Mostrar mensagens com a etiqueta blockbuster. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta blockbuster. Mostrar todas as mensagens
Honey Whitlock é uma grande estrela de Hollywood. Mas é também um produto de estúdio, e portanto uma fachada de falsidade. É então que entra em cena um grupo de cinema de guerrilha independente, liderados pelo realizador louco Cecil B. Demented. O plano é raptar a grande actriz de Hollywood e obrigá-la a ser a estrela de um filme independente.
Apesar de ser um nome reconhecido, John Waters não é de todo um nome cómodo no meio do cinema. Abertamente anti-sistema e um fazedor de "obras-primas de mau gosto", Waters sempre primou por deitar abaixo o status quo dos estúdios de Hollywood. E a coisa é mais ou menos recíproca. Aliás, aqui ele deita abaixo todo o sistema de Hollywood, incluindo agentes e actores.
Cecil B. Demented é uma "coisa" estranha. Devo já dizer que não sou grande fã do John Waters. Aquela coisa da javardice e do mau-gosto não é para mim, mas reconheço-lhe algum valor. Mas apesar disso não gostei nada deste filme. Percebo a crítica aos grandes estúdios, aos grandes blockbusters, e à lógica da fachada extremamente polida mas falsa das grandes estrelas. E por contra-ponto também percebo a crítica à falta de espaço para os filmes de menor dimensão, dos independentes e dos mais experimentais, assim como à falta de espaço de distribuição e divulgação destes filmes, que assim, muitas vezes morrem logo à nascença sem terem hipótese de sequer ser detestados pelo público. É que nem saem das mesas de montagem para os cinemas. Às vezes dá mesmo vontade de raptar alguém e fazer uma espécie de cinema de guerrilha para chamar a atenção das discrepâncias entre os dois tipos de cinema.
O título do filme não é inocente. Cecil B. Demented é obviamente uma sátira ao lendário Cecil B. DeMille, um dos maiores realizadores/produtores de sempre, comummente reconhecido como um dos fundadores da indústria cinematográfica de Hollywood e um dos homens comercialmente mais bem sucedido da história do cinema. Cecil B. Demented é a perfeita antítese. Sem dinheiro, sem valor e sem reconhecimento.
Stephen Dorff dá corpo a Cecil e na sua equipa de renegados há nomes Alicia Witt, Eric Roberts, Michael Shannon and Maggie Gyllenhaal. Também há Melanie Griffith, mas faz o seu próprio papel...
Gostei do olhar, da crítica incisiva e de um ou outro pormenor, mas no geral não gostei assim tanto de Cecil B. Demented como pensei que ia gostar... ○○○

De todos os vídeos mais consumidos no mundo inteiro, há uns que saltam à vista: são os trailers de filmes. Eles são as melhores ferramentas de promoção que os filmes e os estúdios têm à disposição. Fazem toda a diferença no que toca em chegar ao público e os estúdios sabem muito bem disso. Mas sendo um eterno curioso, sempre me intrigou o nome. Porquê trailer? Tipo, como em "semi-reboque"? Uma coisa que é suposto "vir a seguir a...", mas que aparece "antes de..."? Não me fazia sentido nenhum. Fui então descobrir a origem do humilde, mas omnipresente trailer...
Hoje em dia não preciso partir muito a cabeça à procura das coisas, por isso aqui fica o link. Mas seja como for, um pequeno resumo para mim próprio.
O termo trailer vem do pormenor de terem sido originalmente exibidos no final das longas-metragens (ou seja, a reboque do filme, daí o "trailer"). No entanto, tal como acontece hoje dia, em que ninguém liga ao créditos finais, acabado o filme, o público normalmente abandonava a sala de cinema e então via os trailers. Assim, os trailers passaram para a parte inicial da exibição dos filmes.
Como sempre acontece quando um gajo pesquisa coisas na net, encontra discrepências. Historicamente, há discussões sobre se o primeiro trailer foi do filme The Adventures of Kathlyn, em 1913 ou se foi o Pleasure Seekers de 1912. Questões técnicas à parte, os trailers foram para o início dos filmes e foram-se disseminando como uma parte integrante do próprio cinema. Se bem que ultimamente foram recuperados nos grandes blockbusters da Marvel. O que foi vinculado como uma grande novidade, afinal não é mais que uma repetição... Mas para além desta questões ,alguém consegues imaginar o cinema sem trailers?
Há tantos aspectos nos trailers, tanta história e tanto para falar que acho que conseguia escrever um livro inteiro sobre o tema. Mas vou-me conter e mencionar apenas alguns pormenores que acho relevantes. Logo à partida há os trailers clássicos, que para mim, são aqueles que acho que melhor representam os trailers à moda antiga.



Vendo as coisas em perspectivas, por definição, os primeiros trailers eram na verdade teasers. Pequenos trechos do filme que viria a seguir sem mostrar quase nada do filme, apenas para aguçar a curiosidade. É curioso que isso aconteça porque hoje em dia, o primeiro contacto dos filmes com o público é precisamente com o teaser. Os estúdios lançam "n" de teasers, por vezes, meses antes da estreia e com os filmes ainda na mesa de montagem ou pós-produção, só para manterem o público em contacto e a salivar. Um exemplo recente de um teaser para o lançamento do próprio teaser trailer (!!!) e um exemplo antigo que apostou bastante no efeito surpresa...




Uma das coisas que mais sucesso faz hoje em dia no mundo dos trailers é pegar num filme antigo e fazer-lhe um trailer moderno.  Há que dar todo o mérito a este pessoal com tempo, saber e paciência suficiente para fazer estas coisas. Na maior parte dos casos fazem um trabalho verdadeiramente espectacular. Mas mais importante que esta renovação visual dos filmes antigos, mostram um pormenor importantíssimo: a promoção é tudo! Já não é a primeira vez que noto que o trailer é muito melhor que o filme. Às vezes engana bem o público. O trailer é profissional e tem um tom que o filme, de aspecto às vezes amador, nem lhe chega perto... Mas o mais relevante é o que "amadores" conseguem fazer com o material original...





A recente entrada em acção dos mega-blockbusters, para além de "industrializar" os lançamentos, os argumentos e as próprias estruturas narrativas dos filmes, acabou por contaminar também os próprios trailers. Agora já não são só os filmes que parecem todos iguais; os trailers também são todos iguais. É a derradeira invasão do cliché...




Agora uma homenagem. Eu não sei se isto aconteceu com mais alguém, mas durante anos estranhei o facto de todos os filmes terem a mesma locução. Havia uma série de pessoas com vozes muito parecidas, espectacularmente graves a fazer a narração dos trailers em doses industriais? A resposta é não. Havia apenas um homem. Quando se fala de trailers há um nome que simplesmente não pode ser ignorado. Don Lafontaine. Apesar de ser um ilustre desconhecido, a sua voz é omnipresente. Milhares de trailers, décadas de trabalho, e uma voz profunda e inconfundível nos quatros cantos de mundo fizeram com que gerações inteiras reconheçam este génio na sombra. Merece todo o meu reconhecimento e aplausos porque é parte integrante do mundo do cinema.



E por último, pergunto eu: dada a importância e a omnipresença, não deveria haver um prémio anual, tipo Óscar, para o melhor trailer? Fica aqui a sugestão...
Quando o filme é Ghostbusters, eu poderia estar aqui uma tarde inteira a escrever. Tem tantos pormenores e tanta coisa boa para se falar que dava uma enciclopédia. A música original de Ray Parker Jr.; os excelentes efeitos especiais (para a altura), numa lógica de verdadeira magia do cinema; as figuras icónicas em que se transformaram os próprios Ghostbusters; o Stay-Puft Marshmallow Man gigante e o Slime verde; a carrinha branca e aquele som único da sirene. Poderia falar de todos estes pormenores, mas acho que nem vale a pena. São tão icónicos e imediatamente reconhecidos que seria redundante. Tudo isto já faz parte da cultura geral.
Acho simplesmente que é a mistura tão bem construída de comédia e terror (para 1984; hoje seria considerado mais fantasia do que terror), que o torna num filme perfeito. Parabéns ao Ivan Reitman por ter dado vida a estas personagens e por feito um filme que é uma referência para mim. E não só. Acho que é um filme intemporal. Nunca está desactualizado e nu sai de moda.
Foi muito provavelmente o primeiro filme que vi num cinema. Para um miúdo, foi uma experiência avassaladora, num misto de medo e diversão, tudo ao mesmo tempo. Foi espectacular. Perdi a noção da quantidade de vezes que vi os Ghostbusters, mas já foram muitas. Ainda há pouco tempo estava a dar na TV e não consegui resistir. Tive de o ver outra vez.
Bill Murray, Dan Aykroyd, Harold Ramis e Ernie Hudson serão os Ghostbusters para sempre. Apesar da fatia maior de mérito ser obviamente do Dan Aykroyd e do Harold Ramis (por causa do guião), é obviamente o Bill Murray que rouba todo o protagonismo. É um dos gajos mais naturalmente cómicos que algum vez vi. Um dos meus gajos favoritos de sempre. Sigourney Weaver, Rick Moranis, Annie Potts e William Atherton fazem a melhor conjugação secundária que me lembro. Todos têm deixas memoráveis e inesquecíveis. O que é incrível, se se pensar que a maior parte do guião original não foi respeitado. Grande parte dos diálogos foram improvisados, o que é incrível.
Para mim, Ghostbusters é o protótipo do derradeiro filme de família. Perfeito. Fantástico. Surpreendente. Cómico. Melhor é impossível. ●●●●●

Nos anos 90, os estúdios arriscavam tudo por um bom blockbuster. Incluindo filmar (quase) exclusivamente em ambientes aquáticos. Não sou grande conhecedor da parte da produção, mas já li bastante sobre o assunto para perceber que isto é uma receita para o desastre. E foi o que aconteceu. São inúmeras as histórias dos problemas decorrentes de filmar neste tipo de ambientes. É preciso ver estes filmes mais antigos para perceber porque é que um estúdio hoje em dia gasta 100 ou 200 milhões de dólares numa produção. É que na altura gastava essa quantia (e foi o caso do Waterworld) e ficava à espera para ver se o público cobria o gasto baseado no feeling que seria um blockbuster. Era um jogo. Às vezes funcionava, outras vezes não, como foi o caso. E ia levando o estúdio à falência. O que os estúdios aprenderam com estes "erros" é que podiam retirar o risco da equação. Se voltassem sempre às mesmas temáticas, se apostassem no que os fãs querem ver, se fizessem uns estudos de mercados e nuns pré-releases privados para limar as arestas, e filmassem em estúdio com um fundo verde de fundo, os estúdios praticamente não teriam risco. E foi o que aconteceu. Por isso é que estamos neste loop de blockbusters que parecem todos iguais, que têm a mesma história e que parecem assentar todos na mesma estrutura. Ninguém vai arriscar gastar 200 ou 300 milhões de dólares e esperar que o feeling esteja certo. Tem de estar certo. Tem de ser um produto vendável e financeiramente positivo. Daí que os filmes mais recentes parecerem não ter "alma". É porque não têm mesmo. São produtos multimédia de grande consumo. Estão na mesma classe dos electrodomésticos. Bem, neste caso é na classe de entretenimento. É mais um lançamento de um novo parque de diversões da Disney. Aquilo dificilmente falha. Não é coincidência que este Waterworld tenha estreado ao mesmo tempo dois ou três parques de diversão com a mesma temática pela Universal Studios. Mas isso é outra história.
Para além de ter durante muito tempo a etiqueta do filme mais caro de sempre, também teve a infeliz marca do maior flop financeiro de sempre. Terá sido porque a história era demasiado à frente do seu tempo? Não sei dizer. Mas em 1995, vir falar de alterações climáticas extremas, derretimento das calotas polares e subida do nível dos mares é capaz de ter sido um dos factores. Waterworld, de Kevin Reynolds, é quase premonitório. Num futuro distante, as alterações climáticas fazem com que a subida do nível do mares cubra toda a Terra de água. Na senda dos clássicos filmes pós-apocalípticos, a humanidade sobrevive mas altera-se radicalmente. Há pequenas comunidades a viver em atóis artificiais e há piratas que os aterrorizam. Pelo meio há o também clássico anti-herói que não se enquadra nas categorias anteriores. O motor de todo o filme é a procura dum mítico sítio com terra firme. O mapa para esse local está tatuado nas costas de uma miudinha, que é perseguida pelos piratas. E assim o anti-herói vai lentamente envolver-se no conflito. A premissa até é boa e a história até está bem esbugalhada; o problema é terem querido transformar um filme de ficção cientifica num blockbuster de acção e explosões. Os grandes estúdios não conseguem desligar-se do típico guião de acção e do bom contra o mau. E assim, simplesmente, Waterworld dissolve toda e qualquer introspecção sobre a temática ecológica e reduz toda a história a uma perseguição do mau ao bom e em que o bom (Kevin Costner), no último segundo, derrota o mau (Dennis Hopper) e fica com a namorada (Jeanne Tripplehorn) no final. A coisa perdeu-se de tal forma que no final nem é uma coisa nem outra. Por isso mesmo, apesar de ter alguns bons pormenores, Waterworld acaba por ser apenas mediano a descambar para o fracote. É pena porque tinha aqui material para um bom filmito. Este é um dos casos em que considero que deveriam fazer um remake○○○

Cada vez sou menos fã dos grandes blockbusters. Apesar dos muitos milhões investidos e dos grandes nomes envolvidos, cada vez mais parecem produtos industriais de consumo. Sem alma, sem conteúdo, repetitivos e parecem que só existem porque uma folha de Excel diz que é um bom negócio ou investimento. Não gosto nada disso. Para ser assim, mais vale dedicarem-se a fazer hambúrgueres ou aplicações para telemóvel como os restantes. Mas não. Tinham de vir meter-se no mundo dos filmes. Eu sei que os filmes custam dinheiro, mas pronto, sou um purista e um idealista... Enfim...
Mas toda esta conversa não implica que no outro extremo, as pequenas produções estejam num plano melhor em termos artísticos ou que tenham necessariamente um acréscimo de qualidade. O que me leva a High Life. Uma pequena produção de capitais europeus, obviamente fora da alçada megalómana dos grandes estúdios americanos. Poderia ser um bom sinal que se vai uma coisa em condições, com algum miolo, mas infelizmente não foi o caso. High Life tem poucas coisas positivas, começando pelo mais óbvio que é a realização de Claire Denis. Pouco dinâmica, para não dizer estática, quase, quase a roçar a pobreza dos piores telefilmes. Dou-lhe mérito pelas imagens simples e pouco polidas do espaço que me levam para os filmes de ficção cientifica de outros tempos, mas pouco mais. A história é confusa e apenas arranha temas mais profundos que poderiam ter sido explorados. É basicamente uma missão suicida com laivos levemente sexuais, que tem a inclinação para ser um conto moral, mas que acaba por não dizer nada de muito relevante. Todo o esforço de criação do filme pareceu... desperdiçado. Simplesmente desperdiçado. Com tudo isto, acaba por ser um filme fraquito, mas tinha estrutura de base para dar um bom filme.
Robert Pattinson (ainda a tentar afastar-se do rótulo de teenager vampiro) e Juliette Binoche (a continuar a arriscar nesta altura da carreira) destacam-se pela positiva mais porque o restante casting é fraco (André Benjamin, Mia Goth), do que pelas suas boas prestações. Não é que os actores sejam maus, mas mais as personagens é que não têm grande preponderância na pouca história que percorre o filme. É tudo um pouco a tender para o "intelectual" mas acaba por funcionar ao contrário. Tinha algumas expectactivas, o que tornou este filme ainda mais decepcionante. É pena. Dispensável. ○○○

Pode parecer que esta maluqueira com adaptações de BDe desenhos animados a chegarem ao cinema às catadupas é um fenómeno recente. Infelizmente não é. É mais um daqueles casos em que a história se repete. Depois de chegar à TVs de todo o mundo e de ter conquistado o coração de muitas crianças (e as carteiras dos pais, no caso da bonecada de plástico e restante merchandising), He-Man e restantes personagens da série Masters of the Universe chegam finalmente ao grande ecrã no (já longínquo, para não dizer dinossáurico) ano de 1987.
Para quem não conhece, He-Man e os Masters of the Universe é uma criação animada da Mattel que, pessoalmente, vi em desenhos animados nos meados do anos 80. Também deu uma série de figuras de acção e um sem fim de parafernália de plástico para a criançada. Acho que ainda tenho, tipo uns bonecos ou algo semelhante do He-Man. Era uma mistura exótica de feitiçaria medieval, lutas de espadas, tecnologia espacial e armas de raios laser. Só mesmo nos anos 80...
Apesar dos muitos méritos da criação original da Mattel, quando chegou ao grande ecrã, He-Man espalhou-se ao comprido. Logo à partida havia o preconceito dos bons actores em aparecem nestas produções "menores" de acção e aventura (sintomática a participação de Frank Langella, apenas atrás da máscara), o que fazia com que os estúdios optassem por actores desconhecidos ou de segundo plano no campo da representação (Dolph Lundgren, Meg Foster, James Tolkan, Courteney Cox), o que normalmente resultava mal.
Ainda por cima, naquela altura, o músculo e as miúdas bonitas vendiam o produto (espera! isso ainda funciona bem hoje em dia!!!), os efeitos apareciam para disfarçar as debilidades da história básica, e os guiões acrescentavam cenas de acção sem nexo para o tempo do filme ser mais comprido apenas para justificar mais uma ida ao balcão dos refrigerantes e das pipocas. Ou seja, não era muito diferente de hoje em dia, tirando o facto que estas adaptações sendo uma coisa com um target muito bem definido e especifico (apenas os teenagers) eram ainda mais mal tratados que hoje em dia. Em parte, filmes ridículos como Masters of the Universe foram a semente dos grandes blockbusters de super-heróis e restantes infindáveis adaptações que vemos aí aos montes. A diferença é que naquela altura os grandes actores não eram seduzidos por cachets milionários, os fãs apareciam timidamente e ainda não existiam como os conhecemos hoje em dia, e só então os estúdios começavam a perceber o potencial financeiro do teenager como consumidor de "produtos de cinema". Para além disso, os críticos não tinham de olhar para o resultado financeiro do box office antes de atirem estas produções para debaixo do autocarro das críticas negativas. O mundo do cinema era outro e muito mais simples. Mas foi com flops financeiros e de crítica como o Masters of the Universe que o cinema chegou ao actual estado. Seja em 1967, 1987 ou 2027 estes filmes vão sempre existir. Desde que sejam bem feitos, por mim tudo bem. Mas não é este o caso. Espera-se a qualquer momento um remake... ●○

Vi o Clash of the Titans (o original de 1981) numa matiné infantil, quando ainda era... infantil. Muito infantil. Tinha acabado de entrar na primária. Foi há tanto tempo que sinceramente já não me lembro de nada. Lembro-me que o herói era o Perseu e que tinha de salvar a princesa (Andrómeda) do malvado monstro (Kraken) e da Medusa com os seus cabelos de serpentes. Mas o que me lembro melhor é de ficar completamente pasmado com os efeitos especiais que na altura eram em stop motion animation. É preciso dizer que estes efeitos especiais "rídiculos" era do mais avançado existente na altura. E eram a verdadeira magia do cinema! Tanto assim era que pouco depois entrei num frenesim de moldagem com plasticinas para tentar fazer igual, mas infelizmente os "bonecos" não se mexiam... Lembro-me perfeitamente dos monstros: os escorpiões gigantes, o cão com as duas cabeças, o Kraken e a Medusa. E ainda havia mais, mas já não me lembro bem do que era. Na altura nem sequer sabia quem era os actores. Para mim eram todos desconhecidos. Mais tarde percebi que uns eram kitsch (Harry Hamlin), uns apareciam nos cartazes mas nunca falavam (Ursula Andress) e outros eram mesmo bons actores (Laurence Olivier, Claire Bloom e Maggie Smith). Tal como hoje acontece, o realizador não era propriamente uma peça muito importante do processo e normalmente cabia essa função a um "empregado" mais dotado tecnicamente como é o caso de Desmond Davis.
Clash os the Titans é uma relíquia. Uma peça já considerada arqueológica da história do cinema. Apesar de terem sido os alicerces dos modernos blockbusters actuais, estes filmes mais antigolas são algo totalmente distinto. A cinematografia é diferente, a música é diferente, o marketing e os cartazes eram diferentes, os actores comportavam-se e falavam de forma diferente e até a própria estrutura narrativa era diferente do actual. O cinema evoluiu tanto, humana, técnica e profissionalmente, que um filme destes (e não é assim tão antigo) é quase incompreensível aos olhos de um espectador dos dias actuais. Para mim, é apenas história e... puro saudosismo... Ha! E já que aqui estou, um grande cumprimento para o sr. Ray Harryhausen, um mestre incontestável dos efeitos especiais e um nome mítico do cinema. Gostava de ter estado consigo durante umas horas para me ensinar e ajudar a fazer aqueles monstros em plasticina mexerem-se como nos filmes... Clash of the Titans é um filme épico, cheio de acção e magia que ficou para a História do Cinema. ●●●○

Em Star Trek: Into Darkness, James T. Kirk, um eterno rebelde contra as autoridades superiores, volta a fazer das suas e desrespeita as ordens da Frota Estelar. Mas como qualquer bom rebelde, fá-lo por motivos maiores: salvar o seu fiel companheiro de aventuras, Spock. Por causa deste acto perde o comando da USS Enterprise para o Almirante Pike (Bruce Greenwood), que compreendendo a verdadeira razão, consegue colocá-lo novamente a bordo da mítica nave. É então que aparece um terrorista interplanetário, o super-humano geneticamente aperfeiçoado, Khan. Star Trek regressa com o novo elenco para se cimentar como um dos grandes blockbusters do momento. No papel de vilão, está o Benedict Cumberbatch, que até num vulgar filme de acção e explosões se consegue destacar. J.J. Abrams continua na cadeira da realização e demonstra claramente que é um dos melhores gajos neste ramo dos filmes de entretenimento-pipoca. ●●○○○

Bem, vou-me socorrer da Wikipedia para esta, porque já não aguento mais Star Trek. É uma exagero de filmes. Em Star Trek: Nemesis (décimo filme!!!) a "nova" missão da tripulação da nave estelar USS Enterprise é lidar com uma ameaça da Federação Unida dos Planetas vinda de um clone maléfico do Capitão Picard, chamado de Shinzon (ha!?!), que tomou o controle no Império Estelar Romulano depois de um golpe de estado. Nemesis é o final!!! Finalmente!!!! Este também deve ter sido o grito de despedida do elenco de The Next Generation, como pode ser visto no subtítulo do filme: "Começa a última jornada de uma geração". Stuart Baird realiza esta última entrega. Tom Hardy e Ron Perlman estão sempre bem, seja qual foi o filme, em pequenos ou grandes papéis, e aqui não é excepção. Um final jeitoso para uma saga quase interminável... Porque como é óbvio ninguém iria deixar a "galinha dos ovos de ouro" da bilheteira em sossego. Lá longe, nos confins do Universo, onde estão os estúdios de cinema proprietários dos grandes blockbusters, um reboot estava a caminho... ●○○○○

Mutação e regeneração, vida e morte, criação e destruição, tudo junto num espaço estranho que não se regra pelas leis universais. Annihilation é um bom filmito de ficção científica, algo raro hoje em dia, em que tudo é filme de acção. No entanto, a partir de determinada altura, começou a ir longe demais no aspecto "intelectual".  Esta não é a minha opinião. Mas pelo que li, estranhamente, foi esta a percepção dos estúdios, o que levou a "disputas criativas", o que por sua vez levou a que o filme fosse distribuído pelo "anticristo" do mundo do cinema que é a Netflix. Só por aqui se percebe bem a excelente jogada destes novos "estúdios" de streaming: "Ó pessoal criativo! Têm problemas com os vossos estúdios? Vinde para cá que aqui ninguém vos chateia; Os estúdios "tradicionais" querem interferir com as vossas veias e perspectivas criativas? Venham para aqui! Têm total liberdade criativa, o corte final e mais, quanto mais chocante e polémico, melhor para todos, é publicidade à borla!...". Para o pessoal proscrito, mais independente, diferente do habitual e/ou com novas ideias é o Paraíso...
Annihilation é mais um vislumbre de como vai ser o cinema nos próximos anos: os mesmos quatro ou cinco realizadores/produtores misturados com tarefeiros quase anónimos a fazerem intermináveis blockbusters, remakes e reboots de blockbusters de "estúdio"; e pequenas (que passarão rapidamente a médias) produções totalmente extravagantes e diferentes vindas dos estúdios de streaming (algo a que decidi agora mesmo começar a chamar de "Streamers"). Por mim, parece-me bem. Quando não me apetecer ver nada e quiser só estar a olhar para as luzes, explosões e sons (basicamente, fogo-de-artifício), vejo um filme de super-heróis pela enésima vez; quando quiser ver um filme de jeito, mudo e vejo algo vindo dos streamers... Parece-me bem. Mas pensando bem, não deixa de ser irónico que apesar de serem consideradas por muitos dos realizadores de renome como um flagelo, este novos streamers, vão acabar por ser a salvação do cinema. Se não existissem os "novos" estúdios, é muito provável que os "velhos" acabassem por ficar indefinidamente em loop, a fazer apenas o blockbuster típico que é receita garantida. Não tardava nada, só iam mesmo existir filmes de super-heróis, franchises e os seus remakes e prequelas... Ia ser a loucura total... Mas adiante, que já estou a divagar novamente...
Contrariamente ao que achou o pessoal que manda no dinheiro do estúdio, Annihilation não é obviamente um filme "intelectual". Aliás, começou a prometer imenso e depois até me desiludiu um pouco por se tornar, de certa forma, banal. Quer dizer, banal, talvez seja exagerado. Previsível, se calhar, é o termo mais adequado. Vindo de quem vem, estava à espera de algo mais. Alex Garland é um gajo em que vejo muito potencial. Tenho a certeza que um dia destes vai fazer um daqueles filmalhaços espetaculares. Nota-se que tem todas as "boas referências", se é que me faço entender... Mas desta vez, Garland ficou-se novamente pela "ameaça". O casting também não foi muito feliz. Natalie Portman e Jennifer Jason Leigh são sempre excelentes, mas o restante pessoal (devido às fracas personagens) "desaparecem" do filme demasiado facilmente... Mas o mais importante é que Garland continua a dar bons sinais e é um nome a ter em conta no futuro. Espero com moderada ansiedade pelo próximo projecto. ●●●○○

Bem... Não vou estar com muitos rodeios... Geostorm é a pior borrada que vi nos últimos tempos. Que desperdício de dinheiro e de recursos naturais. Uma chachada pseudo-ecológica de acção e efeitos especiais tão repleta de clichés escusados que até tem a típica cena (metida totalmente à pressão) do miúdo que perde o cão no meio da tempestade, mas que felizmente consegue reavê-lo são e salvo no final, para o público poder aplaudir repleto de júbilo e satisfação... A sério!? Isto para não falar das muitas cenas que foram nitidamente copiadas a régua e esquadro de outros filmes. Quer dizer... O pessoal do estúdios acham que o público é mesmo assim tão estúpido para (re)fazer este tipo de coisas? Não entendo... É uma nulidade completa. Particularmente chateia-me porque nitidamente isto é manobra de estúdio. É um produto de consumo. Isto foi tratado como um nacho que se vende na zona da restauração... Eu percebo a lógica, mas também não é preciso exagerar. Já estou mesmo a ver uma dúzia de engravatadinhos na sua secretária do Conselho de Administração, a fazer contas com a sua folha de Excel® à frente e a ditar o guião: "O pessoal financeiro e os seus estudos de mercado dizem-nos que podemos fazer aqui um dinheirito valente e portanto vamos aproveitar esta coisa das alterações climáticas e fazer um grande blockbuster de acção e efeitos especiais. Olhe lá, ó guionista, aponte aí uns pontos importantes: tem de ter 3 estrelas de Hollywood conhecidas (Gerard Butler, Andy Garcia, Ed Harris), o bom da fita tem de ter uma filha ou um familiar com quem não se dá bem, mas reconcilia-se no final; tem de ter um cena com um miúdo que perde o cão mas depois consegue reavê-lo são e salvo no final; tem de ter uma contagem decrescente que vai até ao 3, porque quando acaba no último segundo os consumidores já não acreditam; Ah! E tem de ter um miúda gira (Abbie Cornish). É sucesso garantido..." A sério?!? Fico com a impressão que estes filmes são feitos ao contrário: primeiro fazem um trailer espetacular com as cenas de efeitos especiais e depois é que tentam encher as restantes duas horas de filme com uma treta qualquer... Ou seja, resumindo, isto é uma coisa tão artificial que é um zero absoluto. Dou-lhe apenas crédito por isso mesmo: não é fácil fazer uma nulidade completa. ○○○○○

Não sei se foram as drogas psicadélicas dos anos 70 a terem efeitos inesperados ou o boom económico dos anos 80, mas realmente aconteceu um crescimento exponencial no cinema de entretenimento. Ao mesmo tempo, apareceram as ideias mais estranhas e criativas que me lembro, assim como misturas imprevisíveis e surpreendentes de géneros tão díspares como o a comédia, a fantasia e o terror. Um dos exemplos é este Gremlins e dispensa apresentações muito longas.
Um rapaz recebe de prenda um estranho animal vindo das profundezas misteriosas de Chinatown. Esse estranho, fofo e adorável "bicho" é um Mogwai e tem algumas particularidades muito próprias: não pode ser exposto a luzes muito fortes, não pode ser molhado e nunca, mas nunca, pode ser alimentado depois da meia-noite. Se a luz intensa o pode matar, a água faz com que se reproduza. Já alimentá-lo após a meia-noite faz com se transforme num pequeno e perigoso diabrete conhecido com Gremlin.
Não sei se foi a ideia ou os efeitos "revolucionários" para a altura, mas o que é certo é que foi um mega sucesso dos anos 80 e que se tornou num verdadeiro fenómeno pop que ainda hoje perdura. E para um filme ser um sucesso de bilheteira quando foi lançado ao mesmo tempo que os Ghostbusters (no mesmo dia!) e o Indiana Jones and the Temple of Doom é porque teve méritos mais do que suficientes.
Zach Galligan, Phoebe Cates, Corey Feldman e o mítico Dick Miller lutam incessantemente para livrar a sua pacata vila desta invasão incontrolável de Dick Miller .
Chris Columbus na escrita e Joe Dante na realização criaram um filme que criou raízes com o tempo e que para além da história criativa, mesmo tecnicamente ainda é um filme com argumentos suficientes para se "aguentar" nos dias de hoje. Também não será coincidência que Steven Spielberg, o mago visionário e criador dos blockbusters "actuais", estivesse nos bastidores como produtor...
Foi um dos primeiros filmes que vi no cinema e por isso tem uma carga gigante de nostalgia associado. Só posso dizer: Gremlins forever. ●●●●○

Ronin é um samurai sem amo. Fiquei a saber isto ao ver o 47 Ronin. Pensava que ronin significava que um samurai se tinha revoltado contra o seu amo, mas pensando bem isso seria quase impossível visto os samurais se regerem por um código de honra bastante rígido. Quer dizer, isto é o que aparece sempre nos filmes. Presumo que tenha uma base de verdade. Seja com for, faz sentido. Aliás, esse código é a base da história deste 47 Ronin. Depois do seu amo ser morto traiçoeiramente, os samurais quebram a lei, revoltam-se e procuram vingança, mesmo sabendo que o seu destino está tragicamente traçado.
Apesar de ser uma novidade para mim, já é a sétima vez que esta história dos 47 Ronin chega às salas de cinema. Esteve sempre nas "mãos japonesas", daí que dificilmente um gajo "normal" consiga ver estes filmes... E lá está: nunca os consegui ver. No entanto, esta é apenas a primeira vez que Hollywood pega no tema. Dá que pensar.
Honra, lutas de espada, traição, vingança e o Keanu Reeves a destacar-se demasiado num casting totalmente oriental (Hiroyuki Sanada, Ko Shibasaki, Tadanobu Asano, Min Tanaka), são os condimentos principais. É um bom filmito, ainda por cima baseado numa história real. Bem escrito, medianamente bem realizado (Carl Rinsch) e com ação q.b, polvilhado por dispensáveis criaturas digitais como é obrigatório em qualquer filme aspirante a blockbuster. Apesar da pouca chama, 47 Ronin é um filme simpático... dentro do género. ●●○○○

Venom... Mais um spin-off, mais um derivativo qualquer do universo da BD da não sei das quantas, mais um filme de "bonecada" digital sem o menor pingo de nada... Vale pelo Tom Hardy (gajo que curto valentemente e que não percebo o que está a fazer aqui...) e pouco mais. Andam por lá outros actores (Woody Harrelson, Michelle Williams) mas tudo o resto é acessório. Só conta mesmo a acção e mais nada. É o blockbuster do costume. Bem, não vale a pena gastar o meu latim numa coisa tão fraca. Por isso vou falar de outra coisa.
Numa entrevista após a saída do filme, o co-criador da personagem Todd McFarlane, insurgiu-se com as críticas negativas e disse que os críticos são demasiado velhos para apreciar o filme. Sem ser textual, ele disse que os críticos entram no cinema com os seus 40 e tal anos e depois saem para dizer que o filme foi uma merda. Mas que quando o público tem 16 anos, vai ver o filme e acha um espectáculo. Os miúdos adoram.
É exactamente isso que eu também acho. Se tivesse 16 anos adoraria o filme. Quanto tinha 16 anos, os filmes de entretenimento nem chegavam aos calcanhares destes. Só havia um blockbuster por ano e apenas existiam heróis de acção (nem sequer tinham super-poderes) e um deles era o Van Damme... Puff! Isto agora é mesmo para meninos... Os filmes nem sequer tinham efeitos especiais, meu! Por isso, claro que os miúdos de 16 anos - de agora - adoram o filme. Tem efeitos especiais a rodos, transformações digitais, violência desnecessária, má linguagem aos pontapés, uma história linear - para ser percebida por qualquer miúdo que curta video-jogos (e são quase todos) -, gajos constantemente a voar em todas as direções, pancadaria velha e explosões a cada 3 minutos. Isto de facto, é o que qualquer miúdo de 16 anos adora. Não tenho dúvidas disso. Mas isso não invalida o facto de o crítico ter na mesma os 40 e tal anos, pois não? Nem o facto de ele achar que o filme é de facto uma merda, porque o filme não foi feito para ele; foi feito para o tal miúdo de 16 anos. Pergunta lá ao miúdo de 16 anos o que é que ele achou daquele clássico do Kubrick? Ou do novo filme do Michael Haneke? Aposto que a a resposta seria... "uma merda"! "As pessoas só falam!" "Não há socos e nem uma única explosão!"...
Se se faz um filme exclusivamente para um público não se pode querer agradar ao outro. Não se pode ter o crítico e a bilheteira na mesma mão. Ou se tem uma coisa ou se tem a outra. É tão simples como isso. É a vida. Ou será que ele prefere trocar os 900 milhões de receita de bilheteira por uma excelente crítica reconhecida internacionalmente? Não me parece... ●○○○○

Após ver Valerian and the City of a Thousand Planets, deu para perceber perfeitamente que este filme é a "menina dos olhos" do Luc Besson. Um sonho de criança, que tornou realidade. Pelo que li, tornou-se também um pesadelo para os produtores que estão quase na falência, devido aos fracos resultados de bilheteira. Não costumo ligar nada à "sondagem das pipocas", mas neste caso, curiosamente, as coisas conjugaram-se.
Apesar de ter uma história engraçada e original, de ser visualmente muito bem pensado, sinceramente, não consegui ver mais nada que uma interminável e chata verborreia digital. Um imenso vazio folclórico de nada. Vi o filme há pouco tempo e praticamente já não me lembro do que vi. Mas lembro-me de ficar com umas dorzitas de cabeça, tal foi o estrondo visual e pirotécnico.
O elenco podia ajudar a melhorar um bocado as coisas mas nem isso aconteceu. Um par demasiado "juvenilizado" e sem grande química (Dane DeHaan e Cara Delevingne), não conseguem equilibrar um robusto casting secundário (Clive Owen, Ethan Hawke e Rutger Hauer), que diga-se, foi tão "secundarizado" que praticamente desapareceu do filme...
Está na cara que Luc Besson fez um filme para deleite próprio. Está no seu direito. Espero que ele tenha gostado do resultado final. Eu é que não gostei nada. E parece que o resto do pessoal também não, o que é bastante estranho, porque segue exactamente os mesmos padrões dos grandes blockbusters vendedores de pipocas. Acho que este é um exemplo de "eurofobia" cinematográfica. Aposto que se tivesse a assinatura do Michael Bay (ou sucedâneos), Valerian and the City of a Thousand Planets tinha dizimado culturas inteiras de milho para pipocas e batido uns quantos recordes de bilheteira. Mas como se falou muito na questão de ser a mais cara produção "europeia" de sempre... Acho que o flop teve mais questões culturais associadas do que questões cinematográficas. Ou então o pessoal fartou-se de ver filmes "vazios" de tudo, mas repletos de efeitos digitais e acção non-stop.... Naa! Tenho a certeza que foi mesmo a questão "europeia". É mais um filme óptimo para passar nos natais e passagens de ano na TV... ●○○○○

John Hancock bebe demasiado, tem um ar tão desmazelado que mais parece um sem abrigo e tem uma linguagem e uma atitude no nível mais rasteiro possível. Mas para além destas características nada abonatórias, Hancock também é um super-herói muito poderoso. É um dos gajos mais detestados de Los Angeles. Tudo muda quando salva a vida de um relações públicas idealista (Jason Bateman) que se oferece para lhe mudar a imagem (e principalmente, a atitude) para um "novo" super-herói que seja respeitado pela cidade. Hancock (Will Smith) conhece a mulher dele (Charlize Theron), que misterioramente não o quer perto dela, nem da sua família.
Hancock até tenta ajudar e salvar vidas, mas com poderes e força ilimitada, constantemente destrói partes da cidade de forma irresponsável, causando milhões de dólares de prejuízo.
Pensando bem, até faz sentido. Uma pessoa vê os filmes de super-heróis e de facto, quando eles entram em acção, estejam a lutar contra os super-vilões ou ameaças extraterrestres, conseguem sempre salvar a criancinha do prédio a arder, mas pelo meio explodem com carros, prédios ou arrasam cidades inteiras, provavelmente matando centenas de pessoas e causando prejuízos incalculáveis... Mas ei! Isso são blockbusters de verão! Não são obras filosóficas, de análise sociológica ou de impacto económico. É para ver acção e de preferência, imensas coisas a explodir. É só para ver, não é para pensar! Mas de facto, normalmente, causam mais danos do que outra coisa.
Por isso, gostei de ver este Hancock (realizado por Peter Berg). Não chateia. É mais uma daquelas chicletes de acção e efeitos especiais, mas tem algum miolo e até tem alguma piada. Pelo menos é uma forma diferente de ver super-heróis em acção. ●●○○○

Uns mercenários europeus embarcam numa grande aventura asiática em busca da então misteriosa e explosiva pólvora e acabam na Grande Muralha da China (e aqui é mesmo muito grande!) a combater uns extraterrestres digitais que caíram naquela região há muito tempo. Ah! Daí terem construído a grande muralha... Nunca tinha percebido porque é que os chineses se tinham dado a tanto trabalho. Um gajo está sempre a aprender.
The Great Wall é um daqueles filmes que não engana. Percebe-se logo pelo trailer que um gajo vai encontrar um filme de acção meio desmiolado, tipo pipoca. Não tem mal. Há centenas destes filmes e são inofensivos. É para vender bilhetes e pipocas. E é isso. Não precisa de grandes enredos ou grandes interpretações. O núcleo do filme são as cenas de acção em super slow motion, close-ups extremos e efeitos especiais digitais. Nesse aspecto não engana.
The Great Wall é mais um blockbuster caríssimo cheio de explosões e uns monstros feitos em computador. E depois acaba.
Mas o mais importante a reter deste filme é a origem do filme. Que eu saiba (ou me lembre) este é mesmo o primeiro filme chinês vindo de estúdios de Hollywood (comprados por empresas chinesas) e filmado inteiramente na China. Ou seja, vendo bem, este é provavelmente o primeiro blockbuster/co-produção com a marca EUA/China. Há uns anos atrás, quem diria que isto fosse possível? É... a realidade económica do mundo anda a pregar-nos partidas...
A realização é normal para este tipo de filmes e é do imponente e experiente Yimou Zhang, que conta com as presenças esporádicas de Matt Damon, Willem Dafoe e Pedro Pascal para justificar a entrada nas salas de cinema europeias. Porque sinceramente não estou a ver o público americano ou europeu a correr para os cinemas se no cartaz estivessem nomes tão conhecidos como Tian Jing, Andy Lau, Eddie Peng ou Hanyu Zhang, pois não? Filmado nas mágicas e surreais paisagens naturais de Qingdao (China) e na Nova Zelândia, a única coisa que se destaca neste filme, é mesmo a fotografia que é mesmo muito boa.
Tirando esse bom pormenor, The Great Wall é mais um filme VEE (Ver, Entreter e Esquecer). ●○○○○

Depois de uma série de estranhos eventos mundiais, um geofísico faz uma terrível descoberta: o núcleo da Terra deixou de rodar. Como consequência, o escudo eletromagnético que protege o planeta das ameaças exteriores está a deteriorar-se. Se nada for feito, a Terra será destruída.
Se isso acontecesse mesmo estaríamos condenados à extinção, mas como isto é um filme, há uma hipótese remota de sobrevivência: usar uma ultra avançada e secreta nave para chegar ao núcleo do planeta e detonar um engenho nuclear para reactivar o movimento no interior da Terra.
Dito assim, The Core, tinha tudo para ser um completo desastre. Tem uma premissa científica ao nível de uma aula de ciências da natureza do 7.º ano; parece outro daqueles filmes desmiolados, repletos de acção, explosões espectaculares e efeitos de destruição maciça digital; e ainda por cima é um remake de (Deep Core) uma produção de série B (ou C?) feito uns anos antes. Mas não é o caso. Curiosamente até é um filme bem jeitoso. É despretensioso, tem algum "miolo", foge de alguns dos clichés como o do "vou-me sacrificar nesta cena emotiva em prol da Humanidade" e tem realmente bons actores como Aaron Eckhart, Hilary Swank, Delroy Lindo, Tchéky Karyo e Stanley Tucci.
Apesar de ser exactamente igual a outros blockbusters de destruição planetária, The Core tem algo que o distingue dos restantes. Serão os actores? Será o equilíbrio entre interpretação dramática e os efeitos especiais? Será um certo cheirinho a Viagem ao centro da Terra de Júlio Verne? Sinceramente, não sei identificar o porquê, mas destaco-o dentro do género, e estranhamente é um dos meus "filmitos de ficção cientifica/acção/efeitos especiais" favorito. ●●○○○

Tenho uma tendência para guardar coisas. Não sei porque é que isso acontece, mas acontece. Até tenho tendência para guardar links... Para quê guardar cenas da net se nada sai de lá? Não faz sentido. Leio uma coisa na net, por qualquer motivo acho que é interessante... pimba! Guarda o link. Para quê? Para nada. Fica ali o coitado do link a "ganhar pó" para sempre ou até me aperceber que não tem interesse e acaba no caixote do lixo...
Aqui vão alguns desses links "muitos" interessantes sobre outras vertentes do mundo do cinema.
www.moviemistakes.com - para aqueles puristas que procuram toda e qualquer falhazinha num filme... como eu.
www.imagesjournal.com - site com fotos muito boas de cinema. Parece que anda meio parado, mas ainda tem um bom arquivo...
Highest grossing movies box - artigo da Business Insider sobre os filmes que ultrapassaram a mítica barreira dos mil milhões de dólares de facturação. Loucura total nas caixas registadoras...
O Tarantino Africano - artigo sobre Isaac Nabwana, conhecido como o Tarantino africano que faz filmes de acção em bairros de lata nos arredores da capital do Uganda... É mesmo verdade...
Algoritmo prevê se filme vai ser um sucesso - artigo sobre um algoritmo que lê os argumentos e consegue prever se o filme vai ser um blockbuster ou não. Assustador...
Film-makers & Frankenstein - e finalmente, um artigo muito interessante sobre o fascínio dos realizadores com a personagem de Frankenstein. It's (still) alive!...

Para quem teve a paciência suficiente de estar a carregar nos links todos, deixo um pequeno extra que tinha para aqui perdido. Eu sempre pensei que aquela cena era digital... Mas pensando bem, é a Ellen Ripley, portanto...

Muito antes de haver blockbusters de verão/natal, existiam os filmes catástrofe. The Towering Inferno é um dos primeiros exemplos desta classe de filmes já extinta. Sendo uma super-produção da altura (uma rara co-produção entre estúdios concorrentes [20th Century Fox e Warner Brothers]), juntaram-se os melhores dos melhores de forma a fazer o "maior" filme possível. Estes filmes eram grandes em tudo: no orçamento, nos efeitos, nos sets, na quantidade de grandes estrelas de Hollywood e até na duração do filme!
Era nesta altura que os estúdios, realizadores e técnicos muitas vezes criavam novos conceitos e efeitos especiais para deixarem o público de boca aberta e com o coração aos pulos.
A escala de The Towering Inferno é absolutamente gigante para os parâmetros da altura. Tudo se passa num enorme arranha-céus de escritórios, com centenas de andares, onde, devido à má construção, deflagra um incêndio que deixa refém toda a comitiva VIP que estava na cerimónia de inauguração no topo da torre. E não há saída possível... É uma espécie de Titanic vertical, mas com fogo em vez de água.
A história, composta por pequenas histórias laterais e as suas personagens - entretanto banalizada por inúmeras cópias - era simples mas deixava o público em suspense.
Tudo em The Towering Inferno parecia verdadeiro. Estávamos em 1974. O mundo era diferente e as pessoas eram muito mais credíveis no que diz respeito ao cinema. Vi este filme (e outros do mesmo género como Earthquake e The Poseidon Adventure) quando ainda era miúdo e lembro-me perfeitamente que as pessoas mais velhas ficavam impressionadas pelos actores estarem no meio do fogo ou porque tinham caído do prédio em chamas. Eu sonhava com este tipo de filmes e imaginava cenários gigantes com imensa acção. Estes filmes catástrofe eram poucos mas bons. Também não havia mais nada do género...
Apesar de ser uma "velharia" é uma boa "velharia". Ainda se vê muito bem, mas está demasiado "marcado" pelo tempo. É mais uma peça de museu que outra coisa. É uma oportunidade única de ver "história do cinema" em acção, assim como a oportunidade para ver verdadeiros "monstros" do cinema como Steve McQueen, Paul Newman, William Holden, Faye Dunaway, Fred Astaire, Richard Chamberlain, Robert Vaughn, Robert Wagner, entre outros. Até o O.J. Simpson está lá...
Tirando o evidente factor "tempo", The Towering Inferno é um filme que faz parte da história do cinema e toda a gente que gosta da "arte" tem de o ver obrigatoriamente. Mesmo sendo uma relíquia e uma peça de museu. ●●●●●

 
Copyright © 2015 todos os filmes que vi
Distributed By Gooyaabi Templates