Aqui há uns tempos vi um documentário sobre uma empresa que faz uma coisa que parece saída de um filme de ficção científica. Nessa empresa, pegam nos restos mortais de uma pessoa que foi cremada, retiram o carbono das cinzas, metem numa máquina durante três meses e misturam-no com uma partícula minúscula de diamante, chamada de "semente". Após três meses de calor e pressões extremas, o resultado final é, na realidade, um diamante feito a partir das cinzas cremadas de uma pessoa. Depois de ver o documentário, a única coisa que pensava era: "há pessoas que têm uma imaginação prodigiosa". Imaginação quase ilimitada.
No outro lado absolutamente oposto, portanto, no ponto zero da imaginação, temos o pessoal que levou o Assassin's Creed do mundo dos jogos para o cinema. Foram buscar uma história do próprio jogo, misturaram com umas cenas de porrada, juntaram-lhe um casting de grandes actores (Michael Fassbender, Marion Cotillard, Jeremy Irons, Brendan Gleeson e Charlotte Rampling) para figurar nos cartazes e está a andar... Está feito. Siga para a bilheteira.
Realizado sem um único pingo de imaginação por Justin Kurzel (que já tinha feito um amarguíssimo Macbeth, também com o ubíquo Fassbender e a Cotillard. Próximo vídeo-jogo, por favor! ○○○○○
Desculpem. Enganei-me. Este é o trailer do jogo (Assassin's Creed: Revelations) onde foram buscar parte da história... O trailer seguinte é que está correcto...
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Esta adaptação de Macbeth é um excelente trabalho técnico. O filme vale mesmo pela prestação cristalina dos actores (um excepcional Michael Fassbender e uma muito boa Marion Cotillard) e pelo enésimo, mas bom tratamento da história clássica de ambição desmedida, assassinato e tirania de William Shakespeare. Muito boa realização de Justin Kurzel, muito boa fotografia. Tirando tudo o que tem de positivo... é quase impossível de ver e até de ouvir. O pessoal tem um sotaque tão cerrado e os diálogos são tão maçudos, longos e monocórdicos... É tão denso que parece que estava a ver um filme refletido no fundo de um poço frio e escuro nas highlands... É frio, cinzento, distante, quase desumanizado. A imagem que me vem sempre à cabeça é a de um actor de teatro arrastado num saco de serapilheira por um lago de lama gelada. É como estar a apreciar um belíssimo bloco de granito num final de tarde chuvoso. Bem... já deu para perceber. É um belíssimo filme, mas muito, muito, muito difícil de ver. ●○○○○
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