. Reilly (pessoal que não costuma fazer maus filmes) lancei-me à descoberta.
De facto, a tagline é verdadeira. Num estranho futuro distópico, as pessoas não podem ficar solteiras. Se isso acontecer, são enviadas para um Hotel especial, onde têm de encontrar um novo parceiro em 45 dias, sob pena de serem transformados em animais. Estranho, não?! Sim. Muito estranho. The Lobster é mesmo um filme estranho. É uma espécie de comédia dramática (?!) misturada com crítica social, num ambiente muito estéril e... estranho. The Lobster é um filme totalmente diferente da concorrência. Tem uma visão e um mundo muito próprios e por isso, Yorgos Lanthimos, é um nome a reter, porque pode sair daquela cabeça uma obra prima a qualquer momento. Ou não! Nunca se sabe. Mas tem lá tudo o que é preciso...
Apesar de tudo o que tem de bom, estranho e diferente, The Lobster gerou-me algumas contradições. Aquilo a que vulgarmente se chama "mixed feelings". Verdadeiros "mixed feelings". Comecei por gostar muito e acabei a não gostar assim tanto. Por vezes achei hilariante, mas noutras, achei entediante. Tem uma boa história e tem um bom tratamento da história, mas acho que a premissa era demasiado alta, o início do filme demasiado bom e acabou por não ter um final condizente. Acho que foi mais isso. Compreendo o final ambíguo, mas foi tão ténue, tão subtil que fiquei mesmo na dúvida se foi apenas um gesto, ou se ela olhou mesmo para o trânsito que passa ou se foi apenas um reflexo. Pode ter sido impressão minha., mas quando as acções são tão subtis que nem sei muito bem o que pensar... algo não está bem. Essencialmente, parece-me que foi isso que falhou. O início e o meio do filme é demasiado bom e diferente para ter um final assim tão... subtil. Ainda assim, pela história, pela envolvência e pelo mundo tão particular e diferente em que uma pessoa é mergulhado, The Lobster é um filme que vale sempre a pena ver. ●●●○○
De facto, a tagline é verdadeira. Num estranho futuro distópico, as pessoas não podem ficar solteiras. Se isso acontecer, são enviadas para um Hotel especial, onde têm de encontrar um novo parceiro em 45 dias, sob pena de serem transformados em animais. Estranho, não?! Sim. Muito estranho. The Lobster é mesmo um filme estranho. É uma espécie de comédia dramática (?!) misturada com crítica social, num ambiente muito estéril e... estranho. The Lobster é um filme totalmente diferente da concorrência. Tem uma visão e um mundo muito próprios e por isso, Yorgos Lanthimos, é um nome a reter, porque pode sair daquela cabeça uma obra prima a qualquer momento. Ou não! Nunca se sabe. Mas tem lá tudo o que é preciso...
Apesar de tudo o que tem de bom, estranho e diferente, The Lobster gerou-me algumas contradições. Aquilo a que vulgarmente se chama "mixed feelings". Verdadeiros "mixed feelings". Comecei por gostar muito e acabei a não gostar assim tanto. Por vezes achei hilariante, mas noutras, achei entediante. Tem uma boa história e tem um bom tratamento da história, mas acho que a premissa era demasiado alta, o início do filme demasiado bom e acabou por não ter um final condizente. Acho que foi mais isso. Compreendo o final ambíguo, mas foi tão ténue, tão subtil que fiquei mesmo na dúvida se foi apenas um gesto, ou se ela olhou mesmo para o trânsito que passa ou se foi apenas um reflexo. Pode ter sido impressão minha., mas quando as acções são tão subtis que nem sei muito bem o que pensar... algo não está bem. Essencialmente, parece-me que foi isso que falhou. O início e o meio do filme é demasiado bom e diferente para ter um final assim tão... subtil. Ainda assim, pela história, pela envolvência e pelo mundo tão particular e diferente em que uma pessoa é mergulhado, The Lobster é um filme que vale sempre a pena ver. ●●●○○
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The Bad Batch é daqueles filmes que percebi, mas não gostei. Percebi a metáfora dos indesejáveis, que expulsos da "sociedade perfeita", são levados para lá dos limites do inaceitável (canibalismo) por força das circunstâncias. Sendo que as circunstâncias são basicamente, a falta de comida, de regras e de empatia, então a lei do mais forte, a lei da necessidade mais básica, a simples e pura sobrevivência, irá sempre imperar.
O que não gostei, principalmente, é que me pareceu um mix de coisas. Uma espécie de híbrido entre filme independente/intelectual, um videoclipe da Lana del Rey e um anúncio Tommy Hilfiger (ou será Ralph Lauren? Não sei muito bem qual destes é, mas é aquele que não tem nada a ver com o mar; o filme é todo passado no deserto...), rodado nos cenários pós-apocalípticos do Mad Max. Apesar de ser um filme com uma fotografia fantástica, acho-o algo despropositado: a disparidade entre o grotesco da actuação das personagens e as imagens lindíssimas não conjugam perfeitamente. É como tentar juntar as palavras romance e canibal na mesma frase: dificilmente irá sair bem...
Acho que é um filme feito por alguém com bastante talento (Ana Lily Amirpour), mas que não se consegue conter. É um problema que tenho visto muitas vezes.
Com aquele início muito bom e com tantas possibilidades metafóricas da história (até com a actualidade política e social americana), podia e deveria ter sido muito melhor. Até porque esta história funciona em qualquer altura: num presente instável e anárquico ou num futuro longínquo e distópico. Acho que o tema foi muito mal aproveitado. Fiquei com a sensação que tentaram que The Bad Batch tivesse aquele ar de filme "independente" e "intelectual" e acabaram por tornar o filme vazio e monótono, ao mesmo tempo que o tornaram ostensivamente metafórico, como se o público fosse um bocado burrinho e não conseguisse perceber nas entrelinhas. Detesto que me façam isso...
Aliás, é um filme que se perde bastante a tentar passar mensagens em cartazes. São muitos cartazes com muitas mensagens, espalhados por todo o lado e por todo o filme... Dei por mim a imaginar-me naquelas lojas de presentes que têm mensagens motivacionais em canecas e t-shirts...
O que poderia safar este filme seriam os actores. Mas nem isso aconteceu. Suki Waterhouse no papel principal de uma personagem que até tem bastante impacto, simplesmente não "aparece"; Keanu Reeves parece deslocado do seu papel e começo a ficar preocupado com o Jim Carrey e com o Giovanni Ribisi: só aparecem a fazer papéis de loucos ou estarão mesmo a pirar do capacete? A única surpresa positiva é o Jason Momoa, que não sendo grande actor, até teve bastante "presença".
The Bad Batch é uma partida em falso, apesar de metade do elenco andar constante de um lado para outro sem rumo. Apesar de estar muito bem fotografado, acaba por ser monótono e não tem uma história definida. Mas tem potencial. Há por aqui muito material de base para se fazer um filme em condições. Pode ser que alguém tenha visto o mesmo que eu e daqui por uns anos refaça o filme como deve ser. ●●○○○
O que não gostei, principalmente, é que me pareceu um mix de coisas. Uma espécie de híbrido entre filme independente/intelectual, um videoclipe da Lana del Rey e um anúncio Tommy Hilfiger (ou será Ralph Lauren? Não sei muito bem qual destes é, mas é aquele que não tem nada a ver com o mar; o filme é todo passado no deserto...), rodado nos cenários pós-apocalípticos do Mad Max. Apesar de ser um filme com uma fotografia fantástica, acho-o algo despropositado: a disparidade entre o grotesco da actuação das personagens e as imagens lindíssimas não conjugam perfeitamente. É como tentar juntar as palavras romance e canibal na mesma frase: dificilmente irá sair bem...
Acho que é um filme feito por alguém com bastante talento (Ana Lily Amirpour), mas que não se consegue conter. É um problema que tenho visto muitas vezes.
Com aquele início muito bom e com tantas possibilidades metafóricas da história (até com a actualidade política e social americana), podia e deveria ter sido muito melhor. Até porque esta história funciona em qualquer altura: num presente instável e anárquico ou num futuro longínquo e distópico. Acho que o tema foi muito mal aproveitado. Fiquei com a sensação que tentaram que The Bad Batch tivesse aquele ar de filme "independente" e "intelectual" e acabaram por tornar o filme vazio e monótono, ao mesmo tempo que o tornaram ostensivamente metafórico, como se o público fosse um bocado burrinho e não conseguisse perceber nas entrelinhas. Detesto que me façam isso...
Aliás, é um filme que se perde bastante a tentar passar mensagens em cartazes. São muitos cartazes com muitas mensagens, espalhados por todo o lado e por todo o filme... Dei por mim a imaginar-me naquelas lojas de presentes que têm mensagens motivacionais em canecas e t-shirts...
O que poderia safar este filme seriam os actores. Mas nem isso aconteceu. Suki Waterhouse no papel principal de uma personagem que até tem bastante impacto, simplesmente não "aparece"; Keanu Reeves parece deslocado do seu papel e começo a ficar preocupado com o Jim Carrey e com o Giovanni Ribisi: só aparecem a fazer papéis de loucos ou estarão mesmo a pirar do capacete? A única surpresa positiva é o Jason Momoa, que não sendo grande actor, até teve bastante "presença".
The Bad Batch é uma partida em falso, apesar de metade do elenco andar constante de um lado para outro sem rumo. Apesar de estar muito bem fotografado, acaba por ser monótono e não tem uma história definida. Mas tem potencial. Há por aqui muito material de base para se fazer um filme em condições. Pode ser que alguém tenha visto o mesmo que eu e daqui por uns anos refaça o filme como deve ser. ●●○○○
Há filmes que gosto muito e há filmes que me chateiam. Groundhog Day é um filme que me chateia. Pessoalmente falando, sou daqueles gajos que à pergunta "Gostas de comédias românticas?", respondo imediata e instintivamente com um "não!" peremptório e jocoso. Nem pensar nisso. Quando penso em filmes, a última coisa que me vem à cabeça, são comédias românticas. Para mim, nem sequer é um género de filmes, quanto mais uma opção. É linear. Não vejo, simplesmente. Não é por "mariquinhas", nem por nada... é que me entedia. Não consigo suportar. Ou adormeço, ou começo a fazer em outras coisas para me entreter mentalmente. É tudo tão leve, mundano e previsível que não consigo suportar...
Por isso mesmo, Groundhog Day é um filme que me chateia. Para todos os efeitos, É uma comédia romântica e EU GOSTO! Não! Porra! Como é possível?
Um jornalista e apresentador de meteorologia - juntamente com a sua personalidade excêntrica mas execrável (é daqueles tipos irritantes que se acha o melhor do mundo) -, acaba numa pacata vila americana a cobrir uma notícia "tosca" sobre uma marmota (o animal tipo castor, não o peixe, atenção!) que consegue prever o tempo. Entediado (da mesma forma que eu, em relação às comédias românticas) com todo aquele assunto Phil (Bill Murray, o "man") trata ainda pior as pessoas que o rodeiam. Tudo muda quando fica "preso" nesse mesmo dia. Faça o que faça no seu dia-a-dia, Phil acorda sempre no mesmo quarto de hotel às 6 da manhã e repetidamente revive a agonia da repetição. Acaba por ser hilariante vê-lo acordar todos os dias, ao som da mesma música, na mesma cama, a cruzar-se com as mesmas pessoas. Sem forma de sair daquela "maldição do tempo", acaba por se apaixonar pela produtora Rita (Andie MacDowell) que o detesta. Inconformado com a situação, aproveita o tempo "perdido" para ir "limando" algumas arestas da sua personalidade, ao mesmo tempo que tenta vezes sem conta conquistar o coração de Rita... Simples, mas excelente história, muito bem escrita e muito bem contada pela câmara do "original ghostbuster" Harold Ramis. Muito bom.
Groundhog Day, para além de se notar que foi feito com/por pessoas inteligentes, é um daqueles filmes tão carregado de inocência que consegue aquecer o coração mais empedernido (como o meu - é de ver muitos filmes de acção e efeitos especiais...). Sendo que o revejo, lembro-me que, afinal, há esperança na sobrevivência da Humanidade... É uma espécie de Scrooge moderno. Simples, sempre actual, muito cómico (sendo que é praticamente impossível um filme fazer-me rir ..) e muito, muito bom de se ver. Uma pequena pérola. ●●●●○
Por isso mesmo, Groundhog Day é um filme que me chateia. Para todos os efeitos, É uma comédia romântica e EU GOSTO! Não! Porra! Como é possível?
Um jornalista e apresentador de meteorologia - juntamente com a sua personalidade excêntrica mas execrável (é daqueles tipos irritantes que se acha o melhor do mundo) -, acaba numa pacata vila americana a cobrir uma notícia "tosca" sobre uma marmota (o animal tipo castor, não o peixe, atenção!) que consegue prever o tempo. Entediado (da mesma forma que eu, em relação às comédias românticas) com todo aquele assunto Phil (Bill Murray, o "man") trata ainda pior as pessoas que o rodeiam. Tudo muda quando fica "preso" nesse mesmo dia. Faça o que faça no seu dia-a-dia, Phil acorda sempre no mesmo quarto de hotel às 6 da manhã e repetidamente revive a agonia da repetição. Acaba por ser hilariante vê-lo acordar todos os dias, ao som da mesma música, na mesma cama, a cruzar-se com as mesmas pessoas. Sem forma de sair daquela "maldição do tempo", acaba por se apaixonar pela produtora Rita (Andie MacDowell) que o detesta. Inconformado com a situação, aproveita o tempo "perdido" para ir "limando" algumas arestas da sua personalidade, ao mesmo tempo que tenta vezes sem conta conquistar o coração de Rita... Simples, mas excelente história, muito bem escrita e muito bem contada pela câmara do "original ghostbuster" Harold Ramis. Muito bom.
Groundhog Day, para além de se notar que foi feito com/por pessoas inteligentes, é um daqueles filmes tão carregado de inocência que consegue aquecer o coração mais empedernido (como o meu - é de ver muitos filmes de acção e efeitos especiais...). Sendo que o revejo, lembro-me que, afinal, há esperança na sobrevivência da Humanidade... É uma espécie de Scrooge moderno. Simples, sempre actual, muito cómico (sendo que é praticamente impossível um filme fazer-me rir ..) e muito, muito bom de se ver. Uma pequena pérola. ●●●●○
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