Rodin foca-se na vida do famoso escultor num específico espaço de tempo e eventos. O momento é o da criação da famosa estátua de Balzac, na altura muito mal recebida, mas que agora é reconhecida como uma das obras mais importantes da escultura moderna. O evento é o romance tórrido e conturbado com Camille Claudel e a posterior separação entre ambos. Em pano de fundo surge também, uma obra escultórica que teve influência directa dos dois artistas, A Porta do Inferno, baseada na obra de Dante.
A premissa e o núcleo central do enredo são muito bons, os intervenientes têm muita coisa para dizer e mostrar, mas no geral, o filme acaba por ser uma decepção. Por muito que goste de Rodin - e é sem dúvida um dos meus artistas favoritos - é preciso compreender que a maior parte do público não conhece a personagem. Quem tiver pouco conhecimento da vida e da obra do mestre escultor nunca vai perceber o filme e vai literalmente estar a olhar para uma tela "vazia" a tentar perceber o que é que se passa. Neste caso, uma escultura em fase de criação... Bastava uma pequena introdução para dar um melhor contexto ao filme. Auguste Rodin, apesar de ser unanimemente considerado o percursor da escultura moderna, era na realidade um homem "comum". Tentou por três vezes ingressar na Faculdade de Belas Artes e por três vezes foi recusado, o que exemplifica bem o quanto o ensino artístico tem para oferecer e reconhecer em termos de conhecimento estético... Mas isso é outra história... Rodin era efectivamente um autodidacta. Não aprendeu com ninguém. "Ensinou-se", no seu próprio estilo. Acho que meia dúzia de linhas no início do filme a explicar quem é o protagonista, permitiriam entrar melhor no mundo de Rodin e Claudel. Sem esta introdução, uma pessoa fica algo perdida na história, como se entrasse a meio do filme sem perceber nada do que aconteceu antes...
Mas esse nem é o principal problema deste Rodin. O problema está em tudo o resto. A realização de Jacques Doillon é fraca, dura e seca como um pedaço de pedra antes de ser trabalhado por um escultor. Percebo a lógica (se é que ela existe), mas não gosto do tom demasiado cru e austero. É um filme que parece uma adoração a uma fotografia antiga e acinzentada de uma estátua. Há uma música deslavada no início e outra no fim, perto dos créditos. Pelo meio, sempre os mesmos planos fixos envoltos em silêncio. As obras dos dois artistas que deveriam na realidade ser a grande mais valia, pouco ou quase nada são intervenientes... Não gostei nada disto. Rodin é um dos meus artistas favoritos e por isso acho que este filme fez-lhe pouca ou nenhuma justiça... Vale a interpretação de Vincent Lindon e Izïa Higelin e pouco mais. Não há tensão, não há carga emocional... Tudo é uma estátua de pedra sólida neste filme. Estaria de acordo com esta aproximação, não fosse o tema central deste tal "momento" o romance de Rodin e Claudel... É um contrasenso... Tudo junto, parece um daqueles telefilmes ou documentários que recriam a vida de uma pessoa famosa... Uma decepção enorme. ●○○○○
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It Might Get Loud é um documentário sobre três gerações de guitarristas. O "novo" Jack White, o "velho" The Edge e a "lenda" Jimmy Page. Apesar de não ser uma referência na área dos documentários, é uma excelente oportunidade para entrar na cabeça destes três guitarristas. Na parte do documentário propriamente dito, não há muito a dizer. Está muito bem feito, muito bem montado e nota-se que tem uma gigantesca produção por trás. A recolha de informação e a construção do background destes três artistas é muito boa. Do ponto de vista técnico é irrepreensível. Para mim só peca é por defeito, mas não é um problema do documentário em si. É muito restritivo mas é totalmente compreensível. Nota-se que a lógica foi tentar abarcar um período grande o suficiente para poder mostrar o mais possível do fantástico instrumento que é a guitarra eléctrica. Compreendo perfeitamente. Para demonstrar o desenvolvimento artístico ao longo dos tempos e de, pelo menos, os intérpretes mais reconhecidos, o mínimo que se poderia fazer era uma série com para aí uns 20 episódios. O problema não está no documentário propriamente dito, o problema é que a guitarra eléctrica já tem demasiada história para poder condensar em apenas 90 minutos. Se Davis Guggenheim (que já tem no currículo o excelente An Inconvenient Truth) fizesse uma série de documentários, sempre com três "convidados", teria material de trabalho para muitos anos. Mas também seria necessário que os intervenientes quisessem participar e, também, obviamente, que estivessem vivos. É por isso que me soube a pouco.
Para quem gosta de rock and roll, para quem gosta de uma grande guitarrada, para quem gosta do som da guitarra eléctrica, das distorções e dos efeitos das pedaleiras, este é um dos documentários obrigatórios. Como gosto de White Stripes, U2 e especialmente de Led Zeppelin, foi um gosto enorme ver este It Might Get Loud. Gosto das guitarradas meio punk, meio blues do Jack White, da mesma forma como gosto do som extremamente polido e agudo do The Edge... mas nada bate o velho mestre Jimmy Page. E poder vê-lo ainda a dar umas guitarradas valentes é um privilégio. E a parte em que Page está a curtir o Rumble On de Link Wray... é um momento simplesmente brilhante.
Para mim, a grande vantagem dos documentários em relação ao cinema convencional é que se aprendem mesmo coisas. Factos, quero eu dizer. Os documentários abrem horizontes e aguçam a curiosidade. É outro tipo de cinema, mas para mim é cinema na mesma. Aprendi mais uma série de coisas sobre guitarras e guitarristas, e aumentei substancialmente o meu leque de história, músicos e músicas de rock and roll. Nem que fosse só por isso, já valeu a pena. Muito bom. ●●●●○
Para quem gosta de rock and roll, para quem gosta de uma grande guitarrada, para quem gosta do som da guitarra eléctrica, das distorções e dos efeitos das pedaleiras, este é um dos documentários obrigatórios. Como gosto de White Stripes, U2 e especialmente de Led Zeppelin, foi um gosto enorme ver este It Might Get Loud. Gosto das guitarradas meio punk, meio blues do Jack White, da mesma forma como gosto do som extremamente polido e agudo do The Edge... mas nada bate o velho mestre Jimmy Page. E poder vê-lo ainda a dar umas guitarradas valentes é um privilégio. E a parte em que Page está a curtir o Rumble On de Link Wray... é um momento simplesmente brilhante.
Para mim, a grande vantagem dos documentários em relação ao cinema convencional é que se aprendem mesmo coisas. Factos, quero eu dizer. Os documentários abrem horizontes e aguçam a curiosidade. É outro tipo de cinema, mas para mim é cinema na mesma. Aprendi mais uma série de coisas sobre guitarras e guitarristas, e aumentei substancialmente o meu leque de história, músicos e músicas de rock and roll. Nem que fosse só por isso, já valeu a pena. Muito bom. ●●●●○
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Vi um documentário muito bom na RTP1 sobre o fenómeno cultural que foi (e ainda é) o evento musical de Woodstock. De seu nome completo, Woodstock Music & Art Fair, foi um festival de música (e outros eventos culturais e artísticos) que se realizou na propriedade de Max Yasgur, na cidade de Bethel, no estado de Nova York, entre os dias 15 e 18 de Agosto de 1969. Na realidade, o festival deveria ter acontecido em Wallkill, mas como os moradores locais não aceitaram receber uma quantidade enorme de hippies, o evento foi transferido para a pequena localidade Bethel, a uma hora e meia de distância e a 70 quilômetros da cidade de Woodstock. O festival de música e artes surgiu como uma ideia de Michael Lang, John P. Roberts, Joel Rosenman e Artie Kornfeld, que queriam reproduzir o êxito de outros festivais que tinham frequentado em tempos recentes, com as melhores bandas do momento. Mesmo antes do evento começar foram vendidos 185.000 bilhetes sendo que a organização esperava um público total a rondar as 200.000 pessoas. Contra todas as expectactivas, apareceram mais de meio milhão de pessoas para assistir ao festival, o que obrigou em último caso a que se tornasse num evento gratuito, pois não havia forma de controlar as entradas nem de conter tanta gente num recinto.
Tinha a noção de terem actuado lá as melhores bandas daquele momento, o que na realidade não é verdade. Nomes como Ravi Shankar, Joan Baez, Santana, Grateful Dead, Creedence Clearwater Revival, Janis Joplin, The Who, Jefferson Airplane, Joe Cocker e Jimi Hendrix fizeram parte do evento, juntamente com muitos outros nomes da altura. Não sendo um nativo daqueles tempos não tenho a noção da grandeza dos performers nem conheço grande parte deles, tirando os anteriores. Curiosamente, conheço bastante melhor os que ficaram de fora e não actuaram pelas mais diversas razões. Basta pensar que não tocaram em Woodstock bandas como os Rolling Stones, Frank Zappa, Simon & Garfunkel, Bob Dylan, The Byrds, Jethro Tull, Led Zeppelin, The Doors ou The Beatles.
Apesar de ser um documentário para TV, o valor e a profundidade histórica da produção é muito bom. Fiquei a conhecer por dentro um ponto cultural da música moderna, mas também da Humanidade. Dito assim pode parecer um exagero, mas vendo o documentário percebe-se perfeitamente o comentário. Em Agosto de 1969, a América vive em reboliço com a guerra do Vietname em plano de fundo e muitas mudanças sociais, sexuais e de direitos humanos a acontecerem ao mesmo tempo. E este foi um momento chave de afirmação e confronto, a favor e contra todos estes acontecimentos profundos que abalaram a sociedade americana, e tem que se admitir, por contágio, todo o restante mundo ocidental e em especial, a Europa. Não é por nada que o "evento" parece perdurar geração após geração e de alguma forma é absorvido por pessoas que nem sequer eram nascidas quando aconteceu, como é o meu caso.
A produção é enorme e o valor histórico pela recolha de testemunhos e imagens da época é inestimável. Woodstock foi muito bem escrito (por Barak Goodman e Don Kleszy) e muito bem realizado também por Goodman. Uma grande vénia também para o pessoal da produção, pesquisa de material e montagem porque merecem: fizeram uma trabalho excepcional. Um excelente documentário de visualização obrigatória. Totalmente recomendado. ●●●●○
Tinha a noção de terem actuado lá as melhores bandas daquele momento, o que na realidade não é verdade. Nomes como Ravi Shankar, Joan Baez, Santana, Grateful Dead, Creedence Clearwater Revival, Janis Joplin, The Who, Jefferson Airplane, Joe Cocker e Jimi Hendrix fizeram parte do evento, juntamente com muitos outros nomes da altura. Não sendo um nativo daqueles tempos não tenho a noção da grandeza dos performers nem conheço grande parte deles, tirando os anteriores. Curiosamente, conheço bastante melhor os que ficaram de fora e não actuaram pelas mais diversas razões. Basta pensar que não tocaram em Woodstock bandas como os Rolling Stones, Frank Zappa, Simon & Garfunkel, Bob Dylan, The Byrds, Jethro Tull, Led Zeppelin, The Doors ou The Beatles.
Apesar de ser um documentário para TV, o valor e a profundidade histórica da produção é muito bom. Fiquei a conhecer por dentro um ponto cultural da música moderna, mas também da Humanidade. Dito assim pode parecer um exagero, mas vendo o documentário percebe-se perfeitamente o comentário. Em Agosto de 1969, a América vive em reboliço com a guerra do Vietname em plano de fundo e muitas mudanças sociais, sexuais e de direitos humanos a acontecerem ao mesmo tempo. E este foi um momento chave de afirmação e confronto, a favor e contra todos estes acontecimentos profundos que abalaram a sociedade americana, e tem que se admitir, por contágio, todo o restante mundo ocidental e em especial, a Europa. Não é por nada que o "evento" parece perdurar geração após geração e de alguma forma é absorvido por pessoas que nem sequer eram nascidas quando aconteceu, como é o meu caso.
A produção é enorme e o valor histórico pela recolha de testemunhos e imagens da época é inestimável. Woodstock foi muito bem escrito (por Barak Goodman e Don Kleszy) e muito bem realizado também por Goodman. Uma grande vénia também para o pessoal da produção, pesquisa de material e montagem porque merecem: fizeram uma trabalho excepcional. Um excelente documentário de visualização obrigatória. Totalmente recomendado. ●●●●○
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Em alguns restaurante finos costuma-se usar um sorbet de limão para limpar o palato entre pratos. Eu uso um método relativamente parecido com os filmes. Após muito tempo a "comer" bolos feitos industrialmente, cheios de açúcares artificias que são os blockbusters actuais, limpo o meu palato cerebral com uma produção mais pequena e muito mais adstringente. Neste caso, o meu sorbet teve sabores nórdicos e artísticos, resultantes duma imensa co-produção europeia (Suécia, Alemanha, França, Dinamarca).
The Square conta a história do curador-chefe de um museu de arte contemporânea (Claes Bang), que passa da monotonia típica dos meios fechados e elitistas para o caos "normal" e mundano, depois de se envolver numa série de peripécias com consequências imprevisíveis: é assaltado e tenta recuperar os seus bens de uma forma pouco ortodoxa; mete-se com uma jornalista estrangeira (Elisabeth Moss) e tem sexo casual; uma campanha de publicidade polémica do seu museu torna-se viral sem o seu consentimento. Pelo meio há também uma actuação inesquecível de um orangotango humano.
Começou muito bem, mas acabou mal e por isso não foi um bom filme para mim. Quando começou a interessar, apareceram os créditos e o filme termina. É um final para Ruben Östlund levar um prémio de Cannes, se é que me entendem. Admito que estou "preso" ao modelo narrativo tradicional em que uma história tem principio, meio e fim. Daí que não reaja muito bem a filmes que acabam repentinamente sem finalizar o filme... e me deixem a pensar. Obrigado, mas não preciso. Eu já penso demasiado em desmaiadas coisas. Fico sempre com aquela sensação de quando estou a ver uma série e aparece a mensagem "to be continued" e o episódio só termina na próxima semana. Neste caso... não há mais episódio. O filme termina e pronto... Um gajo que o termine mentalmente, porque nada do que foi desenvolvido até ali irá ter um terminus. Tenho pena. Estava a gostar do filme.
Se bem que tenha momentos em que parece que se vai tornar numa comédia (pelo absurdo que é por vezes a arte moderna), o tom normalmente é sério e sempre virado para a crítica satírica e social. Aliás, todo o filme é uma enorme e acutilante crítica ao meio artístico contemporâneo. No entanto, nunca é demasiado profundo. A única altura em que o "corte" foi mesmo fundo tem que ver com Oleg, o orangotango humano (um brilhante Terry Notary). Não vou "abrir o jogo" para não estragar o efeito, pois o melhor é mesmo ver e apreciar. Eu fiquei com borboletas no estômago. Apesar de ser um interlúdio na história central é definitivamente "a" cena central do filme e o seu elemento mais marcante.
O feeling final é o mesmo de ver uma exposição de arte contemporânea. Um gajo questiona-se porque é que "aquilo" está ali no museu, se aquilo será arte e porque não outra coisa qualquer, não tem respostas, esquece aquilo e... limpo o palato, volta para a sua vida normal para "comer" bolos feitos industrialmente, cheios de açúcares artificias. Depois do bom início, esperava mais deste The Square, até porque, como na minha vida profissional tenho algum contacto com museus e tudo aquilo me pareceu muito fidedigno, dejá vu e familiar, estava a gostar... mas infelizmente o filme acabou de repente... ●●●○○
The Square conta a história do curador-chefe de um museu de arte contemporânea (Claes Bang), que passa da monotonia típica dos meios fechados e elitistas para o caos "normal" e mundano, depois de se envolver numa série de peripécias com consequências imprevisíveis: é assaltado e tenta recuperar os seus bens de uma forma pouco ortodoxa; mete-se com uma jornalista estrangeira (Elisabeth Moss) e tem sexo casual; uma campanha de publicidade polémica do seu museu torna-se viral sem o seu consentimento. Pelo meio há também uma actuação inesquecível de um orangotango humano.
Começou muito bem, mas acabou mal e por isso não foi um bom filme para mim. Quando começou a interessar, apareceram os créditos e o filme termina. É um final para Ruben Östlund levar um prémio de Cannes, se é que me entendem. Admito que estou "preso" ao modelo narrativo tradicional em que uma história tem principio, meio e fim. Daí que não reaja muito bem a filmes que acabam repentinamente sem finalizar o filme... e me deixem a pensar. Obrigado, mas não preciso. Eu já penso demasiado em desmaiadas coisas. Fico sempre com aquela sensação de quando estou a ver uma série e aparece a mensagem "to be continued" e o episódio só termina na próxima semana. Neste caso... não há mais episódio. O filme termina e pronto... Um gajo que o termine mentalmente, porque nada do que foi desenvolvido até ali irá ter um terminus. Tenho pena. Estava a gostar do filme.
Se bem que tenha momentos em que parece que se vai tornar numa comédia (pelo absurdo que é por vezes a arte moderna), o tom normalmente é sério e sempre virado para a crítica satírica e social. Aliás, todo o filme é uma enorme e acutilante crítica ao meio artístico contemporâneo. No entanto, nunca é demasiado profundo. A única altura em que o "corte" foi mesmo fundo tem que ver com Oleg, o orangotango humano (um brilhante Terry Notary). Não vou "abrir o jogo" para não estragar o efeito, pois o melhor é mesmo ver e apreciar. Eu fiquei com borboletas no estômago. Apesar de ser um interlúdio na história central é definitivamente "a" cena central do filme e o seu elemento mais marcante.
O feeling final é o mesmo de ver uma exposição de arte contemporânea. Um gajo questiona-se porque é que "aquilo" está ali no museu, se aquilo será arte e porque não outra coisa qualquer, não tem respostas, esquece aquilo e... limpo o palato, volta para a sua vida normal para "comer" bolos feitos industrialmente, cheios de açúcares artificias. Depois do bom início, esperava mais deste The Square, até porque, como na minha vida profissional tenho algum contacto com museus e tudo aquilo me pareceu muito fidedigno, dejá vu e familiar, estava a gostar... mas infelizmente o filme acabou de repente... ●●●○○
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Lucy é uma bonita estudante universitária que tem uma série de empregos, mas ainda assim continua com dificuldades financeiras. Um dia, decide responder a um anúncio que pedia uma empregada interna e sem querer entra num perigoso e estranho mundo erótico. A sua primeira função é simples: servir em lingerie os requintadíssimos senhores do dinheiro em jantares de gabarito. A sua segunda função já não é assim tão linear: envolve tomar uma droga que a deixa inconsciente, ficando assim à total mercê dos senhores de fino trato. Fácil e rapidamente se percebe que os requintadíssimos senhores não são assim de tão fino trato...
Dito assim parece que uma pessoa vai ver uma extensão daquela parte da orgia com máscaras do Eyes Wide Shut. E em alguns momentos, de facto lembra mesmo isso. Mas a parecença fica-se por aí. Para ser verdadeiro, houve momentos no início em que pensei: "isto é muito bom"... mas depois o filme foi-se desenrolando e tudo se desmoronou totalmente: aquele amigo/namorado estranho que está apaixonado por ela; as cenas fora da casa que parecem ser de outro filme; mas especialmente as cenas com a Lucy... Muito mau. É curioso. Ainda há pouco tempo falava aqui do Lars Von Trier, que como toda gente sabe, é um gajo marado do capacete que tem um curso superior em magoar pessoas. Mas para fazer o que o Lars faz, é preciso ter uma certa mestria macabra e saber enquadrar o sofrimento, a falta de empatia ou a humilhação para terem uma lógica que crie um determinado sentimento no espectador ou que vá de encontro ao desfecho de uma história. Julia Leigh nitidamente não possui essa mestria...
O que vi em Sleeping Beauty não tem lógica nenhuma. É simplesmente uma agressão contínua sobre uma sujeita passiva, deprimida e desprovida de emoções e sentimentos. Isto tudo regado com um ar muito "artsy" para parecer mais inteligente do que é, e muito provavelmente tentar ganhar uns prémios em Cannes. Para mim, é este tipo de filmes enganadores, pseudo-intelectuais, que estragam os chamados filmes de autor. Isto faz-me lembrar aquelas instalações artísticas em museus em que o pessoal da limpeza destrói a "obra de arte" porque a confunde com lixo esquecido num canto... porque é mesmo lixo esquecido num canto. E só é arte porque um otário qualquer o considerou assim. A minha opinião neste tipo de coisas é muito vincada. As coisas são o que são e isto não é nada. Não há aqui nada que valha a pena ver. Quer dizer, por acaso até há. A cinematografia é lindíssima e não tenho nada a apontar. E obviamente tenho de destacar a jovem Emily Browning que de facto dá tudo o que tem e o que não tem para este filme. É uma performance... daquelas que não tem explicação. O que a rapariga se sujeita neste filme não é para todos. E Rachael Blake como Clara, também está bem. Mas o conceito-base do filme e a forma como o argumento desliza para um canto e se deixa lá ficar, arruína tudo.
Estava a ver o IMDB para saber mais sobre o filme e reparei que na sinopse: "A haunting portrait of Lucy, a young university student drawn into a mysterious hidden world of unspoken desires". Isto é nitidamente a versão muito branda e embelezada da coisa. Se tivesse que fazer um resumo curto do filme, o que eu diria era: "Uma miúda deprimida deixa-se drogar todas a noites a troco de dinheiro para ser violentada por velhotes marados e nojentos". Acho que assim estaria mais apropriado, porque na realidade é mesmo isso que acontece. Não nego que Sleeping Beauty tenha momentos visuais brilhantes, mas no geral acho que é simplesmente uma pura agressão gratuita. Para mim não dá. Não gostei nada. Podia ter sido muito melhor, e se é memorável, é apenas pelo desconforto e pelo choque. Fico muito dividido entre ●○○○○ e (sem nota)...
Dito assim parece que uma pessoa vai ver uma extensão daquela parte da orgia com máscaras do Eyes Wide Shut. E em alguns momentos, de facto lembra mesmo isso. Mas a parecença fica-se por aí. Para ser verdadeiro, houve momentos no início em que pensei: "isto é muito bom"... mas depois o filme foi-se desenrolando e tudo se desmoronou totalmente: aquele amigo/namorado estranho que está apaixonado por ela; as cenas fora da casa que parecem ser de outro filme; mas especialmente as cenas com a Lucy... Muito mau. É curioso. Ainda há pouco tempo falava aqui do Lars Von Trier, que como toda gente sabe, é um gajo marado do capacete que tem um curso superior em magoar pessoas. Mas para fazer o que o Lars faz, é preciso ter uma certa mestria macabra e saber enquadrar o sofrimento, a falta de empatia ou a humilhação para terem uma lógica que crie um determinado sentimento no espectador ou que vá de encontro ao desfecho de uma história. Julia Leigh nitidamente não possui essa mestria...
O que vi em Sleeping Beauty não tem lógica nenhuma. É simplesmente uma agressão contínua sobre uma sujeita passiva, deprimida e desprovida de emoções e sentimentos. Isto tudo regado com um ar muito "artsy" para parecer mais inteligente do que é, e muito provavelmente tentar ganhar uns prémios em Cannes. Para mim, é este tipo de filmes enganadores, pseudo-intelectuais, que estragam os chamados filmes de autor. Isto faz-me lembrar aquelas instalações artísticas em museus em que o pessoal da limpeza destrói a "obra de arte" porque a confunde com lixo esquecido num canto... porque é mesmo lixo esquecido num canto. E só é arte porque um otário qualquer o considerou assim. A minha opinião neste tipo de coisas é muito vincada. As coisas são o que são e isto não é nada. Não há aqui nada que valha a pena ver. Quer dizer, por acaso até há. A cinematografia é lindíssima e não tenho nada a apontar. E obviamente tenho de destacar a jovem Emily Browning que de facto dá tudo o que tem e o que não tem para este filme. É uma performance... daquelas que não tem explicação. O que a rapariga se sujeita neste filme não é para todos. E Rachael Blake como Clara, também está bem. Mas o conceito-base do filme e a forma como o argumento desliza para um canto e se deixa lá ficar, arruína tudo.
Estava a ver o IMDB para saber mais sobre o filme e reparei que na sinopse: "A haunting portrait of Lucy, a young university student drawn into a mysterious hidden world of unspoken desires". Isto é nitidamente a versão muito branda e embelezada da coisa. Se tivesse que fazer um resumo curto do filme, o que eu diria era: "Uma miúda deprimida deixa-se drogar todas a noites a troco de dinheiro para ser violentada por velhotes marados e nojentos". Acho que assim estaria mais apropriado, porque na realidade é mesmo isso que acontece. Não nego que Sleeping Beauty tenha momentos visuais brilhantes, mas no geral acho que é simplesmente uma pura agressão gratuita. Para mim não dá. Não gostei nada. Podia ter sido muito melhor, e se é memorável, é apenas pelo desconforto e pelo choque. Fico muito dividido entre ●○○○○ e (sem nota)...
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Tom of Finland é na realidade o nome verdadeiro de Touko Laaksonen. Esta mudança de nome deriva em parte da perseguição de que foi alvo devido às suas preferência homossexuais. Se mesmo hoje em dia, a homossexualidade ainda é vista pela maioria com alguma desconfiança (para não dizer outras coisas), imagine-se a mesma situação nas décadas de 40, 50 ou 60. Para piorar ainda mais a situação, Touko era um exímio desenhador da figura humana e, obviamente, face à pressão social (e policial) começou a projectar (às escondidas) as suas fantasias, mas mais importante, a sua arte, em pequenos desenhos homoeróticos que mais tarde lhe valeriam o reconhecimento geral. É a grande ironia da coisa: se não fosse perseguido no seu país de origem, muito provavelmente não teria tanta projecção internacional... Na verdade, é daí que conheço Tom of Finland. Presumia que fosse gay, mas pouco ou nada conhecia da personagem. Só conheci os seus trabalhos na década de 90 e como me pareciam tão modernos, sempre imaginei que seriam dessa altura. Errado. "Nasceram" muitas décadas antes, o que positivamente ainda me surpreendeu mais. Apesar de não ser grande adepto de todo aquele enquadramento explicitamente homossexual, é inegável a qualidade do desenho e da interpretação figurativa. Nos tempos mais recentes é provavelmente o melhor gajo que encontrei a desenhar a lápis. A força daquele preto-grafite e a perfeição técnica dos corpos são absolutamente soberbos. Melhor é difícil de encontrar.
Vou ser sincero. Tinha mais curiosidade em ver o filme para saber mais sobre a obra do que propriamente sobre o autor. Só que Tom of Finland (o filme e o homem) trocou-me as voltas. O filme foca-se quase exclusivamente no autor mas acabei por nem sentir a falta dos desenhos. A história é tão comprida, complexa e preenchida que quase nem "precisei" da componente artística. Há uma aura de tensão constante à volta da comunidade gay daquela altura que é quase palpável através do filme. Importante para mim também foi o pormenor do filme "ser" gay mas não ostensivamente gay, pois não senti (o que já aconteceu noutros filmes com a mesma temática) que entrasse no campo da propaganda. É simplesmente um filme muito bem feito ao ponto de o tornar realista, em torno de uma enorme personagem que por mero acaso era gay. Um grande aplauso para Dome Karukoski por todo o trabalho de criação e realização desta pequena jóia.
Tom of Finland acaba por se tornar um tributo merecido a um gajo de tomates numa altura de extrema intolerância, e que praticamente sozinho, moldou toda a imagética e a fantasia gay do mundo inteiro...
Tom of Finland é um filme muito bom, como já não via à algum tempo. Um filme meticulosamente montado como se fosse uma obra de artesanato. Tudo é pensando ao pormenor e encaixa perfeitamente. É mesmo o meu tipo de filme. Desde os pormenores da música e da roupa que mostram o passar do tempo e em que época é que a história se desenrola, assim como a montagem não linear que une pontos da história longe no tempo mas que em termos de contexto fazem todo o sentido juntos. Não me canso de dizer: muito bom.
Os actores são todos excelentes (Lauri Tilkanen, Jessica Grabowsky, Taisto Oksanen) mas o grande destaque é mesmo do Pekka Strang, que neste caso mereceria levar para casa uns três Óscares. Não consigo encontrar uma forma de "melhorar" este Tom of Finland. Tudo me pareceu perfeito. Altamente recomendado e com nota máxima. ●●●●●
Vou ser sincero. Tinha mais curiosidade em ver o filme para saber mais sobre a obra do que propriamente sobre o autor. Só que Tom of Finland (o filme e o homem) trocou-me as voltas. O filme foca-se quase exclusivamente no autor mas acabei por nem sentir a falta dos desenhos. A história é tão comprida, complexa e preenchida que quase nem "precisei" da componente artística. Há uma aura de tensão constante à volta da comunidade gay daquela altura que é quase palpável através do filme. Importante para mim também foi o pormenor do filme "ser" gay mas não ostensivamente gay, pois não senti (o que já aconteceu noutros filmes com a mesma temática) que entrasse no campo da propaganda. É simplesmente um filme muito bem feito ao ponto de o tornar realista, em torno de uma enorme personagem que por mero acaso era gay. Um grande aplauso para Dome Karukoski por todo o trabalho de criação e realização desta pequena jóia.
Tom of Finland acaba por se tornar um tributo merecido a um gajo de tomates numa altura de extrema intolerância, e que praticamente sozinho, moldou toda a imagética e a fantasia gay do mundo inteiro...
Tom of Finland é um filme muito bom, como já não via à algum tempo. Um filme meticulosamente montado como se fosse uma obra de artesanato. Tudo é pensando ao pormenor e encaixa perfeitamente. É mesmo o meu tipo de filme. Desde os pormenores da música e da roupa que mostram o passar do tempo e em que época é que a história se desenrola, assim como a montagem não linear que une pontos da história longe no tempo mas que em termos de contexto fazem todo o sentido juntos. Não me canso de dizer: muito bom.
Os actores são todos excelentes (Lauri Tilkanen, Jessica Grabowsky, Taisto Oksanen) mas o grande destaque é mesmo do Pekka Strang, que neste caso mereceria levar para casa uns três Óscares. Não consigo encontrar uma forma de "melhorar" este Tom of Finland. Tudo me pareceu perfeito. Altamente recomendado e com nota máxima. ●●●●●
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Exit Through the Gift Shop é um documentário sobre um gajo (Thierry Guetta, que mais tarde se auto-transforma num artista urbano de nome Mister Brainwash) que faz documentários (aliás, documenta tudo - mas mesmo tudo - em vídeo) e que (por acaso?!) se cruza com o ínfame e anónimo Banksy. Numa reviravolta totalmente inesperada, Banksy, apercebendo-se da fraca qualidade do documentário onde estava inserido, acaba por tomar as rédeas da produção e tornar-se no realizador final do documentário.
Será tudo isto verdade, ou um enorme embuste para aproveitar o factor anónimo do artista conhecido como Bansky? Não sei. Aquela figura na obscuridade e voz distorcida será mesmo "o" Banksy? Também não sei. Será esta mais uma elaborada manobra de marketing do agora reconhecido artista Mister Brainwash? Não faço a mínima ideia. Mas face ao que vi, até é bem provável. Quando se está no anonimato, tudo é possível. Será tudo isto demasiado confuso? Bastante.
Mas apesar de ser algo incongruente, acaba por ser um bom documentário sobre o aparecimento da chamada street art e a sua subida meteórica no campo da arte "convencional", sobre algumas obras icónicas que apareceram misteriosamente pelas ruas do mundo e também sobre os seus autores anónimos. Aliás, o (suposto) anonimato dos artistas daria pano para (muitas) mangas, mas isso fica para outra altura.
Exit Through the Gift Shop é um documentário algo anárquico, que começa de uma forma e termina de outra, radicalmente diferente, mas isso até encaixa perfeitamente no tema. Não está particularmente bem feito, mas estranhamente, isso também encaixa no tema. É uma versão "grafitada" de um documentário, underground q.b. como seria de esperar. Diria mesmo que seria obrigatório fazê-lo desta forma. Nesse aspecto, não podia ser mais coerente com o tema em questão. No geral, Exit Through the Gift Shop, acaba por ser um bom documentário, e no campo da street art, simplesmente o melhor que já vi. ●●●○○
Será tudo isto verdade, ou um enorme embuste para aproveitar o factor anónimo do artista conhecido como Bansky? Não sei. Aquela figura na obscuridade e voz distorcida será mesmo "o" Banksy? Também não sei. Será esta mais uma elaborada manobra de marketing do agora reconhecido artista Mister Brainwash? Não faço a mínima ideia. Mas face ao que vi, até é bem provável. Quando se está no anonimato, tudo é possível. Será tudo isto demasiado confuso? Bastante.
Mas apesar de ser algo incongruente, acaba por ser um bom documentário sobre o aparecimento da chamada street art e a sua subida meteórica no campo da arte "convencional", sobre algumas obras icónicas que apareceram misteriosamente pelas ruas do mundo e também sobre os seus autores anónimos. Aliás, o (suposto) anonimato dos artistas daria pano para (muitas) mangas, mas isso fica para outra altura.
Exit Through the Gift Shop é um documentário algo anárquico, que começa de uma forma e termina de outra, radicalmente diferente, mas isso até encaixa perfeitamente no tema. Não está particularmente bem feito, mas estranhamente, isso também encaixa no tema. É uma versão "grafitada" de um documentário, underground q.b. como seria de esperar. Diria mesmo que seria obrigatório fazê-lo desta forma. Nesse aspecto, não podia ser mais coerente com o tema em questão. No geral, Exit Through the Gift Shop, acaba por ser um bom documentário, e no campo da street art, simplesmente o melhor que já vi. ●●●○○






