A dona sem escrúpulos de uma mega-corporação agro-pecuária, decide desenvolver um projecto secreto para criar super-porcos. Animais com base no porco, mas que pela acção da modificação genética se transformam em gigantescos nacos de carne. Uma miúda sul-coreana juntamente com o avô ficam responsáveis por alimentar um desses super-porcos experimentais e com o tempo cria uma relação de amizade muito pouco usual com o simpático bicho. Inevitavelmente, chega o dia em que a maléfica empresa tem de recolher o super-porco para o levar para abate. Mas a miúda não quer largar o seu novo "amigo" e então começa uma muito estranha aventura para o resgatar da morte certa...
Sem ser uma obra prima, Okja é um filme muito bom. É ainda melhor porque o panorama actual do cinema se resume a conceber produtos que passam numa tela de cinema e que são feitos e vendidos como um hambúrguer com batatas fritas e cujo único propósito de existirem é faturar o máximo possível no box office.
Okja é terno e emotivo, sempre repleto de bons momentos, tanto dramáticos, como de acção, tudo sob a batuta perfeitamente ritmada de Bong Joon Ho, que tem aqui mais um excelente exemplo de como ser verdadeiramente um realizador nos tempos actuais. Afirma-se cada vez mais como um dos meus realizadores de referência.
O casting é um mix estranho mas muito bem escolhido e com prestações muito boas (Jake Gyllenhaal, Giancarlo Esposito e Paul Dano, entre outros) Destaque maior para a icónica e única Tilda Swinton e para a miúda Seo-hyun Ahn, que acaba por ser o centro de todas as atenções.
Já tinha lido muito boas coisas sobre este Okja e a realidade é que não me desiludiu nada. É uma lufada de ar fresco, com ventos fortes provenientes da Netfilx. Totalmente recomendado. ●●●○○
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Antes de mais nada, uma pequena declaração de interesses: sou fã do Paul Thomas Anderson desde o excepcional Boogie Nights e do Daniel Day-Lewis, bem, acho que desde sempre...
Portanto tinha mesmo que ver o There Will Be Blood. Depois de o ver fiquei com um pouco de azia... É que gostei muito de uma parte do filme, mas também não gostei da outra parte. Deixou-me com um sabor agridoce que não estava nada à espera. Acho que tinha as expectativas demasiado elevadas.
A primeira parte do filme em que Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) anda com o "filho" a lutar incansavelmente pelo seu negócio do "ouro negro", está simplesmente brilhante. Grandes imagens e grandes interpretações em grandes momentos memoráveis de cinema. Mas depois o filme começa a descambar numa trip de seitas religiosas e aí tenho de admitir que me começou a mexer com os nervos. Fiquei nitidamente com a sensação que There Will Be Blood são dois filmes num só: a parte do petróleo e a parte religiosa. Coincidência ou não, o filme seguinte de P.T. Anderson é o The Master que é precisamente um mergulho no mundo... das seitas religiosas. Parece-me que ele ficou demasiado fascinado pela ideia... É pena. Estive uma grande parte do filme à espera que voltasse ao tema inicial.
Nunca poderia dizer que There Will Be Blood tem algo de errado, porque não tem. O que tem é uma inclinação para um tema que me faz alguma impressão. E para piorar a situação, o filme acaba mesmo por ser tomado de assalto pelos gritos histéricos e pela obsessão religiosa.
Umas palavrinhas finais para o Daniel Day-Lewis, que é para mim, sem dúvida nenhuma, o melhor actor da actualidade: uma tela de cinema é demasiado pequena para ele. Até me faz confusão: ele não interpreta, ele literalmente transfigura-se na personagem. É verdadeiramente impressionante. Quer dizer, não ofuscou toda a gente; Paul Dano também merece obviamente destaque. O gajo tem "pinta", tem presença e é um actor excelente.
There Will Be Blood desiludiu-me um bocadito, mas tenho a certeza que o Paul Thomas Anderson no futuro irá compensar com outra das suas obras-primas. ●●●○○
Portanto tinha mesmo que ver o There Will Be Blood. Depois de o ver fiquei com um pouco de azia... É que gostei muito de uma parte do filme, mas também não gostei da outra parte. Deixou-me com um sabor agridoce que não estava nada à espera. Acho que tinha as expectativas demasiado elevadas.
A primeira parte do filme em que Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) anda com o "filho" a lutar incansavelmente pelo seu negócio do "ouro negro", está simplesmente brilhante. Grandes imagens e grandes interpretações em grandes momentos memoráveis de cinema. Mas depois o filme começa a descambar numa trip de seitas religiosas e aí tenho de admitir que me começou a mexer com os nervos. Fiquei nitidamente com a sensação que There Will Be Blood são dois filmes num só: a parte do petróleo e a parte religiosa. Coincidência ou não, o filme seguinte de P.T. Anderson é o The Master que é precisamente um mergulho no mundo... das seitas religiosas. Parece-me que ele ficou demasiado fascinado pela ideia... É pena. Estive uma grande parte do filme à espera que voltasse ao tema inicial.
Nunca poderia dizer que There Will Be Blood tem algo de errado, porque não tem. O que tem é uma inclinação para um tema que me faz alguma impressão. E para piorar a situação, o filme acaba mesmo por ser tomado de assalto pelos gritos histéricos e pela obsessão religiosa.
Umas palavrinhas finais para o Daniel Day-Lewis, que é para mim, sem dúvida nenhuma, o melhor actor da actualidade: uma tela de cinema é demasiado pequena para ele. Até me faz confusão: ele não interpreta, ele literalmente transfigura-se na personagem. É verdadeiramente impressionante. Quer dizer, não ofuscou toda a gente; Paul Dano também merece obviamente destaque. O gajo tem "pinta", tem presença e é um actor excelente.
There Will Be Blood desiludiu-me um bocadito, mas tenho a certeza que o Paul Thomas Anderson no futuro irá compensar com outra das suas obras-primas. ●●●○○

