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E agora para algo diferente... Um filmito de acção de outros tempos, com a magia do cinema pelo meio. Depois de décadas como o grande herói de acção da sua geração (e se calhar de sempre), Arnold Schwarzenegger decide lentamente começar a reinventar-se. Os músculos já não estavam no auge (que é como quem diz, não vendia bilhetes), a idade começava a pesar e o público já não era o mesmo. E de uma forma muito inteligente, Schwarzenegger começa a passar do género da acção para outro registo mais leve e consensual, a comédia. De um ponto de vista de carreira, foi um passo muito bem dado e muito bem pensado. Primeiro saltaria para comédia, e um dia quem sabe, quando fosse mais velho e já não pudesse andar aos saltos e aos tiros, poderia enveredar por uma carreira mais dramática. Como se pode comprovar, nunca foi levado assim tão a sério que pudesse saltar para os dramas, mas durante algum tempo Schwarzenegger até deu cartas na comédia. Estranhamente, até é um registo que não lhe fica nada mal. Mas antes disso tudo, decidiu unir as duas coisas, a acção e comédia. Last Action Hero é o exemplo perfeito desta junção. Logo à partida é uma sátira aos próprios filmes à "Schwarzenegger" e são inúmeras as piadas com base na sua figura e até do seu "arqui-inimigo" Silvester Stallone.
Last Action Hero é um bom filmito de acção e comédia, e ainda tem um pozinhos de fantasia à mistura, personificado naquele bilhete mágico que faz desaparecer a fronteira entre a realidade e a ficção. É realizado por um dos mestres do cinema de acção da altura, John McTiernan e isso nota-se perfeitamente no equilíbrio da história e na forma como oscila entre a "realidade real" e o mundo fantasioso e estereotipado do cinema. Também ajuda ter actores como F. Murray Abraham, Tom Noonan e Charles Dance nos papéis mais relevantes para lhe dar alguma estrutura. Aliás, apesar de ser "apenas" um filmito de acção, é um filmito com nomes como Anthony Quinn, Robert Prosky, Frank McRae, Jim Belushi e Ian McKellen. Acho que mesmo hoje em dia, num candidato ao Óscar de melhor Filme não se conseguiria encontrar tantos e bons actores como neste "simples" filme de acção. Mas também são muitos os cameos de famosos. É só estar atento, porque aparece por lá muita gente conhecida, nem que seja por breves instantes... Outros tempos... No casting, talvez o que tenha estragado mais o filme sejam as presenças de Austin O'Brien e Bridgette Wilson, que foram nitidamente um erro enorme. Passados tantos anos, e não sei explicar muito bem porquê, mas o miúdo continua a ser irritante.
Last Action Hero foi um flop na altura, porque aparentemente ainda havia muito público para filmes à "Schwarzenegger" e parece que não estavam preparados para que os seus heróis de acção preferidos desaparecessem. Mas acho que ninguém percebeu mesmo é que era uma sátira aos próprios filmes de acção... O que diz muito da crítica e do público de cinema da altura... Curiosamente, e quase de uma forma quase premonitória, este foi um dos últimos filmes do género com alguma substância digna de relevo. Olhando para trás e visto "daqui", parece que Last Action Hero marcou mesmo o final deste tipo de filmes de acção, tiros e músculos. Mas também já era tempo de mudar. ●○○

Quando li que James Cameron estaria ligado directamente aos comandos da produção de um novo Terminator fiquei entusiasmado. É que desde o fantástico T2 que não houve nada de jeito para ver e algumas das "entregas da franchise" chegaram mesmo a roçar o ridículo. Tinha lido que este Terminator: Dark Fate seria supostamente uma continuação directa do T2. No entanto, isso não é verdade. Na realidade, é uma espécie reboot encapotado, para eventualmente começar uma nova saga da série.  Agora já não há Skynet, nem John Connor. São outros nomes mas é tudo igualzinho. A única parte em que essa cena da continuação da história faz sentido é apenas uma minúscula ligação e a presença de Arnold Schwarzenegger e de Linda Hamilton. A propósito destas duas presenças e parafraseando outro filme de culto, acho que vale a pena dizer: they are too old for this shit!...
Mas fosse esse o único problema do filme. Se calhar até acaba por ser a melhor parte, se bem que Schwarzenegger continua a ridicularizar a sua personagem, um hábito que já vem do T3. É uma das coisas que ainda não entendi. E se Linda Hamilton aparece muito bem (toda turbinada), o resto do casting é uma desilusão. Mackenzie Davis, Natalia Reyes Gabriel Luna até podem ser muito bons actores, mas não é aqui. E porquê a escolha "mexicana"? É que em termos de história nem sequer faz muito sentido. Em termos técnicos é tão competente como qualquer outro blockbuster do momento, ou não fosse realizado por Tim Miller, um dos muitos tarefeiros de estúdio do momento. Nem melhor, nem pior: igual. É essa a sensação geral que fiquei: igual a tudo resto. É mais um filme amorfo, sem alma, carregado de acção e efeitos especiais desnecessários e explosões visuais e sonoras que têm como único propósito despertar as pessoas do escuro do cinema. Nada mais que isso. Uma pena. Esquecível como tem sido hábito neste tipo de filmes. estando o James Cameron envolvido na história foi ainda mais decepcionante. O mais estranho é que isto não parece nada dele. Foi provavelmente a pior coisinha que vi com o nome dele envolvido. Quer-me parecer que andar há anos a filmar dúzias de Avatares começam a ter efeitos nefastos. Digo eu. Mas pode ter sido só marketing. Fica a dúvida. ○○○

Mesmo com todos os exageros, os anos 80 produziram algumas mais icónicas criações do cinema. Uma das figuras que é impossível não mencionar é o Predador. Nada mau para um "banal" filme de acção e gajos musculados de ginásio... Na realidade, Predator não é assim tão "banal".
Este foi um filme que já vi na fase VHS, ou seja, numa altura em que ver filmes no cinema já era uma coisa rara. Foi pena. Gostava de o ter visto num ecrã a sério e não na Grundig da sala que teria o mesmo tamanho que alguns tablets actuais. Mas isso não invalida que tenha ficado siderado com o filme. Foi uma surpresa total. Numa altura em que os filmes de acção seguiam sempre o mesmo guião e a mesma linha de história (é mais ou menos como hoje em dia: bom contra mau e no final, o mau perde, o bom ganha e fica com a rapariga) ver o Predator a começar assim e lentamente introduzir elementos da ficção científica foi uma enormíssima surpresa. Melhor ainda, o "mau" do filme tornaria-se com o tempo num dos grande ícones do cinema. Nada mau para um "monstro" que só tem para aí uns 8 minutos de tempo de ecrã.
Tal como do Alien (e não faço grande distinção em termos de valor), como sempre fui fã do Predador, ao longo do tempo fui descobrindo umas coisas acerca desta horrenda criação cinematográfica. Por exemplo, descobri que Van Damme foi "o" Predator durante uns 2 dias. Curiosamente, em algumas das primeiras cenas com aquele manto de invisibilidade espacial, é de facto o Van Damme que lá está por baixo da fatiota... O que li acerca da desistência de Van Damme do filme, foi que ele não queira aparecer como "não creditado" e ainda por cima, todo o "monstro" original foi completamente redesenhado, o que levou ao seu abandono das filmagens. Ainda bem, porque já a vi a versão original e era ridícula; já a versão final do monstro tornaria-se lendária. Li também que o mago dos efeitos especiais, Stan Winston, criou o monstro final, mas teve a ajuda de um gajo em particular: James Cameron. Pelos vistos, encontraram-se fortuitamente numa viagem de avião e quando Winston lhe mostrou o novo design do Predator, Cameron sugeriu acrescentar alguns novos pormenores como as mandíbulas extra e aquela fronha horrível. Este pequeno momento resultante de um encontro fortuito, trouxe para o cinema uma das melhores cenas de sempre, que é quando o Predator tira a máscara (também ela muito bem desenhada) e finalmente mostra a face alienígena. Épico e memorável. Goste-se ou não, é muito raro eu encontrar uma pessoa que nunca tenha visto essa cena.
Apesar de ser um "típico" filme de acção, Predator segue as mais as passadas rítmicas do género siege-movie. Uma série de musculados comandos americanos vão sendo caçados um a um e dizimados por uma força desconhecida na densa floresta sul-americana. Um pequeno à parte para dizer que Predator é estranhamente uma co-produção México-americana. O que faz todo o sentido, porque sem os recursos digitais de hoje em dia, quando alguém nos anos 80 queria fazer um filme visualmente verosímil passado numa floresta sul-americana, tinha mesmo de ir filmar para uma floresta sul-americana. Assim, também se percebe um pouco melhor a posição do Van Damme: não deve ser nada fácil andar com uma fatiota hiper-quente numa verdadeira floresta tropical. Consta-se que ele desmaiava com o calor extremo dentro do fato. Não sei se esse parte é verdadeira ou não, mas também não estranharia se o fosse. Outros tempos em que não havia fundos verdes para filmar...
Para Predator, juntaram-se os mais musculados e carismáticos gajos dos filmes de acção da altura: Arnold Schwarzenegger, Carl Weathers, Bill Duke, Jesse Ventura e Sonny Landham. Elpidia Carrillo cria o único elemento de fragilidade em todo o filme, enquanto Kevin Peter Hall cedeu o seu extraordinário tamanho para dar corpo e movimento ao Predator. Mais uma pequena curiosidade: Shane Black aparece numa pequena participação secundária. Não sendo uma personagem muito conhecida do grande público, é um actor e guionista com alguma carreira  (os Lethal Weapons são dele) e iniciou-se há uns anos na realização (Iron Man 3 e a porcaria recente que é The Predator são da sua autoria).
Predator é um must na classe dos filmes de acção. Em cima da acção, ainda posso destacar o suspense e o terror como temáticas onde pode facilmente encaixar. Está muito bem equilibrado por parte do John McTiernan, outro gajo com muito currículo e um gajo que gosto particularmente porque dá sempre um toque especial aos filmes de acção. Até a banda sonora original de Alan Silvestri merece destaque, uma raridade no mundo dos filmes de acção, em que tudo está direccionado para as porradas e as explosões. ●●●●○

PS: Fica aqui a diferença dos trailers actuais versus os trailers da altura. Dá que pensar. Parece que antigamente não ligavam muito aos trailers. Hoje em dia, parece que fazem primeiros os trailers e só depois é que vão preencher as lacunas para dar um filme inteiro... Não admira que antigamente uma pessoa ficasse positivamente surpreendida com os filmes; os trailers eram medonhos e terrivelmente mal feitos.



PS 2: Como não ligo nada a memes e "coisas divertidas" da net, só agora fiquei a saber que um dos memes mais populares de sempre é a frase do Arnold Schwarzenegger tirada do Predator: "Run! Get to the choppa!"... Coisas modernas... Don't get it...
Até ao aparecimento da Internet e dos meios digitais, a TV era o único meio verdadeiramente global. E como tal, visto duma futura perspetiva distópica, era o meio perfeito e óbvio para um domínio totalitário. É interessante perceber que a determinada altura, as sociedades distópicas do cinema passaram do controlo pela força para o controlo das massas pelo entretenimento. Se as pessoas estiverem "desinformadas" e entretidas é mais fácil de serem controladas. E quem ia exercer esse controlo? Gigantescas e omnipresentes corporações empresariais que têm tanto lucro que esmagam literalmente as massas para a pobreza extrema. Os anos 80 conceberam e cristalizaram este pensamento. E é aqui que entra The Running Man. É exactamente isto. Um controlo pela desinformação e pelo entretenimento, aqui representado por uma reality show violento em que os concorrentes têm de literalmente lutar pela vida para chegar ao fim. Onde é que já se viu isto?! Claro que este é um filme duma fase embrionária das distopias e ainda por cima misturadas com o conceito de acção da altura. Basta ver o genério feito com a capacidade computacional de um Spectrum... Nunca poderia dar um bom filme, mas tem uma excelente ideia de fundo. Às vezes acho que o pessoal de agora vai buscar ideias aos filmes antigos. Nunca tinha ouvido falar em reality shows antes de ver o Running Man... Para além da história, tem pormenores revolucionários como por exemplo a mudança digital das caras para enganar os telespectadores.
Sendo um filme de acção puro dos 80's, os actores ocupam um lugar bastante secundário. Tem a estrela da companhia, sendo que Arnold Schwarzenegger era o grande herói de acção do momento e vendia qualquer filme só aparecendo no cartaz. O resto do pessoal (Richard Dawson, Maria Conchita Alonso, Yaphet Kotto, Jim Brown, Jesse Ventura) esforçam-se por ter tempo de antena, mas é muito pouco. Paul Michael Glaser adapta uma história de Richard Bachman, que para quem não sabe é um pseudónimo de Stephen King (sim, o mestre negro) quando ele decidia escrever outras coisas menos macabras...
Apesar de ser fraquito, vale pela excelente ideia de base (que por acaso se passa em 2019 [em 1987 era uma data tão longínqua que se podia-se conjecturar qualquer coisa...]). E pelo Schwarzenegger, claro está. ●●○○○


Só por curiosidade... Schwarzenegger e Jesse Ventura foram para o campo da política e chegaram os dois a governador... Domínio pelo entretenimento... Será apenas uma coincidência?... Humm...

Neste planeta apenas uma pessoa poderia derrotar o John Rambo; essa pessoa seria John Matrix, a estrela de Commando. Bem, a estrela de Commando é o Terminator..., perdão, Arnold Schwarzenegger, mas é quase a mesma coisa. E está tudo dito. Commando, de Mark L. Lester é o protótipo do filme de acção dos anos 80. Durão, másculo, cheio de armas de todas as formas e feitios, socos, joelhadas e porradas variadas, perseguições inusitadas, violência gratuita, cheio de explosões de gasolina (para dar aquela espectacular "bola de fogo"), duplos que voam e/ou caem de grandes alturas e figurantes repetidos em várias cenas, que só apontam mas nunca falam. Não esquecer a cena obrigatória em que o herói se prepara para a luta final com close-ups das pinturas de guerra e o carregamento de toda a artilharia pesada. Menção também para as típicas "bocas" sarcásticas, tipo: depois de matar um gajo num avião, Matrix avisa a hospedeira para não incomodar o homem porque ele está "morto de cansaço".
Foi este tipo de filmes que construiu a reputação dos grandes heróis de acção dos anos 80. E ainda chegam aos dias de hoje. Aliás, o modelo de filme continua a ser copiado por ser tão simples: raptam alguém da família do herói, normalmente uma filha adolescente (que tem um ar mais indefeso) e o herói persegue os malfeitores, acabando por matá-los a todos, culminando na luta final com o "boss". Também há a variante do herói que foge com a filha adolescente e é perseguido por uma horda de malfeitores, o que invariavelmente acaba na mesma situação anterior. É só o movimento do herói que muda, mas isso não interessa para nada.
Commando é um dos "grandes" filmes de acção dos anos 80. Tinha tudo o que um gajo queria ver quando tinha para aí uns 15 anos de idade: acção contínua, perseguições com carros, porrada da grossa, tiros a todo o minuto, explosões enormes e ainda por cima tinha o Arnold Schwarzenegger que estava no topo de forma. O homem estava com um "cabedal" que até parecia um super-herói. Tinha músculos em todo o lado e conseguia disparar todas as armas existentes no mercado só com uma mão. O resto do elenco tem algum pessoal que é repetente como secundário de outros heróis de acção (David Patrick Kelly, Bill Duke, Vernon Wells, Dan Hedaya) e as "miudas" obrigatórias (Alyssa Milano, Rae Dawn Chong).
Claro que também tenho de mencionar a música. Excelente, ou não fosse música feita nos loucos anos 80. Típico e obrigatório. ●●●○○


Hã!? Terminator Genisys? Mas o que é isto? Uma sequela? Um reboot? Não se percebe muito bem... Também não interessa. Isto é só um pretexto para vender mais refrigerantes cheios de açúcar e pipocas, não é? E como o Terminator tem como base de história uma viagem no tempo, é bem provável que esteja sempre a voltar... Alan Taylor devia continuar focado em realizar mais uns episódios de Game of Thrones, que isso sim, vale a pena ver...
John Connor (Jason Clarke), Sarah Connor (Emilia Clarke) e Kyle Reese (Jai Courtney) voltam a encontrar-se com o verdadeiro Terminator, Arnold Schwarzenegger.
Filme muito bom para adormecer... tirando o barulho dos tiros e das explosões, claro. ○○○○○

Apesar de já ter visto muitos filmes de zombies nunca fui grande fã, por isso vou ser rápido: Maggie foi uma desilusão esperada. Hoje em dia, com a febre por zombies (apesar de ninguém lhes chamar zombies, mas sim walkers, zekes, etc..) que por aí anda, é difícil ser surpreendido. Quando vejo que vai sair (mais) um filme de mortos-vivos, sei logo que vou ficar desapontado. São sempre iguais: há zombies e pessoas a fugir dos zombies, mas no final, o pior de tudo são mesmo as pessoas... é sempre igual. Mas desta vez era zombies e Arnold Schwarzenegger na mesma frase. Pensei logo: ou seria uma surpresa boa ou seria uma surpresa "tipo Avillez" numa combinação improvável de omolete e beterraba. (não foi muito boa esta comparação, mas foi o que me apareceu na cabeça...)
Comecei por ficar bem impressionado por ver o tema mil vezes batido dos zombies ser tratado de uma forma diferente do típico "apocalipse incontrolável". Acho que se pode dizer que Maggie é um drama com zombies. Esta parte é uma relativa novidade. O problema é que o filme começa lento e acaba mesmo por ficar preso: na premissa original, no tom arrastado da narrativa e no tom deslavado da fotografia. (É curioso: em quase todos os filmes de zombies a cor desaparece até ficar tudo meio acinzentado... [já não suporto tanta lividez]) Pior que isso é encravar no final. Aliás, a grande desilusão é mesmo a previsibilidade do final. As partes boas do filme são os papeis "sérios" de Schwarzenegger e Joely Richardson (sempre impecável) e a forma como o filme foi abordado de início. Tirando isso, é mais do mesmo: zombies... e pessoas piores que zombies. ●○○○○

Os filmes, como tudo nesta vida, influenciam e são influenciados pelo dia que um gajo acabou de ter...
Eis alguns exemplos de "filmes medianos" que, se estiver bem disposto, até gosto. Pelo contrário, se estiver num daqueles dias em que o mundo parece que se une para nos atirar ao tapete...
"Filmes medianos" são filmes relativamente bem feitos, bem escritos, com actores que se desenrascam bem,  mas que no geral, - lá está - como tudo na vida, não têm o que é preciso para chegar ao topo. É um filme que não aborrece mas que também não fica para o história. Reveem-se bem passados uns anos.
Nesta segunda incursão, três filmes dentro da temática "porrada velha" que representam bem o que são filmes medianos.

Gosto muito do tipo de realização do Walter Hill e também gosto do Arnold Schwarzenegger e especialmente do James Belushi. Deve ter sido por causa disso que já vi Red Heat para aí uma meia dúzia de vezes. Como em todos os filmes de Hill, o casting é muito bom e por isso ainda há Ed O'Ross, Laurence Fishburne (quando ainda se chamava Larry Fishburne) e a Gina "Bound" Gershon.
Arnold faz de um polícia russo que vai para Chicago atrás dum traficante de droga. As diferenças abismais e as piadas entre ele e o típico americano Belushi até fazem esquecer que este é um filme vulgar de porrada. ●●○○○


Mais recentemente encontrei um filme de porrada muito jeitoso, chamado In Bruges, do totalmente - pelo menos para mim - desconhecido Martin McDonagh. Já o elenco não é nada desconhecido: Colin Farrell, Brendan Gleeson e Ralph Fiennes dão vida a uns mafiosos que se encontram em Bruges. Sim, Bruges, aquela famosíssima cidade belga que ninguém sabe muito bem onde fica. Depois de um golpe falhado em que um inocente morre, Farrell e Gleeson vão "relaxar" (e esconder-se) uns tempos para a Bélgica (!?). Onde, obviamente, tudo começa a correr mal, quando Farrell se envolve com uma actriz e o seu amigo anão. Mesmo com esta história maluca, surpreendentemente, In Bruges é um bom filme, com bons momentos de comédia e grandes momentos de acção e pancadaria. ●●●○○


Por último, uma raridade que merece ser vista, The Raid: Redemption. Vi por mera curiosidade e ia ficando "sem cabeça". Tudo neste filme é um enorme surpresa. O filme é indonésio mas o realizador é um... galês, chamado Gareth Evans! Vendo o filme ninguém diria. É simplesmente espectacular. Tem as melhores cenas de pancadaria que alguma vez vi. Acho que mais real que isto é impossível. Aliás, passei grande parte do filme a tentar perceber se aquilo era encenado ou se o pessoal do filme andava mesmo à pancada. Mas ninguém me tira a ideia que alguns daqueles duplos foram mesmo parar ao hospital com lesões graves. Não consigo entender como é que se filmam coisas assim. É a magia do cinema. Mas o filme não vale só pela porrada. Vale pela simplicidade de processos. É como diz o trailer: um "Ruthless Crime Lord, 20 Elite Cops, 30 Floors of Chaos". É a prova que Hollywood tem vindo a exagerar e que não é preciso gastar biliões de dólares para fazer um simples filme de acção e porrada, embrulhados em guiões hipercomplicados e cheios de clichés. Apenas com 1 milhão de dólares, Gareth Evans, consegui meter no bolso a grande maioria dos filmes de porrada americanos. Só por isso, merece uma grande salva de palmas. Obriga a repensar a forma como os filmes de acção têm sido levados demasiado a sério pela indústria mainstream. O elenco é-me totalmente desconhecido, repleto de nomes como Iko Uwais, Joe Taslim, Donny Alamsyah, Yayan Ruhian, mas isso não faz diferença nenhuma. Proporcionaram-me as melhores cenas de luta que alguma vez vi em cinema. ●●●○○


Conan, a mítica personagem de Robert Howard foi adaptada para cinema no longínquo ano de 1982. Mesmo para quem não gosta muito de BD's (como é o meu caso), é uma daquelas personagens que toda gente conhece e que está tão enraizada na cultura popular como qualquer outro super-herói. Como não sou grande conhecedor do mundo da BD, dei uma leitura rápida na internet e fiquei a saber que Conan passou das mãos da Marvel (!) para a Dark Horse Comics em 2003. Faz muito mais sentido.
Em relação ao filme, Conan, The Barbarian é um dos dinossauros das adaptações de BD's. Vem de um tempo tão remoto, que ainda não existiam computadores pessoais, telemóveis, internet e a única rede social que existia chamava-se "a rua". O filme é do mais puro domínio do fantástico mas tem poucos efeitos especiais. Pelo standard actual, é caso para dizer: inacreditável.
Este é um daqueles filmes que adoro desde miúdo, e sempre que repete por aí em algum canal não resisto a vê-lo. Foi o que aconteceu... outra vez. Sobre o filme propriamente dito, não há muito a dizer a não ser que é muito bom... Os culpados deste sucesso são John Milius, Oliver Stone, Arnold Schwarzenegger, James Earl Jones e Basil Poledouris.
John Milius é principalmente culpado por conseguir juntar uma equipa fantástica e por escrever um argumento tão bem. Se formos ver o currículo, Milius nunca foi um grande realizador (não tem grandes filmes para referência), mas sempre foi um excepcional construtor de guiões. Apocalypse Now passou-lhe pelas mãos, portanto não é preciso dizer mais nada. Conan é só mais um da lista. Mas neste caso, fica muito bem na fotografia, porque Conan tem grandes sequências visuais e imagens icónicas.
Oliver Stone, para além de ser o reconhecido realizador que é, tem uma faceta menos conhecida que é a de escrever guiões. E também o faz muitíssimo bem. Midnight Express e Natural Born Killers, são só dois "pequenos" exemplos da mestria de Stone com as palavras. Não deixa de ser curioso que Stone e Milius parecem estar trocados de sítio: um é mais realizador, mas escreveu o guião, o outro é mais guionista mas ficou com a realização...
Basil Poledouris também é culpado, mas pelo lado sonoro. Conheço bastantes bandas sonoras originais e excluindo os musicais, esta é uma das melhores de sempre, se não mesmo a melhor. Acho isso excelente, principalmente porque Conan é um filme de acção/fantástico e normalmente, estas bandas sonoras limitam-se a acompanhar o "tempo" da acção. Basil Poledouris conseguiu criar música original que verdadeiramente complementa e une as imagens do filme. Muito bom.
James Earl Jones é o culpado de ser um dos melhores vilões de sempre. Não sei se é a aparência, se é aquela voz de Darth Vader, mas há qualquer coisa estranha que acontece quando Jones aparece nos filmes. Além disso, tem sempre aquela figura intimidante e aqueles olhos penetrantes... Foi uma excelente escolha de casting.
Finalmente, o homem dos músculos: Arnold Schwarzenegger. Ele é culpado por ser tão... Conan. Vá lá... mas existe mais alguém que possa interpretar o papel de Conan para além de Arnold?! Se o "verdadeiro" Conan fizesse uma viagem à realidade e eu o visse algures por aí, de certeza que dizia: "este gajo não é nada parecido com o Schwarzenegger!" Sempre achei que gajos com músculos não sabem representar, e Schwarzenegger não é excepção. Foram precisas décadas para Schwarzenegger atingir um patamar aceitável na área da representação, mas acabou por lá chegar. Neste caso, nem sequer era preciso. Conan e Schwarzenegger com a sua falta de jeito natural, encaixam tão perfeitamente, que era impossível arranjar outro actor para este papel.
Uma referência ainda para Max von Sydow, um daqueles "senhores" inesquecíveis do mundo dos filmes.
Conan, The Barbarian marcou a minha juventude. Foi dos primeiros filmes do género fantástico que vi. Pensando bem, acho até que foi dos primeiros filmes de qualquer género que vi! E mesmo hoje em dia, tantos filmes depois, posso dizer que (ainda) é um dos melhores. ●●●●○


Conan, the Destroyer
Pouco conhecida é a sequela de Conan que depois de bárbaro, passou a Conan, The Destroyer. E não é muito conhecida, porque simplesmente é má. Apesar de eu gostar muito do Richard Fleischer e da Grace Jones, não consigo superar o facto de que este é um filme mau. É apenas um aproveitamento imediato do sucesso do primeiro filme. Mas ser um filme sem chama, monótono, previsível, com maus efeitos especiais e que parece ter sido feito à pressa para corresponder à procura dos fãs, acaba por ter um lado positivo: mostra como é difícil fazer um filme deste género sem que se torne... patético. ●○○○○


Conan, The Barbarian (2011)
O que dizer do novo Conan, The Barbarian, agora protagonizado por Jason Momoa (...quem?!)? Posso dizer o mesmo que digo sempre deste tipo de remakes... filme de acção, efeitos especiais, algumas explosões, corpos esbeltos e jovens por todo o lado, roupas curtinhas, vazio de novas ideias (quanto mais não fosse, porque é mais um remake a juntar à avalanche de remakes da actualidade), uma chiclete para consumir e deitar fora. É mais um produto para a classe juvenil que outra coisa. Não tem nada que seja memorável ou que se aproveite. Mas admito que esta apreciação também pode ser o meu ressabiamento por estarem constantemente a denegrir os filmes que adoro fazendo remakes sem parar... ●○○○○


+ bónus
Red Sonja
Aproveitando a febre "Conan", ainda saiu para cinema um outro filme, Red Sonja, uma personagem feminina também saída da BD de Conan. Este filme foi traduzido em português como "Kalidor: A Lenda do Talismã" e foi mais um desastre de Richard Fleischer. Arnold Schwarzenegger não é Conan, mas sim Lord Kalidor... Confuso? Eu pelo menos estou... E é mesmo só isso: um filme que cavalga o sucesso de Conan e que quis colmatar a necessidade de mais filmes de espadas, feitiçaria, fantasia em tempos remotos e enormes músculos salientes. Como se comprova, é difícil fazer um filme dentro desta temática que não seja mau. O que torna o original Conan, The Barbarian sempre uma referência. Sou sincero, já vi este filme há muitos anos e já na altura o achei mau... nem imagino o que acharia agora. Alguns destaques: para Brigitte Nielsen, uma "ave rara" dos anos 80, que tem a particularidade de só ter entrado em maus filmes; para Sandahl Bergman, que no primeiro filme fazia de companheira de Conan e aqui é a vilã; e para a boa (!) banda sonora de um senhor chamado Ennio Morricone... Estranho, não? ●○○○○

 
Sempre que se falar de ficção científica, Total Recall será mencionado. Porquê? Porque é icónico, original, violento e por vezes até é cómico, roçando o satírico. É um filme que marca verdadeiramente pela diferença. Paul Verhoeven conseguiu criar um visual que é tão particular que se torna inconfundível. Quando uma pessoa vê Total Recall não se lembra de mais nada parecido. Só mesmo... Total Recall. Ou outro filme posterior de Verhoeven.
É uma história tão louca, paranóica e original que só podia vir da cabeça mirabolante de Philip K. Dick. E ninguém melhor que Verhoeven para a adaptar ao cinema. Há cenas memoráveis como a da cabeça explosiva da velhota, sem esquecer os muitos personagens mutantes, especialmente aquela com as inesquecíveis três mamas. Este filme é uma soma de todos os excessos dos anos 80. É curioso perceber que nos anos 80 o futuro era visto como sendo sempre muito colorido e recheado de cores fortes... Hoje em dia, o futuro é sempre visto em tons de azul escuro...
A história tem tudo que ver com percepção, perda de identidade, realidade ou ficção e não podia ser melhor. Num futuro próximo, os humanos colonizam Marte e tentam transformar o planeta num sítio habitável. Como o futuro no cinema é sempre distópico, no meio do processo há opressores e oprimidos, com uma "resistência" a intrometer-se na história. Aqui na Terra, um pacato funcionário da construção que tem sonhos recorrentes com Marte, sente um vazio na sua vida e decide recorrer a uma empresa, a Rekall Inc., que garante conseguir implantar memórias iguais às verdadeiras. A Rekall é como uma empresa de viagens, mas sem a chatice de ter que andar com as malas às costas ou lidar com taxistas sem escrúpulos, como diz no filme. E podem-se escolher recordações temáticas, como por exemplo ser agente secreto e estar envolvido numa grande conspiração para salvar o planeta. E é exactamente isso que acontece. O filme está muito bem dirigido porque constantemente somos confrontados com o que é realidade ou o que é uma memória "falsa" implantada, produto da Rekall. Está-se sempre na dúvida sobre quem são os amigos ou os inimigos. E tudo o que parece, pode ser outra coisa completamente diferente.
A combinação improvável de Arnold Schwarzenegger e Sharon Stone estranhamente até funciona. Michael Ironside é um vilão à altura e Ronny Cox, como sempre, dá uma credibilidade aos papéis que é de mencionar: é o típico gajo que uma pessoa adora odiar.
Os efeitos especiais de Rob Bottin ainda se aguentam nos dias de hoje, mas na altura deixaram toda a gente de boca aberta. Nesse aspecto, é um dos últimos filmes "old school". Ainda eram usados truques de câmara, animações em stop motion e miniaturas para os efeitos especiais. A única cena digital presente no filme é aquela em que Quaid passa por uma espécie de raio-x num checkpoint/aeroporto(?) marciano, em que se vêm as armas e os esqueletos dos passageiros. Marcou o final duma era tecnológica no cinema. A banda sonora original é de Jerry Goldsmith, e como sempre, é muito boa.
O sucesso de Total Recall foi tanto que esteve para acontecer uma sequela, baseada noutra história de Philip K. Dick, em que se explorava o lado místico e presciente dos mutantes marcianos. A sequela nunca passou de uma ideia no papel. Mas mais tarde acabou mesmo por chegar às salas de cinema, pela mão de Steven Spielberg, num filme completamente diferente e que toda a gente (provavelmente) já viu: Minority Report. E que por acaso também é muito bom.
Total Recall é um filme de acção violento. Tão violento, e por vezes até sanguinário, que algumas cenas tiveram de ser cortadas para não ser classificado como "para adultos". Mas acima de tudo é um grande filme de ficção científica, com uma excelente história, com muito músculo à mistura, é certo, mas que também tem muito cérebro. Como envolve marcianos e mutantes, se calhar até tem 2 cérebros! ●●●●○


Total Recall, o "novo". Eis um remake que não entendo. O filme não é péssimo e até tem alguns bons pormenores. O que não percebo é porque é que pegaram na história de um filme anterior e fizeram outro completamente diferente, aproveitando apenas alguns elementos. É que quase não ficou nada do original a não ser os nomes das personagens e a Rekall, que até quase nem é mencionada... Não percebo.
O novo Total Recall perde muito porque tem lacunas e muita falta de pormenor. Basta pensar que tudo gira em torno da falta de espaço para viver, mas Quaid (Colin Farrell) vive num apartamento super espaçoso enquanto toda a gente parece viver num enorme bairro de lata. Não tem sentido. Depois, a premissa de falta de espaço deriva do facto do planeta ter sido totalmente devastado numa guerra química... entre quem? Não se sabe. O que se sabe é que só restaram duas federações - Inglaterra(?) e Austrália(?) - onde está apinhada toda a gente que sobreviveu. Mas por outro lado, no meio desta quase destruição, conseguiu-se fazer um túnel no planeta, passando pelo núcleo incandescente, porque as pessoas vivem de um lado do mundo mas trabalham no outro. Ah?! É um bocado rebuscado demais. Até para ficção cientifica...
E depois, pior que os problemas na narrativa de base, é que se fica com a sensação de estar a ver um mix de filmes: o aspecto geral, e em especial, a perseguição de carros flutuantes parece uma cópia de Minority Report, misturado com os nomes e alguns pormenores do filme original, reciclados e espalhados pelo guião. Para quem conhece o primeiro filme, torna tudo desconexo e parece uma colagem. A determinada altura, dei por mim mais entretetido a tentar encontrar referências do primeiro filme, do que propriamente a ver o filme...
O design de produção até está bastante bom, por isso, sinceramente, acho que mais valia terem feito alguns ajustes na história original e criarem um novo argumento que se sairia muito melhor. E isso provavelmente daria um novo filme de ficção científica, se calhar até um bom, e não seria apenas e só um remake pobre de Total Recall. ●○○○○

Só nos anos 90 é que poderia existir um filme como este. Quem é que se lembraria de juntar um
detective brutamontes dos narcóticos, crianças num jardim de infância e fazer uma comédia? Bem, Ivan Reitman lembrou-se, e ainda bem, porque Kindergarten Cop (1990) é um filme surpreendentemente divertido. É daquelas misturas esquisitas que não deveriam combinar, mas que de alguma forma estranha até funcionam.
Ivan Reitman, para além de ter dado vida aos Ghostbusters, praticamente também inventou o tipo de filmes que aproveita a carreira descente de alguns dos heróis de acção dos anos 80. É normal e compreensível. Os grandes heróis de acção como Schwarzenegger começaram a não ter tempo de antena à medida que os seus músculos perdiam densidade e as pessoas já não mostravam interesse em gajos hiper-musculados que ganhavam sempre no final. Estes (quase) super-heóis não podiam simplesmente desaparecer e começaram a entrar numa espécie de auto-paródia que culmina nos mais recentes The Expendables de Silvester Stallone. Surpreendentemente, parece que alguns têm jeito para a comédia, como Schwarzenegger. Vá-se lá perceber...
O filme tem duas partes distintas. O início, na cidade violenta, suja e decadente que é o habitat natural do detective John Kimble (Arnold Schwarzenegger), e a pacata e tranquila vila de Astoria onde decorre o final. Kimble tem de encontrar uma testemunha em fuga relacionada com um caso de droga e a única forma de o conseguir é assumir o papel de professor de um jardim de infância.
Schwarzenegger é uma surpresa pelo lado cómico e desajeitado, e a parceira-detective Phoebe O'Hara (Pamela Reed), viciada em comida e que namora com um chef de cozinha é uma personagem super-cómica. Mas o melhor de tudo são as crianças, como se costuma dizer. Os miúdos foram muito bem escolhidos e são a alma deste filme. É tudo tão genuíno que acaba por ser hilariante.
Raramente vejo comédias porque não me conseguem fazer rir. Sou daquele género de pessoas que só entende humor físico. O meu cérebro só processa Chaplin, Keaton ou as caretas rídiculas do Jim Carrey. É uma falha minha. Só em ocasiões - muito poucas - os Monty Python ou o Woody Allen me conseguem fazer rir. Este filme arrancou-me algumas gargalhadas. É o melhor elogio que lhe posso dar. ●●○○○

 
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