0566 Breakfast at Tiffany's

Apesar de ter a noção que o filme era muito conceituado, nunca tinha visto o Breakfast at Tiffany's por inteiro. Apenas tinha visto umas partes aqui e outras ali. E as partes que vi não me suscitaram grande interesse. Tal como me acontece com outros filmes, e por nenhuma explicação lógica, nunca me puxou para vê-lo. Feelings... No entanto, numa reposição recente na TV decidi vê-lo e perceber se o meu feeling estava correcto. E tenho de dizer que estava totalmente errado. Breakfast at Tiffany's é muito bom. É, de facto, um dos grandes clássicos. Holly Golightly é uma personagem muito à frente do seu tempo. Já vi alguns filmes da mesma altura e a figura de Audrey Hepburn destaca-se mesmo pela diferença. As voluptuosas protagonistas daquela altura não têm nada a ver com a figura esguia e felina de Hepburn. George Peppard é um verdadeiro galã. Um figurão físico, clássico, mas também um figurão no que diz respeito ao actor. Juntos fazem uma combinação que é totalmente moderna. E perfeita. Os "secundários" como Martin Balsam e Patricia Neal são perfeitos. Para ser absolutamente perfeito, só faltava aqui a presença de Peter Sellers. Eu vejo-o perfeitamente a fazer o papel interpretado por Mickey Rooney, até porque é, infelizmente, o único ponto negativo de todo o filme. Não propriamente pela actuação de Rooney, mas porque que a personagem é demasiado estereotipada, goofy e em certa parte parece fugiu daqueles antigos cartoons da Warner Brothers para aqui. Só um actor absolutamente genial poderia salvar aquela personagem. Daí o "meu" Peter Sellers, o gajo mais naturalmente cómico que já pisou este planeta.
A narrativa de Breakfast at Tiffany's é elaborada e desenrola-se num ritmo do tipo avanço rápido,pausa; avanço rápido,pausa, dando a conhecer a cada novo acto, um dado novo que baralha totalmente a história anterior e acrescenta camadas de complexidade à figura de Lula Mae / Holly Golightly. A viagem emocional da personagem vai oscilando entre o drama e a comédia, mas nunca se fixa em nenhuma temática. A mestria de Blake Edwards é evidente. Não só pela forma como dirige os actores, mas também como imprime um ritmo imparável ao filme, tipo montanha-russa que vai do drama chuvoso ao romance meloso em 4 segundos.
E depois há toda uma história cheia de pormenores que brilham como diamantes na montra da Tiffany's como por exemplo um gato que se chama... Gato e um brasileiro abastado chamado José da Silva Pereira, entre muitos outros. Basear filmes em obras de autores de calibre como Truman Capote tem as suas vantagens. Ideias e bons pormenores nunca faltam.
Destaque óbvio também para a música original "Moon River", um ícone sonoro reconhecido mundialmente que ficou para a posteridade. Henry Mancini compôs a música especificamente para Audrey Hepburn. Henry Mancini, Blake Edwards (e pensei eu: Peter Sellers)??? Pink Panther? Será? Muito provavelmente começou aqui qualquer coisa...
Normalmente não é um item que as pessoas destaquem num filme, mas para mim, a fotografia é algo muito importante. Aquelas cores Eastman Kodak, o Tecnhicolor e essas tecnicidades todas que dão origem àquelas cores tão características dos filmes dos anos 60... Para mim, essas são as cores do cinema. Aqueles vermelhos profundos e os azuis vibrantes. O grão da película; aqueles crepúsculos e os amanheceres como o do início do filme... para mim, essas são as texturas e as verdadeiras cores do cinema. E já agora, que se está a falar da imagem, mais uma pequena coisinha... Aquele poster do Robert McGinnis merecia um prémio. É o design gráfico no seu melhor. Não há muito a dizer. Até as coisas que orbitam o filme são muito boas. Breakfast at Tiffany's é irrepreensível. Define muito bem o que é um verdadeiro clássico. Altamente recomendado. Obrigatório. ●●●●●

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