Num futuro próximo, as pessoas podem melhorar os seus corpos recorrendo a órgãos comprados. Um coração, um rim, uns olhos novos ou um fígado podem ser facilmente trocados por uns artificias... desde que se pague. Como a maioria das pessoas não tem dinheiro para as operações, fica eternamente endividado. No caso de dívidas em atraso, as pessoas são perseguidas pelos Repo Men e é lhes retirado, no momento, a sangue frio, os "produtos" da empresa. Obviamente as pessoas morrem ali mesmo, mas isso é irrelevante. É um mundo cão e é uma distopia valente.
A história é boa e o guião até tem algum valor, particularmente devido ao twist final, mas o filme no seu todo, acaba por ter pouca alma. Apesar da premissa ser muito boa, a aproximação poderia, e deveria, ter ido mais longe e mais profundamente. A lógica mega corporativista, as dívidas eternas, o custo de uma vida, já para não falar no facto de um avanço científico bastante significativo, apesar de positivo, ter efeitos perversamente negativos. Havia aqui temas bastante fortes que poderiam ter sido tratados doutra forma, e que me parece terem sido completamente negligenciados em detrimento da acção e do espectáculo. Mas tudo bem. Eu compreendo. Nem todos os filmes têm de ser profundos nem feitos para queimar neurónios... Eu nem consigo imaginar o que, por exemplo, um David Cronenberg teria feito com esta história e com estes elementos. Quer dizer... acho que até consigo.
Jude Law, Forest Whitaker, Alice Braga e Liev Schreiber dão um bom suporte no campo do representação, mas tal como o resto do filme, tudo é levado muito superficialmente. Miguel Sapochnik tem alguns bons momentos na cadeira do realizador mas não deslumbra. E, diga-se, por vezes exagera no gore. Sapochnik que era até este momento um realizador relativamente desconhecido saltou pouco depois para a ribalta quando começou a fazer a já mítica série Game of Thrones.
Repo Men é um filme de acção distópico, levezinho (tirando a parte das sanguinolências exageradas), que tem o seu melhor ponto na premissa. Por isso mesmo vê-se bem e não chateia. ●●○○○
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A dona sem escrúpulos de uma mega-corporação agro-pecuária, decide desenvolver um projecto secreto para criar super-porcos. Animais com base no porco, mas que pela acção da modificação genética se transformam em gigantescos nacos de carne. Uma miúda sul-coreana juntamente com o avô ficam responsáveis por alimentar um desses super-porcos experimentais e com o tempo cria uma relação de amizade muito pouco usual com o simpático bicho. Inevitavelmente, chega o dia em que a maléfica empresa tem de recolher o super-porco para o levar para abate. Mas a miúda não quer largar o seu novo "amigo" e então começa uma muito estranha aventura para o resgatar da morte certa...
Sem ser uma obra prima, Okja é um filme muito bom. É ainda melhor porque o panorama actual do cinema se resume a conceber produtos que passam numa tela de cinema e que são feitos e vendidos como um hambúrguer com batatas fritas e cujo único propósito de existirem é faturar o máximo possível no box office.
Okja é terno e emotivo, sempre repleto de bons momentos, tanto dramáticos, como de acção, tudo sob a batuta perfeitamente ritmada de Bong Joon Ho, que tem aqui mais um excelente exemplo de como ser verdadeiramente um realizador nos tempos actuais. Afirma-se cada vez mais como um dos meus realizadores de referência.
O casting é um mix estranho mas muito bem escolhido e com prestações muito boas (Jake Gyllenhaal, Giancarlo Esposito e Paul Dano, entre outros) Destaque maior para a icónica e única Tilda Swinton e para a miúda Seo-hyun Ahn, que acaba por ser o centro de todas as atenções.
Já tinha lido muito boas coisas sobre este Okja e a realidade é que não me desiludiu nada. É uma lufada de ar fresco, com ventos fortes provenientes da Netfilx. Totalmente recomendado. ●●●○○
Sem ser uma obra prima, Okja é um filme muito bom. É ainda melhor porque o panorama actual do cinema se resume a conceber produtos que passam numa tela de cinema e que são feitos e vendidos como um hambúrguer com batatas fritas e cujo único propósito de existirem é faturar o máximo possível no box office.
Okja é terno e emotivo, sempre repleto de bons momentos, tanto dramáticos, como de acção, tudo sob a batuta perfeitamente ritmada de Bong Joon Ho, que tem aqui mais um excelente exemplo de como ser verdadeiramente um realizador nos tempos actuais. Afirma-se cada vez mais como um dos meus realizadores de referência.
O casting é um mix estranho mas muito bem escolhido e com prestações muito boas (Jake Gyllenhaal, Giancarlo Esposito e Paul Dano, entre outros) Destaque maior para a icónica e única Tilda Swinton e para a miúda Seo-hyun Ahn, que acaba por ser o centro de todas as atenções.
Já tinha lido muito boas coisas sobre este Okja e a realidade é que não me desiludiu nada. É uma lufada de ar fresco, com ventos fortes provenientes da Netfilx. Totalmente recomendado. ●●●○○
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The Circle é um bom filmito. É mediano. Parece quase um telefilme, ou como lhe chamam agora, filme Netflix... É uma pequena produção assente numa boa história, muito bem escrita, muito bem "cosida" e com bons actores (Emma Watson, Tom Hanks e John Boyega). Mas é também uma espécie de alerta anti-tech, para uma nova escola de "magia" que, apesar das boas intenções iniciais, facilmente se descontrola. Aqui a escolha de Emma Watson não é nada inocente...
A mega-corporação The Circle e a tecnologia que desenvolve mostra-se como a salvação da Humanidade (para os problemas criados pela própria Humanidade...) sobre a forma de "milagres" cientíticos-tecnológicos que, sem controlo, facilmente descambam em distopia, no politicamente incorrecto e no atravessar de barreiras da privacidade pessoal, já para não falar nas linhas éticas vermelhas que se esbatem totalmente. É um alerta (muito ténue) para o imenso poder detido por algumas pessoas que vivem fechados no seu mundo fantasioso e fechado e que simplesmente não sabem parar. Ou pior, que não querem parar... Faz lembrar um bocado aquela situação dos miúdos a brincar com o fogo. Eventualmente algo irá correr mal e alguém se irá magoar. Mas neste caso, quem se queima é toda a gente... Há uns anos, este seria um filme de ficção científica. Hoje é simplesmente a realidade do momento... É um bocado angustiante, mas principalmente triste... Vê-se bem. ●●○○○
A mega-corporação The Circle e a tecnologia que desenvolve mostra-se como a salvação da Humanidade (para os problemas criados pela própria Humanidade...) sobre a forma de "milagres" cientíticos-tecnológicos que, sem controlo, facilmente descambam em distopia, no politicamente incorrecto e no atravessar de barreiras da privacidade pessoal, já para não falar nas linhas éticas vermelhas que se esbatem totalmente. É um alerta (muito ténue) para o imenso poder detido por algumas pessoas que vivem fechados no seu mundo fantasioso e fechado e que simplesmente não sabem parar. Ou pior, que não querem parar... Faz lembrar um bocado aquela situação dos miúdos a brincar com o fogo. Eventualmente algo irá correr mal e alguém se irá magoar. Mas neste caso, quem se queima é toda a gente... Há uns anos, este seria um filme de ficção científica. Hoje é simplesmente a realidade do momento... É um bocado angustiante, mas principalmente triste... Vê-se bem. ●●○○○
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