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Durante muitos anos ouvi e li sobre este The Omen. Era suposto ser um filme terrorífico... mas não é. Este é um dos problemas de ver os filmes fora de tempo. Em 1976 imagino que deve ter gerado um escândalo do tamanho do mundo. Mas agora, no contexto actual, admito que perdeu um pouco de "poder de fogo"...
The Omen conta uma história bizarra. O embaixador americano em Roma (Gregory Peck) e a esposa (Lee Remick) têm uma vida do melhor que a vida tem para oferecer. Mas falta-lhes algo muito importante: um filho. Há muito tempo que pensam ter filhos, mas parece que nunca se vai tornar realidade, por motivos vários. Mas um dia lá acaba por acontecer e a Katharine vai finalmente ter o tão desejado filho. No entanto, a criança morre à nascença no hospital e Robert em desespero decide seguir a sugestão de um padre e adoptar uma criança nascida exactamente no mesmo momento, mas cuja mãe morreu em trabalho de parto. Mas para complicar todo este assunto, Robert omite essa importante parte à esposa...
Depois de se mudarem para Londres, estranhos acontecimentos começam a persegui-los. Para piorar ainda mais a situação, Robert começa a ser perseguido por um padre que sabe da situação da troca dos bebés e lhe confidencia que o seu filho, é nada mais nada menos que o próprio Anticristo...
Richard Donner realizou um dos grandes filmes de terror de sempre. E é tudo por causa da história que é mesmo totalmente bizarra. Será que a criança é mesmo o Anticristo? Será que o embaixador estará apenas a alucinar? A paranóia e dúvida são constantes até determinado ponto do filme. É um retrato realista de uma família em crise e à beira de um ataque de nervos. A atmosfera muda completamente quando se percebe que toda aquela história estranha é mesmo verdade e aí o filme torna-se numa perseguição até à morte. The Omen tem uma constante aura carregada e vai-se tornando cada vez mais alucinante até culminar naquele momento icónico de termos o pai, num altar a sacrificar o filho possuído... Será que ele consegue ter força mental suficiente para matar mesmo o miúdo?...
Talvez o melhor do filme esteja mesmo na parte final e naquele sorriso verdadeiramente maléfico de Damien. Mas curiosamente, na versão original do argumento a história termina de forma diferente. Foi a MPAA (Motion Picture Association of America, que durante muito tempo foi a responsável pelos ratings etários dos filmes e por tabela "mandava" nos filmes) que decidiu que o final original era demasiado chocante... e que deveria acabar como aparece na versão final. Não deixa de ser irónico pensar que se o bem vence é chocante, mas é totalmente aceitável que o mal triunfe... Estranho, não é? ●●●○

P.S. Sempre que se fala neste tipo de filmes de terror, mais espiritual, parece que têm sempre uma maldição associada para além da sua mitologia sinistra. Acredite quem quiser... Gregory Peck e o argumentista David Seltzer foram atingidos por raios nos seus aviões quando voltavam para filmagens no Reino Unido.... O produtor Harvey Bernhard quase foi atingido por um raio em Roma... Os rottweilers que foram usados no filme atacaram violentamente os seus próprios tratadores... O hotel onde Richard Donner estava hospedado foi bombardeado pelo IRA... e para além disso foi atropelado nas filmagens... Depois das filmagens, Gregory Peck ia para Israel de avião, mas teve de cancelar a viagem. O avião onde deveria ir cai e não houve sobreviventes... No primeiro dia de filmagens, várias pessoas envolvidas na rodagem do filme sobreviveram a um acidente grave de carro. Já na pós-produção do filme, John Richardson dos efeitos especiais, teve também um acidente de carro grave, e a namorada foi decapitada... É a velha questão... Não acredito nas bruxas, mas...
Um jovem vai entregar um carro de um stand ao dono e para isso vai ter de conduzir longas horas de um estado americano para outro. Entediado com a longa viagem solitária, oferece boleia a um desconhecido numa noite de chuva intensa. A viagem é longa e feita pelo meio do deserto onde abundam estradas intermináveis. Os problemas começam de imediato quando ele descobre que o homem da boleia é na realidade um assassino em série que tem cometido crimes horríveis por aquela estrada fora. Para além de o perseguir, o assassino acaba também por incriminá-lo de vários crimes, levando-o a ser confrontado e perseguido pela polícia... A sua única ajuda é uma simples empregada de restaurante...
Um gato persegue as suas presas e brinca com elas até as matar. O prazer do gato nunca está na perseguição... está no doce sabor do medo. É assim que eu vejo este The Hitcher. Um perseguição infindável, cheia de cantos obscuros, reviravoltas e volte faces inesperados, em que o actor principal é manipulado pelo vilão e não parece ter saída possível do pesadelo em que caiu...
The Hitcher está muito bem feito e muito bem realizado por Robert Harmon. Tem uma grande fotografia cheia de planos enormes do deserto com aquelas excelente cores de fundo. As poucas, mas fantasticamente bem filmadas e intensas cenas de acção, estão muito bem equilibradas com as cenas calmas de suspense... um gajo nunca sabe quando o assassino vai aparecer para infernizar a vida do jovem condutor...
Grande performance dos dois actores principais (C. Thomas Howell encarna muito bem a personagem que entre numa espiral descendente), mas facilmente se destaca o Rutger Hauer que aqui está quase no nível mítico do Blade Runner. As nuances, as expressões... Sem dizer uma única palavra, Hauer consegue transmitir perigo e loucura em cada imagem. Um dos filmes pelo qual será sempre recordado. Aqui criou-se um dos grandes vilões do cinema. Uma palavrinha para Jennifer Jason Leigh numa das primeiras aparições em cinema e que só acrescenta qualidade ao casting.
Na altura que o vi, há muitos anos atrás, The Hitcher era teoricamente um "típico" filme de videoclube dos anos 80 (estava no lote daqueles filmes a granel de que nunca tinha ouvido falar e não esperava que fossem sequer bons), mas que se revelaria como uma enorme surpresa. Um gajo aluga um filmito e espera umas cenas básicas de acção e terror e acabar por lhe sair um dos grandes thrillers do cinema... Recomendado. ●●●

Após o imenso sucesso de Poltergeist na recepção crítica e na receita de bilheteira, a inevitável sequela... Poltergeist II: The Other Side. Ainda havia algumas pontas soltas para resolver do filme anterior e por isso chega uma segunda parte. Depois de terem deixado a primeira casa após os acontecimentos terroríficos com a filha mais nova, a família muda-se para outra casa mas vai-se envolver novamente com entidades espirituais e malignas. O mal quer novamente a miúda do primeiro filme e agora vai chegar na forma do Reverand Kane e da sua seita maluca...
Este Reverend Kane (Julian Beck), à porta de casa da família, a dizer de uma forma absolutamente aterradora  "let me in, let me in"... nunca mais me saiu da cabeça. É das personagens mais medonhas que me lembro. Isso e aquele "ser" sem pernas e braços que Craig T. Nelson vomita (!?!) também me traumatizou...
Os actores são praticamente os mesmos (JoBeth Williams, Craig T. Nelson, Heather O'Rourke, Oliver Robins, Zelda Rubinstein) mas mudou toda a parte técnica (Brian Gibson) e isso faz toda a diferença. Sendo uma sequela "pura", a lógica foi a mesma de sempre: tinham de fazer mais, melhor e maior que o primeiro filme. Não é melhor, mas realmente é muito mais e muito maior, só que é só em termos de efeitos especiais. Não estou a reclamar. Richard Edlund era um verdadeiro mestre das engenhocas e dos make-ups que segui durante muitos anos. Mas como acontece hoje em dia, os efeitos sobrepuseram-se a tudo o resto. Tem os típicos jump scares, mas já não tem a coerência do primeiro filme.
No plano real, a maldição continuou a assombrar o legado Poltergeist. O aspecto malévolo e cadavérico de Julian Beck não é fruto de maquilhagem. Na realidade, o actor sofria com um cancro terminal e morreu pouco tempo depois. Will Sampson que faz de xamã (porque era mesmo um xamã) também morreu de ataque cardíaco fulminante pouco depois. E a juntar a isto mais uma série de fenómenos estranhos e até um exorcismo pedido pela equipa de filmagem e actores junta-se ao rol de misticismo que rodeia esta série de filmes Poltergeist... Que é estranho, lá isso é...
Esta sequela é realmente uma sequela. Pretende apenas cavalgar o êxito do primeiro filme e mais nada. Na altura adorei o filme porque tinha montes de efeitos especiais e novos monstros (alguns do H.R.Giger...), mas basicamente é uma repetição do primeiro filme e é totalmente dispensável. A não ser para fãs inveterados do terror como eu era nesta altura e em que "marchava" tudo... Parei por aqui. Sempre gostei do terror, especialmente por causa dos efeitos, mas nunca fui muito fã das possessões e cenas espirituais. É uma coisa que me afecta... Já chegava de espíritos vingativos. Poltergeist ainda completaria a obrigatória trilogia com uma terceira parte num arranha-céus mas nunca vi. Dispensável mais ainda assim assustador o suficiente... ○○○

Anda meio mundo a sugerir coisas para se ver durante esta pandemia. E o pessoal está todo em casa a ver séries sobre pandemias e filmes sobre reclusão forçada em casa, por isso acho que o melhor é arranjar umas alternativas diferentes... Que sejam, digamos assim, mais emocionantes...
Craig T. Nelson e JoBeth Williams são casal normal, com uma vida rotineira que acabam de se mudar para uma casa nova. Os três filhos também não têm nada de especialmente relevante para contar. São miúdos normais. Como tantas vezes acontece com os amigos imaginários, um dia, a miúda mais pequena começa a falar com a estática da televisão... Os pais não ligam muito ao assunto, mas do dia para noite, os móveis começam a mexer-se sozinhos, ao mesmo tempo que estranhos e inexplicáveis fenómenos começam a acontecer... Os pais contratam uma série de especialistas paranormais (Beatrice StraightZelda Rubinstein) para resolver o assunto, mas tudo descamba para o terror quando a miúda (Heather O'Rourke) é raptada e levada pelos "seres da TV" para uma dimensão paralela...
Apesar de ser um filme de terror, na verdade ninguém morre. Acho que o pássaro da família morre, mas já não tenho a certeza. É um filme de terror com a marca Steven Spielberg portanto ninguém se magoa definitivamente. Mas também é um filme Tobe Hooper, o que quer dizer que muitas cenas são absolutamente assustadoras. Não é por nada que ainda hoje perdura a questão da autoria do filme. Spielberg ou Hooper? Conhecendo o trabalho dos dois, este parece mesmo um filme feito a quatro mãos. Apesar de ser nitidamente um filme Spielberg, não se pode menosprezar Poltergeist como sendo pouco terrorífico. Quando o vi em miúdo, assustou-me até ao tutano. Na altura as emissões de televisão tinham um fim e podia-se ver realmente a estática assim que a emissão acabava, algo que, estranhamente, quase ninguém tem noção do que é. Mas nessa altura, eu tinha medo da estática. Muito medo. Se apanhava a televisão nesse estado, corria para a desligar. Foi esse o efeito Poltergeist. É um dos grandes filmes de terror do cinema. A história é muito boa, cheia de pormenores que ficaram para posteridade. Os actores também estão muito bem. Mas há que destacar os efeitos especiais que na altura deixavam um gajo de boca aberta. Poltergeist foi um dos primeiros filmes que vi e muito provavelmente o primeiro filme de terror. Se me afastou da temática, por medo, durante muito tempo, estranhamente também teve o efeito contrário. Passado o efeito "real" da coisa, ou seja, quando finalmente cresci e percebi que do outro lado da câmara estava uma equipa de filmagem, isso deixou-me imensamente intrigado: como é que faziam aquilo? como é que punham as coisas a mexer-se sozinhas? E os raios? E a árvore? E o palhaço? Porra para o palhaço. As cenas com o palhaço aterrador devem ter traumatizado milhões de pessoas ao longo dos tempos... Acho que actualmente as pessoas têm problemas com palhaços e isso em parte deve-se ao Poltergeist...
Para além do currículo de sucesso que o filme carrega consigo, também existe uma carga muito negativa associada. Coincidência ou não, uma série de eventos trágicos têm percorrido a franchise ao longo dos tempos. Pouco depois da estreia, Dominique Dunne que fazia de filha mais velha, foi morta à porta de casa por um ex-namorado. A miúda mais nova (Heather O'Rourke) também morreu na rodagem do 3.º filme e ainda há a reportar a morte repentina de mais actores, assim como uma serie de acidentes e coisas inexplicáveis... É a chamada Maldição do Poltergeist. Há uma teoria que diz que tudo acontece porque no final deste primeiro Poltergeist foram usado esqueletos verdadeiros. Sim, esqueletos de pessoas verdadeiras para as filmagens. Em 1982 se era para atingir um grau de veracidade nos efeitos, recorria-se a tudo. E pior, a actriz (Jobeth Williams) nessa cena não sabia que os esqueletos eram verdadeiros; pensava que eram simples adereços... Weird shit...
Poltergeist foi um dos grandes sucessos de bilheteira naquele ano e um filme que marcou uma série de gente. Se em algumas situações acaba por estar um pouco datado, em muitas coisas continua a ser verdadeiramente aterrador. Até já me deu aqueles arrepios esquisitos na nuca... ●●●

Revi este Bram Stoker's Dracula de Francis Ford Coppola há pouco tempo, mas nem era preciso. Este é um daqueles filmes que "arquivei" mentalmente. Lembro-me de tudo. O que na minha escala qualitativa é o mais importante. Se "cola" é porque é bom. Se "cola" completamente, é por é mesmo bom... E este é um dos casos.
Já vi muitos Dráculas, variantes e muitas versões de Dráculas mais ou menos fiéis ao livro original e não tenho dúvida nenhuma que este é o melhor filme de todos. Aliás, não consigo perceber como é que poderia ser melhor. É perfeito. Grandes actores com grandes prestações, grande ritmo, grande jogo de luzes e grande som. Tudo pensado ao mais ínfimo pormenor. Só o facto de Francis Ford Coppola usar deliberadamente "efeitos especiais antigos" para não chocar com o carácter gótico da história é um pormenor de um verdadeiro mestre. Não é apenas lógico, é simplesmente genial.
Nota-se que há um fio condutor que une todas as histórias: Van Helsing, Lucy, Mina e as diversas fases e facetas de Dracul misturam-se todas numa excepcional narrativa, em que o sangue se transforma numa linha que tanto dá a vida como dá a morte. Para além de toda a questão inerentemente romântica dos vampiros com o amor a fluir através dos tempos (e a história do vampiro Dracul é mesmo a derradeira história de amor), na realidade este é um filme de acção, só que não tem perseguições e explosões. Toda a acção vem da narrativa e da forma como Copolla consegue impor ritmo às próprias palavras e cenas. Excepcional. Nada falha neste filme e só há um responsável por isto. Francis Ford Copolla. Um mestre moderno.
Gary Oldman e Winona Ryder fazem um par romântico estranhamente distantes que ficou na história porque há qualquer coisa entre eles para lá da simples química entre actores. Anthony Hopkins, um "senhor" em qualquer filme, no papel de um tresloucado Van Helsing, que mais parece uma versão gótica do Hannibal Lecter. Keanu Reeves, em versão muito insossa mas fundamentalmente perfeito para o papel. E um lote de secundários como Richard E. Grant, Cary Elwes, Billy Campbell, Sadie Frost (Lucy, Lucy... que perfeição sanguínea, Lucy...), Tom Waits (que lunático brilhante, master...) e procurando bem ainda se consegue encontrar por lá a Monica Bellucci, que como toda a gente sabe, é uma verdadeira estátua clássica viva...
Poderia incluir aqui uma qualquer aproximação metafísica dos vampiros, da história cinematográfica destes sugadores de sangue românticos ao longo dos tempos ou o porquê do fascínio dos vampiros nunca esmorecer... Mas não me apetece. Tenho muito mais filmes para "arquivar" e já está tudo na internet...
Dracula é um filme para ver e rever e aprender sobre cinema. Uma verdadeira aula e um textbook de como fazer um filme. O melhor filme de vampiros alguma vez feito e que muito dificilmente será ultrapassado. Um filme para figurar em qualquer enciclopédia de cinema. Um clássico moderno. Obrigatório. Um dos meus filmes preferidos. ●●●●● + ●

Quando o filme é Ghostbusters, eu poderia estar aqui uma tarde inteira a escrever. Tem tantos pormenores e tanta coisa boa para se falar que dava uma enciclopédia. A música original de Ray Parker Jr.; os excelentes efeitos especiais (para a altura), numa lógica de verdadeira magia do cinema; as figuras icónicas em que se transformaram os próprios Ghostbusters; o Stay-Puft Marshmallow Man gigante e o Slime verde; a carrinha branca e aquele som único da sirene. Poderia falar de todos estes pormenores, mas acho que nem vale a pena. São tão icónicos e imediatamente reconhecidos que seria redundante. Tudo isto já faz parte da cultura geral.
Acho simplesmente que é a mistura tão bem construída de comédia e terror (para 1984; hoje seria considerado mais fantasia do que terror), que o torna num filme perfeito. Parabéns ao Ivan Reitman por ter dado vida a estas personagens e por feito um filme que é uma referência para mim. E não só. Acho que é um filme intemporal. Nunca está desactualizado e nu sai de moda.
Foi muito provavelmente o primeiro filme que vi num cinema. Para um miúdo, foi uma experiência avassaladora, num misto de medo e diversão, tudo ao mesmo tempo. Foi espectacular. Perdi a noção da quantidade de vezes que vi os Ghostbusters, mas já foram muitas. Ainda há pouco tempo estava a dar na TV e não consegui resistir. Tive de o ver outra vez.
Bill Murray, Dan Aykroyd, Harold Ramis e Ernie Hudson serão os Ghostbusters para sempre. Apesar da fatia maior de mérito ser obviamente do Dan Aykroyd e do Harold Ramis (por causa do guião), é obviamente o Bill Murray que rouba todo o protagonismo. É um dos gajos mais naturalmente cómicos que algum vez vi. Um dos meus gajos favoritos de sempre. Sigourney Weaver, Rick Moranis, Annie Potts e William Atherton fazem a melhor conjugação secundária que me lembro. Todos têm deixas memoráveis e inesquecíveis. O que é incrível, se se pensar que a maior parte do guião original não foi respeitado. Grande parte dos diálogos foram improvisados, o que é incrível.
Para mim, Ghostbusters é o protótipo do derradeiro filme de família. Perfeito. Fantástico. Surpreendente. Cómico. Melhor é impossível. ●●●●●

Para quem não conhece a história, Pennywise, o palhaço/metamorfo/alien do primeiro filme só aparece de 27 em 27 anos para aterrorizar os miúdos da povoação. Depois dos eventos do primeiro filme terem ficado mais ou menos resolvidos, Pennywise emerge novamente para uma série de macabros desenvolvimentos. No entanto, o grupo de sete miúdos já não é um grupo de sete miúdos. Entretanto, cresceram, saíram da pequena vila de Derry e por algo motivo esotérico, todos esqueceram a história original. Todos, menos um, que por coincidência foi o que nunca abandonou a vila. Novos acontecimentos aterradores levam a que se reúnam 27 anos depois no mesmo local e esperam-nos a presença maquiavélica de Pennywise para uma batalha final. Se na primeira adaptação original de It, toda a história foi misturada, aqui acabou por ficar dividida em duas partes distintas. De certa forma, faz mais sentido.
Em It: Chapter 2, toda a equipa regressa: Andy Muschietti volta à cadeira de realizador, assim como o elenco de miúdos em flashbacks: Jaeden Martell, Jeremy Ray Taylor, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Chosen Jacobs, Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff. Bill Skarsgård continua a ser terrorífico (no bom sentido) como Pennywise. E ainda chega todo um novo elenco, 27 anos mais velho: Jessica Chastain, James McAvoy, Bill Hader, Isaiah MustafaIsaiah MustafaIsaiah Mustafa e Isaiah Mustafa. Mas se a escolha do casting foi outra vez acertada, já o filme no seu todo acaba por ser um pouco mais desequilibrado que o primeiro. Primeiro, é longo demais, um problema recorrente do cinema moderno que parece não ter fim. E em segundo, o terror descamba muitas vezes e desnecessariamente para o gore. Também fiquei muitas vezes com a sensação de que estava a ver um remake do Nightmare on Elm Street em vez do remake do It, porque muitos dos jump scares habituais foram substituídos por cenas meio sonho, meio pesadelo, tudo envolto numa cena demasiado onírica, mas ao mesmo tempo previsível. Não me interpretem mal: acho muito bem que as referências sejam de filmes que sempre gostei, mas está na altura de fazer coisas novas em vez de andar sempre a dar no mesmo, não é verdade? Curiosamente (ou não), perto do final do filme, há uma cena perto de um cinema e o filme que estava a ser anunciado era o Nightmare on Elm Street 5... Coincidência? Talvez... talvez não. Se um dos próximos filmes de Muschietti for um remake de Elm Street, acho que já consigo responder...
Em resumo, no final fiquei um pouco desiludido. Depois da boa surpresa que foi o primeiro filme, fiquei com aquela sensação amarga de "mais do mesmo". Senti que foi uma coisa feita um pouco à pressa para responder rapidamente às boas críticas (e ao bom desempenho no box office) do primeiro filme. Ainda assim, acaba por ter bons momentos de terror aqui e ali e por isso vê-se relativamente bem. ●●○

A história repete-se continuamente e como não podia deixar de ser, Stephen King volta a ser o rei das adaptações. Os estúdios decidiram voltar a pegar no material do mestre e fizeram muito bem. Desconfiei desta adaptação, porque a primeira vez que o fizeram, saiu um enorme embrulhada.
Bem, neste caso, fizeram as coisas em condições e foi uma boa surpresa. It acaba por estar bem construído, muito bem equilibrado e conseguir pregar uns sustos valente aos mais desprevenidos ou pelo menos aos não-habituais do género. Não exagera no terror e no gore e também não desilude no suspense. Convém relembrar o enredo de It. No final dos anos 80, um grupo de miúdos da pequena povoação de Derry, no Maine é perseguido por um palhaço assassino que afinal não é mais que um monstro metamorfo que vive nos esgotos e que sentindo o medo das crianças, persegue-as e devora-as. Dito assim, facilmente poderia descambar para uma nova grande borrada cinematográfica, mas Andy Muschietti consegue equilibrar muito bem o terror sanguinário explícito com a força das histórias dos miúdos e assim presentear o público com um filme de terror que tem alguma estrutura e miolo. Podia muito bem ter seguido o "guião" oficial do filme de terror de teenager, mas felizmente conteve-se e decidiu criar um novo caminho. Ainda bem...
Nos papéis destinados aos sete miúdos do grupo dos "loosers", Jaeden Martell, Jeremy Ray Taylor, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Chosen Jacobs, Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff foram uma excelente escolha de casting para entrarem em confronto directo com o terrível palhaço Pennywise. Apesar de todos os efeitos especiais envolvidos, a grande figura de It é mesmo Bill Skarsgård, o actor por trás do monstro. Mesmo com aquela make-up toda, Skarsgård consegue fazer transparecer carisma e especialmente um medo ao mesmo tempo "inocente" e primordial. Muito bem conseguido.
Apesar de ser mais um reboot (neste caso até foi totalmente necessário para dar crédito à história do mestre King), It acaba por ser um bom filmito de terror. Não é nada do outro mundo (tal como o palhaço Pennywise), mas vê-se muito bem. ●●○○


PS: Obviamente não é coincidência, mas convém ressaltar o facto do remake aparecer... 27 anos após o primeiro filme. Tal como acontece com o macabro palhaço Pennywise. Foi um bom pormenor do estúdio.
Na capítulo do terror, há um nome incontornável: Stephen King. Ponto. Aliás, ponto final, parágrafo. Para mim é o derradeiro criador das histórias de terror. Stephen King é um senhor e como tal sou grande fã. Já li muita coisa dele e raramente desilude. O homem tem mesmo jeito para a coisa. Se os livros são muito bons, seria lógico que resultassem em grandes adaptações para cinema, até porque King tem uma escrita muito "visual" e em certos aspectos quase cinematográfica. Em princípio seria uma vantagem, mas como se sabe, isso não é verdade. Os filmes decorrentes dos livros de Stephen King têm alternado entre os muitos bons e os fraquitos. Mas o problema é sempre o tratamento cinematográfico, nunca a história.
Li muitos livros e vi muitos filmes "Stephen King" nos anos 80 e 90, talvez a altura mais profícua do mestre. Algures no início dos anos 90, lembro-me de me emprestarem um livro enorme com o título enigmático de "It". Era um "trambolho". Um livro gigante que parecia ter umas 1000 páginas. Como estava em inglês e como sabia que era sobre um palhaço assassino, acabei por ficar apenas pelas primeiras folhas. Não tenho nenhuma fobia com palhaços, mas também não tenho grande apreço pela figura. Não porque me metam medo, mas porque sempre tive... pena dos palhaços. Em miúdo ia ao circo e ficava sempre chateado quando entravam os palhaços. Não sei como são agora, mas nos anos 80, só havia um numero de palhaços: o rico e o pobre. O palhaço rico pregava partidas ao palhaço pobre que ficava sempre a perder e era o gozo de todos. Pode parecer estranho, mas aquela situação sempre me angustiou. Ver ali uma pessoa a ser atirada ao chão, a levar chapadas e basicamente a ser gozada por toda a gente, deixava-me sempre triste. Devo ser empático demais, porque aquela situação era sempre muito constrangedora. Não gostava nada daquilo. Assustador, nunca é a minha primeira palavra para palhaços. É mais pena. Mas adiante...
Isto tudo para dizer que não gosto muito de palhaços e que por causa disso nunca li o It, apesar de estar na minha lista há anos. Mas pouco tempo depois da cena do livro, num video-clube qualquer apanhei uma cassete dupla (nome muito pouco técnico que se dava a filmes que vinham em duas cassetes por terem durações muito longas [e sim, havia uma limitação na fita magnética dos VHS...]) com a adaptação para filme do It. E desta vez, lá estava o palhaço demoníaco na capa. Pareceu-me bem, até porque nessa altura, terror era o meu tema de eleição. A expectativa era alta. A decepção foi ainda maior. Quando me emprestaram o livro foi com a premissa de que era mesmo muito assustador. Já o filme não foi assim tanto. Na altura, talvez eu estivesse tarimbado para outro tipo de terror mais hardcore, mas aquilo pareceu-me tudo muito fraquinho. Os efeitos especiais até eram jeitosos (para a altura), mas o susto era pouco. Era um bloco enorme e maçudo que pareceu arrastar-se lenta e penosamente durante mais de 3 horas, com muito pouco terror e uma história muito confusa que abarcava décadas da história dos sete miúdos e do palhaço Pennywise, cheia de flashbacks e flashfowards... que descamba no final, inesperadamente, em lutas nuns túneis contra uma aranha extraterrestre gigante... WTF?!? Para ser directo: naquela altura, detestei o filme. Pensei que tinham corrompido mais uma vez a escrita genial do Stephen King. Mas depois confirmei que a história era mesmo aquela e pelos vistos até era bastante fiel ao original, o que nem sempre aconteceu noutras adaptações. It ficou-me como sendo um espinho na reputação de King. Durante anos, usei-o como o exemplo de que até os grandes mestres, por vezes, metem água. Mas uma coisa é o livro, outra coisa é o filme. E o It sempre me ficou como um filme mau, penosamente longo e extremamente chato. Só anos mais tarde é que descobri que, afinal, o que tinha visto era uma mini-serie de TV, numa versão "colada" (dos dois episódios da série) como se fosse um só filme. Mas nem isso justificava a pouca qualidade e principalmente, a baixíssima intensidade do filme de Tommy Lee Wallace. Sendo que o vi para aí em 1991, admito que já pouco me lembro para quantificar porque é que era mau. Harry Anderson, Dennis Christopher, Richard Masur, Annette O'Toole, Tim Reid, John Ritter, Richard Thomas já nada me dizem. Tive de me socorrer da net para me lembrar das caras. Apenas Tim Curry como Pennywise é memorável. Nesse aspecto, é irrepreensível. A make-up e a interpretação de Tim Curry foram o suficiente para nunca mais me esquecer do It e do Pennywise. A trupe dos miúdos também retive. Naquela altura, havia uma série de miúdos que eram recorrentes em filmes como Emily Perkins, Ben Heller, Brandon Crane, Jonathan Brandis e Seth Green e que acabaram por me ficar na memória. Não faço a mínima ideia por onde andarão hoje em dia, mas é provável que ainda façam uns papéis secundários por aí. Ou talvez não. Mas tirando o grupo dos miúdos e o Pennywise, pouco mais mais restou na memória. O que é muito pouco. O resto foi demasiado fraco para perdurar na memória. Mas ainda assim, face ao sucesso do recente remake, acho que merecia destaque e uma nova reposição iria dar-lhe novos méritos.  ○○○

Costumo dizer que no cinema as coisas acontecem mais ou menos sempre da mesma forma. Seguem as mesmas fórmulas. Hoje em dia, a praga das sequelas espalhou-se com uma erva daninha, mas as raízes já vêm de trás. Predator não fugiu à regra e devido o sucesso do primeiro filme, era quase obrigatório haver um Predator 2. E foi exactamente o que aconteceu. Se fosse hoje, o Predator 2 seria exactamente o mesmo filme mas com novos actores secundários (para morrerem) ou apenas passavam duma selva tropical sul-americana para um selva tropical asiática para aproveitar o elevado número de moviegoers daquela região. A grande diferença dos anos 80 e 90 para agora é que os estúdios tentavam fazer a sequela acrescentando novos elementos. Assim, Predator 2 salta da selva tropical sul-americana para a selva urbana de Los Angeles e mistura-se com o que era um grande problema na altura, as lutas urbanas de gangs. Não conseguindo trazer novamente os músculos do Schwarzenegger para a sequela (nessa altura, protagonizar sequelas era uma vergonha!) a produção virou-se para Danny Glover. A mudança de ares e protagonistas é tão drástica que a única coisa que une as duas histórias é mesmo a personagem do Predador. Nesse aspecto, acabou por ser positivo porque teve mais tempo de antena e mais desenvolvimento. Parece que não, mas isto criou toda a história anterior do "vilão". Não me pareceu que fosse totalmente intencional, mas acabou por resultar bem. Tirando isto, Predator 2 acaba por sofrer de sequelite aguda. Perdeu o efeito surpresa, perdeu o suspense e perdeu os pesos pesados nas personagens. Apesar de Gary Busey, Rubén Blades, Maria Conchita Alonso e Bill Paxton darem uma boa continuidade à história, não conseguem ser tão memoráveis quanto os protagonistas originais. As cenas de acção e terror escapam mas não trazem nada de novo, sendo que o suspense simplesmente acabou absorvido pelas cenas de acção. Stephen Hopkins, um realizador mais virado para o filme de terror nunca conseguiu encontrar aquele equilíbrio perfeito que John McTiernan conseguiu com o primeiro filme.
Não admira que Predator, como "franchise" (como tanto gostam os estúdios de chamar a estes fenómenos de bilheteira), tenha ficado por aqui. A isto também não é alheio o facto de (ao contrário de hoje em dia) o público de cinema querer mais coisas novas que sequelas infinitas. Predator 2 ainda continua a ser um bom filmito de acção/terror mas serve mais com um complemento ao primeiro filme do que propriamente de sequela. Apesar de estar num patamar inferior ao primeiro, Predator 2 ainda tem méritos e aspectos positivos e é absolutamente visível. ○○○

Mesmo com todos os exageros, os anos 80 produziram algumas mais icónicas criações do cinema. Uma das figuras que é impossível não mencionar é o Predador. Nada mau para um "banal" filme de acção e gajos musculados de ginásio... Na realidade, Predator não é assim tão "banal".
Este foi um filme que já vi na fase VHS, ou seja, numa altura em que ver filmes no cinema já era uma coisa rara. Foi pena. Gostava de o ter visto num ecrã a sério e não na Grundig da sala que teria o mesmo tamanho que alguns tablets actuais. Mas isso não invalida que tenha ficado siderado com o filme. Foi uma surpresa total. Numa altura em que os filmes de acção seguiam sempre o mesmo guião e a mesma linha de história (é mais ou menos como hoje em dia: bom contra mau e no final, o mau perde, o bom ganha e fica com a rapariga) ver o Predator a começar assim e lentamente introduzir elementos da ficção científica foi uma enormíssima surpresa. Melhor ainda, o "mau" do filme tornaria-se com o tempo num dos grande ícones do cinema. Nada mau para um "monstro" que só tem para aí uns 8 minutos de tempo de ecrã.
Tal como do Alien (e não faço grande distinção em termos de valor), como sempre fui fã do Predador, ao longo do tempo fui descobrindo umas coisas acerca desta horrenda criação cinematográfica. Por exemplo, descobri que Van Damme foi "o" Predator durante uns 2 dias. Curiosamente, em algumas das primeiras cenas com aquele manto de invisibilidade espacial, é de facto o Van Damme que lá está por baixo da fatiota... O que li acerca da desistência de Van Damme do filme, foi que ele não queira aparecer como "não creditado" e ainda por cima, todo o "monstro" original foi completamente redesenhado, o que levou ao seu abandono das filmagens. Ainda bem, porque já a vi a versão original e era ridícula; já a versão final do monstro tornaria-se lendária. Li também que o mago dos efeitos especiais, Stan Winston, criou o monstro final, mas teve a ajuda de um gajo em particular: James Cameron. Pelos vistos, encontraram-se fortuitamente numa viagem de avião e quando Winston lhe mostrou o novo design do Predator, Cameron sugeriu acrescentar alguns novos pormenores como as mandíbulas extra e aquela fronha horrível. Este pequeno momento resultante de um encontro fortuito, trouxe para o cinema uma das melhores cenas de sempre, que é quando o Predator tira a máscara (também ela muito bem desenhada) e finalmente mostra a face alienígena. Épico e memorável. Goste-se ou não, é muito raro eu encontrar uma pessoa que nunca tenha visto essa cena.
Apesar de ser um "típico" filme de acção, Predator segue as mais as passadas rítmicas do género siege-movie. Uma série de musculados comandos americanos vão sendo caçados um a um e dizimados por uma força desconhecida na densa floresta sul-americana. Um pequeno à parte para dizer que Predator é estranhamente uma co-produção México-americana. O que faz todo o sentido, porque sem os recursos digitais de hoje em dia, quando alguém nos anos 80 queria fazer um filme visualmente verosímil passado numa floresta sul-americana, tinha mesmo de ir filmar para uma floresta sul-americana. Assim, também se percebe um pouco melhor a posição do Van Damme: não deve ser nada fácil andar com uma fatiota hiper-quente numa verdadeira floresta tropical. Consta-se que ele desmaiava com o calor extremo dentro do fato. Não sei se esse parte é verdadeira ou não, mas também não estranharia se o fosse. Outros tempos em que não havia fundos verdes para filmar...
Para Predator, juntaram-se os mais musculados e carismáticos gajos dos filmes de acção da altura: Arnold Schwarzenegger, Carl Weathers, Bill Duke, Jesse Ventura e Sonny Landham. Elpidia Carrillo cria o único elemento de fragilidade em todo o filme, enquanto Kevin Peter Hall cedeu o seu extraordinário tamanho para dar corpo e movimento ao Predator. Mais uma pequena curiosidade: Shane Black aparece numa pequena participação secundária. Não sendo uma personagem muito conhecida do grande público, é um actor e guionista com alguma carreira  (os Lethal Weapons são dele) e iniciou-se há uns anos na realização (Iron Man 3 e a porcaria recente que é The Predator são da sua autoria).
Predator é um must na classe dos filmes de acção. Em cima da acção, ainda posso destacar o suspense e o terror como temáticas onde pode facilmente encaixar. Está muito bem equilibrado por parte do John McTiernan, outro gajo com muito currículo e um gajo que gosto particularmente porque dá sempre um toque especial aos filmes de acção. Até a banda sonora original de Alan Silvestri merece destaque, uma raridade no mundo dos filmes de acção, em que tudo está direccionado para as porradas e as explosões. ●●●●○

PS: Fica aqui a diferença dos trailers actuais versus os trailers da altura. Dá que pensar. Parece que antigamente não ligavam muito aos trailers. Hoje em dia, parece que fazem primeiros os trailers e só depois é que vão preencher as lacunas para dar um filme inteiro... Não admira que antigamente uma pessoa ficasse positivamente surpreendida com os filmes; os trailers eram medonhos e terrivelmente mal feitos.



PS 2: Como não ligo nada a memes e "coisas divertidas" da net, só agora fiquei a saber que um dos memes mais populares de sempre é a frase do Arnold Schwarzenegger tirada do Predator: "Run! Get to the choppa!"... Coisas modernas... Don't get it...
Este Suspiria de Dario Argento é um filme que já queria ver há muito tempo. Desde o tempo em que "vivia" em video clubes que Suspiria era um filme no topo da minha lista de filmes obrigatórios para ver. Muito cedo me "especializei" nos filmes de terror porque aliavam o "salto" inesperado na cadeira com a magia do cinema que eram os efeitos especiais. Naquela altura de teenager desmiolado não haviam muitos blockbusters de "acção e efeitos" daí que essa lacuna era preenchida essencialmente com os filmes de terror. Como em tudo na vida, havia os bons e os maus, e no caso específico do terror, que é muito mais polarizado em termos de qualidade, existiam os péssimos e os óptimos filmes. Dentro dos óptimos filmes de terror, há uma classe muito específica que são aqueles poucos que ficam para a história. Pode parecer estranho dizer isto, mas desde muito cedo percebi que os filmes de terror estão numa classe à parte dos restantes. Logo à partida porque não são coisas agradáveis de ver. Sejam do tipo sobrenatural, slasher ou gore, este filmes não são muito apelativos. Quer dizer, são apelativos, mas é a um nível visceral, muito primitivo e quase instintivo. É como parar para ver um acidente. Imagino mais ou menos o que leva as outras pessoas a meterem-se numa sala de cinema para ver coisas horrendas, mas no meu caso era 20% excitação primitiva, 80% movie magic, que é como quem diz, queria ver como faziam os efeitos especiais, como é que aquilo funciona, como é que se escondia a parafernália técnica para as cenas parecerem reais. Bem... acho que estou a divagar novamente.
Voltando ao Suspiria. Este é um dos filmes que está sempre mencionado como filme obrigatório para qualquer fã do género de terror, e não só. É sempre considerado uma obra prima, um filme de qualidade superior, algo totalmente inovador e ao mesmo tempo aterrador. Numa reposição da RTP2, finalmente tive a oportunidade de vê-lo. Obviamente foi uma decepção, mas já era mais ou menos esperado. Tenho perfeita noção que algumas coisas funcionam no tempo e no espaço certo. Fora do "ambiente" de estreia simplesmente a coisa perde valor. É por isso que na minhas classificações tomo em conta o factor "tempo" e como ele afecta a qualidade de um filme. Sendo um filme dos anos 70, de génese "italiana" e ainda por cima de terror, já sabia que o impacto que teria em mim (na actualidade) nunca seria o mesmo se o visse quanto tinha 15 anos. E confirmou-se.
Há de facto muitos méritos em Suspiria, a começar pela história estranha e original de uma bailarina americana que vai frequentar uma reputada academia alemã de dança, apenas para descobrir que tudo é uma fachada para esconder um bando de bruxas sedentas de sangue... De certa forma, consigo recolocar-me nos anos 70 e avaliar o filme dessa perspectiva no tempo. A história, a ambiência, o uso das corres vividas (e berrantes) e os efeitos especiais comparado com outros filmes da mesma altura estão de facto numa nível diferente e superior. Tudo é muito mais polido do que era normal nos filmes de terror da época. O trabalho de câmara de Argento, por exemplo, é algo que ainda se destaca em comparação com muitas produções actuais. Isto é o positivo, mas por outro lado, aquela música hiper-irritante dos Goblin, o gore extremo típico dos "italianos" dos anos 70 e aquele sangue pastoso cor de groselha estragam tudo o que de bom o filme tem.
Jessica Harper, Joan Bennett, Stefania Casini e um dos meus gajos preferidos de todos os tempos, Udo Kier, acabam por se tornar secundários às mãos de Argento. O ênfase está tão relacionado com a tensão, a música e a estética que os actores acabam por ficar reféns dessa técnica. Para mim, foi outro ponto negativo. Se tivesse visto Suspiria no tempo certo, muito provavelmente teria outra opinião, mas as coisas são o que são. Ainda assim é um filme que recomendaria, mas apenas para críticos e verdadeiros amantes de cinema. ●●●○

Depois de um evento traumático, a relação de um jovem casal americano está por um fio. Dani vive constantemente com o passado e com a tragédia na cabeça e não se sente propriamente enquadrada na realidade mundana, nem no grupo de amigos do namorado. Mas tudo muda quando decide fazer-se de convidada e acompanhá-los numa viagem para assistir a uma festividade pagã numa remota aldeia da Suécia, a terra-natal de um amigo. O que começa como umas agradáveis férias de verão numa terra idílica de céus azuis e em perfeita ordem estética, lentamente se vai transformar em algo muito estranho...
Normalmente não escrevo enquanto ouço música, mas por vezes lá acontece. Curiosamente, a minha playlist fez uma passagem muito interessante do "Inverno" de Vivaldi para a "Lacrimosa" do Requiem de Mozart. E é a banda sonora perfeita para escrever sobre este Midsommar. Não porque tenha algo que ver com o filme, mas porque me recorda que o Inverno para além de majestoso é também mortal. Para pessoas "mediterrânicas" como eu, o inverno é mesmo perigoso. Deprime-me e deita-me completamente abaixo. Não "vivo" no inverno, apenas lhe tento sobreviver até que os dias quentes cheguem novamente. Daí que uma das minhas muitas teorias me diga que os habitantes do norte gelado e levam com uma "vida invernal", são naturalmente deprimidas e moldadas numa certa "escuridão da alma" pela dureza do clima. Faço-me entender? Talvez não, mas também não interessa. O frio deve-me estar a afectar os pensamentos. Nos filmes "de inspiração nórdica" é pelo menos essa a sensação que passa, o que me leva novamente a Midsommar.
Esta é uma história estranha e que dá que pensar. Tradições enraizadas, rituais cristalizados pelo tempo, comunas e pequenas comunidades alternativas. Tudo isto tem um lado estranhamente assustador e violento que parece sempre latente. Enquanto assistia aos estranhos eventos e rituais daquela peculiar comunidade, pensava como era possível as pessoas de fora conseguirem encaixar mentalmente o que acabaram de ver. Enquanto alguns convidados "exteriores" se sentiam revoltados e queriam sair, outros, talvez por estudarem antropologia ficavam fascinados pelos acontecimentos que se desenrolavam.
Extrapolando para além do filme, de facto isto - as tradições e os rituais locais - é algo estranho. Um estrangeiro que chegue aqui a uma aldeia remota no interior para assistir a uma matança do porco, em que alguém literalmente espeta um facalhão enorme directamente no coração de um porco (que diga-se é um animal gigante, o que faz com que o evento seja ainda visualmente mais violento) e o sangra até à morte, de certeza ficará imensamente chocado. Pelo menos eu quero acreditar que sim, porque a única vez que assisti a uma coisa destas fiquei traumatizado para a vida. Apesar das discussões que possam surgir em torno da questão do bem-estar animal e afins (se bem que num matadouro industrial as condições estão ao mesmo nível, mas apenas escondidas dos olhos do público...), para mim, a principal questão é a da normalização social. No dia-a-dia um gajo assiste a coisas que não são nada normais, mas tolera-as e muitas vezes até as justifica porque estão cristalizadas como ritual ou tradição. E, com isto, coisas maradas da cabeça como a matança pública do porco ou as touradas em que se persegue um touro e se lhe espeta ferros no lombo acabam por ser "normais" e até material de entretenimento. Mas podia entrar noutros estranhos comportamentos, mas mais "subtis" como o celibato, por exemplo, para chegar à conclusão que por muito que uma coisa seja estranha, ela deixa de o ser se for aceite socialmente por um grupo relativamente grande.
Por outro lado, penso sempre como é que as pessoas entram assim em cultos esquisitos como este e acabam por abraçar aquilo e ficar como que hipnotizadas. Em parte, este Midsommar é um mapa para entender todo o longo caminho que é preciso percorrer para se chegar ao ponto de normalizar comportamentos que numa situação de "dia-a-dia" seriam completamente reprováveis. Este é o caminho da personagem de Pugh, o que em certa parte faz entender porque é que no final se a vê a sorrir, quando até ali, parecia viver numa profunda depressão. Por vezes, é nos sítios mais recônditos e estranhos que uma pessoa se sente acolhido e compreendido. Acho que é daí que vem aquele sorriso feliz e verdadeiramente sincero.
A história é tão recheada de pormenores e tão complexa que daria facilmente para uma dissertação bastante longa sobre a religião, os cultos, as tradições, mas também sobre a depressão do e no mundo moderno, a ostracização e a aceitação social. Para além de estar muito bem escrito, achei verdadeiramente brilhante a "criação" do culto. É tão recheado e pormenores, tão bem estruturado e tão complexo que parece que de facto, algures numa idílica aldeola sueca, existe mesmo aquele grupo de pessoas estranhas.
Assente neste belo trabalho de pesquisa antropológica e de desenvolvimento da história, está o trabalho não menos brilhante do surpreendente Ari Aster, que é obviamente um realizador para manter debaixo de olho. Midsommar está muito bem feito e recheado de excelentes pormenores de realização, suportado por uma banda sonora poderosa e quase visceral que deixa um gajo sempre de cabelos em pé e o coração com uma batida forte. E ainda falta mencionar as muito boas interpretações de Jack ReynorWill PoulterVilhelm Blomgren e William Jackson Harper, sendo que o destaque em termos de actores tem mesmo de ir para Florence Pugh que tem aqui um desempenho brilhante. Do melhor que já vi nos últimos tempos.
No geral, gostei bastante. Apenas não o considero perfeito porque a determinada altura estava a ser tão bom, tão denso e hipnótico que fiquei à espera de mais, de algo ainda mais surpreendente e chocante. Mas isso sou eu que sou um bocado picuinhas, e porque depois daquele início extremamente possante fiquei à espera dum final (ainda) mais apoteótico... o que obviamente não aconteceu comigo...  É a eterna questão da expectativa versus realidade.
Apesar deste pequeno reparo, Midsommar é totalmente recomendado. É um filme que consegue fazer um equilíbrio estranho entre o fictício e o real e entre o macabro e o belo ao mesmo tempo. É inesperado e deixou-me a pensar, o que é sempre algo positivo. Se alguém por aqui gostar de cultos solares estranhos e tradições ocultas, e não tiver grandes problemas a assistir a cenas de sexo ritual, homicídios e suicídios, então este Midsommar é um filme a não perder. E que comecem as festividades... ●●●●○

Um jovem casal (Kelly Reilly e Michael Fassbender) faz uma viagem de férias até ao idílico Eden Lake. O sítio é espectacular, com um lago de águas calmas rodeado de uma belíssima paisagem natural. Tudo corria perfeitamente bem até que os gunas do local (Jack O'Connell e restantes miúdos) aparecem para estragar tudo... E aí a paisagem muda da beleza natural para a dor, para a frustração, para a raiva e para a sobrevivência. Tenho que admitir que tive de parar o filme a meio. Estava a dar-me cabo dos nervos e do estômago. Na ruralidade mais profunda deste país já estive perante situações que parecem o início de Eden Lake, daí que o filme estivesse a "afectar-me" psicologicamente e até fisicamente. Mas lá retomei o filme e fiquei ainda mais desconcertado. O guião exagera nas peripécias, na imprevisibilidade e tudo o que pode correr mal, corre ainda pior, mais violento e mais gore. James Watkins, o realizador, parece que tem prazer em fazer aqueles dois personagens sofrer... e a mim também.
Resumidamente, Eden Lake é uma dor contínua de filme, muito difícil de ver até ao fim. Já agora, odiei o final. Mas odiei no "bom sentido". É uma espécie de Deliverance brit, exagerado mas bem feito. Uma agradável surpresa desagradável. Vendo o final percebe-se o que quero dizer... Recomendado apenas a mentes e estômagos mais fortes... ●●●○○


Em meados de século XVIII, a vila de Gévaudan em França esteve envolvida num mistério macabro. Um monstro andava a matar aldeões indiscriminadamente e a semear o pânico na população da zona. Para resolver o mistério, o rei francês envia Grégoire de Fronsac e Mani, o seu fiel guerreiro Mohawk. O que encontram é surpreendente...
Um bom filmito, este Le Pacte des Loups. Boas cenas de acção, suspense e uns pozinhos de terror,  tudo envolvido numa aura de misticismo. Muito bem realizado por Christophe Gans, assente num guião muito bem escrito. Para o sucesso dum filme destes, assim mais para o comercial, é preciso ter sempre bons actores e nesse caso há a participação (boa) de Samuel Le Bihan, Mark Dacascos, Jérémie Renier, Vincent Cassel e Monica Bellucci, como sempre, a destilar sensualidade para o mundo...
Gostei e recomendo. ●●●○○

Apesar de todas as polémicas recentes, continuo a ser um apreciador dos trabalhos de Lars Von Trier. As borboletas entram em histeria no meu estômago antes de ver um "Von Trier", mas mesmo assim não resisto a ver. É um daqueles prazeres obscuros que é mais forte que eu. Quando li que o Lars ia fazer um filme sobre um psicopata, entrar dentro da sua mente e mostrar o crescimento de um assassino em série, pensei para mim: "Bem é melhor ir reforçar o meu stock de protector gástrico. Isto vai ser dureza...". Fui então ver The House That Jack Built, mas estranhamente, não aconteceu nada disso. Até é um filme relativamente "mole" (vindo de quem vem)... apesar de continuar a ser um filme "difícil" de ver...
É mais uma belíssima composição visual com fantásticos diálogos. Excelente realização como sempre, com actores de outro nível como o grande Matt Dillon, o grande Bruno Ganz e a grande Uma Thurman, entre tantos outros. Tudo muito bom e não me desiludiu nada. Mas o que mais estranhei foi ser um filme do Lars Von Trier. Por outro lado (e posso estar a imaginar coisas) tudo me pareceu extremamente críptico e cheio de segundos significados.
Após as recentes polémicas, parece que Lars Von Trier está a dar sinais exteriores. Às acusações constantes de misógino, ele arranjou uma solução óbvia: um serial killer à "maneira clássica de Hollywood". Pode parecer contraditório, mas quem o vai criticar por isso, quando o cinema moderno está hiper-povoado de serial killers que perseguem criancinhas e mulheres indefesas? Quem o criticasse pela escolha, teria de "enterrar" milhares de slashers e filmes de culto dos mais prestigiados realizadores que ao longo dos anos levaram milhões de pessoas às salas de cinema. Esta escolha por um serial killer não me parece nada inocente. Depois há, aparentemente, uma mensagem "interna". Parece que está a criar um novo manifesto, mas desta vez anti-Dogma95. Parece-me que ou quer acabar, ou quer questionar o seu próprio manifesto. Ou também pode-se dar o caso de estar a ficar sem financiamento e a tentar piscar o olho ao pessoal do dinheiro e dizer que também consegue fazer uns filmes mais ou menos "normais" em que o público não saia a correr deprimido ou a vomitar da sala de cinema. A inclusão constante de Fame de David Bowie pode ser a maior pista disto mesmo (o manifesto supostamente não permitia a inclusão de músicas na pós-produção), mas os efeitos especiais no final e uma série de outros pormenores indiciam que Von Trier se chateou com o grupo que ele próprio ajudou a criar. Ou então, lá está, como dizem os americanos, "money talks, bullshit walks". Não sei. Sinceramente, acho que o problema não é dinheiro. Acho que o problema é o carácter redutor do próprio manifesto e Von Trier já anda a lutar com ele há muitos anos. Parece-me é que decidiu agora dar-lhe a machadada final. Mas isto já são questões laterais...
Não sei muito bem porquê, mas sempre gostei quando os realizadores incorporam stock-footage nos filmes. Isso acontece muito por aqui. Mas há uma parte no final em que o stock-footage é de outros filmes do Lars Von Trier como Europa, Breaking the Waves, Dogville e outros. Apesar de ser mais uma das reflexões internas do Jack sobre a arquitetura e a arte, para mim soou-me a outra coisa. Vendo bem, todo filme é tratado como uma nova e estranha versão da Divina Comédia. A presença de Verge (Virgílio) não é coincidência. Jack comete os crimes e comenta-os com Verge que contra-argumenta ao mesmo tempo que lentamente o encaminha para o Inferno.
Estranhamente fiquei com a ideia de que este Jack é de alguma forma o próprio Lars Von Trier. Ele fez o seu próprio caminho de crimes (os filmes) e agora dirige-se para um Inferno de não-criação onde já não é mais possível criar sem entrar pelo circuito comercial, simbolizado pela recorrente Fame do David Bowie... Não sei... Se calhar estou a ver coisas onde elas não existem e a tirar significados que... Bem, acho que estou a divagar novamente. E demais.
Em relação a The House That Jack Built, a única coisa que posso dizer é que gostei sem ficar deslumbrado. Até gosto deste tom negro, que para além de não ser tão avassalador como seria de esperar, até tem uma qualidade mais refinada, mais polida. Em uma ou outra situação, entra até num tom irónico, quase cómico, o que diga-se, foi uma coisa estranhíssima. Para além de dores de barriga e desconforto, nunca na minha vida pensei esboçar um mini-sorriso a ver um filme do Von Trier.
Só há duas formas de apreciar os trabalhos do Lars: ou se gosta ou se detesta. Não há meio termo. Estou há muitos anos no primeiro grupo. The House That Jack Built, nem é dos meus filmes preferidos, mas veio cimentar - mais uma vez - Lars Von Trier como um dos melhores realizadores das últimas décadas. Muitíssimo recomendado. ●●●●○

Uma mãe em trabalho de parto que perde o marido a caminho do hospital. Um miúdo com problemas de comportamento. Uma mãe solteira e viúva. Um filho rebelde que vê monstros no escuro. Uma mãe que começa a acreditar que os monstros pode ser reais... Esta é senha macabra para entrar no mundo assustador do Babadook, a estreia absoluta de Jennifer Kent como realizadora. E que grande estreia, digo eu. The Babadook é bom filme de terror. Muito bem feito, com muito suspense à mistura e assustador o suficiente para conseguir levantar uns pelos na nuca...
Já fui um consumidor exagerado do género de terror, mas após décadas de slashers foleiros e festivais gore, comecei a enjoar e é muito raro ver um filme de terror. Mais raro ainda, é gostar. O que é o caso. Não tem os clichés do costume e é muito provavelmente um filme de terror que não agrada a adolescentes. Aqui não há jump-scares para assustar; aqui o medo vem das acções estranhas e extremadas dos intervenientes. Muito bem escrito. Muito bem realizado. Excelente ambiência. Boa fotografia. Bom design. Grande tensão. Bons actores. Essie Davis e Noah Wiseman têm uma química enorme e "partem a louça" toda. Recomendo, mesmo para quem não é muito fã do género. Mais um bom exemplo de que se pode fazer um bom filme com muito pouco dinheiro. Tudo muito bem feito. ●●●○○

Joe Dante e Chris Columbus (e também "dedinho mágico" de Steven Spielberg) juntaram-se seis anos mais tarde (a maluqueira das sequelas obrigatórias após o sucesso do filme original ainda não estava totalmente na berra) para dar continuidade à história dos Mogwais e dos Gremlins. Desta vez, o caos vai-se apoderar dum arranha-céus super-tecnológico em Nova York que é propriedade do magnata Daniel Clamp (não será Donald Trump?!?) e onde se fazem experiências genéticas e outras coisas pavorosas...
Nesta sequela, a juntar aos já repetentes Zach Galligan e Phoebe Cates, juntam-se John Glover e o lendário Christopher Lee.
Esta segunda entrega, apesar de maior e mais artilhada de efeitos não teve o mesmo sucesso do primeiro filme. O público dos anos 80 era ligeiramente diferente do actual. Não queria estar sempre a ver as mesmas coisas. Queria coisas novas e diferentes de cada vez que ia ao cinema. Se fosse hoje em dia, os Gremlins já tinham um franchise bem estabelecida e já estaria em produção o Gremlins - Episódio XIX!!! Em parte, ainda bem que tudo ficou por aqui. É que só lhe acrescenta valor...
Apesar de ser mais do mesmo, Gremlins 2: The New Batch (que muitos críticos consideram ser um dos melhores exemplos de boa continuidade e de como uma sequela deve ser feita) continua a ter argumentos próprios, continua a ser divertido e por isso vê-se bastante bem. ●●●○○

Não sei se foram as drogas psicadélicas dos anos 70 a terem efeitos inesperados ou o boom económico dos anos 80, mas realmente aconteceu um crescimento exponencial no cinema de entretenimento. Ao mesmo tempo, apareceram as ideias mais estranhas e criativas que me lembro, assim como misturas imprevisíveis e surpreendentes de géneros tão díspares como o a comédia, a fantasia e o terror. Um dos exemplos é este Gremlins e dispensa apresentações muito longas.
Um rapaz recebe de prenda um estranho animal vindo das profundezas misteriosas de Chinatown. Esse estranho, fofo e adorável "bicho" é um Mogwai e tem algumas particularidades muito próprias: não pode ser exposto a luzes muito fortes, não pode ser molhado e nunca, mas nunca, pode ser alimentado depois da meia-noite. Se a luz intensa o pode matar, a água faz com que se reproduza. Já alimentá-lo após a meia-noite faz com se transforme num pequeno e perigoso diabrete conhecido com Gremlin.
Não sei se foi a ideia ou os efeitos "revolucionários" para a altura, mas o que é certo é que foi um mega sucesso dos anos 80 e que se tornou num verdadeiro fenómeno pop que ainda hoje perdura. E para um filme ser um sucesso de bilheteira quando foi lançado ao mesmo tempo que os Ghostbusters (no mesmo dia!) e o Indiana Jones and the Temple of Doom é porque teve méritos mais do que suficientes.
Zach Galligan, Phoebe Cates, Corey Feldman e o mítico Dick Miller lutam incessantemente para livrar a sua pacata vila desta invasão incontrolável de Dick Miller .
Chris Columbus na escrita e Joe Dante na realização criaram um filme que criou raízes com o tempo e que para além da história criativa, mesmo tecnicamente ainda é um filme com argumentos suficientes para se "aguentar" nos dias de hoje. Também não será coincidência que Steven Spielberg, o mago visionário e criador dos blockbusters "actuais", estivesse nos bastidores como produtor...
Foi um dos primeiros filmes que vi no cinema e por isso tem uma carga gigante de nostalgia associado. Só posso dizer: Gremlins forever. ●●●●○

O enredo de base de A Quiet Place é simples e já muito batido. O mundo foi invadido por extraterrestres que caçam com base no som e uma família isolada tem que lidar com alguns deles para poder sobreviver num cenário pós-apocalíptico. Vi este filme a contra gosto e com expectativas muito baixas, porque pensei que ia ver outra chacha de terror/acção/efeitos com adolescentes aos saltos entremeados por jump scares totalmente previsíveis. Foi-me indicado por um miúdo de 15 anos que gostou muito do filme e isso levou-me logo a pensar em parafernálias digitais infindáveis e acção estonteante e imparável. De certa forma, com aquela sugestão do miúdo, recuperei um pouco a fé na humanidade porque o filme é realmente bom e totalmente diferente do que estava à espera. Lá está... a questão das expectativas é muito importante nos filmes e na sua avaliação final... A acção vem precisamente da contenção da própria acção, o que diga-se, é muito raro hoje em dia. Suspense e montes de situações em que uma pessoa literalmente fica agarrado, em tensão, à cadeira é o que se pode esperar deste A Quiet Place.
Emily Blunt, John Krasinski, Millicent Simmonds, Noah Jupe e Cade Woodward compõe esta família sob pressão alienígena. A questão do som é de facto muito importante, tanto na questão familiar (a filha é muda e só comunica por linguagem gestual), mas também como um elemento extra de tensão...
Apesar de ser uma produção relativamente pequena, vale mais que muitos filmes de grande orçamento. É mais um bom filmito feito com recursos muito limitados, centrando a acção numa história muito bem construída e muito bem montada. Uma vénia para John Krasinski que para além de actor, assina também a realização. As cenas de tensão são muito boas, por vezes dramáticas e consegue afastar-se dos inevitáveis jump scares do costumeiro filme de terror. É uma lufada de ar fresco no género e no cinema de entretenimento em geral. Totalmente recomendado. ●●●○○

 
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