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Who Framed Roger Rabbit foi um filme que me enfeitiçou desde a primeira vez que o vi. Mas não foi pelo lado da novidade. Apanhei este filme numa altura em que "devorava" filmes e tentava ver tudo o que pudesse, por isso mesmo, já tinha visto a mistura de desenhos animados e actores de carne e osso. A grande novidade de Roger Rabbit foi ter sido bem feito. Vou reformular. A grande novidade de Roger Rabbit foi ter sido excepcionalmente bem feito. É um filme sem falhas.
Foi um dos últimos filmes que me pôs a pensar: "como é que eles fazem isto?". Pode não parecer, mas esta era uma pergunta importante quando se tinha pela frente um filme de fantasia. Em tempos, eu até já fui um freak dos efeito especiais. Era o mistério de não perceber como tudo aquilo era feito que fazia com que os efeitos especiais me fascinassem. Sempre fui muito curioso e não conseguia deixar de pensar como é que os gajos dos efeitos faziam todas aquelas coisas aparentemente impossíveis. Mas esta é uma conversa do passado. Hoje em dia, não ligo aos efeitos especiais. Aliás, até tem um efeito contrário, porque se um filme tem muitos efeitos acabo por perder o interesse. É que os efeitos especiais, os "verdadeiros", também fazem parte do passado. Ironicamente, foi a ferramenta mais potente ao dispôr dos efeitos - o digital - que matou a magia do cinema. Hoje em dia, quando algo impossível aparece numa tela de cinema, automaticamente, toda a gente sabe que é feito num computador, não é verdade?
Para mim, Who Framed Roger Rabbit é o último representante da verdadeira magia dos efeitos especiais no cinema. Não sei se é o último e muito provavelmente nem é mesmo, mas se um filme deve ser o símbolo da excepcionalidade técnica sem recurso ao digital, acho que Roger Rabbit merece esse título com toda a justiça. (Não tarda nada, chega às 6 "estrelas"...) A lista de Óscares "técnicos" - os únicos que sempre me interessaram e que (quase) nunca tive oportunidade de ver - é tão extensa que só tem equivalência na quantidade de elogios que se pode fazer ao filme.
Robert Zemeckis, sempre menosprezado, assina mais um portento tecnológico, uma pérola do pré-digital. Pensando bem, acho que Zemeckis para além de conseguir fazer um filme excelente tendo desenhos animados como grande parte do elenco, ainda conseguiu criar uma nova categoria: o thriller cómico. Este gajo é um génio...
Who Framed Roger Rabbit tem um dos inícios mais excelentes que vi, porque me fez lembrar uma altura em que antes da projecção dos filmes passavam desenhos animados, sendo que me lembro especialmente dos da Warner Bros. Não sei porque é que isso acontecia, mas que era muito engraçado, lá isso era. Ainda hoje, por vezes, fico com uma sensação estranha quando um filme começa sem ter dado aqueles 2 ou 3 minutos de "bonecos". Como vivemos num mundo de "modas iô-iô", pode ser que a "moda" dos desenhos animados antes dos filmes também regressem.
Contrariamente ao que pensava, Who Framed Roger Rabbit não é um argumento original. Melhor dizendo, totalmente original. Fiquei a saber que o filme se baseia (muito) vagamente num livro chamado Who Censored Roger Rabbit?, mas que este é muito diferente do filme. Mas independentemente da origem da história, o que é certo é que este Roger Rabbit é, com o passar do tempo, cada vez melhor.
Tem excelentes actores (Christopher Lloyd e Joanna Cassidy, só para mencionar alguns) e excelentes vozes. Bob Hoskins é perfeito. Tão perfeito que parece que sempre fez parte da Toon Town. Não me lembro de melhor escolha para detective privado, mal disposto, alcóolico, antipático e que odeia desenhos. A personagem de Hoskins tem uma boa desculpa para isso: um desenho animado matou o seu irmão atirando-lhe um piano de cima de um prédio. Vindo de um "boneco", só podia...
Os próprios desenhos animados são excepcionais. Em Who Framed Roger Rabbit "nasceram" duas personagens tão memoráveis que parece que existem desde os tempos dos desenhos a preto e branco: o próprio Roger (com voz de Charles Fleischer), e Jessica Rabbit, o desenho animado mais sexy do mundo. Ajuda muito ter aquela voz rouca e sensual da Kathleen Turner.
Who Framed Roger Rabbit tem uma história que gira em torno de crimes, enganos e chantagens mas é mais louco, divertido - chegando a ser hilariante -, musical e surreal que outra coisa. É um clássico instântaneo que ficou imediatamente marcado na história do cinema. ●●●●●
Depois do imenso sucesso do historiador/aventureiro Indiana Jones, seguiram-se uma série de réplicas. Foi uma (nova) época de ouro para os filmes de aventuras. Um dos filmes que se destacou nessa altura foi Romancing the Stone (1984) com Michael Douglas e Kathleen Turner. Traduzido em Portugal como Em busca da Esmeralda Perdida, foi também um enorme sucesso. Atrás das câmaras estava Robert Zemeckis, um dos grandes menosprezados do mundo do cinema. Este é um realizador que é poucas vezes mencionado, mas que tem filmes no currículo como a excelente trilogia Back to the Future ou Forrest Gump, só para mencionar alguns. Pessoalmente, acho-o um realizador excepcional que consegue quase sempre concretizar a aparentemente impossível tarefa de agradar ao público e aos críticos. E sempre com êxitos massivos de bilheteira. Nunca é uma referência quando se fala de realizadores de renome. Mesmo tendo um Óscar de Melhor Realizador. Nos dias que correm, se calhar é mesmo por causa disso.
Romancing the Stone conta a história dum improvável par romântico: uma escritora de romances de sucesso (Joan Wilder) cruza-se com um aventureiro de negócios obscuros (Jack Colton) nos recantos remotos da selva colombiana para tentar resgatar a irmã das mãos de perigosos criminosos. Para isso tem de fazer uma troca, a irmã pelo mapa do tesouro. Pelo meio, os dois aventureiros, têm de lidar com todo o tipo de adversidades e uma força policial corrupta.
As personagens principais são tão diferentes e chocam tantas vezes que geram constantemente tensão. Mas fica-se por aí, porque o filme é ligeiro, principalmente porque está cheio de (boas) piadas de ocasião.
Romancing the Stone está muito escrito, bem realizado, tem bom ritmo, paisagens e sítios remotos, aventura, emoção, romance, cartéis de droga e a personagem hilariante de Danny DeVito, que é uma daquelas "peças" inesquecíveis. Não se pode pedir mais. Como é um "filme para a família" tem um final feliz em que tudo acaba bem. Prova que para ter um bom filme apenas são necessárias 3 coisas: um bom realizador, uma boa historia e bons actores. É o caso. Sem ser nada do outro mundo, é um bom filme. ●●●○○
Após o sucesso estrondoso do primeiro filme tinha de se agradar ao público com a respectiva sequela. E como é normal, saiu um flop completo, chamado Jewel of the Nile. Em alguns momentos, o filme parece um James Bond dos anos 70 mas com as personagens do filme original. Pode ser impressão minha, mas parece que os próprios actores estão a fazer o frete de fazer uma sequela à pressa.
Se no primeiro filme, a história tinha algum nexo, neste, ela praticamente não existe e está assente numa premissa original que não tem pés nem cabeça. Um ditador imaginário dum estado do médio oriente, também imaginário, requisita os serviços da escritora Joan Wilder (Kathleen Turner), mas passados alguns minutos de filme ela já é uma refém. Jack Colton (Michael Douglas) intervém e juntamente com Danny DeVito (encaixado à força na história), conseguem salvar a donzela, perdão, a escritora e um suposto homem-santo que é a tal Jóia do Nilo. Não estou a ser desmancha prazeres. Quase no início do filme, dizem-nos logo que o homem é a Jóia do Nilo e não há mais jóia nenhuma. Lá se vai a lógica da série e a excitação de ver qual é o novo tesouro... Depois, passam o filme todo o fugir de balas. No meio do deserto, depois de conseguirem fugir, a correr (?!), duma coluna militar (não é brincadeira: fogem mesmo a correr de camiões e tanques) encontram uma tribo africana que os ajuda a derrubar o ditador. Pode ser pior que isto? Pode. O filme culmina com as piores cenas de efeitos especiais que me lembro, numa espécie de concerto (?!) organizado pelo ditador para fazer crer os seu subitos que... arghhh! Mas porque é que estou a perder tempo com isto? É melhor resumir: o filme não presta. Nem sequer é uma chiclete. É um insulto ao primeiro filme. ●○○○○
Romancing the Stone conta a história dum improvável par romântico: uma escritora de romances de sucesso (Joan Wilder) cruza-se com um aventureiro de negócios obscuros (Jack Colton) nos recantos remotos da selva colombiana para tentar resgatar a irmã das mãos de perigosos criminosos. Para isso tem de fazer uma troca, a irmã pelo mapa do tesouro. Pelo meio, os dois aventureiros, têm de lidar com todo o tipo de adversidades e uma força policial corrupta.
As personagens principais são tão diferentes e chocam tantas vezes que geram constantemente tensão. Mas fica-se por aí, porque o filme é ligeiro, principalmente porque está cheio de (boas) piadas de ocasião.
Romancing the Stone está muito escrito, bem realizado, tem bom ritmo, paisagens e sítios remotos, aventura, emoção, romance, cartéis de droga e a personagem hilariante de Danny DeVito, que é uma daquelas "peças" inesquecíveis. Não se pode pedir mais. Como é um "filme para a família" tem um final feliz em que tudo acaba bem. Prova que para ter um bom filme apenas são necessárias 3 coisas: um bom realizador, uma boa historia e bons actores. É o caso. Sem ser nada do outro mundo, é um bom filme. ●●●○○
Após o sucesso estrondoso do primeiro filme tinha de se agradar ao público com a respectiva sequela. E como é normal, saiu um flop completo, chamado Jewel of the Nile. Em alguns momentos, o filme parece um James Bond dos anos 70 mas com as personagens do filme original. Pode ser impressão minha, mas parece que os próprios actores estão a fazer o frete de fazer uma sequela à pressa.
Se no primeiro filme, a história tinha algum nexo, neste, ela praticamente não existe e está assente numa premissa original que não tem pés nem cabeça. Um ditador imaginário dum estado do médio oriente, também imaginário, requisita os serviços da escritora Joan Wilder (Kathleen Turner), mas passados alguns minutos de filme ela já é uma refém. Jack Colton (Michael Douglas) intervém e juntamente com Danny DeVito (encaixado à força na história), conseguem salvar a donzela, perdão, a escritora e um suposto homem-santo que é a tal Jóia do Nilo. Não estou a ser desmancha prazeres. Quase no início do filme, dizem-nos logo que o homem é a Jóia do Nilo e não há mais jóia nenhuma. Lá se vai a lógica da série e a excitação de ver qual é o novo tesouro... Depois, passam o filme todo o fugir de balas. No meio do deserto, depois de conseguirem fugir, a correr (?!), duma coluna militar (não é brincadeira: fogem mesmo a correr de camiões e tanques) encontram uma tribo africana que os ajuda a derrubar o ditador. Pode ser pior que isto? Pode. O filme culmina com as piores cenas de efeitos especiais que me lembro, numa espécie de concerto (?!) organizado pelo ditador para fazer crer os seu subitos que... arghhh! Mas porque é que estou a perder tempo com isto? É melhor resumir: o filme não presta. Nem sequer é uma chiclete. É um insulto ao primeiro filme. ●○○○○
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