Dog Day Afternoon é baseado numa história real que se passou nos anos 70, quando dois homens assaltam uma sucursal do banco Chase Manhattan, em Brooklyn e acabam por se meter numa situação de reféns, ficando cercados pela polícia durante horas. Para piorar ainda mais o assunto, o banco quase não tem dinheiro... Como a realidade é mais estranha que a ficção, durante o impasse veio-se a saber que o propósito por detrás do assalto seria arranjar dinheiro para que um dos assaltantes conseguisse pagar a operação de mudança de sexo do namorado (wtf?!?)... Se fosse escrito assim, num guião, seria considerado certamente uma história absurda, mas lá está... a realidade é mais estranha que a ficção. E esse é um dos pontos que fica bem marcado neste argumento. A história vacila entre o drama, o thriller e a comédia. Tudo é tão despropositado e inverosímil que descontado o estado de total saturação e exaustão das personagens, Dog Day Afternoon mais parece uma comédia absurda. Mas a mão de Sidney Lumet é implacável e memorável. Conseguir aguentar um filme de duas horas neste tipo de tensão, sem nunca parecer cansativo ou repetitivo é obra de génio. Há sempre uma surpresa e um novo desenvolvimento que impele a história e o filme para a frente. Há um constante avolumar e depois um suprimir de emoções. Há sempre coisas novas a acontecer e há sempre um acontecimento ou um diálogo memorável à espera. Sidney Lumet é um mestre neste tipo de cinema "parado" e muito baseado nos actores e nos diálogos. Com uma lente objectiva e crítica, para além da temática homossexual e da mudança de sexo (muito à frente do seu tempo, diga-se), Lumet ainda consegue mostrar as distorções provocadas pelos media no público que rapidamente transforma um vilão no herói e vice-versa conforme a situação descai para um lado ou outro...
Em Dog Day Afternoon tudo pode parecer obra do acaso - como o rapaz da pizza a festejar por aparecer na TV - mas nota-se nos pormenores, que apesar do aparente improviso nos diálogos, tudo foi muito bem pensado e delineado. Vê-se isso, por exemplo, na banda sonora... que não existe. Dog Day Afternoon raramente tem música e pode-se dizer que não tem uma banda sonora porque assim adensa a tensão realista, retira o dramatismo artificial "dos filmes" e ainda lhe acrescenta um tom mais documental. É nestes pormenores que eu vejo a qualidade de um filme...
Falando em qualidade há que mencionar os actores. E não há outra hipótese que não seja destacar o Al Pacino. Que tour-de-force... Uma performance para ficar na história. Aquele aspecto e olhar tresloucado mas ao mesmo tempo tão objectivo. Neste filme, Pacino respira e transpira representação... e cinema. Aqui, mesmo sem abrir a boca, Pacino consegue dizer mais coisas com os olhos e com a alma (como por exemplo, nos dramáticos e angustiantes 15 minutos finais) que muitos actores numa carreira inteira. Brilhante. Sem Al Pacino naquele "ponto de rebuçado", Dog Day Afternoon nunca seria Dog Day Afternoon... E já agora, aquele grito para a multidão "Attica! Attica!" foi improvisado... Só por aqui se vê o nível de envolvimento do homem...
Os restantes actores estão também em grande nível. E não há um que se destaque pela negativa. Podia mencionar também John Cazale, Penelope Allen, Sully Boyar, James Broderick, Charles Durning, Chris Sarandon ou Lance Henriksen que só aparece uns minutos mas é determinante no desfecho da história. Todos os actores estão muito bem, porque nitidamente são bons e acima de tudo foram muito bem dirigidos por Lumet.
Apesar de ser baseado numa história real, as coisas em Dog Day Afternoon foram ligeiramente adulteradas. O incidente original foi tão marcante que ficou a fazer parte do treino policial quando confrontados com uma situação de reféns e multidões incontroláveis. No cinema, este género de "assalto a bancos que corre mal e acaba com uma situação de reféns" não é propriamente novo. Mas com esta vitalidade, com este guião fantástico e com este calibre de actores não é fácil de encontrar. Foi preciso recuar a 1975 para encontrá-lo...
Após o desfecho dramático, no epílogo fica-se a saber que Sonny foi preso após o assalto falhado e que cumpre 20 anos de numa prisão federal. Fica-se também a saber que Leon (mais tarde, Elizabeth) sempre acabou por fazer a operação e mudar de sexo. No entanto, a operação não foi paga com o dinheiro do assalto... A operação só foi paga quando o verdadeiro Sonny vendeu os direitos de autor da história para que se fizesse este mesmo filme. É estranho, mas o filme que é uma adaptação mais ou menos livre da história, acaba por ser o verdadeiro epilogo da história original... Estranho, não é? Acho que já disse isto algumas vezes, mas a realidade é mesmo mais estranha que a ficção... ●●●●○
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Vi este Bruna Surfistinha numa onda estranha de visualização de filmes. Curiosamente, e por pura coincidência, vi uma série de filmes brasileiros de seguida. Não tinha grande opinião positiva, mas depois deste pequeno lote, posso dizer que o cinema brasileiro subiu imenso na minha consideração e até posso dizer que o cinema oriundo do Brasil tem muito a oferecer ao mundo.
Esta é um história baseada em factos verídicos. Raquel, uma miúda de 17 anos da classe média brasileira, foge de casa após um conflito familiar. Sem muito por onde se virar, Raquel envereda pelo mundo da prostituição e do dinheiro fácil. Conhecida no submundo do sexo pelo nome de Bruna Surfistinha começa a ganhar fama. Mas ao contrário de tantas outras miúdas na mesma situação, em vez de se esconder, Raquel começa a relatar a sua rotina e os seus encontros sexuais num blog que se tornou um fenómeno de popularidade, primeiro no Brasil, depois em todo o mundo. Mais tarde, atingiu a celebridade pública quando escreveu o livro "O Doce Veneno do Escorpião", que se tornou também um best seller. É esse livro que serviu de base ao filme.
Se a história rocambolesca é, por si só, a grande estrela do filme, são os actores que lhe dão vida. E este grupo, como acontece quase sempre nas produções brasileiras, é muito bom. Deborah Secco faz um grande papelaço e tem a ajuda de bons actores como Cássio Gabus Mendes, Drica Moraes, Cristina Lago e Fabiula Nascimento, que já me tinha ficado debaixo de olho após o fantástico Estômago. Os brasileiros, tal como os americanos, parecem ter todos uma estranha inclinação genética que lhes permite estarem super à vontade no grande ecrã. E quando têm de representar casos verídicos, como é caso, isso é ouro sobre azul.
Marcos Baldini esteve aos comandos da realização e conseguiu fazê-lo muito bem. Prostituição não é propriamente um tema muito agradável de tratar, nem fácil de filmar. Seja ao vivo ou pela internet, com este ou aquele nome, na vida real ou na ficção, a prostituição parece fascinar a sociedade. Mas transpor a violência implícita da profissão sem ser totalmente explícito é mesmo muito difícil. Baldini conseguiu equilibrar muito bem este pormenor e passa do look sujo e decadente das espeluncas de vão de escada para as grandes festas VIP cheias de brilhantes com a mesma mestria. Sem ser uma obra-prima, é um filme bem feito. Bruna Surfistinha é por vezes bastante potente, mas na maioria dos casos é demasiado suavizado, e esta é se calhar, a maior falha. Mas nem tudo tem de ser totalmente explícito e chocante, não é verdade? Respeito a lógica. Bruna Surfistinha está bem equilibrado e por isso vê-se muito bem. ●●●○○
Esta é um história baseada em factos verídicos. Raquel, uma miúda de 17 anos da classe média brasileira, foge de casa após um conflito familiar. Sem muito por onde se virar, Raquel envereda pelo mundo da prostituição e do dinheiro fácil. Conhecida no submundo do sexo pelo nome de Bruna Surfistinha começa a ganhar fama. Mas ao contrário de tantas outras miúdas na mesma situação, em vez de se esconder, Raquel começa a relatar a sua rotina e os seus encontros sexuais num blog que se tornou um fenómeno de popularidade, primeiro no Brasil, depois em todo o mundo. Mais tarde, atingiu a celebridade pública quando escreveu o livro "O Doce Veneno do Escorpião", que se tornou também um best seller. É esse livro que serviu de base ao filme.
Se a história rocambolesca é, por si só, a grande estrela do filme, são os actores que lhe dão vida. E este grupo, como acontece quase sempre nas produções brasileiras, é muito bom. Deborah Secco faz um grande papelaço e tem a ajuda de bons actores como Cássio Gabus Mendes, Drica Moraes, Cristina Lago e Fabiula Nascimento, que já me tinha ficado debaixo de olho após o fantástico Estômago. Os brasileiros, tal como os americanos, parecem ter todos uma estranha inclinação genética que lhes permite estarem super à vontade no grande ecrã. E quando têm de representar casos verídicos, como é caso, isso é ouro sobre azul.
Marcos Baldini esteve aos comandos da realização e conseguiu fazê-lo muito bem. Prostituição não é propriamente um tema muito agradável de tratar, nem fácil de filmar. Seja ao vivo ou pela internet, com este ou aquele nome, na vida real ou na ficção, a prostituição parece fascinar a sociedade. Mas transpor a violência implícita da profissão sem ser totalmente explícito é mesmo muito difícil. Baldini conseguiu equilibrar muito bem este pormenor e passa do look sujo e decadente das espeluncas de vão de escada para as grandes festas VIP cheias de brilhantes com a mesma mestria. Sem ser uma obra-prima, é um filme bem feito. Bruna Surfistinha é por vezes bastante potente, mas na maioria dos casos é demasiado suavizado, e esta é se calhar, a maior falha. Mas nem tudo tem de ser totalmente explícito e chocante, não é verdade? Respeito a lógica. Bruna Surfistinha está bem equilibrado e por isso vê-se muito bem. ●●●○○
David Cronenberg é neste momento um homem desencantado com Hollywood. Bem, se não é, não percebi bem o filme. Sexo, incesto, morte, traição, drogas e conversas de merda são o dia-a-dia de Hollywood atrás das câmaras. É isso que se deve depreender após visionar Maps to the Stars.
Isto até é o melhor do filme: a história e o guião. Muito bem construído e estruturado em volta de uma série de peculiares personagens que vão do actor adolescente em reabilitação por uso de drogas, da actriz que tendo mais que 40 anos já não tem espaço de representação por ser "demasiado velha", passando pelo "terapeuta" alternativo das celebridades. Todos imprevisíveis, mentalmente instáveis, misturados e ligados por uma história central. Basicamente, a espinha dorsal da anormal "normalidade" de Hollywood...
Os actores são a outra coisa boa e são eles que essencialmente seguram os filme durante os 100 minutos. O miúdo (Evan Bird) parecia desfasado da história, mas depois apercebi-me que era muito bom e, teoricamente, terá um futuro promissor. No geral, (Robert Pattinson, Mia Wasikowska e John Cusack) são todos muito bons, mas o destaque tem que ser dado à Julianne Moore porque é uma excelente actriz que dá sempre tudo o que tem. É por isso mesmo que Moore é uma das minha actrizes favoritas de sempre. Pequeno destaque para Carrie Fisher que aparece brevemente como ela própria.
No cômputo geral, Maps to the Stars nunca descola totalmente porque parece um telefilme, mais que um filme de cinema. Apesar da violência e da nudez, parece que Cronenberg nunca quis "magoar" ninguém. Este (já) não é o Cronenberg que conheço. Foi tudo demasiado polido para o meu gosto e para o que esperava. O final é poético mas não é apoteótico. Lá está, o filme nunca descola. Mantém um ritmo constante sem nunca ter picos de nada. Se Maps to the Stars estivesse ligado àquelas máquinas de suporte de vida, a única coisa que se ouviria é um som constante sem altos nem baixos: basicamente é um filme em "ponto morto". Seja como for, é sempre bom ver o outro lado de Hollywood nem que seja só para espreitar por detrás da cortina. Especialmente porque vem de uma pessoa que conhece bem o meio e que de certeza conhece ainda melhor os podres. ●●○○○
Isto até é o melhor do filme: a história e o guião. Muito bem construído e estruturado em volta de uma série de peculiares personagens que vão do actor adolescente em reabilitação por uso de drogas, da actriz que tendo mais que 40 anos já não tem espaço de representação por ser "demasiado velha", passando pelo "terapeuta" alternativo das celebridades. Todos imprevisíveis, mentalmente instáveis, misturados e ligados por uma história central. Basicamente, a espinha dorsal da anormal "normalidade" de Hollywood...
Os actores são a outra coisa boa e são eles que essencialmente seguram os filme durante os 100 minutos. O miúdo (Evan Bird) parecia desfasado da história, mas depois apercebi-me que era muito bom e, teoricamente, terá um futuro promissor. No geral, (Robert Pattinson, Mia Wasikowska e John Cusack) são todos muito bons, mas o destaque tem que ser dado à Julianne Moore porque é uma excelente actriz que dá sempre tudo o que tem. É por isso mesmo que Moore é uma das minha actrizes favoritas de sempre. Pequeno destaque para Carrie Fisher que aparece brevemente como ela própria.
No cômputo geral, Maps to the Stars nunca descola totalmente porque parece um telefilme, mais que um filme de cinema. Apesar da violência e da nudez, parece que Cronenberg nunca quis "magoar" ninguém. Este (já) não é o Cronenberg que conheço. Foi tudo demasiado polido para o meu gosto e para o que esperava. O final é poético mas não é apoteótico. Lá está, o filme nunca descola. Mantém um ritmo constante sem nunca ter picos de nada. Se Maps to the Stars estivesse ligado àquelas máquinas de suporte de vida, a única coisa que se ouviria é um som constante sem altos nem baixos: basicamente é um filme em "ponto morto". Seja como for, é sempre bom ver o outro lado de Hollywood nem que seja só para espreitar por detrás da cortina. Especialmente porque vem de uma pessoa que conhece bem o meio e que de certeza conhece ainda melhor os podres. ●●○○○
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Cada vez sou menos fã dos grandes blockbusters. Apesar dos muitos milhões investidos e dos grandes nomes envolvidos, cada vez mais parecem produtos industriais de consumo. Sem alma, sem conteúdo, repetitivos e parecem que só existem porque uma folha de Excel diz que é um bom negócio ou investimento. Não gosto nada disso. Para ser assim, mais vale dedicarem-se a fazer hambúrgueres ou aplicações para telemóvel como os restantes. Mas não. Tinham de vir meter-se no mundo dos filmes. Eu sei que os filmes custam dinheiro, mas pronto, sou um purista e um idealista... Enfim...
Mas toda esta conversa não implica que no outro extremo, as pequenas produções estejam num plano melhor em termos artísticos ou que tenham necessariamente um acréscimo de qualidade. O que me leva a High Life. Uma pequena produção de capitais europeus, obviamente fora da alçada megalómana dos grandes estúdios americanos. Poderia ser um bom sinal que se vai uma coisa em condições, com algum miolo, mas infelizmente não foi o caso. High Life tem poucas coisas positivas, começando pelo mais óbvio que é a realização de Claire Denis. Pouco dinâmica, para não dizer estática, quase, quase a roçar a pobreza dos piores telefilmes. Dou-lhe mérito pelas imagens simples e pouco polidas do espaço que me levam para os filmes de ficção cientifica de outros tempos, mas pouco mais. A história é confusa e apenas arranha temas mais profundos que poderiam ter sido explorados. É basicamente uma missão suicida com laivos levemente sexuais, que tem a inclinação para ser um conto moral, mas que acaba por não dizer nada de muito relevante. Todo o esforço de criação do filme pareceu... desperdiçado. Simplesmente desperdiçado. Com tudo isto, acaba por ser um filme fraquito, mas tinha estrutura de base para dar um bom filme.
Robert Pattinson (ainda a tentar afastar-se do rótulo de teenager vampiro) e Juliette Binoche (a continuar a arriscar nesta altura da carreira) destacam-se pela positiva mais porque o restante casting é fraco (André Benjamin, Mia Goth), do que pelas suas boas prestações. Não é que os actores sejam maus, mas mais as personagens é que não têm grande preponderância na pouca história que percorre o filme. É tudo um pouco a tender para o "intelectual" mas acaba por funcionar ao contrário. Tinha algumas expectactivas, o que tornou este filme ainda mais decepcionante. É pena. Dispensável. ●○○○○
Mas toda esta conversa não implica que no outro extremo, as pequenas produções estejam num plano melhor em termos artísticos ou que tenham necessariamente um acréscimo de qualidade. O que me leva a High Life. Uma pequena produção de capitais europeus, obviamente fora da alçada megalómana dos grandes estúdios americanos. Poderia ser um bom sinal que se vai uma coisa em condições, com algum miolo, mas infelizmente não foi o caso. High Life tem poucas coisas positivas, começando pelo mais óbvio que é a realização de Claire Denis. Pouco dinâmica, para não dizer estática, quase, quase a roçar a pobreza dos piores telefilmes. Dou-lhe mérito pelas imagens simples e pouco polidas do espaço que me levam para os filmes de ficção cientifica de outros tempos, mas pouco mais. A história é confusa e apenas arranha temas mais profundos que poderiam ter sido explorados. É basicamente uma missão suicida com laivos levemente sexuais, que tem a inclinação para ser um conto moral, mas que acaba por não dizer nada de muito relevante. Todo o esforço de criação do filme pareceu... desperdiçado. Simplesmente desperdiçado. Com tudo isto, acaba por ser um filme fraquito, mas tinha estrutura de base para dar um bom filme.
Robert Pattinson (ainda a tentar afastar-se do rótulo de teenager vampiro) e Juliette Binoche (a continuar a arriscar nesta altura da carreira) destacam-se pela positiva mais porque o restante casting é fraco (André Benjamin, Mia Goth), do que pelas suas boas prestações. Não é que os actores sejam maus, mas mais as personagens é que não têm grande preponderância na pouca história que percorre o filme. É tudo um pouco a tender para o "intelectual" mas acaba por funcionar ao contrário. Tinha algumas expectactivas, o que tornou este filme ainda mais decepcionante. É pena. Dispensável. ●○○○○
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Depois de um evento traumático, a relação de um jovem casal americano está por um fio. Dani vive constantemente com o passado e com a tragédia na cabeça e não se sente propriamente enquadrada na realidade mundana, nem no grupo de amigos do namorado. Mas tudo muda quando decide fazer-se de convidada e acompanhá-los numa viagem para assistir a uma festividade pagã numa remota aldeia da Suécia, a terra-natal de um amigo. O que começa como umas agradáveis férias de verão numa terra idílica de céus azuis e em perfeita ordem estética, lentamente se vai transformar em algo muito estranho...
Normalmente não escrevo enquanto ouço música, mas por vezes lá acontece. Curiosamente, a minha playlist fez uma passagem muito interessante do "Inverno" de Vivaldi para a "Lacrimosa" do Requiem de Mozart. E é a banda sonora perfeita para escrever sobre este Midsommar. Não porque tenha algo que ver com o filme, mas porque me recorda que o Inverno para além de majestoso é também mortal. Para pessoas "mediterrânicas" como eu, o inverno é mesmo perigoso. Deprime-me e deita-me completamente abaixo. Não "vivo" no inverno, apenas lhe tento sobreviver até que os dias quentes cheguem novamente. Daí que uma das minhas muitas teorias me diga que os habitantes do norte gelado e levam com uma "vida invernal", são naturalmente deprimidas e moldadas numa certa "escuridão da alma" pela dureza do clima. Faço-me entender? Talvez não, mas também não interessa. O frio deve-me estar a afectar os pensamentos. Nos filmes "de inspiração nórdica" é pelo menos essa a sensação que passa, o que me leva novamente a Midsommar.
Esta é uma história estranha e que dá que pensar. Tradições enraizadas, rituais cristalizados pelo tempo, comunas e pequenas comunidades alternativas. Tudo isto tem um lado estranhamente assustador e violento que parece sempre latente. Enquanto assistia aos estranhos eventos e rituais daquela peculiar comunidade, pensava como era possível as pessoas de fora conseguirem encaixar mentalmente o que acabaram de ver. Enquanto alguns convidados "exteriores" se sentiam revoltados e queriam sair, outros, talvez por estudarem antropologia ficavam fascinados pelos acontecimentos que se desenrolavam.
Extrapolando para além do filme, de facto isto - as tradições e os rituais locais - é algo estranho. Um estrangeiro que chegue aqui a uma aldeia remota no interior para assistir a uma matança do porco, em que alguém literalmente espeta um facalhão enorme directamente no coração de um porco (que diga-se é um animal gigante, o que faz com que o evento seja ainda visualmente mais violento) e o sangra até à morte, de certeza ficará imensamente chocado. Pelo menos eu quero acreditar que sim, porque a única vez que assisti a uma coisa destas fiquei traumatizado para a vida. Apesar das discussões que possam surgir em torno da questão do bem-estar animal e afins (se bem que num matadouro industrial as condições estão ao mesmo nível, mas apenas escondidas dos olhos do público...), para mim, a principal questão é a da normalização social. No dia-a-dia um gajo assiste a coisas que não são nada normais, mas tolera-as e muitas vezes até as justifica porque estão cristalizadas como ritual ou tradição. E, com isto, coisas maradas da cabeça como a matança pública do porco ou as touradas em que se persegue um touro e se lhe espeta ferros no lombo acabam por ser "normais" e até material de entretenimento. Mas podia entrar noutros estranhos comportamentos, mas mais "subtis" como o celibato, por exemplo, para chegar à conclusão que por muito que uma coisa seja estranha, ela deixa de o ser se for aceite socialmente por um grupo relativamente grande.
Por outro lado, penso sempre como é que as pessoas entram assim em cultos esquisitos como este e acabam por abraçar aquilo e ficar como que hipnotizadas. Em parte, este Midsommar é um mapa para entender todo o longo caminho que é preciso percorrer para se chegar ao ponto de normalizar comportamentos que numa situação de "dia-a-dia" seriam completamente reprováveis. Este é o caminho da personagem de Pugh, o que em certa parte faz entender porque é que no final se a vê a sorrir, quando até ali, parecia viver numa profunda depressão. Por vezes, é nos sítios mais recônditos e estranhos que uma pessoa se sente acolhido e compreendido. Acho que é daí que vem aquele sorriso feliz e verdadeiramente sincero.
A história é tão recheada de pormenores e tão complexa que daria facilmente para uma dissertação bastante longa sobre a religião, os cultos, as tradições, mas também sobre a depressão do e no mundo moderno, a ostracização e a aceitação social. Para além de estar muito bem escrito, achei verdadeiramente brilhante a "criação" do culto. É tão recheado e pormenores, tão bem estruturado e tão complexo que parece que de facto, algures numa idílica aldeola sueca, existe mesmo aquele grupo de pessoas estranhas.
Assente neste belo trabalho de pesquisa antropológica e de desenvolvimento da história, está o trabalho não menos brilhante do surpreendente Ari Aster, que é obviamente um realizador para manter debaixo de olho. Midsommar está muito bem feito e recheado de excelentes pormenores de realização, suportado por uma banda sonora poderosa e quase visceral que deixa um gajo sempre de cabelos em pé e o coração com uma batida forte. E ainda falta mencionar as muito boas interpretações de Jack Reynor, Will Poulter, Vilhelm Blomgren e William Jackson Harper, sendo que o destaque em termos de actores tem mesmo de ir para Florence Pugh que tem aqui um desempenho brilhante. Do melhor que já vi nos últimos tempos.
No geral, gostei bastante. Apenas não o considero perfeito porque a determinada altura estava a ser tão bom, tão denso e hipnótico que fiquei à espera de mais, de algo ainda mais surpreendente e chocante. Mas isso sou eu que sou um bocado picuinhas, e porque depois daquele início extremamente possante fiquei à espera dum final (ainda) mais apoteótico... o que obviamente não aconteceu comigo... É a eterna questão da expectativa versus realidade.
Apesar deste pequeno reparo, Midsommar é totalmente recomendado. É um filme que consegue fazer um equilíbrio estranho entre o fictício e o real e entre o macabro e o belo ao mesmo tempo. É inesperado e deixou-me a pensar, o que é sempre algo positivo. Se alguém por aqui gostar de cultos solares estranhos e tradições ocultas, e não tiver grandes problemas a assistir a cenas de sexo ritual, homicídios e suicídios, então este Midsommar é um filme a não perder. E que comecem as festividades... ●●●●○
Normalmente não escrevo enquanto ouço música, mas por vezes lá acontece. Curiosamente, a minha playlist fez uma passagem muito interessante do "Inverno" de Vivaldi para a "Lacrimosa" do Requiem de Mozart. E é a banda sonora perfeita para escrever sobre este Midsommar. Não porque tenha algo que ver com o filme, mas porque me recorda que o Inverno para além de majestoso é também mortal. Para pessoas "mediterrânicas" como eu, o inverno é mesmo perigoso. Deprime-me e deita-me completamente abaixo. Não "vivo" no inverno, apenas lhe tento sobreviver até que os dias quentes cheguem novamente. Daí que uma das minhas muitas teorias me diga que os habitantes do norte gelado e levam com uma "vida invernal", são naturalmente deprimidas e moldadas numa certa "escuridão da alma" pela dureza do clima. Faço-me entender? Talvez não, mas também não interessa. O frio deve-me estar a afectar os pensamentos. Nos filmes "de inspiração nórdica" é pelo menos essa a sensação que passa, o que me leva novamente a Midsommar.
Esta é uma história estranha e que dá que pensar. Tradições enraizadas, rituais cristalizados pelo tempo, comunas e pequenas comunidades alternativas. Tudo isto tem um lado estranhamente assustador e violento que parece sempre latente. Enquanto assistia aos estranhos eventos e rituais daquela peculiar comunidade, pensava como era possível as pessoas de fora conseguirem encaixar mentalmente o que acabaram de ver. Enquanto alguns convidados "exteriores" se sentiam revoltados e queriam sair, outros, talvez por estudarem antropologia ficavam fascinados pelos acontecimentos que se desenrolavam.
Extrapolando para além do filme, de facto isto - as tradições e os rituais locais - é algo estranho. Um estrangeiro que chegue aqui a uma aldeia remota no interior para assistir a uma matança do porco, em que alguém literalmente espeta um facalhão enorme directamente no coração de um porco (que diga-se é um animal gigante, o que faz com que o evento seja ainda visualmente mais violento) e o sangra até à morte, de certeza ficará imensamente chocado. Pelo menos eu quero acreditar que sim, porque a única vez que assisti a uma coisa destas fiquei traumatizado para a vida. Apesar das discussões que possam surgir em torno da questão do bem-estar animal e afins (se bem que num matadouro industrial as condições estão ao mesmo nível, mas apenas escondidas dos olhos do público...), para mim, a principal questão é a da normalização social. No dia-a-dia um gajo assiste a coisas que não são nada normais, mas tolera-as e muitas vezes até as justifica porque estão cristalizadas como ritual ou tradição. E, com isto, coisas maradas da cabeça como a matança pública do porco ou as touradas em que se persegue um touro e se lhe espeta ferros no lombo acabam por ser "normais" e até material de entretenimento. Mas podia entrar noutros estranhos comportamentos, mas mais "subtis" como o celibato, por exemplo, para chegar à conclusão que por muito que uma coisa seja estranha, ela deixa de o ser se for aceite socialmente por um grupo relativamente grande.
Por outro lado, penso sempre como é que as pessoas entram assim em cultos esquisitos como este e acabam por abraçar aquilo e ficar como que hipnotizadas. Em parte, este Midsommar é um mapa para entender todo o longo caminho que é preciso percorrer para se chegar ao ponto de normalizar comportamentos que numa situação de "dia-a-dia" seriam completamente reprováveis. Este é o caminho da personagem de Pugh, o que em certa parte faz entender porque é que no final se a vê a sorrir, quando até ali, parecia viver numa profunda depressão. Por vezes, é nos sítios mais recônditos e estranhos que uma pessoa se sente acolhido e compreendido. Acho que é daí que vem aquele sorriso feliz e verdadeiramente sincero.
A história é tão recheada de pormenores e tão complexa que daria facilmente para uma dissertação bastante longa sobre a religião, os cultos, as tradições, mas também sobre a depressão do e no mundo moderno, a ostracização e a aceitação social. Para além de estar muito bem escrito, achei verdadeiramente brilhante a "criação" do culto. É tão recheado e pormenores, tão bem estruturado e tão complexo que parece que de facto, algures numa idílica aldeola sueca, existe mesmo aquele grupo de pessoas estranhas.
Assente neste belo trabalho de pesquisa antropológica e de desenvolvimento da história, está o trabalho não menos brilhante do surpreendente Ari Aster, que é obviamente um realizador para manter debaixo de olho. Midsommar está muito bem feito e recheado de excelentes pormenores de realização, suportado por uma banda sonora poderosa e quase visceral que deixa um gajo sempre de cabelos em pé e o coração com uma batida forte. E ainda falta mencionar as muito boas interpretações de Jack Reynor, Will Poulter, Vilhelm Blomgren e William Jackson Harper, sendo que o destaque em termos de actores tem mesmo de ir para Florence Pugh que tem aqui um desempenho brilhante. Do melhor que já vi nos últimos tempos.
No geral, gostei bastante. Apenas não o considero perfeito porque a determinada altura estava a ser tão bom, tão denso e hipnótico que fiquei à espera de mais, de algo ainda mais surpreendente e chocante. Mas isso sou eu que sou um bocado picuinhas, e porque depois daquele início extremamente possante fiquei à espera dum final (ainda) mais apoteótico... o que obviamente não aconteceu comigo... É a eterna questão da expectativa versus realidade.
Apesar deste pequeno reparo, Midsommar é totalmente recomendado. É um filme que consegue fazer um equilíbrio estranho entre o fictício e o real e entre o macabro e o belo ao mesmo tempo. É inesperado e deixou-me a pensar, o que é sempre algo positivo. Se alguém por aqui gostar de cultos solares estranhos e tradições ocultas, e não tiver grandes problemas a assistir a cenas de sexo ritual, homicídios e suicídios, então este Midsommar é um filme a não perder. E que comecem as festividades... ●●●●○
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Lucy é uma bonita estudante universitária que tem uma série de empregos, mas ainda assim continua com dificuldades financeiras. Um dia, decide responder a um anúncio que pedia uma empregada interna e sem querer entra num perigoso e estranho mundo erótico. A sua primeira função é simples: servir em lingerie os requintadíssimos senhores do dinheiro em jantares de gabarito. A sua segunda função já não é assim tão linear: envolve tomar uma droga que a deixa inconsciente, ficando assim à total mercê dos senhores de fino trato. Fácil e rapidamente se percebe que os requintadíssimos senhores não são assim de tão fino trato...
Dito assim parece que uma pessoa vai ver uma extensão daquela parte da orgia com máscaras do Eyes Wide Shut. E em alguns momentos, de facto lembra mesmo isso. Mas a parecença fica-se por aí. Para ser verdadeiro, houve momentos no início em que pensei: "isto é muito bom"... mas depois o filme foi-se desenrolando e tudo se desmoronou totalmente: aquele amigo/namorado estranho que está apaixonado por ela; as cenas fora da casa que parecem ser de outro filme; mas especialmente as cenas com a Lucy... Muito mau. É curioso. Ainda há pouco tempo falava aqui do Lars Von Trier, que como toda gente sabe, é um gajo marado do capacete que tem um curso superior em magoar pessoas. Mas para fazer o que o Lars faz, é preciso ter uma certa mestria macabra e saber enquadrar o sofrimento, a falta de empatia ou a humilhação para terem uma lógica que crie um determinado sentimento no espectador ou que vá de encontro ao desfecho de uma história. Julia Leigh nitidamente não possui essa mestria...
O que vi em Sleeping Beauty não tem lógica nenhuma. É simplesmente uma agressão contínua sobre uma sujeita passiva, deprimida e desprovida de emoções e sentimentos. Isto tudo regado com um ar muito "artsy" para parecer mais inteligente do que é, e muito provavelmente tentar ganhar uns prémios em Cannes. Para mim, é este tipo de filmes enganadores, pseudo-intelectuais, que estragam os chamados filmes de autor. Isto faz-me lembrar aquelas instalações artísticas em museus em que o pessoal da limpeza destrói a "obra de arte" porque a confunde com lixo esquecido num canto... porque é mesmo lixo esquecido num canto. E só é arte porque um otário qualquer o considerou assim. A minha opinião neste tipo de coisas é muito vincada. As coisas são o que são e isto não é nada. Não há aqui nada que valha a pena ver. Quer dizer, por acaso até há. A cinematografia é lindíssima e não tenho nada a apontar. E obviamente tenho de destacar a jovem Emily Browning que de facto dá tudo o que tem e o que não tem para este filme. É uma performance... daquelas que não tem explicação. O que a rapariga se sujeita neste filme não é para todos. E Rachael Blake como Clara, também está bem. Mas o conceito-base do filme e a forma como o argumento desliza para um canto e se deixa lá ficar, arruína tudo.
Estava a ver o IMDB para saber mais sobre o filme e reparei que na sinopse: "A haunting portrait of Lucy, a young university student drawn into a mysterious hidden world of unspoken desires". Isto é nitidamente a versão muito branda e embelezada da coisa. Se tivesse que fazer um resumo curto do filme, o que eu diria era: "Uma miúda deprimida deixa-se drogar todas a noites a troco de dinheiro para ser violentada por velhotes marados e nojentos". Acho que assim estaria mais apropriado, porque na realidade é mesmo isso que acontece. Não nego que Sleeping Beauty tenha momentos visuais brilhantes, mas no geral acho que é simplesmente uma pura agressão gratuita. Para mim não dá. Não gostei nada. Podia ter sido muito melhor, e se é memorável, é apenas pelo desconforto e pelo choque. Fico muito dividido entre ●○○○○ e (sem nota)...
Dito assim parece que uma pessoa vai ver uma extensão daquela parte da orgia com máscaras do Eyes Wide Shut. E em alguns momentos, de facto lembra mesmo isso. Mas a parecença fica-se por aí. Para ser verdadeiro, houve momentos no início em que pensei: "isto é muito bom"... mas depois o filme foi-se desenrolando e tudo se desmoronou totalmente: aquele amigo/namorado estranho que está apaixonado por ela; as cenas fora da casa que parecem ser de outro filme; mas especialmente as cenas com a Lucy... Muito mau. É curioso. Ainda há pouco tempo falava aqui do Lars Von Trier, que como toda gente sabe, é um gajo marado do capacete que tem um curso superior em magoar pessoas. Mas para fazer o que o Lars faz, é preciso ter uma certa mestria macabra e saber enquadrar o sofrimento, a falta de empatia ou a humilhação para terem uma lógica que crie um determinado sentimento no espectador ou que vá de encontro ao desfecho de uma história. Julia Leigh nitidamente não possui essa mestria...
O que vi em Sleeping Beauty não tem lógica nenhuma. É simplesmente uma agressão contínua sobre uma sujeita passiva, deprimida e desprovida de emoções e sentimentos. Isto tudo regado com um ar muito "artsy" para parecer mais inteligente do que é, e muito provavelmente tentar ganhar uns prémios em Cannes. Para mim, é este tipo de filmes enganadores, pseudo-intelectuais, que estragam os chamados filmes de autor. Isto faz-me lembrar aquelas instalações artísticas em museus em que o pessoal da limpeza destrói a "obra de arte" porque a confunde com lixo esquecido num canto... porque é mesmo lixo esquecido num canto. E só é arte porque um otário qualquer o considerou assim. A minha opinião neste tipo de coisas é muito vincada. As coisas são o que são e isto não é nada. Não há aqui nada que valha a pena ver. Quer dizer, por acaso até há. A cinematografia é lindíssima e não tenho nada a apontar. E obviamente tenho de destacar a jovem Emily Browning que de facto dá tudo o que tem e o que não tem para este filme. É uma performance... daquelas que não tem explicação. O que a rapariga se sujeita neste filme não é para todos. E Rachael Blake como Clara, também está bem. Mas o conceito-base do filme e a forma como o argumento desliza para um canto e se deixa lá ficar, arruína tudo.
Estava a ver o IMDB para saber mais sobre o filme e reparei que na sinopse: "A haunting portrait of Lucy, a young university student drawn into a mysterious hidden world of unspoken desires". Isto é nitidamente a versão muito branda e embelezada da coisa. Se tivesse que fazer um resumo curto do filme, o que eu diria era: "Uma miúda deprimida deixa-se drogar todas a noites a troco de dinheiro para ser violentada por velhotes marados e nojentos". Acho que assim estaria mais apropriado, porque na realidade é mesmo isso que acontece. Não nego que Sleeping Beauty tenha momentos visuais brilhantes, mas no geral acho que é simplesmente uma pura agressão gratuita. Para mim não dá. Não gostei nada. Podia ter sido muito melhor, e se é memorável, é apenas pelo desconforto e pelo choque. Fico muito dividido entre ●○○○○ e (sem nota)...
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Um corretor da bolsa (ou lá o que é...) riquíssimo e de boas maneiras, é condenado a uma pena de 10 anos de prisão. Percebendo que não vai sobreviver ao ambiente duro da choldra, decide contratar um ajudante, que supostamente já esteve preso, para o preparar para os dias duros que vai passar encarcerado. Esta é uma situação que deveria dar origem a muitas e boas piadas (até pela carga racial, assunto do momento na América), mas não é o caso. Get Hard é um comédia fraquita, mais do género "os ricos vs. os pobres", que outra coisa. Tem algumas piaditas engraçadas e muito punch-line sem grande imaginação. E, basicamente, mais nada. Ah! E, por breves momentos, tem uma grande pila em primeiro plano, mas como é uma comédia é aceitável e normal. É divertido... (e este divertido é totalmente irónico...) Por acaso, é uma tendência que tenho notado ultimamente nas comédias: a incidência de piadas sexuais tem aumentado imenso desde a altura em que via comédias umas atrás das outras, o que diga-se já foi literalmente no outro século!!! Mas também pode ser coincidência... Não vejo muitas comédias. Como normalmente não têm piada nenhuma acaba por ser um pouco embaraçoso. Faço-me entender? Não sei o que acontece com as outras pessoas, mas quando vejo ,por exemplo, uma cena de stand-up e o gajo que está a falar não tem piada e o público está em silêncio sem se rir, eu começo a ficar meio embaraçado e a sentir-me mal pelo gajo que é supostamente cómico. Começo a sentir uma espécie de humilhação empática e tenho logo de mudar de canal. Nos filmes cómicos acontece-me exactamente a mesma coisa. Não é uma boa sensação. Mas também não sou propriamente um gajo normal... Adiante...
Will Ferrell faz sempre o mesmo papel e aqui continua na mesma. Tem o apoio de Kevin Hart (que é até quem traz mais piada para o filme) e Craig T. Nelson também aparece por lá, mas muito pouco. Etan Cohen realiza, mas não confundir com o Ethan Cohen. É que não tem nada a ver... Get Hard é mais uma daquelas comédia do momento: fácil, sofrível mas visível. ●○○○○
Will Ferrell faz sempre o mesmo papel e aqui continua na mesma. Tem o apoio de Kevin Hart (que é até quem traz mais piada para o filme) e Craig T. Nelson também aparece por lá, mas muito pouco. Etan Cohen realiza, mas não confundir com o Ethan Cohen. É que não tem nada a ver... Get Hard é mais uma daquelas comédia do momento: fácil, sofrível mas visível. ●○○○○
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Zack Mayo quer ser alguém na vida e por isso envereda pela carreira militar. Com um passado meio nebuloso e uma história familiar destroçada, esta é a sua última, e se calhar, única hipótese que tem para subir socialmente e desligar-se das suas raízes problemáticas. No entanto, a sua atitude desbocada, rebelde e explosiva não ajuda e entra em confronto com o sargento Foley, o que o leva a praticamente desistir. Pelo meio envolve-se com Paula, uma alma gémea "da base" que vive perto da base de treinos e que por sua vez tem em Zack a sua única hipótese de se desligar da família problemática e de uma vida inútil a trabalhar na fábrica de papel da zona. Juntos vivem uma conturbada e carnal história de amor.
An Officer and a Gentleman foi uma das grandes histórias românticas dos anos 80 e um enorme sucesso. Richard Gere era nesta altura um sex symbol e talvez o mais requisitado actor daquele período, e o que tinha os maiores sucessos. Pode ser coincidência, mas todos os filmes em que entrava eram um sucesso (quase) garantido. Aqui contracena com Debra Winger, com quem tem uma grande cena de sexo. Na década de 80 era normal nos "dramas românticos" haver cenas de sexo, bastante possantes, o que elevava a classificação do filme para restrito, mas isso era, estranhamente, um ponto positivo. No cinema, sexo é sempre problemático e restritivo, agora rebentar cabeças, cortar braços e eviscerar inimigos já é uma "coisa pacífica". Vá-se lá perceber... Também há David Keith (o amigo rico, mas ingénuo), Lisa Blount (a amiga aproveitadora sem escrúpulos) e Louis Gossett Jr. (o duro instrutor Foley), todos muito bons.
Taylor Hackford pegou na fórmula mágica da altura (uma história romântica dramática e conturbada para adultos, com actores jovens (que na altura era para aí na casa dos 30 anos!), uma música "de genérico" que conquistaria os tops mundiais (Up where you belong, do eterno Joe Cocker] e o final que o público queria...) e compôs um enorme sucesso de bilheteira que se mantém inalterado até aos dias de hoje. Muito bom. Identifico-me muito com a personagem do Zack Mayo, apesar das diferenças óbvias. E mesmo reconhecendo que esta não é nenhuma obra prima do cinema, é sem dúvida, um dos filmes da minha vida. ●●●●○
An Officer and a Gentleman foi uma das grandes histórias românticas dos anos 80 e um enorme sucesso. Richard Gere era nesta altura um sex symbol e talvez o mais requisitado actor daquele período, e o que tinha os maiores sucessos. Pode ser coincidência, mas todos os filmes em que entrava eram um sucesso (quase) garantido. Aqui contracena com Debra Winger, com quem tem uma grande cena de sexo. Na década de 80 era normal nos "dramas românticos" haver cenas de sexo, bastante possantes, o que elevava a classificação do filme para restrito, mas isso era, estranhamente, um ponto positivo. No cinema, sexo é sempre problemático e restritivo, agora rebentar cabeças, cortar braços e eviscerar inimigos já é uma "coisa pacífica". Vá-se lá perceber... Também há David Keith (o amigo rico, mas ingénuo), Lisa Blount (a amiga aproveitadora sem escrúpulos) e Louis Gossett Jr. (o duro instrutor Foley), todos muito bons.
Taylor Hackford pegou na fórmula mágica da altura (uma história romântica dramática e conturbada para adultos, com actores jovens (que na altura era para aí na casa dos 30 anos!), uma música "de genérico" que conquistaria os tops mundiais (Up where you belong, do eterno Joe Cocker] e o final que o público queria...) e compôs um enorme sucesso de bilheteira que se mantém inalterado até aos dias de hoje. Muito bom. Identifico-me muito com a personagem do Zack Mayo, apesar das diferenças óbvias. E mesmo reconhecendo que esta não é nenhuma obra prima do cinema, é sem dúvida, um dos filmes da minha vida. ●●●●○
...indo directo ao assunto: Baywatch é o filme mais idiota dos últimos anos. Se é suposto ser uma homenagem à série de culto dos anos 90, perceberam mal a mensagem. Ou então viram outra série diferente da que eu vi. Não me lembro de ver um filme tão mau. E não me lembro de um filme que mencione tantas vezes as palavras: falo, mastro, pau, piroca e restantes alusões ao pénis como este. Aliás, chega-se ao cúmulo de ver o Zac Efron a segurar a pila de um morto. Inacreditável, mas é verdade! A pila de um morto. Deve ser possível bater mais no fundo, mas é difícil... Se fosse um filme "intelectual", seria um escândalo, mas como é uma comédia a cair para a palhaçada está tudo bem... Isto é humor infantil do mais pobrezinho que existe. Alusões sexuais constantes e simples exploração de cus e mamas arrebitadas como as de Priyanka Chopra. É para isso que ela aparece no filme, não é? Nem sequer percebo como é que actores como Dwayne Johnson se dispuseram para fazer esta porcaria. Ou foram enganados pela produção, pelo Seth Gordon - mas houve de facto um realizador a trabalhar neste filme?! - ou então gostam mesmo deste tipo de "humor", sabe-se lá. Andam por aí muitas pessoas estranhas, no estranho mundo do cinema...
Baywatch é tão mau que houve alturas em que fiquei constrangido. Tive uma sensação de vergonha, e de humilhação pelos próprios actores. Foi estranho... Pior devem ter ficado os originais Mitch "David Hasselhoff" Buchannon e CJ "Pamela Anderson" Parker, que como é obrigatório neste tipo de "revivals" têm de aparecer, nem que seja por uns segundos, para satisfazer os saudosistas. O David Hasselhoff ainda tem uma deixa, mas a Pamela Anderson, foi muito mais inteligente e manteve-se calada e quase nem aparece.
O material "original" da série já não era bom e por isso pensei que isto ia ser mau, mas isto é outro nível de "mau" completamente diferente. Espero que este filme desapareça rapidamente da minha cabeça, mas é tão horrível que está a demorar... ○○○○○
Baywatch é tão mau que houve alturas em que fiquei constrangido. Tive uma sensação de vergonha, e de humilhação pelos próprios actores. Foi estranho... Pior devem ter ficado os originais Mitch "David Hasselhoff" Buchannon e CJ "Pamela Anderson" Parker, que como é obrigatório neste tipo de "revivals" têm de aparecer, nem que seja por uns segundos, para satisfazer os saudosistas. O David Hasselhoff ainda tem uma deixa, mas a Pamela Anderson, foi muito mais inteligente e manteve-se calada e quase nem aparece.
O material "original" da série já não era bom e por isso pensei que isto ia ser mau, mas isto é outro nível de "mau" completamente diferente. Espero que este filme desapareça rapidamente da minha cabeça, mas é tão horrível que está a demorar... ○○○○○
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9 Songs é um filme? Um documentário musical? Uma mix-tape de quecas caseiras entre Kieran O'Brien e Margo Stilley? Uma cena avant-garde? Não sei. Nunca consegui perceber bem. Mas a última vez que o vi na TV, pareceu-me simplesmente uma exploração sexual. Uma cena pseudo-intelectual com cenas de sexo explícito (mesmo, mesmo, mesmo explicito), misturadas com filmagens amadoras de concertos (na altura) das bandas do momento. Está esticado ao limite (pelo Michael Winterbottom) para cumprir os requisitos mínimos de longa-metragem, provavelmente para fazer (como fez) cinema comercial.
Admito que seja um filme que divide opiniões. Tanto se pode ver como fantochada intelectual e "muito à frente, mas forçado", como de facto, um filme muito à frente do seu tempo e de classe intelectual distinta. Eu próprio fico dividido, mas com uma inclinação natural para a parte da "tanga". Gostei muito da escolha musical, até porque era a "minha" escolha musical naquela altura (Black Rebel Motorcycle Club, Elbow, Primal Scream, Franz Ferdinand), mas quanto ao resto... humm... depende muito do estado de espírito. Quando o vi pela primeira vez (no cinema), fiquei realmente dividido. Vi-o enquadrado num festival de cinema alternativo e até parecia "encaixar" com as restantes "espécies estranhas". Mas quando o vi na televisão, já me pareceu simplesmente uma exploração sexual (para publicidade gratuita) e nada mais. Até porque praticamente não há uma história a sustentar os dois actores. Parece que estão simplesmente de passagem pelo filme... Fica a dúvida. E fica sem classificação. (sem nota)
Admito que seja um filme que divide opiniões. Tanto se pode ver como fantochada intelectual e "muito à frente, mas forçado", como de facto, um filme muito à frente do seu tempo e de classe intelectual distinta. Eu próprio fico dividido, mas com uma inclinação natural para a parte da "tanga". Gostei muito da escolha musical, até porque era a "minha" escolha musical naquela altura (Black Rebel Motorcycle Club, Elbow, Primal Scream, Franz Ferdinand), mas quanto ao resto... humm... depende muito do estado de espírito. Quando o vi pela primeira vez (no cinema), fiquei realmente dividido. Vi-o enquadrado num festival de cinema alternativo e até parecia "encaixar" com as restantes "espécies estranhas". Mas quando o vi na televisão, já me pareceu simplesmente uma exploração sexual (para publicidade gratuita) e nada mais. Até porque praticamente não há uma história a sustentar os dois actores. Parece que estão simplesmente de passagem pelo filme... Fica a dúvida. E fica sem classificação. (sem nota)
Quando renovei o blog, propositadamente, na área dos géneros de filmes, criei uma classificação chamada "outros". Isto aconteceu porque ao longo destes anos todos de cinema, passaram-me pelo globo ocular algumas peças que dificilmente encaixam num género. Pior ainda, alguns filmes são tão... "estranhamente diferentes", digamos assim, que nem sei se gosto deles ou não.
Já tinha ouvido falar deste "O Sabor da Melancia", de Ming-liang Tsai, mas nunca pensei que fosse tão estranho. É estranho logo no título: "O Sabor da Melancia" é a tradução do original Tian bian yi duo yun, que poderá querer dizer algo como "Um lado da nuvem" (perdoem-me a má tradução; o meu mandarim anda bastante enferrujado), mas o título em inglês é The Wayward Cloud, que será qualquer coisa como "A Nuvem Rebelde". Adiante...
Devido à ausência de chuva, há uma falta de água generalizada em Taiwan e por isso toda a gente se vira para a melancia e para o seu "quase" milagroso sumo. Nesta Taiwan seca, encontram-se os protagonistas... Bem, isto seria o início de uma sinopse possível de "O sabor da Melancia". Na realidade, não há uma história linear ou até mesmo percetível. Uma pessoa fica sempre na dúvida sobre o que se está a passar. É normal. O filme é filmado com recurso a longuíssimos planos estáticos e pouquíssimas falas. Aliás, as poucas vezes que se ouve alguém falar é nuns interlúdios musicais surrealistas que aparecem pelo meio do filme, aparentemente só porque sim. São fixes, divertidos e estranhos, mas não fazem sentido nenhum. O resto do filme é constantemente interrompido por cenas da rodagem de um filme porno com sexo quase explícito. Quer dizer, é mais aquele porno softcore, se bem que aparece uma pila desfocada. (Se aparecesse uma pila bem focada, aposto que teria ganho um prémio num importante festival de cinema europeu) Mas não é só isto. Também há sexo simulado com uma melancia, sexo com uma atriz porno inconsciente e uma presumível felação fatal, tudo regado com sumo de melancia.
Ainda por cima tem um casting tipicamente oriental (Kang-sheng Lee, Shiang-chyi Chen, Yi-Ching Lu, Kuei-Mei Yang). Quer isto dizer que os actores para além de terem nomes absolutamente incompreensíveis, estão dispostos a fazer tudo, mas mesmo tudo o que lhes é pedido, com a mais total exposição e sempre com aquele ar de perfeita normalidade perante a total anormalidade e em que a humilhação perante uma câmara parece ser a coisa mais normal desta vida.
Lá está, há filmes que são tão estranhos que se tornam difíceis de classificar. "O sabor da Melancia" é um musical, uma comédia, um drama, um filme porno ou será uma obra surrealista? Não sei responder. Tem de tudo um bocado e nada em concreto. Se gosto? Também não sei dizer. É inegável que tem excelentes imagens e uma fotografia fantástica. Algumas cenas são geniais, outras são verdadeiramente repulsivas ou simplesmente ofensivas. Sinceramente não sei o que dizer. Não sei classificar, nem sequer quantificar. (sem nota)
Já tinha ouvido falar deste "O Sabor da Melancia", de Ming-liang Tsai, mas nunca pensei que fosse tão estranho. É estranho logo no título: "O Sabor da Melancia" é a tradução do original Tian bian yi duo yun, que poderá querer dizer algo como "Um lado da nuvem" (perdoem-me a má tradução; o meu mandarim anda bastante enferrujado), mas o título em inglês é The Wayward Cloud, que será qualquer coisa como "A Nuvem Rebelde". Adiante...
Devido à ausência de chuva, há uma falta de água generalizada em Taiwan e por isso toda a gente se vira para a melancia e para o seu "quase" milagroso sumo. Nesta Taiwan seca, encontram-se os protagonistas... Bem, isto seria o início de uma sinopse possível de "O sabor da Melancia". Na realidade, não há uma história linear ou até mesmo percetível. Uma pessoa fica sempre na dúvida sobre o que se está a passar. É normal. O filme é filmado com recurso a longuíssimos planos estáticos e pouquíssimas falas. Aliás, as poucas vezes que se ouve alguém falar é nuns interlúdios musicais surrealistas que aparecem pelo meio do filme, aparentemente só porque sim. São fixes, divertidos e estranhos, mas não fazem sentido nenhum. O resto do filme é constantemente interrompido por cenas da rodagem de um filme porno com sexo quase explícito. Quer dizer, é mais aquele porno softcore, se bem que aparece uma pila desfocada. (Se aparecesse uma pila bem focada, aposto que teria ganho um prémio num importante festival de cinema europeu) Mas não é só isto. Também há sexo simulado com uma melancia, sexo com uma atriz porno inconsciente e uma presumível felação fatal, tudo regado com sumo de melancia.
Ainda por cima tem um casting tipicamente oriental (Kang-sheng Lee, Shiang-chyi Chen, Yi-Ching Lu, Kuei-Mei Yang). Quer isto dizer que os actores para além de terem nomes absolutamente incompreensíveis, estão dispostos a fazer tudo, mas mesmo tudo o que lhes é pedido, com a mais total exposição e sempre com aquele ar de perfeita normalidade perante a total anormalidade e em que a humilhação perante uma câmara parece ser a coisa mais normal desta vida.
Lá está, há filmes que são tão estranhos que se tornam difíceis de classificar. "O sabor da Melancia" é um musical, uma comédia, um drama, um filme porno ou será uma obra surrealista? Não sei responder. Tem de tudo um bocado e nada em concreto. Se gosto? Também não sei dizer. É inegável que tem excelentes imagens e uma fotografia fantástica. Algumas cenas são geniais, outras são verdadeiramente repulsivas ou simplesmente ofensivas. Sinceramente não sei o que dizer. Não sei classificar, nem sequer quantificar. (sem nota)
Depois de ver este The Wolf of Wall Street fiquei na dúvida. Era um filme sobre Wall Street no mundo da droga e do sexo ou um filme sobre sexo e droga no mundo de Wall Street? Não percebi bem. Estava a brincar. Percebi perfeitamente. É sobre Jordan Belfort, um viciado em drogas e sexo que por acaso trabalha em Wall Street. E também percebi que em Wall Street tudo se movimenta a fluídos corporais e cocaína e que de vez em quando alguém trabalha a enganar/extorquir dinheiro a pacóvios ricos. The Wolf of Wall Street é mais ou menos sobre estas temáticas.
Martin Scorsese, que já tem um longo historial de filmes sobre mafiosos, drogas e outros negócios ilícitos, está portanto completamente à vontade para contar uma história passada em Wall Street, visto que as diferenças entre os dois meios e as pessoas envolvidas são quase imperceptíveis: pessoal muito bem vestido que gosta de jantar em sítios caros; pessoal que adora mostrar os melhores carros, casas e mulheres que o dinheiro consegue comprar; pessoal que apesar de rico tem uma linguagem que cheira pior que o pior cano de esgoto; pessoal com traços profundos de psicopatia e total falta de empatia; pessoal que adora e vive apenas com um único objectivo na vida: fazer dinheiro.
Se não fosse um "Scorcese", The Wolf of Wall Street até seria um filme muito bom. Mas como é um "Scorcese", pareceu-me apenas... bom. Não por que tenha algum defeito grave, mas apenas por ser exactamente um... "Scorcese". Martin Scorsese é tão bom a filmar, que se nota que é demasiado fácil para ele fazer um filme apenas "bom". Não há ali nenhum esforço. É como ver o Ronaldo a marcar um hat-trick às Ilhas Faroé. É fácil demais, não é verdade? O mesmo se passa com Scorcese. É fácil demais.
Para piorar ainda mais a situação, há coisas que não gostei mesmo. O filme é demasiado longo e tem cenas também excessivamente longas, especialmente aquelas em que as personagens estão sob efeito de psicotrópicos, o que diga-se, é constante. Também tem demasiada incidência no Leonardo DiCaprio, que nitidamente tem aqui um papel feito à medida para tentar sacar um Óscar ou outro prémio de prestígio.
Além destes pormenores, fiquei com a sensação que estava a ver uma versão mix de Goodfellas (do Scorcese) e Wall Street (do Stone). Alguns exemplos: DiCaprio chama aos empregados "schnooks", que é o mesmo que Henry no Goodfellas chama a si próprio; num dos seus discursos motivadores, DiCaprio diz que "não há nada de nobre na pobreza", que é citado directamente do Wall Street (era demasiado óbvio se dissesse "greed is good..."); a narração em off de DiCaprio e a do Ray Liotta no Goodfellas. parecem ter um tom estranhamente semelhante.
Se calhar sou eu que vejo filmes demais e depois começo a fazer ligações automáticas ou a ver padrões que não existem. Não sei. Isto acontece-me muitas vezes. Mas já tinha visto uma vez um documentário sobre o verdadeiro Jordan Belfort em que ele assumia que a inspiração para a sua atitude tinha tido origem precisamente em Gordon Gekko (Michael Douglas), do filme... Wall Street. Será tudo coincidência? Fica a dúvida...
Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Margot Robbie, Matthew McConaughey num nível estratosférico (só fiquei com pena que não tivesse mais "tempo de antena"), e alguns realizadores conhecidos como Rob Reiner e Jon Favreau em papéis secundários compoem um casting extraordinário que só se consegue reunir porque há um gajo genial a escrever argumentos chamado Terence Winter (Sopranos) e um outro gajo que dispensa apresentações de apelido Scorcese.
The Wolf of Wall Street acabou por me chatear um bocado devido às doses industriais de sexo, drogas e alucinações, mas não deixa de ser um bom filme. ●●●○○
Martin Scorsese, que já tem um longo historial de filmes sobre mafiosos, drogas e outros negócios ilícitos, está portanto completamente à vontade para contar uma história passada em Wall Street, visto que as diferenças entre os dois meios e as pessoas envolvidas são quase imperceptíveis: pessoal muito bem vestido que gosta de jantar em sítios caros; pessoal que adora mostrar os melhores carros, casas e mulheres que o dinheiro consegue comprar; pessoal que apesar de rico tem uma linguagem que cheira pior que o pior cano de esgoto; pessoal com traços profundos de psicopatia e total falta de empatia; pessoal que adora e vive apenas com um único objectivo na vida: fazer dinheiro.
Se não fosse um "Scorcese", The Wolf of Wall Street até seria um filme muito bom. Mas como é um "Scorcese", pareceu-me apenas... bom. Não por que tenha algum defeito grave, mas apenas por ser exactamente um... "Scorcese". Martin Scorsese é tão bom a filmar, que se nota que é demasiado fácil para ele fazer um filme apenas "bom". Não há ali nenhum esforço. É como ver o Ronaldo a marcar um hat-trick às Ilhas Faroé. É fácil demais, não é verdade? O mesmo se passa com Scorcese. É fácil demais.
Para piorar ainda mais a situação, há coisas que não gostei mesmo. O filme é demasiado longo e tem cenas também excessivamente longas, especialmente aquelas em que as personagens estão sob efeito de psicotrópicos, o que diga-se, é constante. Também tem demasiada incidência no Leonardo DiCaprio, que nitidamente tem aqui um papel feito à medida para tentar sacar um Óscar ou outro prémio de prestígio.
Além destes pormenores, fiquei com a sensação que estava a ver uma versão mix de Goodfellas (do Scorcese) e Wall Street (do Stone). Alguns exemplos: DiCaprio chama aos empregados "schnooks", que é o mesmo que Henry no Goodfellas chama a si próprio; num dos seus discursos motivadores, DiCaprio diz que "não há nada de nobre na pobreza", que é citado directamente do Wall Street (era demasiado óbvio se dissesse "greed is good..."); a narração em off de DiCaprio e a do Ray Liotta no Goodfellas. parecem ter um tom estranhamente semelhante.
Se calhar sou eu que vejo filmes demais e depois começo a fazer ligações automáticas ou a ver padrões que não existem. Não sei. Isto acontece-me muitas vezes. Mas já tinha visto uma vez um documentário sobre o verdadeiro Jordan Belfort em que ele assumia que a inspiração para a sua atitude tinha tido origem precisamente em Gordon Gekko (Michael Douglas), do filme... Wall Street. Será tudo coincidência? Fica a dúvida...
Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Margot Robbie, Matthew McConaughey num nível estratosférico (só fiquei com pena que não tivesse mais "tempo de antena"), e alguns realizadores conhecidos como Rob Reiner e Jon Favreau em papéis secundários compoem um casting extraordinário que só se consegue reunir porque há um gajo genial a escrever argumentos chamado Terence Winter (Sopranos) e um outro gajo que dispensa apresentações de apelido Scorcese.
The Wolf of Wall Street acabou por me chatear um bocado devido às doses industriais de sexo, drogas e alucinações, mas não deixa de ser um bom filme. ●●●○○











