Vi este Bruna Surfistinha numa onda estranha de visualização de filmes. Curiosamente, e por pura coincidência, vi uma série de filmes brasileiros de seguida. Não tinha grande opinião positiva, mas depois deste pequeno lote, posso dizer que o cinema brasileiro subiu imenso na minha consideração e até posso dizer que o cinema oriundo do Brasil tem muito a oferecer ao mundo.
Esta é um história baseada em factos verídicos. Raquel, uma miúda de 17 anos da classe média brasileira, foge de casa após um conflito familiar. Sem muito por onde se virar, Raquel envereda pelo mundo da prostituição e do dinheiro fácil. Conhecida no submundo do sexo pelo nome de Bruna Surfistinha começa a ganhar fama. Mas ao contrário de tantas outras miúdas na mesma situação, em vez de se esconder, Raquel começa a relatar a sua rotina e os seus encontros sexuais num blog que se tornou um fenómeno de popularidade, primeiro no Brasil, depois em todo o mundo. Mais tarde, atingiu a celebridade pública quando escreveu o livro "O Doce Veneno do Escorpião", que se tornou também um best seller. É esse livro que serviu de base ao filme.
Se a história rocambolesca é, por si só, a grande estrela do filme, são os actores que lhe dão vida. E este grupo, como acontece quase sempre nas produções brasileiras, é muito bom. Deborah Secco faz um grande papelaço e tem a ajuda de bons actores como Cássio Gabus Mendes, Drica Moraes, Cristina Lago e Fabiula Nascimento, que já me tinha ficado debaixo de olho após o fantástico Estômago. Os brasileiros, tal como os americanos, parecem ter todos uma estranha inclinação genética que lhes permite estarem super à vontade no grande ecrã. E quando têm de representar casos verídicos, como é caso, isso é ouro sobre azul.
Marcos Baldini esteve aos comandos da realização e conseguiu fazê-lo muito bem. Prostituição não é propriamente um tema muito agradável de tratar, nem fácil de filmar. Seja ao vivo ou pela internet, com este ou aquele nome, na vida real ou na ficção, a prostituição parece fascinar a sociedade. Mas transpor a violência implícita da profissão sem ser totalmente explícito é mesmo muito difícil. Baldini conseguiu equilibrar muito bem este pormenor e passa do look sujo e decadente das espeluncas de vão de escada para as grandes festas VIP cheias de brilhantes com a mesma mestria. Sem ser uma obra-prima, é um filme bem feito. Bruna Surfistinha é por vezes bastante potente, mas na maioria dos casos é demasiado suavizado, e esta é se calhar, a maior falha. Mas nem tudo tem de ser totalmente explícito e chocante, não é verdade? Respeito a lógica. Bruna Surfistinha está bem equilibrado e por isso vê-se muito bem. ●●●○○
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A Vida é um Sopro é um documentário mediano mas que acaba por ser bom devido ao entrevistado e às suas obras. E o entrevistado é nem mais nem menos do que o senhor Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho, ou simplesmente, Oscar Niemeyer, o génio.
No mundo da arquitectura, para mim, é simplesmente o melhor. Não só pelo desenho arquitectural, mas também porque tem inerente uma filosofia de vida. Mesmo sem nunca ter visto um documentário, olhando para os edifícios e construções, percebe-se imediatamente que há ali uma linha de pensamento dirigida para a pessoa que olha e usufrui do equipamento. Isto é algo que grande parte da arquitectura dita "modernista" se esquece. Um prédio, mesmo que uma pessoa não o use, não é "só" um prédio; é uma presença na vida das pessoas; interfere com o meio envolvente; mesmo sendo imóvel, interage com a pessoa que vai a passar, mesmo que ela nem olhe para lá. E estas pequenas (ou grandes, conforme a dimensão) interferências na vida quotidiana têm um reflexo, e é esse reflexo que me parece que muitas vezes não é sequer tido em conta. E nem sequer estou a falar na construção comercial, que isso são caixotes-dormitórios para acomodar paletes de pessoas, estou a referir a intervenção arquitectónica urbana que muitas vezes é premiada e reverenciada como o supra-sumo da arquitectura e que para mim, não tendo em conta o impacto da questão social e humana, é - pegando nas palavras do mestre - simplesmente uma merda. Pode ser muito bonito, muito estético e arrojado, mas quando não "pensa" nos impactos, nas pessoas e como isso muda tudo, para mim não vale simplesmente nada. Zero.
Já vi muitas entrevistas, alguns documentários e chego à conclusão que Niemeyer é provavelmente o melhor arquitecto de sempre. E acho isso porque é uma junção de duas coisas inseparáveis: arquitectura e pessoas. Sem uma destas coisas, a outra não faz sentido. Talvez seja a sua queda ideológica para a política mais socialista que mistura tão bem as duas coisas... não sei. O que sei é que o homem concebeu das melhores obras arquitectíonicas do mundo como por exemplo a Catedral de Brasília, o Congresso Nacional do Brasil, o parque urbano de Ibirapuera, a sede da ONU ou o Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Arquitectura com décadas que parece saída do futuro. Mais um gajo que estava muito à frente no seu tempo.
Oscar, como gajo que é "gajo", é "simples" e não tem papas na língua. É uma delicia vê-lo a defender o que é bom e bonito, como "a mulhér bonita, o prédio bonito" e a mandar literalmente foder o que é mau e não presta. Sem contemplações, sem merdas. Simples e directo do coração. Oscar Niemeyer, sem dúvida, um dos melhores gajos de sempre.
Como já disse, "A vida é um sopro" é documentário a cair para o fracote. Quer dizer, até me custa dizer "fracote", mas a sensação com que fico é que o Niemeyer é tão bom, que provavelmente ninguém conseguiria fazer um documento à altura do entrevistado. Até tem alguma produção, mas pouca. É mais uma entrevista "quitada" do que propriamente um documentário. Já vi uns quantos documentários sobre arquitectura e (quase) todos cometem o mesmo erro: não mostram os interiores e os pormenores. É quase como se arquitectura fosse apenas a parte exterior da construção. É pena e é um erro. Aposto que se o Niemeyer fizesse um documentário ele mostraria os interiores e como pensou na disposição das casas de banho e porque é que nas áreas comuns usou "aquelas" cores ou "aquela" iluminação em detrimento da outra. Mas pronto, é o que há e é melhor que nada. Podia ser melhor, mas não está mal. E compreendo que a investigação e produção duma cena destas não seja fácil nem barata, portanto o Fabiano Maciel está totalmente desculpado. Pelo menos, reconheceu a genialidade do homem, fez o documentário e eu pude vê-lo, portanto, está tudo bem. Parabéns para o Fabiano. A Vida é um Sopro é muito provavelmente o último registo/entrevista do mestre, e isso, só por si, já merece destaque. Tem também comentários e participações (de arquivo) do Chico Buarque, Le Corbusier, Lúcio Costa, José Saramago e Mário Soares. Oscar Niemeyer continuou a trabalhar até ao dia 5 de dezembro de 2012, contabilizando uns já longos e profícuos 104 anos. Ou como diria o mestre, "nasceu, viveu, se fodeu"... ●●●○○
No mundo da arquitectura, para mim, é simplesmente o melhor. Não só pelo desenho arquitectural, mas também porque tem inerente uma filosofia de vida. Mesmo sem nunca ter visto um documentário, olhando para os edifícios e construções, percebe-se imediatamente que há ali uma linha de pensamento dirigida para a pessoa que olha e usufrui do equipamento. Isto é algo que grande parte da arquitectura dita "modernista" se esquece. Um prédio, mesmo que uma pessoa não o use, não é "só" um prédio; é uma presença na vida das pessoas; interfere com o meio envolvente; mesmo sendo imóvel, interage com a pessoa que vai a passar, mesmo que ela nem olhe para lá. E estas pequenas (ou grandes, conforme a dimensão) interferências na vida quotidiana têm um reflexo, e é esse reflexo que me parece que muitas vezes não é sequer tido em conta. E nem sequer estou a falar na construção comercial, que isso são caixotes-dormitórios para acomodar paletes de pessoas, estou a referir a intervenção arquitectónica urbana que muitas vezes é premiada e reverenciada como o supra-sumo da arquitectura e que para mim, não tendo em conta o impacto da questão social e humana, é - pegando nas palavras do mestre - simplesmente uma merda. Pode ser muito bonito, muito estético e arrojado, mas quando não "pensa" nos impactos, nas pessoas e como isso muda tudo, para mim não vale simplesmente nada. Zero.
Já vi muitas entrevistas, alguns documentários e chego à conclusão que Niemeyer é provavelmente o melhor arquitecto de sempre. E acho isso porque é uma junção de duas coisas inseparáveis: arquitectura e pessoas. Sem uma destas coisas, a outra não faz sentido. Talvez seja a sua queda ideológica para a política mais socialista que mistura tão bem as duas coisas... não sei. O que sei é que o homem concebeu das melhores obras arquitectíonicas do mundo como por exemplo a Catedral de Brasília, o Congresso Nacional do Brasil, o parque urbano de Ibirapuera, a sede da ONU ou o Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Arquitectura com décadas que parece saída do futuro. Mais um gajo que estava muito à frente no seu tempo.
Oscar, como gajo que é "gajo", é "simples" e não tem papas na língua. É uma delicia vê-lo a defender o que é bom e bonito, como "a mulhér bonita, o prédio bonito" e a mandar literalmente foder o que é mau e não presta. Sem contemplações, sem merdas. Simples e directo do coração. Oscar Niemeyer, sem dúvida, um dos melhores gajos de sempre.
Como já disse, "A vida é um sopro" é documentário a cair para o fracote. Quer dizer, até me custa dizer "fracote", mas a sensação com que fico é que o Niemeyer é tão bom, que provavelmente ninguém conseguiria fazer um documento à altura do entrevistado. Até tem alguma produção, mas pouca. É mais uma entrevista "quitada" do que propriamente um documentário. Já vi uns quantos documentários sobre arquitectura e (quase) todos cometem o mesmo erro: não mostram os interiores e os pormenores. É quase como se arquitectura fosse apenas a parte exterior da construção. É pena e é um erro. Aposto que se o Niemeyer fizesse um documentário ele mostraria os interiores e como pensou na disposição das casas de banho e porque é que nas áreas comuns usou "aquelas" cores ou "aquela" iluminação em detrimento da outra. Mas pronto, é o que há e é melhor que nada. Podia ser melhor, mas não está mal. E compreendo que a investigação e produção duma cena destas não seja fácil nem barata, portanto o Fabiano Maciel está totalmente desculpado. Pelo menos, reconheceu a genialidade do homem, fez o documentário e eu pude vê-lo, portanto, está tudo bem. Parabéns para o Fabiano. A Vida é um Sopro é muito provavelmente o último registo/entrevista do mestre, e isso, só por si, já merece destaque. Tem também comentários e participações (de arquivo) do Chico Buarque, Le Corbusier, Lúcio Costa, José Saramago e Mário Soares. Oscar Niemeyer continuou a trabalhar até ao dia 5 de dezembro de 2012, contabilizando uns já longos e profícuos 104 anos. Ou como diria o mestre, "nasceu, viveu, se fodeu"... ●●●○○
Elis é um biopic brasileiro sobre a vida conturbada daquela que é considerada a melhor cantora brasileira de sempre: Elis Regina.
Antes de mais nada, a confissão. Conheço uma ou outra música da Elis Regina... sei que se envolveu em alguns conflitos com a ditadura militar brasileira e que, tal como as grandes estrelas musicais irreverentes, morreu devido aos excessos com a bebida e as drogas. E é isto que sei sobre a cantora, admitindo que os pormenores são quase nenhuns. Não sou nada fã de música brasileira (muito menos Bossa Nova... [eu é mais Sepultura e Planet Hemp]), daí que Elis Regina seja para mim uma perfeita deconhecida.
Apanhei este filme na RTP2 e decidi dar-lhe uma hipótese, até porque já não me lembro de ver um mau filme brasileiro. Pelo contrário, todos os filmes brasileiros que tenho visto são excelentes. Precisamente por causa disso, Elis desiludiu-me um bocadinho. Esperava mais, ainda por cima, tendo como base, a melhor cantora brasileira de sempre. Afinal, Elis (realizado por Hugo Prata) é "apenas" um filmito brasileiro relativamente jeitoso. Não é que o filme seja mau, eu é que estava à espera de melhor. Tinha as expectativas demasiado elevadas. É quase uma mistura entre uma telenovela e um filme. Um telefilme?!? Não tem grande "presença", falta-lhe energia, mais drama e um ritmo mais vibrante, mas também não chateia.
Tem dois grande pontos positivos: o primeiro são os actores que são muito bons (não me lembro de ver um mau actor brasileiro) (Gustavo Machado, Caco Ciocle e Zécarlos Machado) mas obviamente o principal destaque vai para Andréia Horta. Brilhante, mesmo. Um verdadeiro tour de force. O outro ponto positivo foi dar-me a conhecer a figura de Elis Regina, de quem, pouco ou nada conhecia. Fiquei curioso e mal tenha oportunidade vou arranjar uns discos. Quando isto acontece depois de ver um filme é sempre bom. ●●○○○
Antes de mais nada, a confissão. Conheço uma ou outra música da Elis Regina... sei que se envolveu em alguns conflitos com a ditadura militar brasileira e que, tal como as grandes estrelas musicais irreverentes, morreu devido aos excessos com a bebida e as drogas. E é isto que sei sobre a cantora, admitindo que os pormenores são quase nenhuns. Não sou nada fã de música brasileira (muito menos Bossa Nova... [eu é mais Sepultura e Planet Hemp]), daí que Elis Regina seja para mim uma perfeita deconhecida.
Apanhei este filme na RTP2 e decidi dar-lhe uma hipótese, até porque já não me lembro de ver um mau filme brasileiro. Pelo contrário, todos os filmes brasileiros que tenho visto são excelentes. Precisamente por causa disso, Elis desiludiu-me um bocadinho. Esperava mais, ainda por cima, tendo como base, a melhor cantora brasileira de sempre. Afinal, Elis (realizado por Hugo Prata) é "apenas" um filmito brasileiro relativamente jeitoso. Não é que o filme seja mau, eu é que estava à espera de melhor. Tinha as expectativas demasiado elevadas. É quase uma mistura entre uma telenovela e um filme. Um telefilme?!? Não tem grande "presença", falta-lhe energia, mais drama e um ritmo mais vibrante, mas também não chateia.
Tem dois grande pontos positivos: o primeiro são os actores que são muito bons (não me lembro de ver um mau actor brasileiro) (Gustavo Machado, Caco Ciocle e Zécarlos Machado) mas obviamente o principal destaque vai para Andréia Horta. Brilhante, mesmo. Um verdadeiro tour de force. O outro ponto positivo foi dar-me a conhecer a figura de Elis Regina, de quem, pouco ou nada conhecia. Fiquei curioso e mal tenha oportunidade vou arranjar uns discos. Quando isto acontece depois de ver um filme é sempre bom. ●●○○○
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Ando com muita sorte no que toca a filmes brasileiros. Quando consigo apanhar um (não é nada fácil), é sempre muito bom.
(Se levantar uma pedra da calçada, é muito provável que encontre lá uns episódios de uma telenovela brasileira qualquer, mas encontrar um filme é muito mais difícil)
O penúltimo que vi foi este Estômago, uma fábula adulta de poder, sexo e gastronomia.
(Já agora, o último que vi, também foi muito bom, mas isso fica para outra altura)
A história de Estômago é a de um gajo que vem do interior brasileiro para a grande cidade, de modos muito simples, chamado Raimundo Nonato que é muito bom a cozinhar. Mas mesmo muito bom. E mesmo sem ser um gajo com muita ambição, consegue sempre o que quer graças ao seu peculiar dom da culinária. É assim que consegue arranjar trabalho, um sítio onde dormir, a companhia de uma prostituta com um apetite insaciável e até a forma de subir na hierarquia da prisão. É preciso ver para perceber, mas é fixe.
Os actores são do melhor. João Miguel (Nonato), Babu Santana (Bujiú) e especialmente Fabiula Nascimento (Íria) interpretaram umas personagens que são absolutamente memoráveis. Tão cedo não me saem da cabeça.
Estômago, muito bem escrito e realizado por Marcos Jorge é divertido, inteligente, espiritual, despreocupado e... saciante. É mesmo! Fez-me lembrar uma daquelas rulotes com aspecto duvidoso na berma da estrada, mas que depois serve uma espectacular comida gourmet. É um filme muito boa onda, com uma história muito fixe, original e repleta de excelentes diálogos.
Mesmo sendo em português (do Brasil) aconselho vivamente a tentarem arranjar uma versão com legendas, porque às vezes os sotaques são cerradíssimos e quase que não se consegue perceber o que dizem...
Recomendadíssimo. "Gorgonzola?" ●●●●○
(Se levantar uma pedra da calçada, é muito provável que encontre lá uns episódios de uma telenovela brasileira qualquer, mas encontrar um filme é muito mais difícil)
O penúltimo que vi foi este Estômago, uma fábula adulta de poder, sexo e gastronomia.
(Já agora, o último que vi, também foi muito bom, mas isso fica para outra altura)
A história de Estômago é a de um gajo que vem do interior brasileiro para a grande cidade, de modos muito simples, chamado Raimundo Nonato que é muito bom a cozinhar. Mas mesmo muito bom. E mesmo sem ser um gajo com muita ambição, consegue sempre o que quer graças ao seu peculiar dom da culinária. É assim que consegue arranjar trabalho, um sítio onde dormir, a companhia de uma prostituta com um apetite insaciável e até a forma de subir na hierarquia da prisão. É preciso ver para perceber, mas é fixe.
Os actores são do melhor. João Miguel (Nonato), Babu Santana (Bujiú) e especialmente Fabiula Nascimento (Íria) interpretaram umas personagens que são absolutamente memoráveis. Tão cedo não me saem da cabeça.
Estômago, muito bem escrito e realizado por Marcos Jorge é divertido, inteligente, espiritual, despreocupado e... saciante. É mesmo! Fez-me lembrar uma daquelas rulotes com aspecto duvidoso na berma da estrada, mas que depois serve uma espectacular comida gourmet. É um filme muito boa onda, com uma história muito fixe, original e repleta de excelentes diálogos.
Mesmo sendo em português (do Brasil) aconselho vivamente a tentarem arranjar uma versão com legendas, porque às vezes os sotaques são cerradíssimos e quase que não se consegue perceber o que dizem...
Recomendadíssimo. "Gorgonzola?" ●●●●○
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