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Por vezes é bom ver qualquer coisa sem queimar muito os neurónios e simplesmente passar um bom momento. Foi por isso que se inventaram as comédias, não é verdade?
O professor Julius Kelp é um génio da química, mas no que diz respeito a relacionamentos sociais é um verdadeiro desastre. é introvertido, desastrado e entra em parafuso quando tem que lidar com outros seres humanos... Decidido a mudar esta situação, Kelp recorre à ciência e inventa uma poção que o altera radicalmente. Tal como na história de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, depois de tomar a fórmula mágica, Julius Kelp transforma-se em Buddy Love, um machão irritante cheio de auto-confiança. Claro que, sendo The Nutty Professor uma comédia, as transformações vão sempre ocorrer na pior e mais inoportuna altura.
Realizado e duplamente interpretado por Jerry Lewis, The Nutty Professor é o protótipo das comédias dos anos 60: leves, inteligentes e originais. Acima de tudo, originais. Apesar de não ser grande adepto das comédias, são grande fã do Jerry Lewis. Cresci a ver os filmes dele e continua a ser o meu standard para avaliar todas as comédias. Tenho um especial apreço pelo Jim Carey precisamente porque me lembra sempre o Jerry Lewis. Com as devidas diferenças, é como se fosse uma nova versão moderna do velho mestre.
Em termos de actores, para além do Jerry Lewis, também há Stella Stevens e Del Moore, mas o meu destaque vai para Kathleen Freeman, umas daquelas actrizes que tem décadas e décadas de trabalho como secundário. Acho que é sempre bom mencionar os actores de suporte porque muitas vezes são eles que seguram o filme para além do casting principal.
The Nutty Professor pode ser considerado uma paródia, uma comédia, um romance e, esticando muito o género, um filme de ficção científica. Bem, se calhar estou a exagerar um pouco... Mas seja como for, mesmo estando bastante marcado pelo tempo, acima de tudo, é um filme com o Jerry Lewis, um gajo que será sempre totalmente à maneira. Isso para mim basta. ●●○
PS: Há uns anos saiu um remake com o Eddie Murphy.
PS2: Este pedido peculiar do trailer, para não se revelar o meio do filme é uma brincadeira com o trailer de Psico, de Alfred Hitchcock que na altura pedia para se ver o filme apenas do início. Quem chegasse mais tarde à sala de cinema não poderia entrar...

Quando digo que vejo tudo, isso quer dizer que vejo mesmo tudo. Admito que enjoei um pouco os filmes de animação Disney porque têm um modelo pré-definido e não saem daquilo. Para um olho atento e treinado, vendo um, os outros são sempre iguais. É a receita infalível seguida pelos estúdios Marvel, apesar de quererem fazer passar a mensagem de que são diferentes, não sei muito bem porquê. Deve ser uma questão de bilheteira e quantidade de fanáticos... perdão: fãs. A similaridade é tão grande que a Disney até comprou a Marvel!. E percebe-se perfeitamente porquê: é o mesmo produto mas para estratos etários diferentes. Não vale a pena estar com merdas, é tudo igual, é a velha receita Disney, que quer se queira quer não, não falha. Desde aquele guião original do Toy Story que todos os filmes seguem o mesmo principio. Eu nem tenho grande problema com isso, mas ao fim de ver dúzias de cópias, acaba por enjoar e foi o que aconteceu. Mas não sei muito bem porquê, decidi voltar a ver mais uma Disneyrada.
Baseado no mundo dos videojogos de arcade (máquinas de jogos para os mais velhotes), Wreck-it Ralph está recheado de boas piadas (como sempre), muitíssimo bem escrito e com aquelas alfinetadas cirúrgicas de acção e comédia, que vêm sempre na altura certa... Lá está, é uma fórmula que nunca falha.
Falar de vozes de actores é sempre uma coisa estranha mas aqui destacam-se o brilhante John C. Reilly, Sarah Silverman e Jane Lynch. Tenho de admitir que gostei, até porque estes filmitos são tão inócuos que acabo sempre por gostar deles. Eu compreendo. É uma coisa cerebral. O filme acaba e uma pessoa fica com uma boa sensação. E isso também é importante e útil, desde que não seja totalmente "falso". É o caso. Vê-se bem e por isso provavelmente irei ver a obrigatória sequela. ●●○○○

Zack Mayo quer ser alguém na vida e por isso envereda pela carreira militar. Com um passado meio nebuloso e uma história familiar destroçada, esta é a sua última, e se calhar, única hipótese que tem para subir socialmente e desligar-se das suas raízes problemáticas. No entanto, a sua atitude desbocada, rebelde e explosiva não ajuda e entra em confronto com o sargento Foley, o que o leva a praticamente desistir. Pelo meio envolve-se com Paula, uma alma gémea "da base" que vive perto da base de treinos e que por sua vez tem em Zack a sua única hipótese de se desligar da família problemática e de uma vida inútil a trabalhar na fábrica de papel da zona. Juntos vivem uma conturbada e carnal história de amor.
An Officer and a Gentleman foi uma das grandes histórias românticas dos anos 80 e um enorme sucesso. Richard Gere era nesta altura um sex symbol e talvez o mais requisitado actor daquele período, e o que tinha os maiores sucessos. Pode ser coincidência, mas todos os filmes em que entrava eram um sucesso (quase) garantido. Aqui contracena com Debra Winger, com quem tem uma grande cena de sexo. Na década de 80 era normal nos "dramas românticos" haver cenas de sexo, bastante possantes, o que elevava a classificação do filme para restrito, mas isso era, estranhamente, um ponto positivo. No cinema, sexo é sempre problemático e restritivo, agora rebentar cabeças, cortar braços e eviscerar inimigos já é uma "coisa pacífica". Vá-se lá perceber... Também há David Keith (o amigo rico, mas ingénuo), Lisa Blount (a amiga aproveitadora sem escrúpulos) e Louis Gossett Jr. (o duro instrutor Foley), todos muito bons.
Taylor Hackford pegou na fórmula mágica da altura (uma história romântica dramática e conturbada para adultos, com actores jovens (que na altura era para aí na casa dos 30 anos!), uma música "de genérico" que conquistaria os tops mundiais (Up where you belong, do eterno Joe Cocker] e o final que o público queria...) e compôs um enorme sucesso de bilheteira que se mantém inalterado até aos dias de hoje. Muito bom. Identifico-me muito com a personagem do Zack Mayo, apesar das diferenças óbvias. E mesmo reconhecendo que esta não é nenhuma obra prima do cinema, é sem dúvida, um dos filmes da minha vida. ●●●●○

Ant-Man and the Wasp (de Peyton Reed), entra directamente na categoria de "não vou perder muito tempo a escrever sobre isto". Faço a mesma coisa que fazem com estes filmes: aplico-lhe a fórmula. É uma sequela mas tem ligação com o primeiro filme. É da Marvel. Tem toneladas de efeitos especiais e acção. Tem ligação com os Avengers. Tem Paul Rudd, Evangeline Lilly, Michael Peña e depois um trio fenomenal de actores como Michelle Pfeiffer, Laurence Fishburne e Michael Douglas para dar alguma credibilidade e meter nomes imponentes nos cartazes.
... e não tem mais nada. ●○○○○

 
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