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Um jovem vai entregar um carro de um stand ao dono e para isso vai ter de conduzir longas horas de um estado americano para outro. Entediado com a longa viagem solitária, oferece boleia a um desconhecido numa noite de chuva intensa. A viagem é longa e feita pelo meio do deserto onde abundam estradas intermináveis. Os problemas começam de imediato quando ele descobre que o homem da boleia é na realidade um assassino em série que tem cometido crimes horríveis por aquela estrada fora. Para além de o perseguir, o assassino acaba também por incriminá-lo de vários crimes, levando-o a ser confrontado e perseguido pela polícia... A sua única ajuda é uma simples empregada de restaurante...
Um gato persegue as suas presas e brinca com elas até as matar. O prazer do gato nunca está na perseguição... está no doce sabor do medo. É assim que eu vejo este The Hitcher. Um perseguição infindável, cheia de cantos obscuros, reviravoltas e volte faces inesperados, em que o actor principal é manipulado pelo vilão e não parece ter saída possível do pesadelo em que caiu...
The Hitcher está muito bem feito e muito bem realizado por Robert Harmon. Tem uma grande fotografia cheia de planos enormes do deserto com aquelas excelente cores de fundo. As poucas, mas fantasticamente bem filmadas e intensas cenas de acção, estão muito bem equilibradas com as cenas calmas de suspense... um gajo nunca sabe quando o assassino vai aparecer para infernizar a vida do jovem condutor...
Grande performance dos dois actores principais (C. Thomas Howell encarna muito bem a personagem que entre numa espiral descendente), mas facilmente se destaca o Rutger Hauer que aqui está quase no nível mítico do Blade Runner. As nuances, as expressões... Sem dizer uma única palavra, Hauer consegue transmitir perigo e loucura em cada imagem. Um dos filmes pelo qual será sempre recordado. Aqui criou-se um dos grandes vilões do cinema. Uma palavrinha para Jennifer Jason Leigh numa das primeiras aparições em cinema e que só acrescenta qualidade ao casting.
Na altura que o vi, há muitos anos atrás, The Hitcher era teoricamente um "típico" filme de videoclube dos anos 80 (estava no lote daqueles filmes a granel de que nunca tinha ouvido falar e não esperava que fossem sequer bons), mas que se revelaria como uma enorme surpresa. Um gajo aluga um filmito e espera umas cenas básicas de acção e terror e acabar por lhe sair um dos grandes thrillers do cinema... Recomendado. ●●●

Anda meio mundo a sugerir coisas para se ver durante esta pandemia. E o pessoal está todo em casa a ver séries sobre pandemias e filmes sobre reclusão forçada em casa, por isso acho que o melhor é arranjar umas alternativas diferentes... Que sejam, digamos assim, mais emocionantes...
Craig T. Nelson e JoBeth Williams são casal normal, com uma vida rotineira que acabam de se mudar para uma casa nova. Os três filhos também não têm nada de especialmente relevante para contar. São miúdos normais. Como tantas vezes acontece com os amigos imaginários, um dia, a miúda mais pequena começa a falar com a estática da televisão... Os pais não ligam muito ao assunto, mas do dia para noite, os móveis começam a mexer-se sozinhos, ao mesmo tempo que estranhos e inexplicáveis fenómenos começam a acontecer... Os pais contratam uma série de especialistas paranormais (Beatrice StraightZelda Rubinstein) para resolver o assunto, mas tudo descamba para o terror quando a miúda (Heather O'Rourke) é raptada e levada pelos "seres da TV" para uma dimensão paralela...
Apesar de ser um filme de terror, na verdade ninguém morre. Acho que o pássaro da família morre, mas já não tenho a certeza. É um filme de terror com a marca Steven Spielberg portanto ninguém se magoa definitivamente. Mas também é um filme Tobe Hooper, o que quer dizer que muitas cenas são absolutamente assustadoras. Não é por nada que ainda hoje perdura a questão da autoria do filme. Spielberg ou Hooper? Conhecendo o trabalho dos dois, este parece mesmo um filme feito a quatro mãos. Apesar de ser nitidamente um filme Spielberg, não se pode menosprezar Poltergeist como sendo pouco terrorífico. Quando o vi em miúdo, assustou-me até ao tutano. Na altura as emissões de televisão tinham um fim e podia-se ver realmente a estática assim que a emissão acabava, algo que, estranhamente, quase ninguém tem noção do que é. Mas nessa altura, eu tinha medo da estática. Muito medo. Se apanhava a televisão nesse estado, corria para a desligar. Foi esse o efeito Poltergeist. É um dos grandes filmes de terror do cinema. A história é muito boa, cheia de pormenores que ficaram para posteridade. Os actores também estão muito bem. Mas há que destacar os efeitos especiais que na altura deixavam um gajo de boca aberta. Poltergeist foi um dos primeiros filmes que vi e muito provavelmente o primeiro filme de terror. Se me afastou da temática, por medo, durante muito tempo, estranhamente também teve o efeito contrário. Passado o efeito "real" da coisa, ou seja, quando finalmente cresci e percebi que do outro lado da câmara estava uma equipa de filmagem, isso deixou-me imensamente intrigado: como é que faziam aquilo? como é que punham as coisas a mexer-se sozinhas? E os raios? E a árvore? E o palhaço? Porra para o palhaço. As cenas com o palhaço aterrador devem ter traumatizado milhões de pessoas ao longo dos tempos... Acho que actualmente as pessoas têm problemas com palhaços e isso em parte deve-se ao Poltergeist...
Para além do currículo de sucesso que o filme carrega consigo, também existe uma carga muito negativa associada. Coincidência ou não, uma série de eventos trágicos têm percorrido a franchise ao longo dos tempos. Pouco depois da estreia, Dominique Dunne que fazia de filha mais velha, foi morta à porta de casa por um ex-namorado. A miúda mais nova (Heather O'Rourke) também morreu na rodagem do 3.º filme e ainda há a reportar a morte repentina de mais actores, assim como uma serie de acidentes e coisas inexplicáveis... É a chamada Maldição do Poltergeist. Há uma teoria que diz que tudo acontece porque no final deste primeiro Poltergeist foram usado esqueletos verdadeiros. Sim, esqueletos de pessoas verdadeiras para as filmagens. Em 1982 se era para atingir um grau de veracidade nos efeitos, recorria-se a tudo. E pior, a actriz (Jobeth Williams) nessa cena não sabia que os esqueletos eram verdadeiros; pensava que eram simples adereços... Weird shit...
Poltergeist foi um dos grandes sucessos de bilheteira naquele ano e um filme que marcou uma série de gente. Se em algumas situações acaba por estar um pouco datado, em muitas coisas continua a ser verdadeiramente aterrador. Até já me deu aqueles arrepios esquisitos na nuca... ●●●

A apresentação de provas terminou e o juiz acaba de instruir os jurados. Eles terão de se reunir e decidir literalmente sobre a vida ou a morte de um jovem acusado da morte do pai. As provas parecem apontar inequivocamente para a culpa do jovem e a reunião dos 12 jurados parece apenas uma formalidade jurídica. No entanto, quando tudo apontava para uma conclusão rápida, a situação dá uma volta inesperada quando um dos jurados declara que o jovem é inocente porque tem dúvidas sobre o caso. A polémica estala entre os jurados... Uma sala pequena, abafada, quente e 12 homens a decidirem sobre a vida ou a morte de um jovem. Eis a premissa de 12 Angry Men.
Aos poucos, vai-se sabendo mais das particularidades dos caso, mas também se vai conhecendo melhor a personalidade dos jurados e porque é que eles pensam da forma que pensam. Tudo se resume, literalmente, ao esgrimir de argumentos entre estes 12 actores: Martin Balsam, John Fiedler, Lee J. Cobb, E.G. Marshall, Jack Klugman, Edward Binns, Jack Warden, Henry Fonda, Joseph Sweeney, Ed Begley, George Voskovec, Robert Webber. Todos têm tempo de antena, todos são importantes para o desenrolar da história e todos merecem o mesmo destaque.
Esta foi a estreia bombástica Sidney Lumet, numa produção do próprio Henry Fonda. Lumet conseguiu fazer um filme numa mísera sala e ainda assim construir todo um mundo de personagens. Não é coincidência que só saiba o nome de dois dos jurados (Davis e McCardle). Os restantes só são conhecidos pelas suas profissões. Os nomes não são importantes... O importante é o que eles significam, pois todos são um género de estereótipo da sociedade americana. Não é uma coisa muito perceptível, mas é mais um excelente pormenor a juntar ao resto. Acho que poucos filmes conseguem uma simplicidade tão brilhante quanto este. Um guião absolutamente sem falhas, grandes diálogos dramáticos e uma ambiência quase de suspense, que deixa um gajo agarrado à cadeira à espera de novos desenvolvimentos na história. E quando uma pessoa pensa que aquilo vai bloquear numa situação, somos logo confrontados com uma reviravolta...
Este é um dos grande filmes de sempre. Posso ir mais longe e afirmar que 12 Angry Men resume toda a essência do cinema: uma boa história, bons actores, um cenário e um realizador com capacidade para misturar isto tudo. E esta é talvez, a mais perfeita mistura com o mínimo possível de ingredientes. Um caso de estudo sobre como fazer um filme perfeito. Nada a apontar. Um dos grandes filmes da história do cinema. Absolutamente obrigatório. ●●●●●

A história repete-se continuamente e como não podia deixar de ser, Stephen King volta a ser o rei das adaptações. Os estúdios decidiram voltar a pegar no material do mestre e fizeram muito bem. Desconfiei desta adaptação, porque a primeira vez que o fizeram, saiu um enorme embrulhada.
Bem, neste caso, fizeram as coisas em condições e foi uma boa surpresa. It acaba por estar bem construído, muito bem equilibrado e conseguir pregar uns sustos valente aos mais desprevenidos ou pelo menos aos não-habituais do género. Não exagera no terror e no gore e também não desilude no suspense. Convém relembrar o enredo de It. No final dos anos 80, um grupo de miúdos da pequena povoação de Derry, no Maine é perseguido por um palhaço assassino que afinal não é mais que um monstro metamorfo que vive nos esgotos e que sentindo o medo das crianças, persegue-as e devora-as. Dito assim, facilmente poderia descambar para uma nova grande borrada cinematográfica, mas Andy Muschietti consegue equilibrar muito bem o terror sanguinário explícito com a força das histórias dos miúdos e assim presentear o público com um filme de terror que tem alguma estrutura e miolo. Podia muito bem ter seguido o "guião" oficial do filme de terror de teenager, mas felizmente conteve-se e decidiu criar um novo caminho. Ainda bem...
Nos papéis destinados aos sete miúdos do grupo dos "loosers", Jaeden Martell, Jeremy Ray Taylor, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Chosen Jacobs, Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff foram uma excelente escolha de casting para entrarem em confronto directo com o terrível palhaço Pennywise. Apesar de todos os efeitos especiais envolvidos, a grande figura de It é mesmo Bill Skarsgård, o actor por trás do monstro. Mesmo com aquela make-up toda, Skarsgård consegue fazer transparecer carisma e especialmente um medo ao mesmo tempo "inocente" e primordial. Muito bem conseguido.
Apesar de ser mais um reboot (neste caso até foi totalmente necessário para dar crédito à história do mestre King), It acaba por ser um bom filmito de terror. Não é nada do outro mundo (tal como o palhaço Pennywise), mas vê-se muito bem. ●●○○


PS: Obviamente não é coincidência, mas convém ressaltar o facto do remake aparecer... 27 anos após o primeiro filme. Tal como acontece com o macabro palhaço Pennywise. Foi um bom pormenor do estúdio.
Mesmo com todos os exageros, os anos 80 produziram algumas mais icónicas criações do cinema. Uma das figuras que é impossível não mencionar é o Predador. Nada mau para um "banal" filme de acção e gajos musculados de ginásio... Na realidade, Predator não é assim tão "banal".
Este foi um filme que já vi na fase VHS, ou seja, numa altura em que ver filmes no cinema já era uma coisa rara. Foi pena. Gostava de o ter visto num ecrã a sério e não na Grundig da sala que teria o mesmo tamanho que alguns tablets actuais. Mas isso não invalida que tenha ficado siderado com o filme. Foi uma surpresa total. Numa altura em que os filmes de acção seguiam sempre o mesmo guião e a mesma linha de história (é mais ou menos como hoje em dia: bom contra mau e no final, o mau perde, o bom ganha e fica com a rapariga) ver o Predator a começar assim e lentamente introduzir elementos da ficção científica foi uma enormíssima surpresa. Melhor ainda, o "mau" do filme tornaria-se com o tempo num dos grande ícones do cinema. Nada mau para um "monstro" que só tem para aí uns 8 minutos de tempo de ecrã.
Tal como do Alien (e não faço grande distinção em termos de valor), como sempre fui fã do Predador, ao longo do tempo fui descobrindo umas coisas acerca desta horrenda criação cinematográfica. Por exemplo, descobri que Van Damme foi "o" Predator durante uns 2 dias. Curiosamente, em algumas das primeiras cenas com aquele manto de invisibilidade espacial, é de facto o Van Damme que lá está por baixo da fatiota... O que li acerca da desistência de Van Damme do filme, foi que ele não queira aparecer como "não creditado" e ainda por cima, todo o "monstro" original foi completamente redesenhado, o que levou ao seu abandono das filmagens. Ainda bem, porque já a vi a versão original e era ridícula; já a versão final do monstro tornaria-se lendária. Li também que o mago dos efeitos especiais, Stan Winston, criou o monstro final, mas teve a ajuda de um gajo em particular: James Cameron. Pelos vistos, encontraram-se fortuitamente numa viagem de avião e quando Winston lhe mostrou o novo design do Predator, Cameron sugeriu acrescentar alguns novos pormenores como as mandíbulas extra e aquela fronha horrível. Este pequeno momento resultante de um encontro fortuito, trouxe para o cinema uma das melhores cenas de sempre, que é quando o Predator tira a máscara (também ela muito bem desenhada) e finalmente mostra a face alienígena. Épico e memorável. Goste-se ou não, é muito raro eu encontrar uma pessoa que nunca tenha visto essa cena.
Apesar de ser um "típico" filme de acção, Predator segue as mais as passadas rítmicas do género siege-movie. Uma série de musculados comandos americanos vão sendo caçados um a um e dizimados por uma força desconhecida na densa floresta sul-americana. Um pequeno à parte para dizer que Predator é estranhamente uma co-produção México-americana. O que faz todo o sentido, porque sem os recursos digitais de hoje em dia, quando alguém nos anos 80 queria fazer um filme visualmente verosímil passado numa floresta sul-americana, tinha mesmo de ir filmar para uma floresta sul-americana. Assim, também se percebe um pouco melhor a posição do Van Damme: não deve ser nada fácil andar com uma fatiota hiper-quente numa verdadeira floresta tropical. Consta-se que ele desmaiava com o calor extremo dentro do fato. Não sei se esse parte é verdadeira ou não, mas também não estranharia se o fosse. Outros tempos em que não havia fundos verdes para filmar...
Para Predator, juntaram-se os mais musculados e carismáticos gajos dos filmes de acção da altura: Arnold Schwarzenegger, Carl Weathers, Bill Duke, Jesse Ventura e Sonny Landham. Elpidia Carrillo cria o único elemento de fragilidade em todo o filme, enquanto Kevin Peter Hall cedeu o seu extraordinário tamanho para dar corpo e movimento ao Predator. Mais uma pequena curiosidade: Shane Black aparece numa pequena participação secundária. Não sendo uma personagem muito conhecida do grande público, é um actor e guionista com alguma carreira  (os Lethal Weapons são dele) e iniciou-se há uns anos na realização (Iron Man 3 e a porcaria recente que é The Predator são da sua autoria).
Predator é um must na classe dos filmes de acção. Em cima da acção, ainda posso destacar o suspense e o terror como temáticas onde pode facilmente encaixar. Está muito bem equilibrado por parte do John McTiernan, outro gajo com muito currículo e um gajo que gosto particularmente porque dá sempre um toque especial aos filmes de acção. Até a banda sonora original de Alan Silvestri merece destaque, uma raridade no mundo dos filmes de acção, em que tudo está direccionado para as porradas e as explosões. ●●●●○

PS: Fica aqui a diferença dos trailers actuais versus os trailers da altura. Dá que pensar. Parece que antigamente não ligavam muito aos trailers. Hoje em dia, parece que fazem primeiros os trailers e só depois é que vão preencher as lacunas para dar um filme inteiro... Não admira que antigamente uma pessoa ficasse positivamente surpreendida com os filmes; os trailers eram medonhos e terrivelmente mal feitos.



PS 2: Como não ligo nada a memes e "coisas divertidas" da net, só agora fiquei a saber que um dos memes mais populares de sempre é a frase do Arnold Schwarzenegger tirada do Predator: "Run! Get to the choppa!"... Coisas modernas... Don't get it...
Em meados de século XVIII, a vila de Gévaudan em França esteve envolvida num mistério macabro. Um monstro andava a matar aldeões indiscriminadamente e a semear o pânico na população da zona. Para resolver o mistério, o rei francês envia Grégoire de Fronsac e Mani, o seu fiel guerreiro Mohawk. O que encontram é surpreendente...
Um bom filmito, este Le Pacte des Loups. Boas cenas de acção, suspense e uns pozinhos de terror,  tudo envolvido numa aura de misticismo. Muito bem realizado por Christophe Gans, assente num guião muito bem escrito. Para o sucesso dum filme destes, assim mais para o comercial, é preciso ter sempre bons actores e nesse caso há a participação (boa) de Samuel Le Bihan, Mark Dacascos, Jérémie Renier, Vincent Cassel e Monica Bellucci, como sempre, a destilar sensualidade para o mundo...
Gostei e recomendo. ●●●○○

Uma mãe em trabalho de parto que perde o marido a caminho do hospital. Um miúdo com problemas de comportamento. Uma mãe solteira e viúva. Um filho rebelde que vê monstros no escuro. Uma mãe que começa a acreditar que os monstros pode ser reais... Esta é senha macabra para entrar no mundo assustador do Babadook, a estreia absoluta de Jennifer Kent como realizadora. E que grande estreia, digo eu. The Babadook é bom filme de terror. Muito bem feito, com muito suspense à mistura e assustador o suficiente para conseguir levantar uns pelos na nuca...
Já fui um consumidor exagerado do género de terror, mas após décadas de slashers foleiros e festivais gore, comecei a enjoar e é muito raro ver um filme de terror. Mais raro ainda, é gostar. O que é o caso. Não tem os clichés do costume e é muito provavelmente um filme de terror que não agrada a adolescentes. Aqui não há jump-scares para assustar; aqui o medo vem das acções estranhas e extremadas dos intervenientes. Muito bem escrito. Muito bem realizado. Excelente ambiência. Boa fotografia. Bom design. Grande tensão. Bons actores. Essie Davis e Noah Wiseman têm uma química enorme e "partem a louça" toda. Recomendo, mesmo para quem não é muito fã do género. Mais um bom exemplo de que se pode fazer um bom filme com muito pouco dinheiro. Tudo muito bem feito. ●●●○○

Jeff é um homem que já correu o mundo como fotógrafo profissional, mas que depois de partir a perna enquanto trabalhava, fica confinado a um cadeira de rodas no seu apartamento em Greenwich Village. Entediado com a situação, decide virar a sua máquina fotográfica para a vida dos vizinhos nas traseiras do pacato bairro. No entanto, fruto da sua cabeça (ou não), presencia alguns acontecimentos que o fazem suspeitar que um dos vizinhos pode ter assassinado a mulher...
Qualquer aspirante a cineasta (e qualquer pessoa que goste verdadeiramente de cinema) deveria ver pelo menostrês vezes o Rear Window. É uma obra-prima consensual entre público e crítica. Mas, mais que isso, é um manual de como fazer um excelente filme com poucos recursos. Analisando bem, é uma gigantesca produção de teatro com base numa história repleta de suspense e intriga, tudo suportado por actores míticos e de calibre superior como James Stewart, Grace Kelly, Thelma Ritter ou Raymond Burr, mas especialmente pela direcção em cena do mestre Alfred Hitchcock. É um thriller à maneira antiga, repleto de suspense e paranoia, cheio de tiques de voyeurismo e tensão romântica, bem à moda de Hitchcock, que tem bem marcado o seu estilo de filmar nos mais pequenos pormenores.
Rear Window é mais um daqueles filmes que tem material para escrever uma enciclopédia inteira e é até provável que já o tenham feito. É uma obra-prima que tem de figurar em qualquer lista dos melhores filmes de sempre. É impressionante o que se consegue fazer com a simplicidade se se for genial o suficiente. E Alfred Hitchcock tinha genialidade para dar e vender... Sobre o mítico Alfred Hitchcock e tudo o que ele representa para o cinema nem sequer me vou alongar, porque ficaria aqui a escrever durante uma semana. Filmagens espetaculares, ângulos de câmara dramáticos, o som ambiente, o uso fantástico da luz e sombra, mas especialmente, o controlo total da percepção que o próprio espectador tem. Apesar de já estar bem longe da magia original do cinema é um digno sucessor e se calhar, o último mágico verdadeiramente moderno dos filmes. Hitchcock é uma figura incontornável do universo cinematográfico e este Rear Window, mesmo tantos anos depois da estreia ainda continua a ser uma prova viva disso mesmo. ●●●●●

O enredo de base de A Quiet Place é simples e já muito batido. O mundo foi invadido por extraterrestres que caçam com base no som e uma família isolada tem que lidar com alguns deles para poder sobreviver num cenário pós-apocalíptico. Vi este filme a contra gosto e com expectativas muito baixas, porque pensei que ia ver outra chacha de terror/acção/efeitos com adolescentes aos saltos entremeados por jump scares totalmente previsíveis. Foi-me indicado por um miúdo de 15 anos que gostou muito do filme e isso levou-me logo a pensar em parafernálias digitais infindáveis e acção estonteante e imparável. De certa forma, com aquela sugestão do miúdo, recuperei um pouco a fé na humanidade porque o filme é realmente bom e totalmente diferente do que estava à espera. Lá está... a questão das expectativas é muito importante nos filmes e na sua avaliação final... A acção vem precisamente da contenção da própria acção, o que diga-se, é muito raro hoje em dia. Suspense e montes de situações em que uma pessoa literalmente fica agarrado, em tensão, à cadeira é o que se pode esperar deste A Quiet Place.
Emily Blunt, John Krasinski, Millicent Simmonds, Noah Jupe e Cade Woodward compõe esta família sob pressão alienígena. A questão do som é de facto muito importante, tanto na questão familiar (a filha é muda e só comunica por linguagem gestual), mas também como um elemento extra de tensão...
Apesar de ser uma produção relativamente pequena, vale mais que muitos filmes de grande orçamento. É mais um bom filmito feito com recursos muito limitados, centrando a acção numa história muito bem construída e muito bem montada. Uma vénia para John Krasinski que para além de actor, assina também a realização. As cenas de tensão são muito boas, por vezes dramáticas e consegue afastar-se dos inevitáveis jump scares do costumeiro filme de terror. É uma lufada de ar fresco no género e no cinema de entretenimento em geral. Totalmente recomendado. ●●●○○

As grandes histórias estão sempre a vir à baila. É o caso de Murder on the Orient Express de Agatha Christie. Mas antes de dizer mais alguma coisa, deixo a pergunta no ar: justifica-se uma nova investida em "velhas" histórias? Não há mais histórias para adaptar? Vamos ficar eternamente presos neste loop de remakes, readaptações, re-, re-, re-...? Já estou um bocadinho farto... Dito isto, esta nova adaptação, com as devidas ressalvas, é totalmente aceitável. Sobejamente conhecida por ser uma excelente história de crime e mistério com um grande final, leva a que o filme perca algum interesse porque já a vi uma porrada de vezes. Fica preso entre dois mundos: refazer a história tal como ela é e uma pessoa já sabe qual o final ou então inventar uma nova história, mas aí deixa de ser o Crime no Expresso do Oriente, não é?
Kenneth Branagh é a grande força motriz do filme. Atrás das câmaras tem uma prestação segura e faz uma boa realização sem exageros; como nova encarnação de Hercule Poirot também não desaponta e até lhe incute algum vigor e dualidade que não existia na icónica (e incontornável) personagem de David Suchet, aliás, o único, eterno e verdadeiro Poirot...
O grupo de actores é extenso e como não podia deixar de ser só acrescenta valor: Penélope Cruz, Johnny Depp, Judi Dench, Willem Dafoe, Michelle Pfeiffer, entre outros.
Branagh foi muito inteligente em pegar nos contos de Agatha Christie: se isto correr bem - e aparentemente correu -, tem aqui um filão cinematográfico para durar anos. Parece-me óbvio que Murder on the Orient Express terá sequela obrigatória. Como está bem feito, não me desagrada a ideia... ●●●○○


"A Ciência criou-o. Agora o Chuck Norris tem de o destruir!". Esta é a tagline promocional do filme e é mesmo verdadeira. Acho que isto diz tudo de um filme e alerta para a "experiência" cinematográfica estranha que uma pessoa está prestes a ter. Na década de 80 fizeram-se alguns filmes muitos estranhos. Este é sem dúvida um deles. Pode-se classificar como um filme de acção/artes marciais/suspense/terror/ficção científica... ?!?... Mais ou menos isto. A grande questão é: "será possível misturar isto tudo num filme?" É sim senhor, e a resposta é Silent Rage, em que um ranger do Texas (Chuck Norris, ranger do Texas?!... onde é que já vi isto?) versado nas artes marciais tenta parar um assassino em série que não fala e que através da manipulação genética (?!) tem o super-poder de se regenerar e assim tornar-se praticamente imortal. Basicamente é um Wolverine, mas com tendências homicidas. Ou será o Michael Meyers do Halloween?... Mas o que acho mesmo engraçado neste filme é que o guião é praticamente o mesmo do Terminator que sairia uns anos mais tarde. Pode ser coincidência, mas lá que é parecido é... Mas também posso ser eu a tentar ver coisas onde elas não existem.
Ron Silver (uma dos poucos actores "verdadeiros" que entram neste filme), Toni Kalem (no papel da moça que frágil que foge e grita imenso) e Brian Libby (no papel de Terminator, perdão, no papel de psicopata imparável risível) são os únicos destaques possíveis. O resto do pessoal é demasiado mauzinho para mencionar... tal como o filme na generalidade. Mas é tudo desculpado porque esta é um peça vintage. Silent Rage (de Michael Miller) é para evitar, a não ser que uma pessoa seja fã e saudosista dos 80's e/ou se queira rir um bocado com esta raridade. ●○○○○

Aqui há uns tempos li algures uma frase que me ficou gravada. "Toda a geração tem o Jaws que merece". Parece-me uma frase absoutamente verdadeira.
O final dos anos 90 tiveram este Deep Blue Sea... para o bem e para o mal. A história é no mínimo estranha: um grupo de cientistas isolado numas instalações aquático-futuristas, tenta encontrar a cura para a doença de Alzheimer, fazendo experiências com tubarões vivos para lhe retirar do cérebro a tal cura. As experiências têm por base tornar os tubarões maiores e mais inteligentes, o que obviamente leva a que acabem por se virar contra os cientistas. Podia ser mais estranho mas era difícil. Mas também isso pouco interessa porque é apenas o disparo para as cenas de ação com tubarões digitais. E para poder dizer com toda a moralidade: "não deviam mexer com a natureza das coisas. Agora a presa tornou-se no caçador". É um enorme cliché mas também não é importante.
O que é mais estranho neste filme, é que apesar de ser ostensivamente uma chachada, de alguma forma entretém sem chatear. Tem acção. Tem suspense. Tem choque. E até uns toquezinhos cómicos aqui e ali. Na altura, a única grande estrela do elenco era o Samuel L. Jackson. E a personagem, chocantemente, nem sequer chega ao fim do filme. O restante pessoal, a funcionar apenas como "carne para canhão" (ou neste caso, "carne para tubarão") eram todos ilustres secundários (Thomas Jane, Saffron Burrows, Michael Rapaport, Stellan Skarsgård, LL Cool J) mas que funcionam perfeitamente bem. Renny Harlin é um bom realizador para este tipo de filmes de acção. Tem ritmo e introduz habilmente alguns elementos de comédia para o meio da tensão, o que eficazmente atenua a sanguinolência... E diga-se, até há bastante...
Apesar de toda a deficiência científica (para não dizer falhas graves), dos já maus efeitos especiais digitais (eram muito bons em 1999) e da história sem pés nem cabeça, Deep Blue Sea é um filme que estranhamente não me chateia nada (re)ver. Não tenho nenhuma explicação para este fenómeno. Deve ser só saudosismo... ●●○○○


O comissário Pierre Niemans (Jean Reno) é chamado a uma prestigiada universidade na montanha, que funciona quase como uma comunidade fechada, para investigar o brutal homicídio de um funcionário. Por outro lado, Max Kerkerian (Vincent Cassel) investiga a vandalização de um cemitério, em particular, a sepultura de uma menina morta anos antes, filha de uma freira que vive em reclusao total. As duas histórias acabam por ser cruzar, tal como os dois detetives, obrigados a trabalhar em conjunto com uma misteriosa mulher alpinista (Nadia Farès). Ambos terão de lidar com uma comunidade pequena, elitista, muito fechada, de poucas palavras e com muitos segredos por contar. Acabam por se envolver numa bizarra história de enganos, mentiras, assassinatos, serial killers e até eugenia...
Mathieu Kassovitz não costuma fazer maus filmes, mas em Les Rivières Pourpres (trduzido como "Os Crimes dos Rios Púrpura") superou-se. É um tudo-em-um: um thriller, um filme de detetives, de acção, de suspense e por vezes até de terror. Tem uma melhores cenas iniciais que já vi e termina igualmente bem, de uma forma totalmente inesperada. Prendeu-me na cadeira do principio ao fim. Já o revi umas três vezes... ●●●●○


Alguém sabe o que acontece depois da morte? Todas as pessoas têm a sua própria teoria. Eu não sei. Acho que não há mais nada. Simplesmente a não-existência. Mas também me parece lógico que haja alguma coisa. O corpo definitivamente morr,e mas a consciência pode perdurar. Sem os inputs sensoriais se calhar a consciência sobrevive numa espécie de stand-by... Sabe-se lá?
Em Flatliners, Joel Schumacher imagina que depois da morte, uma pessoa luta com os seus medos e os seus demónios para poder atingir a calma e a paz. É válido. Mas Flatliners que tenta ser um filme de suspense/thriller poderia ser melhor. Compreende-se. É uma premissa demasiado poderosa, profunda e filosófica para se pegar. Destaque para a parada de estrelas ainda jovens e em ascensão: Kiefer Sutherland, Julia Roberts, Kevin Bacon, William Baldwin e Oliver Platt. Vê-se. ●●○○○


 
Há filmes de tal forma especiais que acabam por se tornar icónicos. Jaws é um deles. Nem vale a pena alongar-me muito. Já foi tudo dito. Quem nunca viu o Jaws? Quem não conhece o poster? Quem é que não conhece "aquela" música do John Williams? Exacto.
Jaws é um filme muito especial por várias razões. É um dos primeiros filmes (quase uma estreia) de Steven Spielberg, um dos meus realizadores favoritos de sempre. (Meu, e de muita gente). Depois, Jaws, praticamente inventou o conceito de blockbuster de Verão, mudando a própria história do cinema. (ironicamente, há pouco tempo, li um artigo com uma entrevista ao Spielberg em que ele dizia que os blockbusters acabarão por ditar o fim do cinema actual)
Por fim, Jaws é especial porque é um daqueles filmes de nota 6. O tempo não os afecta. Quem viu o filme em 1975 saiu tão afectado do cinema como uma pessoa que o veja hoje. Mesmo passado tanto tempo, tudo é actual. Os efeitos especiais continuam impressionantemente realistas, mas especialmente porque o medo é intemporal, principalmente o medo do desconhecido...
Pessoalmente, Jaws foi um trauma. Vi-o muito novo e estive muito tempo sem passar da borda da água no mar com medo que um tubarão aparecesse e me comesse um pé. Mas é isso que uma pessoa espera de um grande filme de terror, não é? Qual é o interesse de ver filmes de terror e sair a rir de uma sala de cinema? Spielberg fez uma jogada de mestre ao esconder o "monstro". O grande tubarão branco não aparece na maior parte do tempo. É o método mais infalível para meter medo. É não ver o perigo, mas saber que ele existe. Mesmo hoje, se estou a nadar mais longe da praia e algo me toca debaixo de água, a primeira coisa que me vem à cabeça é... Tubarão!
Jaws não tem uma história do "outro mundo". É totalmente linear mas sem falhas. É mesmo "só" um tubarão a atacar veraneantes. (Se o Peter Benchley lê isto dá-me uma sova). A forma como é contada é que está espectacular. Tem qualquer coisa de Moby Dick. É simples, mas tem algo de clássico ao mesmo tempo. Como se costuma dizer, a simplicidade é a derradeira sofisticação. Pensando bem, Jaws resume-se mesmo assim: simples mas sofisticado. Deve ser por isso que não passa de moda.
Também ajuda ter actores muito bons. Roy Scheider, Robert Shaw e Richard Dreyfuss estão exemplares e são todos tão antagónicos que isso reflecte-se nas próprias personagens.
A conversa entre os três, numa noite calma, dentro barco que por acaso de chama Orca (as orcas atacam os tubarões), apesar de simples é excelente. É tão calma que uma pessoa instintivamente sente que algo de grave vai acontecer. Jaws está repleto destes pormenores de classe. Como por exemplo a morte de Quint que é das mais violentas que já vi no ecrã. O homem está literalmente a ser comido por um tubarão. E está espectacularmente bem feito. Como tudo resto. Para mim, Jaws é um dos melhores filmes de sempre. É o protótipo do filme perfeito. ●●●●● + ●

Pandorum é uma "pequena" produção de ficção científica. Pelo que percebi é uma produção alemã, com uma mãozinha "por trás" de Paul W. Anderson. Não é de estranhar que o filme seja tão parecido com o muito bom Event Horizon. Apesar de ser um bocado dejá vu, eu acho sempre muito positivo ver como é possível fazer um filme de ficção científica relativamente jeitoso, sem gastar centenas de milhões de dólares. Hoje em dia, parece que é obrigatório gastar rios de dinheiro para fazer um filmito em condições. Pandorum, apesar de ser um "filme de efeitos", centra-se mais na história (muito bem escrita), no suspense e no trabalho dos actores do que propriamente nos efeitos. E os efeitos até foram entregues ao estúdio lendário do Stan Winston. É uma das poucas oportunidades para ver efeitos "reais", tipo Face/Off (a série de make up do SyFy, não o filme...)
Tudo é competente em Pandorum: desde a realização de Christian Alvart, até ao trabalho dos actores, com destaque para o Dennis Quaid. Foi uma boa surpresa. A grande falha de Pandorum é tentar por todos os meios assemelhar-se às grandes produções de Hollywood. Se se mantivesse mais fiel a si próprio poderia ter ido muito mais longe. ●●○○○


Seven é um filme excelente. Não consigo ser mais sintético. É um dos melhores policiais que já vi envolvendo o tema sempre magnético dos serial killers. Desde o genérico inicial até aos créditos finais, nota-se que cada cena foi pensada e executada ao pormenor. Seven é o filme que todos os realizadores gostariam de ter feito: é simples mas ao mesmo tempo é complexo. Tem um aspecto decadente, mas também é esteticamente belo. É um drama. Um policial negro. Um filme de suspense que também está repleto de acção.
Tecnicamente é irrepreensível. Tem a música de Howard Shore que é sempre óptima e dá uma ambiência decadente e quase mística ao filme. Mas não é só a música. Tudo está primoroso em Seven: o som, a iluminação, a montagem... Tudo perfeitamente consistente. O facto de David Fincher ser um gajo dos telediscos poderia ter destruído o filme. A anterior experiência de realização tinha sido um fracasso relativo (Alien3), mas foi mais por culpa da estrutura do próprio filme do que do Fincher. (E já agora, o Alien3 só não é o melhor de todos os Alien, porque existe um Aliens do Jim Cameron...). David Fincher surpreendeu-me imenso e tornou-se imediatamente num dos meus realizadores de eleição, precisamente por ter pegado em toda a experiência visual dos telediscos e ter transformado um policial que poderia ser banal numa quase obra prima. Mas a palavra-chave aqui não é visual. É consistência. Tudo está perfeitamente unido. É um puzzle gigante em que no final todas as peças soltas encaixam na perfeição. Lembro-me perfeitamente do detective Somerset dizer algures no meio do filme que a história não ia acabar bem...
Em termos de argumento, Seven é como um relógio suíço. É uma obra de precisão meticulosamente manufacturada em que o autor está atento ao mais ínfimo pormenor. E ainda por cima está repleto de considerações acutilantes ao funcionamento da sociedade actual, que uma pessoa sabe que são verdadeiras, mas não tem coragem de as afirmar. Sendo que a base do argumento são os 7 pecados capitais, não dar uma "tacadas moralistas", seria perder uma oportunidade de ouro, não é verdade?
Nos papéis principais, estão dois excelente actores no "pico de forma" que são tão diferentes e antagónicos que só podiam funcionar bem juntos: Morgan Freeman e Brad Pitt. Gwyneth Paltrow num papel mais secundário do que habitual como a super fragilizada mulher de Pitt está perfeita, mas quem rouba o show é sem dúvida Kevin Spacey (John Doe é sem dúvida um dos melhores serial killers da história do cinema) que apesar de só aparecer durante poucos minutos consegue ter tanto impacto no filme quando os outros actores. Muito bom.
Seven é daqueles filmes que não preciso de rever, se bem que o faço sempre que dá na TV. Não consigo resistir. Vi-o no cinema na altura da estreia. . Não sabia ao que ia. Tinha gostado imenso do filme de estreia do Fincher e fiquei curioso para ver o que iria apresentar. Logo no aspecto inicial dos créditos percebi que ia ver algo especial. Quando comecei a ouvir e a musica era NIN eu soube que vinha aí algo de único. E não me enganei-me. Mais: suplantou todas as minhas expectativas. Levei uma autêntica "pancada" na cabeça. E foi espectacular. Saí da sala de cinema e só me apetecia voltar e rever o filme... Tem cenas tão brutais, únicas e inesperadas que ficam gravadas na memória. Não é preciso lembrar ninguém do salto que deram na cadeira quando o Victor (um esquelético, mas "verdadeiro" Michael Reid MacKay) repentinamente se começa mexer naquela cama suja, pois não? Ou daquela caixa no final...
Mas como todos os filmes que são excelentes, Seven tinha de ter o final perfeito. Para mim, tem um dos melhores finais que já vi. É difícil rematar bem uma história, principalmente quando ela se vai desenvolvendo em crescendo: é preciso um daqueles finais bombásticos. Seven cumpre totalmente. Tem o remate perfeito. Seven é um daqueles raros filmes que uma pessoa tem mesmo de ver. ●●●●●

Um arquitecto de renome fala calmamente com a sua mulher e diz que a ama. Depois dá-lhe um tiro na cabeça. A polícia prende-o sem dificuldade e ele confessa o crime. O advogado responsável pelo caso, habituado a ganhar quase todos os casos, assume que será uma condenação fácil. Mas não será bem assim, porque o polícia responsável pela detenção tinha um caso amoroso com a vítima.
Anthony Hopkins e Ryan Gosling têm prestações excepcionais que me fizeram agarrar ao sofá num daqueles thrillers à moda antiga na barra do tribunal. Especialmente Hopkins, que, com aquele brilho estranho nos olhos (o chamado crazy eye) parece ter "vestido" novamente a pele do "sábio-tresloucado" Hannibal Lecter.
Fracture (2007) é uma pequena pérola do cinema que tem drama, suspense, acção e uma excelente história com constantes reviravoltas onde uma pessoa nunca sabe o que vai acontecer a seguir. É um daqueles filmes que me prendeu ao ecrã e que está tão bem dirigido e é tão enervante - no bom sentido - que dá vontade de entrar pela TV dentro e intervir na acção. A realização imaculada é da autoria de Gregory Hoblit (que já tinha no currículo o excepcional Primal Fear) que consegue sem tiros, perseguições e explosões manter um filme de quase duas horas em constante acção e com uma tensão inacreditável. Tenho a certeza que se o Hitchcock estivesse a fazer crítica de cinema, lhe daria os "dois polegares para cima". Nada a apontar. Muito bom. ●●●●○

 
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