0622 The Big Short
Posted by artzzz333
Posted on 11:59
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Em 2005 um grupo de investigadores financeiros apercebe-se de uma série de falhas graves no sistema americano de crédito à habitação. Para além das dívidas dos americanos serem impagáveis, o grupo apercebe-se da corrupção e da estupidez que gere este mercado escondido e decide apostar tudo o que têm na queda do próprio mercado. Os grandes banqueiros não percebem a jogada e inclusive ajudam-nos a angariar fundos para apostar contra os seus próprios clientes, julgando que estavam a fazer negócio com investidores estúpidos... O resto é história. E como a realidade é sempre mais estranha que a ficção, esta é uma história verídica. Os nomes foram alterados, mas as personagens são verdadeiras. Toda a história é verdadeira. Não parece verdade que haja pessoas na penumbra a ganhar rios de dinheiro com a pobreza dos outros, mas a realidade é o que é...Alguém por aqui sabe-me explicar o que são derivativos, dívida subprime, credit default swaps, obrigações de dívida colaterizada (CDOs), CDOs sintéticos ou outras destas "cenas" técnico-financeiras? Pois... não é fácil. Até mesmo para quem as criou e lucra com isso. O panorama, a desregularização sistemática e o ecossistema financeiro surreal criado à volta das dívidas "quase" eternas das pessoas comuns levaram a um descontrolo total, que levou ao colapso de economias inteiras. O mais inacreditável é que depois de tudo isto começar a arder, os gajos que criaram o fogo safaram-se sem culpa, atirando-a para cima das pessoas normais, e mais importante, no final, receberam ajudas gigantescas dos Estados (que ele detestam visceralmente) e ainda lucraram com isso. Nesse aspecto é notável a história contada no filme de como o Goldman Sachs atrasou o colapso financeiro o suficiente para vender activos tóxicos aos seus próprios clientes mais desatentos e apostar que eles iam perder dinheiro... tirando lucro disso mesmo. Um autêntico canibalismo financeiro em que nada, mas mesmo nada tem valor... a não ser fazer dinheiro. Inacreditável a lata destes gajos. E uma pessoa pergunta-se? Mas porque é que as pessoas não se revoltam como este tipo de situações? Acho que a resposta está nos parágrafos acima... ninguém faz a mínima ideia do que se passa atrás da cortina onde esta gente se move. Só mesmo quando há um fogo e o fumo chega perto é que as "pessoas normais" têm noção de que existe uma outra realidade para além da vidinha normal de pagar as dívidas no final do mês. E para aprofundar ainda mais as crises sociais, como parece que uma parte do pessoal que por cá anda é meio estúpida, passado pouco tempo, estão todos a atirar culpas uns para outros e os verdadeiros responsáveis, para além de se safarem sem verem as caras expostas nas primeiras páginas, vão para os seus iates beberem umas margaritas de borla... A verdade é que cada um tem o o que merece... Bem, parece que estou novamente a divagar...
Poderia aproveitar a oportunidade de falar deste The Big Short, para relembrar o perigo iminente das dívidas do subprime, dos derivativos, dos MBSs ou das CDOs, mas acho que não é preciso. Uma das coisas que The Big Short tem de bom é que para além de ser um bom filme, também é uma excelente aula de finanças avançadas. Explicam isto tudo muito bem explicado. Um gajo até começa a ter ideias malucas e a penasr se não seria melhor vestir um fatinho, meter uma "forca ao pescoço" e atirar-se de cabeça num destes esquemas financeiros marados... Adam McKay fez um trabalho soberbo, mas também tem de se dar os parabéns ao argumento que está espectacularmente bem escrito. Não é nada fácil criar uma narrativa assim com base em acontecimentos tão surreiais e tão repleto de terminologia que parece saído de um filme de ficção científica...
Está tão bem escrito que decidi guardar para mim uma citação do filme que acho que é absolutamente fantástica e que em certa parte acho que resume bem o mundo em que vivemos... "A verdade é como a poesia. E a maior parte das pessoas está-se a cagar para a poesia"... tradução livre, obviamente.
Para além de ser um grande filme, The Big Short junta outros pontos positivos como estar espectacularmente bem escrito, muito bem dirigido e ser interpretado por uma trupe de excelentes actores (Christian Bale, Steve Carell, Ryan Gosling e Brad Pitt) que verdadeiramente sabem o que estão a fazer. Mas a verdadeira importância do filme não está no filme propriamente dito: toda a importância está na mensagem. E a mensagem é muito simples: algures, por aí, por trás da cortina, há uma série de abutres financeiros que vão tramar toda a gente com a sua ganancia estúpida. E quando isto acontecer, toda a gente vai ficar pobre (outra vez) e estes gajos vão ficar (ainda) mais ricos. O sistema está mal construído e estas pessoas aproveitam-se disso, até porque são elas próprias que, à partida, constroem estas falhas no próprio sistema, para lucrarem com isso mesmo que toda a gente perca. Estas pessoas são perigosas porque só têm um propósito: fazer dinheiro. Tudo o resto é... nada. Zero. Nicles. Não interessa para nada... É por isso que The Big Short é tão importante. Quando acontecer outra vez, e vai acontecer outra vez (a vergonha juntamente com a ganância nunca termina - Greed is good! ...alguém ainda se lembra da frase?) é bom (re)ver o filme e perceber o que raios acabou de acontecer... novamente. ●●●●○
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