0483 An Officer and a Gentleman

Zack Mayo quer ser alguém na vida e por isso envereda pela carreira militar. Com um passado meio nebuloso e uma história familiar destroçada, esta é a sua última, e se calhar, única hipótese que tem para subir socialmente e desligar-se das suas raízes problemáticas. No entanto, a sua atitude desbocada, rebelde e explosiva não ajuda e entra em confronto com o sargento Foley, o que o leva a praticamente desistir. Pelo meio envolve-se com Paula, uma alma gémea "da base" que vive perto da base de treinos e que por sua vez tem em Zack a sua única hipótese de se desligar da família problemática e de uma vida inútil a trabalhar na fábrica de papel da zona. Juntos vivem uma conturbada e carnal história de amor.
An Officer and a Gentleman foi uma das grandes histórias românticas dos anos 80 e um enorme sucesso. Richard Gere era nesta altura um sex symbol e talvez o mais requisitado actor daquele período, e o que tinha os maiores sucessos. Pode ser coincidência, mas todos os filmes em que entrava eram um sucesso (quase) garantido. Aqui contracena com Debra Winger, com quem tem uma grande cena de sexo. Na década de 80 era normal nos "dramas românticos" haver cenas de sexo, bastante possantes, o que elevava a classificação do filme para restrito, mas isso era, estranhamente, um ponto positivo. No cinema, sexo é sempre problemático e restritivo, agora rebentar cabeças, cortar braços e eviscerar inimigos já é uma "coisa pacífica". Vá-se lá perceber... Também há David Keith (o amigo rico, mas ingénuo), Lisa Blount (a amiga aproveitadora sem escrúpulos) e Louis Gossett Jr. (o duro instrutor Foley), todos muito bons.
Taylor Hackford pegou na fórmula mágica da altura (uma história romântica dramática e conturbada para adultos, com actores jovens (que na altura era para aí na casa dos 30 anos!), uma música "de genérico" que conquistaria os tops mundiais (Up where you belong, do eterno Joe Cocker] e o final que o público queria...) e compôs um enorme sucesso de bilheteira que se mantém inalterado até aos dias de hoje. Muito bom. Identifico-me muito com a personagem do Zack Mayo, apesar das diferenças óbvias. E mesmo reconhecendo que esta não é nenhuma obra prima do cinema, é sem dúvida, um dos filmes da minha vida. ●●●●○

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