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Após o imenso sucesso comercial que foram os Ghostbusters era obrigatório uma sequela. E ela chegou 5 anos depois, o que seria impensável hoje em dia. O mundo cinematográfico mudou imenso...
Nesta nova aventura, com o passar dos anos, os Ghostbusters perderam a credibilidade e vivem dispersos, tendo outras profissionais diferentes dos famosos caçadores de fantasmas. Mas quando Dana e o seu bebé têm um novo encontro com o paranormal, os Ghostbusters são novamente chamados para salvar o mundo.
Como dá logo pode perceber, Ghostbusters 2 é um pouco mais fraco que o original, mas ainda assim aguenta-se bastante bem. Apesar de estar tudo bem feito, não deixa de ser demasiado "colado" em termos de estrutura ao sucesso que foi o primeiro filme. Mais uma prova evidente que mais meios, mais dinheiro na produção e melhores efeitos especiais não fazem necessariamente um filme melhor. Vi uma entrevista em que Bill Murray se queixava precisamente disso.
Aos Ghostbusters originais (Bill Murray, Dan Aykroyd, Harold Ramis, Ernie Hudson, Rick Moranis, Annie Potts, Sigourney Weaver) junta-se agora Peter MacNicol, que não lhes fica em nada atrás, como o capataz de Vigo. Já agora, referência também para Max von Sydow que dá a voz ao vilão da história. Uma curiosidade: tal como aconteceu noutras situações, a personagem (Vigo) foi interpretada por um actor (Wilhelm von Homburg), mas sem saber foi dobrado por outro. Como é óbvio, o actor original detestou a opção. Acontece.
Apesar de ser só um pormenor, acaba por resumir um pouco este Ghostbusters 2. Estão lá todos os elementos originais, actores incluídos, mas de alguma forma, no geral não funciona tão bem, quase como se fosse uma música com playback. Será porque perde a originalidade? Será porque a espontaneidade já não está presente? Será porque os efeitos especiais "tomam conta" do filme? Será por ser muito mais "polido" e "infantil"? Será porque o público já não é o mesmo? Não sei responder. O que sei é que enquanto o original Ghostbusters é uma referência a tantos níveis, esta sequela é apenas um filme... que se vê bem... ○○○


Quando o filme é Ghostbusters, eu poderia estar aqui uma tarde inteira a escrever. Tem tantos pormenores e tanta coisa boa para se falar que dava uma enciclopédia. A música original de Ray Parker Jr.; os excelentes efeitos especiais (para a altura), numa lógica de verdadeira magia do cinema; as figuras icónicas em que se transformaram os próprios Ghostbusters; o Stay-Puft Marshmallow Man gigante e o Slime verde; a carrinha branca e aquele som único da sirene. Poderia falar de todos estes pormenores, mas acho que nem vale a pena. São tão icónicos e imediatamente reconhecidos que seria redundante. Tudo isto já faz parte da cultura geral.
Acho simplesmente que é a mistura tão bem construída de comédia e terror (para 1984; hoje seria considerado mais fantasia do que terror), que o torna num filme perfeito. Parabéns ao Ivan Reitman por ter dado vida a estas personagens e por feito um filme que é uma referência para mim. E não só. Acho que é um filme intemporal. Nunca está desactualizado e nu sai de moda.
Foi muito provavelmente o primeiro filme que vi num cinema. Para um miúdo, foi uma experiência avassaladora, num misto de medo e diversão, tudo ao mesmo tempo. Foi espectacular. Perdi a noção da quantidade de vezes que vi os Ghostbusters, mas já foram muitas. Ainda há pouco tempo estava a dar na TV e não consegui resistir. Tive de o ver outra vez.
Bill Murray, Dan Aykroyd, Harold Ramis e Ernie Hudson serão os Ghostbusters para sempre. Apesar da fatia maior de mérito ser obviamente do Dan Aykroyd e do Harold Ramis (por causa do guião), é obviamente o Bill Murray que rouba todo o protagonismo. É um dos gajos mais naturalmente cómicos que algum vez vi. Um dos meus gajos favoritos de sempre. Sigourney Weaver, Rick Moranis, Annie Potts e William Atherton fazem a melhor conjugação secundária que me lembro. Todos têm deixas memoráveis e inesquecíveis. O que é incrível, se se pensar que a maior parte do guião original não foi respeitado. Grande parte dos diálogos foram improvisados, o que é incrível.
Para mim, Ghostbusters é o protótipo do derradeiro filme de família. Perfeito. Fantástico. Surpreendente. Cómico. Melhor é impossível. ●●●●●

Um homem é acusado de violação por uma miúda rica e a sua amiga dos trailers. O polícia que investiga o caso começa a suspeitar de fraude e é obrigado a entrar numa teia de crimes, mentiras, enganos e traições para tentar chegar à verdade. Mas não vai ser fácil, porque nem tudo é o que parece.
Wild Things é um thriller à "moda antiga" de John McNaughton, em que a acção está no guião e não nas explosões. Grande realização, com grande envolvência, numa história cheia de surpresas e twists que vai obrigar a ver o genérico até ao fim para ver se não acontece mais alguma coisa... Muito bom. Excelentes prestações de Kevin Bacon, Matt Dillon, Neve Campbell e Denise Richards, mas ainda há Robert Wagner e Bill Murray como secundários. Apesar de ser um filme com pouco mais de 20 anos, parece ter saído de um passado profundo; não porque o filme esteja datado no tempo, mas porque hoje em dia (praticamente) não se fazem filmes assim. É incrível. O cinema mudou muito em 20 anos, mas isso é outra história. Por isso mesmo, Wild Things está recomendadíssimo. ●●●●○

Enquanto esperava pela nova temporada da Guerra dos Tronos, dei por mim a ver um filme no SyFy com o nome de Zombieland. Podia ter passado para outro canal - e até seria a minha reacção mais natural, pois já estou totalmente farto de cenas com zombies -, mas fiquei a ver. E fiquei a ver principalmente porque estranhei o elenco: Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Emma Stone e Bill Murray? Juntos, num filme de zombies? Em teoria, não deveria funcionar, mas estranhamente funciona. O que facilmente poderia descambar para os campos da estupidez, acaba por se revelar como uma agradável comédia... com zombies.
Boa realização (Ruben Fleischer), contida a suficiente para não se tornar vulgar, boas piadas e excelentes diálogos na boca de um casting muito estranho - e repito-me -, que em teoria não deveria encaixar. Uma agradável surpresa. Fiquei a saber que este ano deve ter uma sequela. Espero para ver se sofre de sequelite. É que não me parece que houvesse alguma necessidade de dar continuidade à história. ●●○○○

Há filmes que gosto muito e há filmes que me chateiam. Groundhog Day é um filme que me chateia. Pessoalmente falando, sou daqueles gajos que à pergunta "Gostas de comédias românticas?", respondo imediata e instintivamente com um "não!" peremptório e jocoso. Nem pensar nisso. Quando penso em filmes, a última coisa que me vem à cabeça, são comédias românticas. Para mim, nem sequer é um género de filmes, quanto mais uma opção. É linear. Não vejo, simplesmente. Não é por "mariquinhas", nem por nada... é que me entedia. Não consigo suportar. Ou adormeço, ou começo a fazer em outras coisas para me entreter mentalmente. É tudo tão leve, mundano e previsível que não consigo suportar...
Por isso mesmo, Groundhog Day é um filme que me chateia. Para todos os efeitos, É uma comédia romântica e EU GOSTO! Não! Porra! Como é possível?
Um jornalista e apresentador de meteorologia - juntamente com a sua personalidade excêntrica mas execrável (é daqueles tipos irritantes que se acha o melhor do mundo) -, acaba numa pacata vila americana a cobrir uma notícia "tosca" sobre uma marmota (o animal tipo castor, não o peixe, atenção!) que consegue prever o tempo. Entediado (da mesma forma que eu, em relação às comédias românticas) com todo aquele assunto Phil (Bill Murray, o "man") trata ainda pior as pessoas que o rodeiam. Tudo muda quando fica "preso" nesse mesmo dia. Faça o que faça no seu dia-a-dia, Phil acorda sempre no mesmo quarto de hotel às 6 da manhã e repetidamente revive a agonia da repetição. Acaba por ser hilariante vê-lo acordar todos os dias, ao som da mesma música, na mesma cama, a cruzar-se com as mesmas pessoas. Sem forma de sair daquela "maldição do tempo", acaba por se apaixonar pela produtora Rita (Andie MacDowell) que o detesta. Inconformado com a situação, aproveita o tempo "perdido" para ir "limando" algumas arestas da sua personalidade, ao mesmo tempo que tenta vezes sem conta conquistar o coração de Rita... Simples, mas excelente história, muito bem escrita e muito bem contada pela câmara do "original ghostbuster" Harold Ramis. Muito bom.
Groundhog Day, para além de se notar que foi feito com/por pessoas inteligentes, é um daqueles filmes tão carregado de inocência que consegue aquecer o coração mais empedernido (como o meu - é de ver muitos filmes de acção e efeitos especiais...). Sendo que o revejo, lembro-me que, afinal, há esperança na sobrevivência da Humanidade... É uma espécie de Scrooge moderno. Simples, sempre actual, muito cómico (sendo que é praticamente impossível um filme fazer-me rir ..) e muito, muito bom de se ver. Uma pequena pérola. ●●●●○

Lost in Translation tem algo que o transcende como filme. Tal como Trainspotting uns anos antes, é mais que um filme, é uma marca geracional. Não é pela história de amor estranha e diferente, não é pela cultura e modo de vida japonês tão próprio, não é pelo contexto de deslocamento, nem é por nada em especial. É por conseguir identificar-se com toda uma geração que nessa altura (2003) também parecia que estava deslocada do seu habitat natural, que estava desiludida com o que tinha à mão deixado por uma incompreensível geração anterior, um futuro incerto sem caminho delineado, a querer o que não podia ter, à espera de algo que nunca chega.
Nos anos 90, Douglas Coupland popularizou o termo Geração X, para identificar um grupo de jovens que estava meio perdido num mundo em mudança acelerada e que queria lutar contra qualquer coisa que não sabia muito bem o que era. Mas nunca fui adepto destas classificações porque são muito estanques, e esta coisa das gerações é muito subjectiva. Mas para mim, Lost in Translation tem um significado especial, porque fecha o ciclo duma geração que tinha visto o mundo mudar radicalmente desde os anos 90. Era altura de deixar de "lutar" contra a desilusão e aceitar a realidade o melhor possível. Lost in Translation também tem qualquer coisa disto à mistura... Estou a divagar...
O mérito vai todo para o génio de Sofia Coppola que conseguiu capturar os pormenores, mais que o the big picture. Muitas vezes ouço dizer que o mais importante é ver o contexto geral, mais isso faz com que estejamos todos muitos distantes, não é verdade? E assim acabamos por não conseguir ver nenhum dos pormenores, que por vezes são muito mais importantes e belos que a imagem no seu todo... E estou a divagar novamente...
Lost in Translation é um filme sem falhas mas de difícil catalogação: é um drama, um romance, uma comédia? Não consigo definir. A história de Coppola é envolvente, humana, dramática, tocante, divertida, romântica e bipolar, tal como a vida é. Tem dois excepcionais actores, Bill Murray e Scarlett Johansson, que são totalmente a "alma" do filme. Fazem o par mais romântico, mas também mais improvável dos últimos anos. São imensamente diferentes um do outro, mas nota-se uma química genuína. Tem uma fotografia lindíssima que dá logo vontade de viajar até Tóquio para cantar karaoke e tem uma banda sonora alternativa (que guardo religiosamente) ainda melhor. Está perfeitamente escrito e realizado por Sofia Coppola. Um clássico instantâneo. Não tenho nada a apontar... Para ver sempre que possível. ●●●●●

 
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