0583 Ferris Bueller's Day Off
Posted by artzzz333
Posted on 18:42
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Não sou uma pessoa de riso fácil. Admito isso. E por causa disso pode parecer que não gosto de comédias. Isso não é verdade. O que acontece é que a maioria das comédias modernas, como quase tudo o resto, foram invadidas pelo recente género de youtube-teenage-stupid (inventei a expressão agora mesmo...). No entanto, e para provar que de facto gosto de uma boa comédia, posso dar um exemplo perfeito: Ferris Bueller's Day Off. Um filme "simples", centrado num único dia de três adolescentes que decidem faltar às aulas. Um filme simples, mas brilhante. Um filme que está sempre actual porque toca nas emoções mais básicas: toda gente quer ser livre. Toda a gente quer ter um dia livre para simplesmente fazer o que lhe apetece e soltar-se das amarras sociais do dia-a-dia. Toda a gente quer ser o Ferris Bueller nem que seja apenas por único dia.Ferris Bueller's Day Off é o protótipo da comédia perfeita. Tem inteligência, tem profundidade, tem algum drama à mistura, mas especialmente faz-me rir. Ao longo dos anos já o devo ter visto uma dúzia de vezes. É um daqueles filmes a que simplesmente não consigo resistir. Estou a aqui a escrever e já me está a dar vontade de o ver novamente. Lembra-me sempre um sítio feliz.
Além de ser um filme consensualmente bem aceite por gerações diferentes, também é um filme que gera discussões e teorias. Uma das teorias que tenho seguido ao longo dos anos é a de Ferris Bueller's Day Off é uma espécie de enredo do tipo Fight Club. Por muito descabido que possa parecer, na realidade, até tem o seu nexo. A estranha teoria suporta-se na ideia de que o Ferris Bueller não existe e é apenas um alter-ego do Cameron Frye. Estranhamente, faz um certo sentido, já que apesar do filme se centrar na figura despreocupada do Ferris, a narrativa segue de igual forma, o despertar do Cameron para uma vida mais relaxada, fora do alcance opressivo dos pais, que culmina na cena da destruição do Ferrari. Pode ser só uma teoria (e eu até acho que é uma simples coincidência), mas é um sinal que um simples filme de adolescentes é muito mais que um "simples filme de adolescentes". Lá está, tem profundidade, as personagens têm camadas, têm substância e fibra. Representam muito mais do que aquilo que se vê.
John Hughes é um mestre neste tipo de filmes. Para além das capacidades na realização, o que sempre gostei no John Hughes é a visão diferente das coisas. Tal como agora, na altura, o teenage movie era uma coisa estúpida. Os adolescentes eram (e são) associados a uma sub-espécie subdesenvolvida mentalmente, burra como uma porta, de moralidade muito duvidosa e que só se conseguem divertir se se estiverem a magoar ou a fazer coisas estúpidas. Apesar de ser o estereótipo comummente aceite, Hughes (e eu partilho a visão) vê os adolescentes de uma forma diferente. Vê-os com as mesmas qualidades emocionais do adulto, mas com a diferença de serem mais rebeldes, mais impulsivos e com uma vontade enorme de serem livres.
E o que dizer do casting? Matthew Broderick "é" o Ferris Bueller e Alan Ruck "é" o Cameron Frye. Nunca poderia ser de outra forma. Às vezes tenho aquela sensação de que o actor "nasceu" para aquele papel. É este o caso. Mas o restante pessoal (Jennifer Grey, Mia Sara) não lhe ficam atrás. As personagens são tão ricas que às vezes só precisam de aparecer 5 minutos para serem memoráveis como Edie McClurg, Charlie Sheen ou Ben Stein. Para além de que nos falam directamente através da tela... E o que dizer de Jeffrey Jones? Hilariante. Aquela cena final no autocarro, já com os créditos a rolar, é das melhores coisas que já vi na minha vida. Aquela miúda com os óculos gigantes e aquela música estranha nunca mais me saiu da cabeça.
Para além de ser um filme que nunca vai "morrer", Ferris Bueller's Day Off é um dos meus filmes favoritos de sempre. Seja por efeitos da nostalgia ou pelo seu próprio valor, coloco-o orgulhosamente ao lado dos grandes clássicos do cinema. E já agora... Save Ferris... ●●●●●

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