E agora, algo completamente diferente... Maria, uma call girl, é contratada por Mouros para seduzir Meireles, o presidente da Câmara de Vilanova, para que ele quebre as regras e autorize a construção de um empreendimento de luxo. Uma temática muito portuguesa, portanto. Como sempre, a PJ investiga. As coisas complicam-se ainda mais quando o inspector responsável pela combate à corrupção descobre que Maria é uma antiga namorada.
Indo directo ao assunto, Call Girl é um filme bastante aceitável. Foi muito bem realizado por António-Pedro Vasconcelos, um dos poucos realizadores portugueses que faz filmes "comerciais" sem que se pareçam com telenovelas quitadas. Um dos grandes pontos positivos do filme é a história de corrupção que está muito bem construída. E nem seria preciso puxar muito pelos neurónios. É uma história tão presente no imaginário e no quotidiano português que poderia muito bem ser o tema principal do Telejornal.
O outro ponto muito positivo é o leque de actores, que é provavelmente o melhor casting luso que vi reunido nos últimos tempos. Impecável. Destaque para a Soraia Chaves, que para além de preencher o imaginário de qualquer "macho latino", também é uma excelente actriz. Nicolau Breyner é excelente, Joaquim de Almeida dispensa elogios porque nitidamente é de outro nível totalmente à parte. Destaque também para e uma pequena participação de Virgílio Castelo que foi absolutamente hilariante. Joaquim Leitão e Raul Solnado também aparecem. Maria João Abreu e Custódia Gallego nos papéis da mulher e da amante são muito boas. Ivo Canelas e o José Raposo também estão ao melhor nível.
Call Girl é do melhor que tenho visto nas produções nacionais. Um autêntico textbook de como fazer um bom filme sem entrar em cenas pseudo-intelectuais do costume e que apenas têm o condão de afastar os espectadores do cinema português. Só peca por perder-se um pouco no final e tirar a Soraia Chaves do filme de uma forma algo inglória, mas mesmo assim consegue terminar relativamente bem. Há limitações óbvias que são nitidamente falta de orçamento, mas estão bem dissimuladas e são bem compensadas. No geral, Call Girl é um filme português bem jeitoso. Vê-se muito bem.
Ele: O que é que você faz? Tudo, responde ela. Muito bom. ●●○○○
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É-me muito difícil dar 0 a um filme, ainda por cima sendo português, porque gostava que as produções nacionais tivessem sempre sucesso ou pelo menos fossem feitas em condições. Mas para dar zero a um filme, tem mesmo de ser muito mau. É o caso de RPG, que conta a história (já muito batida) do ricaço velhote que, num futuro não muito distante, faz tudo ao seu alcance para voltar a ser jovem. Neste caso, isso consegue-se entrando numa espécie de jogo virtual, se bem que nunca entenda muito bem porquê nem como, porque... não interessa... e provavelmente dava muito trabalho a explicar... Acho que toda esta treta de história mal amanhada foi mesmo só para justificar o título internacional... Mas se a história é má por ser tão batida como a Sé de Braga, então o resto nem se fala. Sem realização, sem fotografia, sem som, sem música e... sem actores. Parecem todos amadores (Cian Barry, Alix Wilton Regan, Christopher Goh, Genevieve Capovilla, Débora Monteiro), ou que foram recrutados à pressa de uma produção porno barata que estavam a filmar no descampado ali ao lado para colmatar os actores verdadeiros que abandonaram a produção... Não entendo estas escolhas. Destaca-se um pouquinho o Pedro Granger (se bem que até meio do filme está mais preocupado em tentar falar inglês escondendo o sotaque português do que outra coisa), a breve aparição da Soraia Chaves e mais nada se aproveita. É tão mau que só visto. Estava a ver o filme e a única coisa que me passava pela cabeça é que "aquilo" parecia uma espécie de Casa dos Segredos filmada nuns escombros abandonados com a qualidade de uma novela antiga da TVI (que é como quem diz, para aí do ano passado...), porque até as novas têm mais qualidade cinematográfica que isto. Uma nulidade total com assinatura de Tino Navarro e David Rebordão. Mas a única pergunta que fica é: que estás a fazer aqui Rutger Hauer? Enlouqueceste?! Ou simplesmente foste enganado? Não percebi o que o homem estava a aqui a fazer... Mas também não percebi como consegui aguentar até ao fim... Li aqui pela net umas críticas que de alguma forma desculpavam esta porcaria audiovisual pelo facto de o "tuga" normal não gostar de produções portuguesas. Depois de ver isto, mas quem é que quer voltar a uma sala de cinema para ver um filme português? Os realizadores portugueses são todos "de autor" e não conseguem fazer ficção cientifica e comercial em condições? Então simplesmente não o façam, embora eu não acredite nessa opção porque por exemplo o trailer foi feito em condições para "vender" o filme e engana perfeitamente uma pessoa mais desatenta, como foi o meu caso... É que este RPG roça o ridículo e não é aquele rídiculo-sy-fy. É mesmo o ridículo-mau, deprimente e embaraçoso. ○○○○○

