0558 Woodstock

Vi um documentário muito bom na RTP1 sobre o fenómeno cultural que foi (e ainda é) o evento musical de Woodstock. De seu nome completo, Woodstock Music & Art Fair, foi um festival de música (e outros eventos culturais e artísticos) que se realizou na propriedade de Max Yasgur, na cidade de Bethel, no estado de Nova York, entre os dias 15 e 18 de Agosto de 1969. Na realidade, o festival deveria ter acontecido em Wallkill, mas como os moradores locais não aceitaram receber uma quantidade enorme de hippies, o evento foi transferido para a pequena localidade Bethel, a uma hora e meia de distância e a 70 quilômetros da cidade de Woodstock. O festival de música e artes surgiu como uma ideia de Michael Lang, John P. Roberts, Joel Rosenman e Artie Kornfeld, que queriam reproduzir o êxito de outros festivais que tinham frequentado em tempos recentes, com as melhores bandas do momento. Mesmo antes do evento começar foram vendidos 185.000 bilhetes sendo que a organização esperava um público total a rondar as 200.000 pessoas. Contra todas as expectactivas, apareceram mais de meio milhão de pessoas para assistir ao festival, o que obrigou em último caso a que se tornasse num evento gratuito, pois não havia forma de controlar as entradas nem de conter tanta gente num recinto.
Tinha a noção de terem actuado lá as melhores bandas daquele momento, o que na realidade não é verdade. Nomes como Ravi Shankar, Joan Baez, Santana, Grateful Dead, Creedence Clearwater Revival, Janis Joplin, The Who, Jefferson Airplane, Joe Cocker Jimi Hendrix fizeram parte do evento, juntamente com muitos outros nomes da altura. Não sendo um nativo daqueles tempos não tenho a noção da grandeza dos performers nem conheço grande parte deles, tirando os anteriores. Curiosamente, conheço bastante melhor os que ficaram de fora e não actuaram pelas mais diversas razões. Basta pensar que não tocaram em Woodstock bandas como os Rolling Stones, Frank Zappa, Simon & Garfunkel, Bob Dylan, The Byrds, Jethro Tull, Led Zeppelin, The Doors ou The Beatles.
Apesar de ser um documentário para TV, o valor e a profundidade histórica da produção é muito bom. Fiquei a conhecer por dentro um ponto cultural da música moderna, mas também da Humanidade. Dito assim pode parecer um exagero, mas vendo o documentário percebe-se perfeitamente o comentário. Em Agosto de 1969, a América vive em reboliço com a guerra do Vietname em plano de fundo e muitas mudanças sociais, sexuais e de direitos humanos a acontecerem ao mesmo tempo. E este foi um momento chave de afirmação e confronto, a favor e contra todos estes acontecimentos profundos que abalaram a sociedade americana, e tem que se admitir, por contágio, todo o restante mundo ocidental e em especial, a Europa. Não é por nada que o "evento" parece perdurar geração após geração e de alguma forma é absorvido por pessoas que nem sequer eram nascidas quando aconteceu, como é o meu caso.
A produção é enorme e o valor histórico pela recolha de testemunhos e imagens da época é inestimável. Woodstock foi muito bem escrito (por Barak Goodman e Don Kleszy) e muito bem realizado também por Goodman. Uma grande vénia também para o pessoal da produção, pesquisa de material e montagem porque merecem: fizeram uma trabalho excepcional. Um excelente documentário de visualização obrigatória. Totalmente recomendado. ●●●●○

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