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Costumo dizer que no cinema as coisas acontecem mais ou menos sempre da mesma forma. Seguem as mesmas fórmulas. Hoje em dia, a praga das sequelas espalhou-se com uma erva daninha, mas as raízes já vêm de trás. Predator não fugiu à regra e devido o sucesso do primeiro filme, era quase obrigatório haver um Predator 2. E foi exactamente o que aconteceu. Se fosse hoje, o Predator 2 seria exactamente o mesmo filme mas com novos actores secundários (para morrerem) ou apenas passavam duma selva tropical sul-americana para um selva tropical asiática para aproveitar o elevado número de moviegoers daquela região. A grande diferença dos anos 80 e 90 para agora é que os estúdios tentavam fazer a sequela acrescentando novos elementos. Assim, Predator 2 salta da selva tropical sul-americana para a selva urbana de Los Angeles e mistura-se com o que era um grande problema na altura, as lutas urbanas de gangs. Não conseguindo trazer novamente os músculos do Schwarzenegger para a sequela (nessa altura, protagonizar sequelas era uma vergonha!) a produção virou-se para Danny Glover. A mudança de ares e protagonistas é tão drástica que a única coisa que une as duas histórias é mesmo a personagem do Predador. Nesse aspecto, acabou por ser positivo porque teve mais tempo de antena e mais desenvolvimento. Parece que não, mas isto criou toda a história anterior do "vilão". Não me pareceu que fosse totalmente intencional, mas acabou por resultar bem. Tirando isto, Predator 2 acaba por sofrer de sequelite aguda. Perdeu o efeito surpresa, perdeu o suspense e perdeu os pesos pesados nas personagens. Apesar de Gary Busey, Rubén Blades, Maria Conchita Alonso e Bill Paxton darem uma boa continuidade à história, não conseguem ser tão memoráveis quanto os protagonistas originais. As cenas de acção e terror escapam mas não trazem nada de novo, sendo que o suspense simplesmente acabou absorvido pelas cenas de acção. Stephen Hopkins, um realizador mais virado para o filme de terror nunca conseguiu encontrar aquele equilíbrio perfeito que John McTiernan conseguiu com o primeiro filme.
Não admira que Predator, como "franchise" (como tanto gostam os estúdios de chamar a estes fenómenos de bilheteira), tenha ficado por aqui. A isto também não é alheio o facto de (ao contrário de hoje em dia) o público de cinema querer mais coisas novas que sequelas infinitas. Predator 2 ainda continua a ser um bom filmito de acção/terror mas serve mais com um complemento ao primeiro filme do que propriamente de sequela. Apesar de estar num patamar inferior ao primeiro, Predator 2 ainda tem méritos e aspectos positivos e é absolutamente visível. ○○○

Até ao aparecimento da Internet e dos meios digitais, a TV era o único meio verdadeiramente global. E como tal, visto duma futura perspetiva distópica, era o meio perfeito e óbvio para um domínio totalitário. É interessante perceber que a determinada altura, as sociedades distópicas do cinema passaram do controlo pela força para o controlo das massas pelo entretenimento. Se as pessoas estiverem "desinformadas" e entretidas é mais fácil de serem controladas. E quem ia exercer esse controlo? Gigantescas e omnipresentes corporações empresariais que têm tanto lucro que esmagam literalmente as massas para a pobreza extrema. Os anos 80 conceberam e cristalizaram este pensamento. E é aqui que entra The Running Man. É exactamente isto. Um controlo pela desinformação e pelo entretenimento, aqui representado por uma reality show violento em que os concorrentes têm de literalmente lutar pela vida para chegar ao fim. Onde é que já se viu isto?! Claro que este é um filme duma fase embrionária das distopias e ainda por cima misturadas com o conceito de acção da altura. Basta ver o genério feito com a capacidade computacional de um Spectrum... Nunca poderia dar um bom filme, mas tem uma excelente ideia de fundo. Às vezes acho que o pessoal de agora vai buscar ideias aos filmes antigos. Nunca tinha ouvido falar em reality shows antes de ver o Running Man... Para além da história, tem pormenores revolucionários como por exemplo a mudança digital das caras para enganar os telespectadores.
Sendo um filme de acção puro dos 80's, os actores ocupam um lugar bastante secundário. Tem a estrela da companhia, sendo que Arnold Schwarzenegger era o grande herói de acção do momento e vendia qualquer filme só aparecendo no cartaz. O resto do pessoal (Richard Dawson, Maria Conchita Alonso, Yaphet Kotto, Jim Brown, Jesse Ventura) esforçam-se por ter tempo de antena, mas é muito pouco. Paul Michael Glaser adapta uma história de Richard Bachman, que para quem não sabe é um pseudónimo de Stephen King (sim, o mestre negro) quando ele decidia escrever outras coisas menos macabras...
Apesar de ser fraquito, vale pela excelente ideia de base (que por acaso se passa em 2019 [em 1987 era uma data tão longínqua que se podia-se conjecturar qualquer coisa...]). E pelo Schwarzenegger, claro está. ●●○○○


Só por curiosidade... Schwarzenegger e Jesse Ventura foram para o campo da política e chegaram os dois a governador... Domínio pelo entretenimento... Será apenas uma coincidência?... Humm...
 
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